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VIVER... VIVER... - QUE FAZES TU?

30 de agosto de 2014






“Dize, oh poeta, que fazes tu?
- Eu celebro!... Eu celebro!
... E por que é que o silêncio e a impetuosidade, como a 
a estrela e a tormenta, te conhecem?

- Porque eu celebro!” [i]






Porque o viver me deixa prenha de respeito pela vida e me banha em um denso sentimento de gratidão a Deus, por estar aqui, poder pensar e escrever.    


Celebro a alegria do que vivi menina e jovem exuberante, mãe de tantas horas fora de casa, mulher e trabalhadora de muitos ofícios, aprendiz do 'viver-com' e do 'viver-só', surpreendida com as grandes transformações das horas apressadas, que anuviam minhas lembranças das ruas de Custódia, dos longos corredores do internato, e do alegre Recife dos anos cinquenta.


Celebro o rio Capibaribe do Recife, tão comprido, ligando culturas e saberes  - e  fazendo  de   conta  que tudo é igual - a embelezar, em rodopio contraditório, ruas de terra e de asfalto, arranha-céus e favelas, avenidas e pontes do Recife tão bonito, que me acolhe e me abriga há muitos anos. Aqui, o Capibaribe se embeleza de versos ora políticos, ora bucólicos, ora chorosos por suas malcuidadas águas. E dos versos brilhantes de Manuel Bandeira, cheios de solidão e sensibilidade, e das cantigas de aguda sensibilidade, de João Cabral de Melo Neto.   

Celebro a paisagem do Capibaribe quando desemboca no mar, e se embeleza das obras de Brennand.

Lembro-me dos passeios saudosos que fiz no rio Tejo, em Lisboa e da poesia de Fernando Pessoa, que o cantou em seus versos. 


E do rio Tigre, em Roma,  onde vivi os meus anos de juventude, quando estudava e trabalhei exercitando o ofício de jornalista, e aprendendo a observar e a refletir, a refletir e a escrever... e a dizer sim à vida!
Roma que me é tão íntima, porque lá me pendurei nos ônibus apinhados como os nossos daqui – não esqueço a linha 61 que saia da Praça de São Pedro, para a Stazioni Termini. E sempre que volto, ainda é assim. 

Quando estudante, em Roma, também trabalhei como babá, contratada a passear com um bebê, em volta de uma praça, enquanto sua mãe fazia compras.  À tarde, me transformava em tradutora de programas da Rádio  Vaticana, para os países de língua portuguesa.



O rio Danúbio, em Viena - tão presente nos nossos sonhos adolescentes de então - pude admirá-lo num passeio solitário, pela cidade, experimentando a liberdade do desconhecido.
  
rio Praga, ah, tão bonito! O conheci em 2007. A beleza tão original da cidade, tão serena e rica de cultura. Até hoje sua lembrança me diz e repete que devo voltar! 

O Ródano, em Genebra, me fala de amizade para sempre, e de um encontro inesperado, no lago Leman e seus jardins, de tanta preciosas lembranças! 

E o Sena, o Sena das alegrias, em Paris! E de muitas caminhadas...

Em Istambul eu queria me ajoelhar para contemplar o Mar do Boros - um braço entrante do mar cuja imagem ainda carrego no coração, enamorada que fiquei de sua paisagem povoada de pombos esvoaçantes e de um belíssimo casario em suas laterais, relembrando a exuberante Constantinopla do povo otomano. A Istambul de hoje passeia com o olhar de melancolia do seu povo e dos seus poetas. Uma esplendente cidadegrávida de sua história, revestida da beleza de então. Lá, senti a sensação profunda do contraditório, do ser e não ser... do ir e vir... do sim e do não... do talvez e do querer... do quisera e do pudera... do buscar saber tanto, sabendo-se que nada se sabe. 

Hoje celebro, em humilde oração, o caminho que escolhi, os erros que cometi, os acertos que sempre busquei, e os celebro! Celebro a mal-estar da  da ignorância e e a profundidade dos porquês; celebro as histórias que os fiapos do tempo teimam em costurar, dessecadas do óleo do amor que um dia houve; celebro a leveza do afeto que carrego dentro, em busca de distribuí-lo com quem se achegar, e com aqueles de quem posso ir ao encontro; e celebro esse momento inteiro, quando me pego impregnada de gratidão, feito uma pequena esponja sumida na espuma flutuante do mar. 

Celebro, ainda, o dom que o Deus Amor derrama, na profundidade de cada um de nós – em momentos de alegria e de dor. Ele que me impulsiona a renascer e me renova a cada dia  –  num gesto muito antigo de paciência, como diz um verso da poetisa portuguesa Sophia de Mello. 

Por último, celebro a dor jacente e dura que me acompanha, no vácuo aberto entre o meu pensar e o meu ser, o meu dizer e o meu fazer, o meu querer e o meu agir.




[i] Reiner Maria Rilke – poeta citado por Antônio Ferreira Gomes, no prefácio do livro: Contos Exemplares. Ed. Figueirinhas, 15ª edição. 1985. Lisboa-PT.

[ii] Sophia Mello Breyner Andresen, escritora portuguesa contemporânea, em “Contos Exemplares”, Ed. Figueirinhas, p. 94.


Crédito Imagens:

Mangueira prenha - Pedro Alessio - Recife
Recife - Rio Capibaribe -  www.tripadivisor.com.br/atraction
Roma - Rio Tigre - Wikipedia.org

Praga - Rio Praga - arquivo pessoal.


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor faça um comentário neste blog.  




IL QUOTIDIANO VIVERE

29 de agosto de 2014



C’è  molto da fare nella nostra quotidianità, ma invece seguiamo a divagare nel tempo perso come pezzi di carta al vento, trascurando  l´essenza della vita.  Certa volta, mentre guardavo  l´imagine di un telefono antico mi è spiccata  un´idea:  che oggi si ha bisogno di “chiamare” a se stessi con urgenza – nel più profondo dell´essere.  Quando  il chiamare  rissuona dal di dentro e non lo si risponde,  nulla succede –  il tempo della vita  svanisce in fretta e si scioglie serpeggiando senza destino.

Ricordo un sogno che ho avuto:  ero in un grandioso mercato con inumere dipendenze sparse su diversi piani  – avevo bisogno di fare delle spese ma ero in ritardo... Mi scontravo con la gente che circolava intorno e guardavo 
l´orologio:  un mostrino m´indicava il giorno seguente, il tempo si era svanito, la sensazione di essere di subito nel domani!

Ho capito più tarde il messaggio di quel sogno –  il tempo perso è generato dalla inerzia davanti ai sogni della vita, dall´indolenza che non ti lascia lottare per quello che si vuole, come se avessi un desiderio nascosto che la vita si trasforme da sè... Ma, come si può realizzare qualcosa alla vita senza il nostro intervento, ognuno a fare le sue scelte, a riflettere e decidere il cammino di arrivo?



La necessità di donnare un senso alla propria vita esige che ognuno prenda parte alla costruzione del suo sogno e segua il cammino che porti là dove il sogno gli chiama. Molti si perdono perchè non impararono ad esercitarsi nell´autonomia, che non dispensa l´apoggio e la collaborazione di altri, ma ricchiede autenticità. Autonomia é anche sapere discernere con chi e con che ci posso contare  – l´aprendistato si fa nel libero e sincero scambio, e nello spontaneo appoggio di talenti e di saperi.


Alcuni pensano che imparare è una attività esclusiva della gioventù. Eppure, non c’e  età e neppure diploma che ci doni um atestato di sapienza: siamo eterni apprendisti,  anche se la bocca del tempo si sconvolge nel divorare i giorni, le ore ed i secondi che disegnano la nostra eterea vita. 


Oggi ho verseggiato i miei desideri così:

Voglio un tempo da sognare
Voglio un tempo da pensare
E un buon tempo solo a vivere!

Voglio anche a chi amare
E la forza da rinascere
Dal dolor, perchè riviva
Un buon tempo da sognare!

Gli amici voglio riunire
E incominciare a creare
Un tempo solo a servire!

Un tempo anche  per  me
Per trovare il mio essere
E inventare un nuovo tempo
Un buon tempo da imparare!

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Fonte delle immagini: www.canstockphoto.com.br/foto-imagens




DALLA WESENDOCK

28 de agosto de 2014


De tanto amar o poema, decidi fazer tímida versão de um soneto que escrevera em italiano, há anos atrás. Encontrei-o perdido numa folha datilografada, já encardida, com uma nota, escrita a mão, lembrando que Mathilde Wesendock foi uma poetisa do século XIX, para quem o compositor alemão Richard Wagner dedicou um de seus densos momentos musicais.


Inicio, assim, a postagem de textos escritos em italiano, incluindo a versão de artigos postados em português. É um gesto de carinho aos leitores de um país que amo muito e para onde retorno – sempre que me é possível – a me banhar de sua beleza e do afeto dos amigos que lá deixei.




DALLA WESENDOCK
  


E` da così lontano che ti penso
E  da così lontano ti contemplo


Il mare che fra noi si pone, denso
Nel canto suo è gravido d´amore.



In cuor ti vedo e qui ti voglio, invano!
Ricordi mi risvegliano il desio...
Ma si arde qui il sole a tutto spiano
Da te in cielo ormai fa presto buio.

Che fai, che pensi, che ricordi avrai?
E`così lungo il tuo silenzio e pregno
Di un dolce affetto come sol tu sai...

Tu che del pianto mio sai il dolor
Fammi arrivar da te un gesto, un segno
D´altra volta un´incontro, un sogno, amor!






                                                      


DALLA  WESENDOCK                                                

                                                                 
                                                                                                                                                       
De tão distante eu te penso amor
De tão distante aqui eu te contemplo
O mar que nos separa em seu tremor
No canto seu é grávido de dor.

Te trago dentro e em vão eu busco a ti
Recordações me acendem o desejo
E se arde quente o sol que brilha aqui
O céu que vês não é esse que vejo.

Que fazes, pensas, que lembranças hás?
O teu silêncio é tão grande e prenhe
De um doce afeto que só em ti jaz.

Tu que do pranto meu sabes a dor
Faz-me saber que um dia haverá
Outra vez um encontro, um sonho, amor!



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Crédito imagens:

Foto de Richard Wagner - compositor - Munique, 1871 - Wikipedia.org

Retrato de Mathilde Wesendock, por Karl Ferdinand Sohn (1850) - Wikipedia.org
Foto do mar - assinada por Maja M. 


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre  em contato com vrblog@hotmail.com 

EU SÓ QUERIA NASCER DE NOVO

22 de agosto de 2014





















“Eu só queria nascer de novo,
pra me ensinar a viver!” [i]


Esse desejo da pequena Herzer – menina de rua e poeta – também pode ecoar em nossa vida, na ânsia de consertar uma atitude tomada na adolescência, na juventude ou mesmo na idade adulta: nascer de novo, recomeçar!

Se hoje eu pudesse encontrar essa garota – eu que há mais de sete décadas vejo o nascer e o pôr do sol – diria a ela que seguisse em frente, na sabedoria dos seus poucos anos, tendo o cuidado de ser fiel  ao seu desejo tão intenso: nascer de novo, recomeçar!   



Sim, é possível nascer de novo, quando alguém se propõe a aprender, com sinceridade – e, possivelmente, em comunhão com outros – a recomeçar a cada momento, dia após dia. Esta é uma sabedoria secular, de imensa simplicidade e, ao mesmo tempo, carregada de sentido para o nosso viver.  



Recomeçar a cada momento não significa ficar preocupado com o que vai acontecer a cada instante; basta cuidar de manter o coração atento e não se deixar corroer pelas lembranças do passado, nem se exasperar com o que virá a acontecer mais tarde: a cada dia o seu fardo, diz a sabedoria do Evangelho. 



Nascer de novo é consignar a nossa história pessoal à profundeza de Deus – Alá ou Javé, o Pai/Mãe, a Energia Vital, o Ser, o Pastor, o Indizível, o Desconhecido, o Deus Amor.  Entregar a Ele a nossa história pessoal – a do passado, a de hoje e a de amanhã (se amanhã houver). Este é o gesto fundamentador dos crentes de toda a história da humanidade: confiar-se aos cuidados de Deus, realizando no dia a dia aquilo que a vida nos exige e também nos enleva.

Na profundidade do seu verso, a menina poeta me estimula a viver este momento em que me empenho em comunicar o que há de melhor em mim. E você, por sua vez, neste momento em que se dispõe a ler esses rabiscos, talvez em busca de alguma carícia para o seu coração ou quiçá, de algo que possa alumiar um pouco mais o seu cotidiano viver.  

É desse modo que comungamos o dom um ao outro, no desejo de estender esse vento suave de vida que a experiência e a poesia carregam em si. 





E por falar em poesia e vida, encontrei uma feliz confirmação desse meu pensar nas palavras de um grande líder americano, Martin Luther King. Eu gostaria de dedicar esses seus versos à menina Herser:

Nós não somos o que gostaríamos de ser
Nós não somos o que ainda iremos ser
Mas, graças a Deus, não somos mais quem nós éramos.



[i] Herzer, menina de rua e  poeta, citada por Leonardo Boff.

Fonte das imagens: 

1. Meninas brincando - Desenho de Abelardo da Hora - Recife (Brasil)
2. Cantores - Brennand - Foto divulgação de obra exposta na entrada da sua oficina Brennand, em Recife (Brasil)
3. Papa Francisco com os chefes dos Estados da Autoridade Palestina e de Israel - divulgação na internet.
4. Figura egípcia exposta no Museu Louvre - foto do acervo do museu, na internet.
5. Martin Luther King - Wikpedia.


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A LINGUAGEM DO SILÊNCIO

19 de agosto de 2014

     



O silêncio tem jeitos diferentes
Pra dizer o querer e o não querer
Pra falar do que não se sabe como,
Ou buscar da razão um parecer.


No silêncio a palavra é um gesto
No encontro de amigos e amantes
É o sabor de dizer o bem-querer,
Presença do que se sabia dantes.






Quando o silêncio está quiçá bem perto
Do pensamento, basta o seu eco.
O amor e a dor falam num abraço
E no encontro o silêncio é livro aberto
Para dizer o afeto e o desafeto
Ou chorar, de amor, no seu regaço.

Na distância o silêncio enlouquece
Ruidosa é a presença das lembranças
Que o silêncio tão cedo não esquece
E as transforma consigo e as enrijece
Refazendo o sentido das palavras
E qual mágoa gravada permanece.


Quero um silêncio inteiro, um fomento
Para cuidar do silêncio que maltrata
E resgatar a história, no seu tempo,
E iluminar o dito e o não dito.
E como a história faz, ata e desata,
Desfazer, no silêncio, o seu mito.

Quero um silêncio longe da anuência
E a palavra do silêncio inteira
Que anula a fonte da interferência...

Um olhar silencioso de ternura
Quiçá uma palavra derradeira
Pra acarinhar de luz a mente escura.


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Poema de Vanise Rezende - vaniserezende.com.br

Imagens: www. canstockphoto.com.br

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OS RACIOCÍNIOS DO CORAÇÃO

15 de agosto de 2014


"Todos dizem que o cérebro seja o órgão mais complexo do corpo humano, como médica posso até estar de acordo, mas, como mulher asseguro que não há nada de mais complexo do que o coração, ainda hoje não se conhecem todos os seus mecanismos. Nos raciocínios do cérebro há lógica, nos raciocínios do coração, as emoções”.

A citação acima, da médica judia italiana Rita Levi Montalcini - divulgada na internet pelo Hospital Bambino Gesù de Roma - é carregada de sentido por ser de autoria de uma mulher que alcançou grande proeminência por sua atividade científica, política e cidadã. Ela viveu ativamente até os 103 anos de idade.

Rita Levi Montalcini (1909/2012) foi senadora vitalícia da Itália e ficou conhecida como a Senhora das Células pela descoberta do fator de crescimento do nervo (NGF), uma proteína que faz as células em desenvolvimento crescerem, estimulando o tecido nervoso circundante. Sua pesquisa - realizada com a participação de Giuseppe Levi, seu colaborador - trouxe um aporto significativo para o desenvolvimento do estudo do câncer e das doenças cardiovasculares como Alzheimer e Parkinson. Em 1986 ela recebeu o Prêmio Nobel de Medicina junto com o norte-americano Stanley Cohen, que conhecera nos Estados Unidos onde viveu por trinta anos.

A biografia de Rita Levi Montalcini exalta o seu conhecimento reconhecido em todo o mundo, mas não fala do que se passava no seu coração de mulher. Por ser judia, sua família lutou para sobreviver no período nazista. Na segunda guerra mundial ela atuou como médica em Florença, na Itália, e no início dos anos sessenta participou da atividade do Movimento de Liberação Feminina pela regulamentação do aborto. Em 1975 tornou-se a primeira mulher a ser membro pleno da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano. Em 1999 foi nomeada embaixadora da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a fim de contribuir na sua campanha contra a fome no mundo. Ganhou inúmeros prêmios por suas contribuições à pesquisa médica e científica.



"As mulheres constituem igualmente, ao lado dos homens, um imenso depósito de potencialidades, embora ainda distanciadas de uma plena paridade social". 

 


Com Paula, sua irmã gêmea, criou a Fundação Rita Levi-Montalcini que apoiou a realização de um projeto denominado “Um convite às meninas Tuareg”.  O projeto motivou a promoção de uma campanha de doação de bolsas de estudo destinadas à escolarização secundária e à educação sanitária de jovens líderes africanas.  



O objetivo principal do projeto foi o de criar um primeiro núcleo de jovens mulheres africanas com formação superior, numa área onde não havia acesso a esse nível de educação escolar. Inicialmente foram oferecidas bolsas de estudo a trinta jovens Tuareg que viviam nas vilas periféricas da cidade de Agadez (Nigéria), de modo que colaborassem no desenvolvimento de lideranças  politicas e sociais no país.  



O impacto do projeto resultou como uma fundamental contribuição para a construção de uma visão inovadora de cooperação na Comunidade Européia. "A cooperação internacional - diz o projeto - ao lado da criação de oportunidades iguais à instrução-formação, representam uma ocasião preciosa para consolidar os valores da participação, da solidariedade e da democracia e para reforçar a coesão social das comunidades, fatores igualmente determinantes para o desenvolvimento local e regional"






Rita Montalcini afirmava que se sentia uma mulher livre. Crescida em “um mundo vitoriano, no qual dominava a figura masculina e a mulher tinha poucas possibilidades,” chegou a declarar o quanto se ressentia desse fato: “porque as nossas capacidades mentais – de homem e de mulher – são as mesmas: temos iguais possibilidades e diferentes pontos de vista”.


Sobre os jovens, ela declarava: “Hoje, em confronto com o passado, os jovens usufruem de uma extraordinária amplitude de informações; o preço disso é o efeito hipnótico exercitado pela televisão que tira deles o hábito de raciocinar (além de lhes roubar o tempo a ser dedicado ao estudo, ao esporte e aos jogos, que estimulam a sua capacidade criativa). Assim, é definida para eles uma realidade que inibe a sua capacidade de “inventar o mundo” e destrói o seu fascínio pelo desconhecido.”

Interessou-me a história da Montalcini  porque – embora sendo uma mulher cientista reconhecida em todo o mundo – ela foi capaz de falar e de testemunhar a sensibilidade que pode ser cultivada no coração humano.

Sem a sensibilidade cultivada no coração, como se pode amar a si mesmo de modo a se poder amar um companheiro ou companheira, os filhos, os amigos, as pessoas da própria família? Como seria possível enxergar a dor do outro e respeitar os seus limites, sem a perspicácia do coração? E como se poderia lutar pela melhoria da sociedade onde se vive e da relação entre os povos, não fosse o aprendizado de ampliar a nossa capacidade de “amar a pátria dos outros como a própria", como sugeria Chiara Lubich?


Dois dias depois de completar 103 anos, Montalcini postou uma nota no Facebook dizendo como era importante nunca desistir da vida ou cair na mediocridade e na resignação passiva: “Eu perdi um pouco da visão, e grande parte da audição. Nas conferências, eu não vejo as projeções direito e não me sinto bem com isso. Mas eu penso mais agora do que eu fazia quando eu tinha 20 anos. O corpo faz o que ele quer. Mas eu não sou corpo, eu sou a mente."


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Fonte das informações: 

www.ritalevimontalcini.org; facebook: fondazione rita montalcini; cronica do jornalista Ricardo De Luca/AP e wikpedia.

Fotografias: wikipedia e facebook. 

A imagem reproduzida foi divulgada na internet pelo 'Hospedale Bambino Gesù - Roma-IT'


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