Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

SEM UM SORRISO, SEM PRANTO

31 de janeiro de 2015




A esperança na espera
Conjectura e conjura...
Resguardo, apeio, quimera
Parir a doce ventura
Do encontro com outro olhar...
Poder ouvir novo canto
Poder ficar e aceitar
Sem um sorriso, sem pranto,
Só no anseio de entender
Pra onde vai essa rima
Esse jeito de viver...




Esse desgosto, esse clima,
Essa resina grudada
Como emenda de arrego
Nessa roupa já rasgada
E esse olhar distante e vesgo...
O pano em pedra curtida
A pedra quente no chão
A dor doída da vida
Num chão sem verde e sem rio...
Nessa paisagem sertão!


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Crédito das Imagens:

1. Paisagem com ipê - www.mossoroemfoco.com
2. Paisagem preto e branco - www.compassolento@wordpress.com

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MINHAS TARDES COM MARGHERITTE

27 de janeiro de 2015

Uns quarenta e cinco anos ele poderia ter: gorducho de compleição, desengonçado, analfabeto, vestido quase sempre de macacão, girovagava pela cidade no seu carro de serviço muito bem conservado, a entregar hortaliças orgânicas e viçosas – era o seumétier, ele mesmo as cultivava no vasto quintal da casa onde vivia com sua mãe. Sua característica era assumir para si tarefas de outros, na tentativa de ajudá-los, mas era desajeitado e rude, e assim ficara conhecido na pequena cidade. Os seus problemas eram muitos, se sabia, mas o que não se percebia era que faltava-lhe uma causa raiz na sua história de vida: não se desvendava o porquê daquela sua tristeza fundamental, daquela saudade intensa do que lhe carecera na infância – sua mãe, tremendamente implicante, até debochada, o desmerecia a cada ralho, por qualquer coisa ele fizesse, fosse o que fosse: como se não o pudesse suportar..


Pensando bem, não era só a mãe que o menosprezava: na idade adulta, os comentários habituais dos companheiros – que amigos não havia – eram de depreciação; em muitas situações era ridicularizado, mesmo quando se esforçava para apoiar um deles, demostrando interesse por suas vidas. Toda vez, sem exceção, aqueles gestos de rejeição o faziam retroceder no tempo, lembrando os fatos em que não fora aceito, na infância, insultado que fora até na escola, por ser alto e gorducho e, especialmente, por não conseguir ler qualquer trecho que o professor indicasse; assim, professor e alunos o insultavam, a desmerecê-lo. Ainda lhe soavam os insultos do professor, e as risadas da criançada na sala de aula, a divertirem-se da sua incapacidade, daquele terrível limite que carregava.

Mesmo assim havia alguém que parecia compreendê-lo, pois o escutava, valorizava suas ideias, encontrava nele capacidades de que ele nem se dava conta. Era a sua namorada, uma jovem motorista, com quem Germain se encontrava no final do dia, quando ela saia a recolher o ônibus que dirigia de uma cidade a outra. Era uma mulher bonita e de grande sensibilidade: sabia amá-lo assim como ele era, com aquele jeito tímido e desengonçado.

Todas as tardes, enquanto a esperava, ele ia conversar com "seus" pombos, numa praça recuada: sabia quantos eram e os reconhecia tão bem que os nomeou um a um, por suas características. Uma vez, Germain foi surpreendido, na praça, com a chegada de uma velha de cerca noventa anos, magra, pernas finas e ágeis. Era uma mulher vivaz que, para sua maior surpresa, demonstrara interesse em saber quantos eram os pombos e quais os seus nomes, fazendo-o apresentar-lhe todos. No dia seguinte ela voltara, com seu vestido florido e sua grande simpatia. Nos outros dias também e, então, ficaram sabendo o que cada um fazia, ela vivia num asilo de velhos, ali por perto... Conversavam como se fossem amigos de longa data, era assim que lhe parecia. Cientista que fora à sua época de trabalho, na OMS, Margueritte – assim se chamava, com dois tt – ficou sabendo que Germain sequer havia concluído o curso básico, e pouco a pouco conhecera a sua triste história. Os encontros dos dois continuavam, para sua alegria...

Certa vez Margueritte chegou e, após as costumeiras saudações, colocou seus óculos, pegou um pequeno livro, na sua grande bolsa, e disse a Germain que estava lendo uma interessante história. E, surpreendendo-o mais ainda: perguntou se ele não se incomodava de ouvir a sua leitura em voz alta, pois era assim que ela gostava de ler...


Desde aquele dia Germain escutava as leituras de Margueritte com profundo interesse, e era capaz de lembrar fatos, como aquele da peste de ratos que invadiram uma cidade, do livro “A Peste” de Camus. Depois, ouvira a leitura de um romance... A amizade se firmou e Margaritte convidou Germain para tomar chá no espaço onde vivia. Germain estava envolvido e muito feliz por experimentar, pela primeira vez, o sentimento da amizade: uma pessoa estranha que o considerava, que lhe falava coisas bonitas, e que o fizera descobrir o quanto era bom ouvir as histórias dos livros, lidas assim, em voz alta.  

No dia do chá ele levou um buquê de flores do seu jardim. Chegando à casa que abrigava Margheritte descobriu que ela tinha muitos livros, com histórias maravilhosas... Ela, por sua vez, percebera o quanto ele era capaz de referir frases inteiras dos livros que haviam lido juntos, aquela sua atenção brilhante que ela havia percebido. Até os companheiros de Germain estavam notando que alguma coisa mudava naquele grandalhão... 

Essas são algumas impressões que me ficaram de uma história comovente e carregada de poesia, sobre a vida de alguém que, desde criança, era conhecido por um gordo   amalucado, desnorteado... Uma história criada pela escritora Marie-Sabine Roger, autora do livro que deu origem ao filme La tête en friche.[1]  Uma história que poderia acontecer na vida real, com diferenças de personagens e de lugar, sempre que alguém tiver um olhar atento e sensível, carregado daquela “carícia essencial” que parecia mover a vida da velha Margueritte

Um homem, aparentemente bobo, não escapara ao seu cuidado, à sua atenção sincera e ativa. É o que nos conta o filme, estrelado pelo experiente ator Gérard Depardieu e por Gisèle Casadesus, a comovente velha Margueritte  –  dela, o homem que não era bobo aprende não só o prazer da leitura, mas a responder, com ativa reciprocidade, a atenção que recebera da sua amizade. A surpresa final que Germain teve em relação à sua mãe, também é carregada da mesma lição, que nos alerta como as pessoas nem sempre são “apenas” aquilo que aparentam...

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* Este filme, dirigido por Jean Becker, é intitulado, no Brasil: “Minhas tardes com Margueritte”, e pode ser visto no site: www.netflix.com.br

Crédito Imagens: 

Capa do filme - divulgação.
Foto - palasathenas.org.br


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A AVÓ DE LUIZINHO

16 de janeiro de 2015


Não era uma velha rabugenta, a avó de Luizinho. Tinha um aspecto jovial e ainda trabalhava como dentista, na cidade, mas, o que ela gostava mesmo era de ocupar o seu tempo livre com os netos, na casa do filho, quando lhe era possível pegá-los na escola. Eram dois, os netos - uma menina de sete anos e um garoto de cinco, com os quais a doutora virava uma alegre criança. Ela se refazia de todas as suas preocupações quando brincava com Maria, tão carinhosa e meiga, que sempre curtia participar das criativas brincadeiras da vovó Inês. Assim era, e nunca deixara de ser: a avó ficava ali, no tapete da sala, salpicado de livros sobre animais e florestas, princesas e fadas, alguns bonecos, os caminhões de bombeiro de Luizinho, e os tratores com caçambas de todos os tipos: para levar areia, carregar pedrinhas, transportar máquinas e cavalos.

Luizinho era exímio em criar pistas e ladeiras difíceis para os seus tratores: subidas feitas com as almofadas da casa, ladeiras de tampas de caixas de sapato achadas nos armários da mãe, e um indispensável túnel, bem comprido, antes da curva da estrada, construído com os tapetes de borracha que ele trazia dos banheiros, e que formavam paredes revestidas de alta resistência. Assim, ele praticava o que aprendia nos finais de semana, com o seu pai, engenheiro de uma construtora. Difícil era Luizinho deixar algum tempo livre para a avó e a neta brincarem ou lerem suas histórias.


Naquela tarde ele tentava explicar, a avó Inês, para que servia tudo o que Joelma lhe havia emprestado, da cozinha: os palitos de canela, agora transformados em toras de madeira, e as cargas de grão de bico e de castanhas do Pará, que viravam pedras arrastadas pelos tratores. Uma vez ou outra, a própria avó lhe fornecia areia, igual àquela com que Joelma fazia uma farofa bem nordestina, misturada com ovos, cebola e manteiga.



A cozinha corroborava a criatividade de Luizinho. Aquele era o momento em que as crianças brincavam em casa, durante a semana. A mãe os levava logo cedo à escola, para depois passar todo o dia de plantão, em dois hospitais da cidade. Assim, também os filhos passavam o dia inteiro na escola. À tardinha, era o pai que os levava para casa. Assim, Luizinho precisava aproveitar bem, durante a semana, aquele seu restrito espaço de liberdade, mas não gostava quando a avó brincalhona o ocupava nas farras com Maria, sua irmã. Ainda bem que ele contava com a sua imaginação deslumbrante e a ajuda da boa Joelma que nunca deixava de lhe fornecer os materiais de que a sua invenção precisava. 

Mas, logo hoje, parecia que a avó passava dos limites. O menino começou a embirrar com as brincadeiras dela com Maria: precisava do ambiente inteiro da sala, pois todos os seus caminhões estavam em atividade, a levar as cargas pela estrada. A avó, entanto, por mais que ele pedisse não se retirava, ela e a afoita da Maria. Até que ele, aborrecido, sem perceber que o pai acabara de entrar na sala, irrompeu abusado:  Você é uma bruxa, vó!  No mesmo instante, ao notar a presença do pai, Luizinho completou, auspicioso: ...Que vai se transformar numa linda princesinha!

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Crédito imagens: www.cnastockphoto.com.br

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MEDO DA FELICIDADE

6 de janeiro de 2015


Um olhar profissional qualificado, e a experiência de dezenas de anos de carreira, podem significar -  aos que desejam sustentar o passo inicial de 2015, ou iniciá-lo agora  -  um empurrãozinho de animação e coragem. Assim, aqui vai a palavra do psicoterapeuta e psiquiatra Flávio Gikovate, já muito conhecido, para quem ainda não teve acesso a essa entrevista publicada na UOL Mulher - Comportamento.


Todos têm medo da felicidade, diz psiquiatra Flávio Gikovate 35
Por: Heloísa Noronha - UOL - São Paulo
11/12/2014

Com mais de 45 anos de carreira, o psiquiatra e psicoterapeuta Flávio  Gikovate de São Paulo (SP), já atendeu mais de 9.000 pacientes. Esse número, segundo ele, se estende a 20.000, se forem contabilizados os ouvintes que têm suas dúvidas respondidas no programa "No Divã do Gikovate", que vai ao ar aos domingos, às 21h, na rádio CBN.

Essa experiência lhe rendeu a convicção de que todo mundo teme a felicidade e costuma sabotá-la. Autor de mais de 30 livros, Gikovate lançou, recentemente, "Mudar – Caminhos para a Transformação Verdadeira" (MG Editores), no qual aborda a dificuldade de abandonar hábitos – entre os quais aqueles que nos impedem de alcançar objetivos – e a importância do autoconhecimento para mudar atitudes e pensamentos. Em entrevista ao UOL Comportamento, o psiquiatra esmiúça os mecanismos do medo, que paralisa as conquistas, e fala como é possível modificar o modo de agir.

UOL: Você costuma dizer que todo mundo tem medo da felicidade. Por que uma estimativa tão alta?

Flávio Gikovate: Porque esse medo tem relação com o que nos aconteceu no ato de nascer, pelo qual todos passamos: estávamos em harmonia no útero, uma espécie de "paraíso", e dali fomos expulsos na hora do parto. Assim, nascer é uma transição para pior, pois passamos a estar expostos a dores, a sensações de desamparo. Parece que se forma um tipo de condicionamento: sempre que estamos próximos de um estado de harmonia e felicidade, tememos o risco de uma nova ruptura, agora a da morte ou da perda de pessoas amadas. Parece que o risco de tragédia aumenta quando estamos próximos da felicidade, o que não é fato, mas é como sentimos. Aliás, todo pensamento supersticioso tem a ver com isso: quando estamos bem, batemos na madeira para afastar os maus fluidos. Assim, o medo da felicidade é, de fato, o medo de perder a felicidade e o que temos de melhor, como se esse risco aumentasse à medida que nos aproximamos da harmonia.

UOL: O medo tem a ver com o receio da mudança e a dificuldade em abandonar hábitos antigos? Isso significa que somos comodistas por natureza?

Gikovate: Podemos ter medo de mudanças, mas isso não está relacionado apenas com o medo da felicidade. Abandonar hábitos antigos quase sempre implica a perda de um padrão de comportamento que também nos traz algum alívio para a ansiedade ou depressão. Mesmo os mais inesperados, como automutilação, parecem ter a ver com a redução da ansiedade. Quem rói as unhas, por exemplo, sabe muito bem que esse ato funciona como ansiolítico. Não somos comodistas por natureza, mas temos medo do sofrimento e nos afastamos dos hábitos, compulsões e vícios que tanto nos confortam quando as perdas passam a ser maiores do que os ganhos. Talvez sejamos "matemáticos" por natureza.


UOL: Podemos dizer que o medo provoca uma espécie de autossabotagem? 

Gikovate: Sabotamos a nós mesmos quando chegamos perto de atingir nossos desejos. Um bom exemplo é o do emagrecimento: quando o regime alimentar é bem-sucedido e a pessoa está chegando à silhueta desejada, surge uma tendência forte para que ela relaxe e volte a comer demais, recuperando o peso perdido. A autossabotagem faz parte do medo do sucesso, que é uma das versões do mesmo medo da felicidade. Quando as coisas vão bem, sentimos medo em vez de gratidão.

UOL: Ao longo da vida ficamos mais medrosos? Ao alcançarmos objetivos, o medo se torna mais presente? Por exemplo: medo de morrer depois de ter filhos ou de voar de avião depois de agendar a viagem dos sonhos.

Gikovate: Não é que vamos ficando com mais medo. Ficamos mais próximos da felicidade que sonhamos e, aí, temos a sensação que ela atrai uma tragédia iminente. Temos a impressão de que o avião cai com mais facilidade quando vamos fazer a viagem dos sonhos do que quando estamos indo para um evento triste: um funeral, por exemplo. E isso não é verdadeiro. Porém, é como sentimos em função do reflexo condicionado que se estabeleceu a partir do "trauma do nascimento", expressão que é o título de um livro do psicanalista austríaco Otto Rank (1884-1939).

UOL: O medo também tem a ver com crenças limitadoras? Quais?

Gikovate: O medo é parte dos processos instintivos relacionados com a autopreservação, com os cuidados que devemos ter para nos defendermos de perigos reais. No passado, animais perigosos; no presente, ser atropelado, por exemplo. Acontece que, pela via dos reflexos condicionados e em decorrência de determinadas vivências traumáticas, desenvolvemos medos de situações que não são tão perigosas, como é o caso do avião. Chamamos isso de "fobias": medo daquilo que não deveria, em condições normais, nos assustar. Medo de leão é medo justo; medo de barata é fobia. Nosso psiquismo é extraordinário e nos ajuda em muitos aspectos, porém, pode nos perturbar.

UOL: O medo de errar é um dos piores medos?

Gikovate: Sim. É muito ruim porque acovarda a pessoa e a impede de experimentar o que é novo. O risco de erro está presente em todo experimento, mas ele corresponde ao mesmo caminho que nos leva a acertar, a avançar e progredir. Aprendemos com os erros e com os acertos. Quem não arrisca, fica estagnado. A boa tolerância a frustrações e contrariedades, a chamada boa resiliência, é condição fundamental para o crescimento pessoal, profissional, sentimental e moral de todos nós.


UOL: Falar que os outros colocam olho gordo nas nossas conquistas é uma maneira de, se as coisas derem errado, atribuir a culpa a terceiros?

Gikovate: É um processo de projeção: atribuímos a outra pessoa uma parte da nossa própria subjetividade. Temos, dentro de nós, forças construtivas e destrutivas. Essas últimas se ativam mais quando estamos muito felizes. É fato, também, que a felicidade pode incomodar a um bom número de pessoas que, por comparação, se sentirão por baixo, revoltadas com a hostilidade sutil típica da inveja. Porém, penso que os atos destrutivos que costumamos praticar são da nossa própria autoria e existiriam da mesma forma se não houvesse a inveja. E como ela coexiste com nossos bons momentos, podemos, facilmente, atribuir a ela um processo que nos pertence.

UOL: Para mudar hábitos e a si mesmo, o que é mais importante? Foco, disciplina ou não se abater pelas recaídas?

Gikovate: Tudo é importante e muito difícil. É preciso foco, disciplina e boa tolerância aos fracassos. Muitas pessoas não têm essa tolerância. Para elas, mudar é ainda mais difícil. É preciso se empenhar e conhecer o melhor possível a si mesmo, seus sentimentos e emoções, mesmo os nobres, e como funciona sua mente. Convém que saibamos quais os nossos pontos fracos e quais são nossos dons maiores. Depois de tudo, saber muito bem o que se quer mudar, para onde mudar. Aí, se faz um plano, um projeto e, o mais importante: temos que tratar de executá-lo. As mudanças só acontecem quando abandonamos a teoria e partimos para a ação. Ninguém se cura do medo de avião em um consultório; nele se conversa sobre porque ele surgiu e como enfrentá-lo. Mas a pessoa terá que entrar no avião, sofrer os medos correspondentes e, aos poucos, ir se livrando desse tipo de condicionamento psíquico nocivo. Tudo tem que acontecer aos poucos, com firmeza e paciência, porque esses processos podem durar mais do que gostaríamos. É muito raro que uma pessoa consiga mudar de um dia para o outro.



UOL: Todo mundo é capaz de mudar?

Gikovate: Quase todo mundo. Existem algumas pessoas por demais intolerantes a sofrimento e dor que não conseguem nem se imaginar em situações em que terão de enfrentar adversidades. Essas não mudam.

UOL: Como criar filhos mais corajosos para a vida? O que os pais devem evitar para que as crianças não sejam ou se tornem medrosas?

Gikovate: A intensidade do medo é, segundo acredito, um atributo inato, variável de pessoa para pessoa. Os pais têm que ajudar as crianças a desenvolver a coragem, ou seja, a força racional necessária para que os medos irracionais sejam enfrentados. Isso se consegue em parte pelo exemplo e, em parte, estimulando as crianças a vivenciarem dificuldades, dores, adversidades inerentes à nossa condição. Nada de superprotegê-las, pois isso as enfraquece. Todos têm de aprender a lidar com docilidade, com as contrariedades e frustrações próprias da vida. Isso é mais fácil para os que já nascem mais condescendentes, e é mais difícil para os mais revoltados. Porém, todos têm de chegar lá, pois a vida não irá poupar uma pessoa apenas porque ela blasfema e grita quando contrariada.

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Créditos Imagens:

1. Flávio Gilovate - www.planetasustentavel.abril.com.br/notícias
2. Desespero o.s.t. 40x30cm - Pintura de Roberto Ploeg, 2013.
3. O Camponês - Tela de Anita Mafaltti - www.obrasdeanitamafaltti
4. Criança mergulhando - acervo fotográfico privado.


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PROPÓSITOS DE ANO NOVO

2 de janeiro de 2015




Quem já refletiu sobre o ano que se foi, e se prometeu recomeçar com atitudes mais alvissareiras, mas, quiçá por que, não começa a modificar-se agora, revestindo de novo um tempo interior que aponta no horizonte da vida?

Quem já não decidiu mil vezes endireitar as veredas de sua vida e aplainar sua paisagem encrespada e rude, a contrastar quase sempre com tudo o que está a sonhar agora?

Quem já não quis ser diferente de si mesmo, mais alegre e ousado, mais solto e participativo, mais confiante e disponível, mais aberto e colaborativo?      

Quem já não lembrou, um dia, momentos de amor vividos entregue à sensação de alegria e dor, ao mesmo tempo, de plenitude e de vazio, de uma presença inteira e. às vezes, de uma dolorosa percepção de solitude?                                                                      

Quem já não sonhou uma amizade que fosse para sempre, sem que o amigo não vivesse tão distante, e sem que a vida não os separasse por alguma necessidade ou dissabor?

Quem já não provou a dor imensa da perda daqueles que se foram antes de si?

Quem já não desejou amar e ser amado e, no entanto, fica assim, imóvel, rastejando na vida, sem pensar que o amor só acontece quando se começa a amar?


Quem já não pensou em tantas coisas positivas a construir em sua vida, e, então, vê-se impelido a mudar algo nos seus relacionamentos, por lembrar  que  “no amor, o que vale é amar”? 

Quem já não viveu uma saudade sem tamanho de algo que nem sabe o quê, nem quando, feito um mel a lhe banhar inteiro do sabor e do cheiro de um bem-estar indizível, como quando o amor lhe foi correspondido, reciprocado, renascido? 

Quem não gostaria de provar, hoje,  desse amor natalino, desse amor divino e cálido, desse amor que te convida a revelar-te inteiro e a amar primeiro, recomeçando a cada instante, a cada dia, como se fosse sempre Natal: um tempo de carícia, de encontro e de perdão?



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Créditos Imagens

1 - Pôr do sol - Cabrera Dreaning - 2013
2 - As Margaridas de Mário, Anita Malfatti o.s.t.


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I NOSTRI PROPOSITI DI ANNO NUOVO



Chi già non si è accorto dell´anno che se ne è andato, e non si è proposto di ricominciare, con azioni più belle e, chissà perchè, non comincia a cambiare adesso, per rivestire di nuovo l´anno che inizia?
Chi già non ha deciso mille volte cambiare la vita, radrizzare i sentieri e appiattire il suo paesaggio agitato e rude, a contrastare quasi sempre con tutto ciò che ha sognato in vita sua?

Chi già non ha voluto essere diverso di se stesso, più allegro e audace, più sciolto e partecipativo, più fiducioso e prontamente disponibile, più aperto e collaborativo?
Chi già non ha sognato un´amicizia che fossi per sempre, senza che l´amico non vivesse così lontano, e senza che la vita non gli separassi per alcun dissapore?
Chi già non si è ricordato, un giorno, dei momenti di amore che ha vissuto – oppure che dovrà ancora viverci – preso ad una sensazione al tempo stesso di gioia e di dolore, di pienezza e di vuoto, di una presenza intera oppure della dolorosa percezione di solittudine?
Chi già non ha provato una tale assenza di un amico distante, oppure il dolore immenso della perdita di quelli che sono partiti prima di sè?
Chi già non avrà pensato a tante cose importanti da costruire nella vita, e chissà si dimentica che, per iniziare, conviene cambiare qualcosa nelle sue relazioni, ricordandosi che “nell´amore ciò che vale è amare”?

Chi già  non ha desiderato amare ed essere amato e, intanto, resta così, imobile, strisciando nella vita, senza pensare che l´amore sucede soltanto quando s´inizia  ad amare?


Chi già non ha sentito una nostalgia senza misura di qualcosa che neanche sa ché, neppure quando, come fosse un miele a bagnargli intero dalla sensazione di un bennessere indicibile, come quando l´amore gli fu corrisposto, reciprocato, rinnato?

Chi può schivarsi, oggi, di provare, nel suo profondo, questo amore natalino,  questo amore divino e callido, un amore che t´invita a dischiuderti e ad amare per primo, a rincominciare ad ogni instanti, ad ogni giorno, come si fossi sempre Natale: un tempo di carezza, di incontro, di perdono?



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Testo di: Vanise Rezende - www. vaniserezende.com.br

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Crediti Immagine

Orologio - Canstockphoto

Le Margherite di Mario, o.s.t., - Anita Malfatti, pittrice brasiliana. 

Wish... -   Iman Maleki, oil on canvas, 100x70 - 2000.



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