Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

PELO BRASIL E PELO MUNDO - SUMÁRIO DA SEMANA

19 de junho de 2021

 

mais de 400 atos de protesto

 PELO BRASIL - 500 atos pelas 500 mil vidas perdidas!!! 

"Manifestações mais do que dobraram em relação aos atos de 29 de maio. No dia em que o Brasil alcança a triste marca de meio milhão de vidas perdidas para a pandemia, centenas de milhares de pessoas sairão às ruas para pedir "Fora Bolsonaro", vacina no braço e comida no prato. Também neste sábado (19), o Brasil deve alcançar a triste marca de 500 mil mortes pela Covid-19 desde o início da pandemia. A maioria delas poderia ter sido evitada se o governo de Jair Bolsonaro não tivesse apostado no negacionismo e sabotado os esforços de enfrentamento da pandemia. Neste sábado, (19) milhares de brasileiros e brasileiras voltarão às ruas para protestar pelo impeachment de Jair Bolsonaro, intensificação da vacinação, auxílio emergencial de R$ 600 e várias outras reivindicações. Entre elas está o não à privatização da Eletrobrás, aprovada nessa quinta-feira (17) pelo Senado. Até a noite de sexta-feira (18), 457 atos #19JForaBolsonaro estavam confirmados em 438 cidades no Brasil e no exterior. Alguns locais terão mais de uma manifestação. A expectativa dos organizadores, entre eles a Central de Movimentos Populares (CMP), partidos de esquerda, entidades estudantis, centrais sindicais, movimentos sociais e diversos coletivos e ativistas, é que o número de protestos ultrapasse a marca de 500. Serão 500 atos pelas 500 mil vidas perdidas.

Ver: https://www.brasil247.com/brasil/com-500-mil-mortos-por-covid-19-brasil-grita-fora-bolsonaro-em-mais-de-400-atos-de-protesto?utm_campaign=

Três em cada dez lares brasileiros vivem sem nenhuma renda do trabalho

“No primeiro trimestre de 2021, três em cada dez lares brasileiros viviam sem nenhuma renda obtida através do trabalho, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Devido à crise provocada pela pandemia de covid-19, a proporção de domicílios sem nenhuma renda de trabalho saltou de 25,09% no primeiro trimestre de 2020 para 31,56% no segundo trimestre, com ligeira redução a 31,24% no terceiro trimestre” – Daniela Amorim, jornalista – O Estado de S. Paulo, 16-06-2021. Leia em: http://www.ihu.unisinos.br/610260-tres-em-cada-dez-lares-brasileiros-vivem-sem-nenhuma-renda-do-trabalho-frases-do-dia

Atoleiro

“Sem uma agenda para resolver a falta de produtividade e a desigualdade, o Brasil não sai do atoleiro onde está. (...) No governo Bolsonaro, a agenda da produtividade desapareceu. (...) A tremenda desigualdade social do Brasil não tem sido encaminhada a contento pelo governo Bolsonaro. E esses problemas são como doença. Sem tratamento, crescem” – Persio Arida, ex-presidente do Banco Central em palestra virtual, ontem, para marcar os 60 anos do BRDE – Zero Hora, 17-06-2021.

 ELEIÇÕES - Sem entusiasmo

“Apesar de louvável, a iniciativa de reunir expoentes do centro numa rodada de diálogo ainda não despertou entusiasmo nos bastidores do grupo. A bigorna amarrada às expectativas é uma: quem está disposto a conversar não tem o famoso “voto”, componente essencial para se chegar ao poder numa democracia. O apresentador engajado Luciano Huck, por razões óbvias, era, sim, a grande esperança desse grupo para conquistar corações e mentes, mas não rolou. De resto, ainda há desconfianças pairando no ar. Por ora, impera o baixo-astral” – Coluna do Estadão – O Estado de S. Paulo, 17 -06-2021.

 Covid 19. Vacinação anual

O epidemiologista professor da Universidade Federal de Pelotas Pedro Hallal, em entrevista à TV 247, comentou a teoria - espalhada por Jair Bolsonaro, a partir de um falso relatório elaborado por conta própria por um auditor do TCU - de que existe uma supernotificação de casos e mortes da Covid-19. Na realidade, apontou Pedro, ocorre o oposto, uma subnotificação entre 15 e 20%: “As mortes pela Covid no Brasil estão subestimadas em cerca de 20%. Talvez agora um pouco menos, porque melhorou o sistema de notificação. A ideia de que se bota Covid no atestado de óbito para ganhar mais dinheiro é uma atrocidade, porque se acusa profissionais de saúde de inventarem uma causa de óbito. É uma tese que eu botaria no mesmo lote da terra plana e vacina que faz virar jacaré. A verdade é que as mortes estão subestimadas, não muito, em torno de 15 a 20%”. Ver mais em: https://www.brasil247.com/coronavirus/as-mortes-por-covid-no-brasil-estao-subestimadas-em-torno-de-20-sao-mortes-a-mais-nao-a-menos-diz-pedro-hallal?

Ano que vem...

“Ano que vem, vamos ter que começar a vacinar todo mundo de novo. Vai funcionar como funciona na gripe; mudam as variantes, tem fazer nova adaptação da vacina” – Fernando Ganem, médico, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês (SP) – Folha de S. Paulo, 17-06-2021.

 Inferências perigosas

“Todo mundo me pergunta e eu falo: sabe quando a gente vai ter todas essas respostas? Daqui a um ano, quando 100 milhões de pessoas estiverem vacinadas. O resto são inferências, e inferências são perigosas porque podem gerar informações infundadas” – Fernando Ganem, médico, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês (SP)Folha de S. Paulo, 17-06-2021.

ELETROBRAS

“O Senado aprovou na noite desta quinta a medida provisória que permite a privatização da Eletrobras, a maior empresa do setor elétrico da América Latina e responsável por cerca de 40% da transmissão de energia do país. De Brasília, Afonso Benites conta sobre a votação do projeto, que foi desfigurado por “jabutis” — alterações ao texto original — e que tem até terça para ser aprovado na Câmara. O repórter explica por que entidades do setor afirmam que a perda de controle estatal sobre a empresa e regras como a utilização de termelétricas podem resultar no aumento da conta de luz do brasileiro. “As premissas usadas pelo Governo de que haverá barateamento foram erradas. Só de se usar termelétricas é possível concluir que a energia ficará mais cara”, diz o coordenador do Instituto Clima e Sociedade, Roberto Kishinami. A oposição promete levar a questão às Justiça.” Jornalista Aquiles Lins e o engenheiro e comunicador Leonardo Stoppa conversam sobre a aprovação, pelo Senado, da Medida Provisória que abre caminho para a privatização da Eletrobrás e as consequências para o País. Veja: TV 247 - https://youtu.be/bzyhWYH8Hfs

“Antes da criação da Eletrobras, que agora pode ser privatizada, Brasil vivia rotina de apagões - Criação da estatal foi proposta ao Congresso em 1954 por Vargas para acabar com racionamentos e permitir industrialização do país. No Carnaval de 1954, os foliões brincaram nas ruas do Rio de Janeiro ao som de duas marchinhas que debochavam de uma mazela que infernizava a capital do Brasil: os apagões quase diários. A marchinha Vaga-Lume, na voz de Violeta Cavalcanti, denunciava: “Rio de Janeiro / Cidade que nos seduz / De dia falta água / De noite falta luz”. O outro hino carnavalesco era Acende a vela, cantado por Emilinha Borba, que se valia da mesma rima: “Acende a vela, Iaiá / Acende a vela / Que a Light cortou a luz / No escuro eu não vejo aquela / Carinha que me seduz”.

A eletricidade capenga não era um problema exclusivo do Rio. Afetava o Brasil inteiro. Enquanto as maiores cidades penavam com cortes recorrentes de luz, grande parte do interior do país virava as noites no breu, numa situação ainda pior, sem energia elétrica nenhuma. Um mês depois daquele Carnaval, o presidente Getúlio Vargas deu o pontapé num ambicioso plano para finalmente pôr o sistema elétrico brasileiro em ordem. Em abril de 1954, ele enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que autorizava o Governo a fundar uma estatal chamada Eletrobras.” RICARDO WESTIN (Agência do Senado)17-06-2021. Leia mais em: https://brasil.elpais.com/brasil/2021-06-18/antes-da-criacao-da-eletrobras-que-agora-pode-ser-privatizada-brasil-vivia-rotina-de-apagoes.

POVOS NATIVOS

PL 490 sai de pauta após pedido de vista; veja quais partidos e parlamentares se posicionaram a favor do projeto anti-indígena

Pedido de vista coletivo tirou o projeto da pauta da CCJC pelo prazo de duas sessões; 44 parlamentares votaram para manter o PL anti-indígena na pauta.  Leia mais em : https://cimi.org.br/2021/06/pl-490-sai-pauta-pedido-vista-veja-quais-parlamentares-posicionaram-projeto-anti-indigena/

ESPIRITUALIDADE

“Não se trata de partidarizar as religiões. Mas a religião, seja ela cristã, judaica, muçulmana, de matriz africana, indígena, não importa, é um grande valor do nosso povo e tem que ser respeitada”, afirma Betto. “Deus não tem religião. Não vamos ficar nessa disputa. [...] O que importa na religião não é se você sabe repetir a Bíblia de cor ou se é uma autoridade. O que importa é se você ama, o amor” – Frei Betto, escritor – Folha de S. Paulo, 17-06-2021.

 Jesus morreu como prisioneiro político

“Não podemos ficar fazendo pescaria no texto bíblico, como faz o Bolsonero, pegando texto de João ‘A verdade vos libertará’ etc. [...] O mais importante é pegar o conjunto da obra, e o conjunto da obra é que Jesus morreu como prisioneiro político. Ele não morreu de hepatite na cama nem de desastre de camelo numa esquina de Jerusalém. Ele foi preso, torturado e dependurado numa cruz pelo Império Romano” – Frei Betto, escritor – Folha de S. Paulo, 17-06-2021.

PELO MUNDO AFORA

EM BUDAPEST - Bebam água!

“Na segunda-feira (14), em Budapeste, ao chegar à coletiva que antecedia o jogo Hungria x Portugal pela Eurocopa, o craque português Cristiano Ronaldo viu duas garrafinhas de Coca-Cola na mesa. Não vacilou: tirou-as de sua frente e botou uma de água no lugar. Pôde-se ouvi-lo em seguida dizendo “Bebam água”. Em 30 minutos, as ações da Coca-Cola caíram 1,4% nas Bolsas, num prejuízo de US$ 4 bilhões. No dia seguinte, Ronaldo fez dois dos três gols da vitória portuguesa e se tornou o maior artilheiro da história da Eurocopa. Pelo visto, não tomar Coca-Cola faz bem” – Ruy Castro, jornalista e escritor – Folha de S. Paulo, 17-06-2021. Impossível imaginar Neymar fazendo o mesmo que fez Cristiano Ronaldo! “Notar que a Coca-Cola é patrocinadora da Eurocopa, o que torna o gesto de Ronaldo ainda mais notável. Impossível imaginar Neymar fazendo o mesmo —ao contrário, seu estilo de vida arrogante, predador e exibicionista é sinônimo de grifes e cafonices. Mas quero crer que esse estilo, comum a tantos jogadores brasileiros, está nas últimas. O futuro terá muito mais atletas conscientes e comprometidos com as causas nobres” – Ruy Castro, jornalista e escritor – Folha de S. Paulo, 17-06-2021.Leia em: Jogador português Cristiano Ronaldo: Leia mais em:

http://www.ihu.unisinos.br/185-noticias/noticias-2016/559047-frases-do-dia-4

NA ARGENTINA:

“Presidente argentino, Alberto Fernández, irrita toda a América Latina com uma única frase - Seu comentário sobre a origem de mexicanos, brasileiros e argentinos acumula desde acusações de racismo até piadas ácidas. Fernández conseguiu obscurecer a breve visita a Buenos Aires do presidente do Governo (primeiro-ministro) espanhol, Pedro Sánchez, a primeira de um líder europeu desde o início da pandemia, com uma frase tirada de uma canção de Litto Nebbia que ele erroneamente atribuiu a Octavio Paz: “Os mexicanos vieram dos índios, os brasileiros saíram da selva, mas nós, os argentinos, chegamos de barco. Eram barcos que vinham da Europa “. A frase original do mexicano Octavio Paz, que Jorge Luis Borges repetia com frequência, era bem mais irônica: “Os mexicanos descendem dos astecas; os peruanos, dos incas, e os argentinos, dos barcos”. EL PAÍS – Enric González, Buenos Aires - 10-06-2021

Leia mais em: https://brasil.elpais.com/internacional/2021-06-10/presidente-argentino-alberto-fernandez-irrita-toda-a-america-latina-com-uma-unica-frase.html?rel=mas

“Um peso argentino só compra uma balinha e está valendo pouco mais de 3 centavos de real - O grupo alimentar Arcor, o maior da Argentina, envolve suas balas Mini com uma frase: “Ideais para o troco”. Já é muito frequente que, em vez de moedas quase sem valor nem circulação, o consumidor receba o troco em notas e balas. Um peso, a divisa do país, vale pela cotação das ruas pouco mais de 3 centavos de real. Quase nada. Com uma inflação que subiu para 3,3% em maio e acumula 21,5% desde janeiro, o peso continua se desvalorizando”. EL PAÍS – Enric González, Buenos Aires - 17-06-2021

Leia mais em: https://brasil.elpais.com/internacional/2021-06-10/presidente-argentino-alberto-fernandez-irrita-toda-a-america-latina-com-uma-unica-frase.html?rel=mas

NO PERU:

“À frente da contagem dos votos, Pedro Castillo rejeita acusações de fraude. Nove dias após a eleição presidencial, a última contagem oficial dá o candidato da esquerda vitoriosa. Pedro Castillo vence com 50,12% dos votos contra 49,87% do adversário, ou 45.000 votos a mais. Mas, ainda não há data para a proclamação dos resultados finais, porque a autoridade eleitoral segue examinando os recursos de anulação do voto interpostos por seu oponente. Keiko Fujimori. A candidata da direita populista pede a anulação de várias dezenas de milhares de votos.” (Les Echos, França) | bit.ly/3q1btku- 

Leia mais em: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Clipping-Internacional/ Clipping-Mundo-17-06-2021/44/50837

NO VATICANO:

“Esta tarde terá lugar em Augusta, na Sicília, uma cerimónia de acolhimento dos destroços do barco que naufragou no dia 18 de abril de 2015. Que este símbolo de tantas tragédias do mar Mediterrâneo continue a interpelar a consciência de todos e a favorecer o crescimento de uma humanidade mais solidária, que derrube o muro da indiferença. Pensemos nisto: o Mediterrâneo tornou-se o maior cemitério da Europa!” PAPA FRANCISCO, após o Angelus de 13.06.2021 - Cidade do Vaticano. Leia mais em:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2021/documents/papa-francesco_angelus_20210613.html

NOTÍCIAS INTERNACIONAIS SOBRE O BRASIL

VACINAÇÃO/ Covid-19: no Brasil, uma vacinação em duas velocidades. Análise Espera-se que a campanha de vacinação ganhe impulso nas próximas semanas. No estado de São Paulo, todos os adultos receberão a primeira dose até 15 de setembro, segundo o governador. (La Croix, França) | bit.ly/35uaobt

COVID-19/ Brasil volta a aproximar-se de três mil mortes e de 100 mil casos em 24 horas. O número de novos casos registados supera apenas os de 25 de março último, quando o país contabilizou 100.158 diagnósticos positivos e o dia 2 deste mês, momento em que o Brasil chegou a 95.601 infeções em 24 horas. Os dados divulgados colocam o dia de hoje como o terceiro com mais diagnósticos de Covid-19 desde o início da pandemia, registada oficialmente no país em fevereiro de 2020. A taxa de incidência da doença no Brasil é 235 mortes e 8.389 casos por 100 mil habitantes. Já a taxa de letalidade está fixada em 2,8% há várias semanas consecutivas, num momento em que os números parecem confirmar a tese de especialistas em saúde, que há semanas anunciam a chegada de uma terceira vaga da pandemia ao país. (Diário de Notícias, Portugal; Xihuanet, China; La Jornada, México; Diario Correo, Peru). bit.ly/35BUnA9 | bit.ly/3iMY4eg | bit.ly/3zyzqUQ | bit.ly/3cR1Y1Q

Amazônia/Brasil lança estudos de concessões florestais em cinco áreas amazônicas. O Ministério da Agricultura do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social iniciaram na quarta-feira estudos para concessões florestais em cinco áreas da Amazônia, disse o ministério em um comunicado. De acordo com o comunicado, um total de 2,3 milhões de hectares poderiam ser concedidos, com uma produção aproximada de 1,3 milhão de metros cúbicos de madeira. (Xihuanet, China) | bit.ly/3zyzrYU 

Ver: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Clipping-Internacional/Clipping-Mundo-17-06-2021/44/50837

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Fonte das notícias:

http://www.ihu.unisinos.br/610260-tres-em-cada-dez-lares-brasileiros-vivem-sem-nenhuma-renda-do-trabalho-frases-do-dia

 https://app.rdstation.email/mail/b4f873b5-61a5-4ec3-b420-9cff78896d3e?utm_campaign=os_destaques_da_manha_no_247_em_19_de_junho_de_2021&utm_

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Clipping-Internacional/Clipping-Mundo-17-06-2021/44/50837

https://www.brasil247.com/brasil/com-500-mil-mortos-por-covid-19-brasil-grita-fora-bolsonaro-em-mais-de-400-atos-de-protesto?utm_campaign-

https://brasil.elpais.com/internacional/2021-06-10/presidente-argentino-alberto-fernandez-irrita-toda-a-america-latina-com-uma-unica-frase.

https://brasil.elpais.com/brasil/2021-06-18/antes-da-criacao-da-eletrobras-que-agora-pode-ser-privatizada-brasil-vivia-rotina-de-apagoes.

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Crédito das imagens:

1.  Manifestações Fora Bolsonaro -

https://app.rdstation.email/mail/b4f873b5-61a5-4ec3-b420-9cff78896d3e? 

htm_campaign=os_destaques_da_manha_no_247_em_19_de_junho_de_2021

2. Craque português Cristiano Ronaldo, em Budapest

 - http://www.ihu.unisinos.br/185-noticias/2016/559047-frse-do-dia-


VACINAÇÃO AVANÇA NOS PAÍSES MAIS RICOS, E NEM TANTO NOS MAIS POBRES

11 de junho de 2021

Em análise abrangente sobre a pandemia em todo o mundo, o jornal El País Brasil mostra como o sistema da vacinação nos vários países, evidencia, de forma mais aguda, como "o mundo está dividido pela riqueza". Na apresentação desse trabalho comenta-se: "A desigualdade causada pela pandemia não está apenas na fome, mas também na geopolítica das vacinas, acompanhando o ritmo da distribuição de renda nacional. A economista e colunista do EL PAÍS Monica de Bolle analisa a relação entre a vacinação e a economia, mas alerta: ainda não há como estabelecer cenários para o futuro. A colunista elenca uma série de fatores que tornam os cálculos mais complexos, o que impede uma visão simplista da relação entre a distribuição de doses e a retomada econômica. O EL PAÍS analisou as cifras da imunização ao redor do mundo que mostram o abismo existente entre os mais ricos e os mais pobres quanto à vacinação de suas populações." 

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PANDEMIA DE CORONAVÍRUS

Assim avança a vacinação país por país: rápida nos mais ricos, nem tanto nos mais pobres

Análise das cifras mostra que várias nações desenvolvidas já imunizaram mais de 30% da população, enquanto a maioria no mundo em desenvolvimento não chega a 10%

Por: Borja Andriano, Daniele Grasso e Kiko LLaneras

A desigualdade no acesso às vacinas tem sido uma preocupação constante na maior campanha de vacinação da história e, quase seis meses depois de seu início, o mundo está efetivamente dividido pela riqueza

Os países que superam 30% de população vacinada são países ricos, ou relativamente ricos, enquanto quase nenhum país pobre conseguiu alcançar a 10% de imunização. O PIB distingue os países que inoculam a um bom ritmo, muitos dos quais estão dobrando suas curvas de covid-19.

Na União Europeia, um terço das pessoas já recebeu pelo menos uma dose (33%); o dobro que no continente sul-americano (15%), seis vezes mais que na Ásia (5%) e 20 vezes mais que na África (1,5%).

Como mostra o gráfico acima, os países do norte e centro da América foram os que avançaram mais depressa no começo, empurrados sobretudo pelos Estados Unidos, onde metade da população já se vacinou. Mas a União Europeia é a que avança mais depressa desde abril, quando o fornecimento de vacina se multiplicou. O ritmo atual significa administrar uma dose a 5% da população a cada semana.

Não surpreende que os continentes tenham vacinado virtualmente no ritmo das suas rendas nacionais: com a Europa e América do Norte à frente da América do Sul, que por sua vez vai mais depressa que a Ásia e a África. A exceção relevante é a Oceania: nem Austrália nem Nova Zelândia imunizaram muita gente, embora sejam países ricos, certamente porque conseguiram manter o vírus quase suprimido (suas mortes por covid-19 neste ano e meio de pandemia são 490 e 17.000 vezes menos que no Brasil, respectivamente — também por conta da diferença de grandeza entre os números de suas populações).

O vínculo entre vacinas e riqueza é ainda mais claro quando olhamos por países. É o que mostra o seguinte gráfico, que representa o produto interno bruto por habitante (eixo horizontal) e o nível de vacinação até agora.

Quase todos os países com mais de um milhão de habitantes que já têm pelo menos 30% da população já vacinada (uma dose pelo menos) têm um PIB per capita alto, acima dos 20.000 dólares por habitante. As únicas exceções são Sérvia e Mongólia. E o mesmo ocorre na outra ponta: só há quatro países pobres (menos de 10.000 dólares de renda per capita) que tenham podido vacinar 10% ou mais da sua população – Índia, Marrocos, Camboja e El Salvador.

A maior demora na imunização, em países já marcados por fortes desigualdades internas, tem consequências: “Já estamos vendo na Índia e no Brasil como o colapso do sistema sanitário afeta o turismo e a economia: assim como não irão turistas, também as empresas vão pensar mais se é o caso de abrir ou transferir seu negócio para lá”, explica Jeffrey Lazarus, epidemiologista e pesquisador do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal).

Há um punhado de países excepcionais porque vacinaram pouco embora sejam ricos. É o que acontece com Austrália, Nova Zelândia, Japão e Coreia do Sul, que têm em comum seu sucesso — ou sorte — na contenção do vírus. Um recente estudo na revista The Lancet os apontava como exemplos, na OCDE, das vantagens de uma estratégia de eliminação (e não mitigação) da covid-19, em termos sanitários e, também, econômicos.

Vacinação e imunidade de grupo

O primeiro objetivo da vacina é evitar que os vacinados adoeçam gravemente e morram. Sabemos que a primeira meta está sendo alcançada: segundo cálculos do grupo de Sistemas Complexos da Universidade Politécnica da Catalunha, o nível de vacinação na Espanha no final de abril (25% da população protegida, sobretudo idosos) já deveria bastar para evitar 80% das mortes por covid-19. Mas a vacina também será efetiva em evitar infecções. Um relatório da saúde britânica estima essa proteção em 70% a 90% após a segunda dose da Pfizer. Se essas cifras se confirmarem, a pergunta é se bastam para gerar a almejada imunidade de grupo.

Isso depende de muitas variáveis. Basicamente, queremos manter um número reprodutivo (R, que estima a velocidade na transmissão) abaixo de um. E esse número depende de vários componentes. Por um lado, de quantas pessoas estão imunizadas (ou porque passaram pela doença, ou porque estão vacinadas e evitam a infecção, ou porque não transmitem). Por outro, do contato entre pessoas, essas interações agora reduzidas, mas que irão aumentando. Também influencia a probabilidade de transmissão, a propensão a que um contato acabe em infecção, o que depende por sua vez de outras coisas, como o clima ou o potencial de transmissão de cada variante.

Essa complexidade dificulta estimar quando se alcançará a imunidade de grupo, assumindo que ela seja possível. Segundo cálculos da UPC para a União Europeia, com um nível de contatos como o atual ou um pouco mais elevado, bastaria vacinar 33% a 50% das pessoas para que o vírus deixe de se propagar. Mas isso seria mantendo medidas restritivas, ao passo que levar uma vida normal exigirá mais gente vacinada, possivelmente muito mais.

Os mais vacinados: 40% da população

A seguir, mostramos como a incidência evoluiu em diferentes países conforme a vacinação avançou. Começamos pelos países que têm mais população vacinada.

O caso de maior sucesso é Israel. Lá a vacinação coincidiu com um confinamento rigoroso, e os casos de covid-19 praticamente se reduziram a zero. O avanço da vacinação também coincide com uma queda nos casos no Reino Unido, EUA, Mongólia e Chile, que também vacinaram mais de metade das suas populações.

Mas o gráfico também revela que é possível sofrer surtos severos mesmo tendo muita gente vacinada. É o caso do Uruguai, um país que até novembro se protegeu do vírus com sucesso e vacinou depressa nos primeiros meses do ano, mas que em meados de abril registrou focos importantes de transmissão em lugares delicados, como residências geriátricas. Também no Bahrein, onde a incidência voltou a recrescer mesmo com 40% da população vacinada. Isto pode ocorrer por heterogeneidade — se certos grupos sociais não forem imunizados — ou por uma soma de fatores: se os recém-vacinados aumentam suas interações muito cedo, se outras restrições são relaxadas, ou se as vacinas não forem todas igualmente eficazes.

No Chile, os casos também voltaram a subir em meados de março, quando 30% das pessoas já tinham recebido pelo menos uma dose. Então as autoridades reviram sua estratégia, por causa dos sinais de que a Sinovac, a vacina mais usada até então, precisa de uma segunda injeção num curto intervalo para oferecer uma proteção sólida (com a primeira ficava em 25 a 30%, frente aos 80% da Pfizer). Nesta situação, como aponta um estudo, também se produziu um aumento de contatos que facilitou o repique. Agora, dois meses depois, os contágios no país voltam a baixar.

Estas cifras recordam o desafio que será retomar a normalidade, como aponta Lazarus: “Não será fácil continuar crescendo depois de chegar a 50%. Já estamos vendo que nos EUA há muita gente pouco convencida, e ainda por cima dispersa em áreas rurais sem a infraestrutura sanitária necessária; ou que as pessoas mais jovens não achem tão necessário ou urgente se vacinar, como está ocorrendo no Reino Unido”.

Entre 25% e 40%

O segundo grupo de países que observamos é daqueles onde um terço da população já recebeu uma dose. São todos países europeus que, além de estarem em níveis semelhantes de vacinação, estão saindo do inverno, o que supostamente pode ajudar a controlar o vírus.

América Latina

Para o último gráfico pusemos o foco na América Latina, onde o vírus avançou em ritmos muito diferentes nos últimos meses. Alguns países do sul da região viram a incidência subir com a chegada do inverno, como o Chile, a Argentina e o Uruguai. Na América Central, os registros vêm caindo, com a exceção da Costa Rica, onde estão recrudescendo.

O continente acrescenta uma variável ao quebra-cabeça: a extensão das cepas mais transmissíveis, como a P1 detectada no Brasil e que depois saltou a muitos países vizinhos. Essa variante parece contagiar com mais facilidade, embora as vacinas tenham demonstrado eficácia contra ela.

Ter mais gente vacinada ajudará a mitigar o vírus. Mas, enquanto a vacinação avança, teremos que continuar fazendo equilíbrios: poderemos ir recuperando contatos e relaxando restrições, mas só num ritmo que permita o nível de imunização, a transmissibilidade do vírus e sua sazonalidade. O jogo será mais simples que nos últimos meses, talvez cada vez mais permissivo, mas continuará sendo um malabarismo pelo menos por um tempo.

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Fonte da reportagem: El País, 22/05/2021 

https://brasil.elpais.com/sociedad/2021-05-22/assim-avanca-a-vacinacao-pais-por-pais-rapida-nos-mais-ricos-nem-tanto-nos-mais-pobres.html

Crédito das Imagens:

1. Imagem assinada, divulgada no Facebook

Observação: nesta postagem não foram integrados os gráficos do texto original. 

Nota As imagens publicadas nesta postagem pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja retirá-la, por favor envie-nos um comentário.



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E SE VOLTÁSSEMOS À IDEIA GREGA DA FELICIDADE? Entrevista com a filósofa ILARIA GASPARI

4 de junho de 2021

Entre as formas possíveis de cuidar da saúde mental, neste período doloroso para todos nós, a jovem filósofa e romancista italiana Ilaria Gaspari nos fala da ideia grega de felicidade.  A entrevista dada ao  jornal Le Monde, em 30 de maio, foi  publicada em versão portuguesa no  portal IHU-Unisinos. 

No final da entrevista estão informações sobre a autora.   

 

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“E se aproveitássemos este momento para retomar a ideia grega de felicidade?”

  • Entrevista com: Ilaria Gaspari
  • Entrevistador: Nicolas Truong
  • Versão portuguesa: Ancré Langer



A filósofa italiana, Ilaria Gaspari, explica como a sabedoria dos Antigos, sejam epicuristas, estoicos ou pitagóricos, pode nos ajudar a vivenciar tanto os colapsos do confinamento como os alívios do desconfinamento. 

A entrevistada, que é também romancista, publicou Lições de felicidade. Exercícios filosóficos para o bom uso da vida (Belo Horizonte: Editora Âyiné, 2020), um conjunto de exercícios de filosofia aplicada que narra como os preceitos das escolas de sabedoria antiga podem nos ajudar a superar as rupturas e as feridas da vida. Hoje, ela explica ao Le Monde como esses pensamentos nos permitem apreender os tormentos e os impulsos de uma existência perturbada pela pandemia da Covid-19 Segue a entrevista.

Como outros países, a França está levantando algumas das restrições ligadas à crise de saúde. Como apreender esta alegria e estas felicidades redescobertas, que apesar de tudo permanecem muito condicionadas?

Como Sócrates diz no Fédon, o prazer nasce também da cessação de uma dor. Ou seja, nada é mais agradável do que o alívio... E acredito que se tratará, justamente, de um momento de tranquilidade que tanto esperávamos. Essas coisas que antes considerávamos quase banais, como compartilhar um copo no terraço, obter um sorriso, ouvir conversas de vizinhos, sair com os amigos, ir comer no bistrô, viver um ao lado do outro... Depois dessa interminável interrupção, elas voltarão como novas. E tenho que admitir: mal posso esperar para experimentar esse momento.

Existe uma atitude filosófica que poderia nos preparar para esse súbito “excesso” de prazeres?

Certamente! Toda a filosofia antiga, em certo sentido, é uma educação para a moderação, um princípio que perdemos de vista, mas que poderia muito bem nos ajudar agora. O que tentarei fazer todas as manhãs é sondar quais são as minhas necessidades de acordo com a prescrição de Epicuro: perguntar a mim mesmo, em relação a cada um dos meus desejos despertos, a que categoria ele pertence. Se é uma necessidade, uma necessidade natural ou mesmo imperiosa ou, pelo contrário, se não corro o risco de sofrê-la – de me tornar “escravo” deste novo prazer e, assim, desenvolver uma dependência. Já sei que não será fácil, mas este momento, este acontecimento que se avizinha, parece-me uma boa oportunidade para se testar e prestar-se a um novo exercício espiritual.

Por que você procurou os pensadores gregos da Antiguidade para encontrar maneiras de sobreviver ao desespero?

Depois de uma ruptura amorosa dolorosa, decidi ir para a escola dos filósofos gregos, seguindo suas regras de conduta de vida às vezes misteriosas. Após estudar a doutrina de seis escolas antigas diferentes, bem como a vida dos mestres, tentei seguir seus preceitos durante seis semanas: fui sucessivamente pitagórica, eleata, cética, estoica, epicureia e finalmente cínica. A minha ambição era perder os automatismos e os hábitos diários para me reorientar e modificar a ideia que tinha da vida.

Por que faz bem ler Pitágoras ou Epicuro, Epicteto ou Diógenes ao passar por uma provação, como a de uma pandemia?

Durante o primeiro confinamento, fiquei impressionada com a forma como os gregos falaram conosco neste momento crítico. Porque essas escolas, em particular as escolas helenísticas, também floresceram em um período de crise, se por crise entendemos uma mudança seguida de uma perda de pontos de referência: a época das conquistas de Alexandre marcou uma passagem traumática através da qual os cidadãos da polis se tornarão sujeitos, à medida que as fronteiras do mundo se expandiam.

Os gregos têm uma palavra para falar do tempo, não num sentido cronológico, mas qualitativo: kairós. Na medicina antiga, o kairós, o momento certo para intervir, é o momento da crise. Estamos em uma crise coletiva que nos obriga a nos repensarmos. Pensar filosoficamente significa sentir a tensão do desejo de compreender, sem esperar respostas prontas, receitas a aplicar. Não se trata de desenvolvimento pessoal, mas de um ideal pedagógico de educação de si mesmo. Entre os filósofos antigos, existe a ideia de uma filosofia viva, vivida como um “exercício espiritual”, como muito bem disse o filólogo e filósofo Pierre Hadot (1922-2010).

Pode nos dar exemplos desses exercícios espirituais?

Refletir sobre os fragmentos de Pitágoras no contexto do confinamento significa concentrar-se em minúsculas mudanças de hábito, na extensão do rastro que deixamos em nossas vidas. Ler Epicuro, para refletir sobre a natureza de nossos desejos, para não nos deixarmos governar pelo medo. Fazer-se discípulo de Epicteto, lendo seu Manual, para distinguir as coisas que dependem de nós daquelas que estão além do nosso alcance, para concentrar nossos esforços naquilo que realmente podemos mudar. Sem esquecer o cinismo de Diógenes que nos estimula a questionar nossa tendência ao conformismo, e nos obriga a nos perguntar: “do que realmente temos necessidade?” É assim que a filosofia pode nos ajudar a viver os infortúnios, bem como as alegrias de nossos tempos difíceis.

Como não ceder ao medo, mas também superar o sentimento de opressão e às vezes até de colapso que estamos passando neste período?

Sobre este ponto, o filósofo que mais claramente nos fala é Epicuro, um personagem revolucionário à sua maneira, que abriu sua escola não só para as mulheres, o que já era muito raro, mas também para as escravas! Por meio de seus ensinamentos, ele garantiu que ninguém fosse exposto à chantagem do que temia. Ele inventou um tetrapharmakos, uma espécie de medicina lógica, um pensamento racional para ajudar aqueles de nós que o medo aliena: o medo dos deuses, da morte, da dor, de não poder alcançar o prazer da vida, etc. Medos que persistem ainda hoje, seja você um politeísta ou não. É um patrimônio precioso, sobretudo porque testemunha um grande amor pelos outros: o amor de um filósofo generoso que, apesar das perseguições de que foi alvo, nunca desprezou a fraqueza dos homens. Epicuro também aprende a fazer um exame muito sério de seus desejos, sem, no entanto, reprimi-los.

Por que a amizade é um dos laços mais importantes em tempos de provação?

De todas as coisas boas que a sabedoria nos oferece para a felicidade de toda a nossa vida, a amizade é a maior”, diz Epicuro. Mas ele não fala apenas da amizade entre amigos, mas de uma atenção devotada aos outros, até mesmo aos desconhecidos. É um vínculo subterrâneo que permeia qualquer relação: sempre se pode adotar a postura da amizade, isto é, de uma atitude generosa, semelhante à benevolência desinteressada que constitui o segredo de toda amizade verdadeira. Essa disposição decorre do reconhecimento dos sinais universais da condição humana no outro. Penso que essa terrível pandemia, que nos obriga a admitir nossa própria vulnerabilidade, nos oferece uma oportunidade valiosa de exercer esse olhar e essa atitude.

Por que nossa relação com o tempo e inclusive com o espaço pode ser compreendida de forma diferente graças aos pensadores antigos?

Ao tentar interpretar os paradoxos de Zenão como uma chave existencial, eu refleti sobre o que a pandemia nos apresentou na sequência: que o tempo é apenas uma coleção de momentos que estão todos presentes. O esforço que os anos 2020 e 2021 nos exigiram, nomeadamente o de desistir de nos projetarmos no futuro, é difícil. A menos que você seja um sábio estoico, acho que é impossível para um ser humano viver completamente no presente; mas pensar criticamente sobre a forma que damos ao tempo em nossa própria imaginação pode ser de grande ajuda. Graças aos gregos, que eram muito apegados ao tempo livre (schole é a palavra para designá-lo, da qual deriva nossa “escola”), aprendi (um pouco) a me libertar das injunções contemporâneas para capitalizar o tempo, para investi-lo. Devo acrescentar que tive outro mestre para isso: meu cachorro, adotado após minha semana cínica. Os cães têm um sentido maravilhoso do presente: observar outras formas de vida, partilhar momentos de vida com eles, é um excelente exercício de filosofia!

Depois deste ano doloroso, a felicidade pode voltar a ser uma ideia nova na Europa?

Penso – espero, embora seja uma atitude pouco estoica – que sim. Nossa imagem muito fotogênica de felicidade, concebida como um momento de euforia, um sorriso no Instagram, mostrou seus limites. E se aproveitássemos esse momento para retomar a ideia grega de felicidade? Ou seja, a eudaimonìa, “o apaziguamento do seu daemon pessoal”. Uma jornada repleta de armadilhas, certamente, mas que leva a se conhecer, a se tornar o que se é.

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* Ilaria Gaspari, a filosofia conjugada no futuro do pretérito

Nascida em Milão em 1986, Ilaria Gaspari estudou primeiro filosofia na Escola Normal de Pisa. Neste ambiente ao mesmo tempo “gentil e competitivo”, a jovem filósofa tem a impressão de viver “como numa escola socrática”. Ela extrairá de suas memórias de impetuosa erudita, ao mesmo tempo alegre e melancólica, um romance sobre essas portas fechadas de estudante, L'Ethique de l´aquarium (Grenelle, 2017). Depois de um mestrado dedicado à teoria dos afetos de Spinoza, ela parte para Paris e obtém o doutorado na Universidade de Paris-I – Panthéon-Sorbonne, sob a supervisão de Chantal Jaquet, uma especialista do corpo e particularmente conhecida por seu estudo filosófico da passagem de uma classe social para outra (Les transclasses ou la non-reproduction, PUF, 2014).

Instalada entre 2012 e 2016 em um estúdio de 17 m2 próximo à estação de metrô Pireneus – “Um paraíso”, lembra-se ela –, Ilaria Gaspari não abre mão da literatura. Fã de Mark TwainDenis Diderot e Charles Dickens, ela agora dá cursos de redação autobiográfica em Turim e Roma, e colabora com vários jornais on-line, mas também com o jornal Corriere della Sera, no qual escreve crônicas filosóficas.

“Prazer perdido”

Um rompimento amoroso brutal leva-a a retornar aos filósofos antigos. E perceber que “a filósofa se tornou acadêmica demais”. Porque Epicuro ou Epicteto não são apenas teóricos, mas mestres de vida. “Desesperada, escreve, largada da noite para o dia após dez anos de amor”, ela tem que se mudar e se encontra diante de “trinta caixas de pura sabedoria humana”, que a reenviam à sua história, porque “esvaziar uma biblioteca é como se inventar arqueólogo de si mesmo”, mas também à sua relação com o saber: uma disciplina estudada no “tanatófilo” como uma “ciência morta”. Ela então decide literalmente desempacotar tudo e viver de acordo com os preceitos dessas escolas, algumas das quais, como a de Pitágoras, “não são tão diferentes de uma seita”, admite.

Seis semanas de questionamentos depois, ela volta a se encontrar com as cores, à semelhança das suas roupas e de seu interior: “Desde que perdi minhas velhas certezas e aprendi a me deixar dominar pelas regras das escolas antigas, encontrei um prazer há muito tempo perdido”, escreve esta jovem que adora os clássicos,e, ao mesmo tempo se mantém firme nas preocupações de sua geração e de seu tempo. Este desejo de lutar contra as paixões tristes continua no seu último livro, Vita segreta delle emozioni (A vida secreta das emoções), que acaba de ser publicado pelas Edições Einaudi na Itália. Não surpreende, vindo de uma autora que se arrisca a “redescobrir a juventude da filosofia”.

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Fonte do texto: 

http://www.ihu.unisinos.br/609796-e-se-aproveitassemos-este-momento-para-retomar-a-ideia-grega-de-felicidade-entrevista-com-ilaria-gaspari

Publicado em: Le Monde - 30/05/2021

Crédito Imagens:

  • 1.Imagem de abertura - arquivo pessoal
  • 2. Ilaria Gaspari - Vogue-ES
  • 3.  Capa do Livro - Lições de Felicidade - Editora Âyiné - Belo Horizonte/MG - 2020 -  www.ayine.com.br/catalogo/licoes-de-felicidade/
  • 4. Ilaria Gspari - www.popsophia.com.jpg

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