Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

A CORRUPÇÃO DO DIA A DIA

27 de fevereiro de 2015


Tem-se falado cada vez mais sobre a corrupção nos meios políticos do Brasil, que passeiam pelos meandros da sua História.  O Programa Café Filosófico, da TV Cultura, foi ocasião de uma inusitada aula sobre as raízes da corrupção no Brasil. O convidado foi o historiador e professor Leandro Karnal, que falou sobre o processo estrutural de corrupção que se enraizou na cultura brasileira.

Na ocasião da entrevista, foram lembrados os processos estruturais e corruptos da nossa história, que se expressam em todas as escalas dos acordos mantidos no dia a dia familiar e social. Como exemplo, são citadas as negociações dos país com seus filhos, ainda crianças e jovens: "se você fizer isto eu lhe dou aquilo".  São acordos frequentes, inspirados nas regras de uma corrupção sistêmica. 

No meu entender, a corrupção casual, do "jeitinho", vem se alastrando cada vez mais, entre nós, como um senso comum, um hábito traiçoeiro nas famílias, nos serviços públicos e privados, nas instituições educativas e, em decorrência, nos negócios do mercado e nas práticas da governança legislativa, executiva e judiciária.

Após ouvir a palestra, fiquei a pensar o que poderia estimular as pessoas a assumirem posturas éticas de convivência no seu dia a dia. E fiquei a me indagar sobre isso:
  • Esse estímulo, passaria pelo empenho pessoal de agir como um cidadão de fato?
  • Ou será pelo legado da família que nos marcou? 
  • Será pelo medo da multa, e pela vergonha da punição?
  • Poderia ser pela busca constante de contribuir para o bem comum?
  • Ou, ainda, haveria um propósito de seguir um antigo preceito da espiritualidade humana, de amar-nos uns aos outros? 
Minha convicção, é que antes do apelo familiar, social ou religioso, a ética carece de um lastro de educação, não aquela "ensinada" nas prescrições escolares e familiares, mas a educação do gesto cordial, do testemunho observado quando alguém enfrenta e resolve as questões da vida diária - em casa, na escola, no trabalho, nas instituições e nos serviços públicos e privados.


Essa é uma questão significante: queiramos ou não, s nossas atitudes rotineiras são exemplo de vida para filhos, netos, vizinhos, porteiros, empregados, amigos e amigas de toda hora e, até mesmo, para as pessoas ligadas a outros serviços que utilizamos - nos "diálogos" silenciosos de rua, ora com um gesto solidário, outras vezes com atitudes impacientes e jeitinhos mágicos, que a criatividade viciada encontra para driblar as dificuldades, utilizando miúdas ou grandes contravenções.


A jogada da vez, para acabar com a corrupção, para tentar melhorar o país onde vivemos, para colaborar na melhoria do serviço público e privado, passa também - e como! - pela mudança das nossas atitudes no âmbito familiar, profissional e institucional. Precisamos nos convencer que os "jeitinhos" não acrescentam grandeza à nossa vida, mas quebram pouco a pouco, dentro de nós, as convicções mais profundas.

Por que, então, não nos reeducar, iniciando com pequenos gestos de atenção a quem encontramos na rotina diária, aos que nos pedem uma informação, precisam de uma dica ou carecem do nosso apoio? É bom lembrar o que já sabemos há muito tempo: a grandeza e a honradez de uma pessoa se percebe especialmente nos seus pequenos gestos.  

Deixo aqui a url do vídeo citado: https://www.youtube.com/watch?v=j0WCvNyHaqE 

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Crédito Imagens:

1. Foto de Vanise Rezende - arquivo privado
2. Imagens de rua - www.canstockphoto.com.br

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A MALEDICÊNCIA

20 de fevereiro de 2015

Foi mesmo assim, como estou te dizendo... Fiquei boquiaberta! Ela me contou que a sua vizinha lhe garantiu, assim, por baixo dos panos, que a coisa é séria... Todos da família estão preocupados – foi a amiga da tia dela que confirmou: a menina saiu de casa, durante o carnaval, e nem sequer telefonou para dizer onde ela estava; certamente andando por aí... Deus me livre! A coisa vai embananar, quero só ver! Coitados, também, vivendo daquele jeito, como se o mundo fosse deles, né?... Tenho muita pena, estou rezando pela coitada da mãe, tão sofredora... 

"Rezando pela coitada da mãe"... Uma atitude tão piedosa, tão cheia de boas intenções quanto de palavras jogadas ao vento. É uma doença muito perigosa: falar da vida alheia, passar adiante o que fulano contou do que sicrano disse sobre a vida de beltrano... Espalha-se o fogo ardente do mexerico, que um bom dicionário chama de babado, bisbilhotice, boato, calúnia, detração, disse que disse, enredo, difamação, falatório, fofoca, futrica, fuxico, indiscrição, injúria, intriga, mexericada, tecedura, trica... O que já nos dá uma ideia de quanto seja antiga e alastrada essa prática tão substantivada, que se poderia sintetizar com um só verbete: maledicência.

Muitos não se dão conta de como essa prática está prenhe de desconfiômetro – nos telefonemas informais, nas curtições do Facebook, nos recadinhos do WhatsApp ou nas twitadas do dia a dia. Chega-se mesmo a pensar que o fuxico é "informação" ou "troca de impressões" bem intencionadas. É assim que se escorrega na ladeira da intriga e do boato, sem calcular o gesto discriminador, sem diferençar o público do privado, sem discernir o lado “do outro” ou “dos outros” atingidos pelo desacerto de uma fala inconsequente.

Para os brasileiros nordestinos, um exemplo foi o “troco” que se deu aos cidadãos paulistas, com gozações, desenhos, piadinhas de mau gosto, logo que a mídia noticiou a falta d´água que eles estão sofrendo, especialmente os tantos pobres que vivem na periferia paulista. Chegou-se até a esquecer a nossa realidade, da secura do sertão, como se a secura de lá fosse diversa da nossa, porque “eles, sim, estão a merecer, pelo que já desdenharam de nós”.

A intriga adquire, portanto, o sabor do revide, da desforra. E foi-se ao brejo a nossa consciência cidadã, empobrecida pelo estreitamento de uma visão aparentada com a maledicência não só na linguagem, mas na leitura dos fatos, na falta de discernimento, ao nos apartar do diferente de nós, generalizando a mesmice de quem não consegue enxergar além de si mesmo, da sua máscara, do seu quintal.


Se não se está atento, se não exercitamos os valores de uma civilidade que  procura lançar pontes (“faz a ponte, faz a ponte”, canta Lenine), se o meu olhar não aprende a espraiar-se para além das diferenças, o que se poderá legar às gerações que virão depois de nós e dos filhos de nossos filhos?

Mas não basta apenas lançar pontes de boa convivência, muitos ainda querem mais, aspiram não apenas a grandeza de caráter, mas o gesto acolhedor de quem descobre, nas diferenças, aquilo que lhe falta, que o enriquece, que agrega valor ao seu aprendizado, e o enobrece.

É indispensável que se mantenha um cuidado permanente com a educação da nossa atenção cidadã, com a prática da escuta acautelada e as distraídas mensagens e curtições, para não escorregar no descuido do falatório impensado. 

Se alguém desejar ir mais além, experimente a reciprocidade: a troca de ideias e saberes, a partilha de talentos e atenções, a oferta de serviços e competências, a doação de si mesmo pelo bem comum.

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Créditos Imagens: 

1. Cantores de Francisco Brennand - Entrada da Offcina (Memorial)Recife-PE
2. Gesto solidário - www.canstockphoto.com.br



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A OUTRA MÃE DAS MINHAS FILHAS

15 de fevereiro de 2015


Sempre que nos encontrávamos ela me fazia um sorriso largo e amigo e me perguntava, amável: 

– Como vão “nossas” filhas? 

Sabia que ela as amava como eu, e as conhecia por suas diferentes características e suas preferências culinárias. Desde cedo percebemos a sua forma de cativar, o seu jeito afetuoso e discreto quando chegou para trabalhar em minha casa. De mim ela recebia orientações de como manter os horários das refeições das crianças e dos programas infantis de televisão. Era ela quem promovia bem-estar e alegria quando elas voltavam da escola, e ainda as acompanhava às aulas de balé e de natação. 

Conhecemos as experiências que vivera no meio rural pernambucano. Ainda criança, já cuidava da roça: todas as manhãs, colhia o milho para o cuscuz da família e ordenhava o leite quentinho das cabras, pois eram trabalhadores rurais, mas sequer puderam ter uma vaca. 


Era um membro constituinte da nossa família: iniciara a trabalhar em nossa casa, com seu jeito afetuoso e discreto, logo que a minha primeira filha fizera um ano, o que me permitiu manter um trabalho social intenso, nas atividades do movimento popular dos anos setenta, sob a orientação de Dom Hélder Câmara e, depois, de Dom José Maria Pires, como secretária da presidência da CNBB NE-II. Assim, sua presença nos foi indispensável para os cuidados cotidianos das “nossas filhas”.

Recordo quando a conheci: o nosso foi um encontro não programado, mas definitivo. Entre várias mulheres presentes - na instituição em que ela se inscrevera para o seu primeiro emprego – notei sua expressão luminosa e contida, como uma flor a proteger-se em suas pétalas fechadas para esconder a sua firmeza, a sua coragem e a grandeza de pessoa que era. Ao observar o seu rosto cheio, o seu olhar definido e vivaz e aquela sua expressão carismática que difundia segurança e tranquilidade – por trás de uma aparente timidez – logo compreendi que ela era a melhor escolha que eu tinha a fazer. Assim, já no dia seguinte cuidamos do registro do seu contrato de trabalho.


A partir do nascimento da minha segunda filha, foi necessário contratar uma babá para ajudá-la nas muitas tarefas. Mas, as crianças continuavam a preferir estar com ela, mesmo que tivessem que ficar a brincar na copa enquanto ela preparava as refeições da família. 
Mesmo quando se passaram dez, vinte, trinta anos de vida em comum, ela jamais assumiu outra atitude senão a de uma colaboradora efetiva, empenhada, amorosa e eficaz. Chegou até a vir morar conosco por um período, após a separação do seu primeiro marido. 



Insistiu em permanecer trabalhando conosco mesmo depois de obter a sua merecida aposentadoria. De ambos os lados precisávamos de algum tempo para ensaiar o momento do seu afastamento. Iniciamos estipulando o seu trabalho somente em meio expediente e, mais tarde, em dias alternados, até chegar o momento da sua saída. Era um passo difícil para todos nós: certos dias, ao chegar do meu trabalho, encontrava uma das meninas, agora crescidas, a ajudá-la na limpeza por baixo dos armários da cozinha ou acima das prateleiras de livros. Também ela estava muito ligada à convivência com esse outro expressivo núcleo da sua família.  


A essa altura, com as suas próprias economias, havia conseguido comprar e, mais tarde, reformar a sua própria casa que, para sua alegria, tinha um pequeno jardim de frente e um bom quintal. Depois que nos deixou, nos víamos vez por outra, nas visitas recíprocas que fazíamos - ela já tinha assento à nossa mesa como uma querida amiga, com quem ficávamos a jogar conversa fora. Convivemos como duas amigas que se reconheciam e se respeitavam. Era uma presença certa em todas as nossas comemorações familiares, não esquecia os aniversários, e preparava um lauto almoço quando íamos comemorar o seu. Exultou de alegria com o nascimento do meu neto, e o visitava frequentemente.


Quando ainda trabalhava teve o seguro saúde privado, que continuamos a pagar também depois que nos deixou. Vivenciamos com ela a sua luta vitoriosa contra um câncer que conseguiu superar com coragem e tenacidade. Nos nossos encontros, depois de por em dia nossas notícias pessoais, era prazeroso voltar aos tempos idos e ouvir dela as histórias das meninas, das quais eu já não lembrava... Mas ela as trazia no coração.

Nesses dias, nos surpreendeu com a sua partida definitiva, do jeito silencioso, sem incomodar ninguém, como sempre fez. Despetalou-se no outono da vida, e nos deixou uma intensa sensação de vazio e a doce lembrança de quanto ela foi importante para nós, para seus filhos e netos e, de um modo especial para sua única filha, que sempre a acompanhou com imenso carinho. Deixou-nos a sua lição de vida: foi uma mulher autônima, sensata e livre, cheia de encantos para os que a amaram, e carregada de afeto e de cuidados com quem, na família, precisasse do seu apoio. 

Ontem, caminhando sobre uma das pontes que cortam o rio Capibaribe, o correr das águas me lembraram uma citação que li recentemente, de Heráclito de Éfeso: "Não cruzarás o mesmo rio duas vezes, porque outras são as águas que nele correm". 

As águas me disseram que Lourdes foi o dom que me foi dado, sem o qual eu não teria podido ser aquela que fui, e minhas filhas não teriam tido uma infância tão engendrada de atenção e afeto, na ausência necessária de seus pais.

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Crédito imagens: arquivo exclusivo deste blog.

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A TOLERÂNCIA

5 de fevereiro de 2015

Trago a este blog mais um artigo de Leonardo Boff - publicado no seu site em 22/01/2015 - por me parecer uma excelente visão sobre a atitude da intolerância, tão enraizada em nossa cultura e tão distanciada do gesto fraterno da compreensão, da inclusão e da condescendência com as nossas diferentes diferenças - que "diferentes" somos todos, isto o sabemos muito bem. Como sempre, este homem iluminado - acolhido no Brasil, há muitas décadas, como um brasileiro entre nós - nos convida a refletir,  sem rodeios e em profundidade, sobre um assunto que nos questiona a todos. 


LEONARDO BOFF wordpress.com (*)
Publicado em 22/01/2015  
O assassinato dos chargistas franceses do Charlie Hebdo recentemente, e a última eleição presidencial no Brasil trouxeram à luz um preconceito latente no mundo e na cultura brasileira: a intolerância. Restrinjo-me a esta, pois a outra, a do Charlie Hebdo foi abordada num artigo anterior.
A intolerância no Brasil é parte daquilo que Sergio Buarque de Holanda chama “cordial”, no sentido de ódio e preconceito, que vem do coração como a hospitalidade e simpatia. Em vez de cordial eu preferiria dizer que o povo brasileiro é passional.

O que se mostrou na última campanha eleitoral foi o “cordial-passional”, tanto como ódio de classe (desprezo do pobre) como de discriminação racial (nordestino e negro). Ser pobre, negro e nordestino implicava uma pecha negativa e aí o desejo absurdo de alguns de dividir o Brasil entre o Sul “rico” e o Nordeste “pobre”. Esse ódio de classe se deriva do arquétipo da Casa Grande e da Senzala introjetada em altos setores sociais, bem expresso por uma madame rica de Salvador: ”os pobres não contentes com receber a bolsa família, querem ainda ter direitos”. Isso supõe a ideia de que se um dia foram escravos, deveriam continuar a fazer tudo de graça, como se não tivesse havido a abolição da escravatura. Os homoafetivos e outros da LGBT são hostilizados até nos debates oficiais entre os candidatos, revelando uma intolerância “intolerável”.
Para entender um pouco mais profundamente a intolerância importa ir um pouco mais a fundo na questão. A realidade assim como nos é dada é contraditória em sua raiz; complexa, pois é convergência dos mais variados fatores; nela há caos originário e cosmos (ordem), há luzes e sombras, há o sim-bólico e o dia-bólico. Em si, não são defeitos de construção, mas a condição real de implenitude de tudo que existe no universo. Isso obriga a todos a conviver com as imperfeições e as diferenças. E a sermos tolerantes com os que não pensam e agem como nós. Traduzindo numa linguagem mais direta: são polos opostos mas polos de uma mesma e única realidade dinâmica. Estas polaridades não podem ser suprimidas. Todo esforço de supressão termina no terror dos que presumem ter a verdade e a impõem aos demais. O excesso de verdade acaba sendo pior que o erro.

O que cada um (e a sociedade) deve sempre saber é distinguir um e outro polo e fazer a sua opção. O indicado é optar pelo polo de luz, do sim-bólico e do justo. Então o ser humano se revela um ser ético que se responsabiliza por seus atos e pelas consequências boas ou más que deles se derivam.

Alguém poderia pensar: mas então vale tudo? Não há mais diferença? Não se prega um vale tudo nem se borram as diferenças. Deve-se, sim, fazer distinções. O joio é joio e não trigo. O trigo é trigo, não joio. O torturador não pode ter o mesmo destino que sua vítima. O ser humano não pode igualar a ambos nem confundi-los. Deve discernir e optar pelo trigo, embora o joio continua existindo, mas sem ter a hegemonia.


Para fazer coexistir, sem confundir estes dois princípios, devemos alimentar em nós a tolerância. A tolerância é capacidade de manter, positivamente, a coexistência difícil e tensa dos dois polos, sabendo que eles se opõem, mas, que com-põem a mesma e única realidade dinâmica. Impõe-se optar pelo polo luminoso e manter sob controle o sombrio.

O risco permanente é a intolerância. Ela reduz a realidade, pois assume apenas um polo e nega o outro. Coage a todos a assumir o seu polo e  anula o outro, como o faz de forma criminosa o Estado Islâmico e a Al Qaeda. O fundamentalismo e o dogmatismo tornam absoluta a sua verdade. Assim, eles se condenam à intolerância e passam a não reconhecer e a não respeitar a verdade do outro. O primeiro que fazem é suprimir a liberdade de opinião, o pluralismo, e impor o pensamento único. Os atentados como o de Paris têm por base esta intolerância.


É imperioso evitar a tolerância passiva, aquela atitude de quem aceita a existência com o outro não porque o deseje e veja algum valor nisso, mas porque não o consegue evitar. Há que se incentivar a tolerância ativa que consiste na coexistência, na atitude de quem positivamente convive com o outro porque tem respeito por ele, e consegue ver os valores da diferença e assim pode se enriquecer.

A tolerância é, antes de mais nada, uma exigência ética. Ela representa o direito que cada pessoa possui de ser aquilo que é e de continuar a sê-lo. Esse direito foi expresso universalmente na regra de ouro: “Não faças ao outro o que não queres que te façam a ti”. Ou formulado positivamente: ”Faça ao outro o que queres que te façam a ti”. Esse preceito é óbvio.
O núcleo de verdade contido na tolerância, no fundo, se resume nisso: cada pessoa tem direito de viver e de conviver no planeta Terra. Ela goza do direito de estar aqui com sua diferença específica em termos de visões de mundo, de crenças e de ideologias. Essa é a grande limitação das sociedades europeias: a dificuldade de aceitar o outro seja árabe, muçulmano ou turco e, na sociedade brasileira, o afrodescendente, o nordestino e o indígena. As sociedades devem se organizar de tal maneira que todos possam, por direito, se sentir incluídos. Daí nasce a paz que, segundo a Carta da Terra, é ”a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, com outras culturas, com outras vidas, com a Terra e com o Todo maior da qual somos parte” (n.16 f).
A natureza nos oferece a melhor lição: por mais diversos que sejam os seres, todos convivem, se interconectam e formam a complexidade do real e a esplêndida diversidade da vida.

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 (*) Leonardo Boff é teólogo e filósofo - colunista de: Carta Capital , Carta Maior e JBonline.

Crédito Imagens: www.canstockphoto.com.br

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