Com imensa alegria, reproduzo, aqui, a "CARTA PARA O BRASIL DE AMANHÃ" do candidado à Presidência da República LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, dirigida a todos os brasileiros. O texto é claro, e está organizado em treze sessões que abordam os temas mais sensíveis do programa do governo Lula, de modo que todos possam entendê-lo.
Marcadores
- Amazônia
- América Latina
- Amor/Amizade
- Arte/Lazer
- Celebrações
- Celebraçoes.
- Conflitos/Violência
- Consumo/Sobriedade
- Cultura/Diversidade
- Desigualdade Social
- Desigualdade Social Economia. Educação
- Diálogo
- Direitos Humanos
- Ecologia/Clima
- Economia
- Educação
- Elas
- Eles
- Entrevista
- Envelhecer
- Espiritualidade/Religiões
- Ética/Civilização
- Famílias/Crianças
- Filme/Vídeo
- História
- Histórias Exemplares
- Indicadores Sociais
- J Jovens/Adolescentes
- Jovens/Adolescentes
- Literatua/Poesia
- Literatura/Poesia
- Manifesto/Mídia
- Memórias
- Migrantes/Refugiados
- Movimentos Sociais
- Mulher/Feminismo
- NE-Sertão
- Negritude/Racismo
- Papa Francisco
- Pobreza/Fome
- Política/Eleições
- Políticas Públicas
- População Nativa
- Povos Indígenas
- Resistência Democrática
- Saúde
- Solidariedade
- Terra/Cultivo
- Trabalho/Moradia
- VaniseRezende
- Español
- Geopolítica
- Italiano
CARTA PARA O BRASIL DO AMANHÃ - LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
28 outubro, 2022
Com imensa alegria, reproduzo, aqui, a "CARTA PARA O BRASIL DE AMANHÃ" do candidado à Presidência da República LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, dirigida a todos os brasileiros. O texto é claro, e está organizado em treze sessões que abordam os temas mais sensíveis do programa do governo Lula, de modo que todos possam entendê-lo.
CARTA PARA O BRASIL
É PRECISO DESARMAR A RAZÃO ARMADA - ADOLFO PÉREZ ESQUIVEL
17 maio, 2022
PAPA FRANCISCO EM ENTREVISTA A BIANCHETTI: AS MULHERES SÃO A RESERVA DA HUMANIDADE. ESTOU CONVENCIDO DISSO.
29 abril, 2022
CUBA RESISTE - AO SEU POVO, A NOSSA SOLIDARIEDADE!
25 julho, 2021
Há duas semanas ficamos sabendo dos manifestos havidos contra as medidas socialistas em Cuba. Muitos, na grande imprensa do Brasil, aproveitaram para apontar as dificuldades por que passa a população de Cuba, como se não soubéssemos do forte bloqueio econômico norte-americano, seguido por todos os países aliados, contra Cuba. Não esqueçamos que o Brasil deixou de contar com os excelentes serviços dos médicos cubanos, em nosso território, pelas mesmas razões. Foi uma forma de apoio do atual governo brasileiro ao bloqueio econômico ao povo cubano. Ninguém melhor do que o escritor Frei Beto para trazer-nos informações confiáveis sobre o que está acontecendo por lá. Reproduzo, aqui, o seu artigo sobre o assunto.
CUBA RESISTE
Artigo de: Frei Betto*
Poucos ignoram minha solidariedade à Revolução Cubana. Há 40 anos visito com frequência a Ilha, em função de compromissos de trabalho e convites a eventos. Por longo período intermediei a retomada do diálogo entre bispos católicos e o governo de Cuba, conforme descrito em meus livros “Fidel e a religião” (Fontanar/Companhia das Letras) e “Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista” (Rocco). Atualmente, contratado pela FAO, assessoro o governo cubano na implementação do Plano de Soberania Alimentar e Educação Nutricional.
Conheço em detalhes o cotidiano cubano, inclusive as dificuldades enfrentadas pela população, os questionamento à Revolução, as críticas de intelectuais e artistas do país. Visitei cárceres, conversei com opositores da Revolução, convivi com sacerdotes e leitos cubanos avessos ao socialismo.
Quando dizem a mim, um brasileiro, que em Cuba não há democracia, desço da abstração das palavras à realidade. Quantas fotos ou notícias foram ou são vistas sobre cubanos na miséria, mendigos espalhados nas calçadas, crianças abandonadas nas ruas, famílias debaixo de viadutos? Algo semelhante à cracolândia, às milícias, às longas filas de enfermos aguardando anos para serem atendidos num hospital?
Advirto os amigos: se você é rico no Brasil e for viver em Cuba conhecerá o inferno. Ficará impossibilitado de trocar de carro todo ano, comprar roupas de grife, viajar com frequência para férias no exterior. E, sobretudo, não poderá explorar o trabalho alheio, manter seus empregados na ignorância, “orgulhar-se” da Maria, sua cozinheira há 20 anos, e a quem você nega acesso à casa própria, à escolaridade e ao plano de saúde.
Se você é classe média, prepare-se para
conhecer o purgatório. Embora Cuba já não seja uma sociedade estatizada, a
burocracia perdura, há que ter paciência nas filas dos mercados, muitos
produtos disponíveis neste mês podem não ser encontrados no próximo devido às
inconstâncias das importações.
Se você, porém, é assalariado, pobre, sem-teto ou sem-terra, prepare-se para conhecer o paraíso. A Revolução assegurará seus três direitos humanos fundamentais: alimentação, saúde e educação, além de moradia e trabalho. Pode ser que você tenha muito apetite por não comer o que gosta, mas jamais terá fome. Sua família terá escolaridade e assistência de saúde, incluindo cirurgias complexas, totalmente gratuitas, como dever do Estado e direito do cidadão.
Nada é mais prostituído do que a linguagem. A celebrada democracia nascida na Grécia tem seus méritos, mas é bom lembrar que, na época, Atenas tinha 20 mil habitantes que viviam do trabalho de 400 mil escravos... O que responderia um desses milhares de servos se indagado sobre as virtudes da democracia?
Não desejo ao futuro de Cuba o presente
do Brasil, da Guatemala, de Honduras e ou mesmo de Porto Rico, colônia
estadunidense, à qual é negada independência. Nem desejo que Cuba invada os EUA
e ocupe uma área litorânea da Califórnia, como ocorre com Guantánamo,
transformada em centro de torturas e cárcere ilegal de supostos terroristas.
Democracia, no meu conceito, significa o
“Pai nosso” - a autoridade legitimada pela vontade popular -, e o “pão nosso” -
a partilha dos frutos da natureza e do trabalho humano. A rotatividade
eleitoral não faz, nem assegura uma democracia. O Brasil e a Índia, tidas como
democracias, são exemplos gritantes de miséria, pobreza, exclusão, opressão e
sofrimento.

Só quem conhece a realidade de Cuba anterior a 1959 sabe por que Fidel contou com tanto apoio popular para levar a Revolução à vitória. O país era conhecido pela alcunha de "prostíbulo do Caribe". A máfia dominava os bancos e o turismo (há vários filmes sobre isso). O principal bairro de Havana, ainda hoje chamado de Vedado, tem esse nome porque, ali, os negros não podiam circular...
Os EUA nunca se conformaram por ter perdido Cuba sujeita às suas ambições. Por isso, logo após a vitória dos guerrilheiros de Sierra Maestra, tentaram invadir a Ilha com tropas mercenárias. Foram derrotados em abril de 1961. No ano seguinte, o presidente Kennedy decretou o bloqueio a Cuba, que perdura até hoje.
Cuba é uma ilha com poucos recursos. É obrigada a importar mais de 60% dos produtos essenciais ao país. Com o arrocho do bloqueio promovido por Trump (243 novas medidas e, até agora, não removidas por Biden), e a pandemia, que zerou uma das principais fontes de recursos do país, o turismo, a situação interna se agravou. Os cubanos tiveram que apertar os cintos. Então, os insatisfeitos com a Revolução, que gravitam na órbita do “sonho americano”, promoveram os protestos do domingo, 11 de julho – com a “solidária” ajuda da CIA, cujo chefe acaba de fazer um giro pelo Continente, preocupado com o resultado das eleições no Peru e no Chile.
“Temos sido honestos, temos sido transparentes,
temos sido claros e, a cada momento, explicamos ao nosso povo as complexidades
dos dias atuais. Lembro que há mais de um ano e meio, quando começou o segundo
semestre de 2019, tivemos que explicar que estávamos em situação difícil. Os
EUA começaram a intensificar uma série de medidas restritivas, endurecimento do
bloqueio, perseguições financeiras contra o setor energético, com o objetivo de
sufocar nossa economia. Isso provocaria
a desejada eclosão social massiva, para poder apelar à intervenção
“humanitária”, que terminaria em intervenções militares”.
“Essa situação continuou, depois vieram
as 243 medidas (de Trump, para arrochar o bloqueio) que todos conhecemos e,
finalmente, decidiu-se incluir Cuba na lista de países patrocinadores do
terrorismo. Todas essas restrições levaram o país a cortar imediatamente várias
fontes de receita em divisas, como o turismo, as viagens de cubano-americanos
ao nosso país e as remessas de dinheiro.
Formou-se um plano para desacreditar as brigadas médicas cubanas e as
colaborações solidárias de Cuba, que recebeu uma parte importante de divisas
por essa colaboração.”
"Toda essa situação gerou uma situação
de escassez no país, principalmente de alimentos, medicamentos, matérias-primas
e insumos para podermos desenvolver nossos processos econômicos e produtivos
que, ao mesmo tempo, contribuam para as exportações. Dois elementos importantes
são eliminados: a capacidade de exportar e a capacidade de investir recursos.” 
"Também tem limitações de combustíveis e de peças sobressalentes, e tudo isso tem causado um nível de insatisfação, somado a problemas acumulados que temos sido capazes de resolver e que vieram do Período Especial (1990-1995, quando desabou a União Soviética, com grave reflexo na economia cubana). Juntamente com uma feroz campanha mediática de descrédito, como parte da guerra não convencional, que tenta fraturar a unidade entre o partido, o Estado e o povo; e pretende qualificar o governo como insuficiente e incapaz de proporcionar bem-estar ao povo cubano.”
“O exemplo da Revolução Cubana incomodou
muito os EUA durante 60 anos. Eles
aplicaram um bloqueio injusto, criminoso e cruel, agora intensificado na
pandemia. Bloqueio e ações restritivas que nunca realizaram contra nenhum outro
país, nem contra aqueles que consideram seus principais inimigos. Portanto, tem
sido uma política perversa contra uma pequena ilha que apenas aspira a defender
sua independência, sua soberania e construir a sua sociedade com
autodeterminação, segundo princípios que mais de 86% da população têm apoiado.”
“Em meio a essas condições, surge a
pandemia, uma pandemia que afetou não apenas Cuba, mas o mundo inteiro,
inclusive os Estados Unidos. Afetou países ricos, e é preciso dizer que diante
dessa pandemia nem os Estados Unidos, nem esses países ricos tiveram toda a
capacidade de enfrentar seus efeitos. Os pobres foram prejudicados, porque não
existem políticas públicas dirigidas ao povo, e há indicadores em relação ao
enfrentamento da pandemia com resultados piores que os de Cuba em muitos casos.
As taxas de infecção e mortalidade por milhão de habitantes são notavelmente
mais altas nos EUA que em Cuba (os EUA registraram 1.724 mortes por milhão,
enquanto Cuba está em 47 mortes por milhão). Enquanto os EUA se entrincheiravam
no nacionalismo vacinal, a Brigada Henry Reeve, de médicos cubanos, continuou
seu trabalho entre os povos mais pobres do mundo (por isso, é claro, merece o
Prêmio Nobel da Paz).”
“Sem a possibilidade de invadir Cuba com
êxito, os EUA persistem com um bloqueio rígido. Após a queda da URSS, que
proporcionou à ilha meios de contornar o bloqueio, os EUA tentaram aumentar seu
controle sobre o país caribenho. De 1992 em diante, a Assembleia Geral da ONU
votou esmagadoramente pelo fim desse bloqueio. O governo cubano informou que
entre abril de 2019 e março de 2020 Cuba perdeu 5 bilhões de dólares em
comércio potencial devido ao bloqueio; nas últimas quase seis décadas, perdeu o
equivalente a 144 bilhões de dólares. Agora, o governo estadunidense aprofundou
as sanções contra as companhias de navegação que trazem petróleo para a ilha.”
É essa fragilidade que abre um flanco
para as manifestações de descontentamento, sem que o governo tenha colocado
tanques e tropas nas ruas. A resiliência do povo cubano, nutrida por exemplos
como Martí, Che Guevara e Fidel, tem se demonstrado invencível. E a ela
devemos, todos nós, que lutamos por um mundo mais justo, prestar solidariedade.
------------------------------------------------------
* Frei Betto é escritor, autor de 69 livros, editados no Brasil e no exterior. Você
poderá adquiri-los com desconto na Livraria Virtual – www.freibetto.org – Ali
os encontrará a preços mais baratos e os receberá em casa pelo correio.
Copyright 2021 – Frei Betto-Mhgpal - Agência Literária - mhgpal@gmail.com
http://www.freibetto.org/>
Twitter:@freibetto.
https://youtu.be/HnR2EsH9dac
------------------------------------------
BILIONÁRIOS COMEÇAM A PERCEBER QUE A DESIGUALDADE É UM ATRASO PARA A SAÚDE DE SUAS RIQUEZAS
03 julho, 2021
Assim é a nova elite de bilionários
que querem acabar com a desigualdade
Há cerca de um ano atrás, uma reportagem publicada por Oxfam, em 13.07.2020, e reproduzida em português pelo portal IHU-Unisinos, nos informava sobre uma carta assinada por 80 milionários de diferentes países, os quais solicitavam aos governos que “aumentassem os impostos sobre milionários e bilionários” para ajudar na recuperação global pós-pandemia. Segundo a reportagem, traduzida por Moisés Sbardelotto, “a carta elogia os trabalhadores essenciais que estiveram na linha de frente da crise, e destaca o papel que as pessoas mais ricas da sociedade podem desempenhar para ajudar a reequilibrar a economia mundial.” Entre os principais signatários da carta, “estavam o fundador do Warehouse Group, o neozelandês Sir Stephen Tindall, o roteirista e diretor britânico Richard Curtis, a produtora e herdeira estadunidense Abigail Disney, o empresário dinamarquês-iraniano Djaffar Shalchi, o cofundador estadunidense da Ben e Jerry’s, Jerry Greenfield, a investidora em startups e filantropa alemã Dra. Mariana Bozesan e o ex-diretor administrativo estadunidense da Blackrock, Morris Pearl. O grupo divulgara seu apelo antes da reunião de ministros da Economia e dos governadores centrais do G20 e da reunião do Conselho Europeu Especial em Bruxelas, que discutiram sobre o esforço global para reconstruir as economias e enfrentar a desigualdade global em um mundo pós-Covid-19."
No final junho passado, há quase um ano do manifesto dos milionários, o jornalista espanhol Enrique Zamorano escreveu um artigo que retoma a mesma questão, no El Confidencial - um jornal diário digital, com sede em Madrid, na Espanha. De acordo com dados elaborados pela Alexa, sua página oficial é uma das quarenta mais acessadas por toda a Espanha. Segue o artigo:
- Por: Enrique Zamorano
- El Confidencial - 29/06/2021
- Em: Revista IHU On-line - 2 de julho de 2021
- Tradução: Cepap
"As organizações não governamentais seguem insistindo em que os governos garantam uma redistribuição da riqueza justa e mais equitativa para garantir o acesso da população aos serviços públicos e suas infraestruturas, caso contrário, chegará um momento em que a distância entre ricos e pobres será tão grande que o sistema se tornará insustentável”, escreve Enrique Zamorano, jornalista, em artigo publicado por El Confidencial, em Madrid.
Um dos efeitos mais paradoxais do capitalismo contemporâneo é que tende a produzir crises econômicas que diminuem os recursos e a qualidade de vida da população em geral, para depois se adaptar às circunstâncias e ver oportunidades de negócio e investimento por todas as partes. Ao final, esta ‘serpente ouroboros’, que morde sua própria cauda, busca transformar o existente para gerar mais situações de vantagens e que os atores mais relevantes adquiram mais poder. Não em vão, os países que mais cresceram economicamente, nos últimos anos, também foram aqueles em que a curva da desigualdade socioeconômica mais se ampliou.
Além disso, a pandemia serviu para aumentar essa lacuna. Os últimos relatórios da Oxfam Intermón preveem que a pobreza e, por conseguinte, a desigualdade, irão se agravar assim que a crise sanitária passar. Esta, apesar de não ter sido produzida pelo colapso de uma grande bolha imobiliária, como aconteceu em 2008, também servirá para reestruturar a ordem de poderes globais e engrossar ainda mais a lista de lucros e patrimônios daqueles que estão na parte de cima da pirâmide social.
Essa tendência poderá ser revertida?
Os mortais comuns gostariam de pensar que sim, mas o certo é que, ao final, como em todos esses anos, as elites econômicas continuarão a corrida para acumular o máximo de capital ou taxa de lucro, em uma escalada da concorrência que voltará a abrir novas vias de negócio e de investimento.
Nas últimas semanas foram publicados dois livros nos Estados Unidos, o país que mais hasteia a bandeira do capitalismo global e que conta com um sistema tributário mais frouxo para aqueles que mais possuem renda. Tal situação traça um novo horizonte na percepção dos bilionários sobre sua própria riqueza. Mas, em alguns deles surge a vontade de alcançar uma redistribuição do dinheiro de uma forma mais justa e equitativa. Ou, o que dá no mesmo, de atuarem contra o seu próprio benefício pelo bem da sociedade como um todo.
Um tal projeto, mais do que utópico seria contraditório, a julgar pela insensibilidade que parece estar presente nas altas esferas, em relação a temas tributários, por conta da elevada ascensão do liberalismo radical que defende (entre outras coisas) o estado mínimo: a nula intervenção estatal na economia e, assim, impostos mais baixos.
O mal-estar psicológico dos ricos
Em primeiro lugar, o artigo do jornalista e escritor Michael Mechanic, intitulado Jackpot: How the Super-Rich Really Live and How Their Wealth Harms Us All, que analisa em profundidade a realidade cotidiana dos bilionários, chegando à conclusão de que seus altos níveis de riqueza não prejudicam apenas o resto da pirâmide social, mas também a eles próprios, na relação com sua família e amigos e, consequentemente, o seu bem-estar psicológico.
Em segundo lugar, o livro Tax The Rich!, de Erica Payne e Morris Pearl, ambos membros do clube de ultrarricos Patriotic Millionaires, defende uma redistribuição muito mais robusta e justa da riqueza, uma vez que, segundo a sua tese, se o sistema econômico quer sobreviver, e com ele todas as suas elites, aqueles com um alto padrão de vida precisarão se submeter a uma arrecadação tributária muito mais alta. Caso contrário, o aumento da desigualdade social tenderá a criar um clima de ira e descontentamento popular que produzirá uma explosão da insatisfação popular e atentará contra os privilégios ostentados por aqueles que atualmente estão na parte de cima. Um dos pontos mais polêmicos e interessantes do livro de Michael Mechanic é que tende a enxergar uma semelhança entre aqueles que têm um alto volume de capital e os que simplesmente não têm nada.
“A riqueza extrema - ele afirma, em um fragmento citado pela The New Republic - tem algo parecido com a pobreza, em relação ao mal-estar psicológico que inflige”.
A abordagem do jornalista é no mínimo curiosa, pois muitas pessoas que precisam trabalhar para ganhar a vida ou não têm acesso direto a uma fonte de renda digna, podem se sentir ofendidas com sua tese.
Mechanic se vale de um estudo de 2018 para argumentar
que, uma vez superado um limite de riqueza ideal, a partir do qual o indivíduo
já não precisa gerar mais dinheiro para viver, este tenderá a perceber a diminuição
da sua qualidade de vida, bem como do seu bem-estar psicológico.
Talvez aí esteja a explicação de porque os ricos querem seguir acumulando mais
e mais dinheiro ou permanecer na carreira empresarial, apesar de terem o seu
padrão de vida garantido.
Existem coisas que o dinheiro não
pode comprar, e o fato de se possuir tal volume de riqueza, isso só faz com que
você invista mais dinheiro em bens e serviços que nem sequer precisa e que,
além disso, geram mais gastos correntes. Também pode acontecer que o seu
círculo mais próximo se distancie, por considerar você um egoísta que não se
deixa mais atrair pelos mesmos ambientes sociais de antes, aqueles mais
humildes e ricos. Sem falar do mal presente na inveja e o medo de que, em um
determinado momento, alguém queira se aproveitar de seus ganhos por bem
(mediante a chantagem ou de um pedido forçado) ou por mal (espalhando que você
tem uma fortuna, tornando-se alvo de ladrões ou pessoas malvadas).
É preciso levar em consideração que é difícil extrapolar essa teoria para a Espanha, pois nos Estados Unidos a fronteira entre o rico e o pobre pode ser muito estreita. Afinal, é uma nação que se alimenta do mito de que “a escada da ascensão social é muito rápida”. Sendo assim, você pode acumular uma boa fortuna que o faça decolar a toda velocidade, ou possuir todo o ouro do mundo, e, em um curto período, perdê-lo. De fato, Mechanic e Payne falam daquelas pessoas que por um afortunado golpe do destino se tornaram podres de ricas: ganhadores de loteria, herdeiros de grandes quantidades de dinheiro ou proprietários de empresas privadas que o Estado absorveu e se tornaram públicas. Então “você começa a se tornar insensível ao luxo”, escreve Mechanic. “Na realidade, aqueles ativos de grande valor como mansões, iates, obras de arte, jatos privados ou cavalos puro-sangue precisam de empregados para serem administrados. Um cavalo, por exemplo, pode ser comprado por um preço relativamente barato, mas precisa de uma manutenção constante. Cada mansão exige ao menos uma pessoa para a limpeza, quando não cinco, entre zeladores, técnicos de piscinas e socorristas. Quanto maior é a casa, maior será o número de funcionários. Uma grande riqueza dá muito trabalho, não importa o que você faça com ela”. E ainda há a paranoia pelo fato de se tanto dinheiro e bens para proteger. “Muitos viajam com segurança particular”, ressalta o jornalista. “Também há um serviço que treina as babás com técnicas de combate e vigilância, e entre muitas outras coisas, os empregados são incentivados a não publicar nada em redes sociais sobre suas férias, por medo da divulgação”. E, é claro, você terá que contar com uma boa infraestrutura de segurança que torne a sua casa um bunker para evitar qualquer ameaça de roubo. Mais ainda se você vive em um país como os Estados Unidos, que possui uma cultura armamentista. “Algumas das armas que eu vi nas casas dessas pessoas eram muito semelhantes às que saem nos noticiários quando falam do Iraque”, ressalta o escritor.
Ricos pela redistribuição de... sua própria riqueza?
Ao longo de todo o livro de Mechanic, há depoimentos de pessoas com um grande volume de riqueza que vivem completamente paranoicas, considerando que algo ruim possa lhes acontecer. Talvez esse medo constante seja uma das razões pelas quais surgiram, nos últimos anos, ‘lobbies’ e associações de ultrarricos como Patriotic Millionaires, cujo presidente é justamente Morris Pearl, coautor de Tax the Rich! com Erica Payne. No livro, eles defendem uma reforma tributária urgente para mitigar os efeitos da desigualdade social e parar de se sentirem constantemente ameaçados por pessoas anônimas que, seja por questão de inveja ou vingança, podem atacar suas propriedades. Assim, o debate sobre aumentar a arrecadação tributária dos mais ricos está mais quente do que nunca, sobretudo na Espanha. Sem ir muito longe, existe uma grande divisão entre os grupos de esquerda PSOE e Unidas Podemos, para aumentar o imposto às grandes fortunas.
Nos Estados Unidos, a associação Patriotic Millionaires tenta, desde 2010, convencer as elites políticas, tanto democratas como republicanas, de que é necessário efetivar uma reforma tributária muito mais robusta, visando aquelas pessoas que possuem grandes somas de capital.
Em seu livro, Payne relata como “um pequeno grupo de pessoas muito ricas gastou um enorme volume de dinheiro para influenciar em um sistema político que redigisse leis tributárias em benefício delas”. Assim, “mesmo que estejam no poder partidos de ideologias diferentes, ocorram recessões econômicas ou explodam bolhas imobiliárias, eles, os ricos, possam assegurar os seus lucros”. Para Payne, os impostos são “um encontro entre a economia, a política e a ética”.
O que isso quer dizer? “Os impostos não são uma ferramenta que só serve para arrecadar receitas para o Estado, e depois são revertidas para o gasto público, já que o governo pode gastar e gastar sem levar em consideração a arrecadação”, argumenta a integrante de Patriotic Millionaires. “Os impostos - eles dizem - servem para restringir receitas muito altas, bem como para estabelecer normas de comportamento, entre outras coisas. A forma como tributamos as diferentes atividades econômicas fala sobre as nossas prioridades como sociedade”.Embora a solução possa parecer muito simples, como apontar para uma redistribuição da riqueza melhor e mais real, na sociedade norte-americana é um assunto mais complexo. Em primeiro lugar, porque nenhum partido político se mostra a favor de uma reforma tributária significativa. “Tanto os republicanos como os democratas, ao menos desde a era Reagan, perverteram o código tributário e geraram mais renda para os ricos”, afirma Payne. Nenhuma das duas correntes quer falar sobre impostos. “Não é uma opção que os cidadãos, atualmente, possam escolher nas urnas”, embora reconheçam que Biden prometeu um aumento dos impostos para as elites “como nenhum outro, em quase 30 anos”.
A crise sanitária que vivemos terá alguns efeitos socioeconômicos bem palpáveis nos níveis de desigualdade, que continuarão disparando. As organizações não governamentais seguem insistindo em que os governos garantam uma redistribuição da riqueza justa e mais equitativa a fim de garantir o acesso da população aos serviços públicos e suas infraestruturas, caso contrário, chegará um momento em que a distância entre ricos e pobres será tão grande que o sistema se tornará insustentável.
Fonte
das matérias reportadas:
Conheça o teor da carta e a relação dos signatários em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/601064-mais-de-80-milionarios-pedem-impostos-sobre-a-riqueza-para-ajudar-na-recuperacao-global-pos-pandemia
Artigo do El Confidencial:
Crédito Imagem:
Desigualdade Social - www.mundoeducação.uol.com.br
Posts + Lidos
-
Decidi republicar, hoje, duas preciosas mensagens que publiquei neste espaço em 17/10/2017, e se mantêm como uma das postagens mais lidas ...
-
Há um conhecido poema sobre a importância do tempo presente, intitulado “Instantes”, do qual ainda hoje se confunde a autoria, dizend...
-
Enquanto o 1% de cima tem 51%, os 50% de baixo só têm 1% . Para deixar ainda mais escandaloso o quadro, se fazemos as contas com os 10%...
-
Uma cara amiga me enviou um poema de Roberta França, conceituada médica geriatra do Rio de Janeiro. Tomo a liberdade de transc...
-
Ubuntu é uma uma filosofia presente em vários países da África , cujo foco é a relação entre as pessoas. A pa...







