Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

BRASIL - "EL DIA TRISTE" DA DEMOCRACIA

31 de agosto de 2016





Leonardo Boff *

E aconteceu que naqueles dias, sicários se travestiram de senadores, em grande número, não todos, e decidiram atacar uma dama honrada e incorruptível que lhes cortava o atalho para chegarem ao poder de Estado. A partir do Estado iriam fazer o que sempre fizeram:aproveitar-se dos bens públicos para auto-enriquecimento, escapar desesperadamente do braço da justiça e levar avante sua situação de privilégio, sempre à custa do povo pobre que eles querem manter longe, nas periferias, um exército de reserva, útil para seus serviços quase à moda de escravos.
Sangraram a dama incorruptível e honrada sob o pretexto de que práticas fiscais suas eram crime, coisa que os maiores especialistas em direito e economia, bem como instâncias oficias o negaram. Criaram uma farça e rasgaram a constituição. Cassar uma presidenta sem crime comprovado, é um golpe. Golpe parlamentar, esta é a palavra certa que tem que ser usada.
Eles se mostravam faceiros, farisaicamente dizendo que se sentiam mal, mas falando que inauguravam uma “era uma nova primavera, o começo de um novo Brasil próspero e justo.” Mentira.
O plano “Uma Ponte para o Futuro”, na verdade, é uma ponte para o atraso porque tenta desmontar os avanços que os trabalhadores, as mulheres, os negros, os povos indígenas, a população LGBT, os pobres, e feitos invisíveis alcançaram, pela primeira vez em nossa história, no âmbito da inclusão social, dos salários, da saúde, da educação, das leis trabalhistas, das aposentadorias e do acesso ao ensino técnico e superior. E o mais grave: querem mantê-los no analfabetismo porque assim ficam silenciados e incapazes de reclamar direitos e dignidade.
Agora é o Mercado que conta. Quem quer saúde, que vá ao Mercado e pague. Quem quer estudar na universidade que vá ao Mercado e pague. Todas as coisas virarão mercadoria a serem vendidas e compradas. Compra-se dignidade? Compra-se solidariedade? Paga-se pelo amor? Não importa. São coisas que para eles não entram na contabilidade. Mas alguém pode viver e ser feliz sem tudo isso?
Houve nos primórdios da conquista e dominação do México, em 1520, “la noche triste” quando grande parte do exército espanhol foi dizimado. Hoje em 2016 temos “el dia triste” no qual uma presidenta foi injustamente apeada do poder, conquistado pelas urnas.
Pelos espaços do Senado e nos corredores há sangue derramado. Uma “noche política triste” caiu sobre o Brasil, tirando a esperança dos que saíram da miséria e que correm o risco de novamente cair nela.
E todos os que lutaram para que se consolidasse a democracia de cunho social e que se respeitasse a vontade popular, expressa nas urnas, foram novamente traídos. Este dia é o dia dos “longos punhais” que sangraram a dama honrada e feriram gravemente a soberania popular.
Hoje, 31 de agosto é o dia da tristeza. Os que tramaram esse teatro e os senadores-sicários levarão a pecha de golpistas e farsantes pela vida afora. A consciência os perseguirá e sua memória será pulverizada. A vontade de condenar não substitui a razão que se orienta pela verdade. Eles atropelaram a verdade sob o mento da injustiça. Estarão numa sinistra companhia, a daqueles que, anos atrás, assaltaram o Estado, oprimiram o povo, torturam como a presidenta Dilma e assassinaram a tantos que buscavam a restauração da democracia.
E, no entardecer da vida, enfrentarão um Juiz maior que desvelará toda a injustiça que conscientemente cometeram.
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Leonardo Boff, professor emérito de ética da UERJ e escritor.
Texto publicado in: Leonardo Boff@woedpress.com.br
Imagem: www.colunas.revistaepoca.globo.com

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AMATRICE - IT – APÓS O VENTO, UM TERREMOTO...

28 de agosto de 2016



Após a tragédia de Amatrice, na Itália, recebi um comentário feito pelo Economista Luigino Bruni, professor da Universidade de Roma - LUMSA, e coordenador da Comissão Central do Movimento Economia de Comunhão, que é difundido em todo o mundo. 

Ao ler o seu texto, experimento um movimento interior que me faz sentir melhor os pés no chão, eu que nasci no Sertão brabo do Moxotó, cujo povo bem conhece – como agora – as agruras periódicas da estiagem. Eu, que hoje me situo entre os brasileiros indignados por este momento infame em que se renega, com tamanho desdém e pouca vergonha, uma democracia construída corajosamente, num momento tão difícil da nossa história. Eu que nesses dias participo, com um sentimento de compaixão, da dor do povo da Itália, minha segunda pátria, onde aprendi a aprender... E ainda hoje tento. 

Segue a versão portuguesa do texto do professor e economista italiano Luigino Bruni.




“Após o vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto”. (1 Re,19).

O campanário da igreja da cidade de Amatrice, que marca 3:36h, é uma imagem forte para falar do que aconteceu àquela noite. Foi o último minuto marcado para as tantas vítimas, será um minuto que se recordará para sempre, porque ficou gravado na carne e no coração dos seus familiares. Um momento que será lembrado pelo nosso país, cuja história recente também é uma série de relógios parados para sempre, pela violência dos homens e, agora, até mesmo da terra.


                                          
Eu igualmente lembrarei, para sempre, porque este grito da terra também chegou à casa dos meus pais, em Roccafluvione, há cerca de uns vinte quilômetros de Arquata do Tronto onde eu me encontrava para visitá-los. Foi uma longa noite de medo, de dor, de preocupações por Amatrice, Arquata e Accumuli, lugares da minha infância, perto das cidades dos meus avós, lugares em que todo verão eu acompanhava o meu pai, que trabalhava como vendedor ambulante de frangos. Havia, ainda, outras preocupações, pensamentos que em geral nunca temos, porque só se pode tê-los nas noites tremendas.

Fiquei a pensar que aquele tempo fixado às 3:36h, no relógio do campanário que estava ali parado, morto, era apenas uma dimensão do tempo que os gregos chamavam kronos, que estimava apenas o tempo da superfície, do chão do tempo.

No mundo em que vivemos existe o tempo controlado, domesticado, construído, usado para viver. Mas, no subsolo há outro tempo: é o tempo da terra. Aquele tempo não-humano, às vezes des-umano, comanda o tempo dos homens, das mães, das crianças.

Pensava que não somos nós os senhores desse outro tempo, mais profundo, abissal, primitivo, que não segue o nosso passo, às vezes está contra os passos de quem os caminha acima.

E quando chegam essas noites aterrorizantes, percebemos aquele tempo diverso sobre o qual caminhamos e construímos a nossa casa. Então, nasce toda nova a certeza de sermos “erva do campo”, banhada e nutrida pelo céu, mas também engolida pela terra.

A terra, a verdadeira e  não aquela romântica  e  ingênua das ideologias é, a um só tempo, mãe e madrasta. O húmus gera o homo, mas o faz também voltar a ser pó, às vezes bem e no momento propício, mas, outras vezes mal, muito cedo, e com muita dor.

O humanismo bíblico sabe isto muito bem, e por isto mesmo lutou muito contra os cultos pagãos dos povos vizinhos, que queriam fazer da terra e da natureza uma divindade: a força da terra sempre encantou os homens que procuraram comprá-la com magia e sacrifícios. E assim, enquanto em vão eu procurava retomar o sono, lembrava os livros tremendos de Jó e de Qqhelet, que são mais compreendidos durante essas noites.

Aqueles livros nos dizem que nenhum Deus, nem mesmo aquele verdadeiro, pode controlar a terra, porque Ele, a partir de quando entra na história humana é vítima da misteriosa liberdade da sua criação. Nem mesmo Deus nos pode explicar porque as crianças morrem esmagadas debaixo das antigas pedras de nossas cidades. Ele não consegue explicar-nos porque não o sabe, porque se o soubesse seria um ídolo monstruoso.

Deus, que hoje olha a terra dos três A (Arquata, Accumuli, Amatrice), pode apenas nos fazer as mesmas perguntas: pode gritar, calar e chorar junto a nós. E, quem sabe, lembrar-nos com as palavras da Bíblia, que tudo é vaidade das vaidades: tudo é sopro, vento, neve, desperdício, nada, efêmero. Vaidade, em hebraico escreve-se Habel, a mesma palavra de Abel, o irmão assassinado por Caim.

Tudo é vaidade, tudo é um infinito Abel: o mundo está cheio de vítimas. Isto nós sabemos. Sabemos, mas o esquecemos, quase sempre.

Estas noites e estes dias tremendos estão a nos lembrar essa realidade.  

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Luigino  Bruni é  acadêmico, escritor e jornalista italiano. Economista e histórico do pensamento econômico, com interesses em filosofia e teologia, é uma personalidade de relevo da economia de comunhão e da economia civil. Editorialista do jornal italiano Avvenire, é professor ordinário de economia política na Universidade LUMSA, em Roma, após alguns anos como professor associado da Universidade de Milão-Bicocca. Junto a Stefano Zamagli é promotor e cofundador da SEC - Escola de Economia Civil. www.scuoladieconomiacivile.it.
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Para conhecer outros artigos do autor:
www.edc-online.org/it/pubbliazioni/articoli-di-luigino-bruni.html

Versão portuguesa do texto: Vanise Rezende

Créditos das Imagens:

1. Mapa da localização do terremoto - pt.db-city.com/Italia
2. Amatrice-IT, antes e depois - www.si24.it
3. Mapeamento do local via Gogle satelite
4. Estiagem no Nordeste do Brasil - www.caninde.soares.com/fotojornalismo
5. Inundação em Palmares, PE, Brasil - www.noticias.uol.com.br
6. Cristo Redentor iluminato após a tragedia in Itália, com as cores da bandeira italiana - RJ. Foto de Vladimir Platonew - Agência Brasil. www.fotospublicas.com

Nota:  As  imagens  publicadas  neste  blog  pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas, e deseja que  seja removida deste espaço,  por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com



AMATRICE - DOPO IL VENTO, UN TERREMOTO



Dopo la tragedia di Amatrice, ho ricevuto un commento fato dall´Economista Luigino Bruni, Economista e storico del pensiero economico, con interessi in filosofia e teologia, personaggio di rilievo dell'economia di comunione e dell'economia civile.[1] Editorialista di Avvenire, è ordinario di economia politica alla LUMSA dopo aver ricoperto fino al 2012 il ruolo di professore associato all'Università di Milano-Bicocca.
Insieme a Stefano Zamagni, è promotore e cofondatore della SEC - Scuola di Economia Civile (www.scuoladieconomiacivile.it).
La sua visione sulla tragedia accaduta in Italia è al tempo stesso realista e confortante, anche per me, per esempio, che  sono  nata  in  una  regione  che   periodicamente,  come  ora, è  assolata  dalla  siccità  che attinge in modo speciale la popolazione impoverita all´interno del Nord Est brasiliano. 
Ecco il testo di Luigino Bruni:


“Dopo  il  vento, un  terremoto, ma  il  Signore non era nel terremoto” .(1 Re, 19).


Quel campanile della chiesa di Amatrice che segna le 3.36, è un’immagine forte per dire che cosa è accaduto questa notte. Quel minuto è stato l’ultimo minuto per le tante vittime, sarà un minuto ricordato per sempre perché inciso nella carne e nel cuore dei loro famigliari, e sarà ricordato dal nostro Paese, la cui storia recente è anche una serie di orologi fermati per sempre dalla violenza degli uomini o da quella della terra.


Anch’io lo ricorderò per sempre, perché questo urlo della terra ha raggiunto anche la casa dei miei genitori di Roccafluvione, a una ventina di km da Arquata del Tronto, dove mi trovavo per visitarli. Una lunga notte di paura, di dolore, di pensieri per Amatrice, Arquata, Accumuli, paesi della mia infanzia, vicino ai paesi dei miei nonni, borghi dove nelle estati accompagnavo mio padre che lì lavorava come venditore ambulante di polli. E poi ancora pensieri, pensieri che non facciamo mai, perché si possono fare solo nelle notti tremende.


Pensavo che quel tempo misurato fino alle 3.36 dall’orologio del campanile, che era lì bloccato, morto, era solo una dimensione del tempo, quella che i greci chiamavano kronos, ma che era solo la superficie, il suolo del tempo. Nel mondo c’è il nostro tempo gestito, addomesticato, costruito, usato per vivere. Ma al di sotto c’è un altro tempo: è il tempo della terra. Questo tempo non-umano, a volte dis-umano, comanda il tempo degli uomini, delle mamme, dei bambini.


E pensavo che non siamo noi i padroni di questo tempo altro, più profondo, abissale, primitivo, che non segue il nostro passo, a volte è contro i passi di chi gli cammina sopra. 

E quando queste notti tremende avvertiamo quel tempo diverso sul quale noi camminiamo e costruiamo la nostra casa, nasce tutta nuova la certezza di essere ‘erba del campo’, bagnata e nutrita dal cielo, ma anche inghiottita dalla terra.



La terra, quella vera e non quella romantica e ingenua delle ideologie, è assieme madre e matrigna. L’humus genera l’homo ma lo fa anche tornare polvere, a volte bene e nel momento propizio, ma altre volte male, troppo presto, con troppo dolore. L’umanesimo biblico lo sa molto bene, e per questo ha lottato molto contro i culti pagani dei popoli vicini che volevano fare della terra e della natura una divinità: la forza della terra ha sempre affascinato gli uomini che hanno cercato di comprarla con magia e sacrifici. E così, mentre cercavo, invano, di riprendere sonno, pensavo ai libri tremendi di Giobbe e di Qohelet, che si capiscono forse durante queste notti.



Quei libri ci dicono che nessun Dio, nemmeno quello vero, può controllare la terra, perché anche Lui, una volta che entra nella storia umana, è vittima della misteriosa libertà della sua creazione. Neanche Dio può spiegarci perché i bambini muoiono schiacciati dalle antiche pietre dei nostri paesi, e non può spiegarcelo perché non lo sa, perché se lo sapesse sarebbe un idolo mostruoso.


Dio, che oggi guarda la terra delle tre A (Arquata, Accumuli, Amatrice), può solo farsi le stesse nostre domande: può gridare, tacere, piangere insieme a noi. E magari ricordarci con le parole della Bibbia che tutto è vanità delle vanità: tutto è soffio, vento, nebbia, spreco, nulla, effimero. Vanità in ebraico si scrive Habel, la stessa parola di Abele, il fratello ucciso da Caino. 

Tutto è vanità, tutto è un infinito Abele: il mondo è pieno di vittime. Questo lo possiamo sapere. Lo sappiamo, lo dimentichiamo troppo spesso. Queste notti e questi giorni tremendi ce lo fanno ricordare.

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Luigino Bruni scrive sull´Avvenire.


Crediti Immagini

1. Amatrice, prima e dopo - www.si24.it
2. www.internazionale.com-md
3. Siccità Nord Est del Brasile - www.caninde.soares.com/fotojornalismo
4. Inondazine a Palmares - Nord Est del Brasile - www.noticias.uol.com.br
5. Cristo Redentore Illuminato - RJ (Brasile). Foto di Vladimir Platonew - Agência     Brasil.In: www.fotospublicas.com

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TRATTI MEMORIALI

27 de agosto de 2016

È stato um pranzo di compleanno. Loro ricordavano quando hanno avuto i figli in maternità.

Lei, silenziosa, non ha raccontato che, all´arrivo della prima figlia, cii sono stati momenti esultanti, di grandi gioie!

E non ha detto che  la seconda l´ha incontrata matura e calma, celebrare
l´arrivo suo con il papà, che tanta l´ha amata.

E che la terza figlia è stata una nascita conquistata con forza, coraggio   e  tenacità,   perchè c´era il rischio di non venire...  Ma è arrivata! 

Oggi è la mamma del suo nipote di cinque anni.

Tre figlie che praticano lo scambio dell´affetto tra loro...
E che l´accompagnano nelle cure di una allegre vecchiaia.


Il suo silenzio, quella volta, era di contemplazione e di pienenezza!



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Arrivava senza avvertire...
Portava due valigie e un gran sorriso aperto.
Quale gioia rivederla! Le bambine esultavano.
Mai le ho domandato come mai non ci avvertiva.
Conoscevo bene le scelte di vita che aveva fato.
Usciva poco di casa, quando c´era.

Seduta per terra, nella stanza, parlava sottovoce
Con dei giovani che venivano, e noi non gli conoscevamo. 
Ma si poteva immaginare da dove e perchè...

L´unico viso che ho riconosciuto più tarde, alla TV,
É stato quello del leader del MST, José Raínha, adesso con la barba.  


Quelli erano i tempi duri della brutale dittatura militare.







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M´ha detto della necessità che aveva di restarvi.
Non sapeva nemmeno apparecchiare un tavolo.
Neppure preparare il letto lo sapeva.
Di cucina, solo faggioli con farina e cuscus...
Le sue cose ci stavano in un sacco da fare spese.
Ciò nonostante lei era decisa, e veniva per rimanere.

Aveva bisogno di lavorare perchè la mamma e la figliola – che ha avuto quando aveva quindici anni – dipendevano da lei.

Nella vita mi sono sempre sentita invitata
Ad accogliere chi volessi imparare. Lei è andata più in là. É entrata in una scuola pubblica.
Ha conquistato il titolo basico del magistero.
Ha imparato il piacere di leggere e di prendere cura di sè.


Ora lei conosce i suoi diritti e sa i suoi doveri.
Oggi sono io che non posso vivere senza di lei.


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Crediti delle Immagini

1. Archivio esclusivo del blog "Espaço Poese";
2. Archivio esclusivo del blog "Espaço Poese";
3. Immagine di: www.canstockphoto.com.br

MULHERES - TRATOS MEMORIAIS

26 de agosto de 2016


MARA, SEU NOME DE LUTA


Chegava sem avisar...
Trazia duas malas cheias e um grande sorriso aberto.

Que alegria revê-la! As crianças exultavam. Jamais lhe perguntei porque nunca nos avisava. Entendia a escolha de vida que havia feito, nas circunstâncias que vivíamos.

Saía pouco da minha casa.
Sentada no chão do quarto, conversava baixinho com pessoas jovens que chegavam para vê-la. Não as conhecíamos... Mas, imaginávamos o "porquê" das conversas reservadas.

Um único rosto reconheci depois na TV. Era o líder do MST - Movimento dos Sem Teto - José Rainha, agora um senhor barbudo, mas sempre um lutador.

Aqueles eram os tempos duros da brutal ditadura militar.


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CONVERSA DE AMIGAS 


Era um encontro casual de amigas que se conheciam desde os 15 anos.... Agora todas haviam passado dos 70. Conversavam  animadamente sobre o nascimento dos filhos...

E ela lhe contou que a chegada da sua primeira filha fora um momento exultante, de grandes alegrias!

E que a segunda lhe encontrou madura e calma, a celebrar sua chegada com o pai que tanto a amou.

Nem que a terceira fora um nascimento conquistado
com garra, tenacidade e coragem, porque havia risco de não vingar... Mas vingou. É a mãe do seu primeiro neto.

Hoje, as três filhas praticam a parceria do afeto. E a acompanham nos cuidados de uma saudável velhice.

A escuta da amiga, naquele encontro, foi uma contemplação de alegrias semelhantes às suas, um silêncio de gratidão à vida e de plenitude! 
A amizade promove momentos de estar com Deus e agradecer. 
Um outro jeito de rezar...


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A VONTADE DE APRENDER


Falou-me da precisão que tinha de ficar.
Sequer sabia pôr a mesa. Nem forrar a cama usando dois lençóis.

De cozinhar, só o feijão com farofa, e o cuscuz...
Seus pertences vinham numa sacola de mão.
Mas, ela estava decidida. Viera para ficar.
Precisava ganhar para cuidar da mãe e de uma filha que tivera aos quinze anos...

Na vida, sempre me senti convidada a acolher
quem queria aprender. E ela foi além. 
Incentivei-a a entrar numa escola pública.
Conquistou o título do magistério.
Aprendeu a gostar de ler, a se cuidar e a conhecer seu direitos e deveres.


Hoje, sou eu quem não pode viver sem ela...


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Crédito das Imagens:  www.canstockphoto.com.br



IL SENSO DELL´AFFETTO

22 de agosto de 2016


Tolse i sandali e, poggiatasi al braccio dell´amica, tocò la ponta dei piedi nelle acque serene del mare. Il suo sguardo -  che si spargeva pieno sull´oceano - allungavasi nella linea della  frontiera distante dalle terre africane. Anche se lontane, quelle terre si incastravano alla punta più avanzata della spiaggia brasiliana, in uno antico abbraccio.

L´amica partecipava a quel momento di emozione in silenzio.

La vecchia signora, già arrivata a più di ottant´anni, teneva molto vive le memorie dei suoi tempi bambini nelle spiagge del Rio de Janeiro. La presenza del mare era la sua casa, come un portabagagli di nostalgia degli amici che già si erano andati, perchè si sono andati  tanti!

Ora, rivedere il mare era per lei come esserci davanti al paesaggio ludico della ínfanzia. Opure come si rivedesse quel quadro di Anita Malfatti, che a lei molto piaceva, La Onda. Quella pennellata di un´abbracio liquido afferrato alle pietre, fascevano la luce trasformarsi in arcobaleno, per attingere bellezza più grande.

Silenziosa,  lei contemplava il paesaggio.  Il suo sguardo rivisitava i tempi che sono rimasti indietro, ora presente nella profonda riviviscenza che il mare le comunicava.  Dopo, ha suspirato e disse: 

-    Più che il mare... Solo  
l´Amicizia! 

Quel commento espressivo, di donna contemplativa e serena, sembrava essere um gesto di attenzione e carezza per chi gli stava accanto, che aveva avuto la idea così speciale di offrirle un nuovo incontro con il mare. 

Quando ho sentito questa storia da  un  amico  comune, mi si è risvegliata una antica intuizione, che l´amicizia è il sacramento di tutte le ore. Una esperienza indispensbile al compito nostro di persistire e sopravvivere, in questi tempi di sconforto in cui tanti si sentono.


L´antidoto a questo sconforto è la coscienza che, per goderci il migliore della vita  più in là dei buoni momenti di solitudine  si ha bisogno di scambiare con gli amici, pochi che siano, la attenzione, l´apprendistato, il dialogo, i propri talenti e persino di scherzzare dei limiti che tutti abbiamo. 

Quando  si  perde la coscenza  vitale  del  bisogno  dell´altro,  ci   sarà  o perchè l´insensibilità  ci  ha  corroto  l´anima, o  perchè  chissà, in  quel  momento, si è malato e si ha bisogno di cure speciali.



L´amico non si coltiva se non esercitiamo la capacità delicata dello ascolto, e l´abilità del rispetto sincero alle diversità reciproche. Importante è pure la cura di visitare gli amici – sempre che possibile – nei momenti in cui per uno o l´altro abbia qualunque significato, indipendentemente delle nostre proprie motivazioni.





La sensibilità dell´affetto ci rivela che, più che offrire dei donni, inviare mensaggi via WhatsApp e Facebbook, oppure sfarsi in lode, la amicizia richiede presenza vera nei momenti importanti della vita. E importanti sono tutti i momenti in cui si può sperimentare la carezza essenziale di cui ci parlano i grandi pensatori  contemporanei di spiritualità, come lo scrittore e teologo Leonardo Boff, oppure il patto dell´amore fraterno a cui si riferisce Chiara Lubich.

Concludo com le parole del grande pensatore francese Edgar Morin: “Il nostro cotidiano vive sempre in ricerca di senso. Ma il senso non è originario neppure proviene della esteriorità del nostro essere. Immerge della partecipazione, della fraternizazione dell´amore. Il senso dell´amore e della poesia è il senso dellla qualità suprema della vita. Amore e poesia, quando concepiti come fini e mezzi di vivere, portono pienezza di senso al vivere per vivere“.

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Tra gli inummeri libri che parlano di amicizia, alcuni che conosco probabilmente 

sono pubblicati in versione italiana: 



 “Il libro degli Abbraci”, dell´uruguaio  Eduardo Galeano. 

– "Amore, Poesia, Sapienza", di Edgar Morin.  

 “Grande Sertão Veredas”, de João Guimarães Rosa.  Un classico moderno - pubblicato anche in italiano, ha dato origine ad uno filmato televisivo. Parla dell´affetto di Diadorim per Riobaldo, personaggi di questo magistrale romanzo. 

Zorba, il Grecco", Nikos Kazandzakis, un classico che ha risultato anche in film. 

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Crediti delle Immagini

1. Immagine di: www.canstockphoto.com.br;
2. La Onda - pittura di Anita Mafaltti - www. anitamafaltti.galeria.com 
3. Il mare tropicale ed i corali - www.canstockphoto.com.br
4. Gli amici accanto a Papa Francesco - divulgazione
5. Immane di Unnamed - www.unnamed.jpg
6. Olimpiade - Brasile  2016 -   Dopo la finale di volei BrasilxItalia. Immagine divulgata dal Ministero degli Sport in Brasile. Fonte:http://fotospublicas.com/wp-login.php 


Nota:  Le immagini pubblicte in questo blog  appartengono ai suoi autori. Se qualcuno ha diritti di una di queste, e desidera che sia rimossa di questo spazio, per favore faccia contato con: vrblog@hotmail.com

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