Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

A CULTURA DO TER

29 de abril de 2015


Economista brasileiro e professor universitário, o Prof. Marcus Eduardo de Oliveira é especialista em Política Internacional e mestre em Estudos da América Latina pela Universidade de São Paulo (USP). É colaborador da "Agência Zwela de Notícias" (Angola) e do portal "Notícias Lusófonas" (Portugal). 

Sua opinião, sobre a cultura do ter nos põe em alerta, para ensaiarmos atitudes de melhor convivência com a Mãe Terra e - por que não dizer - definir uma atitude pessoal, familiar e social de preservação do ambiente que nos acolhe, neste planeta do qual tão pouco nos interessamos.  Segue seu artigo. 


A noção de limites - principalmente em relação à disponibilidade de recursos naturais e energéticos - foi completamente perdida por parte da atividade econômica. Extrapolou-se, por consequência, as fronteiras daquilo que se convenciona chamar de razoável, ponderável, aceitável, em termos de respeito à biosfera. Não por acaso é sintomática a percepção de que a raça humana desenvolveu mecanismos com mais facilidade para a "destruição” do que para a "preservação”, tendo em vista que, para a realização dessa última, é imprescindível o desenvolvimento de uma consciência coletiva.

As provas incontestes dessa falta de parcimônia para com o meio ambiente, contidas na completa ausência de um tipo específico de consciência planetária, talvez estejam presentes na prática e hábitos enraizados em diversas culturas que enaltecem, sobremaneira, o consumo excessivo, fazendo da aquisição material espécie de dogma para a promoção pessoal, verdadeiro cabedal paradigmático da conquista do progresso e do bem-estar.


Essa cultura do "ter”, vinculada intimamente ao ato de consumir, constantemente se sobrepõe e, por isso, afronta acintosamente a cultura do "ser” que, por sua vez, se liga às questões morais, éticas e mesmo de conduta pessoal. No caso específico do "ter”, é a materialidade que se expressa com força ímpar, penetrando no consciente dos mais vorazes consumidores, naqueles chamados suntuosos compradores, nos que estão (ou nunca estiveram) pouco preocupados com as consequências ao planeta de um consumo ostensivo. Em outras palavras, daqueles que pouco se importam se essa busca pelo progresso econômico e pelo bem-estar material será ou não inimiga da preservação ambiental; afinal, o que importa em matéria de respeitar as leis do mercado de consumo passa longe, mas muito longe, da necessidade em preservar o meio ambiente.


Esse excesso de produção/consumo – causador em primeiro plano da dilapidação dos recursos naturais – está expresso nos 20% da humanidade residente nos países mais avançados que se apropriam de 80% de toda a produção material mundial. Isso faz com que, em larga medida, não haja uma adaptação das atividades econômicas às leis da natureza. Se houvesse, os níveis de produção e consumo seriam indubitavelmente mais cônscios e menos agressivos.

Contudo, como a ordem que vem do mercado aponta para a "necessidade” de se produzir (sempre mais e mais), para com isso promover o crescimento econômico, a única "consciência” que parece se estabelecer, se dá em torno de fazer com que o "ter” prevaleça sobre qualquer condição. Por isso se constata o confronto latente entre o sistema econômico (que se expande sem limites) e o sistema ecológico (que decreta os limites não respeitados pela atividade econômica).

Disso decorre afirmar, igualmente, que os processos econômicos e sociais nunca estiveram essencialmente a serviço da vida, dificultando assim a criação dessa consciência planetária em torno de se buscar, primordialmente, a partir da ação individual, o compromisso com o planeta (nossa Casa Comum – Gaia, no dizeres dos gregos), com a preservação das espécies (parceiros de nossa convivência) e com o cuidado específico em relação à não dilapidação frenética dos serviços ecossistêmicos (indispensáveis ao nosso viver).

Essa falta de consciência planetária – especificamente em relação aos serviços ambientais – enaltecida  pela cultura do "ter”, leva a graves distúrbios. Por isso, é comum que muitos saibam até mesmo explicar os valores dos produtos, mas são incapazes de mensurar os valores da natureza. Em geral, sabe-se com facilidade o preço (custo) de uma mesa feita de mogno, mas não se sabe o "custo” que representa a derrubada de um Jequitiba de 200 anos.

O que passa a "valer mais” são as mercadorias, não a natureza e os recursos dela extraídos para a fabricação dessas mercadorias. Lamentavelmente, tem-se aqui uma acintosa inversão de valores. "Ter” vale mais que "Ser”. "Comprar” vale mais que "Preservar”, e "Produzir” se torna sinônimo de "Progredir”, mesmo que isso custe "Destruir” o meio ambiente, o "Eco” (casa).

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Foto de Marcos Eduardo de Oliveira - http://alagoasnanet.com.br/blog 
Outras imagens - canstockphoto


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A GRATUIDADE DO AMOR

24 de abril de 2015


Por vezes reproduzo, aqui, coisas escritas nas minhas agendas de anos atrás... Mas desta vez as anotações que encontrei são de uma pessoa que amei muito e que já fez sua viagem definitiva. 

Trata-se de uma breve reflexão sobre a "Comunhão", essa expressão tão significante na vida de cada um de nós: a comunhão com Deus, a comunhão com a pessoa amada, a comunhão com os amigos, com a família, com o povo da minha região, do meu país, e dos países pelo mundo afora... A comunhão nos momentos de dor e de alegria, a comunhão no silêncio e na escuta das preocupações e das alegrias do outro, a comunhão no amor. Segue o texto:

A comunhão não é um produto, é um acontecimento. 

A primeira condição para que a comunhão aconteça, é que a pessoa que ama consiga curtir e viver plenamente, na centralidade, a sua solidão. Viver é viver simplesmente e, portanto, é também estar só.

A segunda condição para a comunhão acontecer é que a pessoa que ama ame simplesmente, gratuitamente: 'No amor o que vale é amar'. 

A terceira condição para acontecer a comunhão é que 'aconteça' que a pessoa amada também proceda assim - no que diz respeito à vida na solidão e ao amor gratuito, como um dom ao outro.

A graça de se achar - de flutuar sem ansiedade nas ondas da vida - a graça de se sentir viver acontece quando alguém se abre gratuitamente para a vida. E esse estado de espírito também é, surpreendentemente, uma graça.

'Deus é paciência. O contrário é o diabo', é o que se lê em Grandes Sertões Veredas, de Guimarães Rosa: 

"Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há de gente perdida no vai-e-vem, e a vida é barra... Tendo Deus é menos grave se descuidar um pouquinho pois, no fim, tudo dá certo. Mas se não tem Deus, então a gente não tem licença nenhuma". 

Ao ler essas notas fiquei pensando quanto é verdadeira a ideia de que a comunhão é a unção que se dá pela presença do divino entre nós, dessa inefável e inexplicável presença que imanta a vida de uma leveza indizível, bem diferente da ideia de um deus que conhecemos talvez na infância e, quem sabe, descuidamos de atualizar. Um Deus com quem eu faço as contas pedindo-lhe em troca alguma coisa, com o qual se pesa a quantidade das orações,  com quem se calcula o valor da oferta ou a intensidade de velas acesas. É o que muitos ainda cogitam ainda hoje, apesar da palavra de um homem que inundou de sabedoria e profundeza a história da humanidade e que se apresentou ao mundo como o Filho de Deus. Quando lhe perguntaram quem ele era, respondeu: "Eu sou aquele que sou". E, falando sobre a nossa relação com ele, sentenciou: "Eu quero a misericórdia e não o sacrifício".  


Ora, bem sabemos que o sentido da misericórdia é a compaixão, a piedade, o perdão, a indulgência, a clemência, enfim, a gratuidade do amor. E, mais uma vez, lembro a feliz expressão de Leonardo Boff para esse gesto: a 'carícia 
essencial'



Não seria essa a prece essencial e mais resolutiva para todas as enfermidades das relações humanas? 

A carícia essencial: o cuidado de agir - nas diferentes circunstâncias da vida - feito um dom para o outro. De tentar acolher o outro tal como ele é no momento presente; amanhã será 
outro dia. 

Com o meu gesto indulgente e pleno, talvez eu contribua para que o outro experimente a carícia de Deus. É assim que a gente descobre o quanto Ele parece "precisar" da nossa atitude amorosa, do nosso agir fraterno e compassivo para chegar ao outro. Sem interesse de retorno. Se o retorno vier, será a celebração da plenitude. 

Estou certa que essas não são coisas de aprender nem de ensinar. São realidades que precisam ser experimentadas na simplicidade do dia a dia, recomeçando a cada momento. Assim, possivelmente se chegue a saborear a infinitésima sensação da presença indizível do Inominável. 


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Créditos das imagens:


1. Omens of Hafez - detalhe. o.s.t. 134x100. Imán Maleki: pintor indiano - 2003. 
2. As garças - reprodução de um dos painéis decorativos do salão nobre do Teatro Amazonas, em Manaus, reproduzido no artigo "Natureza e Civilização" de Ana Maria Lima Daou - Instituto de Geociências da UFRJ -  in: www.scielo.br
3. Idem - Painel borboletas azuis - detalhe.


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UMA ANÁLISE POLÍTICA DO PT

22 de abril de 2015


                                                        Há muitos anos sou assinante da revista Carta Capital e leitora fiel de um dos seus melhores articulistas, Fábio Konder Comparato, reconhecido como jurista de grandeza, estudioso e crítico social de indiscutível valor. O seu artigo - aqui reproduzido - faz uma crítica legítima a um partido que teve uma incontestável atuação nas políticas sociais do país nos últimos decênios, e agora nos desafia – no dizer de Henfil, citado em artigo anterior - "a prosseguir a batalha por um tempo de maior delicadeza, respeito, justiça e paz. É preciso. É possível”. Comentando este artigo, Leonardo Boff  declara que 'o articulista nos oferece elementos para um juízo crítico e bem fundado da atual crise brasileira e, nesta, o papel do Partido dos Trabalhadores'. 

Uma Triste Nulidade
É impossível decifrar os objetivos atuais do Partido dos Trabalhadores
Hipócrates, o Pai da Medicina, denominou krisis o momento preciso em que o olhar experiente do médico observa uma mudança súbita no estado do paciente, o instante em que se declaram nitidamente os sintomas da moléstia, ensejando o diagnóstico e o prognóstico.
Seremos capazes de fazer um juízo hipocrático da recente piora apresentada no estado mórbido, no qual se encontra, há muito tempo, a vida política brasileira? Creio que o diagnóstico deve ser feito em razão da realidade substancial de nossa sociedade, caracterizada pela estrutura de poder e pela mentalidade coletiva predominante.
No Brasil, desde os tempos coloniais, o poder supremo sempre pertenceu a dois grupos intimamente associados: os potentados privados e os grandes agentes estatais. Cada um deles exerce um poder ao mesmo tempo, em seu próprio benefício e complementar ao do outro. Os agentes do Estado dispõem da competência oficial de mando. Os potentados privados, da dominação econômica, agora acrescida do poder ideológico, com base no controle dos principais veículos de comunicação de massa. Trata-se da essência do regime capitalista, pois, como bem advertiu o grande historiador francês Fernand Braudel, “o capitalismo só triunfa quando se alia ao Estado; quando é o Estado”.
Quanto à mentalidade coletiva predominante, isso é, o conjunto das convicções e preferências valorativas que influenciam decisivamente o comportamento social, ela foi entre nós moldada por quase quatro séculos de escravidão legal.
Essa herança maldita acarretou, em ambos os grupos soberanos acima nomeados, um status de completa irresponsabilidade política, pois desde sempre eles se acharam, tais como os senhores de escravos, superiores à lei e isentos de todo controle. De onde o fato de a corrupção, nas altas esferas do poder público e no setor paraestatal, ter sido até agora tacitamente aceita como costume consolidado e irreformável.
Quanto às classes pobres, o longo passado escravocrata nelas inculcou uma atitude de permanente submissão. O pobre não quer exercer poder algum, prefere, antes, ser bem tratado pelos poderosos. Na verdade, o conjunto dos pobres jamais teve consciência dos seus direitos, por eles confundidos com favores recebidos dos que mandam.
No tocante à classe média, seus integrantes procuram em regra atuar como clientes dos grandes empresários, proclamando-se, a todo o tempo, defensores da lei e da ordem. Eles sempre desprezaram a classe pobre, ou temeram sua ascensão na escala social.
Para completar esse triste quadro, e seguindo a velha prática do mundo capitalista, nossos grupos dominantes aqui forjaram, desde o início, uma duplicidade de ordenamentos jurídicos: o oficial e o real. No Brasil colônia, as ordenações do rei de Portugal mereciam respeito, mas não obediência. O direito efetivo era o que os administradores oriundos da metrópole combinavam com os senhores de engenho e grandes fazendeiros. A partir da Independência, as Constituições aqui promulgadas seguiram o modelo dos países culturalmente adiantados, para melhor dissimular a primitiva realidade oligárquica, vigorante na prática.
A Constituição de 1988 não faz exceção à regra. Ela declara solenemente, logo em seu primeiro artigo, que “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente”. Na prática, os ditos representantes do povo são eleitos, em sua quase totalidade, mediante financiamento empresarial. E o Congresso Nacional dispõe de competência exclusiva para “autorizar referendo e convocar plebiscito” (art. 49, inciso XV). Ou seja, o povo não exerce poder algum, nem direta nem indiretamente. Ele é simples figurante no teatro político.
Acontece que no centro da organização oficial do Estado brasileiro acha-se o seu chefe, isto é, o presidente da República. É de sua habilidade pessoal que depende o funcionamento, sem sobressaltos, desse sistema político de dupla face. Cabe-lhe manter, sob a aparência de respeito à Constituição e às leis, um bom relacionamento com os soberanos de fato, sem esquecer de agradar ao “povão”, dispensando-lhe módicas benesses.
Foi o que fez brilhantemente Lula durante oito anos. E é o que Dilma, por patente inabilidade, revelou-se incapaz de compreender e realizar, numa fase de prolongado desfalecimento da economia, no Brasil e no mundo. Ela entrou em choque com o Congresso Nacional, desconsiderou o Supremo Tribunal Federal (até hoje não nomeou o sucessor do Ministro Joaquim Barbosa, aposentado em 31 de julho de 2014) e acabou por se indispor com o empresariado, a baixa classe média e até a classe pobre, ao implementar a política de ajuste fiscal.
E o PT no bojo dessa crise?
Ele revelou-se uma triste nulidade política, decepcionando todos os que, como eu, se entusiasmaram com a sua fundação, em 1980. A nulidade é bem demonstrada pela leitura de seu atual estatuto, aprovado em 2013. Nele, por incrível que pareça, não há uma só palavra, ainda que de simples retórica, sobre os objetivos do partido. Todo o seu conteúdo diz respeito à organização interna, à qual, aliás, pode ser adotada por qualquer outra legenda.
Se esse diagnóstico é acertado, o que se há de fazer não é simplesmente aliviar a crise, mas atacar as causas profundas da moléstia. Para tanto, a via cirúrgica, do tipo impeachment da presidenta ou golpe militar, não só é ineficaz como deletéria.
O que nos compete é iniciar desde logo a terapêutica adequada, consistente em quebrar a soberania oligárquica e reformar nossa mentalidade coletiva. Tudo à luz dos princípios da República (supremacia do bem comum do povo sobre os interesses particulares), da democracia autêntica (soberania do povo, fundada em crescente igualdade social), e do Estado de Direito, com o controle institucional de todos os poderes, inclusive o do povo soberano.
Bem sei que se trata de caminho longo e difícil. Não se pode esquecer que na vida política o essencial é fixar um objetivo claro para o bem da comunidade, e lutar por ele. Não é deixar as coisas como estão para ver como ficam.

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Fábio Konder Comparato é jurista e professor emérito da USP

Crédito Imagens:
Fabio K. Comparato - blogdoramonpaixo18.blogspot.com
Período Colonial - quadro de Debret
Capa Constituição - https://nucleodotrabalho.webenode.com.br/constituicao
Lula de Dilma comemoram a reeleição de Dilma - foto divulgação
Manifesantes em Brasilia - abril 2015 - www.ebc.com.br/noticias/2015/0

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L´AMORE NELLA VECCHIAIA (*)

21 de abril de 2015

D´inizio ho pensato di scrivere su 
l´amore nella maturità. Ma subito ho capito che la maturità non ha una età, è un tempo di pienezza che espressa una fase adulta di esperienza, ricettività e sapere. Parleremo allora sull´amore nella vecchiaia, quasi sempre a ripprendere esperienze di amori avuti da quando si era adolescente.

L´amore alla vecchiaia è uno dei temi in cui, apparentemente, una grande parte delle persone che hanno rispetto per la libertà e per il diritto che ognuno ha di vivere le sue emozioni di amare ed essere amato lungo la vita. È simile al tema dell´omossessualità, del lesbismo o della diversità razziale e sociale.


La maggior parte delle persone segue con interesse, curiosità ed emozione le scennegiatture di romanzi o di film su questa tematica. Però, se qualcuno in famiglia oppure da sua conoscenza privata fa parte di situazioni annaloghe, diventa più difficile accettare il fatto. Quasi sempre per la paura o vergogna di avvicinarsi a tali aspetti della realità che richiede larghezza di visione ed efficace rispetto alla diversità. 

Questi non hanno l´idea di quanto si impoveriscono con il suo isolamento carico di pregiudizi, che li portano a rinunciare alla contemplazione di ogni persona nella sua singolarità, come dono diverso da sè, nel suo proffondo significato di scambio e di apprendistato. Loro insistono a pensare le relazioni come fossero un treno in lignea dritta e senza curve o cambiamento di carri, perchè si aggrapano a quello che a loro sembra essere la "norma", la linea reta della vita, l´unico sentiero ad essere esplorato.

É quello che può succedere quando arrivono le sensazioni d´amore nella età avanzata. Ci sono quelli che rinunciano a interessarsi a una relazione d´amore quando ultrepassono i cinquenta sessant´anni, le donne in modo speciale, como fosse possibile scartare una sensazione che s´installa e vige a qualsiasi età, in tutte le testure e collori della pelle e classi sociali, persone instruite, profissionisti e lavoratori di tutti i tipi.

L´affetto conosce solo l´indirizzo del cuore e del benessere della persona amata. E non fa differenza tra giovani e anziani, poiché in entrambi i casi gli basta la capacità di amare, dell´altruismo e dell´ascolto.

Ricordo alcuni versi, chissà di quando e nemmeno perchè. Versi che oggi possono forse parlare di quello che vorrei dire:

                                          
    
Un sussulto di perdita
O solo un sussulto?     

Ho nostalgia dello sconosciuto
Calore del finora non provato
Una voglia di ternura e di bellezza
Di uno amore che pure non c`è stato
         
Dolorosa sensazione 
Di un parto alla vita!

          





(*)  Avevo deciso di non più tradurre in italiano gli articoli di questo blog. Però, guardando il numero de persone che acessono il blog in Italia, ho deciso di ripprendere la traduzione, però chiedendo scuse dei tanti sbagli. Invito i lettori a considerare un commento fatto da una cara amica italiana: "gli sbagli possono forse servire di svago"... 


Créditos imagens:

Le tre prime fotografie - canstockphoto
Rittrato della poeta brasiliana Cora Carolina - Global Editora

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AMOR NA VELHICE

20 de abril de 2015


Pensei inicialmente de escrever aqui sobre o amor na maturidade, mas logo percebi que a maturidade não tem idade, é um tempo de madureza e de plenitude que expressa um estágio adulto de experiência, receptividade e saber. Vamos então conversar o sobre o amor na velhice, um estágio que vem coroar  experiências de amores havidos a partir da adolescência.  

O amor na velhice é um daqueles temas que, aparentemente, tem a aceitação de grande parte das pessoas que prezam a liberdade e o direito que cada um tem, ao longo da vida, de viver suas emoções de amar e ser amado. É um tema semelhante àquele da homossexualidade, do lesbianismo e da diversidade racial e social. 

A maioria consegue acompanhar com interesse, curiosidade e emoção roteiros de novelas e filmes focalizados nessas temáticas. Mas, se alguém da família ou de seu conhecimento próximo for "atingido" por situações semelhantes, torna-se bem mais difícil lidar com o fato. Quase sempre por medo ou vergonha da proximidade com tais aspectos da realidade da vida que demandam abertura de visão e respeito efetivo à diversidade.   

Tais pessoas não têm ideia de quanto vão se empobrecendo com o seu isolamento carregado de preconceitos, que as leva a abdicar da contemplação de cada pessoa em sua singularidade, feito um dom diverso de si em seu significado profundo de troca e de aprendizado. Elas insistem em pensar as relações como fossem um trem numa linha reta sem curvas nem troca de vagões, pois se apegam ao que lhes parece a "normalidade", a linha reta da vida, a única trilha a ser explorada. 

É o que pode acontecer com a sensação do amor na velhice. Há quem desista de interessar-se por uma relação amorosa quando ultrapassa os cinquenta sessenta anos, as mulheres especialmente, como se fosse possível descartar um sentimento que se instala e vige em qualquer idade, em todas as texturas e cores de pele e classes sociais, gente mais ou menos escolarizada, profissionais liberais e trabalhadores de toda ordem. 

O afeto conhece o endereço do coração e do bem-estar da pessoa amada. E não faz diferença entre moços e velhos, pois nos dois casos basta-lhes a capacidade do bem-querer, do altruísmo e da escuta.

Recordo uns rabiscos escritos quiçá quando nem por que - versos que hoje me acodem para falar do que agora quero dizer:


Uma sensação doída de perda
Ou de espanto?

Sinto saudades do desconhecido
Ardor do ainda não experimentado
Lembrança do passado - incerteza
Do amor que ainda não foi dado
Anseio de ternura e de beleza.

         Uma sensação doída 
         do parto para a vida!


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Créditos das Imagens: www.canstockphoto.com.br

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INVECCHIARE

17 de abril de 2015

In questi giorni ho completato setanta e sete anni. La gioia più grande è stato festeggiare le tante decade di contemplazione della Terra, nella   sua danza permanente all´intorno del sole:
le tante albe e i suoi tramonti.

Gioia anche per la presenza affettuosa di amici e parenti che sono venuti, o che erano con me nei diversi segni che mi sono raggiunti,  facendomi capire che il tempo non cancela l´affetto coltivato in reciprocità.


Quindi,  è sempre più viva la mia sensazione di cui l´amicizia è un sacramento che magnetizza di nuovo ogni passo del nostro cammino. Al lungo del tempo percorso, ho passato stazioni irizate da fiori colorati,   ed altre cariche di frutti verdi e duri, altri fioriti nella sua identità bella e suggestiva, maturati nella singolarità del suo pieno sapore.

Ho imparato che la vita è intrecciata di stazioni mutanti che non dispensano inverni di pioggie soleggiate – come quelle delle mie terre aride – ed altre piene di raggi vibranti e di forti tuoni arrivati di sorpresa, quando bisogna chiudere la porta ed aspettare con la speranza che passino in fretta.

Ho contemplado autunni forti quasi invernali: le foglie colorate di rame lucido in molte sfumature, rivestendo gradualmente le vie del tempo che passava in un paesaggio freddo di nuvole senza fine. 

77 anni scritti così, in caratteri uguali che parlono di una fase molto speciale della vita, perchè arrichitta dal senso profondo di tutto quello che c´era – la pienezza del vivere nel tempo breve di ogni giorno – ed il sogno presente di quello che ancora deve ancora arrivare.

Ci sono dei versetti tolti dalla profondità della mia memoria, oppure invenzioni che mi sembrano una canzone di ninna nanna alla vecchiaia, nella delizia della cura e dell´affetto:

Non offrirmi una casa...
Dammi il bennessere, la sicurezza
Ed un luogo illuminato di armonia.

Non offrirmi dei mobilli...
Dammi solo il conforto
Di un´ambiente accogliente.

Non offrirmi vestiti...
Dammi un´apparenza
Sana e attrattiva.

Non offrirmi scarpe...
Dammi conforto per i miei piedi
Ed il piacere di camminare.
                                           
Non offrirmi dei libbri...
Dammi un angolo sombreato
Per leggere i poeti e gli scribbi.

Non offrirmi strumenti...
Dammi il vantaggio ed il piacere
Di rendere le cose belle.

Non offrirmi dei soldi...
Dammi la carezza di avere
Le cose che ho bisogno per sopravvivere.

Non offrirmi status...
Dammi la presenza degli amici
Per condividere le loro emozioni.



Non offrirmi delle robbe...
Dammi delle idee di partizione
Ed il sentimento della solidarietà.


Non offrirmi discorsi...
Dammi l´attenzione  dell´ascolto
E il dono di imparare ciò che ancora non so.






Crediti immagini:

Pianeta terra - NASA - divulgazione
Fruti - immagini divulgazione - (Italia)
Autuno - Immagine divulgazione
Arcobaleno e fotografia finale - immagini esclusive del blog.

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ENVELHECER

15 de abril de 2015

Nesses dias completei setenta e sete anos. A alegria maior foi a de comemorar as tantas décadas de contemplação da Mãe Terra, na sua dança permanente em torno de si mesma e ao redor do sol: a contemplação de belas auroras e dos seus reluzentes ocasos... 

Alegria também na presença carinhosa de familiares  e   amigos que vieram ou que estavam comigo nos sinais que me chegaram, fazendo-me perceber que o tempo não apaga o afeto cultivado em reciprocidade. Assim, é cada vez mais viva a minha sensação de que a amizade é um sacramento que imanta de novidade cada fase do nosso caminhar.


Nesse longo percurso passei por estações irisadas de matizes florais, outras carregadas de frutos verdes ou desabrochados na sua identidade exuberante, amadurecidos na singularidade inteira de seu pleno sabor. 

Aprendi que a vida está imbricada de estações mutantes de invernos com chuvas ensolaradas - feito no meu sertão - e outras avisadas por raios vibrantes e estrondosos trovões chegados de surpresa, quando carece fechar a porta e esperar, na esperança de passarem depressa. Experimentei também outonos suaves e fortes: as folhas coloridas de um cobre brilhante em múltiplas nuanças, revestindo devagar os caminhos do tempo que passa, até o inverno de uma paisagem fria de brancura infinda. 

77 anos escritos assim, em caracteres iguais que dão a impressão de uma fase muito especial da vida, porque enriquecida do sentido profundo de tudo o que já foi - o viver no tempo ligeiro do dia a dia - e do sonho presente do que ainda está por vir. 


No final do dia, lembrei-me de uns versos achados à mesa da velha mãe de uma amiga francesa, recopiados no regalo da minha experiência pessoal, e que mais parecem uma cantiga de ninar desejos e sonhos, no cuidado e no afeto:

Não me ofereças casa...
Ofereça-me bem-estar, segurança 
E um lugar iluminado de harmonia.

Não me ofereças móveis...
Ofereça-me o conforto
De um ambiente aconchegante.

Não me ofereças roupas...
Ofereça-me uma aparência 
Saudável e atraente.

Não me ofereças sapatos...
Ofereça-me comodidade aos meus pés
E o prazer de caminhar.
                                                  
Não me ofereças livros...
Ofereça-me um recanto assombreado
Para ler poetas e escribas.


Não me ofereças ferramentas...
Ofereça-me o benefício e o prazer
De realizar coisas bonitas.

Não me ofereças dinheiro...

Ofereça-me o carinho de enxergar
O que eu preciso para sobreviver.

Não me ofereças status...
Ofereça-me a presença dos amigos
E a partilha da sua emoção.

Não me ofereças coisas...
Ofereça-me ideias de partilha
E sentimentos de solidariedade.

Não me ofereças discursos...
Ofereça-me a atenção da escuta
E o dom de aprender o que ainda não sei.

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Créditos das Imagens:

1. Velhice - www.canstockphoto.com.br
2. Frutos -  imagem divulgação (Itália)
3. A pensar - pintura de Iman Maleki, pintor realista iraniano - www.imanmaleki.galeria
4. Manhã Mística - My Misty Morning -Aforismi&nonsolo.com




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