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BRASIL - CORVID-19 NAS FAVELAS - MUITAS QUESTÕES SEM RESPOSTAS

27 de março de 2020

Por: João Vitor Santos e Patricia Fachin | 27 Março 2020
IHU-Usininos 
A questão mais preocupante em relação à expansão do coronavírus no Brasil, e para a qual ainda se tem poucos dados, é “saber como se dará a evolução de Covid-19 numa população que vive em condições precárias e que terá dificuldade de executar de forma apropriada as recomendações de isolamento social e de higiene das mãos e objetos”, diz o médico e vice-presidente da Abrasco à IHU On-Line.
Na entrevista a seguir, concedida por WhatsApp, Dr. Guilherme Werneck avalia que, apesar de necessárias, as medidas adotadas em âmbito federal e estadual para reduzir a disseminação do coronavírus, acabam sobrecarregando as populações mais empobrecidas do país. Somente no Rio de Janeiro, lembra, existem mais de 700 favelas, onde vivem 22% da população carioca. Como conseguir que as medidas de isolamento social, de afastamento entre pessoas, lavagem periódica das mãos e a limpeza doméstica consigam ser feitas em condições sanitárias adequadas, quando as pessoas vivem em lugares pequenos, pouco arejados, aglomeradas em pequenos cômodos, onde não existe saneamento básico e onde o acesso à água é reduzido?”, questiona. O afastamento dessa população do trabalho, pondera, também gera consequências. “Como vão obter os recursos financeiros para poderem se alimentar, se estiverem afastados do trabalho durante a epidemia? É preciso lembrar que boa parte dessa população vive e trabalha em condição de total informalidade, ou seja, o afastamento do trabalho implica na não remuneração”.
Entre as alternativas possíveis para minimizar os impactos da epidemia nas populações que mais precisam, Werneck sugere, por exemplo, “que se faça chegar água a essas comunidades para que as pessoas possam lavar as mãos com mais frequência. Isso pode ser feito com a entrega de tonéis de água que sejam utilizados com torneiras, como já ocorre em países africanos. Além disso, é muito importante que se façam atividades e iniciativas para doação e chegada de produtos de primeira necessidade até essas populações, sejam produtos de limpeza, sejam produtos alimentícios, para que elas possam superar as necessidades que vão encontrar enquanto estiverem afastadas do trabalho”.
Guilherme Werneck é graduado em Medicina, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ e doutor em Saúde Pública e Epidemiologia pela Harvard School of Public Health. É professor do Instituto de Medicina Social da UERJ, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IESC/UFRJ e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva - Abrasco.
Confira a entrevista.

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IHU On-Line - Atualmente, quais são os desafios do Brasil diante da Covid-19?

Guilherme Werneck - A Covid-19 tem demonstrado duas feições claras: apresenta uma alta capacidade de disseminação e uma capacidade mais baixa de causar mortes quando comparada com outras infecções por coronavírus que provocaram epidemias recentes (SARS-CoV e MERS-CoV). Essa capacidade de provocar mortes, também chamada de letalidade (proporção de infectados que eventualmente morrem), está em torno de 2% para a Covid-19, isto é, pode-se esperar que mais ou menos duas pessoas morram a cada 100 casos identificados da doença. O grande problema da Covid-19 é que o número de casos tem crescido muito rapidamente no mundo. Em cerca de três meses desde o início da epidemia na China, no final de 2019, já ocorreram mais de 400 mil casos no mundo e 18 mil mortes, e espera-se que ainda muitos casos e óbitos venham a ocorrer nos próximos meses. Pode-se esperar que cerca de duas pessoas morram a cada 100 casos identificados da doença. 

Evitar as mortes por Covid-19 é uma das metas mais importantes no momento. Para isso, duas medidas precisam ser implementadas:

Primeira - Reforço da noção de "etiqueta respiratória" (proteger a boca ao tossir) e da higiene das mãos e de objetos em associação com a redução do contato social para que menos casos ocorram; 
Segunda - Preparação dos serviços de saúde para prover a atenção necessária aos casos mais graves que ocorrem prioritariamente com pessoas idosas e que já têm outras doenças (câncer, diabetes, doenças do coração, asma, entre outras).

O desafio

Um grande desafio que nos está apresentado é justamente buscar meios de evitar que os serviços de saúde sejam sobrecarregados com um grande volume de casos que necessitem de hospitalização ou atendimento em unidades de terapia intensiva. Nesse sentido, a redução do contato social e o isolamento de casos suspeitos e confirmados de Covid-19 poderão reduzir a velocidade da epidemia ou "achatar a curva epidêmica", evitando, dessa forma, que um número muito grande de casos que necessitem de assistência médica apareçam simultaneamente, diminuindo assim a sobrecarga dos serviços de saúde.

IHU On-Line - Como se imagina que o vírus deve se comportar num país como o Brasil?


Guilherme Werneck -
Sabe-se pouco sobre as características de transmissão da Covid-19 num contexto como o brasileiro, em que as temperaturas são mais altas e existe grande desigualdade social, com populações vivendo em condições precárias de habitação e saneamento, sem acesso constante à água e em situação de aglomeração. Estudos preliminares sugerem que o coronavírus tenderia a se espalhar mais lentamente em condições de temperatura e umidade mais elevadas. Se isso for verdade, seria um alento, pois a epidemia no Brasil poderia ter um curso menos abrupto. Porém, os dados até agora não indicam nessa direção e é preciso lembrar que entraremos no outono, estação em que tradicionalmente há um aumento da transmissão de doenças respiratórias.

A questão mais preocupante, e para a qual temos poucos dados, é saber como se dará a evolução de Covid-19 numa população que vive em condições precárias e que terá dificuldade de executar de forma apropriada as recomendações de isolamento social e de higiene das mãos e objetos. Até agora, a epidemia ainda se caracteriza por estar mais concentrada em pessoas de classe média ou média alta que retornaram de viagens ao exterior ou seus contatos. Somente quando a transmissão comunitária de Covid-19 se estabelecer de forma disseminada, atingindo grande parte da população que vive em comunidades pobres, é que poderemos avaliar de forma mais cabal qual será o impacto da pandemia na população brasileira.

IHU On-Line - Considerando a desigualdade social que existe no país, que medidas emergenciais poderiam ser tomadas para enfrentar a pandemia junto àquelas pessoas que vivem aglomeradas em favelas, ocupações, ou mesmo em situação de rua?

Guilherme Werneck – Uma questão que tem sido relativamente negligenciada no enfrentamento da pandemia de Covid-19 é o impacto que ela poderá ter ao alcançar populações de mais baixa renda. Como disse, até este momento, o perfil das pessoas acometidas pela Covid-19 no Brasil ainda se aproxima muito de um perfil de população de classe média ou classe média alta, porque foram essas pessoas que realizaram viagens para o exterior e lá adquiram a infecção. Entrando no Brasil, elas desenvolveram a doença e a transmitiram para seus contatos.

A partir de agora, a tendência é que essa infecção se espalhe para a população de baixa renda. As ações que estão sendo preconizadas - embora sejam necessárias para a redução do impacto da epidemia no Brasil - são, na maior parte das vezes, medidas que afetam e sobrecarregam as populações de baixa renda e são muito mais difíceis de serem implementadas por elas, já que vivem em condições sanitárias inadequadas.

A cidade do Rio de Janeiro conta com mais de 700 favelas, e mais de um milhão de pessoas ou (cerca de 22% da sua população da cidade) vivendo nessas regiões.

Como conseguir que as medidas de isolamento social, de afastamento entre pessoas, lavagem periódica das mãos e a limpeza doméstica consigam ser feitas em condições sanitárias adequadas, quando as pessoas vivem em lugares pequenos, pouco arejados, aglomeradas em pequenos cômodos, onde não existe saneamento básico e onde o acesso à água é reduzido?

Soma-se a isso o fato de que as ações de isolamento social também prejudicam, de certa forma, esses indivíduos em outro sentido: como vão obter os recursos financeiros para poderem se alimentar, se estiverem afastados do trabalho durante a epidemia? É preciso lembrar que boa parte dessa população vive e trabalha em condição de total informalidade, ou seja, o afastamento do trabalho implica na não remuneração.


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Fonte da matéria:

http://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/597542-como-se-dara-a-evolucao-de-covid-19-na-populacao-que-vive-em-condicoes-precarias-entrevista-especial-com-guilherme-werneck-2 se dará a evolução de Covid-19 

Créditos das Imagens:

1. Favela da Rocinha - Rio de Janeiro-RJ www.viator.com.br
2. Dr. Guilherme Werneck - acervo pessoal.
3. Comércio na Rocinha - www.papo-reto.com.br.jpg - 26.03.2020



Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato conosco fazendo um comentário nesta postagem.








BASTA! - CORVID-19

25 de março de 2020

A imensa dor que nos atinge diretamente, e se expande em todo o mundo, nos comove profundamente, e nos faz enxergar melhor o desprezo da sociedade moderna pelas questões afeitas à condição humana e às misérias contemporâneas. Os nossos descuidos nos isolaram no nosso medo e inquietação. Desta vez fomos pegos desprevenidos!   

Este momento em que vivenciamos uma pandemia mundial - e, para nós brasileiros, à mercê de um governo insano, autoritário e incompetente – dá-nos a impressão de que fomos devolvidos aos tempos das pestes medievais.  
O que teríamos aprontado, para provocar uma situação tão grave e imensamente dolorosa? 
Quem jamais poderia pensar que isso fosse possível no mundo moderno?

Não só. É imensurável a pandemia invisível das inúmeras e diferentes necessidades das populações mais vulneráveis – os moradores de rua, os aprisionados, os empobrecidos dos morros e das favelas, e mais os milhões de desempregados e desesperançados. 

Há muito tempo diversas entidades internacionais nos chamam a atenção, com dados científicos, sobre a gravidade do ecossistema global. Inúmeras catástrofes nos têm mostrado, insistentemente, que a Mãe Terra já não suporta mais. Certamente ainda conheceremos outras catástrofes, essas preparadas por nossa ignorante indiferença.    
São questões que – nós que estamos em casa, bem instalados – deveríamos parar para refletir. 

Não estamos bem! 
Nenhum de nós está!
Ainda teríamos tempo para dar uma direção mais corresponsável e fraterna ao nosso modo de viver?


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CHEGA!


Basta! Simplesmente.
Alto! Pare! Não te movas!
Não é mais um pedido...
É uma obrigação!
Estou aqui para socorrer-te!
Esta montanha russa supersônica
Consumiu todos os trilhos…
Parem os aviões, os trens, as escolas, os centros
comerciais, as reuniões...
Quebramos o frenesi das ilusões e obrigações
Que nos impediam de contemplar o céu...




Olhar as estrelas,
Escutar o mar,
Ouvir o canto dos pássaros...

Correr pelos campos,
Colher uma maçã na árvore,
Sorrir para um animal no bosque,
Respirar na montanha,
Seguir o bom senso...
Foi preciso quebrar esse encanto.



Não se pode brincar de ser Deus.
A nossa obrigação é recíproca
Como sempre foi, embora já
nos tenhamos esquecido.

Interrompamos essas transmissões!
A infinita transmissão dissonante
Das divisões e distrações...
Para que eu vos traga esta notícia:
Não estamos bem!
Nenhum de nós está!
Todos vós estais sofrendo!



No ano passado as tempestades de fogo que
queimaram os pulmões da terra, não nos fizeram parar.
Nem as geleiras que se dissolvem, nem os desastres de lamaçais e barreiras,
que desabam nas nossas cidades dando-nos a certeza de que somos os únicos responsáveis pela sexta extinção de massa.



Não Me haveis escutado!
É difícil escutar, estando assim, tão empenhados
Lutando para escalar os degraus mais altos
Sobre os andaimes das comunidades que construístes.
Os alicerces estão cedendo...
E arqueiam sob o peso da ambição e do vosso egoísmo.

Mas Eu vos escutarei!
Levarei as tempestades do fogo ao vosso corpo,
Inundarei os vossos pulmões,
Isolarei todos vós
Como ursos polares à deriva...


E agora...
Me estais escutando?
Não estamos bem!
Não sou vosso inimigo!
Sou um evento passageiro,
Um aliado vosso.
Sou uma força que vos trará equilíbrio.
Agora, por favor, me escutai!
Estou gritando para que pareis!
Basta! Estai à escuta!
Procurai me ouvir!


Agora, podeis olhar para o céu...
Como o vedes?
Os aviões já não circulam...
Pensai nos oceanos…
Como estão?
Vede a situação dos rios… O que descobristes neles?
Podeis olhar as estrelas, contemplar as noites de luar...
Distinguir o Cruzeiro do Sul, as Três Marias, os satélites mais próximos...
E cuidar da Mãe Terra, das matas, dos rios,
Dos animais e das florestas...
Quanto tempo precisais esperar
Para perceberes o oxigênio que respirais?



Agora, é o momento de vos
auscultar em profundidade...
Como vos sentis?
Não é possível sentir-se sadio
Sendo parte de um ecossistema
Que está muito doente!

Atenção! Parem todos!
Agora, muitos estão com medo...
Mas não demonizeis esse medo que aturde a todos!
Não vos deixeis dominar pelo medo!
Permiti que Ele (o Senhor da Vida)
vos fale...
Escutai a Sua sabedoria!
Aprendei a sorrir com os olhos...
Ele vos ajudará...
Se O escutardes!


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Autoria: Darinka Montico
Texto original italiano, copiado de um vídeo divulgado via WatsApp 
por: Gabriel Monteiro Filmes. 

Crédito das Imagens:

1. 
Desespero - Roberto Van Der Ploeg - o.s.t. www.robertoploeg.com.br.
2. Rosto em efervescência - www.canstokphoto.com.br
3. Céu estrelado - www.ccanstockphoto.com.br
4. Amazônia em chamas - Greepeace - Foto de Daniel Beltrá - 2019.jpg
5. Seca no Nordeste - www.jconline.com.br
6. 
Mulher pensante - Tela de Iman Maleki, pintor iraniano.  ww1.imanmaleki.com


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato conosco fazendo um comentário nesta postagem.

 


¡DETENTE! CORVID-19

24 de março de 2020

El inmenso dolor que nos afecta directamente, y se expande por todo el mundo, nos conmueve profundamente, e nos hace ver mejor el desprecio de la sociedad moderna, por cuestiones relacionadas con la condición humana y las miserias contemporáneas. Nuestro descuido nos ha aislado en nuestro miedo e inquietud. 
¡Esta vez nos atraparon desprevenidos!

En este momento de pandemia, parece que hemos sido devueltos a la época de las plagas medievales. 
¿Que habríamos preparado para provocar una crisis tan dolorosa? 
¿Quién jamás podría pensar que esto era posible, en el mundo moderno? 

Hemos escuchado durante mucho tiempo los gritos de atención - con datos científicos - sobre la gravidad del ecosistema global. Varias catástrofes nos dan señales claras de que la Madre Tierra ya no puede soportarlo. Todavia conoceremos otras calamidades, esas preparadas por la nuestra ignorante indiferencia.  No sólo. La pandemia invisible de las innumerables y diferentes necesidades de las poblaciones más vulnerables es una locura.
Estos son problemas que, aquellos que están en casa, y bien instalados, podrían detenerse a reflexionar. 

No estamos bien!
Ninguno de nosotros lo está!
¿Tendremos tiempo para cambiar la forma en que vivimos? 

Os dejo un texto de Darika Montiko sobre esto. Con la colaboración de Pepe Durán y Durán, icimos una versión libre  copiada de un video en italiano, divulgato por: Gabriel Monteiro Filmes. 
Quizás sirva de reflexión para ustedes.

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¡DETENTE!


¡Basta! Simplemente.
¡Alt! ¡Para! ¡No te muevas!
Ya no es una solicitud
¡Es una obligación!
¡Estoy aquí para ayudarte!


Esta montaña rusa supersónica
Consumió los rieles, ha detenido aviones,
trenes, escuelas, centros comerciales, reuniones…
Hemos roto el frenesí de ilusiones y obligaciones
Eso nos impidió de fijar los ojos al cielo,
Mirar las estrellas, contemplar el mar,
Escuchar el canto de los pájaros,
Correr por los campos ...
Coger una manzana del árbol
Hablar a un animal en el bosque,
Respirar en la montaña
Seguir el sentido común.
Tuvimos que romper ese encanto.
No se puede jugar a ser Dios.
Nuestra obligación es mutua
Como siempre ha sido,
Aunque lo hemos olvidado.


¡Interrumpamos esas trasmisiones!
La infinita transmisión disonante de las divisiones y
diversiones...
Para que yo les traiga esta notícia:
¡No estamos bien!
¡Ninguno de ustedes lo es!
¡Todos están sufriendo!
El año pasado las tempestades de fuego
Quemaron los pulmones de la tierra...

Y no nos hicieron parar…
Ni los glaciares que se disuelven
Ni los desastres de aluviones y terremotos
Que alcanzaran nuestras ciudades
Y nos dan la convicción que somos
Los únicos responsables por la extinción en masa.

¡No Me escuchaste!
Es difícil oír, estando tan ocupados
Luchando por subir los escalones más altos.
Sobre los andamios de las ciudades que edificasteis
Los cimientos están cediendo
Y se doblan sobre el peso de la ambición
Y de vuestro egoísmo.

¡Pero yo os escucharé!
Llevaré las tempestades de fuego a vuestros cuerpos
Inundaré vuestros pulmones,
Os aislaré a todos
Como los osos polares a la deriva...
Y ahora...
¿Me estás escuchando?
¡No estamos bien!
¡No soy tu enemigo!
Soy algo pasajero,
Un aliado.
Soy una fuerza que os dará equilibrio.


¡Ahora, por favor, escúchame!

¡Estoy gritando que paréis!
¡Basta! ¡Escuchad!
¡Traten de oírme!
Ahora, podéis mirar al cielo...
¿Cómo lo vedes?
Los aviones ya no circulan...
Piensen en los océanos…
¿Cómo están?
Ved la situación de los ríos...
¿Lo que descubristeis?





Podeis aprovechar para mirar las estrellas,
Contemplar las noches de luna...
Procurar distinguir el Crucero del Sur,
Las Tres Marías, los satélites más cercanos...
Empezar a cuidar de la Madre Tierra, de los campos,
de los ríos, de los animales y de las selvas...
¿Cómo están?
¿Cuánto tiempo tenéis que esperar, para que deis cuenta del oxígeno que respiréis?


Ahora...
Es hora de escuchares en profundidad...
¿Cómo te sentís?
¡No es posible sentirse sano
siendo parte de un ecosistema
qué está muy enfermo!

¡Atención! ¡Paren todos!
Muchos están con miedo...
¡Pero, no tenéis ese miedo cómo un evento
demoníaco, que aturde a todo el mundo!
¡No dejáis que él miedo os domine!

Permitid que Él (el Señor de la Vida)
pueda hablar a ustedes...
¡Escuchad Su sabiduría!
Aprended a sonreír con los ojos...
¡Él os ayudará...
¡Se Lo escuchareis!


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Autoria: Darinka Montico
Versión española di un vídeo en italiano,
divolgado por Gabriel Monteiro Filmes. 

Crédito de Imágenes:

1. La hambre -Escultura de Abelardo da Hora - exposizion en Recife (BR).
2. Cielo estrellado - www.canstockphoto.com.br
3. Arcoíres - acervo personal.
4. Árbol - www.canstockphoto.com.br


Nota: Las imágenes en esta publicación pertenecen a sus respectivos autores.
Si alguien no quiere que las reproduzcamos aquí, por favor contáctenos utilizando un comentario en este sitio.


















FERMATEVI! - CORVID-19

23 de março de 2020

L'immenso dolore che ci colpisce direttamente e si spandi in tutto il mondo, ci tocca fondo e ci porta a vedere meglio le conseguenze di una pandemia  che ci ha isolati nella paura e nella inquietudine.

Questa volta siamo stati presi alla sprovvista! E l’Italia soffre una crisi inimmaginabile, con moltissime perdite e immensi dolori in tutta la popolazione – sembra che siamo tornati ai tempi delle pesti medievale...

Cosa mai noi abbiamo combinato?
Chi potrebbe pensare  fossi possibile questo nel mondo moderno?

Da molto ci chiamano l’attenzione   sull'ecosistema globale, con dati scientifici. Diverse catastrofi ci danno chiari segnali di che la Madre Terra già non sopporta più. Non solo. È insana la pandemia invisibile delle numerose esigenze dalle popolazioni più vulnerabile.  Sono questioni che – quelli che si trovano isolati a casa, e ben messi – potrebbero fermarsi per riflettere.  Ci saranno altri “disastri catastrofici” che ancora ci attendono, questi preparati dalla nostra ignorante indifferenza.

Non stiamo bene! Nessuno di noi lo sta!
Avremmo del tempo per cambiare il nostro modo di vivere?

Vi riporto un testo poetico che ci parla di questo. L'autore è Darika Montiko. Lo preso da un video, in italiano.  Abbiamo realizzato una versione libera  per la riproduzione su questo sito. In seguito, pubblicheremo anche in spagnolo ed in portoghese.

Vi desidero serenità, e molto apprendistato da tutta questa situazione. 

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 FERMATEVI!




Fermatevi… Semplicemente.
Alt! Stop! Non muovetevi!
Non è più una richiesta
È un obbligo!
Sono qui per aiutarvi!

Questa montagna russa supersonica ha esaurito le rotaie…
Basta gli aeri, i treni, le scuole, i centri commerciali, gli incontri…

Abbiamo rotto il frenetico vertice d’illusioni e obblighi che ci hanno impediti di alzare gli occhi al cielo, guardare le stelle, ascoltare il mare...
Essere imballati dai canti dei passeri
Rotolare nei prati
Cogliere una mela nell’albero
Sorridere ad un animale nel bosco
Respirare la montagna
Ascoltare il buon senso.
Abbiamo dovuto romperlo.
Non si può giocare di essere Dio.
Il nostro obbligo è reciproco
Come é sempre stato,
Anche se lo siamo dimenticati.
Interrompiamo queste trasmissioni
L’infinita trasmissione cacofonica
Di divisioni e distrazioni…
Per portarvi questa notizia:

Non stiamo bene!
Nessuno di noi sta.
Tutti noi stiamo soffrendo.




L'anno scorso le tempeste
di fuoco che hanno bruciato
i polmoni della terra
Non ci hanno fermato
Né le ghiacciaie che si sciolgono
Né le nostre città che sprofondano nella certezza di sapere che siamo gli unici
responsabili della sesta estensione di massa.




Non mi avete ascoltato!
È difficile ascoltare essendo così impegnati…
Lottando per arrampicarsi sempre più in alto
Sulle impalcature delle comunità che vi siete costruite.
Le fondamenta stanno cedendo
Ci stanno inarcando sotto il peso della vostra ambizione ed egoismo.

Io vi udirò…
Porterò le tempeste di fuoco nel vostro corpo
Inonderò i vostri polmoni, vi isolerò
Come gli orsi pollari alla deriva.
Mi ascoltati adesso?
Non stiamo bene!

Non sono un nemico...
Sono un mero messaggero. Uno alleato.
Sono una forza che vi porterà l’equilibrio.
Ora mi dovete ascoltare.
Sto urlando di fermarvi.
Fermatevi! Tacete!
Ascoltatemi!

                                                          

Ora, alzate gli occhi al cielo. Come sta?
Non ci sono più aeri…
Quanto vi servi che vi stiate bene, per poter sentire l’ossigeno che respirate?
Guardati gli oceani…
Come stano?
Guardate i fiumi…
Come stano?
Guardate la terra…
Come sta?
Guardati voi stessi…
Come state?
Non si può essere sano
In un ecosistema ammalato!






Fermatevi!
Molti hanno paura adesso…
Non demonizzate la vostra paura!
Non lasciatevi dominare!
Lasciate che Lui vi parli…
Ascoltate la Sua saggezza!
E imparate a sorridere con gli occhi…
Lui vi aiuterà…
Se Lo ascoltate!





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Autoria: Darinka Montico
Texto original italiano, copiado do vídeo divulgado via WatsApp 
por: Gabriel Monteiro Filmes. 


Crédito das Imagens:

1. Roberto Van Der Ploeg - Desespero (Disperazione)- o.s.t. 40 x 30 cm
2. Immagine aereo - www.aviacaocivilemilitar@woedpress.com.br.jpg
3. Amazon in fiamme - Greepeace - Foto di Daniel Beltrá - 2019.jpg
4. Spiaggia di Boa Viagem - Recife-PE (Nordest del Brasile) - JConline.
5. Sotto l'aqua - Collezione Bianca Bardolini - Amsterdam.



Nota: Le immagini in questo sito appartengono ai suoi rispettivi autori. 
Se qualcuno non vuole che li riproduciamo, la preghiamo di contattarci utilizzando un commento su questo sito.








MARIELLE FRANCO - SEMENTE QUE SE MULTIPLICA

14 de março de 2020



Foram-se dois anos de saudades, protestos, indignação, mobilizações populares e muitas interrogações, em busca de saber quem mandou matar a deputada carioca MARIELLE FRANCO, assassinando ao seu lado também Anderson Gomes, que dirigia o carro em que ela se locomovia.
Ontem, sábado 13, segundo aniversário de sua morte, estavam marcadas manifestações de rua, que de última hora foram suspensas, em decorrência da pandemia do Corona Vírus. Mas, não se fez silêncio. 
Faixas de luto foram penduradas em muitos locais, a Rede Globo divulgou que será lançado esta semana um documentário sobre este assassinato não resolvido, várias organizações e coletivos de mulheres multiplicaram manifestos, e a imprensa democrática de vários modos lembrou a data, aqui no Brasil e no Exterior,  reforçando a certeza de que essa dor que carregamos não pode ficar assim por mais tempo. Embora, se olharmos as sementes que Marielle deixou, as organizações que provocou, as vocações políticas que fez florescer, e a vontade de luta que nos alimenta a cada dia, também podemos celebrar que Marielle não morreu. 
No texto abaixo, do portal BRASIL DE FATO (SP) temos uma pequena amostra de uma primavera nascente de Marielles que, ao lado das Margaridas e de inúmeros outros grupos de mulheres organizadas, ampliam e vitalizam as energias da resistência democrática no nosso país.  Os grifos são nossos.

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SEMENTE


Marielle Franco: dois anos depois, deputadas mantêm vivo legado da vereadora no Rio


Pautas das mulheres negras, da comunidade periférica e LGBT são defendidas no legislativo por sucessoras de Marielle


Marina Duarte de Souza
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
13 de Março de 2020


"A inspiração da Marielle fica na defesa incondicional dos direitos humanos, na luta por justiça social e contra todas as desigualdades", afirma Mônica Francisco, deputada estadual (PSOL-RJ) - Renan Olaz / AFP

"Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes”. As palavras de ordem que ecoam nas mobilizações das mulheres brasileiras, ecoaram ainda mais alto após o assassinato de Marielle Franco que completa dois anos neste sábado, 14/03/2020.

A trajetória de luta da socióloga, defensora dos direitos humanos e ativista feminista não foi interrompida com o crime que tirou sua vida no dia 14 de março de 2018 e que segue sem resposta. A resistência da vereadora carioca se tornou semente e seu legado segue dando frutos pelo Brasil e pelo mundo.

O legado de Marielle está nas ruas e nos espaços de decisão política do país. O principal deles é hoje a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em que as três assessoras da vereadora agora ocupam os cargos de deputadas estaduais e seguem levando as pautas das mulheres negras, da comunidade periférica e LGBT ao legislativo carioca.


Dani Monteiro, jovem negra, favelada, socialista e feminista, foi assessora do mandato de Marielle Franco e é a deputada estadual mais jovem pelo PSOL-RJ - Créditos: Reprodução Facebook

Dani Monteiro, Mônica Francisco e Renata Souza, são as sementes que Marielle plantou muito antes da sua bárbara execução. A luta da vereadora e militante foi de encontro às mulheres, mulheres negras, da população LGBT e, também, da população da favela e da periferia. As parlamentas e amigas concordam e reforçam que a Marielle encarnou no seu corpo e na sua vida todas essas lutas.
“Marielle deixa um legado gigante e pelo seu gigantismo, não poderia apequená-lo em uma só figura ou em um só grupo, seu bom recado é muito claro para toda a humanidade, que a humanidade não se desumanize”, resume Renata Souza.

"Uma sobe e puxa a outra"

O sonho de candidatura dessas as parlamentares, hoje eleitas, foi construído junto com a vereadora, que na época projetava ser vice-governadora na chapa de Tarcísio Motta (Psol). “A importância da Marielle para minha vida política é total, o sonho da minha candidatura nasce a partir dela, então ela é minha madrinha mentora na política”, relata Mônica Francisco.

A deputada aponta que essa mobilização da ativista veio antes do crime por meio da filosofia "uma sobe e puxa a outra" e começou a provocar em uma parte da sociedade o pensamento e o olhar mais apurado em relação à presença das mulheres negras na política.

Foi assim também com Dani Monteiro, que com 27 anos foi a candidata mais jovem a se tornar deputada. “Pessoalmente ela foi me motivando a continuar. Isso já embasa a importância política, para mim, enquanto pessoa, a esperança que ela me passava e a certeza que a gente estava caminhando para o rumo certo da história". Mas isso é também de importância política para todos e todas”, conta.

Além da luta de Marielle e de outras mulheres negras “que vieram antes delas” na ocupação desse espaço, as parlamentares pontuam que o resultado nas urnas também foi uma resposta social aos que tentam impedir o nosso  projeto de sociedade.

“Nós também somos resposta, resposta à não visibilidade da mulher negra, resposta à execução de Marielle, resposta à interrupção de um mandato que representava bandeiras muito importantes, que falam da maioria social desse país, que são mulheres, mulheres negras, jovens negros, a população mais vulnerável das periferias”, afirma Francisco. 

Dani Monteiro destaca que, assim como ela é semente de Marielle, todos os outros “favelados e faveladas que não aceitam o dia a dia de violação de direitos nas favelas', também são sementes. As deputadas seguem na “resistência contínua e cotidiana” num espaço que sempre foi majoritariamente branco, mas que hoje precisa lidar com suas presenças e bandeiras. Isso também se traduz na realização das propostas ligadas ao legado de Marielle, e à história do movimento negro.

"Esta é a resistência cotidiana onde a gente alia a experiência trazida do movimento social, às bandeiras que são importantes para nós, com o fazer política institucional. É claro que a gente encontra barreiras, mas a gente consegue minimamente articular e avançar em muitos pontos", explica Francisca.

Seguindo a filosofia africana “sou, porque somos”, também conclamada por Marielle Franco durante a sua trajetória, as parlamentares pautam projetos juntas, que englobam a inserção de jovens no mercado de trabalho, atendimento de vítimas de violência contra a mulher, cotas de emprego para população trans, recursos financeiros para vítimas da atuação violenta do estado, programa de prevenção ao suicídio dos policiais, entre outros.

"Eu não posso me refutar a trazer aqui dentro do parlamento todo esse acúmulo, toda essa potência que as favelas do nosso estado tem, e que é renegada apenas à violência e apenas ao ódio. Então, aqui também a gente construiu um mandato muito ativo e participativo, e tem proposições que o governador não tem como não sancionar", ressalta Monteiro.

Atuação nas ruas

Além da atividade parlamentar, o legado de Marielle também permanece vivo nas ruas. Em Valinhos, interior de São Paulo, quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou uma área improdutiva da região, em abril de 2018, um mês após seu assassinato, nomeou-o de Acampamento Marielle Vive.

Muro da escola do Acampamento Marielle Vive homenageia o assentado Luís Ferreira e Marielle Franco, ambos assassinados na luta por justiça social / Marina Duarte de Souza/Brasil de Fato


“A Marielle atuava principalmente na cidade, na periferia do Rio de Janeiro, mas ela dedicou a sua vida a defender os trabalhadores e trabalhadoras injustiçados. A gente se reconhece nela nesse momento, por essa mesma compreensão em relação à necessidade de uma transformação social, e de dedicar a vida para essa mudança”, explica a coordenadora estadual do MST, Tassi Barreto, sobre a escolha do nome. 

A militante pontua que Marielle é uma inspiração em vários aspectos para o movimento e que há um reconhecimento também na sua dimensão de mulher lutadora, que rompe muitas dificuldades para poder estudar, se formar e poder ser mãe, uma mulher "que brincava, que amava, que sorria e que lutava”, nas palavras de Barreto.

O encontro da luta urbana de Marielle, com a luta do campo, ganhou outra ponte quando as mulheres do acampamento se reuniram no coletivo As Marielles, com o objetivo de se fortalecerem contra a violência doméstica, e promover a geração de renda como forma de autonomia, autoestima e resistência das mulheres. Atualmente, são cerca de 30 mulheres que fazem parte do coletivo e que formam uma pequena cooperativa. A partir do saber de cada uma, elas realizam oficinas e confeccionam produtos comercializados em feiras e eventos.

“A gente diz que nós somos as Marielles, porque é a identidade enquanto acampamento Marielle, com a força que traz. Essa companheira nos dá garra todos os dias, para seguir adiante, mesmo com todas as dificuldades”, afirma Barrreto.

Na favela do Borel, Rio de Janeiro, Blenda Paulino se refere à mesma inspiração de Marielle, “a imagem e a força dela que faz, por exemplo, eu levantar todo dia para lutar e acreditar”. A estudante de biblioteconomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de 21 anos, se uniu a outros jovens da comunidade, para transformar a dor da perda da vereadora em motor para outras colheitas do seu legado.

Com inspiração de Marielle, coletivo "Brota na Laje" desenvolve ações de educação popular para os jovens das favelas da Tijuca, Rio de Janeiro / Reprodução Instagram


“A gente sentiu uma inquietação muito grande, como faríamos com a tristeza que estávamos sentindo e como a gente se moveria dentro do território. Então, começamos a nos organizar e a nos estruturar nas lajes, para discutir o que seria a política para cada um", conta Paulino. Dessa organização surgiu o projeto Brota na Laje - Juventude de Favela, hoje com dois anos de atuação. O projeto cresceu e, além da formação política em torno dos direitos das comunidades, o coletivo oferece cursinho pré-vestibular para mais de 100 adolescentes das favelas da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.

O objetivo é contribuir com sonhos de outros jovens por meio da educação, e compartilhar a ferramenta de transformação que Paulino e os amigos encontraram, ao serem os primeiros das suas famílias a “ocuparem” a universidade.

“Foi uma forma mesmo de continuar dando voz à memória dela, e de continuar as lutas, que eram tão importantes, e que me fizeram votar nela. O seu legado mesmo somos nós, os que já estão e os que estão vindo. É perpetuando mesmo a luta que a gente se faz presente, para que outros também possam estar nesses espaços”, aponta a estudante.

Paulino se reconheceu na luta política da Marielle para encontrar seu lugar e começar a ocupar espaços políticos que a contemplassem como mulher preta.
“Hoje nos temos mulheres que coordenam o pré-vestibular do Broto na Laje, são mulheres pretas que estão de frente e estão dentro da sala de aula dando aula,isso é de uma importância política muito grande. A gente diz que as sementes são estas questões, são essas sementinhas que vão brotando e brotando e vão dando coisas bem boas”, exclama Paulino. 

Mapas das Sementes

A formação de grupos, projetos e escolas inspirados na ativista, brotaram tanto pelos cantos do país e do mundo que o Instituto Marielle Franco, criado pela família com o objetivo de buscar justiça sobre o caso e defender sua memória, lançou um Mapa dos Coletivos para identificar os frutos da sua luta e formar uma rede de apoio. 

O projeto Florescer por Marielle, do Partido Socialista (PSOL), reuniu em um mapa as placas produzidas com nome da vereadora, desde que tentaram destruir a primeira homenagem colocada na Praça da Cinelândia. Na época candidato a deputado federal pelo partido que elegeu Jair Bolsonaro, Daniel Silveira (PSL) quebrou a homenagem durante um comício, com a presença do hoje governador Wilson Witzel (PSC). No dia 13 de março do ano passado, na véspera de completar um ano do assassinato da vereadora, Witzel recebeu os pais de Marille no Palácio da Guanabara para pedir desculpas pelo ocorrido.

Mais simbólico do que a desculpa do governador, em resposta a esse desrespeito, foram produzidas e espalhadas pelo mundo novas placas. Mais de 18 mil estão identificadas no mapa disponível no Portal Rua Marielle Franco.


Imagem do mapa interativo do portal Rua Marielle Franco, que mostra placas pelo Brasil e pelo mundo. / Reprodução Rua Marielle Franco
Edição: Leandro Melito

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Fonte do texto:

https://www.brasildefato.com.br/2020/03/13/o-legado-de-marielle-franco-inspira-lutas-pelo-brasil-e-pelo-mundo

Crédito das Imagens - Todas as imagens desta postagem são reprodução da fonte do texto do Portal Brasil de Fato.


DIA DA MULHER - AS LUTAS DAS MULHERES POR SEU POVO

8 de março de 2020



Manifestantes mantiveram ato de 8 de Março na Avenida Paulista, mesmo após forte chuva na capital. - Elineudo Meira


Mais uma vez um 8 de março para lembrar o Dia da MulherUma data que hoje é celebrada com expressivas manifestações, em várias capitais do país, que denunciam as violências e as discriminações contra as mulheres brasileiras, os povos indígenas, os trabalhadores desempregados, desalentados ou mal assalariados, que estão entre os 50% da nossa população que é negra e pobre, desassistida de apoio na educação, na saúde, e em todos os seus direitos constitucionais desse violado e desesperançado país. 
No final do dia,registro com alegria uma reportagem preciosa sobre as manifestações das mulheres brasileiras pelo país.

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 Contra Bolsonaro, por Marielle e pela vida, 8M reúne milhares de mulheres pelo Brasil

Em São Paulo (SP), mesmo debaixo de chuva, 50 mil pessoas, de acordo com a organização, se reuniram na avenida Paulista e seguiram em marcha pela região central da cidade, para afirmar o movimento feminista como importante base de oposição ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido).
Sob o mote “Mulheres contra Bolsonaro, por nossas vidas, democracia e direitos! Justiça para Marielles, Claudias e Dandaras”, a manifestação foi convocada por mais de 40 coletivos, movimentos sociais, partidos e sindicatos e juntou mulheres de todas as idades e diferentes histórias na mesma luta pelo direito à vida.

Algumas das bandeiras que as manifestantes levantavam diziam respeito ao combate à violência, à legalização do aborto e ao direito aos seus corpos. As mulheres que participaram do ato também criticaram a violência machista contida nas falas do presidente Bolsonaro.
Manifestantes apontam violência machista nas falas de Bolsonaro / Elineudo Meira
“Não é possível que, em pleno século XXI, a gente volte a ter governos autoritários na América Latina. Então, as mulheres estão dando uma aula de luta pela democracia, por aquelas que vieram antes e pelas que virão", disse Simone nascimento, jornalista e integrante do Movimento Negro Unificado.
A atividade começou com um piquenique agroecológico e apresentações culturais pelo lançamento da 5ª Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), no fim da manhã. Em seguida, a quantidade de pessoas começou a aumentar na concentração no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para o ato unificado.
O protesto teve como seu principal alvo o governo de Jair Bolsonaro, com críticas à retirada de direitos, exemplificada pelo desmonte das legislações trabalhista e previdenciária, e ao autoritarismo. “Esse ano a gente resolveu expressar que esse governo é quem dirige toda a agenda neoliberal, antidemocrática e conservadora, além de trazer temas caros para a luta das mulheres, como o combate à violência e a legalização do aborto”, disse Nalu Faria, da coordenação nacional da MMM.
      Agenda conservadora do governo é alvo de protestos em São Paulo / Gui Frodu
Com participação das mulheres do MST, ato combate o desmonte em Brasília
Em Brasília, cerca de 5 mil mulheres estiveram na marcha do 8 de março, levando para as ruas palavras de ordem contra a violência de gênero e o machismo do governo Bolsonaro e em defesa da descriminalização do aborto. Com o mote “Pela vida das mulheres, em defesa da democracia, contra o racismo e por direitos”, o ato percorreu as ruas da capital, fazendo parada em frente ao Palácio do Buriti, e depois seguiu em direção à Praça da Torre.
O ato contou com a participação de mais de 3,5 mil mulheres sem-terra, que estão participando do I Encontro de Mulheres Sem Terra na capital federal, com pautas sobre a reforma agrária popular e a violência de gênero no campo. Para Kelly Mafort, da direção nacional do MST, a participação da marcha em Brasília é uma oportunidade de integrar as pautas das mulheres do campo e da cidade. 
“Essa marcha de hoje ocorre justamente em um período de morte para as mulheres. No campo, as mulheres sofrem os impactos dessa política, que é machista, misógina, que violenta e assassina as mulheres. E são principalmente as mulheres que sofrem na ponta essas contradições das reintegrações de posse e dos despejos e dessa força do latifúndio. Nós estamos aqui denunciando isso”, afirmou a militante. O ato em Brasília foi finalizado por volta das 14h com falas políticas de representantes de partidos e movimentos sociais no gramado da Praça da Torre.
Em Salvador (BA), centenas de mulheres ocuparam as ruas da capital baiana em luta por direitos e em defesa da democracia. / Gabrielle Sodré
Ato em Belém tem protesto contra ataques às mulheres indígenas
A concentração também começou por volta das 9h em Belém (PA). Mais de 4 mil mulheres se reuniram na Praça Waldemar Henrique, para participar do ato político-cultural organizado pela Frente Feminista do Pará. Para Mãe de Nangetu, liderança afro religiosa, a manifestação foi necessária para pontuar que as mulheres estão contra os desmontes do governo.
"Nós não concordamos com este governo que está nos massacrando. Nós não concordamos com os maus tratos, com os assassinatos de mulheres, da educação perversa como está, nós não concordamos. Por isso que nós estamos na rua nos manifestando e dizendo #ForaBolsonaro", afirmou.
Para a professora da Universidade Federal do Pará (Ufpa) Rosa Acevedo o momento pelo qual passa o país pede que as mulheres se mobilizem e partam para a luta. "Neste 8 de março de 2020, as mulheres brasileiras precisam estar na rua. É necessário darmos a cara para contestar contra todos os ataques que se têm lançado contra as mulheres, as mulheres das comunidades tradicionais, as mulheres indígenas. As decisões do governo que têm atacado direitos fundamentais, direitos ao território, direito à vida, à saúde, à saúde, direito à educação, que têm desconhecido a participação política das mulheres", diz. 
Em Belém (PA), mulheres encerraram o ato com o manifesto "O estuprador és tu", inspirado na manifestação de mulheres contra a violência no Chile e que se espalhou pelo mundo. / Catarina Barbosa
Militantes pedem fim da violência e saída de Bolsonaro e Zema
Ainda durante a manhã, o ato de 8 de Março em Curitiba (PR) ocorreu no bairro Parolin, periferia da cidade, e pediu por paz na favela. Maria Aparecida mora no local há 27 anos e relembrou das mães que choram por seus filhos devido à violência na região. 
Já em Belo Horizonte (MG), o Ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres saiu da Ocupação Pátria Livre colorindo as ruas de lilás contra o machismo, contra a violência e contra a retirada de direitos. Elas pediram pela saída do presidente Jair Bolsonaro e do governador Romeu Zema (Partido Novo). Mulheres de diversas organizações, movimentos sociais e partidos também saíram em luta por direitos, democracia e justiça por Marielle Franco, em Palmas (TO).
Mulheres reforçam a luta para ocupar espaços de liderança
Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, as atividades ocorreram no Parque Tom Jobim. Diferentes grupos e coletivos montaram uma programação que colocou em foco a luta feminina pela ocupação dos espaços de liderança e pelo fim da violência de gênero. Atividades como yoga, aula de defesa pessoal, dança circular, contação de histórias para mulheres, intervenção poética e oficina de cartazes e de bordado foram oferecidas ao público. Além disso, durante todo o evento os coletivos ofereceram tendas de apoio jurídico, médico e psicológico às mulheres. O ato contou, também com uma exposição fotográfica sobre diversidade e a tenda da campanha "Não quero veneno no meu prato", sobre o elevado uso de agrotóxicos nos alimentos.
Em Maceió o 8 de março está sendo marcado pelo Festival Cultural Mulheres em Luta, que começou às 14h conta com apresentações de artistas e grupos locais e avançou pela noite com arte, cultura e resistência feitas por mulheres.
Em Fortaleza (CE),Com o tema "Pela Vida das Mulheres contra o Fascismo, Machismo, Racismo e LGBTfobia, os atos do 8M reuniram cerca de 10 mil mulheres no entorno do Centro Dragão do Mar. As atividades incluem rodas de conversa e oficinas, seguidas de um cortejo pela orla da capital cearense.
Em João Pessoa a concentração começou às 15 horas com um ato político-cultural no Busto de Tamandaré, com o lema "Mulheres na Luta por Direitos!".



Trabalhadoras do campo e da cidade tomaram as principais ruas de Cametá (PA), em denúncia a violência e em defesa da vida e direitos das mulheres. / Weslley Marques | Levante Popular da Juventude


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Luís Inácio LULA da Silva
Reprodução do El País

Nota Oficial do ex-presidente 
Luiz Inácio Lula da Silva

Hoje, milhões de mulheres vão às ruas em todo o mundo lutar por bandeiras de igualdade. Elas estão nas ruas por igualdade de direitos, de salário, de oportunidades e, sobretudo, pelo direito à própria existência. Uma coisa tão cara como a vida é negada a uma mulher a cada 7 horas no Brasil. Uma mulher a cada 7 horas. Esse é o número de feminicídios em nosso país, onde, apenas em 2019, o machismo assassinou 1.314 mulheres, incentivado por um governo que naturaliza a violência.
Neste dia que nos convoca à reflexão e à luta, quero lembrar de uma mulher que há 725 dias teve a vida encerrada justamente por encarnar a luta e os ideais das mulheres que sonham com um mundo mais igual: Marielle Franco. Buscar justiça para Marielle e por todas as Marielles que incomodam por sua força, que incomodam por saber seu lugar e fazer questão de ocupa-lo, é um dever de todos nós. Eu me somo, ao lado de nosso partido que já levou uma mulher ao mais alto posto da República e é presidido por uma, na luta por um mundo onde as pessoas não sejam subjugadas por seu gênero. Em nossa busca permanente e inegociável por igualdade e justiça social.
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