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BRASIL - PRENÚNCIO DE UMA CATÁSTROFE SANITÁRIA

30 de novembro de 2018


SUPERVISOR DO MAIS MÉDICOS ALERTA: TEREMOS UMA
CATÁSTROFE SANITÁRIA no brasil

O supervisor do programa Médico de Família e Comunidade Thiago Henrique Silva concedeu entrevista à TV 247 para falar sobre o rombo na atenção básica à saúde que a saída dos médicos cubanos irá causar no Brasil.

TV 247 - Na última semana, o Brasil viu milhares de médicos cubanos serem chamados a sair de seus postos de trabalho, rumo à sua pátria natal, após o governo de Cuba rechaçar as alterações que o presidente recém-eleito, Jair Bolsonaro, divulgou que pretendia realizar, no seu governo, em relação ao programa Mais Médicos.

Para falar sobre o rombo na atenção primária que a saída dos profissionais cubanos irá causar, no Brasil, o supervisor do programa e médico de família, Thiago Henrique Silva, concedeu entrevista à TV 247 alertando que, com a falta de médicos nos rincões do Brasil ou em regiões periféricas, "uma catástrofe sanitária poderá ocorrer no País".

"Temos 1.500 municípios que dependem do atendimento dos médicos cubanos. Mesmo contando com a presença desses profissionais, ainda há um déficit de dois mil médicos. O fim do programa Mais Médicos promoverá uma catástrofe sanitária no Brasil", afirmou o supervisor.

Em relação aos distritos do recorte indígena, o impacto será ainda maior. Dos 372 médicos que os atendiam, 301 médicos retornarão à Cuba. Silva afirma que "nos distritos habitados por índios, o atendimento dos médicos cubanos é praticamente exclusivo" expondo que "nessas regiões, é quase impossível fixar médicos brasileiros".

O Dr. Thiago Henrique problematiza: "Com a redução dos profissionais, diversos indicadores serão afetados. A atenção primária deve ser responsável por resolver até 80% dos problemas de saúde. Em caso da retirada dos médicos da área,  os índices de mortalidade irão aumentar".
A polêmica dos salários 
Um dos argumentos utilizados pelo governo eleito, no intuito de esvaziar o programa, é de que "parte dos salários dos médicos cubanos seriam destinados para sustentar a ditadura cubana". 
O Dr. Thiago Henrique Silva esclarece que o governo cubano não coage nenhum médico a participar do programa e que "eles aceitam por vontade própria os editais que são abertos para os candidatos que desejam exercer a profissão em outros países". 
Esclarece, ainda, que muitos dos serviços que os médicos cubanos prestam em outros países “não são remunerados”, como no caso da ajuda humanitária no Haiti e em regiões da África. "Enquanto Cuba envia médicos para o mundo, os EUA envia armas", lamenta o supervisor. 
"O salário que um médico cubano recebe, através do programa de exportação dos profissionais para outros países, sustenta os direitos sociais de todos na ilha. Os valores lá são outros, ninguém morre de fome em Cuba", aponta.
O supervisor considera que Cuba é muito íntegra no recorte da saúde pública. "Mesmo sabendo que irá perder bilhões com a saída dos médicos cubanos do Brasil, o país não aceitou o discurso de Bolsonaro". 
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Fonte do texto, publicado em 23/11/2018:


As imagens vieram integradas ao texto.

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Inscreva-se na TV 247 e confira a íntegra da entrevista com o supervisor do programa Mais Médicos, Dr. Thiago Henrique Silva.                                                                                               






PAULO FREIRE - ESPERANÇA DO VERBO ESPERANÇAR

25 de novembro de 2018

Decidi republicar, hoje, duas preciosas mensagens que publiquei neste espaço em 17/10/2017, e se mantêm como uma das postagens mais lidas até hoje. Os dias atuais vêm intensificando, com maior preocupação e assombro, o que então já acontecia. 

Agora, complemento as duas mensagens com mais uma, de igual importância. 

Convido-os a fazer uma leitura lenta e atenciosa, pois não se trata apenas de filosofia ou de poesia. É o testemunho de pessoas especiais, que conhecemos de perto, e que nos fazem refletir e nos encorajam neste momento de desassossego. 

A primeira mensagem é de um grande educador brasileiro, de quem não nos cansamos de citar as viventes palavras, ideias e proposições, que nos servem hoje e servirão sempre, para reforçar a tarefa da permanente construção democrática no nosso país. São fachos de luz do inesquecível Paulo Freire. Parece até que ele nos escreve para este momento tão penoso, que tem o sabor de um fruto amargo, para nós e, infelizmente, para os que ainda iniciam os seus primeiros passos na vida.  



A segunda mensagem é revestida da poesia de Daniel Lima, sacerdote católico que conheci no Recife, eu ainda jovem. Tive  por ele um carinho muito grande e a lembrança de um título que ele escolheu para um livro que escreveu - e não sei se o publicou. Bastou-me o título, para não esquecê-lo jamais: 'QUEDA PARA CIMA'. 

Não seria essa a nossa condição de luta, nesse momento carregado de  espanto e de maldades?  Uma queda, para cima!                                                                 
Como Paulo Freire, também Daniel Lima já concluiu a sua caminhada de vida. A sua poesia continua a trazer luz a essas noites em que nos encontramos, de sujidades sem fim. Noites aprofundadas de dor, interrogações indignação. É uma poesia que também nos fala do movimento de Esperançar, quando tudo parece apagar-nos de dor e interrogações.  
             
             "É na queda que se revela
              a escondida fraqueza
              do homem essencial.

              É no fundo do abismo que se descobre
              a força ausente.

              É na desnudez da morte que se sente
              o impasse da vida
              a fugacidade do tempo
              e o mistério das horas transcorridas.

              No voo, o pássaro é domínio do espaço
              orgulho de asas que o libertam
              sem perceberem que hão de cair um dia
              porque são asas".

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            "Sozinho em minha ilha,
             vejo de longe o mundo
             como algo distante e diferente.
             Mas essa que vejo, assim distante,
             é a própria ilha em que estou".

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            "Levo-os sempre comigo, os mortos
             que em vida conheci.
             Amigos, inimigos,
             os que amei ou me amaram,
             os que vi de passagem, ou (quem sabe?) odiei.

             Todos estão aqui, simples e amáveis
             todos falam por mim
             todos sentem comigo.

             Todos os que por mim passaram
             Todos eles sou eu".



A terceira mensagem é do grande líder da África do Sul, Nelson Rolihlahla Mandela, cujo nascimento completa, neste ano, 110 anos. Foi um político conhecido em todo o mundo, por ter  lutado e superado anos de prisão, conquistando depois a presidência da África do Sul. É um dos líderes mundiais na luta por direitos iguais de  povos divididos em negros e brancos. 

Mandela foi também um disseminador da não-violência e da filosofia UBUNTU que qualifica as relações de respeito, verdade e amor entre as pessoas. Não importa quem, não importa a origem, importa que somos enquanto nos abrimos ao relacionamento com o outro: "eu sou enquanto você é". É a fraternidade universal revestida com a igualdade de direitos, de respeito mútuo, de profunda sinceridade.  Eis um seu texto:

"Ninguém nasce odiando outra  pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser convidadas a amar."

Esse pensar une essas três grandes figuras numa só convicção:

Todos os que por mim passam, todos eles sou eu.
                        
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Fonte dos textos e imagens:

1. Paulo Freire - mensagem divulgada via WattsApp

2. Daniel Lima - texto e retrato interferido por Mirard in: elmirdad.blogpost.com.br/2013/06/pílulas-para-02-padre-poeta-daniel-lima-html

3. Mandela - Facebook - reprodução.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato com vrblog@hotmail.com  



AMÉRICA LATINA - SUBALIMENTACIÓN

24 de novembro de 2018


América Latina -
Desigual y subalimentada

Argentina es uno de los tres países de América latina y el Caribe, junto a Bolivia y Venezuela, donde desde 2014 aumentó el número de personas subalimentadas, dice el documento elaborado por Naciones Unidas
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Por: Elena Llorente, Página/12


   Créditos da foto: La imagen de una familia de migrantes venezolanos      en Perú (AFP)

Argentina es uno de los tres países de América Latina y el Caribe, junto a Bolivia y Venezuela, donde desde 2014 ha aumentado el número de personas subalimentadas, dijo el informe “Panorama de la Seguridad Alimentaria y Nutricional 2018” difundido esta semana y elaborado por distintos organismos de Naciones Unidas, entre ellos FAO (Organización de las Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimenración), OPS (Organización Panamericana de la Salud), UNICEF (Fondo de Naciones Unidas para la Infancia) y PMA (Programa Mundial de Alimentos).
Por “personas subalimentadas” se entiende aquellas que no cuentan con alimentos suficientes para satisfacer sus necesidades y llevar una vida sana.

Según el informe, el hambre afecta a 39,3 millones de latinoamericanos, el 6,1% de la población. Pero entre 2015 y 2016 el número de personas subalimentadas creció en 200.000 personas y entre 2016 y 2017 en 400.000 personas. Entre ellos hay 5 millones de niños que padecen desnutrición. Si se habla de pobreza extrema –que se determina a partir del costo de la canasta básica de alimentos y quien no puede pagar ese costo es considerado pobre extremo–.en América Latina hay 62 millones de personas en esa condición.
Las desigualdades económicas “agravan el hambre, la desnutrición y la obesidad en América Latina y el Caribe”, subrayó el texto.
Respecto de la Argentina las cifras publicadas indicaron que en 2014-2016 sufrían inseguridad alimentaria en el país 1,6 millones de personas (el 3,6% de la población) mientras que en 2017 esa cifra aumentó a 1,7 millones de personas (el 3,8% de la población). También Bolivia aumentó el número de subalimentados pasando de 2,1 millones (19,6% de la población) a 2,2 millones (19,8%).
Los casos más graves de la región, sin embargo, son considerados Haití, con 5 millones de subalimentados (el 45,8% de la población) y Venezuela, donde hay 3,7 millones de subalimentados que representan el 11,7% de la población.

El informe no sólo abordó el tema tradicional del hambre y la desnutrición sino también problemas como la obesidad que es una enfermedad creciente en toda la región, sobre todo entre mujeres y niños. “Cada año se suman 3,6 millones de personas obesas en la región”, especificó el informe, aclarando que “el hambre, la desnutrición, la carencia de micronutrientes, el sobrepeso y la obesidad afectan más que nada a las personas de menores ingresos, a las mujeres, a los indígenas, a los afrodescendientes y a las familias rurales de América Latina y el Caribe”.
 La obesidad se ha convertido en la mayor amenaza nutricional para América Latina y el Caribe. Uno de cada cuatro adultos es obeso mientras el sobrepeso afecta a 3,9 millones de niños menores de 5 años.
Pero estos problemas tienen a su vez que ver marcadamente con la edad y con el sexo además del nivel socioeconómico al que se pertenezca.
“En diez países de América Latina y el Caribe, el 20 por ciento de los niños y niñas más pobres sufren tres veces más la desnutrición crónica que el 20 por ciento más rico”, dijo el informe. Y respecto de las diferencias de sexo aclaró que “el 8,4 por ciento de las mujeres viven en inseguridad alimentaria severa, en comparación con el 6,9 por ciento de los hombres”.
Se trata de 19 millones de mujeres contra 15 millones de hombres. Para las mujeres esto significa que a menudo se ven afectadas, entre otras cosas, por anemia (falta   de hierro) y por todos los problemas que esto significa para ella y el bebé si además están embarazadas. La desnutrición crónica infantil, pero no sólo eso, es mayor además entre las poblaciones indígenas y campesinas, precisó el documento.
 El hambre, la subalimentación, la desnutrición, el retraso en el crecimiento, la obesidad, no tienen como única explicación la falta de dinero de parte de las familias. Sin duda, la pobreza, las crisis económicas, los conflictos, la desocupación no ayudan a las familias a mantener el mínimo ingreso y el mínimo de alimentos.
Pero a eso hay que agregarle otros factores como los desastres naturales que afectan a América Latina, como huracanes, terremotos, tormentas furiosas, sequías entre otros. Esos fenómenos alteran la economía, la producción agrícola, la vida de las personas y son en parte la explicación de los miles de migrantes que en estos días están caminado desde América Central por México y hacia Estados Unidos.
También intervienen en la subalimentación o mala alimentación los problemas políticos internos, las disputas entre los ricos productores y distribuidores y los gobiernos, como es el caso de Venezuela, donde escasean los alimentos.
Influyen asimismo los procesos de urbanización en los distintos países, a menudo no planificados suficientemente, que suponen el desplazamiento de las personas y de las familias, que producen cambios importantes dentro del grupo familiar, sobre todo si ambos padres trabajan.
El excesivo tiempo ocupado de los padres lleva a menudo a una mala selección de los alimentos, prefiriendo los alimentos ya procesados, porque son más cómodos, a veces hasta más baratos, pero que contienen un alto nivel de grasas y de agregados malos para la salud. Y los niños y adultos, influenciados por otra parte por la propaganda de ciertas marcas que se difunden por televisión o en Internet, no aprenden a hacer una correcta selección de los alimentos y favorecen la obesidad y las enfermedades.
Según el documento, los niños tendrán “un estado nutricional óptimo si pueden acceder a una alimentación variada y nutritiva, a prácticas adecuadas de atención materno infantil, a servicios de salud y a un entorno saludable que incluya agua potable y buenas prácticas de higiene”.
Por eso los cuatro organismos que elaboraron el documento, FAO, OPS, UNICEF y PMA, “llaman a los países a aplicar políticas públicas que combatan la desigualdad y promuevan sistemas alimentarios saludables y sostenibles”.
Fonte do texto: 

*Publicado originalmente no Página/12

BRASIL - NÃO VAMOS ESTACIONAR!

16 de novembro de 2018



Uma cara amiga me enviou um poema de Roberta França, 
conceituada  médica geriatra do Rio de Janeiro.  

Tomo a liberdade de transcrevê-lo para os leitores deste espaço, expondo aqui o que me inspiraram as suas palavras tão sábias quanto poéticas. 

Segue abaixo o poema citado.




“Jamais estacione a sua alma em espaços onde não cabem os seus sonhos. Jamais!
Jamais estacione a sua alma, ela precisa de movimento.
Jamais estacione os seus sonhos, eles precisam de liberdade.
Jamais estacione a sua esperança, ela precisa de espaço.
Jamais estacione a sua alegria, ela precisa de ação.
Jamais se estacione onde não lhe cabe, não lhe contenha, não lhe permita ser contido.
Somos alma em evolução, somos o caminho que ensina, somos a luz que sempre vence a escuridão.
Jamais estacione!”


Tenho 80 anos, e bem poderia ser uma das clientes dessa jovem médica e poetisa, não fosse eu uma velha sertaneja que há muitos anos reside no Recife. Mas, apesar da grande diferença de idade, encontro coincidências com essa jovem profissional tão estimada: amo a vida, e porque a amo cuido bem do tempo presente, do meu lazer e, principalmente, também sou uma mulher que gosta de escrever. 

Seguem os pensares que o seu poema me provocou.


“Jamais estacione a sua alma em espaços
onde não cabem os seus sonhos. Jamais!”

Quando a dor do nosso povo nos domina, o impacto de notícia negativas nos paralisa, o inesperado nos assusta, o desamor nos toca no mais profundo e a violência nos assombra, é necessário ouvir com atenção lá dentro de nós mesmos, e reconhecer o que é mais importante neste agora.  

A dor me domina quando me deixo soltar dos laços que me sustentam no presente e me entrego apenas a um sentimento temeroso do futuro.

O cotidiano me paralisa porque estou descuidando de cuidar de mim, pois para lutar pelo bem comum e manter a atenção pelo outro preciso de energias positivas que me animem a seguir em frente sem me entregar. 

O inesperado me assusta no momento em que me prendo à solidão não procurada, e não me percebo parte dos familiares que me acolhem, dos amigos que deixei de acompanhá-los de fato, pois o WatsApp não me dá o retorno da "presença do afeto" que me traz os amigos que partilham comigo a dor do meu meu país, da minha cidade, das pessoas mais vulneráveis e esquecidas.

O desamor me impacta se, por alguma razão, ainda tenho atitudes de uma criança, como se dependesse dos cuidados e da atenção permanente dos outros, pois talvez eu ainda não tenha crescido para viver com autonomia. Quando crescemos, quando amadurecemos, os outros me interessam para trocar talentos e ideias, dialogando sobre as nossas diferentes diferenças,  e, especialmente, para amá-los e também ser capaz de lhes pedir ajuda, quando for preciso.   

A violência me assombra na sociedade em que estou inserida, na cidade onde vivo, no país onde nasci, no mundo desigual e individualista que todos construímos. Essa é, portanto, a hora de  exercitar a atenção carinhosa por cada pessoa com quem me relaciono, se a percebo desassossegada. 

Importante, também, é manter-se mais vigilante para não escorregar em pequenas violências cotidianas: no trato com os empregados domésticos, com os meus colegas e auxiliares no escritório, e ainda com o porteiro, o entregador de pizza e outros prestadores de serviço que a nós, da classe média, nos passam desapercebidos, como se elas não fossem pessoas como nós, com as suas dores, o seu difícil cotidiano, as suas preocupações, seus sonhos e desamores. Mas não esquecer que mais vale um gesto de escuta, de paciência e de atenção amorosa com o outro, do que qualquer outra coisa que eu possa lhe dizer ou presentear. 

Parece-me que é esse o sentido do verso seguinte:
                
“Jamais estacione a sua alma, ela precisa de movimento.”
           
Carecemos do movimento interior da “carícia do afeto” – no dizer do grande escritor e teólogo Leonardo Boff. Mesmo por aqueles que pouco conheço ou que tenham outro jeito de viver e de pensar. 

A “carícia do afeto” é uma atitude indispensável para se permanecer fiel à resistência democrática por um país melhor, e para cooperar, efetivamente, na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Que significado teria para mim e para a sociedade, pôr-se a lutar por uma sociedade justa e fraterna, utilizando-me de palavrões contra outros ou de  atitudes de segregação? 

Atualmente, tenho visto vídeos alternativos ou postagens no WatsApp de pessoas que respeito e admiro, por assumirem com coragem uma posição contrária ao desmantelo e ao desassossego das ações do governo que está por vir. Há muitas pessoas bem intencionadas e lutadoras que, no entanto, às vezes escorregam em expressões de destempero e insultos violentos. É bem verdade que precisamos expressar, sim, a nossa indignação e a nossa visão dos fatos de um modo mais condizente com os que postulam uma conduta não violenta. 

Sei que não é fácil, não é simples, especialmente quando somos "agredidos" nos nossos princípios e crenças com tanta desfaçatez, desequilíbrio e uma escancarada ignorância sobre políticas públicas para um povo cujo trabalho sustenta, no dia a dia, o nosso país.   

“Jamais estacione os seus sonhos, eles precisam de liberdade.”

Sonhar é preciso, e é indispensável à vida. Se nos permitirmos estacionar a nossa capacidade de sonhar, se nos entregamos ao desalento, se deixamos secar a fonte dos sonhos que  sustentam a nossa vida, é porque estamos permitindo o abatimento, o escorrego fundo na tristeza, o adeus à convivência necessária com os outros. Estacionar significa quebrar a mola do amor, amolecer, deixar a vida me levar.

Sonhar é preciso. É fonte de energia para sobreviver, e até para sermos capazes de, juntos, ultrapassar o túnel que hoje nos esconde a luz do amanhã. É o sonho que nos impulsiona a dizer sim, e nos juntar aos que sonham conosco o bem comum e a justiça social.

“Jamais estacione a sua esperança, ela precisa de espaço.”

O espaço da esperança de um povo está no mais profundo de cada um de nós.  Às vezes somos apenas capazes de ter um “fio de esperança”. Lembremo-nos, então, que é importante manter uma atitude coerente com os nossos ideais, até mesmo algo que possa nos parecer insignificante, simples que seja... Mas, que seja!

É da esperança que nascem os projetos para a superação do desamor, do desmantelo, do dissabor, da desolação, da necessidade. Projetos que pertençam e incluam os que não têm espaço para se desenvolver, para aprender, para ir atrás do seu sonho. 

A esperança movimenta os sonhos, junta as energias, recria a vida e promove a alegria!

Mas... “Jamais estacione a sua alegria, ela precisa de ação.”

A alegria não é um dom, um sentimento ofertado, algo que se compra ou que se encontra facilmente. A alegria é construída no correr das escolhas que fazemos, do clima que criamos em torno de nós, do nosso aprendizado e da nossa sensibilidade para pensar no outro.  

Lembremos o caminhante Francisco de Assis: “É dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado...”.  Carece que se desenvolva a própria capacidade de dar, de entender e de acolher o outro, caso contrário estaremos restringindo o nosso aprendizado, desprezando o que o outro tem para doar, para nos ensinar e somar conosco.

Portanto... "Jamais estacione onde não lhe cabe, não lhe contenha, não lhe permita ser contido". 

Amar o outro é a porta para nos encontrar, para crescer por dentro, para  aprender a descobrir a alegria da vida no gesto do amor. O desamor nos apequena, nos empobrece, leva-nos a nos perder.

O poeta chileno Pablo Neruda (*), que “canta o amor, a esperança, a justiça, a vida e seus milagres” – como escreve Thiago de Mello na apresentação do livro “Prólogos” – em um dos seus poemas descreve os benefícios do amor. Mesmo se tratando do amor por uma só pessoa, seus versos revelam o que acontece quando alguém se move para fora de si em direção ao outro:


Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Tudo estava vazio, morto e mudo (...)
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.”

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(*) Pablo Neruda: Cem sonetos de amor, XXV.L&PM, p.35



Para mais informações sobre a Dra. Roberta França consulte:

https://oglobo.globo.com/rio/bairros/geriatra-roberta-franca-faz-sucesso-com-dicas-em-portal-na-internet-215178


Crédito das imagens:


1.  Imagem símbolo divulgada no WatsApp durante a campanha eleitora do professor Fernando Haddad à presidência do Brasil, em 2018. 
2. Geriatra carioca Roberta França - Foto de: Fábio Rossi, Agência Globo, na matéria acima citada.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que sejam removidas deste espaço, por favor deixe o seu comentário. 



BRASIL - ANÁLISE PÓS-ELEIÇÕES

9 de novembro de 2018




Segue mais uma análise da conjuntura brasileira pós-eleições presidenciais. O texto abaixo é do cientista político e psicólogo Eduardo Mourão Vasconcelos, professor da UFRJ, militante da democracia e dos direitos humanos e sociais desde 1972, e, mais tarde, atuante na luta antimanicomial. O texto foi publicado originalmente na editoria política do portal Carta Maior.

            Hoje, amanhã e sempre

Em 28.10.2018 tivemos uma derrota que marcará a história de nosso país, com a vitória de Bolsonaro. Durante a campanha, já vínhamos alertando para os riscos para a nossa democracia e direitos sociais, em caso de concretização de sua vitória.
No entanto, precisamos reconhecer que lutamos o bom combate. Resistimos nas redes sociais, fomos pra rua, tentando reverter na última hora o amplo favoritismo que ele já tinha.
A vitória de Bolsonaro não deve nos desanimar. Quem viveu mais tempo, que passou pela ditadura, tem essa experiência de olhar a história com maior distância, e reconhecer que ela tem mesmo suas ondas. Em uma analogia com a Bíblia, temos os anos de vacas gordas, mas também anos de vacas magras. Todos eles passam, e nós aprendemos a resistir em todos esses momentos. As lutas e as contradições internas aos sistemas de dominação, várias delas invisíveis para o cidadão comum, continuam a varrer a história.
Os analistas políticos já estão prevendo que o governo Bolsonaro tem inúmeros fatores de instabilidade. Podemos citar alguns:
1.  Foram produzidas muitas expectativas na população, de resolução dos complexos problemas nacionais, algo difícil de se oferecer respostas no curto e médio prazo. Um exemplo é a política de segurança. Sabemos que armar a população não resolve, apenas aumenta a insegurança e a violência.
2. Estamos enfrentando uma crise fiscal profunda nos governos federal, estaduais e municipais. Essa crise dificulta enormemente a retomada do crescimento econômico e a resposta às expectativas geradas na população.
3. O apoio a Bolsonaro mobilizou uma idealização muito intensa, como nos mitos heroicos e messiânicos. Temos precedentes na história política brasileira, com Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello. A experiência deles e de outras, em vários países, mostram que, ao não serem capazes de produzir respostas satisfatórias no curto ou médio prazo, um processo que contraria o que foi idealizado tende a ocorrer rapidamente, erodindo rapidamente o apoio a este tipo de liderança. Foi o que ocorreu com Jânio Quadros e Collor, levando-os à saída do poder.

4. Bolsonaro se elegeu tendo que controlar e evitar a sua exposição pública em debates e ambientes em que teria que enfrentar o contraditório. Na presidência da república, esse controle é mais difícil, e ele tenderá a mostrar mais facilmente seu viés autoritário e antidemocrático, e sua visão simplista dos difíceis problemas nacionais.
5. Bolsonaro não tem maioria absoluta no Congresso, pelo menos para realizar mudanças constitucionais profundas. Se elegeu dizendo que não governará fazendo alianças com as forças convencionais no Congresso, e que não escolherá ministros com base no “toma lá, dá cá” que tem vigorado até agora. Para ter apoio no Congresso, ele precisará voltar à política tradicional. As medidas de reajuste fiscal colocadas na agenda econômica e política, como a reforma da previdência, são profundamente impopulares, e os parlamentares cobrarão muito caro o apoio a elas.
6. A visão e as medidas autoritárias de Bolsonaro certamente provocarão muitos conflitos com as instituições que têm como dever assegurar a democracia no país, como o Legislativo e o Sistema de Justiça, como as entidades civis que historicamente defendem as liberdades democráticas, e como os muitos movimentos sociais populares do país. Esses embates e conflitos tendem a crescer muito no seu governo.
7. A imagem internacional de Bolsonaro é péssima, e assim, começará um governo com um profundo desprestígio junto aos demais governos e agências internacionais, com poucas possíveis exceções, como o de Trump.

Poderíamos listar outros fatores que apontam para um governo de forte instabilidade, mas estes já são suficientes.
É por tudo isso que não podemos desanimar. A partir de agora, temos que avaliar sim o que passou, identificando os equívocos, mas com calma e solidariedade com nossos aliados. Precisamos estar atentos aos “sinais dos tempos”, em constantes análises de conjuntura, para identificar as brechas para resistência. E, principalmente, para as inúmeras denúncias que certamente surgirão, e para as melhores estratégias de luta.
Assim, a história não acaba neste momento mais dramático, apenas começa uma nova etapa. E a nossa experiência mostra que nesses momentos temos que mobilizar, por um lado, a nossa paciência histórica de médio e longo prazo, e por outro, a nossa coragem e rebeldia, para as lutas micropolíticas no cotidiano, e para as grandes mobilizações que certamente virão.
Hoje, eles ganharam, e estão comemorando. Teremos que nos silenciar, por enquanto. Mas sobretudo, temos o papel de porta vozes da esperança e persistência. Muita coragem para todos nós, nesta nova caminhada. Vamos à luta de resistência!
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Eduardo Mourão Vasconcelos é psicólogo e cientista político, professor da UFRJ, militante pela democracia, direitos humanos e sociais desde 1972, e mais tarde particularmente na luta antimanicomial.


Fonte do texto:
https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Hoje-amanha-e-sempre/4/42219

Para obter outras análises, também se pode acessar as publicações da revista Carta Capital - www.cartacapital.com.br e www.outrasplavras.com.br ou seguir alguns canais no YouTube, entre esses o do comentarista Leonardo Stoppa; Conversa Afiada do jornalista Paulo Henrique Amorim e o canal “TV 247”. Há vários outros canais interessantes e de opiniões distintas, de acordo com o interesse do leitor de complementar e checar as informações.



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Imagem - www.canstockphoto.com.br

BRASIL - INDICAÇÃO DE MORO PARA A PASTA JUSTIÇA - O QUE DIZ A IMPRENSA NO MUNDO

2 de novembro de 2018



Reproduzimos mais uma reportagem, sobre o momento político atual do Brasil. 
A reportagem é da revista Carta Capital.
Os comentários dos jornais estrangeiros falam por si.
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Política - Repercussão

Jornais estrangeiros destacam papel de Moro para a eleição de Bolsonaro
Por: Redação* — publicado 02/11/2018 
A indicação para um “superministério” soou, na mídia internacional, como uma recompensa ao juiz que retirou Lula da corrida presidencial


Reprodução
“Bolsonaro promete emprego para juiz que encarcerou seu rival”, resumiu o 'Times'
A mídia internacional não reagiu com naturalidade à indicação do juiz Sérgio Moro para um “superministério” no futuro governo. Para boa parte dos jornais estrangeiros, o fato abala a confiança no Judiciário e soou como uma recompensa ao magistrado, que prendeu o ex-presidente Lula, principal adversário de Jair Bolsonaro e franco favorito para vencer as eleições, não fosse a interdição judicial.
Antes mesmo da confirmação de que o convite foi aceito, o Le Monde apontou as “ambiguidades” do juiz, responsável pela Lava Jato em Curitiba. Na quarta-feira 31, o jornal francês assinalou a inexperiência política de Moro, além de lançar uma incômoda pergunta: “Foi por ter emprisionado o líder da esquerda brasileira que o magistrado será recompensado pelo futuro chefe de Estado de extrema-direita, Jair Bolsonaro?”.

A reportagem, assinada pela jornalista Claire Gatinois, narra a história do juiz que, ao investigar “um caso banal” de lavagem de dinheiro, acabou revelando um dos maiores casos de corrupção do Brasil. “A operação envolve quase todos os partidos, mas a Justiça e Moro têm um cuidado todo especial em relação ao PT”.
Ainda mais constrangedora, segundo o Monde, foi a rapidez com que Lula foi julgado, num país onde a Justiça anda a passos lentos, semanas antes da oficialização das candidaturas para as eleições de 2018.
Na França, o jornal Libération afirma que o juiz que derrubou Lula foi “condecorado por Bolsonaro” e acrescenta: “ele agarrou a bola com uma pressa ansiosa”. Na mesma toada, o jornal britânico The Times viralizou nas redes sociais ao resumir com precisão, na chamada de sua versão online, o que estava em jogo: “Bolsonaro promete emprego para juiz que encarcerou seu rival”.


Foi por ter prendido Lula que Moro foi recompensado?, indaga o 'Le Monde'
No Reino Unido, o jornal The Guardian também deu destaque à nomeação de Moro. O diário britânico lembrou que o magistrado havia prometido que nunca entraria na política, mas aceitou o cargo, após ter “pavimentado o caminho para estrondosa vitória eleitoral de Jair Bolsonaro, colocando na prisão o seu rival”. A publicação cita ainda a crítica de Gleisi Hoffmann, presidente do PT, que considerou o fato como “a fraude do século”.
“É inevitável. A narrativa de um juiz que prendeu Lula e depois conseguiu um emprego no governo de seu oponente atrairá muita gente”, observa Brian Winter, editor do Guardian, que não esconde a admiração por Moro, embora reconheça ser difícil “defendê-lo politicamente” a partir de agora. Já Monica de Bolle, diretora de estudos latino-americanos da Universidade Johns Hopkins, disse ao periódico britânico estar “decepcionada com a decisão perturbadora” do juiz.

Financial Times define Moro como o “juiz que preside a investigação do maior escândalo de corrupção” do Brasil e traz declarações de analistas que aprovam a indicação, por entender que ele dará continuidade ao trabalho de combate à corrupção. O jornal de negócios londrino pondera, porém, que a nomeação pode ser vista como “evidência de que a Lava Jato foi uma caça às bruxas”, dado que Moro foi o responsável pela prisão do maior adversário de Bolsonaro, o ex-presidente Lula.

Nos EUA, o jornal The New York Times engrossa a fileiras dos críticos. Para o diário norte-americano, a decisão de Moro de assumir o comando do Ministério da Justiça “foi recebida com indignação e júbilo, reflexo de quão polarizado ele se tornou”. Segundo analistas ouvidos pela reportagem, “Bolsonaro, uma figura profundamente polarizadora, poderia prejudicar a reputação de Moro e enfraquecer a confiança no Judiciário”.


Bolsonaro pode 'prejudicar a reputação de Moro e enfraquecer a confiança no Judiciário', avalia o NYT
Para Matthew Taylor, professor da American University e que entrevistou Moro como parte de sua pesquisa sobre corrupção no Brasil, a decisão do magistrado “corrobora a narrativa do PT de manipulação e de uma Justiça partidária”. Por outro lado, Roberta Braga, especialista brasileira no Atlantic Council, Moro seria “mais do que qualificado” para ser ministro da Justiça. “É um bom augúrio para a aprovação de reformas estruturais anticorrupção”, opinou. Ambos foram ouvidos pelo NYT.

O jornal espanhol El País, por sua vez, estampou a manchete: “O juiz que encarcerou Lula da Silva aceita ser ministro da Justiça de Bolsonaro”. Apresentado como “herói do antipetismo”, Moro assumirá um ministério com funções ampliadas e mais poder, destacou o periódico.

A reportagem, assinada por Tom Avedaño, relembra a trajetória do juiz à frente da Lava Jato e acrescenta: “Com o passar dos anos, Moro se tornou o santo padroeiro do ódio ao PT, um fenômeno crescente que contribuiu notavelmente para a vitória da extrema-direita”.
* Com informações da RFI Brasil.
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Fonte da reportagem:



Crédito das imagens:

Imagem de abertura - "Ventania" - tela de Anita Malfatti - coleção do Palácio dos Bandeiras de São Paulo-SP.

Capas de Jornais - reprodução de capas de jornais estrangeiros, na reportagem da revista "Carta Capital", em 2/11/2018.

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