Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

UBUNTU : SOU PORQUE VOCÊS SÃO

25 de fevereiro de 2014



























Ubuntu  é uma uma filosofia presente em vários países da África, cujo foco é a relação entre as pessoas. A palavra se reporta ao tradicional idioma banto Ngúni.  Uma tentativa de tradução para a língua portuguesa poderia ser: "sou o que sou pelo que nós somos".  

Na época de Mandela, Ubuntu era um dos princípios fundamentais da república da África do Sul. Na esfera política esse conceito é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão.



Nelson Mandela explicou a um jornalista que "a tradição africana de Ubuntu é uma verdade universal, é um modo de vida. É um termo que exprime vários significados: respeito, serviço, cuidado, confiança, reciprocidade, desapego... O que não significa que essa gente não deva olhar para si mesma. A pergunta para isto é: Desejas fazer algo para tomar parte de tua comunidade e, assim, melhorá-la? Entrar em contato com outra pessoa ou com uma comunidade, de um modo autêntico, libera a mais poderosa energia no planeta. Essas são as coisas importantes da vida".






Há uma definição do Ubuntu que seria do arcebispo africano Desmond Tutu:

uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível aos outros, sem se preocupar em julgar os outros como bons ou maus, consciente de que ela faz parte de algo maior e é tão pequena quanto os seus semelhantes que são humilhados, torturados e oprimidos’.


O desportista sul africano Fraçois Louw (1985) sugere que o conceito do Ubuntu define um indivíduo pela sua relação com os outros, e enfatiza a importância do conceito religioso fundamentado na máxima Zulu “umuntu ngumuntu ngabantu “ (‘uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas’).

"Procure lembrar – diz um texto que divulga Ubuntu – que deve haver mais coisas que nos unem do que nos separam, e começar com aquilo que nos une é uma boa maneira de iniciar um diálogo e, portanto, uma possibilidade de mudança".

Jorge Bender, missionário franciscano argentino, explica, em seu livro “Africa no me necesita: yo necesito de Africa”:  

“Uma pessoa se faz humana por meio de outras pessoas (sou porque vocês são).  Uma pessoa com Ubuntu é aquela que se alegra quando a outra se sai bem em  lguma  coisa. Muitas tribos africanas pensam que cada pessoa decresce quando outras pessoas são humilhadas, quando outros são menosprezados ou oprimidos. Oxalá nos contagiemos um pouco deste conceito da ética africana e deste modo de pensar para superar o individualismo em que vivemos” . 


Para saber mais sobre Ubuntu, você pode ver um interessante testemunho de um sul africano, em um vídeo publicado no Youtub: 

https://www.youtube.com/watch?v=vJABKKGm5q8





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Créditos Imagens:


Texto colagem - pesquisa: divulgação filosofia ubuntu - África
Foto Mandela - www.racismoambiental.net
Foto Desmond Tutu - www.bodlive.co.za




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O MOMENTO DO TEMPO PRESENTE

21 de fevereiro de 2014




Viver o tempo presente é um aprendizado que há muitos anos retorna ao meu interesse, no dia a dia. A ideia aparentemente tão simples, que muitas pessoas inspiradas nos transmitiram e ainda nos transmitem como sabedoria de todos os tempos, é que o momento presente da vida concentra toda a vida e a simplifica, tornando o seu fardo leve e suave.


“A cada dia o seu cuidado”, 
disse Jesus de Nazaré.

“Não há melhor momento para seres feliz do que agora",  
escreveu Tereza de Calcutá. 



 ..."Não arranjes desculpas para o amor", escreveu Chiara Lubich: "Procura amar a quem te passa ao lado no momento presente da vida, e descobrirás em teu espírito novos germens de forças antes não conhecidas: elas darão sabor à tua vida e respostas aos teus mil porquês".  (1)




Esta é uma atitude que exige um precioso exercício de vida, a cada novo anúncio do tempo que se esvai, como uma joia a ser polida e utilizada pela vida afora. Toda a atenção no que se está vivendo agora: uma consciente atitude do cuidado, do gesto amoroso no momento atual, que logo se torna um novo momento e requer um novo cuidado. 

Por vezes a vida é exigente e nos pede atitudes que anunciam a compreensão dos nossos limites e, ao mesmo tempo, daquilo que somos capazes na conquista de nós mesmos. O que significa  nos educar, continuamente, a acolher com simplicidade o que a vida requer de nós. 


Há um trecho de Guimarães Rosa, em Grandes Sertões Veredas, que explica, com imensa beleza, o que não sei explicar:

O correr da vida embrulha tudo, a vida
é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente aprendendo 
a ser capaz de ficar alegre a mais,
no meio da alegria, e inda mais alegre ainda
no meio da tristeza! Só assim de repente,
na horinha em que se quer, de propósito
- por coragem. Será? Era o que eu às vezes
achava. Ao clarear do dia.” (2)





Fonte das citações:

1.Chiara Lubich, "Ideal e Luz", Michel Vanderleene (org.) Ed. Brasiliense e Cidade Nova. São Paulo, 2003. p.122
2.João Guimarães Rosa, Grandes Sertões, Veredas - Biblioteca do Estudante.        Ed. Nova Fronteira, RJ. 2006. p.118

Crédito das Imagens:


Teresa de Calcutà - www.jesuitasbrasil.blogspot.com

Chiara Lubich - www. diocesedeosasco.com.br



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ÁGUAS DE CHUVA BOA

13 de fevereiro de 2014



ÁGUAS DE CHUVA BOA

          Nascimento de Artur de Araújo Lima


Bendita seja esta chuva auspiciosa que lava os caminhos da cidade e esconde, no ralo nevoeiro desta noite, os arranha-céus cortados pelo espelho luminoso das águas do Capibaribe, nesta madrugada alvissareira que acalenta um menino recém-nascido.

Bendita seja esta cidade ainda despreparada para acolher os nascituros do século XXI, muitos deles aqui chegados em casebres de chão batido e tetos de faz de conta dependurados em morros afogados de necessidades.





Eles estão chegando, mulheres e homens do futuro, alguns talvez embrulhados nos jornais de hoje que celebram o fim da era Mubarak, após 30 anos de dominação, e a presença das mães da Plaza de Mayo no balcão da Casa Rosada, junto às mulheres presidentas da Argentina e do Brasil.






Benditos sejam homens e mulheres da Praça Tahir, no Egito, com suas bandeiras e crianças a expressarem uma busca tenaz de mudança. É um tempo difícil e também radioso de rebeliões e lutas no Oriente Médio, que pouco a pouco chega ao Ocidente a iniciar com a Itália que mobilizou centenas de pessoas para dizer ao indigno primeiro ministro Berlusconi que se retire do governo.

Benditos sejam os homens e as mulheres dos anos vindouros, batizados por esses ventos fortes que alegram o mundo e apontam a passos largos novas conquistas democráticas.  


Bendito seja o meu neto Artur de Araújo Lima, acolhido hoje com todo o amor que construímos na expectativa da sua chegada. Ele traz muita alegria aos amigos queridos e aos seus avós, tio e tias, e enseja um significativo prenúncio de Alegria e Esperança, neste momento em que celebramos a partida de vovô Lula, que ainda teve a emoção de abençoá-lo para a vida pouco antes de partir.

Recife, 13 de fevereiro de 2011

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Créditos Imagens


-  Foto arquivo do blog

2 -  Presidenta Dilma - Plaza de Mayo - 2014 - www2.planalto.com.br
3 -  Praça Tahir -  www. veja.abril.com.br
4 -  Menino egipciano - www. topicos.estadão.com.br




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A PRESENÇA DO INOMINÁVEL

4 de fevereiro de 2014




Ao refletir sobre a minha convivência com pessoas que amei um dia e com aquelas que hoje amo percebo que a vida de cada um de nós é tecida com a sua personalíssima dimensão, em diferentes nuances de tramas e cores que, ao se encontrar com o outro, o diferente de nós, pode chegar a expressar a beleza, a riqueza, a grandeza e o mistério que carrega em si. 

Vejo como obras-primas as coloridas colchas de retalhos que ainda hoje embelezam nossas casas: são pedaços de tecidos pregados uns aos outros, ou franzidos no formato de moedas multicoloridas chamadas fuxico por simbolizar que é um trabalho pra fazer juntos, no encontro, na conversa e na amizade. Assim intuo a beleza de cada pessoa e o mistério que expressa a sua completude, embora em permanente busca de uma definitiva paisagem. 

Cada um de nós é caminhante ainda por saber aonde chegar: uma via inacabada sempre, a mudar vez em quando com paisagens ora expressivas e belas, ora afundadas em noites sem luar; ora iluminadas de grandeza, ora assombreadas, quase fossem nossas pessoais estações climáticas a se repetirem na vida. Diferentemente das estações, a mudança da paisagem se instala e se esvai sem se perceber quando, sem se entender como nem se saber por quê.

Muitos já falaram desse mistério do correr surpreendente da vida, marcado por surpresas e encontros de intensa simplicidade e às vezes de inebriante sabor: momentos de não e de sim, de espera e desesperança, de nebulosas interrogações e de singelas certezas.

Diz-se que a vida é um instigante papel definitivo assumido sem roteiro nem ensaios, cujas cenas e coreografia ficam ao gosto de cada um, todos ao mesmo tempo atores e plateia, diretor e comparsa no desenrolar da trama. A vida tem disso: em qualquer cotejo que se faça será sempre indispensável o exercício da fé e a busca da celebração do amor com os que escolhemos conviver.


  

Quando a vida nos convida a celebrar a dor, ela nos leva a caminhar pela experiência da negação, até nos fazer encontrar o conforto da doce e amorosa acolhida daquele momento pessoal, a ser vivido com atitudes que podem nos ajudar a dizer sim, com alegria.

O sacramento da amizade e a unção do afeto nos levam a ensaiar gestos de escuta, cooperação e recomeço; podemos até chegar a conhecer o desassossego mas, pela dinâmica da vida, continuamos o aprendizado da paz interior e da liberdade de amar.  São momentos de celebração das conquistas pessoais, familiares, sociais e das surpreendentes tristezas  – das mais simples às grandes perdas  - sempre melhor acolhidos quando vividos em comunhão e reciprocidade.

Parece ser este o sentido da celebração amorosa nos dias atuais: inventar um jeito novo de vivenciar o amor, bem diferente do que o amor nos é mostrado nos melodramáticos romances ou em filmes e novelas de explícito mau gosto. Um amor que hoje, como ontem, está longe de ser o desejamos para nós e para aqueles que amamos.   


Sabe-se que o anúncio amoroso não se expressa unicamente na relação do casal, nem apenas nos ideais que sustentam os grandes movimentos sociais. O amor é uma dimensão da vida que se introduz também por esses caminhos, mas vai além para nos mostrar suas múltiplas expressões e teceduras engendradas pela vida. Encontra-se no amor amigo, no amor irmão, nos encontros de rara e profunda sintonia, no gesto universal de solidariedade e pela compaixão entre pessoas, grupos e povos.  


O seu mistério está na imanência de cada um de nós, muitas vezes de forma soterrada sob a máscara multiforme do ser ou do estar, outras vezes de um jeito que engrandece quem se deixa envolver e nele respira – qual Francisco de Assis, Simone Weil, Gandhi e, mais próximos de nosso tempo, Chiara Lubich, Tereza de Calcutá, Hélder Câmara, Betinho, Mandela... 



É um mistério que nos infunde a presença do Inominável e nos permite viver teimosamente nosso contínuo peregrinar, assumir com altivez o nosso destino e exercitar, embora com tropeços, o nosso jeito de bem-querer.

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Créditos Imagens:

1. Mandela - www.rahictantimom.wordpress.com

2. Simone Well - youtube.com
3. Herbert de Souza - Betinho - foto cedida por um amigo.
4. Chiara Lubich - foto divulgação do Movimento dos Focolares
3. Dom Hélder - imagem divulgação - Arquidiocese Olinda e Recife






FILOSOFIA NORDESTINA

2 de fevereiro de 2014



2014 - Período de enxurrada na mata sul de Pernambuco. Desta vez com força violenta, arrastando casas, ruas, estradas e pontes... Na paisagem desoladora da cidade inundada, uma repórter da TV Educativa registrava os fatos, buscava explicações para a situação e trazia pareceres de cientistas e técnicos sobre as questões climáticas das regiões semiáridas.

A fala do povo era de quem já tem calo no corpo e portas fechadas às ilusões da conversa política de aparências, diante da perda e da dor. O homem simples do interior, habituado a tantos revezes de natureza climática, política e social, carregava-se de novas forças para reagir e lutar, mais uma vez, apoiado na sua fé e na sua garra.

Entre as vítimas da enchente a jornalista dirigiu-se a um trabalhador rural e lhe perguntou se ele achava que o nordeste era esquecido pelo poder público. O homem ficou pensativo, olhou a paisagem ao redor e respondeu, enfatizando a pergunta: Se o nordeste é esquecido? Esquecido não, moça, ele nunca foi lembrado!




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Crédito Imagem: www.noticias.uol.com.br



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ABRINDO ESTE ESPAÇO...

1 de fevereiro de 2014

  ABRINDO ESTE ESPAÇO



Os que me conhecem sabem quanto em mim há de uma garota que não se aquieta. Foi ela a responsável da ideia deste espaço, para ajuntar escrituras miúdas, rabiscos poéticos e sabe-se lá quê das minhas intuições e dos aprendizados.

Aqui serão registradas memórias e impressões de ontem, de agora, e por algum tempo mais. Lembranças e imagens de momentos vivenciados ou invenções da memória costuradas em paisagens de vários caminhos percorridos, compondo retalhos de uma vida de setenta e mais evoluções da terra em torno do sol.

São momentos da vida na caminhada já feita e desejo de partilhar o que ainda poderá surgir... Registros nascidos da memória do afeto em diálogo com o que já não é meu, pois me portam àqueles que são lembrados e me fazem reencontrar alguém que terá sido, talvez, eu mesma.

Este espaço quer expressar o que o seu nome quer dizer: POESE – feitura, gestação, fabricação do pensamento que não revela a vida, mas apenas nuanças de pensares semeados na intensa vida de raras horas. São relíquias de convivências e bem-quereres que são parte profunda da construção do meu caminho. E, ainda, memória de pessoas que de algum modo se foram deixando suas marcas. E muita, muita saudade.

O Espaço Poese é de quem quiser se achegar para deixar o seu comentário, que esta exposição de sentimentos poderá sugerir.

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