Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

A GRATUIDADE

30 de junho de 2015



Hoje acordei com o coração preenchido de um pleno sentimento de gratidão. E de uma certeza inteira, que essa profunda e viva realidade a me acudir em momentos de inquietudes, incertezas e pequenez diante da vida é a Presença do Inefável – a divina e indizível gratuidade do Amor.
Mas... Como explicar essa "presença inominável"? 

Uma percepção confortante desde os tempos de criança... 

Há quantas décadas a Tua paciência me segue com ternura, tantas escutas e perdões, essa inesgotável fonte de uma infinita compreensão  a sensação de uma  carícia benfazeja, até mesmo nos graves momentos de dor... Feito um abraço amoroso e sincero, feito quando a gente se deixa abandonar ao balanço das ondas de uma maré mansa, banhando-se do sol carinhoso do amanhecer...

Não. Não estou esquecida dos tempos de chuvas fortes e das trovoadas nas  noites tenebrosas que a vida me impôs – as invejas rasantes em certos ambientes do trabalho, o desconforto vivido na relação amorosa, momentos de tristeza profunda... Como esquecê-los?

Mas, hoje é dia de dizer-te a Gratidão! De dizer-Te que percebo a gratuidade de tantos dons, e da saúde, e de tantas alegrias serenas! Em especial quando contemplo o meu neto que vem crescendo em alegria e graça! Isso. A gratuidade do Amor.

E me pergunto agora: – De que modo responder a tantos dons da vida, desde a contemplação do amanhecer e do anoitecer  a cada dia com um matiz luminoso, um brilho diferente – observando daqui da minha varanda.  E poder eu mesma preparar o meu café, pela manhã, deixar em ordem a minha cama, controlar os meus próprios medicamentos... E gostar tanto de escrever essas páginas que saem farfalhando dos meus tantos pensares?!

A gratuidade é um valor que se aprende pouco a pouco na vida. Olhar o outro com o coração aberto  à tolerância, à compreensão, à  profunda misericórdia... Escutar com atenção, aquilo que interessa ao outro, tão diferente de mim! Acudir as necessidades que posso abraçar com o meu tempo, o meu cuidado,  a minha cooperação, o meu estímulo fraterno! Sabendo que ELE, o inominável, não se esconde nas nuvens claras do céu arejado de azul, nem nas imagens douradas dos altares. 

Só é possível encontrá-Lo, de fato, naqueles que convivem comigo, nos empregados que atendem na portaria do meu condomínio, nos que varrem as ruas dos nossos descuidos, carregando os restos das coisas que o dinheiro a mais me faz comprar. 

ELE segue também pelas estradas, naquele carro que está me atrapalhando, por trás da mesa do meu colega de trabalho, no amigo que  vou visitar, nas crianças que põem desordem em minha sala, nas pessoas que me atendem como "empregados domésticos"... Simples assim: em cada pessoa que encontro ELE está esperando a minha escuta, o meu cuidado, o meu apoio. 

E quando duas ou mais pessoas entram num acordo de exercitar essa "carícia essencial" do amor fraterno, ELE está por perto. Não de um jeito sentimental, ou com orações especiais. Ele se achega entre nós, quando começamos,  efetivamente, a mudar a nossa mentalidade quiçá mesquinha, quiçá individualista ou acomodada. Aí sim, a  presença d´Ele é experimentada. E o peso da vida se torna leve e suave! 


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Créditos imagens:

1. Impression Solei-Levant  - Claude Monet - reprodução

Imagens 2,3,4 - www.canstockphoto.com.br 

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POESIA - MADRUGADA

27 de junho de 2015





Sem sono a noite chegou
Assentou, se espreguiçou...

Sem sono e sem cansaço
Nem nada mais a cuidar...











A noite queria apenas
Cuidar do encontro marcado
Do escuro com a madrugada
Transformando a noite em dia... 







Noite à dentro o dia entrando...
Até que se alumiou!...
Nessa hora iluminada
Da noite virando dia
Explodiu a luz inteira
Numa manhã de poesia!

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Poema de: Vanise Rezende - www.vaniserezende.com.br 

Crédito Imagens:


Imagem 1 - www.canstockphotos.com.br

Imagem 2 - Foto de Odair Schiefelbein - Agudo - RS


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LITERATURA — ZYGMUNT BAUMANN

26 de junho de 2015

  ZYGMUNT BAUMAN 
                                                                                                                                                    VIDAS DESPERDIÇADAS


Ao apresentar seu trabalho acadêmico de análise sobre a “A Sociedade do Descartável” – a Professora Orgides Maria da Silva nos fala do que pensa o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, ao questionar as práticas do viver cotidiano na época em que vivemos – no seu livro: Vidas Desperdiçadas. Ela afirma: “Bauman nos oferece a oportunidade de compreender a nossa sociedade de uma forma mais íntima, mais próxima e mais profunda, o que de certa maneira pode causar estranhamento, inconformismo, não-aceitação, e ao mesmo tempo nos alertar para a sociedade que construímos e que continuamos a delinear para o futuro”.

Do seu artigo, algumas questões nos atingem diretamente: Bauman nos faz entender que a pós-modernidade é marcada pela exclusão que cresce a cada dia, impondo constantemente novas exigências, especialidades e qualificações para o mundo do trabalho  com as quais a nossa estrutura educacional não está preparada para lidar , o que acarreta um alto índice de desemprego. E nos convida a lançar “outro olhar sobre o mundo que habitamos e partilhamos.”  


A modernização – na visão de Bauman - provoca um grande índice de marginalização, e pode nos levar a pensar que este mundo está com gente demais, seria necessário desvencilhar-nos dos desvalidos, dos ignorantes, dos marginalizados… Chegamos ao ponto de entender a marginalização como uma realidade alheia a nós mesmos, sem que se perceba a responsabilidade que nos cabe diante desse caos. 


Mesmo se por algum instante a gente reflita sobre essas questões, em geral não analisamos até o fim as causas que produzem a marginalização. Fica-nos a ideia de que os pobres, os ignorantes, os sem cara nem vez são – eles próprios – os responsáveis por essa vidinha que vão levando. Pensa-se – isto sim – na própria defesa desse ambiente que determina a criminalidade, a insegurança social, os gastos sociais dos nossos impostos. Eles – digamos, os excluídos do nosso país – essa multidão de famílias empobrecidas!, são os que geram filhos a mais para receber o “bolsa família”... São eles e os outros  ainda mais pobres do que eles  que formam a massa dos nossos "descartáveis", "esse lixo humano sem serventia"! (- Nem trabalhar direito eles aprendem!), muitos dizem.   


Voltando ao que diz a articulista – ao comentar o livro do sociólogo – Bauman discute o panorama social, a ambivalência dos vínculos humanos e a incerteza em relação à construção de vínculos mais sólidos na sociedade. Afirma que os relacionamentos são de curto prazo ou em muitos casos até virtuais. O amor torna-se vítima da liquidez da sociedade contemporânea, fugaz e descartável, destruindo as formas mais ingênuas e puras de sentimento e da intimidade compartilhada”...

E conclui: Bauman afirma que não é pessimista, muito menos niilista e que sua obra é um convite à reflexão em busca da ação, na tentativa de romper  com o crítico modo de vida que levamos… Ele nos convida “à tentativa de possibilitar que a situação das pessoas em condição de fracasso e humilhação seja revertida, e a beleza seja algo comum”, algo possível de ser vivido.

A leitura desse artigo me deixou a refletir sobre a afirmação de que – ao organizar a relação entre as fronteiras sociais existentes entre inclusão/exclusão, dentro/fora, limpeza/sujeira, bem/mal, produto final e refugo – a pós-modernidade fez com que os indivíduos ficassem duvidosos de seus valores, diante de uma sociedade movida mais pelo desejo do ter, em detrimento do ser. E, assim, fez surgir a “sociedade do descartável”. Bauman nos acode, propondo-nos mais uma questão: Como pensar a divisão que surge entre nós e aqueles indivíduos?

Resta a nós a tarefa de aprofundar o entendimento do sentido mais profundo da expressão: sociedade do descartável. Como será que estou envolvida nesse jogo causal? Um jogo que se caracteriza pela visão de um mundo sem profundidade nem importância, que nos leva a conduzir sentimentos e relações pessoais ao largo de nós mesmos, (tudo aquilo que eu renego, porque é diferente de mim). 


Não pretendo misturar a minha história, a minha vida, embaraçando-me com essa gente, essas "políticas", essas "questões sociais" – eu “lutei” ("só eu sei quanto!"), para ter mais valor, para “alcançar” um alto nível de educação, mais dinheiro e conhecimento… – Por que será que "essa gente" não faz o mesmo?). 

Sou atencioso, boa praça, cordial e educado – embora no fundo consiga perceber que estou – também eu! -, pipocando por todos os poros, sem entender quem é mesmo que eu sou, para onde quero ir, o que estou fazendo da minha vida e, – pior ainda –, para quê?, em busca de quê estou endereçando o meu trabalho, os meus esforços do dia a dia, o meu adquirido saber?

Fica a sugestão de a gente pensar mais, ler mais, e refletir mais sobre essa “vida líquida” (mais uma expressão título de outro livro de Bauman), que nos escorre pelos poros, pelo nosso descuido do dia a dia, do tempo que se esvai  em pressa, e que eu nem chego a perceber!

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A autora do artigo citado, Orgides Maria da Silva Neta, é discente em Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). orgides@ig.com.br

ResenhaOrgides Maria da Silva. Vidas Desperdiçadas. Revista ACOALF Aplp: Acolhendo a Alfabetização nos Países de Língua Portuguesa, São  Paulo, ano  2,  n.3 - 2007. 

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Sobre Zygmunt Bauman:


Nasceu em 19 de novembro de 1925. É um sociólogo polonês que iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, de onde foi afastado em 1968, após ter vários livros e artigos censurados. Sem muitas perspectivas, o sociólogo abandonou sua pátria e partiu para a Inglaterra, depois de passar pelo Canadá, EUA e Austrália. No início da década de 70 ele assumiu o cargo de professor titular da Universidade de Leeds, permanecendo neste posto por pelo menos vinte anos. Aí ele teve contato com o intelectual que inspiraria profundamente seu pensamento, o filósofo islandês Ji Caze.  (www.infoescola.com/biografias)

Grande parte de sua obra já foi traduzida no Brasil. Seus livros são povoados por ideias sobre as conexões sociais potenciais na sociedade contemporânea, nesta era comumente conhecida como pós-modernidade. Os estudos sociológicos lhe permitem refletir sobre a angústia que reina nos sentimentos humanos, emoção despertada pela pressa de encontrar o parceiro perfeito, sempre mantido como meta ideal, nunca como realidade concreta. Assim, os casais procuram manter relacionamentos abertos, que lhes possibilitem uma porta de saída para novos encontros. A insatisfação está, portanto, constantemente presente na esfera da afetividade humana. As pessoas desejam interagir, buscam a vivência do afeto, mas não querem se comprometer. É o que Bauman chama de amor líquido, vivenciado em um universo marcado pelos laços fluidos, que não permanecem, não se estreitam, desobedecem à lei da gravidade, ou seja, à ausência de peso. O que provoca a famosa ‘insustentável leveza do ser’, preconizada pelo escritor tcheco Milan Kundera.

Bauman crê que os relacionamentos a dois não podem se desenrolar à parte da cena social, das regras do jogo estabelecidas pela sociedade global. Nada pode, segundo ele, fugir deste complexo panorama, do moderno fenômeno conhecido como globalização. Aliás, este autor é também famoso por suas agudas pesquisas sobre os vínculos entre os tempos modernos, o Holocausto e o frenético consumo da era pós-moderna. Para o sociólogo, a fluidez dos vínculos, que marca a sociedade contemporânea, encontra-se inevitavelmente inserida nas próprias características da modernidade, discussão esta que está perfeitamente retratada nas primeiras obras do autor. É impossível fugir das consequências da globalização, com suas vertiginosas ondas de informação e de novas idéias. Tudo ocorre com intensa velocidade, o que também se reflete nas relações entre as pessoas. No Brasil é possível encontrar pelo menos dezesseis de seus livros traduzidos para o português, todos pela Jorge Zahar Editor. Entre eles os principais são Amor Líquido, Globalização: as Conseqüências Humanas e Vidas Desperdiçadas. Em 1989 ele conquistou o prêmio Amalfi, por sua publicação Modernidade e Holocausto; em 1998, obteve a premiação Adorno, pela totalidade de sua obra. Hoje Bauman leciona nas Universidades de Leeds e de Varsóvia.

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Fontes:

http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=123


http://pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman


Créditos Imagens:

1. Capa do Livro: Vidas Despedaçadas - 
2.3.4. - Fotos divulgação do autor
5. www.canstockphoto.com.br






FAZER CIDADE ... FAZER POLÍTICA

15 de junho de 2015

EXCELENTE NOTÍCIA: 

Novas políticas surgem, nas cidades, a partir de cidadãos que aprendem e fazem a boa política de mobilizar a população local para a conquista do bem-estar e do bem-viver em suas respectivas cidades. 


Matéria publicada por Alana Moraes, Jean Tible, Josué Medeiros e William Nozaki - no portal CARTA MAIOR (*) - destrincha os meandros das recentes conquistas nas cidades de Barcelona e Madri, na Espanha. Publicado em 05/06/2015.
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"É uma cidade igual a um sonho: tudo o que pode ser imaginado pode ser sonhado, mas mesmo o mais inesperado dos sonhos é um quebra-cabeça que esconde um desejo, ou então o seu oposto, um medo. As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas (...). De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete muralhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas políticas". (Italo Calvino)
Produzir imaginações políticas e coletivas que escapem às capturas da
representação e seus limites inabaláveis do "isso é o que temos pra hoje" - eis o desafio mais arrebatador de nossa geração. Somos fruto de uma cultura política de esquerda extremamente rica e potente: das organizações dos bairros da periferia, passando pelo novo sindicalismo, até a emergência dos "novos atores em cena", o petismo surge de uma força comum que questionou a representação política até então existente, aquela dos pactos entre as elites detentoras do poder, inscrevendo na arena política o grito profanador daqueles e daquelas que não eram representados. Os subalternos podem falar. Com o petismo, nós tomamos a fala de assalto.
Todavia, o PT do Orçamento Participativo, que acolheu o Fórum Social Mundial, o PT do municipalismo ativo, da saúde da família, que inspirava a esquerda mundial, já não existe. Não reconhecer isso bloqueia  qualquer tentativa séria de mudança. O PT, que em outros tempos era portador da proposta radical de mandatos participativos, hoje se encontra em uma realidade de mandatos encastelados e orientados apenas pelas regras do jogo da política institucional e seus canais obstruídos. Pensamos que a "Reforma Política" proposta pelo PT responde a várias questões importantes, mas não chega ao centro nervoso da crise em que vivemos: é preciso voltar a discutir o que é a política e como promovemos espaços/ações para além da representação. Ação direta. Poder distribuído. Cidadania ativa.
Ainda assim, reconhecemos no petismo essa energia de liberdade e auto-organização, energia que produziu o PT, mas que ao mesmo tempo ultrapassa os contornos do partido: está nas ruas, presente nas greves dos professores no Paraná e em São Paulo, presente no conjunto de mobilizações contra a redução da maioridade penal, contra os projetos de terceirização do trabalho, na defesa das liberdades - contra as forças conservadoras. O PT não matará o petismo, é o que sentimos. 



Quais os caminhos abertos para pensarmos a superação da representação e da política personalista e concentrada? O petismo precisa se conectar agora com o processo em curso na Espanha, especialmente o que vem acontecendo em Barcelona e Madrid, absorver seu espírito e corpo - digerir - e enfim, ousar em novas experimentações democráticas e plataformas eleitorais. Municipalismo Radical. Política distribuída para uma cidade distribuída.
Assim como o Occupy nos EUA, as praças Syntagma, Tahrir e Taksim, os “pinguins” no Chile e o junho brasileiro, os indignados e indignadas do 15M espanhol também deslocaram peças centrais nas engrenagens da máquina política e continuam surpreendendo aqueles que pensavam que estes movimentos "não iriam dar em nada". Entretanto, longe também das expectativas menos imaginativas que esperavam ver os "indignados" jogando o jogo da atual política partidária, surge uma hipótese ainda mais radical: ao invés de 'partido', um partido-movimento (como outrora foi o PT); no lugar de um "candidato", uma "plataforma", ao invés de "Barcelona"; "Barcelona em comum". As regras do jogo não serão mais as mesmas e a energia das ruas também alcançou às urnas - mas fez dos palanques uma assembleia de todos e todas.

Há quem pense que a vitória de Ada Colau na prefeitura de
 Barcelona tenha sido "resultado" da crescente expressão do Podemos no cenário nacional. No entanto, Ada expressa uma interseção de forças que atravessa o Podemos, contém ele, mas de maneira alguma cabe dentro de suas formas. Ada Colau é uma militante da luta pela moradia e contra os despejos, articula dessa forma a partir de uma luta local, questões chaves para perfurar os consensos nacionais da manutenção das políticas de austeridade e suas consequências brutais para os mais pobres. Contra a produção de vidas precárias, uma multiplicação de vínculos e laços que fortalecem a dependência entre as pessoas e o reconhecimento mútuo. 
O movimento "Barcelona en Comú" é, por sua vez, expressão de um novo municipalismo radical que propõe o fortalecimento da gestão comum da saúde, política de moradia, ocupação dos espaços públicos, uma plataforma aberta e participativa que agregou a multiplicidade cidadã presente na cidade e seu desejo de fazer política fazendo a própria cidade. Contra a precarização da vida neoliberal, uma proliferação de vínculos fortes, política que produz grupos, afetos, composições e existências.
"Ahora Madrid" (Manuela Carmena) e "Barcelona en Comú" (Ada Colau) souberam também de uma forma muito vigorosa, produzir um caldo de referências políticas libertárias, velhas e novas, sampleando parte do que foi os indignados (e indignadas!), mas também a luta feminista, o copyleft, o Zapatismo, copylove, orçamento participativo, os movimentos das hortas e jardins comunitários, aPlataforma dos Atingidos pelas Hipotecas, os movimentos e governos progressistas da América do Sul. A cultura política da esquerda internacional hoje deve seguir as pistas hackers das apropriações e distribuições contínuas, a colagem, bricolagem, remixando as referências importantes das cosmopolíticas subalternas de todo o mundo - uma municipalidade povoada pelas experiências de outros mundos.
Talvez a lição mais importante que podemos extrair da vitória recente da chamada “esquerda radical” na Espanha é que existem outras formas de constituir "maioria". O caminho das alianças, da governabilidade, do exclusivismo institucional não é natural ou inexorável: a cristalização binária da oposição PSOE x PP não organiza mais o fazer político espanhol. "Ah, mas na Espanha é diferente", dirão os céticos. "Lá vem o pensamento colonizado, querem imitar os europeus!", bradarão os arautos de um nacionalismo conservador! Sim, Brasil e Espanha são diferentes - ainda que décadas de ditadura e repressão nos ofereçam um desejo comum de construir uma democracia que possamos olhar e chamar de nossa. 
Temos que produzir nossas soluções desde aqui, queremos e podemos fazer isso desde a cultura do petismo, das nossas ruas e suas encruzilhadas, mas nos alimentando destas outras receitas, corpos e experiências. A produção de novas institucionalidades enraizadas na vida cotidiana – o fazer-cidade como o fazer coletivo que produz a política desde baixo. Contra a lógica do marketing político que oferece candidatos como produtos, o papel insurgente das redes: hashtags, vídeos colaborativos, projeções em paredes, crowdfunding. Midialivrismo, Cyberativismo e todas as possibilidades da política em rede contra o monopólio dos “especialistas”.

A vitória de duas mulheres, Ada em Barcelona e de Manuela Carmena em Madrid, não chega a ser um feito do acaso. Essa municipalidade radical que emerge na Espanha carrega em seu corpo a importância de uma economia do comum e dos cuidados protagonizada localmente pelas mulheres: " Nos perguntam quem somos [...]. Somos muitas mulheres que estamos subrepresentadas nos espaços de decisão, nos espaços de poder político e estamos sobrerepresentadas no cuidado invisível que torna possível a vida de todos e todas.",responde Ada.
                                                

O trabalho coletivo, a horizontalidade como valor, os esforços para que o trabalho dos cuidados seja um trabalho de todos, a solidariedade do fazer da vida cotidiana, tudo isso habita a nova gramática política espanhola e suas potencialidades. Uma gramática muito mais feminilizada, absorvida na cultura política de um feminismo libertário e ao mesmo tempo muito próximo das pessoas comuns.

Levar a vida cotidiana para o centro da política e desmanchar as fronteiras que
separam os representantes dos representados; promover e fazer proliferar as assembleias dos bairros nas tomadas de decisão; produzir uma nova urbanidade, uma cidade mais igualitária e produtora de encontros, fortalecer a conexão entre redes e ruas para ampliar as capacidades (e qualidades) da participação. O municipalismo radical não é estranho a nós. A cultura do comunitarismo, os mutirões, a troca do trabalho de cuidados entre vizinhos e vizinhas, tudo isso sempre fez parte da nossa cultura política da vida cotidiana. O petismo esteve e ainda está presente de várias formas na produção dessas dinâmicas políticas coletivas, nos espaços de poder distribuído.
A agenda do municipalismo radical não é uma agenda estrangeira ao que somos, mas pode nos oferecer agora inspirações renovadas para caminharmos rumo a uma nova política municipal em torno de plataformas participativas, fortalecendo não só o tema do "direito à cidade" mas também práticas concretas de "fazer cidade", produção de uma cidadania ativa e renovada, protagonizada por nós mesmos, onde o poder seja distribuído assim como nossas responsabilidades.

Um novo mundo não só é possível como já está sendo produzido e gestado nas cidades. Utopias urbanas, criações, deslocamentos. É na cidade onde nos encontramos.

O poder das pessoas comuns contra a predação do capitalismo gentrificador. Plataformas-Movimentos contra a burocratização de partidos impermeáveis. A representação é descolonizada diante do poder distribuído e compartilhado.

Como diziam as feministas negras norte-americanas da década de 1970: não é possível destruir a casa do inimigo usando suas ferramentas. É o momento de fabricarmos as nossas, como, aliás, o petismo fez bem e bastante ao longo da história.
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(*) Carta Maior: Alana Moraes, Jean Tible, Josué Medeiros e William Nozaki são militantes do  petismo.


Créditos Imagens:
1. Manifestação por energias renováveis - Lima, Peru (2014) - www.avaaz.com.br
2. Manifestação em Paris por energias renováveis (2015) - www.avaaz.com.br
3Professores em assembléia no Estádio de Curitiba - PN (2015, Brasil) - www.brasildefato.com.br - imagem de Joka Madruga
4. Barcelona (ES) - Moyan Brenn - Flicker/Creative Commans 
www.exame.abril.com.br/mundo.
5. Pça. do Sol, Madri (ES) - AFP/Pedro Armestre - www.exame.abril.com.br/mundo
6. Ada Colau - prefeita de Barcelona - Imagens divulgação eleições. www.elpais.com.br
7. Manuela Carmena - prefeita de Madri - Pablo Blazquez (Gatty Images).
8. Parque em Montreal (Canadá) - www.exame.abril.com.br/Creative Commons
9. Greve dos Professores em Curitiba - PN - www.lobonoticias.com.br ((7/02/2015).
10. Rio de Janeiro - RJ (Brasil) - www.exame.abril.com.br/Creative Commons

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OS PALPITES DE MARIA JILÓ

10 de junho de 2015


Maria Jiló é uma senhora de 92 anos, miúda, e elegante. Todo dia, às oito da manhã, ela se apresenta toda vestida, bem penteada e... com um discreto pó de arroz, apesar de sua pouca visão. Seu marido – com quem ela viveu por 70 anos – morreu recentemente, e a solução que se encontrou foi a encaminhar para uma casa de repouso.


Após após conversar carinhosamente com ela sobre a sua situação – marcamos, para que eu lhe encontrasse uma nova moradia. Quando o dia chegou, ela já estava pronta – havia decidido o que levaria e o que não lhe serviria mais. Estando lá,  após  esperarmos um bom tempo, ela ainda fez um lindo soriso, quando a atendente veio avisar que o seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, fiz-lhe uma descrição do seu minúsculo quartinho, dando ênfase às cortininhas que cobriam os vidros da janela.


Foi quando ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garota que acaba de ganhar um lindo presente:

– Ah, eu adoro essas cortinas!...

– Mas, a senhora ainda nem viu o seu quarto...

– Isto não tem nada a ver – ela respondeu – felicidade é uma coisa que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília estiver arrumada... Vai depender de como eu preparo a minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar! É uma decisão que tomo todo dia, ao acordar – gostar do que a vida me oferece, a cada momento.


Eu a olhava, pensando como aquela mulher havia aprendido a enfrentar, com tanta serenidade, cada momento da vida. 

Percebendo o meu olhar curioso, ela continuou: – Sabe de uma coisa? Eu poderia passar o dia inteiro na cama, contabilizando as dificuldades que tenho por todo o meu corpo, que há algum tempo já não funciona como antes... Mas, eu também posso me levantar agradecendo pelas outras partes do corpo que ainda me obedecem.


– Simples assim? Perguntei-lhe (aquilo me parecia muito difícil!).

– Nem tanto, minha filha. Isto é para quem aprende a ter autocontrole – mas, na verdade, todos podem aprender, bastaria que se aproveitasse os momentos que servem para se exercitar. Isso exigiu de mim um bom treino, mas gosto de observar que posso orientar os meus pensamentos para onde eu quiser. É assim que escolho os sentimentos que devem ser cultivados no coração.

Eu contemplava a profundidade e, ao mesmo tempo, a simplicidade dos valores vividos por aquela mulher. Aquele estilo de vida me parecia um grande dom de Deus. Ela percebeu algo, e quis me explicar melhor.

– Para mim, cada momento é um dom. Procuro focalizar minhas energias em cada novo dia, e manter a lembrança alegre do passado, para usá-la sempre que for preciso. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que depositou... Algumas vezes, até com um acréscimo de ganho. Se alguém me perguntasse como é que se faz isso, eu diria que procure – no decorrer dos anos – depositar um monte de alegrias na conta da sua memória. Como agora: as boas surpresas de hoje, eu já estou depositando no meu Banco de Lembranças.


Mais tarde – quando minha amiga já estava bem instalada no seu novo espaço – tirou de sua bolsa de pano um caderno de anotações pessoais, embora não fossem datadas. Não perdi tempo, e lhe pedi para copiá-las. Assim, posso repassá-las a quem desejar aprender da preciosidade de sua experiência longeva.

O título do texto é: Para manter a paz e o bem-estar

Esqueça os números, eles não são essenciais: a sua idade, a sua altura e o seu peso só interessam ao seu médico, e a mais ninguém.

Procure manter os amigos mais divertidos, com atenção e carinho. Há pessoas que tendem a puxar os outros para baixo. Será melhor evitar tê-las por perto...

É bom lembrar que, na vida, há sempre o que aprender. Procure aprender mais como usar o computador e a internet, e, igualmente, como fazer jardinagem – nem que seja no pequeno canteiro da sua janela. O mais interessante é você mesmo descobrir o que você mais gostaria de aprender e ir em frente para conseguir o que deseja. Não deixe que o seu cérebro se torne preguiçoso. 'Uma mente preguiçosa é a oficina do Alemão'. E o nome do Alemão é Alzheimer!


   

Fique atento à beleza e ao sabor das pequenas coisas: da sua janela, talvez você possa contemplar o nascer ou o pôr do sol... E, no seu cardápio, você pode sempre introduzir alguma novidade, pesquisando no facebook, na televisão ou com alguma amiga mais entendida de cozinha.






Procure criar oportunidades de você rir mais, brincar mais, e sair mais... Deixe
que a sua risada ressoe com vigor. Ria por tudo o que lhe der vontade. Até das coisas que você achar um pouco ridículas em sua vida. E se tiver amigos que o façam rir, tente encontrá-los com mais frequência. Se não os tiver... está na hora de procurá-los.


Quando houver motivos para as lágrimas chegarem... não tenha vergonha de chorar, mas cuide de ultrapassar aquele momento, com serenidade e coragem. E lembre-se: a única pessoa que pode ficar com você durante toda a sua vida, é você mesmo. VIVA, então, enquanto a vida lhe permitir. 


Procure se rodear das pessoas que você ama e das coisas de que você mais gosta: o que quer que seja que lhe dê mais alegria, de modo que você possa partilhá-la com outros.

Seja cuidadoso com a sua saúde: é você o primeiro responsável por ela. E, se tiver boa saúde, trate de mantê-la. Se sua saúde for instável, procure ajuda para que você se sinta melhor.

Não faça viagens em busca de apagar suas culpas ou suas mágoas. Faça viagens – grandes ou pequenas – para conhecer coisas novas, vibrar com o inusitado, passear e se divertir. E, se possível, em boa companhia. As viagens não apagam culpas nem mágoas. Mas, trazem bons momentos de distração e prazer...



Quando sentir carinho, afeto ou amor, por alguém, procure a oportunidade de lhe falar desses seus sentimentos e da alegria que lhe trazem as ocasiões de estar com ela, ou com ele.


Até aqui, o que estava escrito no caderninho de Maria Jiló. Se esses rabiscos lhe provocaram algum interesse, procure passá-los adiante, pois as coisas boas devem ser divulgadas com a mesma velocidade que se divulgam as agruras do mundo.


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Crédito das imagens:

1. Quadro de Vincent van Gogh - pt.wikipedia.org.
2. Pôr do sol - arquivos do Blog Espaço Poese
3. Demais imagens - www.canstockphoto


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BRASIL - O RECOMEÇO NECESSÁRIO

7 de junho de 2015

Sempre é possível uma autocorreção e o recomeço -


Leornardo Boff continua sendo a voz que não cansa de analisar as questões de nosso maior interesse, ora defendendo a reorientação das políticas ambientais, ora apontando a nós, cidadãos, os passos de conversão e de atitudes para a conquista do bem comum, ora buscando as melhores sugestões e ideias para afrontar a crise por que passa o mundo político e, com ele, também nós, os brasileiros. Neste seu artigo recente, que reportamos abaixo, (com retoques na edição do texto, a fim de promover um    melhor entendimento) Leonardo Boff aponta as possibilidades para a crise de      governabilidade, hoje, no Brasil. Segue o seu artigo.

Nem toda crise, nem todo caos são necessariamente ruins.  A crise acrisola, funciona como um crisol que purifica o ouro das gangas e o libera para um novo uso. O caos não é só caótico; ele pode ser generativo. É caótico porque destrói certa ordem que não atende mais as demandas de um povo; é generativo porque a partir de um novo rearranjo dos fatores, instaura uma nova ordem que faz a vida do povo melhor. Dizem cosmólogos que a vida surgiu do caos. Este organizou internamente os elementos de alta complexidade, que desta complexidade fez eclodir a vida na Terra e, mais tarde, a nossa vida consciente (Prigogine, Swimme, Morin e outros).


A atual crise política e o caos social obedecem à lógica descrita acima. Oferecem uma oportunidade de refundação da ordem social a partir do caos social e dos elementos depurados da crise. Como no Brasil fazemos tudo pela metade, e não concluímos quase nenhum projeto (independência, abolição da escravatura, a república, a democracia representativa, a nova democracia pós ditadura militar, a anistia) há o risco de que percamos novamente a oportunidade atual de fazermos algo realmente profundo e cabal – ou continuaremos com a costumeira ilusão de que, colocando esparadrapos, curamos a ferida que gangrena a vida social já por tanto tempo.

Antes de qualquer iniciativa nova, o PT – que hegemonizou o processo novo na política brasileira – deve fazer o que até agora nunca fez: uma autocrítica pública e humilde dos erros cometidos, de não ter sabido usar do poder realmente como instrumento de mudanças – e não de vantagens corporativas – e de ter perdido a conexão orgânica com os movimentos sociais. Precisa fazer o seu mea-culpa, porque alguns – com poder  traíram milhões de filiados por ter maculado e rasgado sua principal bandeira: a moralidade pública, e a transparência em tudo o que faria. Aquele pequeno punhado de corruptos e de ladrões do dinheiro público, dentro da Petrobrás – que atraiçoaram os mais de um milhão de filiados do PT, e envergonharam a nação – deverão ser banidos da memória.

Cito frei Betto, que esteve dentro do poder central e que ideou o (Programa) Fome Zero. Ao perceber os desvios, deixou o governo comentando: ”O PT, em 12 anos, não promoveu nenhuma reforma da estrutura nem agrária nem tributária nem política. Havia alternativa para o PT?. 



Sim, se não houvesse jogado a sua garantia de governabilidade nos braços do mercado e do Congresso; se tivesse promovido a reforma agrária 
 de modo a tornar o Brasil menos dependente da exportação de commodities – e favorecido mais o mercado interno; se ousasse fazer a reforma tributária recomendada por Piketty  priorizando a produção e não a especulação; se houvesse, enfim, assegurado a governabilidade, prioritariamente pelo apoio dos movimentos sociais, como fez Evo Morales na Bolívia… Se o governo não voltar a beber na sua fonte de origem – os movimento sociais e as propostas originárias do PT – as forças conservadoras voltarão a ocupar o Planalto”.

E agora concluo eu: temos posto a perder a revolução pacífica e popular feita a partir de 2003, quando ocorreu não a troca do poder, mas a troca da base social que sustenta o Estado: o povo organizado, antes à margem e agora colocado no centro. O PT pode suportar a rejeição dos poderosos. O que não pode é defraudar o povo e os humildes, que tanta confiança e esperança colocaram nele. E muitos  como eu e Frei Betto, que nunca nos inscrevemos no PT (preferimos o todo e não a parte que é o partido) mas, sempre apoiamos sua causa, por vê-la justa e afim às propostas sociais da Igreja da Libertaçã sentimos abatimento e decepção. Não precisava ser assim. E foi pela imoralidade, pela falta de amor ao povo e pela ausência de conexão orgânica com os movimento sociais.
Nem por isso desistiremos. No espectro político atual, não vislumbramos nenhum projeto que fuja da submissão ao capitalismo neoliberal, que faça a sociedade menos malvada, e que apresente lideranças confiáveis que tornem melhor a vida do povo. A vida nos ensina, e as Escrituras cristãs não se cansam de repetir: quem caiu, sempre pode se levantar; quem pecou, sempre pode se redimir, depois de clara conversão para o primeiro amor. Até se diz que quem estava morto pode ser ressuscitado, como Lázaro e o jovem de Naim.
O PT tem que recomeçar lá em baixo, humilde e aberto a aprender dos erros e da sabedoria do povo trabalhador. Valem ainda os ideais primeiros: inclusão social de milhões de marginalizados; desenvolvimento social, com distribuição de renda e redistribuição da riqueza nacional; cuidado para com a natureza, com seus bens e serviços ameaçados; e a sempre ansiada justiça social. Mas tudo isso não terá sustentabilidade se não vier acompanhado por uma reforma política e tributária, e por pesado investimento na agroecologia, na impossibilidade atual de se fazer a reforma agrária.

Para que isso ocorra, precisamos acreditar na justeza desta causa; fortalecer-se face à batalha que será travada contra o PT – por aqueles que vivem batendo panelas cheias – porque nunca querem mudanças, por medo de perder benefícios; mas, jamais usar as armas que eles usam – mentiras e distorções – usar aquelas que eles não podem usar: a verdade, a transparência, a humildade de reconhecer os erros, e a vontade de melhorar dia a dia, de querer um Brasil soberano e um povo feliz, não mais destinado a penar nas periferias existenciais, mas a brilhar. Vale  o que Dom Quixote sentenciou: “não devemos aceitar as derrotas sem antes dar as batalhas”.

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Créditos das imagens:

Manifestações políticas 2015 - www.2.camara.leg.br/agencia/noticias

O crisol - www.canstockphoto.com.br
Jogo de Xadrez www.canstockphoto.com.br
1º congresso do PT - csbh.fpabramo.org.br
Cartaz do PT - divulgação
Lula presidente - 2003 - www.teorianodebate.org.br
Manifestação - 2015 - Valter Campanato - Agência Brasil

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