Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

A GRATUIDADE

30 de junho de 2015




Hoje acordei com o coração preenchido de um pleno sentimento de gratidão. E de uma certeza inteira, que essa profunda e viva realidade a me acudir em momentos de inquietudes, incertezas e pequenez diante da vida é a Presença do Inefável – a divina e indizível gratuidade do Amor.



Mas... Como explicar essa Presença inominável? 
Uma percepção confortante desde os tempos de criança... 

Há quantas décadas a Tua paciência me segue com ternura, tantas escutas e perdões, essa inesgotável fonte de uma infinita compreensão  a sensação de uma  carícia benfazeja, mesmo nos graves momentos de dor... Feito um abraço amoroso e sincero, feito quando a gente se deixa abandonar ao balanço das ondas de uma maré mansa, banhando-se do sol carinhoso do amanhecer...

Não. Não estou esquecida dos tempos de chuvas fortes e das trovoadas nas  noites tenebrosas que a vida me impôs –, as invejas rasantes em certos ambientes do trabalho, o desconforto vivido na relação amorosa, os momentos de tristeza profunda que vivenciei... Como esquecer?

Mas, hoje é dia de dizer-te a Gratidão! De dizer-Te que percebo a gratuidade de tantos dons, e da saúde, e de tantas alegrias serenas!... Em especial quando contemplo o meu neto que vem crescendo em alegria e graça! Isso. A gratuidade do Amor.

E me pergunto agora: – De que modo responder a tantos dons da vida, desde a contemplação do amanhecer e do anotecer  a cada dia com um matiz luminoso, um brilho diferente – olhando daqui da minha varanda...  E o poder eu mesma preparar o meu café, pela manhã, deixar em ordem a minha cama, controlar os meus próprios medicamentos... E gostar tanto de escrever essas páginas que saem farfalhando os meus pensares mundo afora?!

A gratuidade é um valor que se aprende pouco a pouco na vida. Olhar o outro com o coração aberto  à tolerância, à compreensão, à  profunda misericórdia... Escutar com atenção, aquilo que interessa ao outro, tão diferente de mim! Acudir as necessidades que posso abraçar com o meu tempo, a minha cooperação, o meu cuidado, o meu estímulo fraterno! E prestar mais atenção porque ELE não se esconde nas nuvens claras do céu arejado de azul, nem nas imagens graciosas ou douradas dos altares... 

Só é possível ELE encontrá-Lo, de fato, naqueles que convivem comigo, nos empregados que atendem na portaria do meu condomínio, naqueles que varrem as ruas dos nossos descuidos, e que carregam o peso das coisas que o dinheiro a mais me faz comprar. 

ELE segue também pelas estradas, dentro daquele carro que está me incomodando, por trás da mesa do meu colega de trabalho, no doente que vou visitar, nas crianças que põem desordem em minha sala, nas pessoas que me atendem como "empregados domésticos"... Simples assim: em cada pessoa que encontro ELE está! 

E quando duas ou mais pessoas entram num acordo de exercitar o amor fraterno, ele está por perto. Não não de um jeito sentimental, ou com rezas especiais. Ele se achega entre as pessoas quando elas começam, efetivamente, a mudar sua mentalidade quiçá mesquinha, quiçá individualista ou acomodada. Ai sim, a  presença d´Ele é experimentada entre dois ou mais... E o peso da vida se torna leve e suave! 

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Créditos imagens:

1. Impression Solei-Levant  - Claude Monet - reprodução
Imagens 2,3,4 - www.canstockphoto.com.br 

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