Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

INFÂNCIA NO SERTÃO

25 de novembro de 2014



Não era difícil de então desvendar
Ainda menina de olhar repuxado
Da vida os encantos dos banhos de chuva
E da bica gostosa da igreja matriz
Pulando na corda traçando o cordão
Cantando em fileira ou fazendo roda
Saindo a tomar leite bom no curral 
Vaquinhas bem perto lá do meu quintal...





As primeiras bênçãos me foram chegando
Ao sabor dos bolos de goma e também
Do doce de leite e dos pirulitos
Pão doce quentinho lá da padaria
Comida gostosa de Maria Grande
Os frutos da feira a carne de bode

E os cafunés que o meu pai me pedia
E as coisas bonitas que a mãe me dizia.


Na longa manhã da minha vida a brincar
De roda, de corda ou de  pastoril
Teatro e esquetes pra o povo aplaudir
Monteiro Lobato a ler sem parar
As tantas fofocas pra ouvir e calar
E as muitas histórias às vezes medonhas
Também assombradas que a mãe me contava
Na doce cantiga que me embalava.


Bonecas bonitas compradas na feira
De pano eram feitas de pano vestidas
De roupa de chita de bico e filó  
Panelas de barro, burrinho e o que mais?
Bichinhos  pintados de azul e amarelo
De arame e de palha também se fazia
Coisas de brincar e aqueles biscuits
Quem sabe chegavam de lá de Paris?




Só para os meninos os carros de boi
E o papagaio de papel e cor 
puxado a cordão e sem nunca parar.
Carrinhos bonés petecas e botas 
Bigodes bonitos camisas xadrez 
E calças compridas iguais às do pai
As bolas de gude e de meia e o pião
A cela os cavalos e o caminhão.




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Crédito imagens : www.canstockphoto.com.br


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A POBREZA E OS POBRES

18 de novembro de 2014


Na sociedade consumista contemporânea, a porção que pode consumir para além das necessidades fundamentais  com o ganho do próprio trabalho ou com a sua riqueza – jamais está satisfeita com o que tem. Há, no entanto, uma maioria de necessitados endógenos que não fazem parte dessa porção: esses são os miseráveis  uma invenção do sistema econômico capitalista  que dependem de soluções da gratuidade social ou do beneplácito de projetos governamentais.  

A porção dos que vivem da benesse, da renda do seu trabalho ou do salário mínimo (no caso do Brasil) é atingida por uma surreal sensação consumista que os bancos, os shoppings centers e a propaganda compulsiva insistem em acelerar e infiltrar, sutilmente, como verdadeiras bombas subliminares, para que haja sempre mais consumidores, sempre mais desejo de abundância e até mesmo de ostentação. O que se constata é que os estragos poluentes dessa bomba consumista atingem, igualmente, ricos, medianos e a chamada "classe c" dos consumidores. Nós, os da classe média alta brasileira, sabemos muito bem o que isto significa. E se não cuidarmos de nos manter ligados à nossa escolha pessoal da sobriedade, mandamos “ao brejo” os nossos melhores ideais de um estilo de vida coerente com a sociedade que desejamos.


É bem verdade que a riqueza e a pobreza – nos seus significados etimológicos e linguistas de verbetes universais – assim como a felicidade e a infelicidade, o ser e o ter, o bem e o mal, o amor e o desamor são dicotomias que dependem da realidade e da cultura de cada época, de cada povo, de cada movimento, de cada grupo e, de consequência, do entendimento de cada indivíduo por esse mundo afora. Estão aí os economistas e os idealistas de todos os tempos para nos estimular, ajudar ou confundir.


Mesmo se nos detivermos apenas ao universo da história do Brasil, teremos visões geográficas, antropológicas, filosóficas, econômicas e sociológicas da “pobreza” que nos deixarão em dificuldade de encontrar a designação mais apropriada. 


Bastaria considerar nossas raízes aprofundadas no período colonial, berço do povo que hoje somos: inicialmente representado por diferentes povos indígenas, cujas tribos foram perseguidas e muitas delas dizimadas; e, mais tarde, enriquecido pela miscigenação dos índios e negros africanos com  portugueses, holandeses e franceses. Somos, portanto, um povo nascido da “colonização” e da “escravidão”, dominado por tal sentimento de submissão que, como afirma Leonardo Boff, chegamos a “assumir as formas políticas, a língua, a religião e os hábitos do colonizador português”. 


Assim continua Boff “criou-se a Casa Grande e a Senzala. Como bem mostrou Gilberto Freyre, não se tratam de instituições sociais exteriores. Elas foram internalizadas na forma de um dualismo perverso: de um lado o senhor que tudo possui e manda e do outro o servo que pouco tem e obedece”. O que gerou “a hierarquização social que se revela pela divisão entre ricos e pobres”. “Cabe recordar – enfatiza Boff  – que houve uma época, entre 1817-1818, em que mais da metade do Brasil era composta de escravos (50,6%). Hoje, cerca de 60% do povo brasileiro possui algo em seu sangue de afrodescendentes. O catecismo que os padres ensinavam aos escravos, era o da ‘paciência, da resignação e da obediência’; aos escravocratas se ensinava ‘moderação e benevolência’, coisa que, de fato, pouco se praticava”.


E conclui: “As consequências dessas duas tradições estão no inconsciente coletivo brasileiro, não tanto em termos de conflito de classes (que também existe), mas, antes, de conflito de status social. Diz-se que o negro é preguiçoso, quando sabemos que foi ele quem construiu quase tudo o que temos em nossas cidades; que o nordestino é ignorante porque vive no semiárido sob pesados constrangimentos ambientais, quando é um povo altamente criativo, desperto e trabalhador. Do Nordeste nos vêm grandes escritores, poetas, atores e atrizes. No Brasil de hoje o Nordeste é a região que mais cresce economicamente, na ordem de 2-3%, portanto, acima da média nacional. Mas os preconceitos o relegam à inferioridade”.[i] 

Compreende-se porque a pobreza não se restrinja a um conceito, mas represente a vida real de populações ‘desfuturalizadas’, sem condições de sonhar com moradia adequada, trabalho formal, escola, esgoto e saúde.
           
O economista italiano, professor Luigino Bruni, responsável internacional do projeto “Economia de Comunhão”, escreve:


" Antes de poder falar da boa pobreza é necessário olhar bem nos olhos da pobreza ruim e, possivelmente, experimentar um pouco da sua realidade. Mas, a consciência do risco sempre real de cair na retórica burguesa do louvor da boa pobreza (a dos outros, nunca conhecida nem tocada), não nos deve impelir ao ponto de cancelar uma verdade ainda mais profunda: o processo de saída das ciladas da miséria e da indigência, começa sempre por valorizar aquelas dimensões de riqueza e de beleza presentes nos ‘pobres’ que se gostaria de ajudar. Porque quando não se parte do reconhecimento desse patrimônio, quase sempre escondido, mas real, os processos de desenvolvimento e de ‘capacitação’ dos ‘pobres’ são ineficazes ou mesmo danosos, porque inexiste a estima do outro e das suas riquezas, e, portanto, falta a experiência da reciprocidade das riquezas e da pobrezas". (Grifo nosso).
       
Existem muitas pobrezas dos ‘ricos’  continua Bruni  que poderiam ser curadas pelas riquezas dos ‘pobres’, se pelo menos se conhecessem, se encontrassem, se tocassem. E se não recomeçarmos a conhecer e a reconhecer a pobreza - todas as pobrezas - não poderemos voltar a fazer a boa economia que ressurge da fome de vida e de futuro dos seus pobres“.[ii]

O pensamento de Bruni toma corpo e vida nas palavras de papa Francisco, dirigidas aos representantes de movimentos sociais de todo o mundo, recentemente reunidos em Roma:

"(...) Os pobres já não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou pretextos. Também não estão esperando, de braços cruzados, a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que nunca chegam e, se chegam, vêm com a intenção de anestesiá-los ou domesticá-los. Isto é meio perigoso. Vocês sentem que os pobres já não esperam, mas querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer...". E enfatiza: “A cultura do descarte se estabelece quando no centro de um sistema econômico está o deus dinheiro e não o homem”.[iii]


Esta é a reflexão que venho fazendo nesse período em que o brilho da "árvore de Natal" nesse nosso país tropical  e a sacola de presentes do sorridente "papai Noel" estão cada vez mais a deixar anuviada, diria quase ao esquecimento, na sociedade contemporânea, a celebração do aniversário do filho do carpinteiro que revolucionou o grande império romano.

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[i]  Boff, Leonardo."Quão cordial é o povo brasileiro?" -  In: LeonardoBoff.wordpress.com - 31.10.2014
[ii] Bruni, Luigino. La Profezia e la Ingiustizia. In: Avvenire, 27.10.2013.
[iii] Francisco, papa. Discurso aos participantes do evento "Terra" dos Movimentos Sociais de todo o mundo, reunidos no Vaticano (28.10..2014). In: HIU - Instituto Humanitas Usininos (31.10.2014).


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Créditos imagens:

1. Mesa festiva - www.recantodasletras.com.br-ceia
2. Debret - in:bahia.ws
3. Pintura:Casa Grande e senzala - mec.materialescolar-domínio-público.
4. Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), + de 20 mil participantes na capital paulista. 
     In: Carta Capital.9.06.2014. Fotografia de Alex Silva (Estadão Conteúdo).
5. João Pedro Stédile - um dos principais líderes do MST que envolve cerca de 1,5 milhão de membros, cumprimenta o papa Francisco, no Vaticano, em 28/10/2014.


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O PRESENTE E O SONHO

13 de novembro de 2014

Era tudo o que eu tinha 
o presente e o sonho
O dom da minha vida 
e a vida toda em dom


E o imenso futuro 
que eu via pela frente
Vinte anos eu tinha 
de planos e desejos
E uma luminosa decisão 
De doar-me inteira 
por um grande ideal.

O dom da minha vida 
O dom da vida inteira
Aprendendo a ouvir, 
Ouvir mais que falar
E não titubear nos momentos difíceis.


A trazer sobre mim o fardo e a dor do irmão
Partilhando da vida os melhores momentos
E aprendendo a esperar – quem sabe faz a hora,
A hora boa que só Ele sabe o quando.
                                                       

Aprendendo a crescer 
E a crescer na alegria
Na sabedoria do saber partilhado...
A partilhar a vida com toda a ousadia
De querer só querendo 
Viver na harmonia
Com os outros fazendo
O que eu melhor podia.

Quiçá...  Eu bem quisera 
Juntar os pedacinhos
Da vida eu desejava 
Levar os bons momentos
E a sonhar eu quisera 
Ainda ter comigo
Comigo os que hoje amo 
E aqueles que amei.


De herança primeira entregar o meu sonho
De herança a riqueza desse meu viver
A riqueza tamanha da escuta e do dom.




A grande riqueza 
De querer transformar
Em viver na alegria 
O que a vida me dá
E no ato em que vivo 
Um gesto de amor.

E seguir aprendendo 
A carícia maior
De amar nesta vida 
O presente e a dor
E a dor, com alegria, 
Transformar em amor!

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Poema de Vanise Rezende - www.vaniserezende.com.br

Créditos das imagens:

1. Postal - Iman Maleki - www.imanmalequi/Galleri
2. Árvoresol - Michele Bevilacqua - pintora portuguesa  residente no Brasil.

3. Por do Sol - Fotografia - GalaCaribean.Saling Challeng 



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IL PRESENTE ED IL SOGNO

Era tutto che avevo il presente ed il sogno
Il dono della mia vita e la vita tutta in dono
E l´immenso futuro che avevo davanti
Perchè allora avevo solo venti anni
Venti anni vissuti di piani e di sogni
E ancora una chiara decisione nella vita
Di offrirmi intera per un grande ideale.

Il dono della mia vita la mia vita in dono
Imparando ad ascoltare più che a parlare
A non esitare nei momenti più difficili
E a portare su di me il peso 
e il dolor dell´altro
Dividendo della vita i migliori momenti
E imparando a sperare – chi sà fa la ora
La buona ora che sol Dio sa il quando...


Imparando a crescere e crescere nella gioia
E nella sapienza del sapere condiviso...
A condividere la vita con tutta l´audacia
Di voler sol volendo il vivere in armonia
Con gli altri facendo il che meglio sapevo.

Chissà ... Come vorrei unire i pessettini
Della vita aggiuntare i più belli momenti
E a sognare io vorrei ancora aver con me
Con me quanti ora amo e quelli che ho amato
E tornare ad amarli come ho amato allora.

E come eredità donare questo sogno
In eredità la ricchezza del mio vivere

La colma ricchezza dello ascolto e del dono.

La colma ricchezza di voler trasformare
In vivere nella gioia il che la vita mi dona.

Nell´atto in cui vivo – un gesto di amore
E seguire imparando l´eredità divina
Dell´amare nella vita il presente e il dolore
E il dollore con gioia trasformare in amore!





Crediti delle immagini:
1Postale - Iman Maleki - www.imanmalequi/Galleri
2. Arvoresole - Michele Bevilacqua - pittrice portoghese residente in Brasile.
3. Tramonto - Fotografia - GalaCaribean.Saling Challeng 











SULL´ONDEGGIARE DELLA VITA

7 de novembro de 2014

A Lela, Verinha e Carlinha,
 nella gioia di essere ancora qui con voi,
e augurando che voi continuate coltivando l´arte di vivere!


Da piccole loro hanno imparato – nell´ondeggiare della rete e nella voce ritmata e soave della madre – ad amare i canti poetici di Toquinho, Vinícius e Chico Buarque  e i versetti salticchianti e vivaci della poetessa Cecília Meireles.

Era piacevole sdraiarsi con loro nella rete, tutte tre prese a me a chiacchierare felici: certa volta abbiamo musicalizzato dei versi di Cecília Meireles, il che ci  ha portato immensa gioia: ancora oggi sappiamo cantare i poemi “L´ecco”  e  “Sia questo o quell´altro”.

Così loro imparavano a conoscere la melodia poetica e la bellezza iconoclasta che ammiravamo nei grandi libri che la mamma appriva perchè conoscessero in trat
to e in bellezza un altra forma di poetare e di cantare la vita.




Più tarde, molto più tarde ho sognato che loro, adesso apprendiste dei 
versi e dei canti di ninnananna per Artur (il nipote che era arrivato)  –  come se fossi in quella terrazza  così ampia e piena di luce della casa di Olinda, come se fossi nella brezza fresca davanti all´alberello che cresceva in giardino, come si stessero  scalze sopra il cemento liscio e freddo, come si adesso potessero slasciarsi intere sopra i cuccini  collorati  del lungo sdraio, e come si ancora potessero vedere la loro stanza dalle grandi  finestre apperte  venivano ora poetare nelle onde della invenzione della memoria, della volontà di innondarsi  un´altra volta d´incanto e di bellezza, perchè la vita si era fatta reale, il lavoro era esigente, le bambine adesso avevano bisogno di rannicchiarsi in poesia e  collore.   











In un primo momento loro hanno deciso di scrivere delle frasi e dei versetti ricordati di allora, e si sono messe a metterli così in pezzi di carttoni di diversi collori, a formare una allegra coperta di ritagli. E copiavano quello che ora sapevano parlare di se... 

Ognuna espressava quello che sentiva e quello che ricordava nel cuore, quello che avevano bisogno di rievocare.





In un secondo momento, vicino alle frasi, illustrando le frasi, loro collavano delle foto dai tempi di allora, che parlavano di quei   
pensieri e li tornavano più belli di rievocare...








In un terzo momento loro cercavano di  scrivere versetti,  robe poetiche ritmate con ternura e bellezza, per dire la gioia di vivere  questa memoria, così rica dalla carezza  dello affetto che hanno avuto nell´infanzia. 


Dopo contemplare quello che avevano fatto, hanno mescolato frasi e versi per creare una composizione finale, quase un manifesto di immagini e di parole, di  sguardi e di sussurri dalla più pura poesia, nella ricerca di esprimere semplicemente quella vita.


Crediti immagini:
     - archivio del blog.







 



































AO BALANÇO DA VIDA

 A Lela, Verinha e Carlinha,
 na alegria de estar ainda por aqui com vocês, e no desejo que vocês continuem cultivando, com carinho e cuidado, a arte de viver!

Desde pequenas elas curtiam o balanço do mar, e das folhas dos coqueiros... E aprenderam – no balançar da rede, no colo da mãe – as cantigas poéticas de Toquinho, Vinicius e Chico, e os versos saltitantes e alegres de Cecília Meireles.



Era muito gostoso se balançar com elas, as três agarradinhas a mim, a jogar conversa fora: certa vez chegamos a musicalizar uns versos da Cecília, ao nosso bel prazer: ainda hoje sabemos “cantar” os poemas “O eco” e “Ou isto ou aquilo”.          
                               



Assim, elas aprendiam a gostar da musicalidade poética e da beleza iconoclasta que admiravam nos grandes livros que a mãe abria, para que conhecessem, em traços e cores, em figura e beleza outro jeito de poetar e de cantar a vida.





Mais tarde, bem mais tarde, sonhei que elas. já aprendizes de versos e de cantos para ninar o primeiro neto, Artur, juntavam-se de novo e – como se fora naquela varanda tão ampla e cheia de luz da casa de Olinda, como se fora na brisa fresca diante do pau-brasil que crescia no centro do jardim, como se estivessem de pés descalços no cimento liso e frio, como se agora ainda pudessem se esticar, inteiras, sobre as almofadas coloridas do assento em “L”, e como se ainda pudessem enxergar o quarto da esquadria aberta das grandes janelas – vinham de novo poetar ao balanço da invenção e da memória, da vontade de se banharem outra vez de encanto e beleza, porque a vida se tornara real, o trabalho era exigente, as crianças de agora precisavam de poesia e de tons, de cantigas e de aconchego.

Num primeiro momento elas decidiram escrever frases e canções lembradas de então, e se puseram a pregá-las assim, em pedaços de cartolina de diferentes cores e tamanhos, a formar uma alegre colcha de retalhos. E   copiavam do rascunho das memórias do afeto o que agora sabiam que falava    de si...  Cada uma expressava o que sentia e o que lembrava, o que precisavam lembrar. 

Num segundo momento, ao lado das frases, ilustrando as frases elas colavam fotos dos tempos de então, que também falavam daqueles pensares tornando-os mais bonitos de lembrar...

Num terceiro momento elas cuidavam de escrever versetos  e quadras, dizeres poéticos  ritmados com ternura e beleza para falar da alegria de viver essa memória tão rica do carinho e da riqueza que havia na infância que tiveram.


Depois de contemplar o que haviam feito, elas mexeram nas frases e nos versos, de modo a engendrar uma composição final, quase um manifesto de traços e dizeres, olhares e ais da mais simples poesia, em busca de uma expressão singela daquela lembrança e daquela vida.








































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