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OS PAPAS - FICÇÃO DOCUMENTAL DE QUALIDADE E HUMOR

6 de dezembro de 2019

Anotem. Para os amantes da sétima arte e, especialmente, do Papa Francisco, a Netflix estará disponibilizando um delicioso filme, assinado por Fernando Meirelles, a partir do dia 20 deste mês de dezembro. Anthony Hopkins faz o papel de Papa Francisco e Jonathan Pryce é o Papa Bento XVI no filme. A revista Carta Maior nos presenteou com a excelente crítica do jornalista, escritor, pesquisador e crítico de cinema, Carlos Alberto Mattos, na sessão de Arte/Cinema. Divirtam-se!

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Fumaça branca para Fernando Meirelles
Com as bênçãos de dois grandes atores, o diretor paulista fez seu melhor filme desde 'Cidade de Deus'

Por Carlos Alberto Mattos
Carta Maior 

Dois Papas (The Two Popes) tinha tudo para ser um “bifão” de teatro filmado, já que a peça original do neozelandês Anthony McCarten se vale apenas dos diálogos imaginados entre Bento XVI e o futuro Papa Francisco. Mas eis que, para surpresa geral, o filme de Fernando Meirelles resulta numa obra dinâmica e cativante do começo ao fim. Estreia na Netflix em dezembro.

McCarten (autor dos roteiros de A Teoria de Tudo sobre Stephen Hawkings, O Destino de uma Nação sobre Winston Churchill e Bohemian Rhapsody sobre Fred Mercury) também escreveu o romance The Pope sobre a mais insólita sucessão papal dos tempos modernos. O roteiro de Dois Papas bebeu igualmente dessa fonte, como dá a entender o primeiro ato sobre a eleição de Joseph Ratzinger, em 2005. Existem muitos filmes sobre papas, mas não me lembro de já ter visto os cardeais atuando como políticos daquela maneira. A batalha de egos e a divisão entre conservadores e reformistas se desenham entre finas observações visuais sobre a ritualística do escrutínio papal.

Sete anos depois, Jorge Bergoglio está pedindo aposentadoria do cardinalato. Bento XVI o convoca ao Vaticano para dissuadi-lo. Inicia-se, então, o debate entre as respectivas visões da Igreja. O ortodoxo Ratzinger não concorda com as posições avançadas de Bergoglio sobre política, diversidade sexual e preferências musicais. Assobiar Dancing Queen do ABBA no mictório da sede papal não lhe parece adequado para alguém que já concorreu ao trono máximo do Catolicismo.

As divergências entre os dois preenchem longos e divertidos diálogos, interpretados com sutilezas primorosas por Anthony Hopkins e Jonathan Price – este praticamente um sósia de Bergoglio. O argentino é a estrela de fato, pois o filme se ocupa de relatar seu passado, quando trocou a namorada pela carreira jesuítica. Abandonou o amor terreno, mas não a paixão pelo tango, o futebol e o vinho.




O equilíbrio entre os dois personagens se estabelece sem maniqueísmo. Ratzinger é mostrado como um homem vaidoso (“Na música eu não seria infalível”), alienado do mundo real e cúmplice de abusos sexuais no clero. Ainda assim, é humanizado pelo reconhecimento de suas dúvidas e fragilidades, de sua solidão e até, num momento de descontração na residência de verão em Castelgandolfo, por tocar música de cabaré ao piano. O Bento do filme, aliás, não dissimula uma certa inveja da popularidade de Bergoglio. Este, por sua vez, tem desvendada em flashbacks sua omissão durante a ditadura argentina e sua proximidade com a cúpula militar. No auge da perseguição à esquerda, pretendendo proteger o seu “rebanho”, o jovem Bergoglio (Juan Minujín) deixou os combatentes colegas jesuítas à mercê da repressão.

A ideia de mudança, a princípio repudiada pelo bávaro Ratzinger e celebrada desde muito pelo portenho Bergoglio, é o mote dramatúrgico predominante em DOIS PAPAS. Mesmo que seja a mudança como penitência, aquilo que levou o cardeal argentino a dedicar-se às favelas, misturar-se com o povo e rejeitar o fausto da Cúria Romana. A cena em que Ratzinger pede para confessar-se com Bergoglio representa o clímax de todo um processo entre os dois e abre as portas para a grande mudança que viria com Francisco. O teor ficcional, assumido claramente no texto de McCarten, não prejudica o sentido real que aquela sucessão, afinal, assumiu.

Além do texto e das interpretações, há muito mais para se deliciar com o filme. A trilha sonora, por exemplo, parece emergir do imaginário musical de Bergoglio, com Beatles, pílulas de jazz e, por supuesto, tango e bolero. A direção de arte tem papel de destaque na reprodução da Capela Sistina e outros recintos papais, assim como na ênfase colocada em vestes e objetos. A fotografia de César Charlone realça a suntuosidade do Vaticano e o aspecto sombrio dos flashbacks. A montagem de Fernando Stutz imprime dinamismo às sequências mais sóbrias e maneja com propriedade os tempos da narrativa. Quanto à direção de Fernando Meirelles, orquestrando todos esses elementos com precisão, basta dizer que, a meu ver, é o seu melhor trabalho desde Cidade de Deus.


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Fonte do texto:
https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cinema/Fumaca-branca-para-Fernando-Meirelles/59/45710

Datado de: 4/06/2019

Ver: Trailer Filmes Now HD em: https://youtu.be/CZKhh9L24e0

Crédito das Imagensinseridas no artigo aqui reproduzido.






Para conhecer melhor o autor desta matéria, 
veja O Blog do autor em:
https://carmattos.com/about/

















CONSCIÊNCIA NEGRA - PRESENÇA NA CULTURA BRASILEIRA

26 de novembro de 2019

Neste mês de novembro, que já está por terminar, inúmeros blogueiros e  outras publicações brasileiras veem comemorando o mês da Consciência Negra. O dia 20 de novembro foi instituído pela lei federal 12.519 de 2011 – quando era presidente do país Dilma Rousseff – como o Dia Nacional da Consciência Negra. 

Trata-se de uma data comemorativa da morte do escravo negro Zumbi, escravo ativista do Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Ali protegiam-se escravos fugitivos de fazendas da região. Zumbi dos Palmares morreu em 1695. Este ano, centenas de municípios comemoraram oficialmente esta data. Embora continuemos sem enxergar bem o que comemorar...

Assim foi com a paraibana e sindicalista rural Margarida Alves. Assim foi com Marielle Alves e seu motorista.  Assim foi com Moa do Katendê e tantos, tantíssimos mais, dia após dia, como nos comprova o relatório final da CPI do Senado, em 2016, sobre o Assassinato de Jovens no país, que registrou 23.100 assassinatos de jovens negros de 15 a 29 anos. Foram 63 por dia. Um a cada 23 minutos. São graves registros de perseguição e preconceito. De desleixo grave à Constituição e ao andamento dos processos judiciais. Na grande maioria são vítimas anônimas - violências fratricidas contra os brasileiros mais vulneráveis da sociedade, sendo a maioria jovens negros e pardos. (1) 

estatísticas recentes do IBGE com dados sobre a população negra do país. Os leitores podem verificá-las, e conhecer outros dados relativos às oportunidades tiradas à maioria desses nossos compatriotas. Embora, ali também se registre o avanço de negros e pardos na área da educação, chegando a 50% da população universitária no país. Mas, ainda não é tempo para celebrar. Sabe-se muito bem que os profissionais negros recém-formados não contam com as mesmas oportunidades oferecidas à população branca que termina seu curso universitário. (2) 

Atualmente, a Câmara dos Deputados, em Brasília, mostra o que significam dados como esses, numa exposição comemorativa do Mês da Consciência Negra. Entre os itens da exposição, a curadoria da casa colocara um quadro, com uma charge do cartunista Carlos Latuff, representando o assassinato de um jovem negro por um policial, como vem acontecendo de forma acintosa no país. A sua arte intitula-se: “O genocídio da população negra”. (3) 

 
 Charge de Carlos Latuff, exposta na Câmara dos Deputados, em Brasilia-DF  


No dia 19 do mês corrente, o Coronel Tadeu – deputado federal do PSL –destruiu o quadro exposto diante dos seus pares. O que significou um extremo alarme de discriminação, até mesmo entre pessoas eleitas para representar a população brasileira como um todo. O seu gesto ignorante e malévolo foi denunciado. E houve protestos por parte de vários deputados, que exigiram a reposição do quadro, o que foi providenciado. (4) 

Um dos organizadores do protesto, o deputado David Miranda (Psol-RJ) disse ao “Brasil de Fato” que a manifestação amplia o fortalecimento do processo de resistência dos representantes negros na Casa. Embora sejam apenas 21 deputados autodeclarados negros, num total de 513 membros. Um percentual de 4,09% da legislatura 2019/2022.

“É muito importante para que a gente possa reafirmar que este espaço aqui é um espaço negro, também, e que a maioria da população brasileira ainda não está representada aqui. Nós estamos aqui resistindo, assim como eles (negros e negras) estão resistindo lá do lado de fora, nas periferias, nas favelas, em todos os lugares, nesta sociedade que é racista, misógina e LGBTfóbica”, afirmou o deputado David Miranda, em tom emocionado. (5)


Hoje, nosso intuito é fazer um aceno à riqueza da diversidade e à grandeza da contribuição que o povo afrodescendente aportou, e ainda vem promovendo no país, em múltiplas áreas da cultura brasileira. Não seria possível registrar os nomes e feitos mais representativos. Portanto, de antemão reconhecemos que o leitor encontrará ausências de muitas figuras que deveriam ser lembradas. Apontaremos apenas alguns nomes de pessoas de excelência na sua área de atuação, e que têm assumido, com dignidade, a consciência negra como uma atitude de vida. 

ANTÔNIO PITANGA – ainda atuando aos 80 anos, o diretor e ator Antônio Pitanga no momento está dirigindo o filme intitulado “Malês”, que traz no elenco seus filhos Camila Pitanga e Rocco. O tema do filme é a Revolta dos Malês, como ele noticia no Programa Conversa com Bial, em 19/11/2019: “Eu trato do maior e mais importante levante que aconteceu no Brasil, em 1835. Foram negros que falavam árabe, eram mouros, e tinham conhecimentos da física, da engenharia... Os negros que para cá vieram eram de uma sapiência. Eles tornaram-se escravos pelo colonizador, pela maneira com que eles tomaram de assalto e sequestraram os negros. Eu vou contar esse levante que é importante para que a gente possa saber um pouco da história”. (6)

RUTH DE SOUZA - Ícone da dramaturgia com mais de 70 anos de carreira, a trajetória marcante da atriz Ruth de Souza abriu portas para os artistas negros no cenário artístico brasileiro. Foi a primeira atriz negra a atuar como protagonista na TV Brasileira, em A Cabana do Pai Tomás (1969). Ruth também fez história ao ser a primeira atriz negra a representar no “Theatro Municipal” do Rio de Janeiro, no dia 8 de maio de 1945, em “O imperador Jones”, de Eugene O’Neil, numa montagem do Teatro Experimental do Negro, grupo fundado por Abdias Nascimento e Agnaldo Camargo. A grande atriz morreu em julho deste ano, com 98 anos. (7)


MILTON NASCIMENTO
– compositor maior e menestrel da MPB, sua poesia tomou o mundo e o coração de milhares de pessoas, misturando humanidade e sensibilidade, literatura e música, com seu timbre único em beleza e arte. (8)


BENEDITA DA SILVA – deputada federal filiada ao PT pelo Rio de Janeiro, eu a acompanho e admiro desde muitos anos, por sua fidelidade às camadas mais vulneráveis do país. Foi ela quem propôs o projeto de tornar os empregados domésticos trabalhadores com direitos iguais aos outros. É uma mulher inteligente, bem informada, e sabe falar com os pés no chão, a mão na ferida, o cuidado sensível da mulher, e, quando é necessário, denuncia com coragem  os malfeitos na gestão pública. (9) 


LÁZARO RAMOS – é ator, cineasta, apresentador, escritor e diretor que perfaz uma rica biografia, com uma lista de incontáveis e importantes trabalhos que dignificam sua carreira artística, iniciada no Bando de Teatro Olodum até ser âncora do Fantástico, de 1998 a 2002. Em 2002 ganhou notoriedade ao interpretar João Francisco dos Santos no filme Madame Satã. Em julho de 2009, foi nomeado embaixador do UNICEF. No mesmo ano foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano. Ainda em 2009, foi o apresentador da 5ª edição do prêmio BRAVO! Prime de Cultura. Em agosto de 2019 ele foi homenageado no festival de Gramado com o Troféu Oscarito. Impossível reproduzir aqui as grandes conquistas, artes e feitos da sua carreira, inclusive na literatura. (10)

Arrisco dizer que a melhor coisa que Lázaro Ramos fez na vida foi no amor, quando TAÍS ARAÚJO ele se encontraram. Em outubro de 2015, os dois atores estrelaram estrelam o seriado Mister Brau. Em 2016, no cinema, Lázaro Ramos viveu seu primeiro vilão, o sanguinário Nenê do suspense Mundo Cão. Neste ano de 2019, mais uma vez Lázaro Ramos volta a dirigir e encenar, ao lado de Taís Araújo, o drama O Topo da Montanha, de Katori Hall, com tradução de Sílvio de Albuquerque. O espetáculo imagina as últimas horas de vida do líder dos direitos civis norte-americanos Martin Luther King Jr. Taís Araújo também está atuando na recém iniciada novela "Amor de Mãe", ao lado de Regina Casé. (11) 

MARCELO BARROS – religioso nordestino da ordem beneditina, o caro amigo Marcelo é um caminhante divulgador de uma espiritualidade que expressa "As Teologias da Libertação para os Nossos Dias" - de acordo com o título do seu último livro publicado pela Editora Vozes. Quando se expressa, na fala e na escrita, o "Irmão Marcelo" - como ele gosta de ser chamado - abrange o homem inteiro e seus anseios, e os grupos humanos que sofrem a negação do amor, a pobreza de oportunidades iguais para todos e a grave ausência da justiça social. É disso que Marcelo reflete, fala e escreve no seu blog e nos seus muitos livros. Tem uma vida nômade, para acudir ao chamado das comunidades humanas que acolhem a sua palavra iluminadora e cheia de compaixão, mundo afora.(12)

GRACE PASSÔ - Dramaturga, atriz e diretora premiada, a atriz e diretora belo-horizontina chama a atenção do público e da crítica desde sua primeira peça. Integrou a Cia. Clara, em Belo Horizonte, antes de fundar o grupo Espanca! Atua de forma independente em projetos variados. Em 2017 ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio, por seu trabalho no filme "Praça Paris", de Lucia Murat.  (13)

GILBERTO GIL – Também aqui o nosso espaço torna-se restrito, para uma vida tão rica de feitos e beleza.  Sua presença muito querida, sua obra de excelência poética e musical, é um poço imerso na cultura negra afro baiana e brasileira. Gilberto Passos Gil Moreira é  cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor cultural e homem político, tendo assumido o cargo de Ministro da Cultura no período de 2003 a 2008.  É vencedor de prêmios Grammys Americano, Grammy Latino, premiado pelo governo francês com a Ordem Nacional do Mérito (1997). Em 1999, foi nomeado "Artista pela Paz", pela UNESCO. Gil também foi embaixador  da  ONU  para  agricultura e alimentação. Em mais de cinquenta álbuns lançados, ele incorpora a gama eclética de suas influências, incluindo rock, música africana e reggae e outros gêneros tipicamente brasileiros. (14)


KATEMARI ROSA – gaúcha, desde criança, foi apaixonada pelas estrelas e sonhava em alcançá-las. Estudou física na  UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É mestre em filosofia e em história das ciências pela Universidade Federal da Bahia, e doutora em Ciências pela Columbia University in the City of New York (EUA). Em 2015, a Prof. Katemari Rosa iniciou a pesquisa "Contando nossa história: Negras e Negros nas Ciências, tecnologias e engenharias no Brasil", com o intuito de criar um banco de histórias protagonizadas por cientistas negros brasileiros. Trabalha na UFCG - Universidade Federal de Campina Grande. (15) 



CONCEIÇÃO EVARISTO – Mestra em Literatura Brasileira pela PUC do Rio, e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, publicou seis livros ao longo da carreira e já venceu o Prêmio Jabuti de Literatura Brasileira. Aos 71 anos, a mineira optou por uma espécie de anticandidatura para a cadeira de Nelson Pereira dos Santos na Academia Brasileira de Letras. Sua derrota era esperada: havia entrado na disputa no intuito de expor a falta de representatividade negra e feminina na centenária academia. Recebeu apenas um voto. “Tá faltando preto na Casa de Machado de Assis”, teria declarado a jornalista carioca Flávia Oliveira(16)

Haveria muito mais e mais, para mostrar aqui. No processo das pesquisas que fiz, das reportagens que li, dos blogs e jornais que visitei, chegaríamos a uma excelente enciclopédia exclusiva, sobre a presença de pessoas negras ilustres – até mesmo com alguns feitos e virtudes invejáveis para qualquer outra cor ou raça humana. Como escrevi acima, esta foi apenas uma amostragem sobre pessoas maravilhosas, que marcam presença e dão o seu recado em alguns setores da sociedade brasileira atual. Finalizaremos com uma mulher carioca que atua fora do Brasil. 

KENIA MARIA – ativista brasileira, e carioca consagrada como uma das cem mulheres mais influentes do mundo. Defensora da ONU-Mulheres Negras, “aos 41 anos Kenia tem uma trajetória de mais de duas décadas como uma voz atuante no combate ao racismo e ao machismo: nascida no subúrbio, foi integrante de um dos primeiros blocos afro do Rio de Janeiro, o Òrúnmilá, atuou no Afroreggae e ainda aos 18 começou a trabalhar na comunidade com meninas vítimas de violência” – assim escreve a jornalista Camila Camargo, apresentadora do  programa “Negra, Sim”, da plataforma Donna. Para conhecer a importância do trabalho de Kenia Maria, vejamos uma das respostas que ela dá na entrevista a Camila:  

Como é ser uma porta-voz em um momento em que as mulheres estão no centro de tantos debates?

Kenia Maria - “O meu trabalho é muito focado na década do afrodescendente e no apoio à Agenda 2030, com a qual a ONU Mulheres está supercomprometida por meio do lançamento da iniciativa global “Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”. Tive a oportunidade de conhecer lideranças feministas e acompanhei alguns debates promovidos pela ONU em Brasília. É necessário combater o racismo e o machismo na base, e a base somos nós”.

“É uma grande responsabilidade estar neste lugar. Para entender melhor a minha posição nessa luta, lembro de Luiza Bairros, gaúcha que atuou como ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Brasil entre 2011 e 2014, da vereadora carioca feminista assassinada neste ano, Marielle Franco, da antropóloga feminista mineira Lélia Gonzalez, da cantora carioca Elza Soares e de quando começou toda essa organização política protagonizada por mulheres negras. A base da pirâmide social começa a se mover, e a equidade de gênero será uma exigência inegociável da próxima geração de mulheres no Brasil. “Os homens precisam entender que equidade de gênero é o único caminho para combater a desigualdade e garantir o crescimento socioeconômico de uma sociedade”. (17)

Finalizo, com uma singela homenagem - na imagem de abertura da ilustre nordestina LIA DE ITAMARACÁ - a todas as mulheres que sabem abraçar a vida na arte e no amor, na dança e no passo, disseminando alegria e prazer de viver. 

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Créditos das Imagens:

1. Lia de Itamaracá - www.uiadiario.com.br

2. Reprodução da charge de Carlos Latuff, na exposição da Câmara dos Deputados https://www.brasildefato.com.br/2019/11/20/manifestantes-

3. David Miranda - Câmara dos Deputados - Psol/RJ - 205548.jpg


5. Ruth de Souza - www.hojeemdia.com.br.jpg

6. Benedita da Silva - Câmara dos Deputados - PT/RJ - 73701.jpg

7. Taís Araújo e Lázaro Ramos - Cena de: O Topo da Montanha 
www.csm.otopo_c3df6f3c26.jpg

8. Marcelo Barros - www.rainhamaria.com.br.jpg

9. Gilberto Gil - pt.wikpedia.org.jpg

10. Katemari Rosa - YouTube.com.br.jpg

11. Conceição Evaristo - www.csm_conceicao_evaristo_divulgacao.jpg

12. Kenia Maria - www.nacoesunidas.org.jpg


Nota: As imagens aqui postadas pertencem aos seus respectivos autores. Se algum deles não estiver de acordo com a sua reprodução neste espaço, por favor comunique-se conosco, fazendo um comentário nesta postagem. 

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Para mais informações:


Fontes da pesquisa, conforme referências do texto:





[5] https://www.camara.leg.br/deputados/205548 - David Miranda


[9] Sobre Benedita da Silva – deputada federal - https://www.camara.leg.br/deputados/73701

[10]  Informações biográficas - Lázaro Ramos: pt.wikipedia.org  - Outras informações em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/depois-de-tres-anos-o-topo-da-montanha-volta-ao-tca-em-sessao-dupla/

[11] pt.wikipedia.org - Taís Araújo


[13] https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/20/conheca-8-artistas-negros-que-se-destacam-no-teatro/?cmpid=copiaecola

DIVERGÊNCIA POLÍTICA E CIDADANIA

17 de novembro de 2019

Há uma semana falamos aqui de dois grandes eventos históricos com o ex-presidente Lula - quando ele saiu saudável, sorridente  e elegante das instalações da Polícia Federal, em Santa Catarina, e diante da imensa multidão que o recepcionou em São Paulo, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, o lugar da sua iniciação política. 

Hoje, reproduzimos um artigo do The Intercept, não tanto sobre o fato em si, mas sobre as divergências políticas e o necessário exercício cidadão de, apesar das divergências, saudar as conquistas da nossa resistência democrática. 

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Você pode achar que Lula é culpado
e considerar sua soltura positiva

                                            
    Na foto acima, Lambe-Lambe com a imagem do ministro Sergio Moro segurando um        cartaz com  a escrita “Lula Livre”, na rua da Consolação, região central de São Paulo,      em 18/06/19.Foto de: Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress

Por: Rosana Pinheiro-Machado
The Intercept Brasil 


Esse não é um texto sobre o tiozão do pavê que acha que um ladrão está solto e que o próximo passo é soltar traficante e estuprador para então, finalmente, liberar a mamadeira de piroca. Esse é um texto sobre figuras “sensatas” e “isentas” que pairam acima do bem e do mal. É um texto sobre seu parente, vizinho ou colega, sobre o jornalista famoso que fica quieto diante da soltura de Lula, praticando o que agora se chama de “doisladismos”: o Bolsonaro é ruim, mas o PT também.

No debate político atual, seja na esfera privada ou pública, existe certa dificuldade de se entender que a questão chave do que está acontecendo não diz respeito ao quanto se gosta ou não do PT. Não é sobre simpatizar com o Lula ou aprovar o governo Dilma. Não é sequer sobre uma possível indignação com a corrupção do mensalão à Petrobras.

Há muito espaço – ou deveria haver – para divergências. Pode-se discutir se a soltura de Lula “piora a polarização” como as manchetes da Folha de S. Paulo e o Estadão anunciaram. Também é relevante o debate entre aqueles que acreditam que a relação com Lula é messiânica e os que defendem que se trata de gratidão. Pode-se questionar se Lula se beneficiou, ou não, de propina. Essas são muitas das questões onde o contraditório é desejável no âmbito jurídico e democrático.

O ponto fundamental aqui é uma questão de justiça histórica e princípios democráticos. Estamos falando de um circo jurídico que foi armado no Brasil quando juízes e procuradores vaidosos resolveram fazer um grupo no Telegram para condenar Lula antes do julgamento. Eles passaram por cima da constituição, fizeram conchavo entre pares e acionaram a mídia para inflar a população. Tudo isso em nome do ganho pessoal. O resultado do espetáculo da Lava jato foi fama, poder e dinheiro nas mãos de Sergio Moro a Deltan Dallagnol.

Foi um processo ilegítimo – e isso em nada tem a ver com a inocência ou culpa de Lula. A validade dos processos depende da imparcialidade dos juízes. Um julgamento independente e imparcial faz parte do código de ética da magistratura, é uma garantia constitucional e um direito humano universal. 

Comprovadamente, o julgamento de Lula foi uma farsa. Logo, não há outra postura possível além de considerar positiva a sua soltura – mesmo entre aqueles que entendem que Lula é culpado. Ele tem direito – como qualquer outro indivíduo – a um julgamento imparcial. Afinal, a lógica justiceira de que os fins justificam os meios não é aceitável numa democracia.

Senso de justiça é um valor inegociável e, portanto, o que está em jogo não é nossa avaliação ou interesses pessoais (lógica particularista) sobre tudo o que envolve o Partido dos Trabalhadores. O desafio das democracias é justamente fazer com que as partes entendam que precisam ceder suas vontades para o bem-comum.

Nossa avaliação política sobre o lulismo pouco importa neste momento crucial da história. Assim como não importava quando deveríamos ter votado com convicção em Fernando Haddad no segundo turno das eleições de 2018, pois o que estava em jogo era a vitória da extrema-direita.

Recepção ao ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, no sábado 9/11, em São Bernardo/SP. Foto de: Agatha Gameiro/ FramePhoto/Folhapress.

Doisladismo

O antipetismo precisa ser combatido na luta política – mas também no divã. Não é possível que mesmo diante de tudo que a Vaza Jato mostrou ainda se cale sobre esse processo pela pura lógica de que os fins justificam os meios ou de que se prefere Lula preso para “acalmar os ânimos”.

O doisladismo é uma praga na vida social e na esfera pública brasileira, deixando que opiniões, preconceitos e ressentimentos pessoais se sobreponham ao coletivo. Mais perigoso ainda, é que o doisladismo é praticado com uma aura de superioridade opinativa, que vê a si próprio como “neutro”, “sensato” e “democrático”. Mas, na verdade, o que está sendo acionado é uma perspectiva egoísta e antidemocrática – perspectiva esta que ajudou a eleger Jair Bolsonaro.
No fundo, o isentão é fruto do pior do radicalismo, que tanto diz repudiar. Ele vê o mundo sem nuance. Ele se cala em momentos chave.

Como disse João Filho, em sua recente coluna para o Intercept, existe, entre jornalistas, uma “obsessão em busca de uma falsa imparcialidade. Há um temor constante em ser associado com algum dos lados”. O “isentão” aponta o dedo e torce o nariz para dois lados que seriam supostamente podres e radicais. Mas não são dois lados da mesma moeda: os erros dos governos petistas não se equivalem à prática de governo bolsonarista, que repudia e tripudia as instituições democráticas enquanto exalta torturadores e o AI-5. Ao contrário do que disse o Estadão, em seu famigerado editorial, nunca foi uma escolha difícil para os justos.

O isentão é alguém viciado no elogio que recebe quando é chamado de “sensato”. Ele se nutre dessa vaidade e é refém do próprio personagem, acreditando que está sendo moderado e racional. Mas não está. O isentão é um radical do doisladismo e, na prática, isso significa o oposto da sensatez, porque sensatez refere-se ao bom-senso, ao discernimento, à precaução e à resolução de assuntos difíceis.

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Fonte do texto: 

The Intercept - 12/11/2-19

https://theintercept.com/2019/11/12/lula-soltura-positiva/?utm_source=The+Intercept+Brasil+%20lNewsletter&utm_campaign=36af9e255c-%20EMAIL_CAMPAIGN_2019_10_04_08_20_COPY_%2001&utm_medium
=email&utm_term=0_96fc3bd6d5-36af9e255c-133210961

Créditos das Imagens: 

1. Luís Inácio Lula da Silva - reprodução na www.veja.abril.com.br

2. As duas outras imagens do texto são reproduções de fotografias inseridas na matéria citada, de 12/11/2019. 

Nota: As imagens aqui postadas pertencem aos seus respectivos autores. Se algum deles não estiver de acordo com a sua reprodução neste espaço, por favor comunique-se conosco, fazendo um comentário nesta postagem. 




LULA NOS BRAÇOS DO POVO FALA À MULTIDÃO EM SÃO PAULO

10 de novembro de 2019

                       Foto de Ricardo Stuckert - reprodução da Carta Capital

                                                          
    "ESTOU COM MAIS CORAGEM DE LUTAR DO QUE QUANDO SAÍ DAQUI"

  • Comentários de: Vanise Rezende


Luís Inácio LULA da Silva – o grande estadista que colocou o Brasil entre os países mais respeitados do mundo, por sua práxis conciliadora e atenta aos sinais da solidariedade humana está de volta, nos braços do povo, falando de suas necessidades, do combate às políticas devassadoras do governo vigente,  e do seu desejo de lutar, dia após dia, para que o povo brasileiro possa reconquistar sua dignidade, e volte a ter acesso amplo à educação, ao emprego, ao bem-estar e à serenidade de viver. 


Pelo canal da TVT assisti à expectativa do povo, à espera que Lula saísse da sede da Polícia Federal em Curitiba. Era emocionante ver a ansiedade dos seus familiares, amigos e correligionários políticos. Quando ele apareceu, muito elegante e tranquilo, o vimos pouco tempo na tela. A impressão que me deu era que ele estivesse voltando de uma longa viagem, durante a qual apenas pôde dar entrevistas aos jornais e TVs do mundo, mas era privado do que lhe era mais caro: a proximidade do povo.

Seu primeiro gesto foi agradecer às dezenas de pessoas que estiveram acampadas nas proximidades da sede da Polícia Federal de Curitiba, durante todo o período em que ele esteve preso.

No dia seguinte, junto aos  sindicalistas de São Bernardo do Campo, em São Paulo, Lula teve o seu primeiro momento com uma multidão certamente maior da que o viu sair para a prisão, em 7 de abril de 2018. Além dos que seguiam o seu discurso pelos canais de TVs independentes, centenas de pessoas o recebiam no Sindicato dos Metalúrgicos de de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Ali, Lula não falava mais sozinho, e nem mesmo em nome do seu partido. Bastava observar os que lhe estavam ao redor.

Além de Fernando Haddad/PT e Boulos/PSOL, estavam presentes várias mulheres combatentes na Câmara Federal, como Benedita da Silva e Gleisi Hoffman, do PT, Luciana Siqueira e Jandira Feghali, do PCdoB. Esta última, atual líder da minoria na Câmara Federal. Várias vezes o presidente se dirigiu ao deputado federal do PSOL/RJ, Marcelo Ribeiro Freixo, e a outros políticos e sindicalistas presentes, todos eles saudados com efusão pelo ex-presidente. Entre os presentes, os mais aplaudidos pela multidão foram Fernando Haddad e Boulos, ex-candidatos à Presidência da República nas eleições passadas, além da deputada Gleisi Hoffman, presidente do PT, que fez a abertura do evento.

A fala de Lula depois de denunciar que os seus acusadores estavam mentindo – trouxe à cena política pontos importantes, que certamente voltarão nas eleições legislativas de 2020. “Estou com mais coragem de lutar do que eu lutava antes”, ele afirmou. Ainda lembrou as diferentes lutas em cada país da América Latina, com suas crises e avanços, conclamando os jovens a saíres às ruas para reivindicar emprego, educação de qualidade, lazer e justiça social, afirmando que “o povo brasileiro ficou mais pobre”.

O evento durou cerca de uma hora e meia. Algumas frases de Lula foram incisivas, e anunciavam sua visão atual sobre as políticas de oposição no Brasil de hoje.  Conclamando o povo à mobilização Lula enfatizou: “Não tem ninguém que conserte esse país se vocês não quiserem consertar” – a multidão o aplaudiu demoradamente.  E esclareceu: “Um povo como vocês não depende de uma só pessoa, mas de um coletivo”.

Uma passagem elucidativa do discurso, aconteceu após a reação das pessoas quando Lula afirmou que “esse país não merece o governo que tem”. Chegaram aos seus ouvidos alguns xingamentos contra Bolsonaro, vindos da multidão. Ao que ele calmamente retrucou: “Isso não. Não precisamos dizer palavrões contra Bolsonaro, ele já é um palavrão!” E completou: “O que nós temos que fazer é não permitir que eles destruam o nosso país!” 
         
Em outra ocasião, Lula afirmou: “Eu saio daqui sem ódio. Aos 74 anos meu coração só tem espaço para o amor, porque é o amor que vai vencer neste país!”  Por fim, convocou os deputados e senadores de oposição a serem uma presença mais proativa no Congresso, lembrando que “a luta é todo dia, todo dia!”.

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Créditos das Imagens:

1. Saída de Lula nos braços do povo, após pronunciamento em São Brnardo do Campo/SP - reprodução:  https://www.cartacapital.com.br/politica/discurso-de-lula-em-sao-bernardo-e-anuncio-de-virada-para-a-esquerda/


Nota: As imagens aqui postadas pertencem aos respectivos autores. Se algum deles não estiver de acordo com a sua reprodução neste espaço, por favor comunique-se conosco, fazendo um comentário nesta postagem. 


PRÊMIO DA PAZ ALEMÃO AO FOTÓGRAFO SEBASTIÃO SALGADO

24 de outubro de 2019













Sebastião Salgado é um dos maiores nomes da arte da expressão imagética do nosso tempo. Com o manejo articulado das lentes de sua máquina fotográfica, ele nos traz as histórias que observa de perto, com as quais se emociona e se identifica. É um fotógrafo jornalista, pois torna-se parceiro da realidade que fotografa, levando-a ao mundo, trazendo-a até nós, exercendo o seu papel político do mais mais alto nível, de cidadão que almeja o bem-comum. Suas imagens são expressões do seu olhar transparente, marcadas pelo compromisso ativo e inarredável desse brasileiro destemido, conhecedor da nossa história de lutas.  O mundo culto, comprometido com a Paz, a Vida e a Fraternização, nos aplaude, a nós brasileiros, homenageando as lentes do grande Sebastião Salgado e as letras do poeta maior Chico Buarque. Neste ano,  ambos foram agraciados com dois prêmios de excelência, que orgulham e engrandecem o nosso povo. 

Nesses dias, celebramos o Prêmio da Paz, que homenageia Sebastião Salgado. Em 28,08,2019, o jornal "El País" comenta a exposição realizada pelo fotóografo, com o título "Amazônia": 
                                          
"Esta série de imagens faz parte de Amazônia, o novo (e talvez último) projeto do fotógrafo Sebastião Salgado. Depois de seus trabalhos sobre as migrações e a natureza, Êxodos e Gêneses, o brasileiro volta às imagens antropológicas, convertidas no grito de um povo que teme por seu futuro. Os korubo vivem isolados em um mundo hiperconectado. Formam uma das etnias amazônicas do Brasil com menos contato com os não indígenas. Um aspecto que os converteu em mais vulneráveis aos ataques de madeireiros e garimpeiros, as doenças e o avanço imparável do homem na selva".

"Seus olhares fincados na câmera são a quebra de um silêncio. Os korubo, uma das etnias da Amazônia brasileira com menos contato com pessoas não indígenas, posam em grupo, em casal, trabalhando ou cortando os cabelos. Este projeto de Salgado (Aimorés, 1944) soma mais um capítulo à história de amor do fotógrafo com a região e as culturas em risco de desaparecimento, um dos eixos principais de seu trabalho. Em 2017, durante 20 dias, o artista conviveu com esta aldeia, uma das populações mais isoladas do mundo. E converteu o Vale do Javari, a segunda maior Terra Indígena do Brasil, em um estudo fotográfico".


"Amazônia sofre com política criminosa do presidente"


Sebastião Salgado recebe Prêmio da Paz, o dedica às vítimas que retratou e critica Bolsonaro, em fala de agradecimento. 

"Os povos indígenas vivem com medo. A agricultura industrial destrói cada vez mais a floresta"



Brasileiro se torna primeiro fotógrafo a ganhar um dos
 mais prestigiosos prêmios literários alemães.
Bonn (Alemanha)
21 de out de 2019 Parte superior do formulário

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que recebeu o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão no domingo 20/10, dedicou a sua conquista a todas as vítimas das tragédias que fotografou e aproveitou o discurso para novamente criticar o presidente Jair Bolsonaro.
O Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão é uma das mais importantes distinções literárias do país, premiando escritores, filósofos e cientistas desde 1950. Esta é a primeira vez que um fotógrafo recebe a homenagem, dotada com um prêmio em dinheiro de 25 mil euros (quase 115 mil reais). A cerimônia de premiação é realizada tradicionalmente no último dia da Feira do Livro de Frankfurt.
"Suas fotos desarmam, elas promovem conexão, proximidade e empatia", disse o cineasta Wim Wenders em seu discurso de homenagem ao brasileiro, acrescentando que elas são "uma obra da paz". O alemão dirigiu o documentário O sal da terra, sobre a vida e o trabalho de Salgado, que concorreu ao Oscar em 2015.
"Ele fotografa pessoas em todo o mundo forçadas a enfrentar fome, guerra e opressão, a deixarem seus lares e realizarem uma jornada ao desconhecido", ressaltou o diretor, afirmando que, assim, ele prova ser um "vidente, cuja câmera nos mostra profeticamente a perda de outros fundamentos da paz".
Em sua fala de agradecimento, Sebastião Salgado classificou sua obra como um "ensaio fotográfico", que ele começou há 50 anos e que ainda continua a complementar. "Quero compartilhar este prêmio com todos que permitiram que eu os fotografasse para que as suas tragédias fossem conhecidas pelo mundo", declarou o brasileiro.

    Sebastião Salgado - A remota aldeia dos AWA, na Amazônia. Reprodução do El País.

Ao longo do discurso, Salgado contou um pouco da trajetória que o levou a muitas partes do mundo para documentar situações extremas e depois a diversos paraísos naturais, o que fez para se recuperar do desespero após ter trabalhado como fotógrafo no genocídio de Ruanda. "Esse genocídio poderia ter sido evitado se a Europa e a ONU tivessem interferido. Todo mundo sabia o que estava acontecendo e ninguém fez nada", denunciou.
Ao falar sobre as viagens à Amazônia, Salgado voltou a criticar Bolsonaro pelas políticas relacionadas aos povos indígenas e ao meio ambiente. "A Amazônia está nas notícias agora pela política criminosa do presidente brasileiro. Os povos indígenas vivem com medo. A agricultura industrial destrói cada vez mais a floresta", analisou.
Apesar de todas as situações críticas que já presenciou, Sebastião Salgado disse que continua tendo certa esperança porque "o futuro do planeta está nas nossas mãos".
"Não podemos negar o dano que podemos fazer, pois o ser humano pode ser um lobo para o homem. Mas o futuro do planeta está nas nossas mãos", argumentou.



   AFP/D.Rolling
De acordo com o prestigiado fotógrafo, o prêmio recebido neste domingo reconhece um trabalho desenvolvido durante quase 50 anos e toda a sua vida. "Corrijo-me, a nossa vida. A de Lélia (Wanick Salgado, mulher do fotógrafo) e eu. Tudo o que fiz não teria sido possível sem Lélia. Ela me levou à fotografia, ela editou os meus livros, ela me devolveu a esperança e salvou a minha vida quando voltei de Ruanda", comentou.
Entre outras personalidades distinguidas com o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão estão Margaret Atwood (2018), Susan Sontag (2003), Václav Havel (1989). Albert Schweitzer (1951), Hermann Hesse (1955), Astrid Lindgren (1978), Siegfried Lenz (1988), Mario Vargas Llosa (1996), Martin Walser (1998), Jürgen Habermas (2001), Orhan Pamuk (2005) e David Grossman (2010).
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Fonte dos textos:

Do Jornal El País, em 28 de agosto de 1918:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/10/eps/1533894534_470404.html

Do Portal Operamundi, em 21 de outubro de 2019:
https://operamundi.uol.com.br/meio-ambiente/61111/amazonia-sofre-com-politica-criminosa-do-presidente
Crédito das Imagens:

1 - Fotografia de Sebastião Salgado - www.elpais_noticia_relacionada_jpg
2 - Capa Livro Revela-te, sobre Chico Buarque - www.resenhando,com.jpg
3 - Prêmio - Sebastião Salgado Agradece Prêmio recebido. AFP.D.Roland
4 - Amazônia - www.elpaís.noticia_relacionada.jpg - A remota Aldeia dos AWÁ.
5 - Amazônia - fotografia de Sebastião Salgado - 
https://www.rollingstone.com/culture/culture-features/sebastiao-salgado-photography-brazil-amazon-jungle-javari-valley-699825/

Nota: As imagens aqui postadas pertencem aos respectivos autores. Se algum deles não estiver de acordo com a sua reprodução neste espaço, por favor comunique-se conosco, fazendo um comentário nesta postagem. 





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