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NATAL: A PRESENÇA E OS PRESENTES - AMPARO CARIDADE

18 de novembro de 2017

Desde 2010, a cada mês de novembro, dia 16, quando se celebra o aniversário de Amparo Caridademais se aprofunda  a  minha  alegria de termos construído, por longo tempo, um laço profundo de amizade. 

Conhecida por suas palestras e entrevistas sobre questões da sexualidade humana, era antropóloga e escritora, professora e incentivadora do Mestrado de Psicologia da Unicap e, para mim, amiga e irmã, cuja morte foi dolorosamente antecipada. Ao vê-la viver  em momentos brincantes, viajando juntas, cooperando na produção de seus dois últimos livros e, mais tarde, com a sua intensa presença, quando se preparava à anunciada morte   fui uma aprendiz do seu amor à vida, da sua verdade, e da altivez como enfrentou,  junto à família e aos amigos, o que a vida lhe pediu.

Hoje estive folheando o seu livro “Caminhos e Caminhantes”, e encontrei uma crônica que, na proximidade com as festividades deste fim de ano  pode nos ajudar a refletir sobre o sentido das nossas escolhas, nos dias em que vivemos.  Segue a crônica.

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Nós e o Natal
Por: Amparo Caridade

"Aprendemos sobre o Natal que é celebração do amor, que é desejo de paz e de amizade. Em torno disso, inventaram-se rituais. O homem é um ser de rituais. Isso é antropológico. Há ritos para o nascimento, para os diversos momentos da vida e para a morte. O Natal é um desses momentos em que ritualisticamente nos (re)unimos em família, em torno da mesa para o jantar, para os abraços, para os perdões e para a troca de presentes.

O aniversário do menino de Belém torna-se o motivo em torno do qual as pessoas exercitam maior aproximação, maior democracia de gestos e de emoções. O ritual encenado, o jantar, as preces, as luzes, os presentes, podem servir a esse fim. Unir, juntar, reunir as pessoas que se querem mais próximas. Um livro muito especial de Tereza Haliday, “Celebrações”, contém ritos preciosos para diversos momentos da vida.

Receio que tenhamos deslizado do ritual para o consumo, do antropológico para o comercial. A vida pós-moderna parece conspirar para isso. Há uma sedução generalizada do comércio que objetiva vender, lucrar, em meio a gentis e sofisticadas promessas de alegria, prazer e felicidade. Uma maresia do nosso espírito crítico nos impede de perceber a manipulação que subjaz aos encantos do mercado.

O que significa esse afã natalino do comprar, consumir, e doar presentes? Estaremos dando, doando de fato? 


O dicionário Aurélio diz que doar é ceder gratuitamente, consagrar-se, devotar-se, dedicar-se. O léxico indica, portanto, que há uma porção nossa em jogo nesse dar: é o doar-se. O sentido do presente que ofertamos é que ele leva até ao outro um pouco de nós mesmos. O presente é uma linguagem. Por isso ele se apresenta coberto de signos: o objeto escolhido (algo para alguém), a embalagem (enseja o belo), a dedicatória (que leva parte da alma), tudo significa, tudo veicula esse pedaço de mim que quero ofertar. É assim que a “coisa escolhida” precisa transportar, simbolizar o afeto, a apreciação que tenho pelo outro.

Há uma pulsão do dar e do receber no Natal. Mas será que nos damos, ao dar presentes? O outro a quem damos é importante ao ponto que eu me ofereça a ele na metáfora de um presente? 

Receio que o troca-troca tenha desvirtuado esse sentido. Há na contemporaneidade uma mística de autossuficiência, uma vontade de que a dependência dos outros seja cada vez menor, de que o outro não importa ao bem-estar. Isso tem sérias consequências, pois, se o outro deixa de ser importante para minha felicidade, decerto sua felicidade também deixa de ser importante para mim. Corre-se o risco do exercício de uma grande indiferença, da economia das emoções, de dificuldade afetiva entre as pessoas. O saldo pode ser o incremento da solidão, a perda dos vínculos e, até a violência."



No ato de dar presentes às pessoas idosas desamparadas ou às crianças de alguma creche — sugere Amparo, referindo-se a fatos de anos atrás — a mensagem, mesmo que provisória, é de que alguém se importe com alguém. Por isso vale não só oferecer um presente, mas ligar, falar com o idoso ou a criança presenteada, ouvir-lhe a voz, e fazê-la ouvir que é bom saber que ela existe. A gente não esquece as palavras (bem)ditas que ouve na infância, e se conforta com um alento pessoal, quando a vida já fez o seu caminho.  

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Fonte do texto:
Caminhos e Caminhantes/ Crônicas Brasileiras
Amparo Caridade – Recife: Bagaço, 2004, p.138

Capa de Livros:




Crédito das Imagens:

1. Foto de Amparo Caridade – www.revistazena.com.br
2. Imagem: milano_sflgiandoilnatale.jpg
3. Imagem de: www.canstockphoto.com.br
4. Imagem: www.youtube.com.br
5.  Fotos de capas de livros - www.vaniserezende.com

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MERCADO DE TRABALHO X MULHERES NEGRAS

12 de novembro de 2017

Diretora do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades, a Psicóloga Social, Dra. Cida Bento, ao analisar os desafios para ampliar a presença das mulheres negras no mercado de trabalho, afirma que “Os programas de pró-equidade de gênero conseguiram acelerar a inclusão das mulheres brancas, mas não das negras”. Comemorando o Mês da Consciência Negra, a Revista Carta Capital publica a entrevista que Cida Bento concedeu à jornalista Tory Oliveira. Segue a íntegra do texto.





O abismo racial no ambiente corporativo brasileiro continua profundo, apesar dos recentes esforços de algumas empresas de deixarem de ser apenas brancas. Segundo dados de pesquisa do Instituto Ethos, realizada em 2016, pessoas negras só ocupam 6,3% dos cargos de gerente e 4,7% do quadro de executivos nas empresas analisadas pelo estudo. A situação é ainda mais desigual para as mulheres negras: 1,6% são gerentes e só 0,4% participam do quadro de executivos. São só duas, entre 548 diretores.
Após observar muitos casos de discriminação nos processos seletivos em empresas, a psicóloga social Cida Bento, então executiva na área de Recursos Humanos, resolveu enfrentar diretamente o tema da discriminação racial e das dificuldades de inclusão de homens e mulheres negras nas empresas. 

Atual coordenadora executiva do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), Cida Bento, que também é colunista do site de CartaCapital, dedica-se há 30 anos ao campo da promoção da diversidade no ambiente corporativo.

Assim como a sociedade brasileira como um todo, o ambiente empresarial tem imensas dificuldades em avançar no combate ao racismo, explica ela, que aponta, por exemplo, o fato de programas de equidade de gênero serem bem-sucedidas em promover a inclusão de mulheres brancas, mas não das mulheres negras. "Esse é o grande desafio. As mulheres brancas estão quatro, cinco vezes a mais do que as negras nesse processo de inserção dentro das empresas".


Carta Capital: Por que a senhora resolveu se dedicar à questão da desigualdade racial no mercado de trabalho?
Cida Bento: Eu era executiva da área de Recursos Humanos e resolvi sair para trabalhar com esse tema porque eu via muita discriminação nos processos seletivos. Meu mestrado e doutorado foram focados em processos de recursos humanos. 
A tese de doutorado, defendida na USP, chamou-se:Pactos narcísicos no racismo: branquitude e poder nas organizações empresarias e no poder público.

CC: Segundo pesquisa do Instituto Ethos de 2016, pessoas negras só ocupam 6,3% dos cargos de gerente e 4,7% dos executivos. O quadro é ainda pior quando se olha para as mulheres negras e só se inverte quando se observam as vagas de início de carreira ou baixa exigência profissional, como aprendizes ou trainees. Muito tem sido falado sobre ações afirmativas ou de inclusão nas empresas, mas ainda não se atingiu o patamar adequado, tendo em vista que negros e pardos são mais da metade da população brasileira. O mundo empresarial ainda resiste em enxergar e enfrentar o racismo? O que já mudou nesse sentido?
CB: Como toda a sociedade brasileira, o mundo empresarial também tem dificuldade de avançar nesse tema. Em geral, há uma tendência a tentar identificar qual é o problema para localizar negros ou se comunicar com eles, mais do que perceber que há também uma perspectiva branca que dificulta a inclusão e a permanência de negros nas empresas. De perceber que se tratam de relações raciais, e não de um problema do negro no Brasil. O branco também está implicado nisso.

CC: Como assim?

CB: Em qualquer processo de recursos humanos, de seleção em geral, recrutamento, promoção e mentoria, é preciso buscar entender não só o que pode ser algum desafio envolvendo os negros, mas também um desafio envolvendo os brancos para lidar com essa questão da maior presença negra qualificada dentro das instituições. Não é só eu ter dificuldade nos processos de recrutamento para encontrar negros, mas é perceber que os processos precisam ser olhados para serem mais inclusivos e que as formas de comunicação e os ambientes do interior da instituição têm de se abrir para ser mais diversos. É pensar negros em cargos de liderança, de vanguarda, entender que eles têm de ter oportunidades de ser treinados e de encarreiramento mesmo. Enfim, isso tudo exige reconhecer que as empresas, assim como as grandes instituições brasileiras, não percebem o negro nesse lugar.

CC: É possível apontar a raiz desse problema?
CB: O racismo e o esforço na manutenção de privilégios. Eu sou uma das grandes estudiosas de branquitude no Brasil. Eu trato com o conceito de pactos narcísicos, a ideia do narcisismo, do fortalecer e escolher os iguais. Os recursos, as informações, os networkings são entre os iguais, que são os brancos.

CC: Você escreveu que profissionais que atuam no campo das políticas de diversidade em empresas destacam que a dimensão racial da diversidade é aquela que traz mais desafios para ser abordada e implementada. Quais os motivos dessa dificuldade maior?
CB: Em geral, as empresas têm mais um pacto de brancos entre brancos. Os programas de pró-equidade de gênero e raça conseguiram acelerar a inclusão das mulheres brancas, mas não das mulheres negras. Então, você tem mais um pacto entre brancos. As empresas têm dificuldade muitas vezes na relação com os próprios especialistas negros e com as organizações negras em geral.

Às vezes, é mais fácil para uma empresa se relacionar com uma organização branca que começa a trabalhar com o tema racial do que com organizações negras que existem no Brasil inteiro e trabalham com isso há muito tempo. Eu tenho recebido seis, sete, oito pedidos por semana de consultorias brancas que nunca mexeram com esse tema e agora querem entender para começar a trabalhar. E, às vezes, elas têm muito mais sucesso do que outras organizações, negras, que estão espalhadas pelo Brasil.

CC: Os desafios parecem ser ainda maiores para as mulheres negras, que preenchem apenas 1,6% das posições na gerência e 0,4% no quadro executivo. Por outro lado, mulheres brancas avançaram nesse sentido. As oportunidades são diferentes para mulheres brancas e negras? De que forma?
CB: Eu tenho feito um censo de diversidade em bancos e o grande desafio que se encontra é ampliar a presença das mulheres negras no setor, assim como em outras empresas. Esse é o grande desafio, as mulheres brancas estão quatro, cinco vezes a mais do que as negras nesse processo de inserção dentro das empresas. Isso é o que eu tenho observado nos censos de diversidade e nos processos de formação que tenho desenvolvido no interior das empresas. Eu trabalho com grandes empresas e a presença das mulheres negras é quase nenhuma.


CC: Como explicar esse quadro?
CB: Acho que as mulheres em geral sofrem uma exigência de aparência para ocupar posições dentro das empresas. E as mulheres negras têm uma exigência maior, com relação aos cabelos lisos e a um perfil meio de "Barbie", magra, comprida e com o cabelo bem liso e claro, se possível.

CC: Você escreveu que uma mulher jovem, negra e qualificada ouviu de uma consultora de RH que sua roupa e cabelo não eram os mais adequados ao ambiente corporativo. Esse tipo de relato ainda é comum?
CB: Acho que não se ouve mais esse tipo de relato. As pessoas vão aprimorando os seus processos de exclusão. Elas não vão falar que é por isso. Nesse caso, o currículo dela estava sendo analisado por uma consultora de RH que era sua amiga. Isso em geral não é verbalizado. Agora, você também tem que ver que isso também tem mudado. Muitas empresas hoje falam que querem ampliar a equidade racial. Cresce o número de empresas que querem fugir dessa reputação de serem empresas brancas apenas. Isso é um indicativo de que a gente pode ter mudanças. As mudanças estão chegando, mas é necessário que a empresa tenha uma vontade política de mudar essa situação e invista mesmo nesses processos.

CC: Na sua opinião, como as empresas e o mercado de trabalho podem atuar para reduzir essa desigualdade?
CB: O censo é fundamental. Ele ajuda a identificar as diferenças de cargos, de salários, de inserção, promoções. E ajuda a identificar onde é que estão os problemas e ajuda a desenhar um plano de ação que envolve levar essa discussão para o interior das empresas e para as altas lideranças, para as áreas jurídicas e outras. É preciso uma decisão política da empresa. E isso é algo bem delicado e importante.

CC: Há bons exemplos?
CB: Algumas empresas que são líderes em seus ramos têm avançado bastante, procurando trazer mulheres negras para cargos de direção, procurando entender porque mulheres negras que estão lá há bastante tempo, e com escolaridade e experiência, não têm sido promovidas, procurando desenhar produtos para mulheres negras, procurando fazer um marketing que considere as famílias negras, contratar prestadores de serviço dentre as organizações de mulheres negras. Há algumas empresas fazendo esforços nessas direções.

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Observação - O nome de Cida Bento consta entre os 50 profissionais mais influentes do mundo - relação de 2016. Cf.: Portal Áfricas, do qual a psicóloga também é colunista: www.portalafricas.com.br/v1 

Fonte do Texto: 
www.cartacapital.com.br/sociedade/o-grande-desafio-e-ampliar-a-presença-de-mulhers-negras-nas-empresas.
Por: Tory Oliveira - Publicado em 12/11/2017.

Crédito das Imagens:

1. Foto de Cida Bento - www.portalafricas.com.br/v1
2. Outras imagens do texto - www.canstockphoto.com.br

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JUDITH BUTLER - CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA ENTRE AS DIFERENÇAS

7 de novembro de 2017




O nome de  Judith Butler, é sempre lembrado quando a temática se insere em políticas de gênero. Na sua  atual visita ao Brasil ela afirmou:
"O feminismo não é uma política identitária, mas é uma visão poderosa de liberdade e igualdade".

Nesses dias, sua estada no Brasil vem provocando muitos conflitos culturais. Sua presença "reacende a discussão sobre gênero e atiça os conservadores",  como escreve Tony Oliveira, na seção DiversidadeCarta Capital.  Abaixo, o seu texto. 

Referência nos estudos de gênero e uma das mais importantes filósofas norte-americanas contemporâneas, Judith Butler, 61 anos, chega ao Brasil em meio a uma verdadeira guerra cultural centrada nas questões identitárias e de gênero no País.

O desembarque em terras tupiniquins acontece na esteira das discussões acerca do cancelamento da exposição Queer, no Museu em Porto Alegre,  das polêmicas envolvendo nudez no Museu de Arte de São Paulo e da mostra sobre sexualidade no MASP. 

Acusada de promover a "ideologia de gênero", uma de suas palestras tornou-se alvo de grupos conservadores, motivando uma petição online em que afirmam que a presença da autora em um "simpósio comunista" não seria "desejada pela esmagadora maioria da população nacional". Em resposta, atos de apoio e um "cordão democrático" também foram convocados. 


A filósofa americana Judith Butler atribuiu ao medo a reação à sua participação em um evento no Sesc Pompeia esta semana, que gerou um abaixo assinado com mais de 350 mil assinaturas pedindo o seu cancelamento. 

"Acho que me sinto triste com tudo isso, pois a postura de ódio e censura é baseada em medo, medo de mudança, medo de deixar os outros viverem de uma maneira diferente da sua. Mas é essa habilidade de viver com a diferença entre nós que vai nos sustentar no longo prazo”, diz.
    "Precisamos ser capazes de abrir nossas mentes para entender com quem coabitamos no mundo, não para subordiná-los a uma forma de viver, mas para aceitar modos de vida no plural, a complexidade de que somos feitos.”


Butler é professora da Universidade da Califórnia e um dos principais nomes da filosofia contemporânea. Temas delicados fazem parte de sua rotina como pensadora. Ela lança (na segunda-feira 6/11), o livro Caminhos Divergentes: Judaicidade e Crítica do Sionismo, em debate promovido pela Unifesp, pelo Instituto de Cultura Árabe e pela editora do livro no Brasil, a Boitempo. Já não há vagas, mas o evento será transmitido ao vivo pelo Facebook.  De terça-feira (7), a quinta-feira (9), ela estará envolvida com o seminário “Os fins da democracia”, no Sesc Pompeia, organizado pelo Convênio Internacional de Programas de Teoria Crítica (UC Berkeley), e pelo Departamento de Filosofia da USP, em parceria com o Sesc. 

Um dos principais temas de seu trabalho, no entanto, está relacionado às teorias de gênero, que ela abordou em livros como Corpos que Contam; Sobre os Limites Discursivos do Sexo e Problemas de Gênero; Feminismo e Subversão da Identidade. E, ainda que não seja esse o tema de sua participação no evento do Sesc Pompeia, foi ele que despertou as críticas reunidas no abaixo-assinado que começa dizendo: “Judith Butler não é bem-vinda no Brasil! Nossa nação negou a ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação e nos Planos Municipais de Educação de quase  todos os municípios. Não queremos uma ideologia que mascara um objetivo político marxista”.
         "Não conheço o Brasil bem o suficiente para saber quem são essas pessoas, mas talvez algumas delas nem sejam reais, apenas robôs”  diz  ela, em entrevista por e-mail. Para Butler, é possível entender essas críticas à luz de um contexto mais amplo.
               “Se acreditássemos que o mundo estivesse caminhando para a frente, exemplificando progresso, provavelmente estaríamos errados. Sempre houve pessoas que desprezaram o que outros chamam de progresso. Ainda existem pessoas que querem viver em um mundo no qual se aceita a ideia de supremacia branca, por exemplo.  Eles não se sentiam livres para falar disso, mas, agora, com novos líderes de posturas autoritárias, sentem-se à vontade para falar.”

Para Butler, a teoria de gênero, como descrita por seus críticos, é mais uma
“caricatura”. “Acredito que a maioria das pessoas que assinam esse tipo de petição formam sua própria ideia do que seja ‘gênero’ e ‘Butler’, a partir de comentários feitos nas redes sociais e em sites conservadores.”                

“Nesses espaços, a teoria de gênero é descrita como uma caricatura, o que causa medo e ansiedade. Para as pessoas que acreditam que as diferenças entre os sexos são naturais, que a heterossexualidade é natural e que o casamento e as famílias heterossexuais são naturais, a ideia de que eles possam mudar com o tempo, que pode haver casamentos gays, desejo ou mulheres sem interesse em reprodução são difíceis de aceitar." 

"As mudanças sociais conquistadas pelo feminismo, pelas políticas LGBTQ e por mobilizações contra o racismo geraram ansiedade naqueles que baseiam suas ideias de gênero, desejo ou parentesco em uma noção fixada a respeito do que é natural ou determinado por Deus. Se gênero é uma forma de falar sobre os vários significados que o corpo pode assumir, a consequência é que a intimidade das pessoas conservadoras, os arranjos sociais nos quais elas confiam, suas ideias de família e de nação estão ameaçadas.”

Butler tem refletido não apenas sobre os temas em si, mas sobre a maneira como se dá a discussão a respeito deles, em um clima de crescente oposição e radicalização.  
                 “Talvez este seja um momento de refletir por que as pessoas que têm o casamento heterossexual como o centro de suas vidas, por exemplo, e exigem que todas as pessoas pensem da mesma forma. Entendo que questões como os diferentes padrões de desejo entram em conflito com algumas crenças religiosas e morais profundas e arraigadas. Mas, para uma sociedade não ser destruída, tudo isso precisa ser discutido: o medo, o ódio, mas também o desejo e a possibilidade de amor. Viver em sociedades contemporâneas significa aceitar a diversidade. Somos seres complexos e em transformação, mas muitas vezes não queremos falar de mudanças. "

"A questão em que talvez possamos todos concordar é que o amor por si só não machuca, que a liberdade de expressão de gênero não machuca ninguém. Todos buscamos viver e respirar da maneira que é possível para nós. É fundamental suspender julgamentos sobre todas essas questões.”  

A consequência do momento atual, ela diz, é um clima de ódio que gera o desejo de dominação que, por sua vez, pode se transformar em violência. 

“É difícil aceitar aqueles contra quem se sente hostilidade, e mesmo raiva. E ainda assim todos os grandes teóricos da não-violência insistem que a raiva não precisa se transformar em violência, e que podemos, até mesmo em meio a conflitos, afirmar o direito de vida do outro. Se considerarmos as taxas terríveis de feminicídio, em toda a América Latina, precisamos nos perguntar de onde essa violência emerge. E por que ela assume esta forma". 

"Não são indivíduos apenas que cometem esses atos. Essas são práticas sociais reproduzidas entre homens ao longo do tempo. Violência é a dominação extrema. Para aqueles que estão preocupados com a fragmentação e a corrosão da sociedade, talvez seja importante considerar os efeitos corrosivos de se matarem mulheres, incluindo mulheres trans, e o que isso diz sobre como o ódio e a violência se tornaram institucionalizadas.”

Como pano de fundo a essas e outras questões, como o conflito entre Israel e Palestina, Butler  que lança ainda “A Vida Psíquica do Poder: Teorias da Sujeição”, pela Autêntica —  identifica um aspecto fundamental: a ideia de convivência democrática entre as diferenças.

“Há uma falha em ver que é nossa obrigação aceitar e afirmar que todos têm o direito de pertencer a este mundo, e que este direito deveria ser compartilhado igualmente". 

"A ideia de igualdade parece tão absurda! Basta dizer a palavra para ser chamado de comunista! E, ainda assim, apenas quando a nossa capacidade de afirmar a igualdade e a liberdade, for fortalecida, e de lutar contra a injúria social e a exploração econômica, é que a fragmentação será transformada em um conjunto vibrante de diferença, e a democracia será possível, ou seja, o poder de fazer o mundo em que vivemos, de governarmos a nós mesmos segundo as regras que determinamos, com base na igualdade, na liberdade e na justiça.”

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Fonte do texto: https://www.cartacapital.com.br/diversidade/judith-butler-o-ataque-ao-genero-emerge-do-mundo-das-mudancas


Créditos das Imagens:

1. Judith Butler no Brasil-2017 - www.cultura.estado.com.br
2. Reprodução Face - Gabriel Lindenbach - imagem do texto.
3. Capa do Livro - www.boitempoeditorial.com.br/produto/caminhos-partidos-judaismo-e-a-critica-do-sionismo-643
4. Livro Problemas de Gênero : www. estantevirtual.com.br/livros/judith-butler 
5. Reprodução Face - Gabriel Lindenbach - imagem do texto.
6. Judith Butler - www.diariodocentrodomundo.com.br/judith-butler-e-os-que-pensam-em-deixar-o-brasil-por-berenice-bento/5.11.2017

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PAPA FRANCISCO - FOME: MIGRAÇÕES, MUDANÇAS CLIMÁTICAS E COOPERAÇÃO

1 de novembro de 2017

A cada ano, no mês de outubro, o Dia Mundial da Alimentação é celebrado na ONU – Organização das Nações Unidas. Este ano, a celebração ocasionou uma profunda e importante reflexão do Papa Francisco. Embora se esteja vivendo momentos de grande desenvolvimento das ciências e da tecnologia, subsistem situações que são hediondas vergonhas internacionais, como, por exemplo, o descuido com o Meio Ambiente, a saga da indiferença diante da dolorosa mobilidade humana, e a Fome crescente de grandes populações do mundo, causadas por dolorosos conflitos bélicos, ou de migrações forçadas.  

Na cerimônia promovida pela FAO, no dia 16 de outubro-2017, o Papa Francisco agradeceu o convite e as boas-vindas do Diretor-Geral,  o brasileiro, Prof. José Graziano da Silva   e cumprimentou os  Representantes dos Estados Membros e os Ministros da Agricultura do G7, também presentes ao evento.     As suas incisivas e profundas considerações apontam, com a força do seu carisma, para uma visão humanitária de excelência sobre as questões em pauta. A FAO  Food and Agriculture Organization — é uma agência das Nações Unidas que conduz esforços internacionais para eliminar as causas da fome no planeta. Nós, ao tomarmos conhecimento de suas palavras, não podemos nos escusar de reconhecer a urgência de fazermos algo no pequeno reduto do mundo em que vivemos.  Seguem o texto do discurso do papa.

1. A celebração do Dia Mundial da Alimentação vê-nos aqui reunidos para recordar o dia 16 de outubro de 1945 quando os Governos, foi instituída a FAO,  decididos a eliminar a fome mediante o desenvolvimento do setor agrícola.  Tratava-se de um período de grave insegurança alimentar e de grandes deslocamentos de populações, com milhões de pessoas em busca de lugares onde sobreviver às misérias e às adversidades causadas pela guerra.

Refletir sobre o modo como a segurança alimentar pode incidir sobre a mobilidade humana, significa recomeçar — partindo do compromisso para o qual a FAO nasceu, — e o renovar. A realidade hodierna exige uma maior responsabilidade, em todos os níveis, não apenas para garantir a produção necessária para a écqua distribuição equitativa dos frutos da terra — isto deveria ser óbvio — mas, acima de tudo, para tutelar o direito de cada ser humano a alimentar-se de acordo com as suas necessidades, participando também nas decisões que lhe dizem respeito, e na realização das próprias aspirações, sem que precise se separar de os seus entes queridos.

Perante um objetivo de tal alcance, está em jogo a credibilidade de todo o sistema internacional. Sabemos que a cooperação está cada vez mais condicionada por compromissos parciais, que já chegam a limitar até mesmo as ajudas emergenciais. Enquanto isso, a morte por fome ou o abandono da própria terra é notícia quotidiana, e corre o risco de provocar indiferença. É urgente que se encontre novos caminhos para transformar as possibilidades de que dispomos, num processo de garantia que permita, a cada pessoa, olhar para o futuro com fundada confiança, e não apenas com infundadas ilusões.

O cenário das relações internacionais demonstra uma crescente capacidade de dar respostas às expetativas da família humana, inclusive com a contribuição da ciência e da tecnologia que, estudando os problemas, propõem soluções adequadas. Contudo, tais inovações não conseguem eliminar a exclusão de grande parte da população mundial: 

Quantas são as vítimas da subalimentação, das guerras e das mudanças climáticas? 

A quantos falta o trabalho e os bens essenciais, e se veem obrigados a deixar a própria terra, expondo-se a numerosas e terríveis formas de exploração? 

Valorizar a tecnologia ao serviço do desenvolvimento é, sem dúvida, um caminho a percorrer, desde que se chegue a realizar gestos concretos para diminuir o número de esfomeados e para governar o fenômeno das migrações forçadas.

2. A relação entre fome e migrações, só pode ser enfrentada se for considerada a  raiz do problema. A este propósito, os estudos realizados pelas Nações Unidas, assim como por numerosas Organizações da Sociedade Civil, Unânimes ao afirmar que são dois os principais obstáculos a superar: os conflitos e as mudanças climáticas.

— Como se pode superar os CONFLITOS? 

O Direito Internacional nos indica os meios para os prevenir ou para resolvê-los rapidamente, evitando que se prolonguem, causem carestias e a destruição do tecido social. Pensemos nas populações martirizadas por guerras que já perduram há décadas e que podiam ser evitadas ou pelo menos cessadas.  Mas,  ao contrário,  as  guerras   propagam os seus efeitos desastrosos, entre os quais a insegurança alimentar e o deslocamento forçado de pessoas. 

É indispensável boa vontade e diálogo para impedir os conflitos, e é preciso nos comprometer, profundamente, em prol do desarmamento gradual e sistemático, previsto pela Carta das Nações Unidas, assim como para remediar a chaga funesta do tráfico de armas. 


— De que adiantará denunciar que, por causa dos conflitos, milhões de pessoas são vítimas da fome e da subalimentação, se não nos ocupamos, de forma eficaz  para o  do desarmamento e a construção da paz?



— Quanto às MUDANÇAS CLIMÁTICAS, 
    vemos todos os dias as suas consequências.

Graças aos conhecimentos científicos, sabemos como os problemas devem ser enfrentados; e a Comunidade Internacional também continua a elaborar instrumentos jurídicos necessários como, por exemplo, o "Acordo de Paris", do qual contudo alguns começam se distanciar. 
Reaparece a negligência em torno dos delicados equilíbrios dos ecossistemas, a presunção de manipular e controlar os recursos limitados do planeta, e a ganância do lucro. 
Portanto, é necessário envidar esforços para um consenso concreto e eficaz, se quisermos evitar efeitos mais trágicos, que continuarão a pesar sobre os mais pobres e indefesos. Somos chamados a propor uma mudança nos estilos de vida, no uso dos recursos e nos critérios de produção, e, inclusive, no consumo que, a propósito de alimentos, vem sofrendo perdas e desperdícios crescentes. Não nos podemos resignar a dizer: “alguém pensará nisto”.

Acredito que estes são os pressupostos de cada discurso sério sobre a segurança alimentar ligada ao fenômeno das migrações. Sem dúvida, guerras e mudanças climáticas determinam a fome; portanto, evitemos de apresentar a fome como uma doença incurável. 

Estimativas recentes, levantadas por vossos especialistas, preveem um aumento da produção global de cereais, chegando a níveis que permitem conferir maior consistência às reservas mundiais. Isto é um bom sinal e dá a entender que, se agirmos dando atenção às necessidades e em contraposição às especulações, os resultados não deixarão de faltar.

Com efeito, os recursos alimentares são com frequência deixados à mercê da especulação, que os mede unicamente em função da prosperidade econômica dos grandes produtores, ou em relação à potencialidade de consumo e não às exigências reais das pessoas. 

É assim que se promove conflitos e desperdícios, aumentando as fileiras dos últimos da terra que procuram um futuro fora dos seus territórios de origem.

3. Diante das situações acima descritas, podemos e devemos mudar a rota (cf. Enc. Laudato sí, 53; 61; 163; 202). Diante do aumento da demanda de alimentos é indispensável que os frutos da terra estejam disponíveis para todos. 

Na opinião de alguns seria suficiente diminuir o número de bocas a saciar e, assim, o problema estaria resolvido; mas, seria uma solução falsa se considerarmos os níveis de desperdício de alimentos e os modelos de consumo que esbanjam muitos recursos. Reduzir é fácil, mas partilhar exige uma conversão e isto é comprometedor.

Portanto, eu me proponho — e vos proponho — esta questão:
— Seria demasiado pensar em introduzir, na linguagem da cooperação internacional, a categoria do Amor, declinada como gratuitidade, paridade de tratamento, solidariedade, cultura do dom, fraternidade, misericórdia?  

Com efeito essa questão expressa, concretamente, o conteúdo prático do termo “humanitário”, muito em uso na atividade internacional. Amar os irmãos e ser os primeiros a fazê-lo, sem esperar ser correspondido: este é um princípio evangélico encontrado em muitas culturas e religiões, e torna-se princípio de humanidade na linguagem das relações internacionais.

Auguramos que a diplomacia e as instituições multilaterais alimentem e organizem esta capacidade de amar, porque é a via mestra que garante não só a segurança alimentar, mas a segurança humana na sua globalidade. 

Não podemos agir só se os outros também o fazem, nem nos limitar a sentir piedade, porque a piedade se detém às ajudas de emergência, enquanto o amor inspira a justiça, e é essencial para realizar uma ordem social justa entre realidades diversas que desejam correr o risco do encontro recíproco. 

Amar significa contribuir para que cada país aumente a produção e alcance a autossuficiência alimentar. Amar traduz-se em cogitar novos modelos de desenvolvimento e de consumo, e em adotar políticas que não agravem a situação das populações menos avançadas ou a sua dependência externa. 

Amar significa não continuar a dividir a família humana entre quem possui o supérfluo e quem não tem o necessário.

O esforço da diplomacia nos demonstrou, inclusive em eventos recentes, que deter o recurso às armas de destruição de massa é possível. Estamos todos cientes da capacidade de destruição de tais instrumentos. 
Mas, estamos cientes também dos efeitos da pobreza e da exclusão?  
— De que modo é possível deter pessoas dispostas a arriscar tudo, gerações inteiras que podem desaparecer, porque não têm o pão de cada dia, ou são vítimas de violência ou de mudanças climáticas? 
                                  
Essas pessoas se dirigem para onde veem uma luz ou sentem uma esperança de vida. Não poderão ser detidas por barreiras físicas, econômicas, legislativas, ideológicas: só uma coerente aplicação do princípio de humanidade o poderá fazer. Ao contrário, é diminuída a ajuda pública ao desenvolvimento e as Instituições Multilaterais são limitadas na sua atividade, enquanto se recorre a acordos bilaterais que subordinam a cooperação ao respeito de agendas e de alianças particulares ou, mais simplesmente, a uma tranquilidade momentânea. 

Diversamente, a gestão da mobilidade humana exige uma ação intergovernamental coordenada e sistemática, conduzida segundo as normas internacionais existentes e permeada por amor e inteligência. O seu objetivo é um encontro de povos que enriqueça todos, e gere união e diálogo, e não exclusão e vulnerabilidade.

Permiti que eu aqui me refira ao debate sobre a vulnerabilidade, que divide as visões no âmbito internacional, quando se fala dos migrantes. Vulnerável é aquele que está em condição de inferioridade, e não pode se defender, não tem meios, portanto vive uma exclusão. E isto por ser obrigado pela violência, por situações naturais ou, pior ainda, pela indiferença, pela intolerância e até pelo ódio.  Face a esta condição, é justo identificar as causas para agir com a competência necessária.  Não é aceitável que, para evitar o compromisso, nos escondamos por trás de sofismas linguísticos que não honram a diplomacia, mas a reduzem à “arte do possível”, a um exercício estéril para justificar egoísmos e inatividade. Auguramos que tudo isto seja considerado na elaboração do Pacto Mundial para uma Migração Segura, Regular e Ordenada, que acontece neste momento nas Nações Unidas.

4. Ouçamos o grito de tantos nossos irmãos marginalizados e excluídos: “Tenho fome, sou forasteiro, estou nu, doente, fechado num campo de refugiados”. 

É um pedido de justiça, não uma súplica nem um apelo de emergência. É necessário um diálogo amplo e sincero, em todos os níveis, para encontrar as melhores soluções, e amadurecer uma nova relação entre os diversos atores do cenário internacional, construída de responsabilidade recíproca, de solidariedade e de comunhão. 

O jugo da miséria, gerado pelos deslocamentos muitas vezes trágicos dos migrantes, pode ser removido através de uma prevenção realizada por  projetos de desenvolvimento que criem trabalho e capacidade de resposta às crises climáticas e ambientais. A prevenção custa muito menos do que os efeitos provocados pela degradação dos terrenos e pela poluição das águas, efeitos que atingem as zonas nevrálgicas do planeta, onde a pobreza é a única lei, as doenças aumentam e a esperança de vida diminui.

São muitas e louváveis as iniciativas implementadas. Mas não são suficientes. É  necessário e urgente continuar envidando esforços e financiando programas para combater, de um modo ainda mais eficaz e promissor, a fome e a miséria estrutural. 

Se o objetivo é favorecer uma agricultura que produza as exigências efetivas de um país, então não é lícito privar a população das terras cultiváveis, deixando que o "land grabbing" (monopólio de terras) continue a obter os seus lucros, às vezes até com a cumplicidade de quem é chamado a defender o interesse do povo. É preciso afastar as tentações de agir em benefício de grupos restritos da população, como também de utilizar a colaboração externa de modo inadequado, favorecendo a corrupção ou na ilegalidade.

A Igreja Católica, com as suas instituições, — tendo conhecimento direto e real das situações a combater e das necessidades a satisfazer, — deseja participar diretamente neste esforço, em virtude da sua missão que a leva a amar a todos, e que também a obriga a recordar, a quantos têm responsabilidade nacional e internacional, o mais amplo dever de contribuir com as necessidades das maiorias.

Faço votos para que cada um descubra, no silêncio da própria fé ou das próprias convicções, as motivações, os princípios, e as contribuições para dar à FAO e às demais Instituições Intergovernamentais, a coragem de melhorar e perseverar pelo bem da família humana.

Obrigado!".
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Fonte do texto: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2017/october/documents/papa-francesco_20171016_visita-fao.html
Observação: o texto original —  versão portuguesa de Portugal,  foi revisto e adaptado, por Vanise Rezende, comparando-o à versão original italiana e espanhola disponíveis também no portal: w2.vatican.va/. 


José Francisco Graziano da Silva (Urbana17 de novembro de 1949) é um agrônomoprofessor e escritor brasileiro nascido nos Estados Unidos. Como acadêmico, escreveu diversas obras sobre a questão agrária no Brasil.[1] Entre 2003 e 2004, atuou no gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, sendo o responsável pela implementação do Programa Fome Zero.[2] Em 26 de junho de 2011, foi eleito diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), para um mandato de três anos e meio (1º de janeiro de 2012 a 31 de julho de 2015). Em junho de 2015, Graziano da Silva, candidato único, foi reeleito a um segundo e último mandato de quatro anos (1 de agosto de 2015 a 31 de julho de 2019).
Em 2001, Graziano coordenou a formulação do Programa Fome Zero, um dos principais pontos da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2002, após a eleição de Lula, Graziano foi nomeado por ele para chefiar o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome por ele. Permaneceu no órgão por um pouco mais de um ano, de 1° de janeiro de 2003 a 23 de janeiro de 2004, tendo sido o encarregado pela implementação do Fome Zero, iniciativa apontada como responsável pela retirada de 28 milhões de pessoas da linha da pobreza durante o governo Lula.[2] Em 2004, Lula criou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome para absorver as funções do Ministério Extraordinário, nomeando Patrus Ananias como responsável pelo novo ministério.  Graziano atuou como assessor especial da Presidência da República.[5]
Em março de 2006, Graziano se tornou representante regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para a América Latina e o Caribe.[4] Durante sua permanência o cargo, conseguiu que os países de América Latina fossem os primeiros, em nível mundial, a assumir o compromisso de erradicar a fome até 2025.[5] Promoveu, também, um programa para defender o fortalecimento do setor rural e das políticas públicas voltadas para alcançar um desenvolvimento integral e inclusivo no campo.[6]
Em 2011, candidatou-se ao cargo de diretor-geral da FAO, recebendo o apoio de Lula em artigo publicado no site do jornal britânico The Guardian.[7] Foi eleito em 26 de junho, durante a 37ª Conferência da organização, em Roma, após receber 92 dos 180 votos possíveis num segundo turno.[8]  Oxfam recebeu bem a vitória de Graziano, dizendo que ele tem experiência e compromisso para "transformar o nosso sistema alimentar falido e conduzir à mudança para um novo futuro agrícola".  (Texto baseado em informações no site: www.wikipedia.wiki.org ).

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Créditos das Imagens:

1. Papa Francisco faz doação para ajudar aos países da África Oriental por meio da  FAO-Nações Unidas. Foto:  Sakis Mitrolidis - AFP
2. Papa Francisco é recebido pelo Diretor Geral da FAO, o brasileiro José Francisco Graziano da Silva, para a Comemoração Dia Mundial da Alimentação na Sede da FAO - Roma (IT) -  16/10/2017 - Fotos Públicas.
3.  Papa Francisco fala durante Comemoração Dia Mundial da Alimentação na Sede da FAO - Roma (IT) -  16/10/2017 - Fotos Públicas.
4. Visão geral da reunião de Comemoração do Dia Mundial da Alimentação na Sede da FAO, no momento em que falava Papa Francisco - Roma (IT) -  16/10/2017 - Fotos Públicas.
5. Famílias fogem de conflitos na Síria, em busca de refúgio - Foto de Fábio Erdos - www.cartacapital.com.br - 2016
6. Campo de Refugiados - Movimento Sem Fronteira - MSF -  imagem divulgação.
7. As grandes propriedades de terra e a produção dos alimentos - www.canstockphoto.com.br
8. A Seca - Abelardo da Hora - Fotografia em mostra na Caixa Cultural - Recife-PE
9.  Foto de Zé Brito - via@brasileirissimos.jpg
10. Distinção de espaços e moradias  -  Foto in: Cidade Nova, junho-2016.
11. Criança com refugiados - www.noticias.uol.com.br.jpg
12. Agricultura na Suazilândia - Foto ONU.jpg
13. Pequenos Produtores Rurais - www.unmultmedia.org /radio/portoghese/tag/fao

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato comvrblog@hotmail.com  

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