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O BRASIL É UM PAÍS SOCIALISTA?

17 de janeiro de 2019



Neste janeiro de 2019, o time do novo governo brasileiro se especializa em disseminar ideias e informações incongruentes. Vez por outra - deixando de lado aquelas que seguem o circuito natural da zombaria - algumas questões merecem esclarecimentos de especialistas, de modo que se possa perceber melhor o que se passa no embaralhamento das questões lançadas, talvez até mesmo na intenção de nos confundir.

O texto abaixo - publicado recentemente na Carta Capital - foi escrito após uma declaração do novo presidente, dizendo que "o Brasil se livraria do socialismo", e, não só, como refere a jornalista Ana Luiza Basilio, que "o país também é frequentemente associado ao comunismo". Alguns podem até perguntar: O que é isso? Será mesmo que o presidente está correto?

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Por: Ana Luiza Basilio - Carta Educação/Carta Capital
14 de janeiro de 2019

No pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, após receber a faixa presidencial no dia 1 de janeiro, a afirmação de que sua posse representa o momento em que o Brasil começou a se libertar do socialismo e do “politicamente correto”.

O presidente também alegou que a bandeira do Brasil jamais será vermelha, em referência à cor tradicionalmente adotada pelos movimentos de esquerda.

Antes mesmo das eleições, mas sobretudo pelo sentimento antipetista que marcou o pleito eleitoral, o Brasil já vinha sendo  associado aos sistemas socialista e comunista, como se ambos representassem uma ameaça ao País.

Para entender se as associações são corretas, o Carta Educação levou questões ao professor e coordenador do Núcleo de Pesquisas da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Prof. Dr. Paulo Silvino Ribeiro. 
Confira as respostas do professor às questões colocadas:

O Brasil é um país socialista? Por quê?

Não é, não foi e creio que tão pouco será futuramente. Atualmente, o socialismo recuou no mundo todo, principalmente na Europa onde teria nascido. No caso brasileiro, ao se considerar nosso processo de formação social e econômica pautado principalmente na manutenção das estruturas que reproduzem o privilégio, a desigualdade, o racismo, as fobias todas, lamentavelmente o socialismo está num horizonte infinitamente longínquo.

A fala do presidente, recentemente empossado, ao dizer que vai “libertar o país do socialismo”, não tem nenhuma relação com a realidade do presente ou do passado do país. Trata-se de uma fala ainda pautada no discurso eleitoral, e que busca produzir efeito por entre seus apoiadores os quais, a meu ver, também não conseguem compreender o que é o socialismo. Porém, isso se explica.

Associam o socialismo aos governos do PT, os quais evidentemente não foram socialistas, embora tenham promovido avanços sociais. Os governos petistas teriam esta pecha (de socialista), por terem defendido um Estado maior e mais presente, bem como por terem promovido políticas sociais como o Bolsa Família, o que para os mais desavisados seria uma afronta à meritocracia. A retórica de Bolsonaro e dos seus apoiadores considera como socialismo tudo aquilo que não estiver coadunado com suas visões de mundo mais liberal, conservador e autoritário. Afinal, se o Brasil fosse socialista, o que explicaria a vitória de Bolsonaro?

Em algum momento da história, o Brasil já esteve próximo de ser um país socialista ou comunista?

O que se teve no Brasil foram governos mais populares e afeitos à possibilidade de reformas sociais importantes em um país tão desigual. Talvez o exemplo mais significativo seria o governo de João Goulart, o qual foi tachado de socialista ou comunista, e que serviu de pretexto para o terrível golpe militar que desembocou em uma ditadura de 21 anos.

A Era Lula (e mesmo o governo de Dilma Roussef), embora considerada pela direita como governos comunistas ou socialistas, nunca o foram. Representaram, sim, um momento no qual as políticas sociais e a redistribuição de renda foram mais significativas, mas tudo dentro do modo capitalista de produção e por meio de políticas liberais (ou neoliberais) na economia.

O que é o socialismo, o que o define?

Como apontam as definições mais gerais para o socialismo, trata-se de uma ideologia ou um programa político das classes trabalhadoras, que foram se constituindo ao longo do desenvolvimento da Revolução Industrial. Basicamente, o socialismo estaria pautado na defesa da limitação do direito à propriedade privada; na luta por uma sociedade na qual os recursos econômicos estejam sobre o controle das classes trabalhadoras; na defesa de que esta sociedade tenha uma gestão que busque promover a igualdade entre todos.

E o que é o comunismo, o que o define?

Trata-se de um modelo de modo de produção no qual os indivíduos se organizariam para trabalhar e produzir não para o lucro e o enriquecimento individual, mas para atender às necessidades de toda a comunidade. Este modelo, evidentemente, esvazia a defesa da propriedade privada, ao mesmo tempo que contribui para a defesa de mais igualdade entre os homens.

Com relação a uma visão do comunismo mais conhecida, ligada à obra de Karl Marx, fica explícita a crítica ao modo da produção capitalista. Isso porque o capitalismo contribui para aumentar a desigualdade econômica e social entre os homens, pois tal modo de produção só é possível pela acumulação de capital e da concentração dos meios de produção (terra, capital, máquinas, tecnologia, etc) nas mãos de poucos. Assim, é possível perceber que a conclamação à um ideal de vida comum, tem por base o socialismo.

Há países socialistas atualmente? E comunistas?

Poderíamos citar países como China, Cuba e Vietnã. Contudo, algumas ponderações são importantes, afinal, a China estaria ao mesmo tempo entre os países mais capitalistas do mundo, ao se considerar sua capacidade econômica de produção e de mercado consumidor.

Além disso, Cuba vem passando por um processo gradual e lento de abertura econômica, distanciando-se cada vez mais das premissas da revolução encabeçada por Fidel Castro, e se aproximando aos poucos da lógica da economia global. A reaproximação com os EUA é prova disso.

O socialismo e o comunismo podem ser entendidos como a mesma coisa? Se não, o que os diferenciam?

Os conceitos de socialismo e comunismo sempre estiveram imbricados na história. Em que pese ser possível uma definição mais geral de cada um, são os pontos de tangência entre eles que contribuem para que o tempo todo sejam vistos como que sinônimos, embora não sejam.

Quais seriam estes pontos? Dentre eles, a crítica ao individualismo e à concentração da propriedade privada como causas da desigualdade, bem como a defesa do interesse público e do bem comum por meio de uma relação horizontal entre os atores envolvidos na divisão do trabalho social.

Na tentativa de se esboçar uma breve diferenciação entre eles, pode-se dizer que o socialismo estaria mais ligado ao mundo das ideias e valores que levariam à uma condição na qual o comunismo, como modo de produção e de organização social, poderia ser possível.

O socialismo e o comunismo são regimes ditatoriais? Por quê?

Não são. Porém, historicamente, os regimes socialista e comunista dos quais se tem registro, foram fruto de revoluções ou golpes que, para se manterem, utilizaram da força e do autoritarismo em algum momento. Dizer que o socialismo ou o comunismo são, por natureza, ideias que conduzem à ditaduras não é razoável.

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Fonte do texto:

Crédito Imagem: EBC (imagem do texto).


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SE A NAÇÃO, ENFIM, SE REVELASSE!

9 de janeiro de 2019




E se um dia o Brasil acordasse
E no sofrer do povo ele pensasse
E, ao pensar, do sonho ressurgisse
E acordado, então, se revelasse
E a Nação inteira se espalhasse
E ninguém mais as suas mãos soltasse!


Se a Nação unida se juntasse
E uma grande rede ela formasse
E animado o povo se encontrasse
E no calor da vida ele aprendesse
E a união das forças vigorasse
Uma Nação consciente se tornasse!



Se estudantes e doutores se achegassem
Domésticos, indígenas, professores,
Gente da roça e de todos os setores
De mãos dadas, então, se reunissem
E combativos juntos decidissem
Que todos os trabalhos se parassem!


E então a mão-de-obra se fechasse
E no acordo todos defendessem
Direitos e deveres conquistados
E tão forte essas mãos se ajuntassem
Que os que hoje o direito lhes negassem
Em espanto essa força percebessem!



Se Educação, Saúde e Moradia,
Viessem se ajuntar com o Trabalho
Mais a Cultura, o Turismo, e o Lazer,
E a voz da Nação se ampliasse
E entre esses os desempregados
A esperança de novo conquistassem!






Se a Nação unida se lançasse
E o querer do povo apoiasse
E assim a roda se engrandecesse
E se os empobrecidos levantassem
E a desigualdade revelassem
E com os outros também eles lutassem!



Os diferentes todos
se encontrassem
A solidariedade vigorasse
E a democracia reforçassem 
Com o direito a criticar quem governasse!

Então, juntos assim, se avançasse 
E o Brasil se redemocratizasse!






Nas ruas e no passo eles cantassem
E a música da vida inventassem
E no trabalho todos se empenhassem
E entre eles todos se ajudassem
E as famílias à mesa agradecessem
E essa grande alegria celebrassem!




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Quadras de Vanise Rezende

Créditos das Imagens

1. Ciranda do Nordeste - www.folclorenordestino.blogspot.com/2017/12/html
2. Presença de representação indígena na Câmara dos Deputados contra a PEC-215 =  http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/galeria-de-imagens/2666-manifesto-indigena-no-congresso-nacional-contra-a-pec-215 - Foto de Maria Vilela - Funai.
3. Manifestação contra o governo Temer no Rio de Janeiro - 2018
3. Dança do coco do povo da cidade cidade - www.journais.openedition.org
4. O levante contra o fascismo - https://wadihdamous.com.br/2018/09/30/o-levante-contra-o-fascismo/ Foto de Francisco Proner.





ANO NOVO - UMA RESISTÊNCIA ATIVA E CIDADÃ

31 de dezembro de 2018


                                 
Aos leitores do Espaço Poese – espalhados em vários cantos do mundo – entrego hoje uma ideia, quiçá um grande sonho: que nessa brecha do tempo para um novo calendário surjam gestos de reencontro, de diálogo e de inovação, e os primeiros passos para uma nossa resistência ativa, coordenada e cooperante.

Tem-se falado, nesses dias, que nos principais centros financeiros mundiais, e em vários países do mundo, anuncia-se uma crise com 
aspectos mais preocupantes do que aquela que se conheceu no Brasil, em 2008. 


São muitos os sinais de turbulência, movidos  a  intolerância, injustiça  social,desrespeito aos direitos humanos, violência contra a cidadania e a liberdade de expressão. Preparemo-nos. 
Entre nós aumentarão as necessidades ainda mais. 

Durante as recentes eleições, um expressivo número da esquerda brasileira se  inspirou em um inovador plano de governo, e quase chegamos a realizá-lo, em busca de reconstruir um Brasil mais solidário e justo. 

Lula nos deu um forte apoio, ainda que da sua mordaça de preso político. É um preso político à altura dos grandes estadistas, que faz tremer de medo os seus algozes. Com o ex-presidente Lula candidato, o nosso desejo era o de rever o nosso país de cabeça erguida, reconstruindo a sua dignidade e reinstaurando novos práticas de governo, contando com a experiência que o povo conheceu há anos atrás. Agora, no entanto, o Brasil está sendo ameaçado pelas forças do ultraliberalismo no poder que, como os militares dos anos 60/80, não gostam do cheiro do povo.

Falo agora entre amigos, que têm um olhar sensível ao que se passa ao seu redor, no seu entorno, no seu bairro, na sua cidade. Alento a ideia de que comecemos a nos organizar, dando os primeiros passos para uma  resistência de cooperAção.

Iniciar nos organizando nas áreas em que somos melhores, para atuar por meio de ações conjuntas. 

Formar entre nós uma rede para COMPARTIR.

Através da "rede" estaremos a oferecer parte do nosso tempo e do nosso saber, realizando ações positivas com os descartados do nosso bairro e da cidade, lá onde tudo é e será ainda mais difícil e mais necessário.

A característica da "rede" seria reunir diferentes pessoas que se disponham a  “com-partir”: partilhar com o outro o que é meu. O espírito do Natal, nos moverá para os tantos outros diferente de nós.

E, como profissionais portadores de diferentes talentos, saberes e habilidades, as nossas ‘diferenças’ promoverão uma rica troca de pensares e de fazeres. 

A "rede" ligará, portanto, vários grupos de re-Ação solidária, e esses se apoiarão uns nos outros. Um dos primeiros resultados será o crescimento de uma resistência cooperante e construtivaNão nos soltaremos as mãos. E sairemos todos mais enriquecidos de aprendizados.

Sei que os leitores deste blog vivem em diferentes cidades, e em muitos países de cultura diversa. Que essa ideia possa servir para as muitas possibilidades e necessidades de com-partir. Comecemos a pensar essa ideia, e logo encontremos o modo de  conectar outros interessados. E nos estenderemos onde estiver cada um de nós, com grupos de amigos decididos a fazer a nossa parte para "dar as mãos" e partilhar com quem tem mais necessidade do que nós. 

Seria uma saudável onda de re-Ação se recebermos e divulgarmos, aqui, o que estaremos a inventar entre nós. 

São os meus votos para um 2019 ativo e inovador - um ano que espera de nós a força para fazer surgir a sua alvorada.

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Crédito das imagens: 

1. Foto de Lula - Imagem divulgação.
Outras imagens: www.canstockphoto.com.br


Informações importantes para os leitores do blog

 Aproveito este primeiro post para agradecer o expressivo aumento de leitores  no Brasil e mundo afora. Vou fazer um pedido: que os leitores mais assíduos se tornem seguidores do blog (não custa nada!); e que me enviem suas críticas, fazendo comentários, mandando sugestões.

A alegria do escriba é perceber que há alguém, na outra ponta da escrita (o leitor) que reage a algum tema, oferecendo a sua percepção crítica.  

Como fazer? Há várias maneiras: tornar-se seguidor do blog, compartilhar nos seus núcleos G+, curtir a postagem no Facebook e também no final de cada post.  

Um aviso importante: 

No momento estamos trabalhando para fazer um rearranjo dos ‘marcadores’ de pesquisa, no blog – grupo das ‘palavras chave’ que aparecem acima do texto. Nossa intenção é de cobrir uma temática mais abrangente e adequada à conjuntura atual. O processo será um pouco lento. Desculpem o transtorno! 

Vanise Rezende



NATAL - MENSAGEM DE CELSO AMORIM A LULA

28 de dezembro de 2018


Segue reprodução de um post do escritor e teólogo Leonardo Boff, trazendo-nos uma mensagem do ex-chanceler Celso Amorim a Lula. 

Celso Amorim foi um dos maiores e melhores chanceleres que nos tempos atuais o Brasil conheceu. Estive muitas vezes com ele. Sempre admirei sua simplicidade e grandeza de espírito, fiel ao Presidente Lula em cujos governos serviu. Escutei de outros embaixadores e representantes de nações na ONU, quando tive a oportunidade de, a convite, falar naquela Assembléia  ao defender o novo conceito da Terra como Mãe Terra, aprovado por unanimidade no dia 22 de abril de 2002. Era comum o comentário quando a conversa versava sobre ele: “é um dos melhores, senão o melhor diplomata nos dias atuais, como interlocutor e  conciliador em situações de conflito”. Esta carta saudosa e triste a Lula preso, por ocasião do Natal, revela toda a amizade e proximidade que ambos cultivaram e ainda cultivam. Representa um belo testemunho de quem vivenciou  pessoalmente a relevância que a presença de Lula ganhou nos foros mundias. Razão tinha o presidente Obama ao dizer:”este é o cara”.  Publicamos aqui a carta dele ao ex-presidente. Lboff

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 Carta do ex-chanceler Celso Amorim a Lula

A proximidade do Natal e do Ano Novo nos traz lembranças boas, mas de certa forma também entristece. Penso não apenas no nosso país, no trabalho feito por você pela diminuição das desigualdades, pelo crescimento econômico com justiça social, pela preservação e aumento das nossas riquezas e por colocar o Brasil em uma posição que jamais tinha ocupado no cenário internacional. 
Penso também no seu lado afetivo, seu relacionamento sempre carinhoso e respeitoso com seus auxiliares, sem que isso de forma alguma afetasse a sua autoridade. Lembro-me da dificuldade de montar sua agenda, de atender aos inúmeros convites ou manifestações de desejo de visitá-lo. Até cheguei a cunhar uma frase para definir esse fenômeno: a demanda de Lula é muito maior que a oferta de Lula. 
Contrariamente com o que ocorre com nossos governantes atuais, não havia como dar conta de tantas solicitações, por maiores que fossem seus esforços de estar presente nos foros internacionais e de elevar o padrão do nosso diálogo com latino-americanos e caribenhos, africanos, árabes, sem descuidar dos grandes países emergentes como os que vieram a constituir os BRICS nem dos nossos parceiros tradicionais.
Lembro, muito especialmente, de sua empatia com outros líderes, independentemente de ideologias, embora, claro, sem esconder as afinidades. Talvez a melhor expressão dessa capacidade de relacionar-se de forma franca e direta tenha sido a frase que ouvi do Presidente da África do Sul, Thabo M´Beki, em uma cúpula do IBAS, em Brasília. Ele disse, na ocasião, que só você conseguia fazer o Manmohan Singh sorrir, saindo do estado de meditação permanente em que parecia mergulhado. O mesmo sorriso, quase iluminado, eu veria estampar-se no rosto de Singh, quando fui portador de uma carta sua, tratando do Rodada de Doha.
Alguns desses momentos estão documentados, como sua fala na Cúpula das Américas em Mar del Plata, que marcou o fim da ALCA, ou (creio) a Reunião de Chefes de Estado em torno do combate à fome e à pobreza. Eu nunca tinha visto, em meus longos anos de diplomacia, tantos Presidentes e Primeiros Ministros juntos em uma mesma sala. Ao entrar no saguão onde normalmente se reúne o Conselho Econômico e Social da ONU, ouvi um diplomata francês comentar com um colega: “O Brasil abraça o Mundo!” 
Anos mais tarde, no G-20, que você ajudou a criar, o Presidente da nação mais poderosa do mundo diria a frase que ficou célebre: Este é o cara! E sempre admirei sua capacidade de dar a mesma atenção que concedia a um líder de uma grande potência ao governante de um pequeno país do Caribe, da África ou da Ásia. Não foi à toa que, sob sua liderança, foram criados organismos e foros como a UNASUL, a CELAC, o IBAS, o BRICS, as cúpulas com países árabes e africanos, sem falar da parceria estratégica com a União Europeia e a elevação do nível do diálogo político com os Estados Unidos, China ou Rússia.
Foram muitas as situações excepcionais, que pude acompanhar, algumas das quais registrei nos meus livros. Outras você mesmo se encarregou de divulgar, como o episódio envolvendo o Presidente Bush em Évian. Diante da atitude subalterna e quase bajuladora de muitos diante do Presidente dos Estados Unidos (que acabara de sair vitorioso, na aparência ao menos, da Guerra contra o Iraque), você me disse: “nós não vamos nos levantar”. E esperamos que Bush viesse até onde estávamos sentados.
Tudo isso passa hoje como um filme pela minha mente e, ao mesmo tempo que me consola pelo muito que foi feito, me entristece por me fazer constatar o quanto está sendo destruído. E como você está sendo tratado injustamente. As pessoas que cruzam comigo e me reconhecem querem todas saber como você está, perguntam sobre sua saúde e o seu ânimo. Respondo sempre de forma positiva, baseado no que vi nas duas vezes em que o visitei em Curitiba e nas informações que chegam por outros companheiros. Todos têm muita esperança de que você saia logo dessa prisão absurda, que o grito de “Lula Livre” rapidamente se transforme em realidade.
Neste Natal, gostaria de abraçá-lo, de agradecer em nome de todos os brasileiros de bem (mesmo sem ter a pretensão de representá-los) pelo muito que você fez pelo Brasil, por seu povo pobre e sofrido, mas também por sua estatura no mundo. Tenho a confiança de que, apesar do sofrimento impingido a você e à sua família, a justiça se fará em um dia não longínquo e que você voltará a nos inspirar com suas palavras e seus gestos, transmitidos de forma direta, no contato pessoal, que você sempre cultivou.
Com muita saudade, é o que desejo, de todo coração, nesses “dias de festa”, em que o povo brasileiro, especialmente a enorme parcela de necessitados, sofre por estar privado do seu convívio.
Forte e caloroso abraço, em meu nome e da Ana,
Celso
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Fonte: https://leonardoboff.wordpress.com/2018/12/27/carta-do-ex-chanceler-celso-amorim-a-lula-pelo-natal/

Leia também:
 https://lula.com.br/jesse-de-souza-a-farsa-de-moro-esta-cada-vez-mais-evidente-so-os-tolos-nao-percebem/
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Imagem reproduzida do post de origem.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. 
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