Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

BRASIL - NÃO VAMOS ESTACIONAR!

16 de novembro de 2018






Recebi, de uma amiga, cópia de um poema da doutora Roberta França, médica geriatra do Rio de Janeiro. 

Tomo a liberdade de transcrevê-lo para os leitores deste espaço, expondo aqui o que esses dizeres tão profundos me levaram a refletir. 






Eis o poema:

“Jamais estacione a sua alma em espaços onde não cabem os seus sonhos. Jamais!
Jamais estacione a sua alma, ela precisa de movimento.
Jamais estacione os seus sonhos, eles precisam de liberdade.
Jamais estacione a sua esperança, ela precisa de espaço.
Jamais estacione a sua alegria, ela precisa de ação.
Jamais se estacione onde não lhe cabe, não lhe contenha, não lhe permita ser contido.
Somos alma em evolução, somos o caminho que ensina, somos a luz que sempre vence a escuridão.
Jamais estacione!”

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Seguem os meus pensares:

“Jamais estacione a sua alma em espaços
onde não cabem os seus sonhos. Jamais!”

Quando a dor do nosso povo nos domina, o impacto nos paralisa, o inesperado nos assusta, o desamor nos toca no mais profundo e a violência nos assombra, é necessário ouvir com atenção lá dentro de nós mesmos, e reconhecer o que é mais importante neste agora.  

A dor me domina quando me deixo soltar dos laços que me sustentam no presente e me entrego apenas ao sentimento temeroso do futuro.

O cotidiano me paralisa porque me estou descuidando de cuidar de mim, pois para lutar pelo bem comum e manter a atenção pelo outro preciso de energias positivas que me animem a seguir em frente sem me entregar. 

O inesperado me assusta no momento em que me prendo à minha solidão, e não me percebo parte da família que me acolhe, dos amigos que me acompanham, dos grupos sociais que partilham comigo a dor do meu meu país, da minha cidade, das pessoas mais vulneráveis e esquecidas.

O desamor me impacta se, por alguma razão, ainda me vejo criança, a depender de cuidados e de atenção, pois talvez eu ainda não tenha crescido para viver com autonomia. Quando crescemos, quando amadurecemos para a vida, os outros me interessam para amá-los, para trocar talentos e saberes, para dialogar com quem partilha as mesmas ideias, e também para ser capaz de pedir ajuda àqueles em quem confio e podem me apoiar. 

A violência me assombra na sociedade em que estou inserida, na cidade onde vivo, no país onde nasci, no mundo desigual e individualista que todos construímos. Essa é a hora de  exercitar a atenção carinhosa por cada pessoa com quem me relaciono e que percebo desassossegada. 

Sem deixar de estar mais vigilantes para não escorregar nas cotidianas e pequenas violências: no trato com os empregados domésticos, com os meus auxiliares no escritório,  o porteiro, o entregador de pizza e outros prestadores de serviço que a nós, da classe média, nos passam desapercebidos, como se não fossem pessoas como nós, com as suas dores, o seu difícil cotidiano, as suas preocupações, os seus desamores...

É hora de não esquecer que mais vale um gesto de escuta, de paciência e de atenção amorosa com o outro, para o entendimento e o perdão, do que qualquer outra coisa que eu possa dizer ou presentear. 

Parece-me que é este o sentido do verso seguinte:
                
“Jamais estacione a sua alma, ela precisa de movimento.”
           
Minha alma carece do movimento interior da “carícia do afeto” – no dizer do nosso caro escritor e teólogo Leonardo Boff. Mesmo por aqueles que pouco conheço ou que se opõem ao meu jeito de viver e de pensar. 

A “carícia do afeto” é uma atitude indispensável que me ensina a ser fiel à luta por um país melhor, produzindo em mim energias positivas para superar a violência que descubro fora de mim, levando-me a cooperar, efetivamente, para uma sociedade mais justa e fraterna.

Que significado teria para mim e para a sociedade, se me ponho a lutar pela paz e pela não violência, com uma fala ou uma atitude violenta?

Atualmente, tenho visto vídeos alternativos ou postagens no WatsApp de pessoas que respeito e admiro, por assumirem com coragem uma posição contrária ao desmantelo e ao desassossego das ações do governo que está por assumir. Felizmente há muitas pessoas lutadoras e profissionais da comunicação  que, no entanto, por vezes escorregam em expressões de destempero e insultos violentos. Quando, na verdade, poderiam expressar o seu pensar e as suas avaliações de um modo mais condizente com os que postulam uma conduta não violenta. 

Sei que não é fácil, não é simples, especialmente quando se é "agredido" nos nossos princípios e crenças com tanta desfaçatez, tanto desequilíbrio e uma escancarada e ignorante visão da coisa pública e da grandeza do povo cujo trabalho sustenta o nosso país.   

“Jamais estacione os seus sonhos, eles precisam de liberdade.”

Sonhar é preciso, e é indispensável à vida. Se nos permitirmos estacionar a nossa capacidade de sonhar, se nos entregamos ao desalento, se deixamos secar a fonte dos sonhos que  sustentam a nossa vida, é porque estamos permitindo o abatimento, o escorrego fundo na tristeza, o adeus à convivência necessária com os outros. Estacionar significa quebrar a mola do amor, amolecer, deixar a vida me levar.

Sonhar é preciso. É fonte de energia para sobreviver, e até para sermos capazes de, juntos, ultrapassar o túnel que hoje nos esconde a luz do amanhã. É o sonho que nos impulsiona a dizer sim, a nos  juntar aos que sonham conosco o bem comum e a justiça social.

“Jamais estacione a sua esperança, ela precisa de espaço.”

O espaço da esperança de um povo está dentro de cada um de nós, no mais profundo de nós mesmos. Às vezes somos apenas capazes de ter um “fio de esperança”. Lembremo-nos, então, que precisamos manter uma atitude coerente com os nossos ideais, até mesmo uma ação que nos pareça insignificante, simples que seja... Mas, que seja!

É da esperança que nascem os projetos para a superação do desamor, do desmantelo, do dissabor, da desolação, da necessidade. Projetos que pertençam e incluam os que não têm espaço para falar do seu sonho, para aprender, para ir atrás do seu sonho. 

A esperança movimenta os sonhos, junta as energias, recria a vida e promove a alegria!

Mas, “jamais estacione a sua alegria, ela precisa de ação.”

A alegria não é um dom, um sentimento ofertado, algo que se compra ou que se encontra facilmente. A alegria é construída no correr das escolhas que fazemos, do clima que criamos em torno de nós, do nosso aprendizado e da nossa sensibilidade para pensar nos outros.  

Lembremos o caminhante Francisco de Assis: “É dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado...”. Se é pequena a nossa capacidade de dar, de entender e de acolher o outro, estaremos restringindo o nosso aprendizado, desprezando o que os outros têm para dar, ensinar e somar conosco.

Portanto... não estacione “onde não te cabe, não pode te conter, não te permite ser contido. 

Amar o outro é a porta para nos encontrar, para crescer por dentro, para  aprender a descobrir a alegria da vida no gesto do amor. O desamor nos apequena, nos empobrece, nos faz perder.

O poeta chileno, Pablo Neruda (*), que “canta o amor, a esperança, a justiça, a vida e seus milagres” – como escreve Thiago de Mello apresentando o livro “Prólogos” – em um dos seus poemas descreve os benefícios do amor. Mesmo se tratando do amor por uma só pessoa, seus versos revelam o que acontece quando alguém se move para fora de si em direção ao outro:


Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Tudo estava vazio, morto e mudo (...)
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.”

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(*) Pablo Neruda: Cem sonetos de amor, XXV.L&PM, p.35


Crédito da Imagem: reprodução de símbolo divulgado no WhatsApp durante a campanha do Advogado e Professor Fernando Addad à presidência do Brasil.


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. 
Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que sejam removidas deste espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com



BRASIL - ANÁLISE PÓS-ELEIÇÕES

9 de novembro de 2018




Segue mais uma análise da conjuntura brasileira pós-eleições presidenciais. O texto abaixo é do cientista político e psicólogo Eduardo Mourão Vasconcelos, professor da UFRJ, militante da democracia e dos direitos humanos e sociais desde 1972, e, mais tarde, atuante na luta antimanicomial. O texto foi publicado originalmente na editoria política do portal Carta Maior.

            Hoje, amanhã e sempre

Em 28.10.2018 tivemos uma derrota que marcará a história de nosso país, com a vitória de Bolsonaro. Durante a campanha, já vínhamos alertando para os riscos para a nossa democracia e direitos sociais, em caso de concretização de sua vitória.
No entanto, precisamos reconhecer que lutamos o bom combate. Resistimos nas redes sociais, fomos pra rua, tentando reverter na última hora o amplo favoritismo que ele já tinha.
A vitória de Bolsonaro não deve nos desanimar. Quem viveu mais tempo, que passou pela ditadura, tem essa experiência de olhar a história com maior distância, e reconhecer que ela tem mesmo suas ondas. Em uma analogia com a Bíblia, temos os anos de vacas gordas, mas também anos de vacas magras. Todos eles passam, e nós aprendemos a resistir em todos esses momentos. As lutas e as contradições internas aos sistemas de dominação, várias delas invisíveis para o cidadão comum, continuam a varrer a história.
Os analistas políticos já estão prevendo que o governo Bolsonaro tem inúmeros fatores de instabilidade. Podemos citar alguns:
1.  Foram produzidas muitas expectativas na população, de resolução dos complexos problemas nacionais, algo difícil de se oferecer respostas no curto e médio prazo. Um exemplo é a política de segurança. Sabemos que armar a população não resolve, apenas aumenta a insegurança e a violência.
2. Estamos enfrentando uma crise fiscal profunda nos governos federal, estaduais e municipais. Essa crise dificulta enormemente a retomada do crescimento econômico e a resposta às expectativas geradas na população.
3. O apoio a Bolsonaro mobilizou uma idealização muito intensa, como nos mitos heroicos e messiânicos. Temos precedentes na história política brasileira, com Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello. A experiência deles e de outras, em vários países, mostram que, ao não serem capazes de produzir respostas satisfatórias no curto ou médio prazo, um processo que contraria o que foi idealizado tende a ocorrer rapidamente, erodindo rapidamente o apoio a este tipo de liderança. Foi o que ocorreu com Jânio Quadros e Collor, levando-os à saída do poder.

4. Bolsonaro se elegeu tendo que controlar e evitar a sua exposição pública em debates e ambientes em que teria que enfrentar o contraditório. Na presidência da república, esse controle é mais difícil, e ele tenderá a mostrar mais facilmente seu viés autoritário e antidemocrático, e sua visão simplista dos difíceis problemas nacionais.
5. Bolsonaro não tem maioria absoluta no Congresso, pelo menos para realizar mudanças constitucionais profundas. Se elegeu dizendo que não governará fazendo alianças com as forças convencionais no Congresso, e que não escolherá ministros com base no “toma lá, dá cá” que tem vigorado até agora. Para ter apoio no Congresso, ele precisará voltar à política tradicional. As medidas de reajuste fiscal colocadas na agenda econômica e política, como a reforma da previdência, são profundamente impopulares, e os parlamentares cobrarão muito caro o apoio a elas.
6. A visão e as medidas autoritárias de Bolsonaro certamente provocarão muitos conflitos com as instituições que têm como dever assegurar a democracia no país, como o Legislativo e o Sistema de Justiça, como as entidades civis que historicamente defendem as liberdades democráticas, e como os muitos movimentos sociais populares do país. Esses embates e conflitos tendem a crescer muito no seu governo.
7. A imagem internacional de Bolsonaro é péssima, e assim, começará um governo com um profundo desprestígio junto aos demais governos e agências internacionais, com poucas possíveis exceções, como o de Trump.

Poderíamos listar outros fatores que apontam para um governo de forte instabilidade, mas estes já são suficientes.
É por tudo isso que não podemos desanimar. A partir de agora, temos que avaliar sim o que passou, identificando os equívocos, mas com calma e solidariedade com nossos aliados. Precisamos estar atentos aos “sinais dos tempos”, em constantes análises de conjuntura, para identificar as brechas para resistência. E, principalmente, para as inúmeras denúncias que certamente surgirão, e para as melhores estratégias de luta.
Assim, a história não acaba neste momento mais dramático, apenas começa uma nova etapa. E a nossa experiência mostra que nesses momentos temos que mobilizar, por um lado, a nossa paciência histórica de médio e longo prazo, e por outro, a nossa coragem e rebeldia, para as lutas micropolíticas no cotidiano, e para as grandes mobilizações que certamente virão.
Hoje, eles ganharam, e estão comemorando. Teremos que nos silenciar, por enquanto. Mas sobretudo, temos o papel de porta vozes da esperança e persistência. Muita coragem para todos nós, nesta nova caminhada. Vamos à luta de resistência!
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Eduardo Mourão Vasconcelos é psicólogo e cientista político, professor da UFRJ, militante pela democracia, direitos humanos e sociais desde 1972, e mais tarde particularmente na luta antimanicomial.

Fonte do texto:
https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Hoje-amanha-e-sempre/4/42219

Para obter outras análises, também se pode acessar as publicações da revista Carta Capital - www.cartacapital.com.br - ou seguir alguns canais no YouTube, entre esses o do comentarista Leonardo Stoppa;  Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim; o canal do filósofo Paulo Ghiraldelli; e o canal do PT chamado “TV 247”. Há vários outros canais interessantes e de opiniões distintas, de acordo com o interesse do leitor de complementar e  checar as informações.



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Imagem - www.canstockphoto.com.br

BRASIL - INDICAÇÃO DE MORO PARA A PASTA JUSTIÇA - O QUE DIZ A IMPRENSA NO MUNDO

2 de novembro de 2018




Reproduzimos mais uma reportagem, no empenho que assumimos de trazer  informações aos leitores deste blog - inclusive em outros países - sobre o momento político atual do Brasil. 
A reportagem é da revista Carta Capital.
Os comentários dos jornais estrangeiros falam por si.
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Política - Repercussão
Jornais estrangeiros destacam papel de Moro para a eleição de Bolsonaro
Por: Redação* — publicado 02/11/2018 
A indicação para um “superministério” soou, na mídia internacional, como uma recompensa ao juiz que retirou Lula da corrida presidencial


Reprodução
“Bolsonaro promete emprego para juiz que encarcerou seu rival”, resumiu o 'Times'
A mídia internacional não reagiu com naturalidade à indicação do juiz Sérgio Moro para um “superministério” no futuro governo. Para boa parte dos jornais estrangeiros, o fato abala a confiança no Judiciário e soou como uma recompensa ao magistrado, que prendeu o ex-presidente Lula, principal adversário de Jair Bolsonaro e franco favorito para vencer as eleições, não fosse a interdição judicial.
Antes mesmo da confirmação de que o convite foi aceito, o Le Monde apontou as “ambiguidades” do juiz, responsável pela Lava Jato em Curitiba. Na quarta-feira 31, o jornal francês assinalou a inexperiência política de Moro, além de lançar uma incômoda pergunta: “Foi por ter emprisionado o líder da esquerda brasileira que o magistrado será recompensado pelo futuro chefe de Estado de extrema-direita, Jair Bolsonaro?”.

A reportagem, assinada pela jornalista Claire Gatinois, narra a história do juiz que, ao investigar “um caso banal” de lavagem de dinheiro, acabou revelando um dos maiores casos de corrupção do Brasil. “A operação envolve quase todos os partidos, mas a Justiça e Moro têm um cuidado todo especial em relação ao PT”.
Ainda mais constrangedora, segundo o Monde, foi a rapidez com que Lula foi julgado, num país onde a Justiça anda a passos lentos, semanas antes da oficialização das candidaturas para as eleições de 2018.
Na França, o jornal Libération afirma que o juiz que derrubou Lula foi “condecorado por Bolsonaro” e acrescenta: “ele agarrou a bola com uma pressa ansiosa”. Na mesma toada, o jornal britânico The Times viralizou nas redes sociais ao resumir com precisão, na chamada de sua versão online, o que estava em jogo: “Bolsonaro promete emprego para juiz que encarcerou seu rival”.


Foi por ter prendido Lula que Moro foi recompensado?, indaga o 'Le Monde'
No Reino Unido, o jornal The Guardian também deu destaque à nomeação de Moro. O diário britânico lembrou que o magistrado havia prometido que nunca entraria na política, mas aceitou o cargo, após ter “pavimentado o caminho para estrondosa vitória eleitoral de Jair Bolsonaro, colocando na prisão o seu rival”. A publicação cita ainda a crítica de Gleisi Hoffmann, presidente do PT, que considerou o fato como “a fraude do século”.
“É inevitável. A narrativa de um juiz que prendeu Lula e depois conseguiu um emprego no governo de seu oponente atrairá muita gente”, observa Brian Winter, editor do Guardian, que não esconde a admiração por Moro, embora reconheça ser difícil “defendê-lo politicamente” a partir de agora. Já Monica de Bolle, diretora de estudos latino-americanos da Universidade Johns Hopkins, disse ao periódico britânico estar “decepcionada com a decisão perturbadora” do juiz.

Financial Times define Moro como o “juiz que preside a investigação do maior escândalo de corrupção” do Brasil e traz declarações de analistas que aprovam a indicação, por entender que ele dará continuidade ao trabalho de combate à corrupção. O jornal de negócios londrino pondera, porém, que a nomeação pode ser vista como “evidência de que a Lava Jato foi uma caça às bruxas”, dado que Moro foi o responsável pela prisão do maior adversário de Bolsonaro, o ex-presidente Lula.

Nos EUA, o jornal The New York Times engrossa a fileiras dos críticos. Para o diário norte-americano, a decisão de Moro de assumir o comando do Ministério da Justiça “foi recebida com indignação e júbilo, reflexo de quão polarizado ele se tornou”. Segundo analistas ouvidos pela reportagem, “Bolsonaro, uma figura profundamente polarizadora, poderia prejudicar a reputação de Moro e enfraquecer a confiança no Judiciário”.


Bolsonaro pode 'prejudicar a reputação de Moro e enfraquecer a confiança no Judiciário', avalia o NYT
Para Matthew Taylor, professor da American University e que entrevistou Moro como parte de sua pesquisa sobre corrupção no Brasil, a decisão do magistrado “corrobora a narrativa do PT de manipulação e de uma Justiça partidária”. Por outro lado, Roberta Braga, especialista brasileira no Atlantic Council, Moro seria “mais do que qualificado” para ser ministro da Justiça. “É um bom augúrio para a aprovação de reformas estruturais anticorrupção”, opinou. Ambos foram ouvidos pelo NYT.

O jornal espanhol El País, por sua vez, estampou a manchete: “O juiz que encarcerou Lula da Silva aceita ser ministro da Justiça de Bolsonaro”. Apresentado como “herói do antipetismo”, Moro assumirá um ministério com funções ampliadas e mais poder, destacou o periódico.

A reportagem, assinada por Tom Avedaño, relembra a trajetória do juiz à frente da Lava Jato e acrescenta: “Com o passar dos anos, Moro se tornou o santo padroeiro do ódio ao PT, um fenômeno crescente que contribuiu notavelmente para a vitória da extrema-direita”.
* Com informações da RFI Brasil.
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Fonte da reportagem:



Crédito das imagens:

Imagem de abertura - "Ventania" - tela de Anita Malfatti - coleção do Palácio dos Bandeiras de São Paulo-SP.

Capas de Jornais - reprodução de capas de jornais estrangeiros, na reportagem da revista "Carta Capital", em 2/11/2018.

BRASIL - CRESCE O CONTINGENTE DOS DESCARTADOS

30 de outubro de 2018


Créditos da foto: Retrato do Brasil: multidão procura emprego em mutirão do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, no início deste mês (Reprodução)

Nas recentes eleições presidenciais, o Brasil perdeu a chance de eleger um candidato cujo programa de governo era sustentado em quatro pilastras fundamentais: educação para todos, criação de postos de trabalho, exercício da democracia e bem-estar social.
Fernando Haddad, professor, advogado e doutor em economia, conhecia muito bem  o cenário em que hoje o Brasil se encontra, e já havia trabalhado,  como Ministro da Educação e Prefeito de São Paulo, para os brasileiros que  vivem às margens das benesses de uma pequena parcela da população.
Em agosto de 2018, por exemplo, o IBGE apresentou o quadro atualizado da precária situação dos desempregados brasileiros que os seus especialistas chamam os subutilizados.  
Não sou especialista nem em política nem em economia, mas o quadro apresentado pelo IBGE me passa a triste imagem de uma parcela dos que, infelizmente, resolveu apostar num candidato sem propostas sociais, que manifestava suas preferências ante-democráticas, racistas, homofóbicas, misóginas e violentas.  
Falo de uma grande parcela representada por aqueles que desejam reafirmar que estão muito bem, sim senhor, que não se importavam com a derrocada  do país nas mãos dos apoiadores do golpe ante-democrático de poucos anos atrás. 
Falo também de parte dos ditos subutilizados, que  votaram contra Haddad por medo da “destruição da família", inspirados na crença que têm em um modelo da ‘família cristã' que poucos deles entendem o que seja. Muitos se tornaram visionários da falácia de alguns pastores, que entendem mais de tabus e de moralismos ingênuos e equivocados, do que da mensagem fundamental de Jesus Cristo. 

Junto a esses, há os que se dizem "católicos", no Brasil, que se amedrontaram com um candidato que se propunha realizar projetos e promover políticas adequadas para acolher os “descartados” - usando a linguagem do Papa Francisco. Também esses estão mais devotados a cuidar de "proteger" os seus interesses e o seu patrimônio.   
Muitos ainda se mantêm no espírito da Casa Grande, e até agradecem a Deus porque foram presenteados com tantos bens, inclusive a sua fé. Mas a fé, dizia o Mestre, sem as obras, a que serve? Deixa-os na mesma posição dos antigos usineiros, que tinham um sacerdote ao seu serviço, para bendizê-los  e oferecer-lhe um lugar especial em suas mesas recheadas. 

Por outro lado, também conheço muitos pobres, medianos e ricos – cristãos e não cristãos  que  têm empenhado as suas energias em projetos políticos e sociais de acolhida e integração dos empobrecidos em atividades de produção, repartindo com eles seus saberes, seus talentos e recursos, para que possam ter oportunidades de cuidar de suas próprias vidas com trabalho e dignidade.   

São muitas experiências, como, por exemplo, os  projetos que envolvem grupos diversos de jovens e de mulheres em empreitadas dessa natureza. E há ainda o Movimento da Economia de Comunhão - EdC, que surgiu no Brasil e tem atuação em vários países. No Brasil, atua em parceria e troca de aprendizados com outras organizações, atuando para apoiar a formação de pessoas com vocação empreendedora, para ajudá-los a superar situações de vulnerabilidade e realizar pequenos e médios projetos produtivos que têm dado certo.     

Mas somos uma gota d'água no chão brasileiro das multidões de descartados. O papel de um Governo sensível aos povos indígenas, aos negros, aos sem trabalho e sem escola seria fundamental para reverter tal situação. Essa era a nossa grande Esperança. 

O que fazer agora?
Retomemos a vida, a nossa missão de divulgar ações de efetivo empenho com os mais vulneráveis da sociedade, e testemunhos de superação dos seus limites e dos seus temores e das suas dores. Comecemos por analisar os dados atuais do IBGE, levantados antes das eleições, numa matéria originalmente publicada na Rede Brasil Atual
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Em dois anos, o país acumulou mais 5 milhões de subutilizados e mais de um milhão e meio de desalentados
Segundo o IBGE, no segundo trimestre a subutilização da mão-de-obra chegou a 27,6 milhões: queriam trabalhar,  mas  não conseguiram emprego. E outros 4,8 milhões desistiram de procurar trabalho.
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Por: Redação RBA

17/08/2018 17:04

São Paulo – O país fechou o segundo trimestre com 27,636 milhões de subutilizados, termo usado pelo IBGE para definir o conjunto de desempregados e aqueles que gostariam de trabalhar mais, mas não conseguem. Um número estável diante do primeiro trimestre, mas que subiu em relação a igual período de 2017, com a taxa passando de 23,8% para 24,6%. No segundo trimestre de 2016, eram 22,651 milhões. Assim, depois de dois anos, a partir do impeachment de Dilma Rousseff, esse contingente aumentou em quase 5 milhões.

Pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta quinta-feira (16), isso acontece também com os desalentados, aquelas pessoas que 
desistiram de procurar emprego por diversas razões. Eram 4,833 milhões no final do segundo trimestre – a maior quantidade da série histórica, iniciada em 2012 –, ante 4,630 milhões no primeiro, 3,994 milhões há um ano e 3,242 milhões em 2016 – 1,6 milhão a mais em dois anos.

Os desalentados somam 4,4% da força de trabalho, também o maior percentual da série. Eram 3,7% um ano atrás. Mas chegam a 16,2% no Maranhão e a 16,6% em Alagoas. E se reduzem a 1,2% no Rio de Janeiro e a 0,7% em Santa Catarina. 

Segundo o IBGE, as maiores taxas de subutilização são as de Piauí (40,6%), Maranhão e Bahia (ambos com 39,7%). E as menores, de Santa Catarina (10,9%), Rio Grande do Sul (15,2%) e Rondônia (15,5%). Em São Paulo, a taxa é de 13,6%. 

Perfil do desemprego

Considerada apenas a taxa de desemprego, as maiores no segundo trimestre foram apuradas em Amapá (21,3), Alagoas (17,3%), Pernambuco (16,9%), Sergipe (16,8%) e Bahia (16,5%). As menores, em Santa Catarina (6,5%), Mato Grosso do Sul (7,6%), Rio Grande do Sul (8,3%) e Mato Grosso (8,5%). A taxa média brasileira foi de 12,4%. Entre as capitais, a maior é a de São Luís (19,6%) e a menor, de Florianópolis (6,3%).

A proporção diminuiu, mas as mulheres ainda são maioria (51%) entre os desempregados. A taxa de desemprego delas é de 14,2%, ante 11% dos homens. Quase 35% dos desempregados têm de 25 a 39 anos, 32% têm de 18 a 24 anos e 22,7%, de 40 a 59 anos. Pretos e pardos (classificação do IBGE) representam 64,1% dos desempregados e brancos, 35%. A taxa de desemprego dos pretos é de 15,5% e a dos brancos, de 9,9%.

No recorte por escolaridade, a maior taxa de desemprego segue sendo a do grupo com ensino médio incompleto (21,1%). Entre os que têm
ensino superior completo, cai para 6,3%.

De acordo com a Pnad, 74,9% dos empregados no setor privado tinham carteira assinada no segundo trimestre, 0,9 ponto percentual a menos do que em igual período do ano passado. No trabalho doméstico, a proporção de registro em carteira caiu de 30,6% para 29,4%.

O país tinha 91,2 milhões de ocupados no final do segundo trimestre. Desse total, 67,6% eram empregados (incluindo domésticos), enquanto 25,3% trabalhavam por conta própria, percentuais que sobem para 34,3% no Pará, 33% no Maranhão e 32,2% no Amazonas.

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Fonte do texto:


*Publicado originalmente na Rede Brasil Atual



ELEIÇÕES 2018 - CARTA DE AMOR A FERNANDO HADDAD

28 de outubro de 2018




É isso aí, meu caro professor Haddad! 

Ao ódio você responde com gentileza, e com esse respeito que você manteve com todos, durante toda a campanha, no primeiro e no segundo turnos.

Não cedeu às pegadinhas de jornalistas sedentos por respostas ríspidas, descontroladas, demonstrando desavenças e discórdias. 

Discórdia sim, existe, em relação ao seu opositor, pelo desrespeito às normas democráticas de diálogo e de debate programático que deveria haver entre os candidatos. Discórdia, porque você respeitou o exercício do jornalismo e da cidadania. Discórdia pelo desdém do seu opositor contra as mulheres, pelo repúdio aos negros e LGBT, pela rejeição aos nordestinos, aos empobrecidos, aos povos indígenas, aos prisioneiros, às diferentes organizações e  expressões religiosas, às instituições jurídicas e até mesmo ao Congresso Nacional, ao STF, ao TSE e ao resultado do pleito para a presidência. É uma lista sem fim...

É por isso que você, professor Haddad - e nossa cara Manu - representam a escolha livre, confiante  e respeitosa de milhares de brasileiros,  para ocupar a presidência e a vice-presidência da república. 

Nós, brasileiros, todos os brasileiros
merecemos esse presente! 

Mas, vamos ficar de olho em vocês!!!  

Que bom que hoje eu ainda posso dizer isso, e publicar neste espaço! Ainda há grandes esperanças! Não queremos passar por uma situação diversa. Seria desastroso e doloroso demais! 

Já passei por duas ditaduras na vida, pois nasci nos longínquos 1938! Quantos amigos e amigas nós perdemos, ou os vimos desaparecer ou morrer torturados! Aqui, e em outros países da América do Sul.

Que feliz serei se não precisar passar por um processo semelhante, nesses últimos anos da minha vida! Porque também sou mãe e tenho netos, e não consigo imaginá-los - como sugere o outro candidato - estudando diante de um computador, sem a possibilidade de aprendizado com a presença de professores, e sem partilhar amizades com os colegas e suas famílias,  que tanto os enriquece pelas diferenças e trocas.

Mesmo que você não seja eleito, professor Haddad, já mostrou a sua grandeza e o seu testemunho de cidadania, de amor pelo Brasil e pelos brasileiros, de respeito e abertura pelos adversários, e de humanidade quando responde às ameaças do outro candidato, não obstante as incomparáveis diferenças entre os dois. 

Que Deus abençoe e cuide de vocês, de suas famílias e correligionários, e a nós todos brasileiros. E que tenha misericórdia daqueles que nos ameaçam. Amém! 

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Imagem - reprodução do Facebook



  

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