Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

VACINAÇÃO AVANÇA NOS PAÍSES MAIS RICOS, E NEM TANTO NOS MAIS POBRES

11 de junho de 2021

Em análise abrangente sobre a pandemia em todo o mundo, o jornal El País Brasil mostra como o sistema da vacinação nos vários países, evidencia, de forma mais aguda, como "o mundo está dividido pela riqueza". Na apresentação desse trabalho comenta-se: "A desigualdade causada pela pandemia não está apenas na fome, mas também na geopolítica das vacinas, acompanhando o ritmo da distribuição de renda nacional. A economista e colunista do EL PAÍS Monica de Bolle analisa a relação entre a vacinação e a economia, mas alerta: ainda não há como estabelecer cenários para o futuro. A colunista elenca uma série de fatores que tornam os cálculos mais complexos, o que impede uma visão simplista da relação entre a distribuição de doses e a retomada econômica. O EL PAÍS analisou as cifras da imunização ao redor do mundo que mostram o abismo existente entre os mais ricos e os mais pobres quanto à vacinação de suas populações." 

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PANDEMIA DE CORONAVÍRUS

Assim avança a vacinação país por país: rápida nos mais ricos, nem tanto nos mais pobres

Análise das cifras mostra que várias nações desenvolvidas já imunizaram mais de 30% da população, enquanto a maioria no mundo em desenvolvimento não chega a 10%

Por: Borja Andriano, Daniele Grasso e Kiko LLaneras

A desigualdade no acesso às vacinas tem sido uma preocupação constante na maior campanha de vacinação da história e, quase seis meses depois de seu início, o mundo está efetivamente dividido pela riqueza

Os países que superam 30% de população vacinada são países ricos, ou relativamente ricos, enquanto quase nenhum país pobre conseguiu alcançar a 10% de imunização. O PIB distingue os países que inoculam a um bom ritmo, muitos dos quais estão dobrando suas curvas de covid-19.

Na União Europeia, um terço das pessoas já recebeu pelo menos uma dose (33%); o dobro que no continente sul-americano (15%), seis vezes mais que na Ásia (5%) e 20 vezes mais que na África (1,5%).

Como mostra o gráfico acima, os países do norte e centro da América foram os que avançaram mais depressa no começo, empurrados sobretudo pelos Estados Unidos, onde metade da população já se vacinou. Mas a União Europeia é a que avança mais depressa desde abril, quando o fornecimento de vacina se multiplicou. O ritmo atual significa administrar uma dose a 5% da população a cada semana.

Não surpreende que os continentes tenham vacinado virtualmente no ritmo das suas rendas nacionais: com a Europa e América do Norte à frente da América do Sul, que por sua vez vai mais depressa que a Ásia e a África. A exceção relevante é a Oceania: nem Austrália nem Nova Zelândia imunizaram muita gente, embora sejam países ricos, certamente porque conseguiram manter o vírus quase suprimido (suas mortes por covid-19 neste ano e meio de pandemia são 490 e 17.000 vezes menos que no Brasil, respectivamente — também por conta da diferença de grandeza entre os números de suas populações).

O vínculo entre vacinas e riqueza é ainda mais claro quando olhamos por países. É o que mostra o seguinte gráfico, que representa o produto interno bruto por habitante (eixo horizontal) e o nível de vacinação até agora.

Quase todos os países com mais de um milhão de habitantes que já têm pelo menos 30% da população já vacinada (uma dose pelo menos) têm um PIB per capita alto, acima dos 20.000 dólares por habitante. As únicas exceções são Sérvia e Mongólia. E o mesmo ocorre na outra ponta: só há quatro países pobres (menos de 10.000 dólares de renda per capita) que tenham podido vacinar 10% ou mais da sua população – Índia, Marrocos, Camboja e El Salvador.

A maior demora na imunização, em países já marcados por fortes desigualdades internas, tem consequências: “Já estamos vendo na Índia e no Brasil como o colapso do sistema sanitário afeta o turismo e a economia: assim como não irão turistas, também as empresas vão pensar mais se é o caso de abrir ou transferir seu negócio para lá”, explica Jeffrey Lazarus, epidemiologista e pesquisador do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal).

Há um punhado de países excepcionais porque vacinaram pouco embora sejam ricos. É o que acontece com Austrália, Nova Zelândia, Japão e Coreia do Sul, que têm em comum seu sucesso — ou sorte — na contenção do vírus. Um recente estudo na revista The Lancet os apontava como exemplos, na OCDE, das vantagens de uma estratégia de eliminação (e não mitigação) da covid-19, em termos sanitários e, também, econômicos.

Vacinação e imunidade de grupo

O primeiro objetivo da vacina é evitar que os vacinados adoeçam gravemente e morram. Sabemos que a primeira meta está sendo alcançada: segundo cálculos do grupo de Sistemas Complexos da Universidade Politécnica da Catalunha, o nível de vacinação na Espanha no final de abril (25% da população protegida, sobretudo idosos) já deveria bastar para evitar 80% das mortes por covid-19. Mas a vacina também será efetiva em evitar infecções. Um relatório da saúde britânica estima essa proteção em 70% a 90% após a segunda dose da Pfizer. Se essas cifras se confirmarem, a pergunta é se bastam para gerar a almejada imunidade de grupo.

Isso depende de muitas variáveis. Basicamente, queremos manter um número reprodutivo (R, que estima a velocidade na transmissão) abaixo de um. E esse número depende de vários componentes. Por um lado, de quantas pessoas estão imunizadas (ou porque passaram pela doença, ou porque estão vacinadas e evitam a infecção, ou porque não transmitem). Por outro, do contato entre pessoas, essas interações agora reduzidas, mas que irão aumentando. Também influencia a probabilidade de transmissão, a propensão a que um contato acabe em infecção, o que depende por sua vez de outras coisas, como o clima ou o potencial de transmissão de cada variante.

Essa complexidade dificulta estimar quando se alcançará a imunidade de grupo, assumindo que ela seja possível. Segundo cálculos da UPC para a União Europeia, com um nível de contatos como o atual ou um pouco mais elevado, bastaria vacinar 33% a 50% das pessoas para que o vírus deixe de se propagar. Mas isso seria mantendo medidas restritivas, ao passo que levar uma vida normal exigirá mais gente vacinada, possivelmente muito mais.

Os mais vacinados: 40% da população

A seguir, mostramos como a incidência evoluiu em diferentes países conforme a vacinação avançou. Começamos pelos países que têm mais população vacinada.

O caso de maior sucesso é Israel. Lá a vacinação coincidiu com um confinamento rigoroso, e os casos de covid-19 praticamente se reduziram a zero. O avanço da vacinação também coincide com uma queda nos casos no Reino Unido, EUA, Mongólia e Chile, que também vacinaram mais de metade das suas populações.

Mas o gráfico também revela que é possível sofrer surtos severos mesmo tendo muita gente vacinada. É o caso do Uruguai, um país que até novembro se protegeu do vírus com sucesso e vacinou depressa nos primeiros meses do ano, mas que em meados de abril registrou focos importantes de transmissão em lugares delicados, como residências geriátricas. Também no Bahrein, onde a incidência voltou a recrescer mesmo com 40% da população vacinada. Isto pode ocorrer por heterogeneidade — se certos grupos sociais não forem imunizados — ou por uma soma de fatores: se os recém-vacinados aumentam suas interações muito cedo, se outras restrições são relaxadas, ou se as vacinas não forem todas igualmente eficazes.

No Chile, os casos também voltaram a subir em meados de março, quando 30% das pessoas já tinham recebido pelo menos uma dose. Então as autoridades reviram sua estratégia, por causa dos sinais de que a Sinovac, a vacina mais usada até então, precisa de uma segunda injeção num curto intervalo para oferecer uma proteção sólida (com a primeira ficava em 25 a 30%, frente aos 80% da Pfizer). Nesta situação, como aponta um estudo, também se produziu um aumento de contatos que facilitou o repique. Agora, dois meses depois, os contágios no país voltam a baixar.

Estas cifras recordam o desafio que será retomar a normalidade, como aponta Lazarus: “Não será fácil continuar crescendo depois de chegar a 50%. Já estamos vendo que nos EUA há muita gente pouco convencida, e ainda por cima dispersa em áreas rurais sem a infraestrutura sanitária necessária; ou que as pessoas mais jovens não achem tão necessário ou urgente se vacinar, como está ocorrendo no Reino Unido”.

Entre 25% e 40%

O segundo grupo de países que observamos é daqueles onde um terço da população já recebeu uma dose. São todos países europeus que, além de estarem em níveis semelhantes de vacinação, estão saindo do inverno, o que supostamente pode ajudar a controlar o vírus.

América Latina

Para o último gráfico pusemos o foco na América Latina, onde o vírus avançou em ritmos muito diferentes nos últimos meses. Alguns países do sul da região viram a incidência subir com a chegada do inverno, como o Chile, a Argentina e o Uruguai. Na América Central, os registros vêm caindo, com a exceção da Costa Rica, onde estão recrudescendo.

O continente acrescenta uma variável ao quebra-cabeça: a extensão das cepas mais transmissíveis, como a P1 detectada no Brasil e que depois saltou a muitos países vizinhos. Essa variante parece contagiar com mais facilidade, embora as vacinas tenham demonstrado eficácia contra ela.

Ter mais gente vacinada ajudará a mitigar o vírus. Mas, enquanto a vacinação avança, teremos que continuar fazendo equilíbrios: poderemos ir recuperando contatos e relaxando restrições, mas só num ritmo que permita o nível de imunização, a transmissibilidade do vírus e sua sazonalidade. O jogo será mais simples que nos últimos meses, talvez cada vez mais permissivo, mas continuará sendo um malabarismo pelo menos por um tempo.

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Fonte da reportagem: El País, 22/05/2021 

https://brasil.elpais.com/sociedad/2021-05-22/assim-avanca-a-vacinacao-pais-por-pais-rapida-nos-mais-ricos-nem-tanto-nos-mais-pobres.html

Crédito das Imagens:

1. Imagem assinada, divulgada no Facebook

Observação: nesta postagem não foram integrados os gráficos do texto original. 

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ZlPrGG

E SE VOLTÁSSEMOS À IDEIA GREGA DA FELICIDADE? Entrevista com a filósofa ILARIA GASPARI

4 de junho de 2021

Entre as formas possíveis de cuidar da saúde mental, neste período doloroso para todos nós, a jovem filósofa e romancista italiana Ilaria Gaspari nos fala da ideia grega de felicidade.  A entrevista dada ao  jornal Le Monde, em 30 de maio, foi  publicada em versão portuguesa no  portal IHU-Unisinos. 

No final da entrevista estão informações sobre a autora.   

 

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“E se aproveitássemos este momento para retomar a ideia grega de felicidade?”

  • Entrevista com: Ilaria Gaspari
  • Entrevistador: Nicolas Truong
  • Versão portuguesa: Ancré Langer



A filósofa italiana, Ilaria Gaspari, explica como a sabedoria dos Antigos, sejam epicuristas, estoicos ou pitagóricos, pode nos ajudar a vivenciar tanto os colapsos do confinamento como os alívios do desconfinamento. 

A entrevistada, que é também romancista, publicou Lições de felicidade. Exercícios filosóficos para o bom uso da vida (Belo Horizonte: Editora Âyiné, 2020), um conjunto de exercícios de filosofia aplicada que narra como os preceitos das escolas de sabedoria antiga podem nos ajudar a superar as rupturas e as feridas da vida. Hoje, ela explica ao Le Monde como esses pensamentos nos permitem apreender os tormentos e os impulsos de uma existência perturbada pela pandemia da Covid-19 Segue a entrevista.

Como outros países, a França está levantando algumas das restrições ligadas à crise de saúde. Como apreender esta alegria e estas felicidades redescobertas, que apesar de tudo permanecem muito condicionadas?

Como Sócrates diz no Fédon, o prazer nasce também da cessação de uma dor. Ou seja, nada é mais agradável do que o alívio... E acredito que se tratará, justamente, de um momento de tranquilidade que tanto esperávamos. Essas coisas que antes considerávamos quase banais, como compartilhar um copo no terraço, obter um sorriso, ouvir conversas de vizinhos, sair com os amigos, ir comer no bistrô, viver um ao lado do outro... Depois dessa interminável interrupção, elas voltarão como novas. E tenho que admitir: mal posso esperar para experimentar esse momento.

Existe uma atitude filosófica que poderia nos preparar para esse súbito “excesso” de prazeres?

Certamente! Toda a filosofia antiga, em certo sentido, é uma educação para a moderação, um princípio que perdemos de vista, mas que poderia muito bem nos ajudar agora. O que tentarei fazer todas as manhãs é sondar quais são as minhas necessidades de acordo com a prescrição de Epicuro: perguntar a mim mesmo, em relação a cada um dos meus desejos despertos, a que categoria ele pertence. Se é uma necessidade, uma necessidade natural ou mesmo imperiosa ou, pelo contrário, se não corro o risco de sofrê-la – de me tornar “escravo” deste novo prazer e, assim, desenvolver uma dependência. Já sei que não será fácil, mas este momento, este acontecimento que se avizinha, parece-me uma boa oportunidade para se testar e prestar-se a um novo exercício espiritual.

Por que você procurou os pensadores gregos da Antiguidade para encontrar maneiras de sobreviver ao desespero?

Depois de uma ruptura amorosa dolorosa, decidi ir para a escola dos filósofos gregos, seguindo suas regras de conduta de vida às vezes misteriosas. Após estudar a doutrina de seis escolas antigas diferentes, bem como a vida dos mestres, tentei seguir seus preceitos durante seis semanas: fui sucessivamente pitagórica, eleata, cética, estoica, epicureia e finalmente cínica. A minha ambição era perder os automatismos e os hábitos diários para me reorientar e modificar a ideia que tinha da vida.

Por que faz bem ler Pitágoras ou Epicuro, Epicteto ou Diógenes ao passar por uma provação, como a de uma pandemia?

Durante o primeiro confinamento, fiquei impressionada com a forma como os gregos falaram conosco neste momento crítico. Porque essas escolas, em particular as escolas helenísticas, também floresceram em um período de crise, se por crise entendemos uma mudança seguida de uma perda de pontos de referência: a época das conquistas de Alexandre marcou uma passagem traumática através da qual os cidadãos da polis se tornarão sujeitos, à medida que as fronteiras do mundo se expandiam.

Os gregos têm uma palavra para falar do tempo, não num sentido cronológico, mas qualitativo: kairós. Na medicina antiga, o kairós, o momento certo para intervir, é o momento da crise. Estamos em uma crise coletiva que nos obriga a nos repensarmos. Pensar filosoficamente significa sentir a tensão do desejo de compreender, sem esperar respostas prontas, receitas a aplicar. Não se trata de desenvolvimento pessoal, mas de um ideal pedagógico de educação de si mesmo. Entre os filósofos antigos, existe a ideia de uma filosofia viva, vivida como um “exercício espiritual”, como muito bem disse o filólogo e filósofo Pierre Hadot (1922-2010).

Pode nos dar exemplos desses exercícios espirituais?

Refletir sobre os fragmentos de Pitágoras no contexto do confinamento significa concentrar-se em minúsculas mudanças de hábito, na extensão do rastro que deixamos em nossas vidas. Ler Epicuro, para refletir sobre a natureza de nossos desejos, para não nos deixarmos governar pelo medo. Fazer-se discípulo de Epicteto, lendo seu Manual, para distinguir as coisas que dependem de nós daquelas que estão além do nosso alcance, para concentrar nossos esforços naquilo que realmente podemos mudar. Sem esquecer o cinismo de Diógenes que nos estimula a questionar nossa tendência ao conformismo, e nos obriga a nos perguntar: “do que realmente temos necessidade?” É assim que a filosofia pode nos ajudar a viver os infortúnios, bem como as alegrias de nossos tempos difíceis.

Como não ceder ao medo, mas também superar o sentimento de opressão e às vezes até de colapso que estamos passando neste período?

Sobre este ponto, o filósofo que mais claramente nos fala é Epicuro, um personagem revolucionário à sua maneira, que abriu sua escola não só para as mulheres, o que já era muito raro, mas também para as escravas! Por meio de seus ensinamentos, ele garantiu que ninguém fosse exposto à chantagem do que temia. Ele inventou um tetrapharmakos, uma espécie de medicina lógica, um pensamento racional para ajudar aqueles de nós que o medo aliena: o medo dos deuses, da morte, da dor, de não poder alcançar o prazer da vida, etc. Medos que persistem ainda hoje, seja você um politeísta ou não. É um patrimônio precioso, sobretudo porque testemunha um grande amor pelos outros: o amor de um filósofo generoso que, apesar das perseguições de que foi alvo, nunca desprezou a fraqueza dos homens. Epicuro também aprende a fazer um exame muito sério de seus desejos, sem, no entanto, reprimi-los.

Por que a amizade é um dos laços mais importantes em tempos de provação?

De todas as coisas boas que a sabedoria nos oferece para a felicidade de toda a nossa vida, a amizade é a maior”, diz Epicuro. Mas ele não fala apenas da amizade entre amigos, mas de uma atenção devotada aos outros, até mesmo aos desconhecidos. É um vínculo subterrâneo que permeia qualquer relação: sempre se pode adotar a postura da amizade, isto é, de uma atitude generosa, semelhante à benevolência desinteressada que constitui o segredo de toda amizade verdadeira. Essa disposição decorre do reconhecimento dos sinais universais da condição humana no outro. Penso que essa terrível pandemia, que nos obriga a admitir nossa própria vulnerabilidade, nos oferece uma oportunidade valiosa de exercer esse olhar e essa atitude.

Por que nossa relação com o tempo e inclusive com o espaço pode ser compreendida de forma diferente graças aos pensadores antigos?

Ao tentar interpretar os paradoxos de Zenão como uma chave existencial, eu refleti sobre o que a pandemia nos apresentou na sequência: que o tempo é apenas uma coleção de momentos que estão todos presentes. O esforço que os anos 2020 e 2021 nos exigiram, nomeadamente o de desistir de nos projetarmos no futuro, é difícil. A menos que você seja um sábio estoico, acho que é impossível para um ser humano viver completamente no presente; mas pensar criticamente sobre a forma que damos ao tempo em nossa própria imaginação pode ser de grande ajuda. Graças aos gregos, que eram muito apegados ao tempo livre (schole é a palavra para designá-lo, da qual deriva nossa “escola”), aprendi (um pouco) a me libertar das injunções contemporâneas para capitalizar o tempo, para investi-lo. Devo acrescentar que tive outro mestre para isso: meu cachorro, adotado após minha semana cínica. Os cães têm um sentido maravilhoso do presente: observar outras formas de vida, partilhar momentos de vida com eles, é um excelente exercício de filosofia!

Depois deste ano doloroso, a felicidade pode voltar a ser uma ideia nova na Europa?

Penso – espero, embora seja uma atitude pouco estoica – que sim. Nossa imagem muito fotogênica de felicidade, concebida como um momento de euforia, um sorriso no Instagram, mostrou seus limites. E se aproveitássemos esse momento para retomar a ideia grega de felicidade? Ou seja, a eudaimonìa, “o apaziguamento do seu daemon pessoal”. Uma jornada repleta de armadilhas, certamente, mas que leva a se conhecer, a se tornar o que se é.

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* Ilaria Gaspari, a filosofia conjugada no futuro do pretérito

Nascida em Milão em 1986, Ilaria Gaspari estudou primeiro filosofia na Escola Normal de Pisa. Neste ambiente ao mesmo tempo “gentil e competitivo”, a jovem filósofa tem a impressão de viver “como numa escola socrática”. Ela extrairá de suas memórias de impetuosa erudita, ao mesmo tempo alegre e melancólica, um romance sobre essas portas fechadas de estudante, L'Ethique de l´aquarium (Grenelle, 2017). Depois de um mestrado dedicado à teoria dos afetos de Spinoza, ela parte para Paris e obtém o doutorado na Universidade de Paris-I – Panthéon-Sorbonne, sob a supervisão de Chantal Jaquet, uma especialista do corpo e particularmente conhecida por seu estudo filosófico da passagem de uma classe social para outra (Les transclasses ou la non-reproduction, PUF, 2014).

Instalada entre 2012 e 2016 em um estúdio de 17 m2 próximo à estação de metrô Pireneus – “Um paraíso”, lembra-se ela –, Ilaria Gaspari não abre mão da literatura. Fã de Mark TwainDenis Diderot e Charles Dickens, ela agora dá cursos de redação autobiográfica em Turim e Roma, e colabora com vários jornais on-line, mas também com o jornal Corriere della Sera, no qual escreve crônicas filosóficas.

“Prazer perdido”

Um rompimento amoroso brutal leva-a a retornar aos filósofos antigos. E perceber que “a filósofa se tornou acadêmica demais”. Porque Epicuro ou Epicteto não são apenas teóricos, mas mestres de vida. “Desesperada, escreve, largada da noite para o dia após dez anos de amor”, ela tem que se mudar e se encontra diante de “trinta caixas de pura sabedoria humana”, que a reenviam à sua história, porque “esvaziar uma biblioteca é como se inventar arqueólogo de si mesmo”, mas também à sua relação com o saber: uma disciplina estudada no “tanatófilo” como uma “ciência morta”. Ela então decide literalmente desempacotar tudo e viver de acordo com os preceitos dessas escolas, algumas das quais, como a de Pitágoras, “não são tão diferentes de uma seita”, admite.

Seis semanas de questionamentos depois, ela volta a se encontrar com as cores, à semelhança das suas roupas e de seu interior: “Desde que perdi minhas velhas certezas e aprendi a me deixar dominar pelas regras das escolas antigas, encontrei um prazer há muito tempo perdido”, escreve esta jovem que adora os clássicos,e, ao mesmo tempo se mantém firme nas preocupações de sua geração e de seu tempo. Este desejo de lutar contra as paixões tristes continua no seu último livro, Vita segreta delle emozioni (A vida secreta das emoções), que acaba de ser publicado pelas Edições Einaudi na Itália. Não surpreende, vindo de uma autora que se arrisca a “redescobrir a juventude da filosofia”.

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Fonte do texto: 

http://www.ihu.unisinos.br/609796-e-se-aproveitassemos-este-momento-para-retomar-a-ideia-grega-de-felicidade-entrevista-com-ilaria-gaspari

Publicado em: Le Monde - 30/05/2021

Crédito Imagens:

  • 1.Imagem de abertura - arquivo pessoal
  • 2. Ilaria Gaspari - Vogue-ES
  • 3.  Capa do Livro - Lições de Felicidade - Editora Âyiné - Belo Horizonte/MG - 2020 -  www.ayine.com.br/catalogo/licoes-de-felicidade/
  • 4. Ilaria Gspari - www.popsophia.com.jpg

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UBUNTU - CULTIVANDO A TERRA EM COOPERAÇÃO

28 de maio de 2021

Após vários anos escrevendo e reproduzindo  crônicas, artigos e entrevistas, neste espaço, o momento atual me sugere dar maior prioridade à publicação de experiências exitosas de cooperação, solidariedade e Justiça Social. As informações sobre o vaivém da política atual e a situação da pandemia, no Brasil e no mundo, têm sido divulgadas com seriedade por vários canais como, por exemplo, o de Eduardo Moreira, Opera Mundi,  IHU-Unisinos, TV 247, CIMI, e os jornais e revistas: El País Brasil, Carta Capital, Carta Maior e outras fontes alternativas confiáveis. Volto à ideia de Maturana, de quem falamos recentemente: “A humanidade pode reconstruir o mundo, mas a evolução só vem a partir do Cuidado”. 

Minha intensão é sair em busca de experiências inovadoras, notícias alentadoras para nos dar força a seguir em frente, que eu chamaria de Histórias Exemplares. A de hoje, nos chega de uma comunidade de trabalhadores da Agricultura Familiar do Município de Queimados no Polo Borborema,  situado na mesorregião do Agreste Paraibano e na Microrregião do Brejo Paraibano, Nordeste do Brasil. Conheceremos o impressionante trabalho do cultivo da terra e de um banco de sementes, para enfrentar os transgênicos. Um exemplo de trabalho em cooperação, com o espírito aberto para o outro.                      Para ajustar a longa entrevista a este espaço, tivemos que cortar alguns trechos, embora  mantendo a informação essencial.

              “Nenhum de nós é tão bom quanto

                         todos nós juntos”

Entrevistadores: 

Helena Rodrigues Lopes e  Gabriel Bianconi Fernandes,

Há poucos dias a AS-PTA -  Agricultura Familiar e Agroecologia, publicou uma entrevista realizada por  com Mateus Manassés Bezerra Nascimento, jovem agricultor de Queimadas,  integrante do Polo da Borborema, situado na mesorregião do Agreste Paraibano e na Microrregião do Brejo Paraibano. Durante a entrevista, Mateus falou sobre a mobilização no município e no território, em torno da utilização e da defesa das sementes crioulas, e sobre as formas de mobilização e de engajamento da juventude. Segue a entrevista.

Como acontece o trabalho de resgate, conservação e proteção das sementes crioulas na sua comunidade?

Na minha comunidade do sítio Soares, temos um banco de sementes criado em 2016. Eu tinha 18 anos, e fui eleito presidente do banco. Tivemos apoio da AS-PTA para equipar o banco com lona, estantes, peneiras e bombonas para guardar as sementes. Para guardar as sementes, ofereci a casa de barro onde moraram meus avós. A reforma e construção da casa foi feita com apoio da comunidade, uns dando materiais, outros ajudando na obra. Começamos com 15 sócios. Eu tinha receio de não saber se ia dar certo. Todos pegaram sementes, multiplicaram e devolveram. No segundo ano, conseguimos duplicar o quadro de sócios. Para celebrar, fizemos a festa da colheita com a comunidade. Cada um doou um pouco de alimentos e fizemos um jantar extraordinário. Teve banda de forró, as pessoas comeram, dançaram e curtiram mesmo. Na ocasião fizemos uma discussão sobre sementes crioulas. As pessoas sabiam o que era, mas não com esse nome. Todos tinham em casa essas sementes que vieram dos pais e dos avós. Assim o banco foi ficando conhecido.

Como se dá a mobilização quanto à ameaça dos transgênicos?

Nas campanhas sobre sementes, como, por exemplo a “Não Planto Transgênicos para não Apagar Minha História”, a gente explica para os agricultores o que é a transgenia. Uma coisa é explicar a questão para uma pessoa que teve acesso aos estudos. Outra é explicar para muitos agricultores que não tiveram a oportunidade da instrução, e gerar uma conscientização da importância de se plantar o milho livre de transgênico. O desafio é grande, mas estamos conseguindo, vamos explicando da forma mais didática possível.

Por que é importante que as sementes crioulas não fique só no roçado da família, mas seja uma opção coletiva da comunidade?

Um desafio grande que enfrentamos aqui é que as áreas dos agricultores são muito pequenas. Então, se um plantar livre de transgênico e o vizinho plantar contaminado, aí vai tudo por água abaixo. Aproveitamos um ano que boa parte das pessoas não tinha semente de milho por conta da seca. Essa foi a oportunidade para entrar com milho livre de transgênico. O Banco Comunitário tinha semente e fez o empréstimo para um grupo de pessoas. Elas plantaram e lucraram muito, deu boa produção. Além da semente, lucraram com a palha para os animais. Isso conquistou as pessoas. O segundo passo foi dizer que esse era o jabatão vermelho, um milho livre de transgênico. É um milho muito pesado. Com menos de quatro latas já dá um saco de 60 kg. Ainda não podemos dizer que 100% da comunidade é livre de transgênicos, pois tem grandes proprietários de terra na região e com esses é mais difícil o diálogo.

Como as famílias aumentam a diversidade cultivada?

Tem muitas sementes que as famílias não veem mais, e acham que estão perdidas, mas nas Festas Estaduais das Sementes da Paixão, organizadas pela ASA Paraíba, é possível recuperar. Na última festa, por exemplo, o pessoal voltou com sementes do jerimum pururu. (...) Outra semente resgatada foi a fava moita. Ela é como o feijão preto. Com as trocas de sementes recuperamos também o milho jabatão amarelo.

Como você avalia as políticas públicas de sementes?

Estamos numa gravação em massa de vídeos pra fazer o recado chegar no Governo. Se a gente ficar calado, é como dizer que a gente gosta das políticas atuais. Os agricultores estão rejeitando a semente do governo, que vem de outra região e é tratada com agrotóxicos. Não se trata de ser contra a política pública. A política de distribuir de sementes é fantástica, mas desde que ela compre as sementes dos agricultores. Nós agricultores também não produzimos sementes? Então compre de nós pra distribuir para outros agricultores pequenos, como nós, e dá também pra esse povo a oportunidade de plantar uma semente de qualidade. Somos capazes de vender semente de qualidade para outros agricultores. Por que, então, comprar outra semente? Nesse governo atual eu não tenho a menor esperança. Ali não tem nenhuma boa vontade, nenhuma esperança de melhoria, especialmente que seja voltada para o Semiárido. Nos governos do PT e, em especial os do Lula, a gente teve um impulso muito forte para a agricultura. Quando você tem um governo que nega até a construção de cisternas para captação de água de chuva, aí você vê a desvalorização do governo para com nós agricultores.

Como construir políticas de Agroecologia nos municípios?

O município de Queimadas hoje tem uma visão diferenciada. Os pequenos agricultores já têm o apoio da prefeitura para preparar a terra. Temos projeto de palma forrageira e outro de melhoramento dos rebanhos. Então, eu vejo uma transformação no poder público municipal. Por mais que seja lenta e às vezes burocrática e não chegue a todos os agricultores, eu vejo uma transformação. O Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável se reúne todos os meses. Tem um representante da Câmara Municipal no Conselho. Três anos atrás, conseguimos que parte do dinheiro que vem para o município fosse usado para comprar sementes dos agricultores do município ou do território para reforçar os Bancos de Sementes ou para ajudar a criar outros. Mas não vimos essas sementes, nem sabemos onde elas foram parar. Mas o desafio é a nossa energia. Estamos na luta sempre para defender o que é nosso. Mesmo assim, considero que temos uma vitória no município.

As crianças estão também se envolvendo no tema das sementes?

Tem muitas comunidades aqui no território que trabalham as Cirandas da Borborema. São crianças que estão tendo a oportunidade de participar das discussões desde a infância. Está se tornando normal para elas. Hoje, já temos pessoas com 18, 19 anos que participaram das Cirandas e têm um olhar diferenciado da agricultura, para o meio ambiente e o planeta.

E qual o papel da juventude nos Fundos Rotativos Solidários?

Os FRS chegaram na nossa comunidade em 2017. A região de Queimadas é mais seca, então aqui o trabalho é mais forte com as criações do que com os roçados. A comunidade tinha a necessidade de criação de ovelhas. Os jovens sempre gostaram de criar ovelhas. E foi aí que veio o Fundo Rotativo. Foram cinco ovelhas e um reprodutor da raça “morada nova”, que é adaptada. Os jovens fizeram sorteio no grupo e cinco foram contemplados no primeiro ano. No segundo ano, todos os cinco fizeram repasse. No terceiro ano fizeram repasse de novo. Hoje, mais de 18 jovens já foram beneficiados e a perspectiva é passar de 24. É um sucesso na comunidade. Uma das beneficiárias tinha 10 anos quando recebeu sua ovelha. Isso motivou bastante outros jovens. Agora esses jovens podem vender uma ovelha para comprar um celular, comprar uma roupa no final do ano e mesmo ajudar em casa. É um modo de gerar renda na nossa comunidade. Hoje tem jovens com rebanhos de 5, 8 cabeças. Eram jovens que não tinham nada. A gente vê que do nada a gente pode transformar muita coisa. Os pais se surpreenderam com os próprios filhos. A partir daí foi lançado o Fundo Rotativo das mulheres. Muitas mulheres são dependentes da renda do marido. A Associação reuniu 20 pessoas, sendo eu e 19 mulheres. Isso foi em fevereiro de 2018. O combinado foi que cada um colocaria 10 reais por mês e esse dinheiro seria usado para comprar uma ovelha ou uma cabra e sorteá-la entre as mulheres. Alguns animais já vinham prenhes. Em agosto de 2019, todas as participantes já tinham cabras e ovelhas nas suas casas. Quando alguma dessas mulheres tem uma necessidade em casa, elas já têm de onde tirar o recurso. Aí, a gente volta no milho. A semente do milho é importante para produzir forragem para esses animais, na época de estiagem. É uma coisa ligada na outra, por isso que o trabalho dá certo. Se não for, não dá certo.

Como você entende a relação entre guardiões de sementes e o trabalho da juventude na conservação das sementes?

Os mais velhos se vão e os jovens ficam. Assim, são os jovens que devem assumir a responsabilidade de guardar as sementes para as gerações que ainda vão chegar. Antes, os jovens não se ligavam muito nisso porque não tinham espaço, era só o trabalho. O dinheiro ficava com os pais. A partir da nossa proposta de autonomia da juventude com os Fundos Rotativos, agora são os próprios jovens que estão encabeçando esse trabalho. São esses mesmos jovens que hoje me ligam e perguntam: “Mateus, tem semente? Pai quer comprar, mas eu já disse a ele que no Banco de Sementes tem”.  Ou seja, os próprios jovens estão preocupados com o tipo de semente que os pais vão plantar. Isso é uma recompensa muito forte. Vemos que o trabalho está fluindo. É uma ação transformadora. Esses jovens estão tendo a oportunidade de fazer alguma coisa diferente, seja para sua comunidade, seja para sua própria vida.

Como as atividades se integram nas redes de Agroecologia? 

Eu defino o movimento aqui da região em uma palavra só: Ubuntu.   "Ubuntu"  significa nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos. Ou seja, quando a gente tem um movimento de base sólido, dificilmente as coisas dão errado. É uma força motivadora. Quando uma das comissões temáticas do Polo da Borborema está enfraquecendo, vem outra comissão e levanta ela pra cima de novo. Esse trabalho só está dando certo até hoje porque é um trabalho em conjunto. O jovem pode fazer de tudo e passar por todas as comissões, assim como as mulheres, os idosos e os homens. Se fosse isolado, a gente já tinha enfraquecido. No momento em que tem um Banco de Sementes, no momento em que tem uma Associação, no momento em que tem um Sindicato atuante, no momento em que tem um conjunto de Sindicatos, que é o Polo da Borborema, dificilmente vai dar errado. Tem muita gente pra nos ajudar. E a gente também pode ajudar muita gente. É dessa forma que podemos prosperar.

Qual o aprendizado que você destaca desse trabalho?

Eu aprendi que todos nós somos capazes de mudar. Também somos um agente transformador, assim como também nós somos transformados. Pessoas que eu vi e pensei que nunca adeririam ao trabalho, que nunca entrariam na Associação, que nunca iam valorizar um Sindicato, hoje defendem de unha e garra todos esses projetos, como os FRS. O aprendizado que eu tiro é que a gente é capaz de mudar e é capaz de ser mudado por outro alguém. Ninguém tem o conhecimento consolidado e não tem ninguém que não possa contribuir com um pouco. Sempre vai ter essa dinâmica na vida da gente. Nada está concluído, sempre a gente está em busca de transformação. Isso é muito gratificante. Quando você lida com pessoas, você lida com surpresas todos os dias. Um reage de uma forma, outro reage de outra. Uns te botam pra baixo, outros te jogam pra cima e tu decolas como um balão. É nesse equilíbrio da vida que a gente tá conseguindo transformar um pouco da realidade que a gente vive. É com essa força motivadora que a gente acorda todos os dias e nos mantém na luta. Se a gente for só olhar pro negativo do mundo, pro negativo do governo, pra negatividade da pandemia, a gente cruza os braços e desiste. Sempre tem que ter esperança. Como dizia o saudoso Paulo Freire, não a esperança de se sentar e esperar que esteja tudo transformado, ou por outras pessoas ou por Deus, como o povo costuma dizer. Todo mundo só bota a culpa em Deus, se Deus quiser, Deus vai fazer. Mas Deus usa as pessoas e essas pessoas somos nós. Se a gente está insatisfeito com a nossa realidade, a gente tenta transformar ela. Nem que seja só tirar uma pedrinha do caminho pra quando outra pessoa for passar não tropeçar, mas que faça. E que faça todos os dias. Se todos os dias da sua vida você puder fazer alguma coisa que lhe ajude e ajude os outros, faça. Por mais simples que seja, mas faça. No somatório disso tudo a gente vai desmanchando um paradigma que foi criado e a gente vai criando outros conceitos e outras forças motivadoras.

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Fonte da entrevista: http://www.ihu.unisinos.br/609640-nenhum-de-nos-e-tao-bom-quanto-todos-nos-juntos   - Publicado em: 27/05/2021

Veja o vídeo - https://youtu.be/Z2izELh-qqA

Trata-se de um vídeo premiado, do trabalho de Maria do Socorro Cavalcante, com galinhas de capoeira, no Sítio Bento, em Boqueirão da Paraíba, no Nordeste. 

(*) Os temas das comissões do Polo da Borborema: Sementes, Água, Mercado, Saúde e Alimentação, Criação Animal, Juventude, Infância e Educação.

Crédito das Imagens:

1. Comunidade no sítio Soares (Foto: AS-PTA)

2. Mateus Manassés Bezerra Nascimento (Foto: AS-PTA)

3. Agricultor do município de Queimadas (Foto: AS-PTA)

4. Pequenos agricultores do município de Queimadas (Foto: AS-PTA)   

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