Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

NEGROS E FAVELADOS PRESENTES NO DIÁLOGO POLÍTICO

13 de setembro de 2017

Há boas notícias de ampliação da presença de favelados e negros nas questões políticas do país. 

Integrantes de uma nova legenda, a Frente Favela Brasil protocolou, no TSE, o registro civil de um novo partido, o 38º no quadro político do país.  

Ao divulgar essa notícia, o site g1.globo.com, registra que o músico Rappin Wood brincou: "Agora, a gente vai saber o que acontece lá dentro". E MV Bill  (o rapper) pontuou:  "É um passo importante, mas ainda é pequeno se a gente for olhar a distância da caminhada que a gente tem ainda pela frente. Não dá pra iludir que vai ser uma luta fácil, porque não vai ser. A gente vai levar porrada o tempo inteiro, mas vai ter mão pra bater. Vamos ser questionados a todo momento, toda hora e a gente vai ter que ser muito forte".  De acordo com Derson Maia, um dos participantes da legenda, o objetivo é dar voz à parte da população que é "esquecida" pela política atual.

Demonstrando a visão de quem deseja cultivar valores que unem, na política, e que estimulam a abertura ao diálogo e à cidadania, Patrícia Alencar — a presidente do novo partido, que divide a responsabilidade com Wanderson Maia, — afirmou: "É uma forma da gente igualar mais as decisões. As mulheres são uma força pouco ouvida no país, e são as que mais entendem e têm o poder do diálogo"

A fala de Patricia Alencar me fez pensar em mulheres negras que têm promovido êxitos com sua visão dialogal, como a nossa intrépida Benedita da Silva que conseguiu o grande feito, no Congresso Nacional, da inserção das domésticas na CLT (que viviam à mercê da boa vontade dos patrões, para serem respeitadas), que hoje têm os seus direitos igualados aos dos outros trabalhadores brasileiros. Benedita da Silva foi a primeira mulher negra a ocupar cargos de senadora e governadora no Brasil. 
Segue a entrevista.

"Queremos o preto e o favelado no centro do processo decisório".

Wanderson Maia 
é entrevistado 
por Débora Melo 
Carta Capital, 12/09/17



Frente Favela Brasil quer se tornar partido. Movimento é progressista, mas não se identifica com a atual esquerda brasileira, diz seu presidente
Com a crítica de que os partidos que estão no poder não têm discutido temas como o genocídio da população negra e as incursões policiais nas periferias do País, a Frente Favela Brasil luta para se transformar em legenda.

Lançado em 2016, o movimento acaba de protocolar um pedido de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e agora corre para coletar quase 500 mil assinaturas para se transformar no 36º partido político brasileiro. Se fizer isso até outubro próximo, poderá disputar as eleições de 2018.

O principal objetivo da sigla é combater as desigualdades que assolam o povo negro e 
periférico por meio da construção de um "projeto de oportunidades". A diferença, diz o presidente Wanderson Maia, de 28 anos, é que, em vez de buscar terceiros que a represente, a Frente Favela vai atuar para colocar o preto e o favelado nos espaços de poder. “Todos nós sempre estivemos longe do debate político central”, afirma Maia, que vive em Brasília.

Servidor público e cientista político, Maia divide a presidência do partido com Patrícia Alencar. Na Frente Favela, a ideia é que 50% dos quadros partidários sejam compostos por mulheres.

Nesta entrevista a CartaCapital, Wanderson Maia fala sobre os planos do partido. A legenda quer representar os 54% da população brasileira que se autodeclaram pretos ou pardos e, embora defenda pautas progressistas, o movimento não se identifica com a esquerda brasileira. "Levamos bandeiras históricas da esquerda, mas não nos sentimos contemplados pelos partidos que aqui estão."

CartaCapital: Por que a Frente Favela Brasil quer se tornar partido? Qual o objetivo?

Wanderson Maia: O objetivo central da Frente Favela é promover a igualdade de oportunidades para os pretos e para os favelados e periféricos de todo o País. 

Precisamos ter a consciência étnico-racial de que os negros foram alijados de toda a estrutura social, a eles foram renegados vários direitos fundamentais. No governo, a esquerda promoveu algumas políticas de inclusão, mas algo ainda residual para a realidade negra do Brasil e para a realidade daqueles que vivem em comunidades periféricas.

Todos nós, tanto negros quanto favelados, sempre estivemos longe do debate político central, longe dos temas centrais dos programas dos partidos tradicionais. Então, além de promover a igualdade de oportunidades, o partido pretende promover a auto-organização do povo negro e favelado para que possam participar politicamente a partir da nossa estrutura partidária. Queremos o preto e o favelado no centro do processo decisório.

Hoje, os negros participam da política em seus guetos partidários, sendo representados por aqueles que sempre estiveram no processo decisório político: os brancos das classes mais abastadas do País. Então a ideia é fazer com que a envergadura do partido sejam os negros, as mulheres e os favelados.

CC: A Frente Favela foi lançada em 2016, e vocês já disseram que o impeachment de Dilma Rousseff influenciou o movimento. Como se deu essa influência?

WM - Naquele momento houve no País uma falsa polarização, como se estivessem em disputa dois modelos de fazer política totalmente diferentes um do outro, azul e vermelho. Isso nos influenciou porque, naquele contexto do impeachment, havia um debate interno de onde nós deveríamos nos enquadrar.

Essa foi uma cobrança que a polarização exerceu sobre todos os brasileiros, cada cidadão deveria ser ou coxinha ou petralha, ou azul ou vermelho. Isso colocou para nós, pretos e favelados, uma reflexão. Em que momento o genocídio da população negra está sendo discutido no PT ou no PSDB? Em que momento questões como as incursões policiais nas favelas, que são caras para a população preta e para a população periférica, estão sendo discutidas?

O Estado de exceção já existia para a população periférica, que sempre viveu a ausência da Constituição, a ausência da garantia de seus direitos fundamentais. Isso não foi plataforma política em momento algum, nem na campanha eleitoral de 2014, nem no debate do impeachment, nem na discussão sobre a superação da crise econômica. Nós evocamos a frase de uma das teóricas que temos como referência, que é a Sueli Carneiro, feminista negra: Entre esquerda e direita, nós permanecemos pretos.

CC - Se o partido for criado de fato, de que forma vocês vão se apresentar ideologicamente? Esquerda ou direita?


WM - É claro que as nossas bandeiras históricas têm muito mais familiaridade com as bandeiras da esquerda, do bem-estar social, da intervenção do Estado em alguns aspectos da economia. Mas esse debate do genocídio da população negra, da violência que afeta as nossas comunidades, seja pela ausência do Estado, seja pela presença do Estado de maneira violenta, esse debate gera questões políticas que, para nós, são diferentes do debate da esquerda atual.

Então é assim que a gente se posiciona: levamos bandeiras históricas da esquerda, mas não nos sentimos contemplados pelos partidos de esquerda que aqui estão.

CC - Quais são as outras bandeiras?


WM - Valorização da nossa história e da cultura negra; oportunidades de
 trabalho e pleno emprego; e educação pública, gratuita e de qualidade. São bandeiras que o campo de esquerda vem trazendo, mas com a diferença central da estrutura partidária e de representação. Essa é a inovação que o Frente Favela traz. O partido não traz as bandeiras históricas apenas em teoria, como ideologia programática no estatuto da legenda, mas procura trazer o protagonismo de cada favelado e cada preto do País. São eles que vão compor as diretorias municipais, estaduais e nacional do partido. É nessa questão da representação que a gente quer atuar como diferencial dentro da esquerda.

CC - Vocês já estão escolhendo os candidatos que eventualmente disputariam as eleições pelo Frente Favela? O rapper MV Bill está sendo cotado?

WM - Definitivamente ainda não estamos nessa discussão eleitoral de quem serão os nossos pré-candidatos ou os nossos futuros candidatos. Estamos na fase de construção da estrutura interna do partido e da coleta de assinaturas.

Com a legenda na mão, com o registro do partido proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral, aí sim faremos as prévias, as discussões e as convenções do partido para debater de que forma vamos nos colocar no quesito eleitoral.

Por enquanto nós temos o apoio de vários artistas, de pessoas que se identificaram com o nosso programa e que estão somando na organização interna do partido. O MV Bill e outros artistas, intelectuais negros e pessoas que estão na mídia e que vêm desse contexto de subúrbio ou favela, a participação deles gira em torno não de candidaturas, mas de apoio ao partido, de fazer a Frente Favela acontecer.


CC - Vocês precisam de quase 500 mil assinaturas para obter o registro junto ao TSE. E, para que possam disputar as eleições de 2018, vocês têm menos dois meses para fazer isso. Qual a expectativa? Vai dar tempo?

WM - Nós estamos com uma expectativa bastante otimista porque muita gente tem nos procurado se colocando à disposição como voluntário, para fazer acontecer as assinaturas. Estamos crescendo muito em termos de organização e acho que vai ser possível.

As pessoas têm olhado para o sistema político atual e não têm visto nada parecido com a iniciativa do Frente Favela. E as pessoas têm entendido que o nosso partido pode ser uma alternativa a todos esses gargalos que existem no sistema político atual, no sentido de que pode ser interessante mudar os atores para [colocar no poder] alguém que tenha os pés na comunidade, que realmente use o Sistema Único de Saúde.

CC - Como vocês veem a questão da política real, a formação de alianças? De que forma vocês vão se colocar?

WM - Ainda estamos maturando essa questão das alianças porque, se você ainda não é um partido, essa política real naturalmente fica um pouco distante. Mas vamos compor com quem tenha real compromisso com as nossas bandeiras, com aquilo que de fato vai beneficiar o povo pobre, de favela, de periferia e os negros.

CC - Você falou sobre genocídio da população negra e incursões policiais violentas nas favelas. Dentro das bandeiras que o Frente Favela vai defender está prevista também a discussão de uma nova política de drogas?

WM - Nós ainda não avançamos muito nesse debate, não conseguimos definir uma plataforma. Precisamos aprofundar a pauta da segurança. Estamos esperando passar esse processo de coleta de assinaturas e de convenções partidárias para poder tirar uma posição fechada.

Mas nós acreditamos que a forma como a segurança é exercida pelo Estado precisa mudar sem dúvida alguma. Porque, no modelo que está colocado atualmente, o combate às drogas e as incursões policiais são muito em função dessa guerra às drogas, que acaba prejudicando a população mais pobre do País. Muitos inocentes morrem nessas incursões policiais. Na prática, a guerra às drogas acaba virando uma guerra aos pobres.

Então isso já demonstra que a política de drogas atual está calcada em preconceito. Há muito para desmistificar na sociedade, mas para isso é preciso um debate mais profundo com todos que estão compondo o partido para que a gente apresente alternativas. Porque fica difícil eu dizer algumas questões que a gente possa defender em política de drogas sem propor alternativas a esse modelo que aí está. E a sugestão envolve políticas de saúde, de segurança pública, várias questões transversais.

CC - O partido defende a igualdade de gênero. Porque essa questão é importante para vocês?

WM - É importante porque a maioria da população com a qual a gente dialoga são as mães de família. A gente não pode negar isso, não pode negar o papel que as donas de casa têm no processo de mobilização política, de participação comunitária. A voz dessa mulher é fundamental para discutirmos políticas para as mulheres e outras questões transversais como saúde e educação.

Ter igualdade de gênero é fundamental para que a gente consiga dialogar de fato com as nossas origens populares, e é por isso que 50% de todas as instâncias partidárias devem ser preenchidas por mulheres, desde o diretório municipal até o nacional.

CC - Para encerrar, gostaria que você explicasse como vai funcionar essa regra de que parlamentares eventualmente eleitos pelo Frente Favela terão que doar 50% de seus salários.

WM - Todos os parlamentares eleitos terão que doar 50% de seus salários para uma fundação que está em processo de criação junto à fundação do partido. A ideia é que essa fundação possa beneficiar as comunidades nas área social, em saúde e educação.

Nós também queremos reduzir a ideia de que a vida política é uma trajetória de enriquecimento pessoal. Um salário de 33 mil reais [deputado federal], mesmo que reduzido a 50%, é um bom salário. Para quem veio da realidade de comunidade, de periferia, ou para quem é negro e tem os piores salários, quando comparados aos de outras etnias, é um bom salário. E a outra metade do dinheiro poderá retornar à comunidade que o elegeu, em benefícios para a sociedade.

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Texto da Entrevista: https://www.cartacapital.com.br/politica/queremos-o-preto-e-o-favelado-no-centro-do-processo-decisorio

Créditos das Imagens:

1. Patrícia Alencar no lançamento da Frente Favela Brasil, no Morro da Providência, no Rio - www.carta.capital.com.br  
2. Benedita da Silva - Senadora - Foto ranking de 1ª mulher negra a                   conquistar cargos eletivos no Brasil.
3. Militantes da Frente Favela Brasil foram à sede do TSE, em Brasília, acompanhar pedido de registro da nova legenda (Foto: Vinícius Cassela, G1)
https://g1.globo.com/politica/noticia/frente-favela-brasil-protocola-no-tse-registro-civil-para-se-tornar-partido.ghtml
4. Grupo de formação feminina negra na Uneafro - Reprodução.
5. Faixa da Frente Favela Popular www.carta.capital.com.br  
6. Jovens negros emparedados pela polícia em favela do Rio de Janeiro - Em:https://oglobo.globo.com/rio/policia-faz-operacao-nas-favelas-nova-holanda-parque-uniao - Foto de Celso Meira
7. Operação policial numa favela do Rio de Janeiro - 
www.abril.com.br/cprteodj-condena-brasil-por-violacao-em-incursoes-em-favela
8. É justo? Garoto na favela - www.gamalivre.com
9. O ator Lázaro Ramos e os ativistas Celso Athayde, Preto Zezé e Eliana Custódio no lançamento da Frente Favela em 2016, no Morro da Providência, no Rio (Foto: Agência Brasil)

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com  







OS JOVENS ÀS ESCURAS

4 de setembro de 2017

A Sociedade brasileira está amedrontada. Medo do desconhecido, medo de ser roubado violentado ou assaltado; medo de perder o emprego, medo de ser suplantado por outro no trabalho, medo de não chegar aos 70 anos para se aposentar; medo que o Brasil continue nesta marcha à ré sem remédio e que esta situação toda promova "uma crescente inquietação popular ligada às condições de trabalho, a esse descompasso entre qualificação e emprego"... E muito muito medo de perder a Esperança diante da temeridade da maioria dos que hoje têm a responsabilidade de governar o país, em todas as suas expressões de poder. 

Para iniciar uma reflexão básica sobre esses tantos medos e suas causas, publicamos hoje alguns dados trazidos de um artigo assinado pela jornalista Dimalice Nunes, da Carta Capital, sobre os "elevados índices de desemprego que comprometem o desenvolvimento e ajudam a construir uma sociedade  mais suscetível a radicalismos políticos dos jovens e das suas possibilidades para o futuro do país".  

Segue o artigo, ao qual foram acrescentados subtítulos no intuito de facilitar a leitura:
  
                                                    
O dilema não é novo. Para entrar no mercado de trabalho o jovem precisa de experiência. Mas como ter experiência sem uma primeira chance? Em momentos de crise como o atual, a questão se acirra. 

E para além da frustração que atinge em cheio todo o contingente de jovens sem emprego, desperdiçar essa força de trabalho traz efeitos negativos para o desenvolvimento e gera um desalento social que tem efeitos também sobre a vida política do país. 

A taxa de desemprego atinge 13% da população ativa, mas para os jovens de 18 a 24 anos ela chega a 27,3% segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Os dados comprovam que está se fechando um cerco na empregabilidade do jovem”, afirma Ricardo Henriques, economista do Instituto Unibanco.        
                         
Nos cortes das empresas os jovens são os primeiros 


Quando as empresas recuam na contratação, ou decidem demitir, optam pelos jovens. "Quando eles entram no mercado de trabalho, têm pouca ou nenhuma experiência profissional, e necessariamente precisam ser treinados pelas empresas, o que gera custo”, resume o professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em sociologia do trabalho Ruy Braga.


É no custo também que mora a predileção pela mão de obra jovem na hora dos cortes. Em países com regime de proteção do trabalho, que contabiliza o valor das verbas rescisórias pelo tempo de serviço prestado à empresa, demitir um jovem é mais barato do que dispensar um veterano. "Isso não só no Brasil, em qualquer país mais ou menos desenvolvido se percebe. Cortar jovens diminui o ônus patronal, reduz os custos rescisórios", explica Braga. 

O Brasil não está sozinho, trata-se de uma característica do desemprego e do subemprego mundial. Na comparação entre os países, tanto nos europeus como Espanha e Itália, ou nos países em desenvolvimento como Argentina e México, percebe-se que a taxa de desemprego entre os jovens é mais elevada. Na África do Sul, por exemplo, é o dobro. O mesmo acontece na Espanha, onde a taxa de desemprego entre os jovens gravita em 50% enquanto a taxa média é 22%. "Ou seja, encontramos aí uma série de elementos comparativamente falando que reforçam a ideia de que o desemprego é muito mais frequente entre os jovens", afirma Braga.

A  melhora  da  qualificação  tampouco  foi  capaz  de  melhorar  os índices de inserção  dos  jovens no mercado de trabalho.  O Brasil tem hoje uma geração bem mais educada pelo ensino formal do que as anteriores, mas a dificuldade de iniciar sua carreira na área pretendida é maior.

Ruy Braga explica que houve nos últimos 30 anos, mesmo nos países periféricos do capitalismo como o Brasil, um aumento geral do investimento da sociedade em educação. No caso brasileiro ocorreu um salto em termos de aumento de vagas no Ensino Médio, mirando a universalização, ao ponto de transformar este no patamar mínimo de entrada no mercado de trabalho.

Houve também um aumento do investimento na formação universitária, que pulou no começo da década de 2000 de 7% da população jovem matriculada na universidade para 18% em 2010. "Isso significa que de fato essa juventude é mais qualificada, do ponto de vista da escolaridade formal, do que a geração anterior."


Geração desperdiçada: carência de investimento público e empresarial 


No entanto, a qualificação não define, por si só, a elasticidade da oferta do emprego. O que define é o investimento das empresas e do estado, ressalta o sociólogo. Uma falta de investimento acentuada pela crise econômica aqui e no mundo. "Todos esses fatores fazem com que essa massa de jovens mais qualificados seja desperdiçada, uma geração ameaçada. Ao mesmo tempo que ela é mais qualificada, encontra condições muito mais duras de acesso ao mercado de trabalho", afirma Braga.

Embora haja uma melhora na chegada do jovem à graduação, a dificuldade de acesso à educação persiste. Como explica o economista Ricardo Henriques, o direito à educação é a principal porta que abre o caminho para outros direitos. "A cada momento que a escola abre mão de se dedicar à aprendizagem dos seus estudantes, ela está aumentando o custo da sociedade e aumentando a desigualdade".

De acordo com o relatório Cenário da Exclusão Escolar no Brasil, que acaba de ser divulgado pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância e Adolescência (Unicef), existem hoje no país 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola. Desse total, 57% são jovens entre 15 e 17 anos. "Os dados revelam que a maioria dos estudantes abandona a escola antes mesmo de completar o Ensino Fundamental, formando um subgrupo mais vulnerável, com alta probabilidade de inserção precária no mercado de trabalho e entrando em um círculo vicioso de subemprego e desemprego", completa o economista. Não por acaso, segundo o IBGE, o desemprego entre adolescentes de 14 a 17 anos é de 43%.


Além do desemprego, a precarização


Há ainda uma mudança na estrutura sócio-ocupacional de países como o Brasil. Enquanto entre as décadas de 60 e 80 o emprego estava concentrado nas ocupações que pagavam entre 3 e 5 salários mínimos, normalmente na indústria, houve uma migração desses postos de trabalho. As vagas que pedem treinamento técnico foram minguando em benefício de ocupações no setor de serviços. Isso significa que na década de 2000 a 2010 o motor do emprego se concentrou em postos que pagam de 1 e 1,5 salário mínimo.

"Isso denota a universalização de um tipo de emprego que paga muito mal e que eu considero subemprego, porque não exige qualificação especial e tem taxa de rotatividade alta", explica Ruy Braga. Uma das pesquisas do sociólogo foi no setor de call-centers, tradicional porta de entrada do jovem urbano no mundo do trabalho. 

Num cenário em que a maioria dos universitários depende de sua própria renda para se manter na universidade, mas não consegue postos que fujam do subemprego mesmo depois da formatura, há uma frustração óbvia. "Eles usavam o call-center como uma possibilidade de pagar a faculdade, mas quando terminavam, voltavam para o call-center o que, evidentemente, gera uma grande frustração", define Braga. 

Condições de trabalho e descompasso entre qualificação e emprego

O efeito social é uma crescente inquietação popular ligada às condições de trabalho, a esse descompasso entre qualificação e emprego, ao nível de remuneração e principalmente uma inquietação alimentada pelo aumento do endividamento, completa Braga. De um lado, há uma oferta de emprego restrita e que paga muito pouco. Do outro, a baixa remuneração, articulada a uma mercantilização generalizada dos serviços sociais – da educação, da saúde, das terras urbanas – gera endividamento. "E o endividamento produz uma sensação generalizada de desalento, que se torna mais dramática quando o indivíduo perde o emprego. Há uma espiral descendente que acaba aumentando o que podemos chamar genericamente de ressentimento social". 

É essa raiva, mais ou menos latente, que pode eventualmente explodir ou assumir formas radicais, especialmente em processos eleitorais. "No caso brasileiro, o voto de protesto ou um aumento das intenções de voto para um Bolsanaro ou algo do estilo. Esse ressentimento social é um sentimento verdadeiramente muito perigoso", pontua Braga.

Limbo irreversível : às margens da demanda da sociedade

Quando se tira do jovem a chance de se desenvolver como indivíduo autônomo, toda a sociedade sofre as consequências. O Brasil está perdendo o bônus demográfico – 51,3 milhões de jovens de 15 a 29 anos em 2008 – sem conseguir investir fortemente na educação desse contingente para que, em 20 anos, pudesse haver uma população economicamente ativa altamente qualificada que sustentasse o projeto de desenvolvimento do Brasil.

"A projeção para a juventude em 2030/2040 pode ser de uma posição de limbo irreversível, à margem das demandas da sociedade do conhecimento e com pouca ou nenhuma capacidade de adaptação às condições objetivas do mundo do trabalho desta época", explica Ricardo Henriques. Para este economista, o Brasil não irá se desenvolver plenamente sem combater as históricas desigualdades sociais, econômicas e culturais, opinião compartilhada por Ruy Braga. 

"Quando uma geração é desperdiçada se perde a dinâmica do mercado de trabalho, que se torna concentrado no subemprego. É um desperdício de experiência social muito dramático para o país. E evidentemente isso tem um efeito que é o comprometimento do futuro desenvolvimento nacional."

E se o Brasil, apesar de algum avanço, ainda está muito aquém nos índices de qualificação, a generalização do desemprego ou do subemprego entre os jovens tende a impedir que eles estudem, em especial na graduação, majoritariamente paga. A experiência histórica brasileira mostra que as classes populares, as classes trabalhadoras, buscam qualificação. "E essa busca, que é a única maneira de ascensão de fato do ponto de vista da renda, se apoia no próprio esforço do trabalhador. É um comportamento social generalizado na base da pirâmide salarial", explica Braga.

Se as condições do mercado de trabalho pioram, essa busca de qualificação tende a se tornar ainda mais problemática, gerando não apenas frustração como também uma perda generalizada de qualificaçãoO que se tem, segundo o sociólogo, é uma outra fonte de tensão social: as pessoas querem se qualificar, mas não conseguem acesso aos meios capazes de fazer com que eles deem esse salto. "Isso tende não apenas a bloquear o desenvolvimento nacional, mas também a aumentar a frustração com o mercado de trabalho", conclui Braga.

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Fonte do texto: Carta CapitalSociedade/Mercado de Trabalho
Título: Alto desemprego entre jovens produziu "geração desperdiçada"
Por: Dimalice Nunes — publicado 29/08/2017 

Crédito das Imagens:

1. O Brasil às escuras - www.canstockphoto.com.br
2. Jovem apendiz - idem
3. Curriculum Vitae - idem
4. Os mais atingidos: jovens e negros - idem
5. Sebrae - reprodução
6. Crianças fora da escola - www.diariodonordeste.verdesmares.com.br
7. Carteira de Trabalho - www.canstockphoto
8. Call-center - idem
9. Campus Universitário - idem

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato com vrblog@hotmail.com  

JOSÉ MARIA PIRES - ZUMBI, OLORUM, OXALÁ !

29 de agosto de 2017

Passei alguns dias pensando que estava mais que na hora de ir fazer uma visita a Dom José Maria Pires, em Belo Horizonte – um bispo irmão e amigo, que era chamado, carinhosamente Dom Zumbi, o arcebispo negro das Minas Gerais. 

Agora, não precisa que eu viaje mais, porque dia 27 passado – após uma longeva vida pastoral e profética de instigante dedicação – ele foi chamado a mudar-se para outra morada, aos 98 anos. Imagino Dom Hélder (o Dom) abrindo a porta para recebê-lo:  Axé, Zumbi! Pode entrar companheiro e amigo de todas as horas! E nós, aqui, felizes por tê-los agora em companhia, a cuidar de nossa caminhada. 

Dom José, além de ter sido uma pessoa de inteligência aguçada e ativa, era pessoalmente comprometido com as comunidades empobrecidas, como escolha primeira.  

A sua interação dialogal de gestos e propósitos com o seu irmão arcebispo Dom Hélder Câmara era evidente, como eram evidentes as suas diferenças individuais.  Havia entre os dois uma extrema confiança fraterna, pois enfrentaram juntos a ditadura que vigorava então. 

Uma características muito especial de Dom Zumbi era saber escutar, que, na verdade era também característica de Dom Helder. Ambos eram exímios ouvintes. Eu, que por muitos anos participei das reuniões dos bispos da região, admirava vivamente essa fraterna capacidade de escuta, que ainda hoje me estimula a exercitá-la. 





Da minha janela de observação, Dom José Maria Pires também estava muito atento que a presença da mulher na Igreja fosse respeitada e acolhida, e a estimulava no povo que seguia,  nas atividades das Cebs, na comunicação com as religiosas e nas disposições pastorais da CNBB do Nordeste II.  

Conservo a memória do seu testemunho concreto de fraterna convivência também no trabalho. Encontrava-o com frequência, pois passei dez anos como secretária da presidência da CNBB-NE II. Lembro vivamente uma ocasião em que uma pessoa fez uma denúncia equivocada contra mim, aproveitando-se de uma reunião de assuntos financeiros - da qual eu não participei - na qual se havia estabelecido um acordo de que todos manteriam total reserva sobre os assuntos tratados. Após a reunião Dom José me ligou e me comunicou o que fora referido sobre mim, dizendo-me que tratasse de levar testemunhas na próxima reunião, e que eu podia informar a todos que ele me havia contado o ocorrido. A questão foi esclarecida com a confissão do delator de que inventara a denúncia no desejo de me prejudicar. 


Depois que Dom José voltou para Minas o reencontrei uma vez na Itália, não recordo a data, mas certamente a ocasião. Sei que se preparava para fazer o caminho de Santiago de Compostela. Por coincidência ambos tínhamos ido visitar os pais de Dario Vaona, em Verona, um jovem sacerdote italiano que colaborara com ele na arquidiocese da Paraíba. Ali, percebi melhor a sua capacidade de celebrar a vida a amizade e a fraternidade. Francesco, o pai de Dario, era um cultivador de vinhas e tinha uma excelente adega. Naquela noite, convidou Dom José para ir com ele ao sótão da casa, para escolher o vinho do jantar. Francesco apresentou a Dom José os vinhos mais preciosos que maturavam em sua adega, e fez questão de lhe entregar o melhor que havia, para comemorar a sua presença em sua casa, e a do padre Dario, seu filho. Dom José aceitou a oferta, tomou a garrafa em suas mãos levando-a solenemente, e subiu as escadas cantando como fosse uma grande celebração.  

É assim que o vejo agora. Celebrando. Comemorando a sua chegada lá onde a Graça e a Vida agora o acolhe. De minha parte, nesse momento de emoção, agradeço à Vida por ter encontrado um amigo tão precioso, que testemunhava a carícia do afeto de que fala o teólogo e escritor Leonardo Boff.

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Para que se possa conhecer melhor a travessia de  
Dom José Maria Pires,  reproduzo a entrevista que foi dada a Leoni Alves Garcia e publicada no jornal online O Povo, em 22/06/2015, tendo sido republicada na página da Cebs do Brasil. Segue a entrevista. Os negritos do texto são nossos.



Sua mãe tinha sangue africano e cigano. O pai veio de família portuguesa. Na trajetória em defesa dos negros e oprimidos, dom José Maria Pires também ficou conhecido como dom Pelé e dom Zumbi. Aos 96 anos, o arcebispo emérito da Paraíba viaja pelo País para falar do Concílio Vaticano II, encerrado em 1965. É dos poucos padres conciliares vivos no Brasil. Nascido em Minas Gerais, uniu a calma do mineiro à franqueza do nordestino para defender os mais pobres durante a ditadura militar. Teve no cearense dom Helder Câmara um amigo pessoal e aliado na luta pelos direitos humanos. Em entrevista ao O POVO, relembra o pacto firmado pela Igreja em alcançar os mais fracos e perseguir a simplicidade. Depois de 50 anos da última conferência, vê que é preciso uma conversão à mensagem do concílio.
  – De onde vêm os apelidos de dom Pelé e dom Zumbi?
Dom José Maria Pires –
 Quando fui ordenado bispo, em 1957, eu era o único bispo negro no episcopado brasileiro. Foi a época em que Pelé estava no auge, jovenzinho. Numa das nossas reuniões, entrei um pouquinho atrasado com outro bispo. Quando entrei, eles disseram: “Feola (Vicente Feola, ex-jogador da seleção brasileira), que era um gorducho, e Pelé”. Então começaram a me chamar de Pelé.
– E o Zumbi veio como?
Dom José –
 Zumbi foi na Serra da Barriga (Alagoas), no centenário da abolição
 da escravatura. Nós fizemos uma romaria até a serra, que era a sede do Quilombo dos Palmares. Aí dom Pedro Casaldáliga (bispo emérito de São Félix do Araguaia) diz: “Olha, Zé Maria. Pelé não faz nada pelos negros. Você vive lutando pela negritude. Então vamos mudar seu nome de Pelé para Zumbi porque ele também deu a vida pela negritude”. A partir daí me chamaram de dom Zumbi.
– E estes apelidos agradam?
Dom José –
 Não, para mim é indiferente. Uns me chamam de José, outros de Zé Maria. Eu respondo por tudo isso (risos).
– O senhor entrou para o seminário ainda novo?
Dom José – Eu fiz 12 anos já no seminário. Naquele tempo, a gente terminava a escola primária e entrava logo no seminário. Toda a parte do ginasial a gente já fazia lá.
– Neste início dos estudos, como um menino negro e de origem humilde, o senhor enfrentou dificuldades ou discriminação?
Dom José – 
A gente nem achava que era discriminação. Minas Gerais tem uma população de negros muito alta. Por ter sido terra de mineração, sobretudo de diamante, então foram multidões de escravos para lá trabalhar na terra. E o negro lá é coisa normal. Agora, realmente os brancos fazem a sua acepção e sua distinção. Por exemplo, no meu primeiro ano de seminário, com 12 anos, tive um desentendimento com um colega meu. Nós brigamos, veio o responsável, nos separou e nos colocou de castigo. Ficamos de joelhos no corredor. Aí passou o diretor da casa, nos viu ali e chamou o responsável. “O que esses meninos fizeram?”. Disse: “Eles brigaram”. Aí o diretor: “Esse aqui é um menino muito bom, de boa família. Esse negro que não presta” (risos). A visão era essa e nós aceitávamos. A gente achava que negro era inferior. Só depois é que a gente veio ver que não era bem assim. Negro é diferente. Ele não é nem superior nem inferior, é diferente.
– Em 1965 você foi transferido para João Pessoa. Entrar em contato com as pessoas, na Paraíba, trouxe mais a visão de uma Igreja voltada para os pobres? Ou isso já fazia parte do seu trabalho em Minas Gerais?
Dom José – Fazia em parte. Porque naquele período havia uma distinção social muito forte entre Minas Gerais, que estava no Sul, e o Nordeste. Mineiro é muito calmo, retraído. É uma diferença marcante. Já o nordestino, é tudo amplo… Você chega e conversa com ele meia hora e você já sabe a vida toda dele. E houve um problema na Igreja no Nordeste porque, ainda durante o Concílio Vaticano II (1962-1965), houve uma divisão muito grande em algumas dioceses. Uma delas foi a da Paraíba. O clero estava dividido, quase na metade. O arcebispo tinha 62 anos, mas estava sem condições de trabalhar. Então era necessário providenciar alguém que fosse novo e tivesse condições de enfrentar aquela situação.
– Que divisão era essa? Eram duas visões distintas de igreja?
Dom José – O Concílio Vaticano II projetou uma nova imagem de igreja e uma nova imagem do padre. Antes, o padre andava de batina, celebrava a missa e fazia batizado em latim. Devia ser um sujeito bem afastado, celebrava de costas para o povo. O Concílio projeta uma imagem diferente. É aquele que é social, conversa com todo mundo, se aproxima. Então um grupo de padres mais velhos fica nesse rito antigo, os padres mais novos não. Então dá uma confusão tremenda. No Nordeste, tinha isso. O que a Santa Sé faz? Pega um que nem conhecia o Nordeste. Então me tiram de Araçuaí (Minas Gerais) e me mandam para lá. Então pelo fato de ser mineiro e de não conhecer nada lá, eu entro assim sem preocupação nenhuma. Eu não tomava providência nenhuma e deixava que os padres fizessem isso. Realmente foi interessante para eles, mas dava para unir. Porque o bispo não era nem de um lado nem de outro. A gente conseguiu trabalhar. Não era mérito meu, é a mineirice. Ser um pouco diferente deles mudou a situação. E eu fui virando paraibano.
 – É na Paraíba que o senhor passa a conhecer dom Helder Câmara?
Dom José – 
Eu já o conhecia desde que fui eleito bispo. Mas era um
 conhecimento assim muito genérico, naquela multidão de bispos. Quando eu vim pra Paraíba, aí foi diferente. Eu era o vizinho mais próximo dele.
– O processo de beatificação de dom Helder já iniciou, já existe a comissão colhendo depoimentos sobre ele…
Dom José – (interrompendo) Eu fui o primeiro a dar o depoimento.
 Este depoimento é sigiloso, mas o que o senhor pode falar de dom Helder às pessoas?
Dom José – Posso falar tudo (risos). Era um grande padre, grande bispo. Uma capacidade de entender as pessoas, de conviver. Era autoridade, mas nunca exerceu autoridade. Ele nunca presidiu uma sessão do Regional 2 (divisão da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil). Ele que era presidente. Quem presidia era o auxiliar dele, dom José Lamartine. Ele ficava lá atrás como um dos outros bispos. De vez em quando, se levantava e dizia: “Mas, meus irmãos…”. E aí vinha com a visão dele, que era magistral. Tinha um bom relacionamento com o povo. Onde já se viu um arcebispo de uma cidade como Recife não ter carro? Não ter secretário, comida em casa? Realmente era um testemunho maravilhoso. Pelo fato de eu ser o vizinho mais próximo dele, tínhamos muito contato pra poder ver como as coisas podiam caminhar. Tive uma amizade profunda com dom Helder.



– Pela atuação em defesa do povo durante a ditadura militar, as pessoas ainda se referem a vocês como "arcebispos vermelhos". A que se deve este título e a ideia de que vocês estavam numa ala progressista na Igreja?

Dom José – Tudo dependia muito da região do Brasil. Lá no Sul, eles não tinham os problemas que tínhamos no Nordeste. Os bispos do Sul eram muito mais acomodados. E não acreditavam em muita coisa que agente dizia. Recife, por exemplo, era um caldeirão. Era aquela ebulição constante. Essa foi a primeira razão. A segunda é que o fato de a gente viver no Nordeste, vendo a situação do povo, mexia muito com a gente. Por quê? Pobre tinha lá no Sul também. Só que no Nordeste não era pobre, era o empobrecido. Tinha que dar condições pra pessoa se desenvolverem. Lá no Sul não: o sujeito quer trabalhar, tem uma terra pra ele trabalhar. No Nordeste, se quer trabalhar, não tem terra nem nada, é uma espécie de escravidão. Isso muda completamente a visão da gente. Você está acostumado a uma região onde se tem uma boa convivência. Você vem pra uma que é guerra, não é? Isso obriga muito a gente a tomar posição. Com dom Helder foi a mesma coisa. Ele foi bispo do Rio de Janeiro. Durante o Congresso Eucarístico Internacional (1955), ele estava no Rio animando. Aí, depois, é transferido pro Nordeste. Muda a linguagem dele, muda a atuação. Por quê? Somos arcebispos do povo. Então, se o povo está em sofrimento, tem que mudar a cabeça da gente.


– E qual era a forma da Igreja chegar perto dos menos favorecidos e atuar na defesa delas?
Dom José – Foi o que ela fez a partir do Concílio Vaticano II. Houve fatos muito sérios naquele período, de 1964 e 1965. O primeiro para nós foi a ditadura militar. E para a Igreja, o encerramento do Concílio Vaticano II. Então a gente sai do Concílio com aquele entusiasmo, querendo que a Igreja seja dos pobres. Aí um grupo de 42 bispos vai celebrar nas catacumbas de Roma e assina um compromisso de ser a Igreja dos pobres. Isso era dizer: “Nós, bispos, não vamos morar mais em palácio, não vamos ter nenhum objeto de ouro. Quem tiver cruz de ouro vai vender, vai doar”. Simplicidade, não é? Dar uma atenção especial às famílias mais simples. Ao invés de ficar com as mais importantes. Muda não só a cabeça, muda também o estilo de vida. Isso, para os que estão no poder, é comunismo (risos). Mas a gente não se incomodava com isso. Chamavam dom Helder de bispo vermelho, escreviam no muro da casa dele. Isso não incomodava.

– E fazia com que vocês parassem de agir pelo povo?
Dom José –
 Não. Dom Helder fazia coisas inacreditáveis para um arcebispo de
 Olinda e de Recife. Nós estávamos lá em assembleia do Regional Nordeste 2, do qual ele era presidente. Chegam as pessoas do interior e avisam que os proprietários daquela área tinha mandado abrir a cerca perto de onde moravam os mais simples, onde havia as plantações deles, para soltar o gado ali. Dom Helder procurou se informar se aquilo era verdade. E era. Aí disse: “E nós vamos continuar aqui na nossa reunião? Deixando o povo sofrer desse jeito? Temos que fazer alguma coisa”. Dom Helder nunca decidia o que fazer, ele jogava o problema, e a gente discutia. Daí é que saía a solução. Saía do encontro das opiniões. O resultado foi: “Tem que alguém ir lá e dar apoio ao povo”. Então fomos quatro bispos. Eu dirigindo um Fusca, dom Helder ao meu lado. Quando chegamos lá, estava montada aquela coisa, tinha mais de cem soldados. Logo veio um dos comandantes cumprimentar dom Helder. Quando viram os bispos entrando, as pessoas se animaram. Estava todo mundo acuado nas suas casas, e o gado comendo tudo. O pessoal sai das casas, e dom Helder começa a recitar com eles os mandamentos da não-violência. 
Dom Helder gritava: ‘Primeiro”. O pessoal dizia: “Nunca matar”. “Segundo”. “Nunca ferir” e por aí vai. Depois que terminaram os mandamentos, dom Helder disse: “Agora vamos tirar o gado”. Chega um militar e diz: “Isso o senhor não pode fazer”. Ele diz: “Então vai deixar o gado comendo a plantação do povo?”. O militar diz: “Mas isso é o proprietário que tem de fazer”. Mas foi o proprietário que mandou abrir a cerca e mandou a polícia para garantir aquilo. Dom Helder não discutiu mais. Pegou uma maniva, aquela barrinha da mandioca, e disse: “Nós vamos tocar o gado é devagarzinho. Porque o gado comeu muita mandioca e pode se sentir mal se correr. Vamos devagarzinho, não é?”. Pronto, fomos nós quatro tangendo o gado. Era uma coisa muito simbólica.

– E com a sua atuação na arquidiocese da Paraíba, o senhor sofreu alguma perseguição na ditadura militar?
Dom José – 
Perseguição não. Dom Helder e eu tivemos restrições. Por exemplo, dom Helder fazia muitas viagens ao exterior. E seguravam o passaporte dele. Naquela época, o passaporte era só para aquela viagem. O passaporte ficava com a Polícia Federal. Quando era quase na hora da viagem, chegava alguém lá com o passaporte dele. Era uma pressão que se fazia sobre ele. Faziam uma pressão também sobre nós violando nossa correspondência. Você via claramente. Havia esse tipo de perseguição, depois intimidação. Eu marquei uma visita à Nação Potiguara, que são uns índios que têm todo um município lá na Paraíba. Chegou um funcionário da polícia e disse: “O senhor tem autorização para entrar lá na área indígena?”. Eu disse: “Não, não preciso de autorização”. Ele disse: “Ah, precisa”. Eu disse: “Mas eu não vou lá fazer visita qualquer, vou fazer visita pastoral. Sou o arcebispo, então vou visitar”. O policial disse: “Ah, mas se o senhor não tiver autorização do Exército, o senhor não entra lá”. Eu disse: “Tá bom”. Chegamos lá com uma freira e outro rapaz, estava a polícia. Pediram meus documentos. Entreguei, eles viram e abriram a cancela. O que eles faziam muito era intimidar a gente. Se você cedesse, era vitória deles. Mas se você insistisse, eles não tinham coragem de enfrentar. Foi um tempo muito interessante (risos).


Nesse período foi fundado o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, em 1971. Essa instituição era ligada à arquidiocese? Em que ela ajudava as pessoas?
Dom José
– Nosso centro de defesa foi o primeiro que surgiu na América. O Concílio insistiu muito sobre a questão dos direitos humanos, nos direitos da pessoa, os valores da pessoa, inclusive na Igreja. E como a gente vai ajudar a pessoa, se sobretudo os pobres é que estão sendo mais atingidos? Então você recorria a um advogado para defender fulano de tal que foi preso. Mas não dava porque precisaria de gente que tomasse isso a sério. Então a diocese da Paraíba resolveu contratar um advogado pra ficar só por essa conta. Aí começou o Centro de Direitos Humanos. Tínhamos agora advogado, um daqueles que não fica esperando a coisa aparecer. O problema é de terra naquele lugar, ele vai lá para conhecer, passa bastante tempo ali e tem os dados todos para poder tomar defesa. Foi uma bênção para aquele pessoal pobre saber que tinha um advogado. E alguns casos não davam para o advogado resolver, tinha de ser coisa do Exército. Ele dava uma carta ao fulano para ir ao Grupamento de Engenharia. Então o cidadão chegava e dizia: “Olha, essa é uma carta pro comandante”. O comandante lia a carta, era do advogado. Rasgava a carta e dizia: “Quando você tiver problema, não precisa ir lá naquele comunista não”.

– Até hoje o senhor é chamado nos encontros para falar sobre
 o Concílio Vaticano II. Além de mudanças na imagem de um padre e na proximidade com as pessoas, que mudança o senhor destaca na atuação da Igreja?
Dom José – Não é questão de mudar. Toda aquela doutrina de antes continua válida. Você agora vai colocar o foco nessas coisas que estão sendo importantes para o povo. Antes, a imagem da Igreja era como se fosse uma pirâmide. Lá em cima está o papa, depois vêm os bispos, os padres, os religiosos e lá na base está o povo. Vaticano II projetou uma outra imagem. Igreja é povo. Tá tudo aqui, não tem ninguém lá em cima. Aqui tá o papa, os bispos. Cada um com a sua função. É como numa sociedade: as pessoas têm autoridade exatamente para exercer aquela função. Na Igreja, tem alguns que são destacados para ser autoridade em benefício da caminhada. Igreja é povo de Deus a caminho. Não é estática, não é uma instituição que está aí parada. Nessa caminhada, tem mudanças constantes. A Igreja está pronta para estas mudanças. Nessa caminhada, você precisa de alimento para a estrada. Grande alimento é oração e eucaristia. E a eucaristia não é prêmio para as pessoas piedosas, é alimento pra quem está viajando. Então muda completamente. Não nega as coisas antigas, mas projeta pra hoje uma imagem diferente de Igreja.
– Esta teoria e esta imagem pensada durante o Concílio foi aplicada?
Dom José
– Ela não foi pensada durante o Concílio. Essa é a imagem original da Igreja. As comunidades apostólicas começaram desse jeito. O que a gente está fazendo depois do Concílio é aquilo que São João XXIII chamou de refontização. Voltar às fontes. Como era a Igreja no começo? Como ela nasceu? Vamos voltar às fontes. Agora, a teoria fala das fontes. Mas acontece que, com o passar dos séculos, as coisas mudam. Hoje as mulheres não se vestem mais como se vestiam naquele período. Então temos que atualizar. A Igreja então tem que ser fiel àquele começo, mas atualizada. Você vai conservar o ardor, mas vai usar as possibilidades de atualização daquilo.
– E como ficou o diálogo da Igreja com outras denominações cristãs? O Concílio abordou o ecumenismo. Foi importante falar sobre isso?
Dom José –
 Olha, antes ecumenismo era uma coisa um tanto teórica. Com o Vaticano II, vem a coisa prática. A gente vai se encontrar porque tem alguma coisa em comum entre nós. Por exemplo, todo ano temos um encontro de bispos e pastores evangélicos. O que é comum entre nós? A Bíblia. Se é a Bíblia, de manhã a gente tem que ter uma celebração da palavra. E quem preside é um protestante. De tarde, tem uma celebração da eucaristia. Quem preside é um bispo. E todos assistem. E durante o dia nós vamos discutir assuntos que dizem respeito à sociedade. Por exemplo, a gente falava da violência. Interessa ao protestante e ao católico que as pessoas se entendam e se aproximem.




– Você tem da mãe a descendência africana. No diálogo com outras religiões, como você vê a espiritualidade de milhões de negros no Brasil que têm herança do catolicismo e da cultura africana, mesclando devoção aos santos e aos orixás?
Dom José – 
No começo, a Igreja condenou tudo isso. Porque ela entrou no Brasil e na América através dos que vieram da Europa. Eles eram católicos, todos. Eles achavam que religião era aquilo, tinha que ser desse modo. Quem não praticasse daquele jeito, naquele estilo, estava fora. As coisas de índio eram consideradas como superstição. As coisas de negro eram superstição. Então joga fora o candomblé. 


Vai passando o tempo, e a gente então vai descobrindo que realmente Deus está presente nessas culturas todas. Você tinha que respeitar a cultura diferente. Não foi fácil. Em 1992, a gente ainda teve uma discussão forte sobre isso em Santo Domingo, na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano. A gente viu que o que a Igreja crê é na inculturação da fé, do evangelho. Eu não posso viver a minha fé do mesmo modo que vive um sujeito lá da Europa, que tem um estilo de vida completamente diferente. A fé é a mesma, a maneira de viver é diferente. Para o europeu rezar, quanto mais calmo tiver, melhor. Para o negro, não. Quanto mais dançar, mais ele acha que está louvando a Deus com suas danças e batuques. Até 1992, não se aceitava esse processo de inculturação. Em Santo Domingo, foi aprovado que era necessário inculturar o evangelho na América. Isso exigiu uma adaptação e mostrou que as culturas não são ruins. O que é fundamental na cultura afro? Os orixás. Se tivessem entendido isso desde o começo, os negros teriam adorado. O orixá é como se fosse meu anjo da guarda. Todo mundo ao nascer tem o seu orixá. Na doutrina católica, todo mundo tem o seu anjo da guarda. Então é só porque mudou de nome? Todo mundo da Igreja Católica adora a Deus. Na cultura africana, eu adoro Olorum. Só mudei de nome, não é? O fato de o Vaticano II ter dado atenção a estas culturas fez com que muita coisa que antes era impossível se tornasse fácil. Esse diálogo entre diversas culturas religiosas também ficou.

– O Concílio também trouxe a mensagem de uma Igreja mais misericórdia e menos condenação. Vemos muito esta ideia no discurso do papa Francisco, de ir às periferias e alcançar as pessoas. Na sua opinião, do que a Igreja precisa para seguir este caminho e ter mais visão de misericórdia?

Dom José – Precisaria só de uma coisa. Que, nos seminários, se estudasse mais o Vaticano II. Tudo isso está no Concílio Vaticano II. Uma igreja que não está no centro, está na margem, na periferia. Ela tem que ir pra periferia porque é lá realmente que está a missão dela. Precisaria que a gente se convertesse ao Vaticano II e quisesse colocar em prática. Porque não é fácil.
– Então seria uma conversão?
Dom José –
 Seria. E essa conversão não é só no povo. Começa dos bispos. Seria voltar à tradição original, a gente foi perdendo com o tempo. O importante é voltar às comunidades evangélicas primitivas. O pessoal vivia mesmo como irmão. Não tinha “isso é meu”. Isso aqui é nosso. Realmente as comunidades viviam a fraternidade. Elas não estavam preocupadas em defender isso ou aquilo. Estavam preocupadas em viver o evangelho. Precisamos o quanto possível voltar àquele espírito de fraternidade.
– Por que a visão da Igreja para os mais pobres precisa começar na formação dos sacerdotes?
Dom José –
 Pelo evangelho, a Igreja tem que ser dos pobres. O Cristo, ao fazer-se gente como nós, fez a opção pelos pobres. Ele podia ter nascido numa cidade grande,  nasceu em Belém. Podia ter nascido num palácio, nasceu numa gruta. Nem casa tinha. Primeiro sono dele, dormiu num cocho. O presépio é o cocho onde se colocava comida para os animais. Ele fez essa opção pelos pobres. Não excluiu os ricos, mas a opção preferencial foi para os pobres. Então se a Igreja quer ser fiel a ele, ela tem que ver onde é que está havendo mais pobreza. Não é só a pobreza material, às vezes é a pobreza intelectual, pessoas que não são aceitas, que fizeram um crime. Todo esse pessoal que está vivendo uma pobreza física, material, intelectual ou espiritual é o objetivo principal da Igreja.
– Como deveria então ser aplicada esta formação convertida ao Vaticano II?
Dom José – O modelo está no Evangelho. Cristo não foi um mestre como os outros. Os outros tinham sua sala, os seus discípulos vinham e sentavam-se, aí ele dava suas lições. Cristo é diferente. Ele saía com as pessoas e ia realizando a vida. E eles iam aprendendo: como é que eu trato as pessoas, como eu devo atender fulano, sicrano. A formação hoje deveria dar muito mais espaço para a realidade. Não ser só uma formação intelectual, ver só estudo de filosofia, teologia. Isso faz parte também. Mas é indispensável o contato com a realidade. A formação sacerdotal hoje deveria ser muito mais integrada à vida do povo. Depois do Vaticano II, houve tentativas neste sentido. Algumas vingaram, outras não. Por exemplo, o tempo da Teologia da Enxada. Jovens que entravam no meio rural, iam para uma propriedade que fosse da Igreja para trabalhar e estudar. Os professores iam lá periodicamente, eles estudavam nas horas vagas. O professor voltava depois e queria ver como é que eles discutiram aquilo. Não vingou, mas aqueles que se ordenaram nesse tempo são padres excelentes. Inclusive, bispos também e alguns são arcebispos. Precisaríamos que isso fosse mais assumido pela Igreja de tal maneira que a gente pudesse ter ao lado dos doutores e professores com formação intelectual os pastores com uma convivência com o povo durante todo o tempo de formação.

Como é vista a Teologia da Libertação no Vaticano? Há uma divisão dentro do catolicismo?

Dom José – A resposta não é fácil. Para nós, que vivemos numa região onde o povo é muito escravo ainda… Tem muita gente que passa fome num País como o nosso, que poderia alimentar o dobro da população que tem. Para estas pessoas, a teologia que serve é a da libertação. Elas têm que se libertar da fome. Em outros lugares, as pessoas têm que se libertar é do vício. Não adianta para eles uma teologia que seja teoria. Não, tem que ser a coisa prática. Isso vai exigir que os pastores conheçam melhor a realidade. Estejam mais em contato com a situação do povo, podendo refletir em cima disso. Como é que o povo está sendo conduzido? É isso que Deus quer? Se não é exatamente isso, o que devemos fazer para que o povo entre no caminho da vontade de Deus? Teologia da libertação é algo que, em um País como o nosso, é indispensável. Antigamente, a teologia era a teoria. Você aprendia aquelas teses todas. Libertação é ver como está o povo, perguntar se é o que Deus quer e fazer alguma coisa.
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Segue, também, um texto de Padre José Beozo, publicado na página de Leonardo Boff, em 27/08/2017. 


“Dom José Maria Pires era voz escutada com respeito por todo o episcopado, temida pelos poderosos e acolhida com alegria e conforto pelos pequenos, de cujas causas nunca se apartou. Por mais de 50 anos foi assíduo frequentador, a cada ano, do Encontro Latino-americano de Estudos – Curso dos Bispos, instância de encontro, reflexão, oração e iniciativas corajosas que continuou congregando os bispos latino-americanos do grupo Igreja dos Pobres do Concílio Vaticano II e aqueles que decidiram, em seguida, trilhar o mesmo caminho em seu ministério episcopal.

Dom José Maria Pires era o patriarca do grupo – que frequentou até 2015 – tendo faltado ao encontro de 2016 por razões de saúde.

Quando o Iter – Instituto Teológico do Recife foi fechado pelo sucessor de Dom Helder, Dom José Maria acolheu em João Pessoa professores e alunos do Instituto, para dar continuidade a uma formação teológica comprometida com a causa dos pobres e de sua libertação, enraizada na cultura nordestina.

Por duas vezes fez a pé, durante um mês, o caminho de Santiago de Compostela partindo da fronteira da França com a Espanha. Na segunda vez, já havia completado 90 anos. Esse rijo camponês, depois de bispo emérito continuou atendendo em Belo Horizonte uma paróquia da periferia, na simplicidade e humildade e num incansável espírito de serviço.

Por delegação da CNBB acompanhou com carinho e compreensão o movimento dos padres casados com suas famílias, tomando partido pela retomada do ministério por parte daqueles que o desejassem. Batalhou para que a Igreja abrisse suas portas para o ministério ordenado de homens casados.

Foi também o grande animador da Pastoral afro-brasileira e do movimento dos padres e bispos negros que ganhou espaço e amplitude na vida da Igreja do Brasil, e também da América Latina e do Caribe, através do CELAM.

Foi para mim um privilégio ter desfrutado de sua fiel amizade. A cada Natal e Páscoa, Dom José não deixava de enviar uma palavra carinhosa e sempre antenada nas questões mais urgentes do país e da Igreja.

Foi um dos sócios fundadores do CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular) e membro de sua Assembleia que, por 33 anos (1982-2015) acompanhou, incentivando os trabalhos em curso e propondo sempre sábias orientações.

A Igreja e a sociedade brasileira perdem uma grande figura, cuja maior glória é ter sido um fiel seguidor do evangelho e de Jesus Cristo a serviço dos mais pobres, de suas causas e libertação.

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Fonte da entrevista: www.cebsdobrasil.com.br/2017/08/27-jose-maria-pires-98-anos-fez-sua-pascoa







Orixá Oxalá 

Na umbanda, Oxalá é o orixá mais alto da escala hierárquica e tem como exemplo o próprio divino mestre Jesus . Pai Oxalá é a própria Umbanda e nos pontos riscados e é representado por uma estrela de cinco pontas.Ele é a luz que equilibra a todos nós e atua no Ritual de Umbanda como o maior dos orixás, pois está em tudo e em todas as outras divindades, com sua propriedade magnetizadora e desmagnetizados. Seu poder não tem lugar para se manifestar, pois todos os lugares são seus . Pai Oxalá é o regente do Infinito, e do nosso planeta e comanda a força que congrega as pessoas em um único ideal.










Créditos das Imagens

1. Dom José Mª Pires e Dom Helder - www.padrescasadosdoceara.com.br
2. Os dois bispos vestidos à sua imagem e semelhança - Reprodução.
3. Celebração e Comunhão nas Cebs - 
4. Dom José Mª Pires - Assembleia da Cnbb - www.paraibaemdebate.com.br
5. Dom José Mª Pires, acompanhado de Dom Geone Luís  e Silva, bispo auxiliar de Belo Horizonte-MG, na Assembleia da CNBB - 05/05/2017 - idem
6. Dom Zumbi e sua fraterna solidariedade, no encontro de padres casados do Ceará, realizado em 2015 - reprodução.
7. Dom José em 1969, já arcebispo da Paraíba. Reprodução.
8. Dom Hélder em escuta, no Recife - www.paolinos.com.br
9. Trabalhadores rurais da Paraíba homenageiam Dom José Maria em João Pessoa - www.jornaldaparaíba.com.br. Foto de André Resende.
10. Encontro Cebs Sul e Sudeste - reprodução de cartaz.   
11. Celebração das Cebs do Brasil - julho, 2017- www.cebsbrasil.com.br/noticias
12. Bispos do Concílio Vaticano II - Reprodução.
13. Celebração Cebs do Brasil - julho, 2017. Idem.
14. Pintura de Carybé - "Culture-se" - Página de Carybé
15. Olorum - www.imgrm.org.user/fabytiooya/
16. Papa Francisco na África - www.vatican.va/content/pt.html
17. Encontro das Águas - www.cebsbrasil.com.br/noticias
18. Sepultamento do corpo de Dom José Mª Pires na Basílica Nossa Senhora das Neves - João Pessoa-PB - 29.08.2017 - www.jornaldaparaíba.com.br. Foto de André Resende.
19. Orixá Oxalá - www.umbandauruguay41.com

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato com vrblog@hotmail.com 







   

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