Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, A MENSAGEM DA ESCOLA DE SAMBA DA MANGUEIRA

8 de março de 2019


A celebração do Dia Mundial da Mulher  
que no ano passado alcançou o seu  
centenário – cada vez mais 
manifesta o reconhecimento 
do vigor, da sensibilidade, 
do compromisso político e da
resistência da mulher brasileira que,
nesses dias, comemorou a oportuna
reação da cantora Daniela Mercury
ao vídeo divulgado pelo aposto presidente 
do Brasil, fazendo comentários desdenhosos 
à canção "Proibido o Carnaval", com a 
parceria de Caetano Veloso. 

Ao lado das grandes expressões culturais 
do nosso país, compartimos o mesmo
sentimento de resistência. Para 
expressá-lo, nada melhor do que 
texto de um padre cantor carioca - 
carinhosamente chamado padre Gegê - 
que nos levanta o ânimo diante da 
vergonha de brasileiras e brasileiros, 
pelos vexames que o nosso país vem passando aqui e lá fora.

No seu texto, padre Gegê aprofunda e ratifica os nossos
aplausos à inteligente e brilhante passagem da Estação 
Primeira da Mangueira, escola de samba carioca que 
homenageou Marielle Franco, cuja trágica morte será
rememorada no dia 14 deste mês.  

Padre Gegê afirma que a Mangueira nos ofereceu “uma ferramenta 
potente na ordem da resistência e do enfrentamento, porque, 
‘no som do seu tamborim e no rufar do seu tambor’ ensina 
que a história do negro tem que ser contada pelos negros, 
a dos índios pelos índios, a das mulheres pelas mulheres...

Segue o texto.

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O SAMBA DA MANGUEIRA (2019) E “O PERIGO DA HISTÓRIA ÚNICA”

Por: Padre Gegê 

Dentre os belos sambas deste ano, destaco de modo muito singular o samba-enredo da Estação Primeira. Para além dos binarismos de oposição do tipo “esquerda/direita”, a Mangueira oferece um caminho de revolução histórica a partir do legado africano ancestral que, necessariamente, implica na oralidade; logo, no saber/poder de “contar”. E contar é fazer memória; contar é não esquecer; contar é disputar narrativas; contar é transgressão;
contar é assumir protagonismos!

Nesse horizonte, a Mangueira oferece uma ferramenta potente na 
ordem da resistência e do enfrentamento, porque ‘no som do seu
tamborim e no rufar do seu tambor’ ensina que a história do negro
tem que ser contada pelos negros, a história dos indígenas pelos 
indígenas, das mulheres pelas mulheres...

Contar a própria história é um 
ato político por excelência.
Nesse sentido, a Mangueira
dialoga com a escritora nigeriana
Chimamanda Ngozi que fala
do “perigo de uma história única”.

Diz a escritora: “É impossível falar 
de única história sem falar sobre
poder”.Não permitir que o outro
conte sua própria história é
destruir o outro enquanto sujeito.
Chimamanda termina assim sua fala: “Quando nós rejeitamos 
uma única história, quando percebemos que nunca há apenas 
uma história sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo 
de paraíso”. 

Acredito que o samba da Mangueira propõe exatamente isto: 
reconquistar “um tipo de paraíso”. E esse paraíso passa pela
memória feita pelos seus protagonistas. 

Não há história neutra. Marielle, por exemplo, lida por um lugar de poder é considerada defensora de bandidos, mas por outro lugar de poder é considerada defensora dos direitos humanos; Lula da mesma forma, tanto pode ser lido como bandido preso quanto por preso político. A libertação da escravatura, na mesma perspectiva, pode ser lida como fruto da bondade da princesa branca ou como processo de luta da população negra.

A Mangueira, então, provoca perguntas seríssimas para a atualidade: de que lugar de poder você lê a história? A história que você ouve e conta é a versão do caçador ou a versão do leão? A propósito, adverte um provérbio africano: “Até que os leões inventem as suas próprias histórias, os caçadores serão sempre os heróis das narrativas de caça”. 

Parabéns e obrigado, Estação Primeira da Mangueira. 
Só o Samba poderia, com afroternura, chamar um Brasil 
tão regredido em suas potencialidades civilizatórias
de “meu nego” e “meu dengo”. E, desse jeito carinhoso
e familiar, o samba o chama a rever sua história a partir
dos que o sistema de poder quer ocultar e silenciar.

A Mangueira insiste: “Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahis,
Malês,


Marielles". E isso é revolucionário... O SAMBA tem dessas coisas... 
O SAMBA tem muito a ensinar, inclusive à esquerda. O SAMBA tem a 
afropotência extraordinária de, muitas vezes, falar de revolução sem
falar de revolução!!!

Contemos, pois, nossas histórias; resgatemos nossos heróis e heroínas,
reconquistemos nossos paraísos, assumamos, de fato, coletivamente,
nosso Brasil com nome de Dandarra e rosto de Cariri. E que possamos,
assumindo nossos compromissos históricos, com alegria democrática de 
um carnaval sem fim, poder chamar todos os dias esse Brasil pluriversal 
de “meu nego” e “meu dengo”.

O Brasil – como disse Caetano 
Veloso no contexto do assassinato 
de Moa do Katendê – “não 
pode ser reduzido a essa coisa 
bárbara”. Sob as lentes da 
ancestralidade africana não se faz 
política e tampouco revolução sem 
cafuné, sem dengo e sem chamego.
E o Brasil carece de cheiro no
 cangote!
Mais uma vez, parabéns Mangueira! Como uma preta velha, a 
Estação Primeira da Mangueira bota o Brasil no colo, o chama de
dengo” e o ajuda a ouvir “histórias que os livros não contam”.

Da minha parte, nunca vi Jesus na goiabeira, mas, certamente, 
o verei desfilando sorridente na MANGUEIRA!

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(*)  Recebi esse texto de autoria do padre Gegê que me foi enviado
por uma amiga confiável, via WhatsApp. Não consegui encontrá-lo na
sua página do Facebook, nem do YouTube. Mas quero parabenizá-lo 
por tanta competência e sensibilidade. De um registro no YouTube, 
sei que o padre Gegê canta ao seu violão na igreja, durante as celebrações. 
E certamente "conta" essa história a partir da sua  ascendência afro. 

Sobre a Mangueira, registro ainda o que uma cara amiga, 
Márcia Couto, comenta no Facebook: “...pelas mãos e pés dos seus integrantes na avenida, pelo samba enredo, pela dignidade, ganhamos. Ganhamos esperança e afirmamos a certeza de que não resistimos em vão!” 




Crédito das Imagens:

1. Mulher e mãe - fotografia de um belo painel, numa pousada na Paraíba, vizinha de um Quilombolas. 
2. Desfile da Escola de Samba da Mangueira, foto divulgada no Facebook.
3. Chimamanda Ngozi - escritora nigeriana - www.portalraizes.com
4. Marielle Franco - www.justificando.cm.br
5. Moa do Katundê - www.jconline.ne.10.uol.br/noticia/mundo/brasil/notícia/2018/10/09-conheca-moa-do-katende-artista-morto-durante-discussao-sobre-política-


Nota - As imagens aqui reproduzidas pertencem aos seus autores. Se algum deles deseja registrar o seu nome ou retirá-la deste espaço, favor nos alertar em um comentário.




BRASIL - O EXERCÍCIO OBSCENO DE VINGANÇA

5 de março de 2019


A folia do carnaval não conseguiu apagar dos corações da maioria das brasileiras e dos brasileiros, e de milhares de pessoas que acompanham os fatos desse Brasil indignado - a imagem vivaz de Arthur, um garoto feliz de apenas sete anos, alegria garantida no coração do seu avô tão cansado de fatos e mais fatos persecutórios. Artur carregava no sobrenome a história de Luís Inácio Lula da Silva. Há poucos dias, a morte inexplicável o levou, para sempre. 

Para os leitores deste espaço, especialmente os que estão em outros países, recopiamos este artigo do Professor Christian Dunker, da USP, escrito com clareza de visão e grande sensibilidade. Segue o texto.

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Um sinal claro de que nosso desejo legítimo de justiça transformou-se em exercício obsceno de vingança ocorre quando as situações que humanizariam alguém são usadas para ofendê-lo e humilhá-lo. A morte de inocentes não lembra mais nossa igualdade diante da finitude da vida, mas a crueldade dos sobreviventes. Por isso o processo de demonização dos inimigos é infinito. Tudo o que nele o torna como nós, como o fato de que ele tem filhos e netos, que sofre e que ama, precisa ser negado. A impossibilidade de compartilhar qualquer coisa que seja, com este outro. 
Se Freud estava certo, no inconsciente, vigora a lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Disso podemos intuir que aqueles que agora gozam e desejam com a morte de uma criança de sete anos, cedo ou tarde, serão cobrados em dobro, na moeda da culpa, pela sua própria consciência.
Muitos brasileiros hoje se perguntam como é possível defender Jesus Cristo atrás de uma arma, ou usado para apoiar o ódio ou a violência. Poucos percebem que a crença de que todo mal descende de uma pessoa, ou de uma classe de pessoas, é um subterfúgio para liberar o que há de pior em nós. Usar a lei para nos proteger do mal é uma das estratégias mais antigas de pacificação subjetiva. Como se tudo que fosse legal assegurasse nossa moralidade.
Mas o fato é que existem coisas legais e imorais, assim como existe um uso da lei para humilhar e vingar-se do outro. Dentro de todos os impasses que separam e unem a justiça do direito há algumas máximas morais que estão acima de contextos e circunstâncias. O luto e o respeito pelo luto alheio é uma delas.
É o que acontece quando usamos os erros dos outros para nos sentirmos mais puros e justos. Mas o custo subjetivo para manter esta satisfação com a falta do outro pede cada vez. É preciso cada vez mais ofensa e degradação do outro para obter o mesmo efeito de limpeza da consciência.
É preciso cada vez mais maldade no outro para reassegurar nossa bondade. É assim que na história mais mal tenha sido feito em nome do bem do que do mal ele mesmo.
Quanto mais os escândalos de corrupção aparecem do lado do governo, quanto mais laranjas, motoristas e goiabeiras surgem, pior tem que ser o PT e os petistas.
Depreciar Lula, neste momento de dor e sofrimento, é um exagero impiedoso que denuncia este movimento caricato de criar um excesso de um excesso no outro para esconder sua própria falta.
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Fonte do texto: https://www.google.com/search?q=Revista+Época+-+O+exercício+obsceno+da+vingança&oq=rEVIST&aqs=chrome




* Christian Dunker é psicanalista e professor da Universidade de São Paulo.


Créditos das Imagens:
1. Arthur Araújo Lula da Silva
 na frente do prédio da PF em Curitiba-PN.  Imagem divulgada em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/01/politica/1551456375_479980.html

2. Ex-presidente Lula. Foto: Miguel Schincariol /AFP, revista Época 02/03/2019.










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Ex-presidente Lula com o neto Arthur Araújo Lula da Silva, 7 anos, que morreu na sexta-feira 01/02, vítima de meningite. A foto foi cedida ao jornal El País pelo Instituto Lula.  EFE

Ex-presidente Lula, preso político em Curitiba. Foto: Miguel Schincariol /AFP - divulgada na Revista Época - 02/03/2019

PAULO FREIRE - APRENDER A PENSAR POR CONTA PRÓPRIA

22 de fevereiro de 2019


Dando continuidade ao nosso intento de construção e de afirmação do pensamento democrático brasileiro, reproduzimos, aqui, um artigo que lembra uma figura expoente no âmbito da educação inclusiva e libertadora da contemporaneidade. A influência de Paulo Freire ainda é tão expressiva e incomodativa,  que nesses tempos sombrios e autoritários volta a sofrer perseguição de pessoas ignorantes e inexpressivas no âmbito cultural e político do país. Segue o artigo.

O DEMÔNIO USA BARBA
Por: Nirlando Beirão
Carta Capital 20/02/19

  
NO BRASIL DE 2019, O GRANDE VILÃO – DEPOIS DE LULA – 
É PAULO FREIRE


O educador e essa perniciosa ideia de que quem estuda deve aprender a pensar por conta própria

A educação pode reprimir ou libertar. Pode incentivar a busca da verdade ou impor um acervo de dogmas. Pode ensinar-lhe o respeito a opiniões diferentes da sua ou transformar você numa criatura autoritária e insensível. É, a educação inclui o risco de forjar cidadãos e de difundir o vírus da democracia. Por isso é que no Brasil 2019 o grande vilão, depois de Lula, é Paulo Freire. A barbárie tratou de retirar o educador cosmopolita e consagrado de seu nicho pedagógico para expô-lo à execração pública como subliminar porta-voz do comunismo ateu – agora, enfim, como prometem as autoridades, em vias de extinção em terras de Pindorama. 

Paulo Freire, morto em 1997, assombra bolsotários instrumentalizados pelos charlatães evangélicos (*) e  pelas pregações obscenas do astrólogo Olavo de Carvalho. A ironia é que, para Paulo Freire, educar é encaminhar o aluno em direção às múltiplas escolhas do livre-arbítrio. 

O pastor, o padre, o Sagrado Testamento que fiquem longe das salas de aula. Um dos livros de Paulo Freire é intitulado Educação como Prática da Liberdade (Editora Paz e Terra, 1967). Mas o tal comunismo supostamente professado por ele não é, como dizem os inimigos, a supressão da liberdade? Seria este mais um despiste dos vermelhos? Como formar disciplinados servidores do Partido incentivando neles o senso crítico e o apreço à divergência? Chamem Olavo de Carvalho para decifrar o enigma.

Era cristão, foi preso e exilado porque propunha
a liberdade em primeiro lugar

Vou entrar com um lança-chamas no MEC e tirar o Paulo Freire lá de dentro”, prometeu o candidato da extrema-direita na campanha eleitoral. Ele jamais leu uma linha que seja escrita pelo educador, tampouco o fizeram os que se apressam em imitar o incendiário, atiçando contra Paulo Freire a fogueira do auto de fé. Para eles, a Pedagogia do Oprimido – título da obra mais conhecida do professor pernambucano, nascido em 1921 – está no mesmo escaninho dos malditos imaginários, como o marxismo cultural, a evolução das espécies e Jean Wyllys.

O próprio Paulo Freire já vaticinava, em 1968, em seu exílio no Chile, que não seria fácil o embate contra os trogloditas aliterados – tais como os que assumiriam o poder no Brasil, meio século depois.

Nunca pensei ingenuamente”, escreveu, “que a defesa e a prática de uma educação que respeitasse no homem a sua ontológica vocação de ser sujeito pudesse ser aceita por aquelas forças cujo interesse básico estava na alienação do homem e da sociedade brasileira. Na manutenção desta alienação. Daí que coerentemente se arregimentassem – usando todas as armas contra qualquer tentativa de aclaramento das consciências, vista sempre como séria ameaça a seus privilégios.

É bem verdade que, ao fazerem isso, ontem, hoje e amanhã, ali ou em qualquer parte, essas forças distorcem sempre a realidade e insistem em aparecer como defensoras do Homem, de sua dignidade, de sua liberdade, apontando os esforços de verdadeira libertação como ‘perigosa subversão’, como ‘massificação’, como ‘lavagem cerebral’ – tudo isso produto de demônios, inimigos do homem e da civilização ocidental cristã.

Na verdade, elas é que massificam, na medida em que domesticam e, endemoniadamente, se ‘apoderam’ das camadas mais ingênuas da sociedade. Na medida em que deixam em cada homem a sombra da opressão que o esmaga. Expulsar esta sombra pela conscientização é uma das fundamentais tarefas de uma educação realmente liberadora.”

 
Realidade. Os milicianos da ignorância, hoje instalados no poder, denunciam que por trás desta cena está o comunismo. (Foto: FSP).

O pensamento crítico, em que a dúvida seja sempre mais ampla do que a certeza, é a antítese de todo e qualquer sectarismo. Paulo Freire era, sim, um homem de esquerda, na medida em que se ofendia com o capitalismo bárbaro e sonhava com um Estado de Bem-Estar Social próximo dos países avançados da Europa setentrional. Mas a paranoia persistente dos que confundem isso com o comunismo, que se agudizou durante a ditadura civil-militar, levou-o a um longo exílio, depois de ter sido preso pelos militares. Pode experimentar seus ensinamentos no Chile de Allende, na África Negra em momento fecundo de descolonização, e em dois países de “inclinação bolchevique”, a Suíça e os Estados Unidos. Só em 1988 é que ele teve a oportunidade de botar a teoria em prática como secretário da Educação da prefeita Luiza Erundina, em São Paulo.

Paulo Freire era um cristão que tinha um profundo compromisso ético com a defesa da vida do ser humano em sua plenitude”, defende seu biógrafo, Sérgio Haddad.Portanto, era contrário a qualquer regime que violava direitos fundamentais do ser humano, seja ele de qualquer natureza. Nos seus últimos escritos apontava sobre a crueldade de um capitalismo que desistia de melhorar a vida das pessoas para se transformar apenas em uma competição desregulamentada por mais lucro, assim como foi crítico dos regimes socialistas que haviam desistido da liberdade e da democracia. Todos, para ele, regimes violadores dos direitos humanos.
  
A brigada da "Escola sem Partido" promete botar fogo em Paulo Freire, mas a resistência já começou (Foto: Lula Marques)    


De Mordaça. Se fosse vivo, Freire estaria na trincheira oposta à do atual bloco do poder. Ter virado o bode expiatório da turma do mandamento e da tutela, disposta a patrulhar o comportamento dos professores em sala de aula em nome de uma determinada “Escola sem Partido”, não é exatamente o tratamento merecido por aquele que é uma referência capital, em todo o mundo, para trabalhos acadêmicos na área de humanidades.


Pedagogia do Oprimido é a terceira obra mais citada, segundo um levantamento feito no Google Scholar, ferramenta de pesquisa dedicada à literatura acadêmica. O professor associado da London School of Economics, Elliott Green, analisou as menções nos trabalhos disponíveis na ferramenta, criada em 2004. Segundo ela, Freire é citado 72.359 vezes, atrás do filósofo americano Thomas Kuhn (81.311) e do sociólogo, também americano, Everett Rogers (72.780). Bate pensadores radicais como Michel Foucault (60.700) e Karl Marx (40.237).

A pesquisa desconhece Olavo de Carvalho, o xamã do fascismo tropical. O Google Scholar, provavelmente, deve ser outra das muitas fachadas enganosas do tal “marxismo cultural”. 

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Notas deste blog : 

(*) Tomei a liberdade de editar a apresentação do artigo de Nirlando Beirão, na Carta Capital, utilizando negritos e trazendo novas imagens. Quanto ao comentário do autor sobre "bolsotários instrumentalizados pelos charlatães evangélicos", não vejo oportuno a generalização da questão,  por entender que há comunidades e pessoas de Igrejas "evangélicas" que não se deixam instrumentalizar, e  se mantêm fiéis aos princípios e valores revolucionários de Jesus Cristo.

Gostaria de anotar ainda que, em 14/12/2017, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado rejeitou uma sugestão legislativa (SUG 47/2017) para retirar de Paulo Freire o título de “Patrono da Educação Brasileira”. Os senadores consideraram a proposta fruto de ignorância sobre o legado do educador.  Lei 12.612, aprovada pelo Congresso e sancionada em 2012, declarou Paulo Freire “Patrono da Educação Brasileira”, em reconhecimento à vida e obra do educador. No site do Senado é lembrado que "Freire esteve à frente de políticas como o Programa Nacional de Alfabetização e a Educação de Jovens e Adultos e foi consultor de projetos internacionais de educação na África pós-colonial".


Crédito das Imagens:

1. Paulo Freire - www.escoladainteligencia.com.br
2. Paulo Freire - www.paulofreire.marceloauler.com.br
3. Realidade das escolas públicas no Brasil - foto da FSP.
4. Mordaça - Foto de Lula Marques
5. Paulo Freire é a segunda figura, da esq. para a dir., nesta escultura de 1976 de Nye Engström. A obra fica em Estocolmo, na Suécia. Foto: BBC NEWS BRASIL/bergnt oberger/ CC BY-SA 3.0/ PAULO FREIRE FINLAND



Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores, conforme créditos acima. Se  alguém possui direitos de uma delas e deseja removê-la deste espaço, por favor envie-nos um comentário.  

BRASIL - SE HAN ABIERTO LAS VENTANAS DEL INFIERNO

21 de fevereiro de 2019



El reconocido escritor y teologo Leonardo Boff  escribe  - con profundidad y sabiduría - sobre estos tiempos sombríos en el  Brasil, lleno de interrogantes e indignación. El mismo tendrá observado la  importancia de lo que apunta para los que lo síguen en su sítio, pues nos brinda la versión de  su texto también en español. 

Sigue la reprodución:


En Brasil se abrieron las ventanas del infierno





 *Leonardo Boff




En Brasil se constata algo innegable: se nota en muchos sectores la irrupción de odio, de ofensas, de palabras gruesas de todo tipo, de distorsiones, de prejuicios y de miles y miles de fake news que, en gran parte, dieron la victoria al presidente actual. Hay también youtubers que falsean la realidad, mezclando palabrotas con burlas y burdo moralismo, sujetos a un proceso judicial.

‘Comunista’ y ‘socialista’ se han vuelto palabras acusadoras. Ni  se  define su significado real, como si estuviésemos todavía en la Guerra Fría de hace treinta años. Cuantos, inclusive uno de los ministros de parcas luces, envían a sus críticos a Cuba, Corea del Norte o Venezuela. La mayoría no leyó una página de la Teología de la Liberación, tenida por marxista. Ignoran su propósito básico: la opción por los pobres y por su liberación, esto es, a favor de la mayoría de la humanidad que es pobre.


En fin, respiramos aires tóxicos. Muchos muestran completa falta de educación y degradación de las mentes. En la campaña electoral esta rabia encubierta salió del armario. Se ha reforzado la violencia preexistente, dando legitimación a una verdadera cultura de violencia contra indígenas, ‘quilombolas’, negros y negras, especialmente contra los LGBTI y los opositores.
Necesitamos comprender el porqué de este despropósito alucinante. Nos iluminan dos intérpretes de Brasil pertinentes aquí: Paulo Prado, Retrato de Brasil - Ensayo sobre la tristeza brasilera (1928) y Sérgio Buarque de HolandaRaíces de Brasil (1936) en su capítulo V: “El hombre cordial”.

Ambos tienen algo en común, al decir de Ronaldo Vainfas, pues «intentan descifrar el carácter brasilero a partir de sus emociones» (Intérpretes de Brasil, vol. II, 2002 p.16), pero en sentido contrario. Paulo Prado es profundamente pesimista caracterizando al brasilero por la lujuria, la codicia y la tristeza.
Sérgio Buarque de Holanda hace diferenciaciones en cuanto a la cordialidad.
«La contribución brasileña a la civilización será de cordialidad, daremos al mundo el “hombre cordial”. La llaneza en el trato, la hospitalidad, la generosidad, virtudes tan alabadas por los extranjeros que nos visitan, representan, en efecto, un rasgo definido del carácter brasileño» (p.106). Pero luego observa: “Sería engaño suponer que estas virtudes puedan significar buenas maneras, civismo” (p.107). Y continúa: La enemistad bien puede ser tan cordial como la amistad, ya que una y otra nacen del corazón” (p.107, nota 157).
Sabemos que del corazón emergen tanto el amor como el odio. La tradición psicoanalítica nos confirma que en él impera el reino de los sentimientos. Estimo que definiríamos mejor el carácter del brasileño si sostuviésemos que su diseño básico no es la razón sino el sentimiento. Y este es contradictorio: puede expresarse como amor y también como odio virulento.
Este lado, esta faceta dual de la “cordialidad”, mejor dicho, del “sentimiento” ambiguo del brasilero adquirió alas hoy y ha ocupado mentes y corazones. Domina la “falta de buenas maneras y de civismo”. Sólo tienes que abrir los sitios, los twitters, Facebook y YouTube para constatar que las ventanas del infierno se han abierto de par en par. De ahí salieron demonios, separando a personas, ofendiendo a figuras tan beneméritas como el medico Drauzio Varella y la figura mundialmente apreciada de Paulo Freire.
La palabra de un incivilizado ocupa el mismo espacio que la del Papa Francisco o la del Dalai Lama. Pero este es sólo el lado de sombra del sentimiento brasileño. Hay el lado de luz, enfatizado antes por Sérgio Buarque de Holanda y también por Cassiano Ricardo. Tenemos que rescatarlo para que no tengamos que vivir en una sociedad de bárbaros en la que nadie más consiga convivir humana y civilizadamente.
No hay por qué desesperarse. La condición del propio universo está  de  orden y desorden (caos y cosmos), las culturas poseen su lado sim-bólico y dia-bólico y cada persona humana está habitada por la pulsión de vida (eros) y la pulsión de muerte (thánatos). Tal hecho no es un defecto de la creación, es la condición natural de las cosas. Las religiones, las éticas y las civilizaciones nacieron para dar hegemonía a la luz sobre las sombras a fin de impedir que nos devoremos unos a otros. Termina pesimista Pablo Prado: «la confianza en el futuro no puede ser peor que el pasado» (p.98). Estamos de acuerdo.





Nos inspira este verso de Agustín Neto, líder de la liberación de Angola: «No basta que sea pura y justa nuestra causa. Es necesario que la pureza y la justicia existan dentro de nosotros» (Poemas de Angola, 1976, p.50).


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Leonardo Boff es teólogo, filósofo y escritor – escribió: Reflexiones de un viejo teólogo pensador, a salir por: Trotta, 2019.
Traducción: Mª José Gavito Milano
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Fuente del texto:



Fuente de las imagens:
1. Imagin inicial – ombre y mar-ow4aaolum.jpg, reproducida de lo sitio: Leonardo Boff, en este artículo. 
2. La sequía - escultura de Abelardo da Hora.
3. La águia y el saque - YouTube.com
4. Retrato de lo angolano Agostinho Neto in: 
http://www.jornalcultura.sapo.ao/eco-de-angola/o-discurso-ecletico-de-agostinho-neto/fotos.

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