Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

O SENTIDO DO NATAL NA NOSSA CIVILIZAÇÃO

7 de dezembro de 2018


Pensar é tarefa da filosofia. 
O entrevistado é o filósofo e professor italiano  Massimo  Cacciari, também
conhecido, na Itália, como um político ateu, ligado ao partido comunista. 
Pareceu-me oportuno traduzir a entrevista, porque Carciari nos coloca (e, ao que parece, a ele próprio) 
contra a parede, ao repensar a influência profunda dos valores cristãos na civilização.  

Mais importante, ainda, é quando o filósofo levanta questões sobre o que estamos habituados a vivenciar, acomodados que somos ao pensamento vigente, que não parece refletir em profundidade a dimensão profunda da vida, do afeto, da solidariedade, do mistério e, no caso desta entrevista, sobre a espiritualidade cristã como matriz significante da nossa civilização. 

Na tradução, a designação de "católico", usada pelo entrevistado, foi traduzida por "cristão", em respeito à nossa experiência latino-americana, claramente ecumênica.

O entrevistador, Stefano Zuro, pareceu-me instigante e arguto. A temática é 
atual. O Natal hoje, pode nos passar a sensação de uma "festinha" entre amigos e familiares, com troca de presentes e um bom jantar, regado a vinho ou cerveja. É uma festa encharcada pela desatenção do nosso tempo à experiência do essencial, da solidariedade e da sobriedade que, aqui e ali, levemente se manifesta.  
 -----------------------------------


O Natal não é só dos cristãos, mas permeia a nossa civilização.

“A indiferença envolve cristão e não cristãos. Não têm presente o significado perturbador da festa”.
Por: Stefano Zurlo 
Versão portuguesa: Vanise Rezende

NATAL. Massimo Cacciari é um crescendo de irritação, quase uma cantilena de insultos: “O Natal do panetone, o Natal da publicidade, o Natal do dinheiro. O Natal hoje é uma festinha”. E, ao dizer isto, vê-se em seu rosto os sinais do seu desgosto.
A crônica é uma sequência de episódios mortificantes: a escola que abole o presépio em sinal do politicamente correto, o pároco que teme celebrar a missa da meia-noite, a comunidade que renuncia aos cantos tradicionais para não perturbar a sensibilidade alheia. O filósofo fica impaciente, depois vai fundo como uma guilhotina: “Foram os cristãos os primeiros a abolir o Natal”.
Professor, quer provocar?
Não, a verdade é que a indiferença reina soberana e envolve quase todos: os  os cristãos e não cristãos".
Está bem, existe um Natal dos pacotes e dos presentes. E depois?
“Depois, eu que não sou crente me interrogo: há um símbolo que trouxe uma contribuição extraordinária à nossa história, à nossa civilização, à nossa sensibilidade”.
Para o senhor, o que é o cristianismo?
“O cristianismo é uma parte fundamental do meu percurso, da minha trajetória, é algo com que me confronto todos os dias”.
Por que os leigos e os católicos de hoje balbuciam diante de um evento que cingiu em duas a história?
“Porque não refletem, porque não respeitam a memória dessa história tão perturbadora”.
Deus que se fez homem.
“Percebes? Não Deus que estabelece uma relação com os homens, mas Deus que vem à terra através de Cristo. É vertiginoso”.
Talvez o seja para o senhor e poucos outros.
“Justamente. A nossa sociedade está anestesiada. O Natal se tornou uma fábula qualquer, uma espécie de historinha edificante que apaga as inquietudes”.
Ou seja, não se defende mais o Natal, (...) talvez porque não se saiba mais o que é o Natal?
“Exatamente. Se posso generalizar - e sei que em toda parte existem as exceções – o leigo não se permite ser atingido por esse escândalo; o professor de religião não transmite mais a força dessa história, mas faz apenas um aceno na aula de educação cívica; e o padre, quase sempre declama prédicas cômodas, cômodas e tranquilizantes, que são um convite ao ateísmo”.
Um desastre.
“O abc foi descartado. A primeira distinção não é entre cristãos e não cristãos, mas entre pensantes e não pensantes. Se alguém pensa, como pensava o cardeal Martini, então se interroga. E se se interroga, antes ou depois vê-se fascinado pelo cristianismo, pelo Deus que se faz homem, escandalizando os hebreus e o Islam”.
Estamos às voltas com um choque de civilização?
“E que choque!  Da parte deles, também se perdeu o valor profundo do fato religioso. Vivemos em um mundo que esquece a dimensão espiritual”.
De onde pode partir o diálogo com as outras religiões?
“O diálogo parte da compreensão, mas se não houver compreensão, então nos preparemos para o pior. E, de fato, os cristãos sabem, e eu sei que, de alguma parte, há sempre um resto de Israel, servos ingênuos do nosso tempo".
Na verdade, o que está faltando?
“Falta o arrepio diante de um fato tão grandioso, incomensurável. Observo isso nos museus, quando estudantes param diante de quadros com sujeito religioso”.
Está implicando também com os estudantes?
“Não, implico com os seus professores e não só com eles. Esses jovens recebem noções de natureza estética, mas depois, se chegas perto e perguntas a eles: quem é aquele santo? É o Batista? É Paulo? É João? Eles te olham estupefatos, não sabem nada, estão desmemoriados como o nosso tempo”.
Cacciari, o senhor está mesmo certo de que não crê?
“O filósofo não pode crer”.
Com todo o respeito, isto é o senhor quem afirma.
“O filósofo não pode aceitar a lição cristã, mas é um inquieto e reflete”.
Então, o senhor reza?
A busca a um certo ponto se avizinha da oração. É certo que o fiel está convencido de que a sua oração será escutada. O filósofo pede o nada. Mas, fica estupefato diante do mistério. E o absorve, como aconteceu no meu último livro, sobre Maria: Gerar Deus. Pense, uma jovenzinha que se torna mãe de Deus. É de não acreditar, mesmo para aqueles que creem”.
-------------------------------------------------------
Fonte do texto:


Créditos das imagens:

1. Foto de abertura - www.mondi.it.jpg
2. Imagem da entrevista realizada pelo "Il Giornale", em 2017.
3. Foto divulgada em: www.ilglobo.globo.com.jpg

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. 
Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que sejam removidas deste espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com

--------------------------------

Notas biográficas:

Massimo Cacciari nasceu em Veneza em 5/06/1944. É um político italiano, ex-prefeito de Veneza, professor e filósofo. Atualmente é docente do pensamento filosófico e metafísica na Faculdade de Filosofia da “Università Vita Salute di San Raffaelle”, fundada por ele, em 2002, e da qual é pró-reitor. Foi eleito prefeito de Veneza em 2005 e abandonou a política ativa após a conclusão do seu mandado, em abril de 2010. Em 2016 publicou, pela editora “Il Mulino”, o livro “Ocidente senza utopie”, escrito com Paolo Prodi.

Fonte: http://www.mondi.it/almanacco/voce/16015






https://mail.google.com/mail/u/0/images/cleardot.gif


BRASIL - A FORÇA DA HISTÓRIA

5 de dezembro de 2018

Nenhum político, nenhum general, nenhum juiz, irá determinar como historiadores de ofício chamarão isso ou aquilo, ou como exercerão o seu ofício. 
Podemos ser calados, mas não vencidos.
171
Por: Sidney Chalhoub


 *Sidney Chalhoub - Professor of History, Harvard University - Professor Titular Colaborador na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).


Seria melhor escrever crônica, mas hoje não é possível. Faz dias que abro jornais e revistas e aparece uma saraivada de notícias e artigos de opinião a respeito do que o governo eleito do país pretende fazer na área de Educação. Tramita um projeto de lei no parlamento para instituir a censura em sala de aula, fala-se em fundir o ministério da Educação com outro, em cobrar mensalidades nas universidades públicas, em vouchers etc. Bastante cacofonia, mas não seria razoável descartar de início todos os pontos que aparecem para discussão.
Todavia, há alguns esclarecimentos a fazer no que tange à produção do conhecimento histórico e a difusão dele nas instituições de ensino, nos livros, em revistas especializadas, em meios diversos de divulgação. Apesar das aparências (a julgar pelo que se lê e escuta), a produção de conhecimento histórico e o ensino dele não são a casa da mãe Joana. De modo que vou explicar duas ou três cousas básicas, para colocar a conversa em lugar devido.
Ao que parece, professores e professoras de história são alvos principais de iniciativas para combater uma suposta doutrinação nas escolas. Todo dia há alguma notícia sobre docente de história denunciado, perseguido, demitido, ameaçado, agredido verbalmente, ou pior.
É possível que tenha havido um excesso ou outro, em especial devido à alta temperatura política dos últimos meses. Mas a exceção não faz a regra, nem o ataque em curso contra docentes de história precisa de episódios isolados para se justificar.
Quais os motivos para tanto foco nos historiadores? Por que eles passaram a incomodar tanto a certos setores da sociedade brasileira e da classe política?
A resposta é complexa. Seria necessário situá-la no quadro mais amplo de explicações dos motivos pelos quais a extrema direita chegou ao poder no Brasil, neste preciso momento. Conheço meus pares.
Nós, historiadores, e colegas cientistas sociais de diversas disciplinas, no Brasil e no mundo, nos debruçaremos sobre o tema nas próximas décadas e vamos dissecar o assunto até que a nuvem espessa da incompreensão se dissipe um pouco, ou bastante. O processo é lento, já começou e não tem hora para acabar. O tempo nervoso da política não tem nada a ver com a longa duração requerida na investigação, no diálogo acadêmico e na sistematização de resultados de pesquisa.
Por aí se chega a uma primeira resposta quanto aos ataques aos historiadores. Os historiadores brasileiros estão na berlinda porque o conhecimento que produzem hoje é autônomo, crítico, baseado em pesquisas empíricas lentas e sólidas, informado por debates conceituais densos. Além disso, em várias áreas da pesquisa histórica, têm o reconhecimento da comunidade acadêmica internacional. Desde o início da década de 1980, a formação de historiadores se profissionalizou no país de maneira admirável. Há hoje dezenas de cursos de mestrado e doutorado em história espalhados por todas as regiões. São programas de pós-graduação constantemente e rigorosamente avaliados pelos pares, em processos de acompanhamento institucionalizados pelo governo federal que nada deixam a dever (de fato, superam em muitos aspectos) a procedimentos similares existentes em outros países. Vários desses programas são de excelência, muitos deles de ótima qualidade. Via de regra, os professores e professoras de história das universidades brasileiras passaram por um processo de formação exigente, demorado, a demandar doses absurdas de vocação e determinação –quatro anos de graduação, dois ou três anos de mestrado, quatro a seis anos de doutorado. Dez a treze anos de formação, quando dá tudo certo, sem intempéries. Essa qualidade concentrada nas universidades, nas públicas em especial, mas não só nelas, se espraia pelo sistema inteiro, instaura a reflexão crítica sobre a história em toda parte. Isso incomoda demais.
É fácil entender o desconforto de tanta gente. As historiadoras e historiadores brasileiros passaram as últimas décadas a escarafunchar arquivos e rever inteiramente o que antes se sabia sobre a história da escravidão e do racismo no país. A violência da escravidão, a expansão da cafeicultura baseada na invasão de terras e no tráfico africano ilegal, o estudo das formas de resistência e de enfrentamento cotidiano por mulheres e homens escravizados – tudo isso se pesquisa e aprende, chega às salas de aula e até ajudou na justificativa para a adoção de políticas públicas de ação afirmativa. 

A historiografia brasileira participou intensamente de um movimento internacional de investigação das relações de gênero e seu impacto na reprodução de desigualdades em sociedades diversas, em qualquer tempo. Aprendemos a respeito dos modos de as mulheres lidarem com as violências e as formas diversas de subordinação, sabemos melhor aquilo que têm feito ao longo da história contra aqueles que pregam a violação delas, a amputação de suas potencialidades, a interdição de seus sonhos.
Houve uma gama enorme de estudos sobre a ditadura brasileira de 1964-1985, baseados em fontes primárias que se tornaram disponíveis, produzidos em diálogo com a historiografia internacional a respeito das ditaduras latino-americanas no período da guerra fria. Os historiadores brasileiros sequer inventaram de chamar “ditadura” o que ocorreu no país naquele período, pois historiadores de outras partes do mundo já haviam adotado a bossa de chamar a coisa pelo nome que a coisa tem.
Nada disso, e muito mais, agrada a quem tem agora as rédeas do poder. Paciência. Outras eleições virão. Mas algo precisa ficar claro. Nenhum político, nenhum general, nenhum juiz, irá determinar como historiadores de ofício chamarão isso ou aquilo, ou como exercerão o seu ofício. Podemos ser calados, mas não vencidos. E estamos à disposição para ensinar, como sempre estivemos, a quem quiser aprender. As portas das universidades brasileiras estão abertas a quem se qualificar para ingressar nelas – há Enem, vestibulares, concursos de ingresso para programas de pós-graduação.
Depois muitos anos de formação, exames diante de bancas de mestrado, doutorado, tudo com os salamaleques da tradição acadêmica. Há centenas e centenas de livros e artigos científicos sobre os temas citados no parágrafo anterior, e sobre muitos mais. É longo, duro, mas fascinante. Podem crer.
---------------------------------------------
Fonte do texto:

*Publicado originalmente em conversadehistoriadoras.com


Publicado em:12/11/2018

Crédito imagens: foto integrada à publicação de "Carta Maior."



BRASIL - PRENÚNCIO DE UMA CATÁSTROFE SANITÁRIA

30 de novembro de 2018


SUPERVISOR DO MAIS MÉDICOS ALERTA: TEREMOS UMA
CATÁSTROFE SANITÁRIA no brasil

O supervisor do programa Médico de Família e Comunidade Thiago Henrique Silva concedeu entrevista à TV 247 para falar sobre o rombo na atenção básica à saúde que a saída dos médicos cubanos irá causar no Brasil.

TV 247 - Na última semana, o Brasil viu milhares de médicos cubanos serem chamados a sair de seus postos de trabalho, rumo à sua pátria natal, após o governo de Cuba rechaçar as alterações que o presidente recém-eleito, Jair Bolsonaro, divulgou que pretendia realizar, no seu governo, em relação ao programa Mais Médicos.

Para falar sobre o rombo na atenção primária que a saída dos profissionais cubanos irá causar, no Brasil, o supervisor do programa e médico de família, Thiago Henrique Silva, concedeu entrevista à TV 247 alertando que, com a falta de médicos nos rincões do Brasil ou em regiões periféricas, "uma catástrofe sanitária poderá ocorrer no País".

"Temos 1.500 municípios que dependem do atendimento dos médicos cubanos. Mesmo contando com a presença desses profissionais, ainda há um déficit de dois mil médicos. O fim do programa Mais Médicos promoverá uma catástrofe sanitária no Brasil", afirmou o supervisor.

Em relação aos distritos do recorte indígena, o impacto será ainda maior. Dos 372 médicos que os atendiam, 301 médicos retornarão à Cuba. Silva afirma que "nos distritos habitados por índios, o atendimento dos médicos cubanos é praticamente exclusivo" expondo que "nessas regiões, é quase impossível fixar médicos brasileiros".
O Dr. Thiago Henrique problematiza: "Com a redução dos profissionais, diversos indicadores serão afetados. A atenção primária deve ser responsável por resolver até 80% dos problemas de saúde. Em caso da retirada dos médicos da área,  os índices de mortalidade irão aumentar".
A polêmica dos salários 
Um dos argumentos utilizados pelo governo eleito, no intuito de esvaziar o programa, é de que "parte dos salários dos médicos cubanos seriam destinados para sustentar a ditadura cubana". 
O Dr. Thiago Henrique Silva esclarece que o governo cubano não coage nenhum médico a participar do programa e que "eles aceitam por vontade própria os editais que são abertos para os candidatos que desejam exercer a profissão em outros países". 
Esclarece, ainda, que muitos dos serviços que os médicos cubanos prestam em outros países “não são remunerados”, como no caso da ajuda humanitária no Haiti e em regiões da África. "Enquanto Cuba envia médicos para o mundo, os EUA envia armas", lamenta o supervisor. 
"O salário que um médico cubano recebe, através do programa de exportação dos profissionais para outros países, sustenta os direitos sociais de todos na ilha. Os valores lá são outros, ninguém morre de fome em Cuba", aponta.
O supervisor considera que Cuba é muito íntegra no recorte da saúde pública. "Mesmo sabendo que o País irá perder bilhões com a saída dos médicos cubanos do Brasil, o País não aceitou o discurso de Bolsonaro", conclui. 
"Temos 1.500 municípios que dependem do atendimento dos médicos cubanos, sendo que, mesmo com a presença desses profissionais, há um déficit de dois mil profissionais", afirma.

No recorte do atendimento aos povos indígenas, o impacto será ainda maior. 301 dos 372 médicos retornaram à Cuba. Silva afirma que "nos distritos habitados por índios, o atendimento dos médicos cubanos é praticamente exclusivo" expondo que "nessas regiões, é quase impossível fixar médicos brasileiros".
O médico problematiza: "Com a redução dos profissionais, diversos indicadores serão afetados. A atenção primária deve ser responsável por resolver até 80% dos problemas de saúde, se o profissional é retirado, os índices de mortalidade irão aumentar".
A polêmica dos salários 

Um dos argumentos utilizados por Bolsonaro para esvaziar o programa, é que "parte dos salários dos médicos cubanos eram destinados para sustentar a ditadura cubana". 
Silva esclarece que o governo cubano não coage nenhum médico a participar do programa e "que eles aceitam por vontade própria os editais que são abertos para exercer a profissão em outros países". 
Ainda informa que muitos dos serviços que os médicos cubanos prestam não são remunerados, como no caso da ajuda humanitária no Haiti e em regiões da África. "Enquanto Cuba envia médicos para o mundo, EUA envia armas", lamenta. 
"O salário que um médico cubano recebe, através do programa de exportação dos profissionais para outros países, sustenta os direitos sociais de todos na ilha. Os valores lá são outros, ninguém morre de fome em Cuba", aponta.
O supervisor considera que Cuba é muito íntegra no recorte da saúde pública. "Mesmo sabendo que o País irá perder bilhões com a saída dos médicos cubanos do Brasil, o País não aceitou o discurso de Bolsonaro". 
--------------------------------------------------------------------
Fonte do texto, publicado em 23/11/2018:


As imagens vieram integradas ao texto.

--------------------------------------------------


Inscreva-se na TV 247 e confira a íntegra da entrevista com o supervisor do programa Mais Médicos, Dr. Thiago Henrique Silva.                                                                                               






PAULO FREIRE - ESPERANÇA DO VERBO ESPERANÇAR

25 de novembro de 2018

Decidi republicar, hoje, duas preciosas mensagens que publiquei neste espaço em 17/10/2017, e se mantém como uma das postagens mais lidas até hoje. Os dias atuais vêm intensificando, com maior preocupação e assombro,  o que já acontecia então. 

Pensei de incrementar as duas primeiras mensagens, com outra mensagem da atual página de abertura no Facebook de uma amiga.   

Convido-os a fazer uma leitura lenta, atenciosa, em busca do aprendizado e da profundez das mensagens. Não se trata apenas de filosofia ou de poesia. É o testemunho de pessoas especiais, que conhecemos de perto, que nos fazem refletir e nos encorajam neste momento de desassossego. 

A primeira mensagem é de um grande educador brasileiro, de quem não nos cansamos de citar as viventes palavras, ideias e proposições, que nos servem hoje e servirão sempre, para reforçar a tarefa da permanente construção democrática no nosso país. São fachos de luz do inesquecível Paulo Freire. Parece até que ele nos escreve para este momento tão penoso, que tem o sabor de um fruto amargo, para nós e, infelizmente, para os que ainda iniciam os seus primeiros passos na vida.  


A segunda mensagem é de Daniel Lima, sacerdote católico que conheci no Recife, eu ainda jovem. Tive  por ele um carinho muito grande e a lembrança de um título que ele escolheu para um livro que escreveu - e não sei se o publicou. 

Bastou-me o título, para não esquecê-lo jamais:  'QUEDA PARA CIMA'. 

Não seria essa a nossa condição de luta, nesse momento carregado de  maldades e desassossego?  Uma queda, para cima!                                                                 
Como Paulo Freire, também Daniel Lima já concluiu a sua caminhada. Mas, a sua poesia continua a trazer luz a essas noites em que nos encontramos, de sujidades sem fim. Noites aprofundadas de dor, interrogações indignação

A poesia de Daniel Lima nos fala igualmente do verbo Esperançar, quando tudo parece apagar-nos os olhos da nossa profundez.  
             
             "É na queda que se revela
              a escondida fraqueza
              do homem essencial.

              É no fundo do abismo que se descobre
              a força ausente.

              É na desnudez da morte que se sente
              o impasse da vida
              a fugacidade do tempo
              e o mistério das horas transcorridas.

              No voo, o pássaro é domínio do espaço
              orgulho de asas que o libertam
              sem perceberem que hão de cair um dia
              porque são asas".

                                       ----------------------

            "Sozinho em minha ilha,
             vejo de longe o mundo
             como algo distante e diferente.
             Mas essa que vejo, assim distante,
             é a própria ilha em que estou".

                                    -----------------------
            
            "Levo-os sempre comigo, os mortos
             que em vida conheci.
             Amigos, inimigos,
             os que amei ou me amaram,
             os que vi de passagem, ou (quem sabe?) odiei.

             Todos estão aqui, simples e amáveis
             todos falam por mim
             todos sentem comigo.

             Todos os que por mim passaram
             Todos eles sou eu".



A terceira mensagem é do grande líder da África do Sul, Nelson Rolihlahla Mandela, cujo nascimento completa, neste ano, 110 anos. Foi um político conhecido em todo o mundo, por ter  lutado e superado anos de prisão, conquistando depois a presidência da África do Sul. É um dos líderes mundiais na luta por direitos iguais de  povos divididos em negros e brancos. 

Mandela foi também um disseminador da não-violência e da filosofia UBUNTU que qualifica as relações de respeito, verdade e amor entre as pessoas. Não importa quem, não importa a origem, importa que somos enquanto nos abrimos ao relacionamento com o outro: "eu sou enquanto você é". É a fraternidade universal revestida com a igualdade de direitos, o respeito mútuo, a sinceridade.  Eis um seu texto:

"Ninguém nasce odiando outra  pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser convidadas a amar."

Esse pensar une essas três grandes figuras numa só convicção:

Todos os que por mim passam, todos eles sou eu."
                        
---------------------------------------------------                                          

Fonte dos textos e imagens:

1. Paulo Freire - mensagem divulgada via WattsApp

2. Daniel Lima - texto e retrato interferido por Mirard in: elmirdad.blogpost.com.br/2013/06/pílulas-para-02-padre-poeta-daniel-lima-html

3. Mandela - Facebook - reprodução.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato com vrblog@hotmail.com  



AMÉRICA LATINA - SUBALIMENTACIÓN

24 de novembro de 2018


América Latina -
Desigual y subalimentada

Argentina es uno de los tres países de América latina y el Caribe, junto a Bolivia y Venezuela, donde desde 2014 aumentó el número de personas subalimentadas, dice el documento elaborado por Naciones Unidas
3
Por: Elena Llorente, Página/12


   Créditos da foto: La imagen de una familia de migrantes venezolanos      en Perú (AFP)

Argentina es uno de los tres países de América Latina y el Caribe, junto a Bolivia y Venezuela, donde desde 2014 ha aumentado el número de personas subalimentadas, dijo el informe “Panorama de la Seguridad Alimentaria y Nutricional 2018” difundido esta semana y elaborado por distintos organismos de Naciones Unidas, entre ellos FAO (Organización de las Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimenración), OPS (Organización Panamericana de la Salud), UNICEF (Fondo de Naciones Unidas para la Infancia) y PMA (Programa Mundial de Alimentos).
Por “personas subalimentadas” se entiende aquellas que no cuentan con alimentos suficientes para satisfacer sus necesidades y llevar una vida sana.

Según el informe, el hambre afecta a 39,3 millones de latinoamericanos, el 6,1% de la población. Pero entre 2015 y 2016 el número de personas subalimentadas creció en 200.000 personas y entre 2016 y 2017 en 400.000 personas. Entre ellos hay 5 millones de niños que padecen desnutrición. Si se habla de pobreza extrema –que se determina a partir del costo de la canasta básica de alimentos y quien no puede pagar ese costo es considerado pobre extremo–.en América Latina hay 62 millones de personas en esa condición.
Las desigualdades económicas “agravan el hambre, la desnutrición y la obesidad en América Latina y el Caribe”, subrayó el texto.
Respecto de la Argentina las cifras publicadas indicaron que en 2014-2016 sufrían inseguridad alimentaria en el país 1,6 millones de personas (el 3,6% de la población) mientras que en 2017 esa cifra aumentó a 1,7 millones de personas (el 3,8% de la población). También Bolivia aumentó el número de subalimentados pasando de 2,1 millones (19,6% de la población) a 2,2 millones (19,8%).
Los casos más graves de la región, sin embargo, son considerados Haití, con 5 millones de subalimentados (el 45,8% de la población) y Venezuela, donde hay 3,7 millones de subalimentados que representan el 11,7% de la población.

El informe no sólo abordó el tema tradicional del hambre y la desnutrición sino también problemas como la obesidad que es una enfermedad creciente en toda la región, sobre todo entre mujeres y niños. “Cada año se suman 3,6 millones de personas obesas en la región”, especificó el informe, aclarando que “el hambre, la desnutrición, la carencia de micronutrientes, el sobrepeso y la obesidad afectan más que nada a las personas de menores ingresos, a las mujeres, a los indígenas, a los afrodescendientes y a las familias rurales de América Latina y el Caribe”.
 La obesidad se ha convertido en la mayor amenaza nutricional para América Latina y el Caribe. Uno de cada cuatro adultos es obeso mientras el sobrepeso afecta a 3,9 millones de niños menores de 5 años.
Pero estos problemas tienen a su vez que ver marcadamente con la edad y con el sexo además del nivel socioeconómico al que se pertenezca.
“En diez países de América Latina y el Caribe, el 20 por ciento de los niños y niñas más pobres sufren tres veces más la desnutrición crónica que el 20 por ciento más rico”, dijo el informe. Y respecto de las diferencias de sexo aclaró que “el 8,4 por ciento de las mujeres viven en inseguridad alimentaria severa, en comparación con el 6,9 por ciento de los hombres”.
Se trata de 19 millones de mujeres contra 15 millones de hombres. Para las mujeres esto significa que a menudo se ven afectadas, entre otras cosas, por anemia (falta   de hierro) y por todos los problemas que esto significa para ella y el bebé si además están embarazadas. La desnutrición crónica infantil, pero no sólo eso, es mayor además entre las poblaciones indígenas y campesinas, precisó el documento.
 El hambre, la subalimentación, la desnutrición, el retraso en el crecimiento, la obesidad, no tienen como única explicación la falta de dinero de parte de las familias. Sin duda, la pobreza, las crisis económicas, los conflictos, la desocupación no ayudan a las familias a mantener el mínimo ingreso y el mínimo de alimentos.
Pero a eso hay que agregarle otros factores como los desastres naturales que afectan a América Latina, como huracanes, terremotos, tormentas furiosas, sequías entre otros. Esos fenómenos alteran la economía, la producción agrícola, la vida de las personas y son en parte la explicación de los miles de migrantes que en estos días están caminado desde América Central por México y hacia Estados Unidos.
También intervienen en la subalimentación o mala alimentación los problemas políticos internos, las disputas entre los ricos productores y distribuidores y los gobiernos, como es el caso de Venezuela, donde escasean los alimentos.
Influyen asimismo los procesos de urbanización en los distintos países, a menudo no planificados suficientemente, que suponen el desplazamiento de las personas y de las familias, que producen cambios importantes dentro del grupo familiar, sobre todo si ambos padres trabajan.
El excesivo tiempo ocupado de los padres lleva a menudo a una mala selección de los alimentos, prefiriendo los alimentos ya procesados, porque son más cómodos, a veces hasta más baratos, pero que contienen un alto nivel de grasas y de agregados malos para la salud. Y los niños y adultos, influenciados por otra parte por la propaganda de ciertas marcas que se difunden por televisión o en Internet, no aprenden a hacer una correcta selección de los alimentos y favorecen la obesidad y las enfermedades.
Según el documento, los niños tendrán “un estado nutricional óptimo si pueden acceder a una alimentación variada y nutritiva, a prácticas adecuadas de atención materno infantil, a servicios de salud y a un entorno saludable que incluya agua potable y buenas prácticas de higiene”.
Por eso los cuatro organismos que elaboraron el documento, FAO, OPS, UNICEF y PMA, “llaman a los países a aplicar políticas públicas que combatan la desigualdad y promuevan sistemas alimentarios saludables y sostenibles”.
Fonte do texto: 

*Publicado originalmente no Página/12

Posts + Lidos

Desenho de AlternativoBrasil e-studio