Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

BRASIL - O SERTANEJO E A TERRA

23 de julho de 2017

Cansei do descalabro, das intrigas, do engodo e do vale tudo no poder. Não que não queira mais me rebelar, manter a luta pelos direitos dos trabalhadores, denunciar os usurpadores de seus sonhos, sabendo que sonhos são a coisa mais necessária à vida humana. 

Mas, decidi deixar-me ficar um pouco em sintonia com a vida dos mais vulneráveis, os pobres, que estão sempre a manter a Esperança viva.  Decidi, trazer hoje a escrita de um desses sonhos, esses simples desejos atinentes à vida que cada um deveria ter o direito de ter. 

--------------------------------------


A música do celular não me assossega, nem engana o tempo na teimosia da saudade. Porque o sonho é bonito antes da gente botar os pé na estrada. Mas, é coisa bem diferente chegando lá, aonde se pensava ser o destino, pois o destino não é só a diferença do chão que a gente pisava antes e chega a pisar no depois.

Antes, foi a terra rachada e seca que não obedecia mais, que não deixava brotar a semente plantada. E a dificuldade de guardar o que a gente tinha de melhor da produção passada, pra fazer a nova plantação. Agora, tudo se perdeu. 


Aquele sol tinindo, assombrando as esperança de vê o broto do feijão se espichando enroscado pelo chão, e de vê também a boneca do milho que é a flô mais bonita do campo inteiro.  Até os riacho viraram poça d´água, que nem tinha mais serventia nem pro gado do patrão. Meu cavalo, coitado, tava quase pregando a pele no osso quando fui vendê, e o resultado já foi comido um pedaço, só deu comprar o bilhete de chegada na cidade grande e a sacola mode trazê as coisa que eu tinha. 

Quando se dá essas mudança, a gente fica abestalhado, acho que é como quando um vai pra os estrangeiro, em outros lugar, pisando nas terra que não foi de nossos pais. Deve de ser coisa parecida.  


A terra que eu deixei eu conhecia e era irmã da minha vida, eu sabia pisando nela quando ia ter chuvarada ou só chuviscar, ou quando tava ressecando todinha sem parir mais plantação.
   Eu  também  sentia quando  um  veio de água ia trazê um tanto de alegria pra nóis de lá, pelo meno pra fazer a comida e pra beber, porque a gente não queria comprar água não. Nem se tivesse como. Coisa mais esquisita: água é a coisa mais sagrada que cai do céu de graça pra todo mundo. Pagar água é pecar contra os bem da natureza que Deus manda pra nóis, pela chuva que desce igual na cabeça do patrão, e de nós os empregado, e dos que tem a sorte de ter um roçado. Da merma forma é com os veio d´água que vem de dentro da terra. 



Mas agora tô pisando terra desconhecida, meus pé não reconhece mais o que ela tá dizendo, como se nóis tivesse separado os nosso sentimento um do outro, que era devera irmão. É como se essa terra que piso agora não tivesse mais vida, como era uma vez aquela lá no roçado. 

Quem sabe é de zangada, a terra aqui, de ficar sem respiro debaixo do cimento que botam de junto dela, tirando a sua capacidade de fazê brotá outras vida. 



Até a lua e o sol aqui fica escondido detrás dessas torre tamanha, que parece querer chegar onde Deus mora. Pra mim, mesmo o povo aqui falando palavra que quase tudo entendo, pra mim tô vivendo nos estrangeiro. 

E inda se vive assim, tudo ajuntado, parede com parede, padecendo da vida dos outro sem nem saber quem eles é. E é muita briga por pouca coisa, porque ninguém tem mesmo nada. E a gente aprende que vivê assim sem nada é coisa de muito risco.

A salvação é que vim só, eu só e Deus, com as bênção da vige Maria. Ainda tô na flor da idade, posso trabalhar no que for. Um home lá na bodega me falou que vai arrumar trabalho de plantar flô pra eu fazê. 




Primero vou ir com ele pro mode aprendê, saber como cuidar das terra dos jardim das madame, nas casa delas. 

O home me falou que dei de sorte, ele tava procurando gente que goste de cuidá das pranta, como eu, pra trabalhar pra ele. E nós divide o ganho pros dois. É assim que vou começar... 

É uma ventura de eu pudê vortá a mexê na terra, mesmo que poca, nos quadradinho das flô lá das casa da madame. 

A vida da terra que eu vou prantá há de me salvar também nesse chão medonho. Vou carecê de prantá muita frô pra matar um tantim dessa saudade da terra que deixei lá. 



-----------------------------------------

Crédito das Imagens:

1. Recanto do sertanejo - www.mef.org.br
2Milho - Sem chuva, agricultores têm prejuizo no sertão de Pernambuco - www.g1.globo.com/pe/petrolina-região/noticia/2016/03/
3.  Feijão - Fotos e Fotos da Caatinga - reprodução.
4. 5. e 6. -  www.canstockphoto.com.br


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato com vrblog@hotmail.com

BRASIL - UM PUNGENTE FUNERAL

20 de julho de 2017


Esta imagem ao lado  de um uma obra de arte de Abelardo da Hora  rica de expressão humana e de grande realismo, parece-me representar o momento que vivemos no país. Lembra-nos o pungente funeral que o povo dos fundos da Casa Grande está a celebrar no país.
  Falo da retrocedente reforma trabalhista, borrada de trapaças e maldades contra o povo brasileiro.  

A CLT, que por muitos anos foi uma das bandeiras políticas mais fortes dos descendentes de Vargas, sofreu rasuras que nos envergonham diante do mundo. Põe o Brasil de cócoras diante da poeira fugaz do Deus Mercado, pois ajoelhado eu não diria, que é um honroso ato de reconhecimento da nossa insignificância diante da grandeza da Vida. Os mandatários que assinaram tais reveses, mostraram-se os mais inúteis "representantes do povo" que se pôs no Congresso Nacional. E vamos nos lembrar muito bem disto.




Já registramos, neste espaço, o gesto significante de algumas senadoras e o apoio de outras e outros deputados e senadores que tentaram impedir tamanha insensatez. Prevê-se um longo tempo pela frente para a reconquista dos direitos solapados por tão apequenados senhores, com a anuência da insignificante figura que ocupa a presidência do país, a nos fazer passar vexame a cada ato público em que aparece. 

Hoje publicamos um comentários de Rogério Martins - Carta Capital - que nos traz informações importantes sobre o assunto. Os negritos são nossos.

----------------------------------------------------


"COM TEMER CLT É COLOCADA A SETE PALMOS"
       
Para delite da Casa Grande o Congresso conclui o funeral da
Consolidação das Leis do Trabalho. 

Por: Rogério Martins
Publicado em 16/07/2017

Último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888, o Brasil tardaria mais quatro décadas para reconhecer a necessidade de o Estado mediar as relações entre o capital e o trabalho livre. A Constituição Republicana de 1891 ignorou solenemente o tema.

Apenas com a reforma constitucional de 1926 abriu-se a possibilidade de o Congresso legislar sobre o trabalho. Essa abertura teve, porém, pouco resultado efetivo até a Revolução de 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas. Ao instituir o salário mínimo, regular a duração da jornada, assegurar descanso semanal remunerado e férias, além de oferecer planos de aposentadoria, Vargas acenou com a promessa de inclusão das massas desdenhadas desde os tempos do Brasil Colônia. Para ter acesso a esse conjunto de direitos, inicialmente restritos aos operários urbanos, bastava o brasileiro conquistar um emprego formal, com carteira assinada. 

Influenciada pela encíclica católica Rerum Novarum, na qual o papa Leão XIII fala sobre as condições dos operários no fim do século XIX, e pela Carta del Lavoro, da Itália fascista, a Consolidação das Leis do Trabalho, decretada por Vargas em 1º de maio 1943, não permaneceu intocável. Mais de 50 leis, decretos e Medidas Provisórias alteraram o texto original ao longo de 74 anos. Mudanças pontuais, ora para ampliar direitos, ora para restringi-los. 


Nada comparado ao desmonte promovido pela reforma de Temer e aprovada pelo Senado na terça-feira 11. As alterações em 117 artigos da CLT ferem de morte todo o arcabouço legal de proteção aos trabalhadores brasileiros. 


Na prática, a nova legislação abre brechas para que os empregados formais sejam demitidos e recontratados como falsos trabalhadores autônomos ou falsas pessoas jurídicas, eximindo os tomadores de serviço do pagamento de direitos como férias e 13º salário, além de afastar a ameaça de processos na Justiça do Trabalho. Um golpe de mestre, patrocinado pelas principais entidades empresariais do País, as mesmas que se recusaram a “pagar o pato” da crise. O bravo ato de resistência de senadoras da oposição, em protesto por quase sete horas na mesa diretora do Senado, apenas prolongou o velório da CLT.


Na penumbra, após o presidente da Casa Legislativa, Eunício Oliveira determinar que as luzes do plenário fossem apagadas, o grupo de senadoras liderado por Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA) Regina Souza (PT-PI), e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), tentou, em vão, convencer a base governista a aprovar ao menos um destaque ao texto, contrário à proposta que abre a possibilidade de grávidas e lactantes trabalharem em ambientes insalubres. Como a medida implicaria o retorno de toda a reforma à apreciação da Câmara, não houve acordo. Com a retomada da sessão, o texto-base restou aprovado por 50 votos favoráveis e 28 contrários. 

O Senado abdicou de seu papel de Casa Revisora com base em uma promessa do governo de editar uma Medida Provisória para suprimir certos excessos do texto, entre eles a perigosa situação imposta às grávidas e lactantes. Não tardou, porém, para o acordo se revelar uma fraude. Um dia após a aprovação da reforma trabalhista, com todos os destaques apresentados pela oposição rejeitados, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, demonstrou não estar disposto a concessões.

“Qualquer MP não será reconhecida pela Casa”, escreveu em seu perfil no Twitter. As aberrações são tantas que, praticamente, todas as entidades representativas do Ministério Público e da Magistratura Federal se mobilizaram contra a reforma de Temer.

Em nota pública, divulgada às vésperas do enterro da CLT no Congresso, a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras organizações da sociedade civil, conclamaram os senadores a rejeitarem a “aprovação açodada de um projeto crivado de inconstitucionalidades e deflagrador de grave retrocesso social”. 

Para juízes e procuradores do Trabalho, boa parte das alterações na legislação é inconstitucional. Ao permitir a contratação de trabalhadores autônomos, mesmo que eles venham a prestar serviços com continuidade e exclusividade para uma única empresa, a nova legislação fomenta fraudes, alerta o procurador Ângelo Fabiano Farias da Costa, presidente da ANPT.

 “O que caracteriza uma relação de emprego é a pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. Se o autônomo atua com continuidade e exclusividade para uma única empresa, ele é um empregado. Deveria estar registrado, gozar dos mesmos direitos dos celetistas. No entanto, o autônomo assume todos os riscos e praticamente não possui direitos, como férias remuneradas, 13º salário, adicional por atividades perigosas ou insalubres, está completamente desprotegido”.  Da mesma forma, acrescenta o procurador, as fraudes podem abundar com a constituição de microempresas de fachada, constituídas de trabalhadores que atuarão com exclusividade para um único tomador de serviços.

"O novo entendimento de terceirização pode gerar situações surreais, como a existência de fábricas sem um único operário contratado diretamente. Os serviços podem ser integralmente executados por falsas empresas, sem qualquer ônus trabalhista para o contratante”, explica Costa. “Até mesmo o acesso à Justiça do Trabalho estaria bloqueado, pois, no papel, trata-se da relação entre duas pessoas jurídicas”. 

Não é tudo. A reforma de Temer também estabelece o contrato de trabalho intermitente, batizado pelos críticos de “legalização do bico”. Com três dias de antecedência, o empregado é convocado para trabalhar, momento no qual é informado da jornada a ser cumprida.

O funcionário pode aceitar ou não a proposta, e receberá apenas pelo período efetivamente trabalhado, que pode ser em horas, dias ou meses. O período de inatividade, no qual fica à disposição do contratante, é desconsiderado. Caso aceite o serviço e não compareça, ele ainda terá de pagar uma multa ao empregador, correspondente a 50% do valor da remuneração que lhe seria paga. 

O empregado não sabe o quanto vai trabalhar, em que dias e, portanto, o quanto receberá como salário. Essa insegurança agrava sua subordinação econômica e precariza suas condições de trabalho, repercutindo em todos os demais campos de sua vida social”, assinala Patrícia Maeda, juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas), em artigo publicado no site Justificando, parceiro de CartaCapital. Ao cabo, esse funcionário nem sequer tem a garantia de que trabalhará o suficiente para amealhar um salário mínimo ao longo do mês. 

A prevalência das negociações coletivas sobre a legislação é outro ponto problemático. Hoje, o artigo 7º da Constituição só prevê a redução de direitos por convenção ou acordos coletivos em questões relacionadas a salário, jornada de trabalho e duração dos turnos ininterruptos de revezamento, caracterizados pela realização, de forma alternada, de atividades nos períodos diurno e noturno.  “Fora dessas situações, não é concebível que as negociações resultem em prejuízo ao trabalhador”, observa Guilherme Feliciano, presidente da Anamatra.

A reforma aprovada pelo Congresso abre, porém, a possibilidade de reduzir o intervalo intrajornada, o popular “horário do almoço”, de uma hora para 30 minutos, de instituir remuneração por produtividade, gorjetas e desempenho individual, de trocar o dia do feriado e de prorrogar a jornada em ambientes insalubres sem licença prévia do Ministério do Trabalho, entre outras.

Agora, uma negociação pode alterar até o enquadramento do grau de insalubridade do ambiente de trabalho, ignorando as normas de segurança e os laudos periciais. Pior: o juiz trabalhista ficará restrito à análise dos aspectos formais do acordo, não pode se manifestar sobre o conteúdo, mesmo quando for flagrantemente ilegal”. 

A situação é especialmente delicada, devido à fragilidade da organização sindical no Brasil. Em recente entrevista a CartaCapital, Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores, observou que muitas empresas impedem os sindicatos de entrar no local de trabalho para conversar com os operários que representam.

Como negociar quando não há respeito ao direito à associação?”, indaga. Ademais, dos 17 mil sindicatos em atuação no Brasil, apenas metade deles celebrou, em algum momento, convenção ou acordo coletivo, emenda Feliciano, da Anamatra. Talvez o maior exemplo da fragilidade sindical seja a baixíssima resistência dos trabalhadores ao desmonte da CLT. Após a megaparalisação nas principais capitais do País em 28 de abril, as centrais não conseguiram mais arregimentar tantos manifestantes nos atos que se sucederam. Em recente evento promovido na sede da CUT em São Paulo, uma liderança da Baixada Santista chegou a questionar, em voz alta: em abril, os trabalhadores não saíram de casa por apoiar a greve ou porque os ônibus não saíram das garagens? Não bastasse, patrões e empregados poderão fazer acordos individuais sobre parcelamento de férias, compensação de banco de horas e jornada de trabalho. Não precisa ser um vidente para adivinhar qual vontade deve prevalecer nas negociações. 


A reforma também cria obstáculos para o acesso à Justiça do Trabalho. Mesmo quem tem direito ao benefício da gratuidade do acesso, por receber salário igual ou inferior a 2.212 reais (40% do limite máximo de benefícios do Regime Geral da Previdência Social), pode ter de arcar com os custos periciais, caso seja vencido no objeto da perícia. Da mesma forma, terá de pagar os honorários advocatícios, caso tenha algum pleito negado pelo juízo, ainda que parcialmente. “Mesmo que a reclamação tenha sido de boa-fé, o trabalhador terá de assumir esses custos, o que pode intimidá-lo de acionar a Justiça”, diz Costa, da ANPT. 

Outra aberração jurídica é a limitação pecuniária das indenizações por danos morais, baseadas no salário das vítimas, o que viola o princípio da isonomia. Para uma ofensa de natureza gravíssima, como um acidente que resulta na morte ou incapacidade do trabalhador, a reparação máxima é de 50 vezes o último salário contratual.

Imagine que, por negligência da empresa, um elevador despenque e deixe todos os ocupantes tetraplégicos. Lá havia um diretor, que ganhava 20 mil reais por mês, um operário com remuneração de 1,2 mil e um visitante. Pois bem, o diretor pode receber uma indenização de até 1 milhão de reais, o operário ganhará, no máximo, 60 mil e a outra vítima, que não integra o quadro de funcionários, não terá qualquer limite, pois seu caso será tratado na esfera do Direito Civil. Percebe o absurdo? A ofensa é a mesma, mas uma vida vale mais que a outra”, exemplifica o juiz Feliciano, da Anamatra.

Os defensores da reforma sustentam que as mudanças são indispensáveis para combater o desemprego no Brasil, que já atinge 14 milhões de trabalhadores. Não há, porém, qualquer evidência científica de que a supressão de direitos possa reaquecer o mercado de trabalho, alerta o economista José Dari Krein, professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit).  “O que gera emprego é crescimento econômico. Se a demanda estiver aquecida, o empresário não hesitará em contratar mais funcionários para abastecer o mercado”.

As pesquisas reforçam a análise do especialista. No relatório World Employment and Social Outlook 2015: The Changing Nature of Jobs, produzido pela Organização Internacional do Trabalho, foram analisadas estatísticas de 63 países, desenvolvidos ou em desenvolvimento. Com dados consolidados de um período de 20 anos, o estudo conclui que a diminuição na proteção dos trabalhadores não estimula a geração de empregos.

Não custa lembrar que, em dezembro de 2014, a taxa de desemprego no Brasil caiu para 4,3% da População Economicamente Ativa (PEA), segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, a menor da série histórica iniciada em 2002. Àquela época, ninguém ousava dizer que a CLT representava um entrave à criação de postos de trabalho. 

Para o economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, é igualmente falacioso dizer que o empregado brasileiro é caro.O custo do trabalho no Brasil até 2014 era 20% maior do que na China. Repetia-se o mantra de que era impossível competir com os chineses por causa disso. A partir de 2016, a mão de obra na China passou a custar 16% mais do que aqui. Igualmente, até 2014, um trabalhador brasileiro custava um terço do equivalente nos EUA, atualmente vale 17%”, resumiu, em recente entrevista a CartaCapital. 

Krein observa, ainda, que a busca de competitividade no mercado globalizado pelo baixo custo da mão de obra é uma estratégia burra. “O Brasil jamais chegará ao patamar de Bangladesh, onde um operário custa 40 dólares mensais. Antes disso, teríamos uma convulsão social”, afirma. 

“Além disso, o salário não é só custo, também é renda. O rebaixamento da remuneração implica a retração do consumo doméstico.


-------------------------------------


Crédito das Imagens:

1.  O enterro - Abelardo da Hora - foto tirada durante mostra no Recife.
2.  Senadora Regina Souza - PT-PI - www.portal.com.br
3.  Trabalhadores de fábrica de roupas, em Bangladesch-ZumzPress/Foto Arena
4.  Carteira de Trabalho assinada por Getúlio Vargas - foto ilustrativa da matéria na Carta Capital.
5. O Senador Eunício Oliveira e as senadoras na ocupação da mesa diretora do Senado, em 11/07/2017 - Fábio Rodrigues Pozzobom/ABr
6. Particular da Greve contra a reforma trabalhista - foto divulgação
7. Tipos de trabalhadores mais atingidos pela terceirização da mão-de-obra.
8. Trabalhadores rurais - os esquecidos. (Arquivo Jornal do Commercio).
9. Foto de painel de Abelardo da Hora (particular).


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato com vrblog@hotmail.com














BRASIL - A CONTRARREFORMA DOS DIREITOS TRABALHISTAS

12 de julho de 2017

As mulheres brasileiras  se orgulham da tenacidade com que  as três senadoras  lutaram pelos  direitos  do   povo  trabalhador brasileiro, durante a votação da PLC-38, no Senado, nos dias 11 e 12 de julho de 2017. Há informações de que Eunicio Oliveira, Presidente do Senado, chegou a arrancar o microfone da senadora Fátima Bezerra (PT-RN), que estava na cadeira da presidência, ladeada por Gleise Hoffmann (PT-PR) e Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM). As três senadoras conduziram a sessão por duas horas, dando oportunidade a que várias pessoas protestassem contra a votação anunciada.
   

A seção "Política" da Carta Capital  - em 12.07.2017 - abre com a seguinte informação:

"Depois que o Senado aprovou a reforma trabalhista, na noite de terça-feira 11, Maia anunciou que não aceitará uma medida provisória prometida em junho pelo presidente Michel Temer (PMDB). A MP, que o Planalto se comprometeu a editar em acordo com senadores e centrais sindicais, teria o objetivo de atenuar pontos da reforma em troca da aprovação do texto pelo Senado sem mudanças". 


O portal "Outras Palavras" anuncia:  "Enquanto país se distrai com o futuro de Temer e a “agenda da corrupção”, um homem comanda, em nome da aristocracia financeira e da mídia, as contrarreformas que realmente importam ao Mercado". (Neste caso, se refere a outro  "homem do Mercado": Henrique Meirelles).

E o "Justificando" - blog parceiro de Carta Capital -  abre uma questão e faz sugestões:


"Diante de tudo isso, o que nos resta fazer?

À classe trabalhadora cabe definitivamente ocupar todas as fábricas, pressionar parlamentares e tomar as ruas pelo país, mobilizar uma greve geral por prazo indeterminado, buscar apoio em todos os segmentos da sociedade, enfim, parar os meios de produção. 

Aos juízes, advogados e procuradores, compete construir uma racionalidade lógica e jurídica no sentido de fazer valer os direitos sociais consagrados pela Constituição Federal e reconhecer a ilegitimidade desse projeto de lei frente ao princípio da proteção e das normas internacionais de direito do trabalho".
A complementar essas informações, reporto o texto de Samuel Pinheiro Guimarães, que corrobora outras análises da situação. 
 
-----------------------------------

Meirelles - o presidente invisível
Por: Samuel Pinheiro Guimarães
12/07/2017

1. Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, ex-presidente do Bank of Boston e durante vários anos presidente do Conselho da J e F (de Joesley), de onde saiu para ocupar o ministério da Fazenda, procura, à frente de uma equipe de economistas de linha ultra neoliberal, implantar no Brasil, na Constituição e na legislação uma série de “reformas” para criar um ambiente favorável aos investidores, favorável ao que chamam de “Mercado”.

2. Henrique Meirelles já declarou, de público, que se o presidente Temer “sair” ele continua e todos os jornais repetem isto, com o apoio de economistas variados e empresários, como Roberto Setúbal, presidente o Itaú.

3. Estas “reformas” são, na realidade, um verdadeiro retrocesso econômico e político. Estão trazendo, e trarão, enorme sofrimento ao povo brasileiro e grande alegria ao “Mercado”.

4. Enquanto crucificam o povo brasileiro e em especial os mais pobres, os trabalhadores e os excluídos, o debate político fica centrado na corrupção, desviando a atenção da classe média e dos moralistas, em torno de uma verdadeira “novela” com heróis e bandidos.

5. Discute-se se Michel Temer levou ou não “contribuições pessoais” e se foram 500 mil ou 20 milhões, a prazo; se o senador Aécio Neves pediu uma propina ou um empréstimo (informal!!) de 2 milhões de reais; se a JF corrompeu quem e quantos e ficaram livres de pena; se o Joesley merecia o perdão; se Sérgio Moro, juiz de primeira instância, é ou não a principal autoridade judiciária do país, acima da lei; se o ministro Marco Aurélio é justo; se o ministro Gilmar Mendes é imparcial etc etc etc.

6. O tema verdadeiramente importante é a tentativa das classes hegemônicas brasileiras, aqueles que declararam ao Imposto de Renda ganharem mais de 160 salários mínimos por mês (cerca de 160 mil reais) e que são cerca de 70 mil pessoas e que constituem, em seu conjunto, aquela entidade mística que os jornais e analistas chamam de “Mercado”.

7. O “Mercado” contra o Povo.
8. De um lado, o “Mercado”:
  • os empresários, promotores do Pato e financiadores do MBL; exceto aqueles que já se deram conta que Meirelles é contra a indústria;
  • os rentistas;
  • os grandes proprietários rurais (entre eles o senador e Ministro Blairo Maggi e o avião interceptado pela FAB);
  • os grandes proprietários urbanos;
  • os banqueiros (não os bancos) e seus lucros;
  • os gestores de grandes empresas privadas, modestos ex-professores universitários;
  • os proprietários dos meios de comunicação;
  • os grandes executivos brasileiros de megaempresas multinacionais;
  • os professores universitários, formados em universidades estrangeiras, em teorias próprias dos países desenvolvidos e que, mesmo lá, fracassam;
  • os economistas e os jornalistas econômicos, empregados do Mercado.
  •  
9. De outro lado, o Povo:
  • os 53 milhões de brasileiros que recebem o Bolsa Família, isto é, cuja renda mensal é inferior a 182 reais;
  • as dezenas de milhões que são isentos do imposto de renda por terem renda inferior a 2.500 reais por mês;
  • os 61 milhões que estão inadimplentes, com seus crediários;
  • os 14 milhões de desempregados;
  • os 3 milhões de crianças fora da escola;
  • os mais de 11 milhões de habitantes de favelas (hoje chamadas comunidades!!);
  • os subempregados;
  • os 47 milhões que ganham menos de um salário mínimo por um mês;
  • os milhões sem remédios e sem hospital.
10. O programa econômico de Henrique Meirelles é o verdadeiro inimigo do povo! Não é a corrupção que distrai a atenção da verdadeira catástrofe que está sendo consolidada na legislação através de um Congresso que representa principalmente empresários, banqueiros, proprietários rurais, rentistas, etc.
11. O Mercado agora deseja colocar um presidente de imagem limpa para que, como disse o Roberto Setúbal, na Folha de São Paulo, o importante são as “reformas”! Não importa quem as conduza!
12. É preciso lutar com todas as forças contra este programa de “retrocessos” disfarçados, cinicamente, de “reformas” a “favor” do Povo!
-------------------------------------------

Créditos das Imagens:

1. Votação PLC-38 - 12/07/17. Foto: Marcos Oliveira - Agência Senado
2. Manifestantes contra G-20 em Hamburgo. Foto: Steefi Loos/AFP
3. Temer e Meirelles - em artigo de Belchior.
4. O Mercado - www.canstockphoto.com.br
5. Os ricos e os pobres - www.canstockphoto.com.br
6. Escravatura - foto painel Abelardo da Hora - Recife-PE.


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre em contato com vrblog@hotmail.com


Posts + Lidos

Desenho de AlternativoBrasil e-studio