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LEONARDO BOFF - A ALMA BRASILEIRA ESTÁ DOENTE

14 de abril de 2019



Tenho a satisfação de oferecer a vocês um texto iluminado e muito expressivo para nós brasileiros. Trata-se de um artigo publicado recentemente pelo escritor e filósofo Leonardo Boff. E mais: para os leitores latinos, reproduzimos, abaixo, as traduções do mesmo artigo em espanhol e italiano. 

Saudações a todos, na alegria da celebração dos meus do 81 anos, com o mesmo ânimo de continuar este serviço fraterno que gosto de oferecer a todos vocês.                                                        Boa leitura!                                                                                                                                                        

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A alma brasileira está doente


Leonardo Boff*


Tudo que é sadio pode ficar doente. A doença sempre remete à saúde. Esta é a referência maior e funda a dimensão essencial da vida em sua normalidade.
As dilacerações sociais, as ondas de ódio, ofensas, insultos, palavras de baixo calão que estão dominando nas mídias sociais ou digitais, e mesmo nos discursos públicos, revelam que a alma brasileira está enferma.
As mais altas instâncias de poder se comunicam com a população usando notícias falsas (fake news), mentiras diretas e imagens que se inscrevem no código da pornografia e da escatologia. Esta atitude revela a falta de decência e do sentido de dignidade e respeitabilidade, inerentes aos mais altos cargos de uma nação. No fundo, perdeu-se um valor essencial, o respeito a si e aos outros, marca imprescindível de uma sociedade civilizada.
A razão deste descaminho se deve ao fato de que a dimensão do Numinoso ficou obscurecida. O “Numinoso” (“numen” em latim é o lado sagrado das coisas) se revela através de experiências que nos envolvem totalmente e que conferem densidade à vida mesmo no meio dos maiores padecimentos. Ele possui um imenso poder transformador.
A experiência entre duas pessoas que se amam e a paixão que as torna fascinantes, configuram uma experiência do Numinoso. O encontro profundo com uma pessoa que no meio de uma grave crise existencial nos acendeu uma luz, representa uma experiência do Numinoso. O choque existencial face a uma pessoa, portadora de carisma, por sua palavra convincente ou por suas ações corajosas, nos evoca a dimensão do Numinoso. A Presença inefável que se faz sentir face à grandeur do universo ou de uma noite estrelada, suscita em nós o Numinoso. Igualmente os olhos brilhantes e profundos de um recém-nascido.
O Numinoso não é uma coisa, mas a ressonância das coisas que tocam o profundo de nosso ser e que por isso se tornam preciosas. Transformam-se em símbolos que nos remetem a Algo para além delas mesmas. As coisas, além de serem o que são, transfiguram-se em realidades simbólicas, repletas de significações. Por um lado, nos fascinam e atraem, e por outro nos enchem de respeito e de veneração. Elas produzem em nós um novo estado de consciência e humanizam nossos comportamentos.
Esse Numinoso, na linguagem dos místicos  como do maior deles, o Mestre Eckhart ou de Teresa d’Ávila, bem como da psicologia do profundo à la C.G. Jung  é representado pelo Sol interior ou pelo nosso Centro irradiador. O Sol possui a função de um arquétipo central. Como o Sol atrai à sua órbita todos os planetas, assim o arquétipo-Sol sateliza ao seu redor as nossas significações mais profundas. E constitui o Centro vivo e irradiante de nossa interioridade.

O Centro é um dado-síntese da totalidade de nossa vida que se impõe por si mesmo. Ele fala dentro de nós, nos adverte, nos apoia e como o Grande Ancião ou a Grande Anciã nos aconselha a seguir os caminhos mais certos. E, então, nunca seremos defraudados.

O ser humano pode fechar-se a este Centro ou a este Sol. Pode até negá-los, mas jamais pode aniquilá-los. Eles estão aí como uma realidade imanente à alma. O Centro, ou o seu arquétipo, o Sol, nos conferem equilíbrio, harmonia pessoal e social e a convivência dos contrários, sem se exacerbarem pela intolerância e pelos comportamentos de exclusão.
Ora, foi esse Centro que se perdeu na alma brasileira. Ofuscamos o Sol interior, apesar de ele, continuamente, estar aí presente, como o Cristo do Corcovado. Mesmo escondido por entre as nuvens, ele continua lá com os braços abertos. Assim o nosso Sol interior.
Ao perder nosso Centro e ao ofuscar a irradiação do Sol interior, perdemos o equilíbrio e a justa medida, bases de qualquer ética, da sociedade e de toda convivência. Desequilibrados, andamos errantes, pronunciando palavras desconectadas de toda civilidade e compostura. Apequenamo-nos e abandonamos a lei áurea de toda ética: ”trate humanamente a todos, e a cada um dos seres humanos”.
Neste momento, no Brasil, muitos e muitos não tratam humanamente a seus semelhantes. De eventuais adversários no campo das ideias e das opções políticas ou sexuais, são feitos inimigos, aos quais cabe combater e eventualmente exterminar.
Temos, urgentemente, que curar nossa alma ferida, resgatar nosso Centro e nosso Sol interior, mediante a acolhida das diferenças, sem permitir que se tornem desigualdades, por meio do diálogo aberto, da empatia face aos diferentes e, principalmente, aos que mais sofrem.
Como dizia o perfil de uma mulher inteligente no Twitter: ”Ao colocarmo-nos no lugar do outro, fazemos do mundo (da sociedade) um lugar para todos”. Esta é a nossa urgência, se não quisermos conhecer a barbárie.

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(*) Leonardo Boff é teólogo e filósofo e escreveu: Virtudes para um outro mundo possível (3 vol), Vozes 2012.

Fonte do texto:




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El alma brasilera 

está enferma

Leonardo Boff (*)


Todo lo que está sano puede enfermar. La enfermedad remite siempre a la salud. Esta es la referencia principal y constituye la dimensión esencial de la vida en su normalidad.
Los desgarros sociales, las andanadas de odio, ofensas, insultos, palabras groseras que están predominando en los medios sociales o digitales e incluso en los discursos públicos, revelan que el alma brasilera está enferma.
Las más altas instancias del poder se comunican con la población usando noticias falsas (fake news), mentiras directas e imágenes que se inscriben en el marco de la pornografía y de la escatología. Esta actitud revela la falta de decencia y de sentido de la dignidad y respetabilidad, inherentes a los más altos cargos de una nación. En el fondo se ha perdido un valor esencial, el respeto a sí mismo y a los otros, marca imprescindible de una sociedad civilizada.
La razón de este desvío se debe a que la dimensión de lo Numinoso ha quedado oscurecida. Lo “Numinoso” (numen en latín es el lado sagrado de las cosas) se revela a través de experiencias que nos envuelven totalmente y que confieren densidad a la vida aún en medio de los mayores padecimientos. Posee un inmenso poder transformador. 
La experiencia entre dos personas que se aman y la pasión que las vuelve fascinantes configuran una experiencia de lo Numinoso. El encuentro profundo con una persona que en medio de una grave crisis existencial nos encendió una luz, representa una experiencia de lo Numinoso. El choque existencial ante una persona portadora de carisma por su palabra convincente o por sus acciones valientes, nos evoca la dimensión de lo Numinoso. La Presencia inefable que se deja sentir ante la grandeur del universo o de una noche estrellada, suscita en nosotros lo Numinoso. Igualmente los ojos brillantes y profundos de una criaturita.
Lo Numinoso no es una cosa, sino la resonancia de las cosas que tocan lo profundo de nuestro ser y que por eso se vuelven preciosas. Se transforman en símbolos que nos remiten a Algo más allá de ellas mismas. Las cosas, además de ser lo que son, se transfiguran en realidades simbólicas, repletas de significados. Por un lado, nos fascinan y atraen, y por otro nos llenan de respeto y de veneración. Ellas producen en nosotros un nuevo estado de conciencia y perfeccionan nuestros comportamientos.
Ese Numinoso,  enel lenguaje de los místicos, – como en el mayor de ellos, Mestre Eckhart, o en Teresa de Ávila, así como en el de la psicología de lo profundo de C.G. Jung  está representado por el Sol interior o por nuestro Centro irradiador. El Sol tiene la función de un arquetipo central. Como el Sol atrae a su órbita a todos los planetas, así el arquetipo-Sol satelitiza a su alrededor nuestras significaciones más profundas. Él constituye el Centro vivo e irradiante de nuestra interioridad. El Centro es un dato-síntesis de la totalidad de nuestra vida que se impone por sí mismo. Habla dentro de nosotros, nos advierte, nos apoya y como el Gran Anciano o la Gran Anciana nos aconseja para seguir los mejores caminos. Y entonces nunca seremos defraudados.
El ser humano pode cerrarse a este Centro o a este Sol. Hasta puede negarlos, pero nunca puede aniquilarlos. Ellos están ahí como una realidad inmanente al alma. Este Centro o su arquetipo, el Sol, nos dan equilibrio, armonía personal y social y la convivencia de los contrarios sin exacerbarse por la intolerancia ni por los comportamientos de exclusión.
Pues bien, este Centro se ha perdido en el alma brasilera. Hemos ensombrecido el Sol interior, a pesar de que él está ahí continuamente presente, como el Cristo del Corcovado. Aunque escondido tras las nubes, él sigue allí con los brazos abiertos. Así nuestro Sol interior.
Al perder nuestro Centro y al oscurecer la irradiación del Sol interior, perdemos el equilibrio y la justa medida, bases de cualquier ética, de la sociedad y de toda convivencia. Desequilibrados, andamos errantes, pronunciando palabras desconectadas de toda civilidad y compostura. Nos empequeñecemos y abandonamos la ley áurea de toda ética: “trata humanamente a todos y a cada uno de los seres humanos.”
En este momento, en Brasil, muchos y muchas no tratan humanamente a sus semejantes. De eventuales adversarios en el campo de las ideas y de las opciones políticas o sexuales se hacen enemigos a quienes cabe combatir y eventualmente eliminar.
Tenemos, urgentemente, que curar nuestra alma herida, recuperar nuestro Centro y nuestro Sol interior, acogiendo las diferencias sin permitir que se tornen desigualdades, a través del diálogo abierto y de la empatía con los que más sufren. Como decía el perfil de una mujer inteligente en twitter: “al colocarnos en el lugar del otro, hacemos del mundo (de la sociedad) un lugar para todos”. Esta es nuestra urgencia, si no queremos conocer la barbarie.

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(*) Leonardo Boff es teólogo y filósofo ha escrito Virtudes para otro mundo posible (3 vol), Sal Terrae 2012.
Traducción de: Mª José Gavito Milano



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L’ANIMA BRASILIANA È MALATA

Leonardo Boff (*)


Tutto ciò che è sano  può ammalare. La malattia rimanda sempre alla salute. Questo è il riferimento maggiore e fonda la dimensione essenziale della vita nella sua normalità.

Le dilacerazioni sociali, le ondate di odio, le offese, gli insulti, e parole di bassa lega stanno spopolando nei media sociali o digitali e addirittura nei discorsi pubblici rivelano che l’anima brasiliana è ammalata.
Le più alte istanze del potere comunicano con la popolazione usando notizie false (fake news) bugie dirette e immagini che si inscrivono nel codice della pornografia e della scurrilità. Questo atteggiamento rivela la mancanza di decenza e del sentimento di dignità e rispettabilità propri delle più alte cariche di una nazione. In fondo si è perso un valore essenziale, il rispetto di se stessi e degli altri, marchio imprescindibile di una società civilizzata.
La ragione di questo disvio si deve al fatto che la dimensione del “Numinoso” si è oscurata. Il “Numinoso” (numen), in latino è il lato sacro delle cose si rivela attraverso esperienze che ci coinvolgono totalmente e che conferiscono densità alla vita anche in mezzo alle maggiori sofferenze.
Esso detiene un immenso potere trasformatore. L’esperienza tra due persone che si amano e la passione che le rende affascinanti configurano un’esperienza del Numinoso. L’incontro profondo con una persona che in mezzo una grave crisi esistenziale ci ha acceso una luce, rappresenta un’esperienza del Numinoso. Lo scontro davanti a una persona, portatrice di carisma, per la sua parola convincente o per le sue azioni coraggiose ci evoca la dimensione del Numinoso. La presenza ineffabile che fa sentire davanti alla grandeur dell’universo o di una notte stellata suscita in noi il Numinoso. Ugualmente gli occhi brillanti e profondi di un neonato.
Il Numinoso non è una cosa ma la risonanza delle cose che toccano il profondo del nostro essere e che per questo diventano preziose. Si trasformano in simboli che ci rimandano a Qualcosa che sta al di là di loro stesse. Le cose, oltre ad essere quello che sono si trasfigurano in realtà simboliche, piene di significati. Da un lato ci affascinano e attraggono e dal’ altro lato ci riempiono di rispetto e venerazione. E se producono in noi un nuovo stato di coscienza e perfezionano i nostri comportamenti.
Questo Numinoso nel linguaggio dei mistici  come del maggiore di loro, Mastro Eckhart, o di Teresa d’Avila, e pure della psicologia del profondo secondo la concezione di C.G.Jung  è rappresentato dal Sole interiore o dal nostro centro irradiatore.
Il Sole possiede la funzione di archetipo centrale. Come il Sole attira nella sua orbità tutti i pianeti, così l’archetipo-Sole satellizza intorno a sé i nostri significati più profondi. Esso costituisce il centro vivo e irradiante della nostra interiorità. Il centro è un dato-sintesi della totalità della nostra vita che si impone da sé. Esso parla dentro di noi, ci avverte, ci appoggia e come il Grande Vecchio o la Grande Vecchia ci consigliano di seguire il cammino più sicuro. E così mai saremo defraudati.
L’essere umano può chiudersi a questo Centro o a questo Sole. Può perfino negarli, eppure mai potrà annientarli. Essi stanno lì come una realtà immanente all’anima. Questo Centro o il suo archetipo, il Sole, ci conferiscono equilibrio, armonia personale e sociale e la convivenza dei contrari senza esacerbarsi per l’intolleranza e per comportamenti di esclusione.
Ora, è stato questo Centro che è andato perduto nell’anima brasiliana. Abbiamo offuscato il Sole interiore nonostante che esso, continuamente, sta lì presente, come il Cristo sul Corcovado. Anche nascosto in mezzo alle nuvole esso rimane sempre lassù a braccia aperte. Cosi, il nostro Sole interiore.
Quando abbiamo perduto il nostro Centro e offuscato l’irradiazione interiore, abbiamo perduto l’equilibrio e la giusta misura, basi di qualunque etica della società e di qualsiasi tipo di convivenza. Squilibrati, siamo andati errando, pronunciando parole disconnesse da ogni civiltà e ordine. Siamo diventati più piccoli e abbandoniamo la legge aurea di ogni etica: “tratta umanamente tutti e ciascuno degli esseri umani”. In questo momento, in Brasile, moltissimi non trattano umanamente i loro simili. Da eventuali avversari nel campo delle opzioni politiche o sessuali sono diventati nemici da combattere e, eventualmente, da sterminare.
Dobbiamo urgentemente curare la nostra anima ferita, riscattare il nostro Centro, il nostro Sole interiore mediante l’accoglienza delle differenze, senza permettere che diventino diseguaglianze, attraverso il dialogo aperto, di empatia davanti a coloro che soffrono di più. Come diceva il profilo di una donna intelligente nel Twiter: “se ci mettiamo noi al posto dell’altro, facciamo del mondo (della società) un luogo per tutti”. Questa è la nostra urgenza, se non vogliamo conoscere la barbarie.
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*Leonardo Boff, teologo e filosofo, ha scritto Spiritualità per un altro mondo possibile. Ospitalità, convivenza, convivialità, Queriniana 2009.

Fonte do texto:
Traduzione di: Romano Baraglia e Lidia Arato.

Crédito das imagens:
www.canstockphoto.com.br




ARTIGO DE LULA - EX-PRESIDENTE DO BRASIL

7 de abril de 2019


 

Faz um ano hoje que luiz inácio lula da silva
- o reconhecido ex-presidente lula –
se tornou o preso político
por quem a onu, juristas do brasil e do mundo,
e grandes figuras nacionais e internacionais,
defensores da democracia,
reclamam a sua liberdade

UM ANO
Artigo de Lula:  'Por que têm tanto medo de Lula livre?'
Em texto na "Folha de S.Paulo", ex-presidente ressalta opinião de juristas do Brasil e do mundo sobre a parcialidade de Sergio Moro, confirmada ao se tornar ministro do governo que ajudou a eleger

por Redação RBA - publicado 07/04/2019

Neste domingo (7), em que Luiz Inácio Lula da Silva completa uma ano de prisão, considerada uma prisão política por especialistas em direito no Brasil e no mundo, o ex-presidente afirma, em artigo publicado na Folha de São Paulo, estar preso injustamente por um crime que nunca existiu. 

Lula diz ter a consciência tranquila e que sua condenação é resultado de uma farsa judicial e sequência de um movimento político iniciado pelos derrotados nas urnas nas eleições presidenciais de 2014. E assinala que o que mais o angustia é o sofrimento imposto ao povo, com direitos sendo alvo de ataques desde então.

"Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato, que foi pano de fundo no golpe do impeachment, atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições", afirma o texto. "Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República. Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos."

Ao questionar por que o sistema responsável por sua prisão "tem medo de Lula livre", o ex-presidente afirma: "Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático".
Leia o artigo na íntegra:   

Faz um ano que estou preso injustamente, acusado e condenado por um crime que nunca existiu. Cada dia que passei aqui fez aumentar minha indignação, mas mantenho a fé num julgamento justo em que a verdade vai prevalecer. Posso dormir com a consciência tranquila de minha inocência. Duvido que tenham sono leve os que me condenaram numa farsa judicial.

O que mais me angustia, no entanto, é o que se passa com o Brasil e o sofrimento do nosso povo. Para me impor um juízo de exceção, romperam os limites da lei e da Constituição, fragilizando a democracia. Os direitos do povo e da cidadania vêm sendo revogados, enquanto impõem o arrocho dos salários, a precarização do emprego e a alta do custo de vida. Entregam a soberania nacional, nossas riquezas, nossas empresas e até o nosso território para satisfazer interesses estrangeiros.

Hoje está claro que a minha condenação foi parte de um movimento político a partir da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014. Derrotada nas urnas pela quarta vez consecutiva, a oposição escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder, retomando o vício autoritário das classes dominantes brasileiras.

O golpe do impeachment sem crime de responsabilidade foi contra o modelo de desenvolvimento com inclusão social que o país vinha construindo desde 2003. Em 12 anos, criamos 20 milhões de empregos, tiramos 32 milhões de pessoas da miséria, multiplicamos o PIB por cinco. Abrimos a universidade para milhões de excluídos. Vencemos a fome.

Aquele modelo era e é intolerável para uma camada privilegiada e preconceituosa da sociedade. Feriu poderosos interesses econômicos fora do país. Enquanto o pré-sal despertou a cobiça das petrolíferas estrangeiras, empresas brasileiras passaram a disputar mercados com exportadores tradicionais de outros países.

O impeachment veio para trazer de volta o neoliberalismo, em versão ainda mais radical. Para tanto, sabotaram os esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica e corrigir seus próprios erros. Afundaram o país num colapso fiscal e numa recessão que ainda perdura. Prometeram que bastava tirar o PT do governo que os problemas do país acabariam.

O povo logo percebeu que havia sido enganado. O desemprego aumentou, os programas sociais foram esvaziados, escolas e hospitais perderam verbas. Uma política suicida implantada pela Petrobras tornou o preço do gás de cozinha proibitivo para os pobres e levou à paralisação dos caminhoneiros. Querem acabar com a aposentadoria dos idosos e dos trabalhadores rurais.

Nas caravanas pelo país, vi nos olhos de nossa gente a esperança e o desejo de retomar aquele modelo que começou a corrigir as desigualdades e deu oportunidades a quem nunca as teve. Já no início de 2018 as pesquisas apontavam que eu venceria as eleições em primeiro turno. Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato, que foi pano de fundo no golpe do impeachment, atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições.

Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República. Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos. Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por “atos indeterminados” sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro, o maior beneficiário daquela perseguição.

Minha candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para garantir os meus direitos políticos. E, mesmo assim, nosso candidato Fernando Haddad teve expressivas votações e só foi derrotado pela indústria de mentiras de Bolsonaro nas redes sociais, financiada por caixa 2 até com dinheiro estrangeiro, segundo a imprensa.

Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim.

Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão?

Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha. Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático.

Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente da República (2003-2010)

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Fonte do artigo de Lula, publicado em 7-04-2019, na Folha de São Paulo:

Crédito das imagens: divulgação da Rede Brasil Atual

1 - Ato de apoio a Lula na ONU - Os manifestantes ocuparam a emblemática 
      Place des Nations (Praça da Nações), palco em que, ao longo da história já 
      foi pedida a libertação de outros grandes líderes como Nelson Mandela,                                      Xanana Gusmão, e Dalai Lama, entre outros.       
2 - Ruas no entorno da PF são tomadas por manifestantes neste 7 de abril
      para protestar contra a prisão política do ex-presidente, com a 
      presença de Fernando Haddad. A polícia parecia não esperar tantos
      manifestantes. 
3 Ato em Florianópolis, com Haddad, por Lula Livre.
4 - O primeiro dia de atos da Caravana Lula Livre nesta 
     sexta-feira (5), percorreu a cidade de Porto Alegre, com a presença
     de Manuela d´Ávila.


     















BRASIL - A ECONOMIA DESCE A LADEIRA

6 de abril de 2019



Uma matéria da Sputniknews  com o título: Acabou a lua de mel? – nos  faz sentir que a temperatura da economia do país está descendo ladeira abaixo, feito um termômetro descontrolado, refém de um governo que não governa e, igualmente, das manobras políticas que atingem a macroeconomia global. As informações são do pesquisador sênior da área de Economia Aplicada da FGV/IBRE, Marcel Balassiano, e de José Penna, economista chefe da Porto Seguro Investimentos.  
Segue o texto da matéria citada.

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Pela primeira vez no ano, economistas de instituições financeiras reduziram a estimativa de alta do PIB para abaixo da marca de 2%. A queda na previsão de crescimento acompanha uma tendência observada nos últimos boletins Focus, realizados pelo Banco Central semanalmente. Especialistas explicam o que pode estar por trás do pessimismo.

Para o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FVG), Marcel Balassiano, a piora no humor do mercado pode ser explicada pelos resultados macroeconômicos do último trimestre de 2018 e do primeiro em 2019, que trouxeram indicadores abaixo do esperado. Ele também acredita que a possibilidade de desidratação da reforma da previdência no Congresso tem impacto direto no pessimismo.
"Após o período eleitoral, os índices de confiança apresentaram tendência de alta e as variáveis do mercado financeiro ensaiaram trajetória de crescimento. A FGV pondera a situação atual e a expectativa para o futuro. Essa melhoria da confiança está ligada a expectativas e não a mudança de fato no cenário estabelecido. Só que os problemas do governo — como a briga entre o presidente e o Rodrigo Maia — levam a uma incerteza maior e a uma diminuição da confiança", pondera o economista. No mês de março, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) metrificado pela FGV caiu para o menor nível desde outubro de 2018.
Marcel ressalta que, até que a reforma seja aprovada, a oscilação na expectativa e na bolsa serão comuns. Para ele, o mercado reage muito mais rápido à movimentação política do que à economia porque tenta precificar ganhos e perdas. Assim, "o timing de como vai acontecer a votação da reforma (da previdência), as mudanças que ocorrerão ou não, tudo isso vai ditar o rumo nos próximos meses principalmente em relação ao mercado financeiro e na confiança e projeções do empresariado".
"No fim das contas, a grande questão para 2019 seja talvez não econômica, mas sim política. Da reforma da previdência depende um crescimento mais forte ou não no futuro", avalia.
Economista-chefe da Porto Seguro Investimentos, José Penna concorda, destacando que "embora haja convicção de que a reforma será aprovada, duas questões permanecem: o prazo e o nível de economia fiscal após a tramitação, já que há expectativa de diluição da economia originalmente pretendida" pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.
"O próprio presidente deixou aberta a possibilidade de se rediscutir a idade mínima para aposentadoria de mulheres e há um aparente consenso no Congresso contra as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC)", menciona, em referência ao pagamento concedido a idosos de baixa-renda que atualmente é de um salário mínimo e pelo texto seria fixado em R$400 reais até que se complete 70 anos de idade.

Penna também ressalta a agenda de desaceleração mundial. Para ele, a instalação de tensões comerciais entre China e Estados Unidos produziu efeitos-cascata mundiais, impactando sobretudo a Europa. "Há questões específicas, como a decisão do governo chinês em desacelerar a economia nacional desde 2016 e que produziu uma queda nos indicadores globais de forma defasada. O Brexit e indicadores de produtividade na Europa também contam".
O economista destaca que o mercado vai estar de olho nos resultados das negociações entre Planalto e Congresso. Ao final da viagem para Israel nesta quarta, Bolsonaro falou à imprensa sobre "jogar pesado na questão da Previdência". Ele deve receber líderes partidários ainda nesta semana, na tentativa de reparar o relacionamento estremecido com parlamentares.
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Fonte do texto: reproduzido do site Carta Maior

Crédito das Imagens:

1. Ricos e pobres - Foto da revista "Cidade Nova" - junho/2016
2. Banco Central - Foto de Antônio Cruz/Agência Brasil - reprodução da imagem      do texto acima.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores, conforme créditos acima. Se  alguém possui direitos de uma delas e deseja removê-la deste espaço, por favor envie-nos um comentário.  



CNBB - MENSAGEM SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA - PEC 6/2019

29 de março de 2019




Reproduzimos a introdução e a nota oficial do Conselho Permanente da CNBB, assinada em 28/03/2019, sobre o Projeto de Lei da Reforma da Previdência Social.

Reunidos entre os dias 26 e 28 de março na sede provisória da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília-DF, os bispos que integram o Conselho Permanente da entidade emitiram uma mensagem na qual demonstram preocupação com a Reforma da Previdência Social – PEC 06/2019.

No texto, os bispos reafirmam que o sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. “Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade…), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores ético-sociais e solidários”. (Nota da CNBB, março/2017).

Reconhecem que o sistema da Previdência precisa ser avaliado, e, se necessário, adequado à Seguridade Social. Alertam, no entanto, que as mudanças contidas na PEC 06/2019 sacrificam os mais pobres, penalizam as mulheres e os trabalhadores rurais, punem as pessoas com deficiência e geram desânimo quanto à seguridade social, sobretudo, nos desempregados e nas gerações mais jovens.

Apontam que o discurso de que a reforma ‘corta privilégios’, precisa deixar claro quais são esses privilégios, quem os possui e qual é a quota de sacrifício dos privilegiados, bem como a forma de combater a sonegação e de cobrar os devedores da Previdência Social. “A conta da transição do atual regime para o regime de capitalização, proposto pela reforma, não pode ser paga pelos pobres”, reforçam.

Na mensagem, os bispos fazem um apelo ao Congresso Nacional para que favoreça o debate público sobre a atual proposta de reforma da Previdência, que incide na vida de todos os brasileiros. “Conclamamos as comunidades eclesiais e as organizações da sociedade civil a participarem ativamente desse debate para que, no diálogo, defendam os direitos constitucionais que garantem a cidadania para todos”.

Confira o texto oficial, na íntegra:
MENSAGEM DO CONSELHO PERMANENTE DA CNBB

“Serás libertado pelo direito e pela justiça” (cf. Is 1,27)

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília-DF nos dias 26 a 28 de março de 2019, assistidos pela graça de Deus, acompanhados pela oração da Igreja e fortalecidos pelo apoio das comunidades eclesiais, esforçamo-nos por cumprir nossa missão profética de pastores no anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo e na denúncia de acontecimentos e situações que se opõem ao Reino de Deus.

A missão da Igreja, que nasce do Evangelho e se alimenta da Eucaristia, orienta-se também pela Doutrina Social da Igreja. Esta missão é perene e visa ao bem dos filhos e filhas de Deus, especialmente, dos mais pobres e vulneráveis, como nos exorta o próprio Cristo: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes pequeninos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Por isso, nosso olhar se volta constantemente para a realidade do país, preocupados com propostas e encaminhamentos políticos que ameacem a vida e a dignidade dos pequenos e pobres.

Dentre nossas atuais preocupações, destaca-se a reforma da Previdência – PEC 06/2019 – apresentada pelo Governo para debate e aprovação no Congresso Nacional. Reafirmamos que “o sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade…), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores ético-sociais e solidários” (Nota da CNBB, março/2017).

Reconhecemos que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, adequado à Seguridade Social. Alertamos, no entanto, que as mudanças contidas na PEC 06/2019  sacrificam os mais pobres, penalizam as mulheres e os trabalhadores rurais, punem as pessoas com deficiência e geram desânimo quanto à seguridade social, sobretudo, nos desempregados e nas gerações mais jovens.

O discurso de que a reforma corta privilégios precisa deixar claro quais são esses privilégios, quem os possui e qual é a quota de sacrifício dos privilegiados, bem como a forma de combater a sonegação e de cobrar os devedores da Previdência Social. A conta da transição do atual regime para o regime de capitalização, proposto pela reforma, não pode ser paga pelos pobres.

Consideramos grave o fato de a PEC 06/2019 transferir da Constituição para leis complementares regras previdenciárias como idades de concessão, carências, formas de cálculo de valores e reajustes, promovendo desconstruções da Constituição Cidadã (1988).

Fazemos um apelo ao Congresso Nacional que favoreça o debate público sobre esta proposta de reforma da Previdência que incide na vida de todos os brasileiros. Conclamamos as comunidades eclesiais e as organizações da sociedade civil a participarem ativamente desse debate para que, no diálogo, defendam os direitos constitucionais que garantem a cidadania para todos.

Ao se manifestar sobre estas e outras questões que dizem respeito à realidade político-social do Brasil, a Igreja o faz na defesa dos pobres e excluídos. Trata-se de um apelo da espiritualidade cristã, da ética social e do compromisso de toda a sociedade com a construção do bem comum e com a defesa do Estado Democrático de Direito.

O tempo quaresmal, vivido na prática da oração, do jejum e da caridade, nos leva para a Páscoa que garante a vitória, em Jesus, sobre os sofrimentos e aflições. Anima-nos a esperança que vem de Cristo e de sua cruz, como ensina o Papa Francisco: “O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal.(Evangelii Gaudium, 85).

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, interceda por todos os brasileiros e brasileiras!

Brasília-DF, 28 de março de 2019
 Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de Salvador
Vice-Presidente da CNBB
          Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB



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Fonte do texto e da imagem:
http://www.cnbb.org.br/conselho-permanente-da-cnbb-divulga-mensagem-apos-reuniao-em-brasilia/


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