Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

BRASIL - ELEIÇÕES 2018 - MANIFESTO DAS MULHERES CONTRA BOLSONARO

28 de setembro de 2018


Após mobilização das mulheres, rejeição ao candidato do PSL atinge 44% / Mulheres Unidas Contra Bolsonaro/Facebook/Reprodução


Saudação aos leitores do “Espaço Poese” no Brasil, na América Latina, em Portugal, Angola e Moçambique. Também da Alemanha, China, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Irlanda, Japão e Rússia, e pelo mundo afora  onde vivem brasileiras e brasileiros que participam da nossa luta em defesa da democracia, da dignidade de todos nós, da autonomia do país, dos direitos dos cidadãos, da liberdade e da paz.

Às vésperas das eleições, estamos empenhados para votar em defesa dos direitos sociais e individuais conquistados ao longo da nossa história sociopolítica. E alegramo-nos de vivenciar um momento de expressivo crescimento da participação das mulheres, sem ódio e sem medo, na busca sincera da democracia e da paz social.

Abaixo, reportamos o texto integral do Manifesto das Mulheres que se unem em contraposição a um candidato de pensamento atrasado, caduco, mofado e antiliberal, baseado numa infeliz ideologia discriminadora, autoritária e ultrapassada, distanciada dos valores cultivados por um povo solidário, alegre, trabalhador, acolhedor e inclusivo.


#ELENÃO

Mulheres Unidas Contra Bolsonaro lançam manifesto

Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP)
Após mobilização das mulheres, rejeição ao candidato do PSL atinge 44% / Mulheres Unidas Contra Bolsonaro/Facebook/Reprodução

A voz de mais de três milhões de mulheres - organizadas inicialmente em uma comunidade virtual no Facebook - se tornará neste sábado, 29, um grito de resistência pelas ruas do Brasil e do mundo. O coletivo de mulheres acaba de divulgar seu manifesto contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL).


A mobilização das mulheres já começa a surtir efeitos nas pesquisas, e a rejeição de Bolsonaro atingiu 46%Além do manifesto, diversas publicações trazem orientações de segurança para a manifestação.  Não deixe de ler antes de sair de casa.
Confira a razão das mulheres brasileiras gritarem juntas: 
#EleNão! #EleNunca! 
   Por igualdade, liberdade, direito e uma vida sem violência!

Quem somos?

Somos mulheres, milhões e diversas. Somos brasileiras e imigrantes. Jovens e de cabelos brancos. Negras, brancas, indígenas. Trans e travestis. Somos LGBTs, amamos homens, mulheres ou ambos. Casadas e solteiras. Mães, filhas, avós. Somos trabalhadoras, donas de casa, estudantes, artistas, funcionárias públicas, pequenas empresárias, camelôs, sem teto, sem terra. Empregadas e desempregadas. Mulheres de diferentes religiões e sem religião.

Estamos, hoje, juntas e de cabeça erguida nas ruas de todo o Brasil porque um candidato à presidência do país, com um discurso fundado no ódio, na intolerância, no autoritarismo e no atraso, ameaça nossas conquistas e nossa já difícil existência. Estamos na rua porque seu programa político econômico é um retrocesso, uma reprodução piorada das políticas terríveis do Temer.

Quem é Jair Bolsonaro?

Jair Bolsonaro, atualmente do PSL, Deputado Federal há 27 anos, já foi filiado a 9 partidos e teve apenas dois Projetos de Lei aprovados em toda sua vida política.  Ele se apresenta como algo “novo”, mas é, na verdade, mais um “político de carreira” que trabalhou para eleger seus filhos e usufrui de privilégios, como o imoral auxílio moradia, enquanto milhares de famílias estão sem teto e lutam por um lugar digno para morar.

Por que somos contra Bolsonaro?

1. Jair Bolsonaro despreza negros, indígenas, homossexuais e todas as que lutam em defesa dos direitos das mulheres. Considera quilombolas “vagabundos”. Faz apologia à cultura do estupro. Diz que o nascimento de sua única filha mulher foi uma “fraquejada”. Insiste que não há nada a fazer quanto à diferença salarial entre homens e mulheres. Para ele, dar “porrada” em meninos impede que eles “se tornem” gays. Seu vice na chapa, o General Mourão, declarou que famílias criadas por mães e avós são fábricas de desajustados;

2. Votou a favor do congelamento dos gastos com saúde, educação e assistência social por 20 anos. Promete aumentar impostos sobre os pobres e reduzi-los para os ricos. Já anunciou uma onda de privatizações, vendendo as estatais e todo patrimônio do povo brasileiro. 
É um dos autores do Projeto de Lei que defende que o SUS não é obrigado a atender mulheres vítimas de abuso sexual. 
É apoiador do projeto “Escola sem Partido”, que acaba com a liberdade pedagógica e com o desenvolvimento do pensamento crítico em relação à sociedade caótica que vivemos.

3. Votou a favor da Reforma Trabalhista e da Lei das Terceirizações, responsável por permitir que grávidas realizem trabalhos insalubres, pelo aumento do desemprego e do trabalho informal, em especial entre as mulheres negras. Já disse que “os trabalhadores devem escolher entre ter direitos e ter empregos”. 

Foi o único deputado a votar contra a PEC das domésticas, que garantiu às empregadas direitos trabalhistas básicos como o pagamento de hora extra e o recolhimento de FGTS. Já se comprometeu a aprovar a Reforma da Previdência, que aumenta a idade para se aposentar e iguala a idade entre mulheres e homens;

4. Defende o aprofundamento de um projeto de segurança pública falido, que trata violência com mais violência e militarização. Projeto que é implementado há muitos anos no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, cidade onde mais morrem civis e policiais em confrontos e onde Marielle Franco e Anderson foram executados há mais de 6 meses, crime ainda sem respostas. Defende a liberação do porte de armas, seguindo o modelo dos EUA, país que tem os maiores índices de homicídio e suicídio, em especial entre jovens;

5. Tem como candidato a Vice, um General que defende a tomada do poder pelas Forças Armadas e a elaboração de uma nova Constituição sem participação popular. É uma chapa que coloca, declaradamente, a democracia em risco! Jair Bolsonaro é defensor da Ditadura Militar, afirmou que o erro dos militares foi torturar em vez de matar e não esconde sua admiração ao mais notório torturador do regime militar de 1964, o General Ustra.

Não queremos ditadura ou fascismo nem a ampliação da matança policial-militar nas ruas, responsável pelo genocídio da juventude negra. Queremos liberdade, igualdade, justiça social e direitos! Bolsonaro é tudo que o Brasil não precisa para superar a crise e avançar.

Nós, mulheres diversas e unidas, defendemos o oposto do que ele prega: defendemos o respeito às diferenças; o direito das mulheres de viverem seguras e decidirem sobre o seu próprio corpo; defendemos salários iguais entre homens e mulheres, entre negros e brancos; defendemos cotas para os que foram historicamente injustiçados e prejudicados; defendemos serviços públicos com qualidade para as mulheres pobres e seus filhos.

Defendemos a mais ampla liberdade de ensinar e de aprender, sem lei de mordaça, seja na escola, ou na Universidade.
Defendemos que as pessoas sejam livres para amar e sejam respeitadas por isso. 
Defendemos o debate de ideias e a democracia.

Ele prega o ódio, nós pregamos o respeito. Ele defende a morte e a tortura, nós defendemos a vida. Por isso dizemos: 
Ele não! Nem os filhos! Bolsonaro Nunca! Fascismo não!"

Edição: Diego Sartorato
Publicado em: 27 de setembro de 2018

BRASIL - CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA, DESNACIONALIZAÇÃO DA BASE PRODUTIVA E PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO.

18 de setembro de 2018


Desaparece o emprego formal, a pobreza e a desigualdade social avançam.
Por: Rodrigo Martins

Desde 2014, o Brasil perde 1 milhão de postos de trabalho com carteira assinada por ano.


Foto de: Mario Tama/Getty Images/AFP
              
Voltamos a trazer dados e informações que podem ajudar na escolha dos seus candidatos  não só à presidência do país, mas de senadores, deputados federais e estaduais que tenham lutado ou demonstrem interesse pela causa dos cidadãos brasileiros, especialmente dos empobrecidos.
Lembramos a importância de nos informar para escolher bem os candidatos a senador e a deputado federal e estadual. Serão eles e elas os que deverão o aprovar as questões de maior interesse da população carente do nosso país, quando apresentadas pela presidência ou por um dos seus pares, principalmente quando se referem a moradia, educação, saúde, justiça, povos indígenas, reforma agrária, ações no semiárido e distribuição de renda.
A maioria dos candidatos e candidatas que tomam posse nas casas legislativas como é sabido  têm apoiado as armadilhas do governo Temer contra os fundamentais direitos sociais e direitos humanos da população do país, que só têm retrocedido. O nosso voto para a casa legislativa, deve ser uma escolha não de simpatia, comadrice ou favor pessoal. Devemos fazer a escolha dos candidatos que já demonstraram - ou nos parecem demonstrar, hoje  que escolhemos votar. Perguntando-nos, com atenção, o que será o melhor para o Brasil e especialmente os empobrecidos e marginalizados, como, por exemplo, os povos indígenas.
O texto abaixo foi escrito por Rodrigo Martins, em Carta Capital. 
Não reproduzimos a última parte do seu texto, que fala da inadequada e ilegal nomeação da deputada Cristiane Brasil para assumir o Ministério do Trabalho. Sua posse foi impedida - em resposta a uma ação popular - por uma liminar na 4ª Vara Federal Criminal de Niterói. Informo, ainda, que usamos negrito e sublinhamos trechos abaixo, para chamar a atenção do leitor.
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                   Em dois anos, o Brasil ganhou 
                   8,6 milhões de miseráveis.

O País encerrou 2016 com 24,8 milhões de

brasileiros vivendo com menos de um 

quarto do salário mínimo.


A inflação oficial do País fechou 2017 em 2,95%, a menor alta anual desde 1998 e abaixo do piso da meta estabelecida pelo próprio governo. Após a divulgação desses resultados, pelo IBGE, na quarta-feira 10, os palacianos anteviram um próspero período de juros baixos e de recomposição do poder de compra do trabalhador.
“Na verdade, a inflação em um patamar tão baixo é mais um sintoma da depressão que vivemos, da forte retração da demanda. Atribui-se o feito à safra agrícola recorde, mas parece subestimar os efeitos dos sucessivos aumentos no preço da eletricidade, dos combustíveis e do gás de cozinha, estes últimos controlados pelo governo”, alerta João Sicsú, professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea.
Em 2015 e 2016, o Brasil perdeu 7,2% de seu PIB. A economia recuou seis anos, para o mesmo patamar que tinha no segundo semestre de 2010”, observa o economista. “É possível que tenha recuperado um ponto porcentual no ano passado, mas ninguém sabe com exatidão se existe uma recuperação. O mais provável é que seja apenas um suspiro de quem bateu no fundo do poço.”
Para 2018, os analistas do mercado venderam um cenário otimista. De acordo com o Boletim Focus, pesquisa feita pelo Banco Central com mais de cem instituições financeiras, projeta-se um crescimento do PIB da ordem de 2,69%, com uma inflação de 3,95%. Em outubro/2017, o Fundo Monetário Internacional trabalhava com projeções mais conservadoras, prevendo uma expansão de 1,5% do PIB até o fim do ano. Ainda que o bolo volte a crescer, não há o mais pálido sinal de que será repartido com o conjunto da sociedade.

Ao contrário, os indicadores acenam para um aumento da concentração de renda e dos níveis de pobrezaA Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE, divulgada em dezembro/2017, revela um expressivo aumento do número de pobres e miseráveisO Brasil encerrou 2016 com 24,8 milhões de cidadãos, isto é, 12,1% da população, vivendo com menos de um quarto de salário mínimo, o equivalente a 220 reais.

Esse resultado demonstra um crescimento (de pobres e miseráveis, no país) superior a 50% em apenas dois anos. No fim de 2014, quando a crise econômica esboçava os primeiros sinais, havia 16,2 milhões de brasileiros com essa faixa de renda, usada pelo Ipea para designar os “extremamente pobres” e empregada pelo governo federal como critério para a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) aos idosos em situação de miséria.
De acordo com a linha de extrema pobreza estabelecida pelo Banco Mundial, mais usada para comparações internacionais, 13,4 milhões de brasileiros - correspondentes a 6,5% do total da população - vivia com menos de 1,90 dólar por dia no fim de 2016 (cerca de 133 reais mensais). E um quarto da população possuía renda inferior a 5,50 dólares por dia (387 reais por mês), faixa de renda usada pela instituição para definir um nível menos agudo de indigência. Devido às recentes atualizações de valores nas linhas de pobreza do Banco Mundial, o estudo do IBGE não permite comparações com os anos anteriores.
Ex-ministra do Desenvolvimento Social, a economista Tereza Campello refez os cálculos com base na linha de corte anterior - de 1,25 dólar por dia - para definir quem vive na miséria, e identificou uma alta expressiva. “Por esse critério, a extrema pobreza cresceu de 2,5%, em 2014, para 4,9% em 2016. Retrocedemos ao patamar de dez anos atrás”, lamenta.

“Para agravar o problema, difundiu-se um falacioso diagnóstico, a atribuir a crise à suposta elevação dos gastos públicos, sobretudo na área social. É mentira. Essas despesas não aumentaram nos últimos anos, o que houve foi uma brutal redução das receitas. O problema está na arrecadação.”

Em vez de ampliar a rede de proteção social - indispensável para amparar os desvalidos em tempos de crise - o governo empenhou-se em reduzi-la. A política de austeridade fiscal - iniciada pelo ministro Joaquim Levy no segundo mandato de Dilma Rousseff e aprofundada por Henrique Meirelles no governo de Michel Temer - contribuiu decisivamente para a regressão social.
Um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) - em parceria com a Oxfam Brasil e o Centro para os Direitos Econômicos e Sociais - revela queda de até 83% em políticas voltadas à área social nos últimos três anos. De acordo com o estudo, a área que mais perdeu recursos desde 2014 foi a de direitos da juventude, com queda de 83% nos investimentos.

Em segundo lugar, vêm os gastos com programas voltados à segurança alimentar, reduzidos em 76%. A área de moradia digna sofreu perdas de 62%, assim como a de Defesa dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. A Promoção da Igualdade Racial sofreu uma redução de 60% e os programas para mulheres foram reduzidos de 53%.
Um dos exemplos citados pelos pesquisadores é a queda significativa no Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal, com perdas de 69% em três anos. O estudo alerta para a “ameaça de um retorno da forme e da desnutrição”.
O desemprego massivo é, possivelmente, a maior fonte de angústia do brasileiro. Embora o governo se apresse em anunciar a reativação do mercado de trabalho, a verdade é que Temer nem sequer conseguiu suprir as vagas de trabalho perdidas durante a sua gestão. Em maio de 2016, -  quando foi alçado ao poder sem voto, em meio ao golpe branco deflagrado no Parlamento - a taxa de desocupação atingia 11,2% da população economicamente ativa, um total de 11,4 milhões de cidadãos sem emprego. O problema atingiu o ápice no primeiro trimestre de 2017, quando o País somava 14,2 milhões de desempregados, 13,7% do total. Em novembro passado, a taxa de desocupação alcançava 12%, algo em torno de 12,6 milhões de brasileiros. Os dados são da Pnad Contínua, divulgada pelo IBGE.


Curiosamente, em novembro, primeiro mês de vigência da reforma trabalhista, o Brasil fechou 12.292 vagas com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). “Em dezembro, é comum haver um maior número de demissões, como consequência do encerramento de contratos de trabalho temporário para o comércio no período do Natal. Novembro não tem, porém, esse caráter sazonal. Essa oscilação negativa recomenda prudência ao falar da suposta reativação do mercado de trabalho”, observa José Dari Krein, professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit).
Na realidade, os números revelam um processo de desaparecimento do emprego formal. Desde 2014, o País perde, em média, 1 milhão de postos com carteira assinada por ano, segundo a Pnad Contínua do IBGE.  
Além da retração da atividade econômica, a redução dos postos formais pode ter sido intensificada com a sinalização política de Temer, a considerar as regras trabalhistas excessivas e passíveis de flexibilização, diz Krein. “Diante desse aceno, os agentes econômicos sentiram-se à vontade para optar pelas formas mais baratas de contratação, antes mesmo de a reforma ser aprovada.”
Em vez de induzir à formalização, a reforma de Temer contribui para desestruturar o mercado, emenda o especialista. “Essa desestruturação para pior, e o trabalho intermitente devem avançar, sobretudo, sobre o emprego formal”, avalia o economista da Unicamp, antes de citar o “didático exemplo do Grupo Estácio”. Em dezembro, essa instituição de ensino superior confirmou a demissão de 1,2 mil professores e anunciou a criação de um “cadastro de reserva”, para atender “possíveis demandas”. “Provavelmente, serão contratados docentes intermitentes, que vão receber por hora, e menos”, prevê o economista. (corte no texto, como explicado acima).


A informalidade é o motor da geração de empregos no País (Fernando Frazão/ABr)

Há três anos, o rendimento médio mensal está estagnado. No trimestre encerrado em novembro de 2017, estava em 2.142 reais, exatamente o mesmo valor auferido pelo IBGE no fim de 2014. Com a legalização de contratos precários de trabalho e a liberação das terceirizações, o valor pode despencar, alerta o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese. “O empregado pode se ver forçado a virar um microempreendedor, assumindo todo o ônus da atividade empresarial, ou mesmo ter a mão de obra intermediada por uma prestadora de serviços, que certamente vai reduzir os benefícios e achatar os salários para garantir a sua margem de lucro.”

De acordo com o especialista, o Brasil vive um dramático processo de desindustrialização e de queda do nível de emprego na agricultura, em razão do crescente processo de mecanização do campo. Esses dois fenômenos levaram a uma transição prematura da sociedade industrial para o setor de serviços, que ainda tem uma base frágil, de micro e pequenas empresas, na qual prevalece o trabalho precário e informal, explica Ganz Lúcio.
“Com a desnacionalização da sua base produtiva, o Brasil corre o risco de se converter em uma plataforma primário-exportadora e de produção de bens e serviços de baixo valor agregado. Nesse sentido, a precarização do trabalho é vista por muitos agentes econômicos como fator de redução de custos”, afirma o diretor do Dieese. Esse “retorno à condição de colônia”, como resume o economista João Sicsú, traz um custo social elevadíssimo. “De forma errática, a economia deve crescer toda vez que a demanda internacional estiver aquecida. No entanto, enquanto abrir mão de um projeto de desenvolvimento capaz de beneficiar um número maior de cidadãos, o Brasil estará fadado a conviver com alarmantes índices de desigualdade e pobreza”, acrescenta Ganz Lúcio.

Décimo país mais desigual do mundo, em companhia de Suazilândia, a menor nação da África, o Brasil continua a concentrar renda. Um levantamento da Tendências Consultoria mostra que a massa de rendimentos do trabalho no “topo da pirâmide” cresceu 10,3% no primeiro semestre de 2017, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho é muito superior à tímida recuperação das classes B (+0,69%) e C (+1,06%). Os mais pobres, das classes D e E, apresentaram perda de 3,15%.
Gráfico massa salarial

O cenário é ainda mais dramático diante do desmonte da rede de proteção social. Em dezembro, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO)estimou a existência de 7 milhões pobres no País que não recebem nenhum tipo de assistência social. “Se o Brasil não voltar a crescer de forma sustentada e não tiver um revigoramento do mercado de trabalho, simultaneamente a uma correção nos valores de transferência de renda, corremos o risco de voltar ao Mapa da Fome”, alertou, à época, o brasileiro José Graziano da Silva, diretor da FAO.

Na contramão das recomendações, os valores estão defasados. O salário mínimo teve um reajuste abaixo da inflação, o que deve comprometer a renda dos pobres que recebem BPC e aposentadoria, sobretudo no campo. Em 2017, Temer desistiu de reajustar os valores pagos pelo Bolsa Família, que terá um orçamento 11% inferior neste ano.
Não bastasse, vez por outra o Ministério do Desenvolvimento Social faz uma auditoria para apurar supostas irregularidades e suspende o pagamento a milhões de pessoas, para depois voltar a incluí-las no cadastro. Em dezembro passado, o programa beneficiou 13,8 milhões de famílias, mesmo número que havia em 2014. 

“O crescimento do desemprego, a precarização do trabalho e o salário mínimo menor do que a inflação exigiria o aumento da cobertura. Em vez disso, temos o mesmo número de assistidos de três anos atrás, quando vivíamos em uma situação de pleno emprego”, critica a ex-ministra Campello.

Ex-chefe da Diretoria de Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro observa um consistente processo de pauperização. “As principais fontes de rendimento da população mais vulnerável advêm do mercado de trabalho, das transferências de renda e da economia familiar. Em todas essas áreas, os mais pobres acumulam perdas. A redução das verbas para o Programa de Aquisição de Alimentos atinge em cheio os pequenos produtores rurais”, exemplifica. 

O avanço da pobreza e da violência urbana já é perceptível, não há como ignorar. No entanto, a sociedade ainda parece não ter percebido que a maior parte das recentes escolhas políticas contribui para agravar esses problemas.
economista João Sicsú observa ainda que a sociedade americana só conseguiu se recuperar da Grande Depressão quando o Estado voltou a investir pesadamente em grandes obras de infraestrutura. “Infelizmente, não temos nenhum plano de retomada dos investimentos públicos. Ao contrário, o governo só pensa em cortar despesas, o que contribui para reduzir ainda mais a demanda. Não poderíamos ter uma receita mais depressiva, para a economia e para todos nós”.

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Fonte do texto:


Créditos das imagens:

1. Foto de Mário Tama - Getty Imagens - AFP
2. Vendedor ambulante - Fernando Frazão/ABr


Nota: Todas as imagens, aqui publicadas, pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida desse espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com



A FOME E A DESNUTRIÇÃO - HÁ CERCA DE UMA DÉCADA O NÍVEL MUNDIAL DE FOME VINHA RECUANDO

16 de setembro de 2018

Nesse tempo de programas de governo apresentados por alguns  candidatos à  presidência do Brasil - e de compromissos de campanha eleitoral - iniciaremos a postar, neste Espaço, matérias temáticas com informações sobre questões importantes, que deveriam merecer a atenção dos presidenciáveis de boa fé, interessados a nos trazer tempos mais esperançosos ao país.
Hoje tratamos da fome. A fome de comida e de educação, de trabalho e de espaço para viver, da saúde que não está, igualmente, ao alcance de todos, como todos deveríamos merecer. A grande maioria da população brasileira, ensaiou essa possibilidade nos anos de governos anteriores ao atual. E veio perdendo essa possibilidade esperançosa, mesmo com relação aos seus direitos fundamentais. Essas pessoas, nós as encontramos todos os dias, talvez sem perceber o tamanho das suas necessidades. 
Tive uma experiência recente, que me levou a perceber mais de perto essa questão. Peguei um táxi - não desses que circulam pela rua, mas chamado por telefone, no ponto de um bairro residencial da classe média alta. Conversando com o motorista, fiquei sabendo que o carro não era dele, era "alugado". 
O sistema desse "aluguel" funciona de modo que, numa determinada hora, ele deve devolver o veículo e pagar, ao proprietário, um valor diário pré-determinado. No caso dele não conseguir alcançar esse valor, com as corridas do dia, acumula a sua dívida com o "patrão". A gasolina? Também é por conta do motorista. 
O proprietário, esse sim, digamos que tenha comprado dois, três ou mais carros, e usado esse mesmo sistema iníquo de "aluguel".  O valor diário fixado, vem às suas mãos, mesmo se ele passe o dia deitado na rede da varanda do seu apartamento. Mas, por que certas pessoas se submetem a esse tipo de contrato? Estão desempregadas. E as contas, na família, são as de sempre. Não têm outra fonte de renda, ou não basta o que o companheiro ou a companheira esteja recebendo de um outro trabalho precário como esse. Resta-lhe aceitar o sistema da Casa Grande e Senzala. Simples assim. 
E as ações governamentais para inibir tamanha violência contratual de trabalho escravo, como tantos outros?
Hoje tratamos de Desigualdade Social.
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Política / Desigualdade
Uma em cada nove pessoas no mundo passa fome, diz ONU
Por: Deutsche Welle — Carta Capital
Publicado em 11/09/2018

O Brasil está entre os 51 países mais expostos a extremos climáticos e, portanto, mais suscetíveis ao aumento de casos de desnutrição - Antes de voltar a subir, nível mundial de fome vinha recuando há cerca de uma década.

O número de pessoas afetadas por desnutrição, mundo afora, aumentou pelo terceiro ano consecutivo, em 2017, retrocedendo a níveis de uma década atrás, aponta um relatório publicado por agências da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira 11. Um total de 821 milhões de pessoas, ou uma em cada nove no planeta, não tem o suficiente para comer. Em 2016, 804 milhões de pessoas estavam nessa situação.
Mundo afora, quase 151 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade sofreram de desnutrição no ano passado, ou 22% das crianças no mundo. Ao mesmo tempo, 672 milhões de adultos no mundo – um em cada oito – estão obesos, ante 600 milhões em 2014. 
No Brasil, a situação é considerada estável nos últimos anos, e o problema atinge hoje 2,5% da população. De 2004 a 2006, a taxa registrada foi de 4,6%. Ao mesmo tempo, aumentou a percentagem de adultos obesos no país, de 19,9% em 2012 para 22,3% em 2018.

De acordo com a ONU, mudanças climáticas e a ocorrência de conflitos impulsionam o retrocesso. A maior variabilidade nas temperaturas usuais, chuvas intensas e mudanças no padrão das estações, impactam a quantidade e a qualidade de comida disponível e afetam principalmente os mais pobres. 
O Brasil, por exemplo, registrou nos últimos anos várias ocorrências de temperaturas extremas em áreas destinadas à agricultura e estiagens mais frequentes. O país está entre os 51 listados no relatório da ONU de 2017, como mais expostos a extremos climáticos e, portanto, mais suscetível ao aumento de casos de desnutrição.
A situação tem piorado principalmente na América do Sul e na maior parte da África, enquanto, na Ásia, a situação é estável na maioria das regiões. A Ásia tem o maior número de pessoas desnutridas no mundo – de 515 milhões – devido ao tamanho de sua população.
Em termos relativos, o leste da África é a região mais afetada, com 31,4% da população classificada como desnutrida. Na América do Sul, 5% das pessoas se enquadram na categoria.
Na América do Sul, a ONU apontou a queda no preço de commodities, como o petróleo, como o provável motivo das maiores taxas de desnutrição, já que houve menos recursos disponíveis para importação de comida e investimentos na economia. A falta de alimentos levou cerca de 2,3 milhões de pessoas a fugir da Venezuela  até junho, afirmou a ONU.

O relatório foi publicado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
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Fonte do texto:


Créditos das Imagens:

Foto de: T.Karumba/AFP  



O ÓDIO GERA VIOLÊNCIA. A ATENÇÃO PELO OUTRO GERA O RESPEITO

10 de setembro de 2018

Certa vez, uma psicanalista do CPPL –Centro  de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem, com sede no Recife  foi entrevistada por um dos canais de TV local. Queriam o seu parecer sobre uma informação que lhes parecia inusitada. 
A polícia mandara instalar algumas câmaras de vídeo, em vários pontos do centro da cidade, no intuito de identificar os focos de violência na área. Mas, quando os responsáveis foram analisar as cenas gravadas tiveram uma surpresa: as imagens da maior parte das ocorrências  mostravam significativas atitudes de solidariedade. Muitos ajudavam pessoas idosas a atravessar a rua, as crianças eram atendidas com carinho pelo pipoqueiro, pessoas recebiam orientação sobre as ruas que procuravam, e até um rapaz que tinha caído da bicicleta foi acudido por um outro que passava ao seu lado. Nesse caso, o que impressionou foi que os dois rapazes usavam camisas de times adversários de futebol. 

Na entrevista, o comentário da psicanalista  Letícia Rezende foi que se tratava de uma característica cultural dos cidadãos mais simples que circulam na cidade, e que eles vão aprendendo a solidariedade recíproca:  "gentileza gera gentileza", ela lembrou, na ocasião. 
Esse fato  tão significativo para o momento que se vivia  chegou a ser divulgado no Jornal Nacional. 

Hoje, no entanto, vivemos em tempos de graves enredos com perseguições e acordos ideologizados entre tribunais de justiça e perseguidores. Com a proximidade das eleições, o que se ouve e se lê são expressões extremas de ódio de todos os lados.
Recentemente, o grave evento com o candidato Bolsonaro em Juiz de Fora, nos tomou de surpresa.  O candidato do PSL à presidência da república sofreu um violento golpe de faca, quando era carregado nos braços do povo que o apoiava. 
Diversos comentários analisaram esse fato abominável. Agora, os canais da mídia comprometida com a cidadania, falam de uma reação semelhante à que comentamos acima, infelizmente com um viés oposto ao enunciado pela psicanalista do CPPL: o ódio esbravejado do candidato do PSL teria talvez provocado a inesperada e triste violência de que ele próprio foi vítima.  
"Um cara que prega o ódio recebeu uma resposta de ódio", lamentou, desta vez, a psicanalista Maria Rita Kehl, referindo-se ao ataque a faca contra Jair Bolsonaro.
Segue a reprodução da informação citada.
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Ataque a Bolsonaro é "resposta de ódio" a quem "prega o ódio", diz Maria Rita Kehl


Candidato do PSL sofreu ferimento no abdômen após ter sido perfurado com faca durante ato de campanha em Minas Gerais
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Por: Redação Brasil de Fato - 08/09/2018


 “Um cara que prega o ódio recebeu uma resposta de ódio", lamentou, ao Brasil de Fato, a psicanalista Maria Rita Kehl em referência ao ataque a faca contra o candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (6) em Juiz de Fora (MG), durante um ato de campanha em um centro comercial da cidade. 
Enquanto era carregado nos ombros por um de seus seguranças, Bolsonaro foi perfurado por uma faca na região do abdômen e foi levado à Santa Casa, onde passou por uma cirurgia para reparar perfurações nos intestinos grosso e delgado, segundo informações repassadas pelo hospital à imprensa.
O autor do ataque foi cercado por apoiadores de Bolsonaro e detido ainda no local, antes de ser encaminhado à delegacia. Segundo informações de policiais militares no local, ele teria afirmado que a iniciativa do ataque foi individual, por discordâncias com as ideias defendidas pelo candidato em sua campanha.
"Me parece que quando o dispositivo da democracia entra em descrédito, como a manobra para tirar a Dilma - que já foi picaretagem, por exemplo - depois a prisão do Lula - uma coisa totalmente arbitrária, que mesmo quem está a favor sabe que é uma jogada suja, que é um 'gol de mão', enfim, as pessoas começam a apelar. A violência nas ruas aumenta, a violência contra as mulheres aumenta, a 'psicopatização' da sociedade como um todo aumenta", analisou a psicanalista.
Perfil

Bolsonaro é uma figura conhecida pelo discurso repleto de preconceitos contra mulheres, negros e pobres, além de atacar com rancor movimentos populares como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), além dos partidos identificados com a esquerda.
Há uma semana, durante ato de campanha no Acre, Bolsonaro prometeu a seus apoiadores que, após a vitória eleitoral, iriam "fuzilar a petralhada", em menção aos militantes do Partido dos Trabalhadores (PT). A facilitação do porte de armas para civis é uma das principais bandeiras da campanha do militar da reserva, para que cidadãos possam reagir à criminalidade por conta própria, e fazendeiros possam atacar movimentos populares do campo.

O discurso pró-violência de Bolsonaro - que tem despontado como principal nome da extrema direita desde a última eleição presidencial - acompanha o aumento da violência nas relações políticas no país. Em abril deste ano, o violento assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, chocou o país. Ela foi alvejada por tiros ao lado do motorista Anderson Gomes, em seu carro, quando voltava de um debate político com mulheres negras. A polícia ainda não localizou os autores do assassinato ou os mandantes, embora haja suspeita de envolvimento de milícias. 
Em março deste ano, a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvejada por tiros enquanto visitava estados da região Sul do país; em 2015, uma bomba caseira foi arremessada contra a sede do Instituto Lula, em São Paulo.
*Publicado originalmente no Brasil de Fato - Edição: Diego Sartorato
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Créditos das imagens:

1. Solidariedade - www.canstockphoto.com.br
2. Letícia Rezende de Araújo - psicanalista - arquivo do blog.
3. Ataque a Bolsonaro é registrado pelas pessoas que acompanhavam ato -  reprodução de imagem do texto.
4. Psicanalista Maria Rita Kehl - reprodução de imagem do artigo de Brasil de Fato.

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