Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

ANO NOVO - UMA RESISTÊNCIA ATIVA E CIDADÃ

31 de dezembro de 2018


                                 
Aos leitores do Espaço Poese – espalhados em vários cantos do mundo – entrego hoje uma ideia, quiçá um grande sonho: que nessa brecha do tempo, para um novo calendário, surjam gestos de reencontro, de diálogo e de inovação, e os primeiros passos para uma nossa resistência ativa, coordenada e cooperante.

Tem-se falado, nesses dias, que nos principais centros financeiros mundiais, e em vários países do mundo, anuncia-se uma crise com 
aspectos mais preocupantes do que aquela que se conheceu no Brasil, em 2008. 


São muitos os sinais de turbulência, movidos  a  intolerância, injustiça  social,desrespeito aos direitos humanos, violência contra a cidadania e a liberdade de expressão. Preparemo-nos. 
Entre nós aumentarão as necessidades ainda mais. 

Durante as recentes eleições, um expressivo número da esquerda brasileira se  inspirou em um inovador plano de governo, e quase chegamos a realizá-lo, em busca de reconstruir um Brasil mais solidário e justo. 

Lula nos deu um forte apoio, ainda que da sua mordaça de preso político. É um preso político à altura dos grandes estadistas, que faz tremer de medo os seus algozes. Com o ex-presidente Lula candidato, o nosso desejo era o de rever o nosso país de cabeça erguida, reconstruindo a sua dignidade e reinstaurando novas práticas de governo, contando com a experiência que o povo conheceu há anos atrás. Agora, no entanto, o Brasil está sendo ameaçado pelas forças do ultraliberalismo no poder que, como os militares dos anos 60/80, não gostam do cheiro do povo.

Falo agora entre amigos, que têm um olhar sensível ao que se passa ao seu redor, no seu bairro, na sua cidade. Alento a ideia de que comecemos a nos organizar, dando os primeiros passos para uma  resistência de cooperAção.

Iniciar nos organizando nas áreas em que somos melhores, para atuar por meio de ações conjuntas. 

Formar entre nós uma rede para COMPARTIR.

Através da "rede" estaremos a oferecer parte do nosso tempo e do nosso saber, realizando ações positivas com os descartados do nosso bairro e da cidade, lá onde tudo é e será ainda mais difícil e necessário.

A característica da "rede" seria reunir diferentes pessoas que se disponham a  “com-partir”: partilhar com o outro o que é meu. O espírito do Natal, nos moverá para os tantos outros diferente de nós.

E, como profissionais portadores de diferentes talentos, saberes e habilidades, as nossas ‘diferenças’ promoverão uma rica troca de pensares e de fazeres. 

A "rede" ligará, portanto, vários grupos de re-Ação solidária, e esses se apoiarão uns nos outros. Não nos soltaremos as mãos. E sairemos todos mais enriquecidos de aprendizados.

Sei que os leitores deste blog vivem em diferentes cidades, e em muitos países de cultura diversa. Que essa ideia possa servir para as muitas possibilidades e necessidades de com-partir. Comecemos a pensar  o modo de  conectar outros interessados. E nos estenderemos onde estiver cada um de nós, com grupos de amigos decididos a fazer a nossa parte para "dar as mãos" e partilhar com quem tem mais necessidade do que nós. 

São os meus votos para um 2019 ativo e inovador - um ano que espera de nós a força para fazer surgir a sua alvorada.

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Crédito das imagens: 

1. Foto de Lula - Imagem divulgação.
Outras imagens: www.canstockphoto.com.br


Informações para os leitores do blog

 Aproveito este primeiro post para agradecer o expressivo aumento de leitores  no Brasil e mundo afora. Vou fazer um pedido: que os leitores mais assíduos se tornem seguidores do blog (não custa nada!); e que me enviem suas críticas, fazendo comentários, mandando sugestões.

A alegria do escriba é perceber que há alguém, na outra ponta da escrita (o leitor) que reage a algum tema, oferecendo a sua percepção crítica.  

Como fazer? Há várias maneiras: tornar-se seguidor do blog, curtir a postagem no Facebook e também no final de cada post.  

Um aviso importante: 

No momento estamos trabalhando para fazer um rearranjo dos "marcadores" de pesquisa, no blogsão as "palavras chave" que aparecem acima do texto. Nossa intenção é de cobrir uma temática mais abrangente e adequada à conjuntura atual. O processo será um pouco lento. Desculpem o transtorno! 

Vanise Rezende



NATAL - MENSAGEM DE CELSO AMORIM A LULA

28 de dezembro de 2018


Segue reprodução de um post do escritor e teólogo Leonardo Boff, trazendo-nos uma mensagem do ex-chanceler Celso Amorim a Lula. 

Celso Amorim foi um dos maiores e melhores chanceleres que nos tempos atuais o Brasil conheceu. Estive muitas vezes com ele. Sempre admirei sua simplicidade e grandeza de espírito, fiel ao Presidente Lula em cujos governos serviu. Escutei de outros embaixadores e representantes de nações na ONU, quando tive a oportunidade de, a convite, falar naquela Assembléia  ao defender o novo conceito da Terra como Mãe Terra, aprovado por unanimidade no dia 22 de abril de 2002. Era comum o comentário quando a conversa versava sobre ele: “é um dos melhores, senão o melhor diplomata nos dias atuais, como interlocutor e  conciliador em situações de conflito”. Esta carta saudosa e triste a Lula preso, por ocasião do Natal, revela toda a amizade e proximidade que ambos cultivaram e ainda cultivam. Representa um belo testemunho de quem vivenciou  pessoalmente a relevância que a presença de Lula ganhou nos foros mundias. Razão tinha o presidente Obama ao dizer:”este é o cara”.  Publicamos aqui a carta dele ao ex-presidente. Lboff

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 Carta do ex-chanceler Celso Amorim a Lula

A proximidade do Natal e do Ano Novo nos traz lembranças boas, mas de certa forma também entristece. Penso não apenas no nosso país, no trabalho feito por você pela diminuição das desigualdades, pelo crescimento econômico com justiça social, pela preservação e aumento das nossas riquezas e por colocar o Brasil em uma posição que jamais tinha ocupado no cenário internacional. 
Penso também no seu lado afetivo, seu relacionamento sempre carinhoso e respeitoso com seus auxiliares, sem que isso de forma alguma afetasse a sua autoridade. Lembro-me da dificuldade de montar sua agenda, de atender aos inúmeros convites ou manifestações de desejo de visitá-lo. Até cheguei a cunhar uma frase para definir esse fenômeno: a demanda de Lula é muito maior que a oferta de Lula. 
Contrariamente com o que ocorre com nossos governantes atuais, não havia como dar conta de tantas solicitações, por maiores que fossem seus esforços de estar presente nos foros internacionais e de elevar o padrão do nosso diálogo com latino-americanos e caribenhos, africanos, árabes, sem descuidar dos grandes países emergentes como os que vieram a constituir os BRICS nem dos nossos parceiros tradicionais.
Lembro, muito especialmente, de sua empatia com outros líderes, independentemente de ideologias, embora, claro, sem esconder as afinidades. Talvez a melhor expressão dessa capacidade de relacionar-se de forma franca e direta tenha sido a frase que ouvi do Presidente da África do Sul, Thabo M´Beki, em uma cúpula do IBAS, em Brasília. Ele disse, na ocasião, que só você conseguia fazer o Manmohan Singh sorrir, saindo do estado de meditação permanente em que parecia mergulhado. O mesmo sorriso, quase iluminado, eu veria estampar-se no rosto de Singh, quando fui portador de uma carta sua, tratando do Rodada de Doha.
Alguns desses momentos estão documentados, como sua fala na Cúpula das Américas em Mar del Plata, que marcou o fim da ALCA, ou (creio) a Reunião de Chefes de Estado em torno do combate à fome e à pobreza. Eu nunca tinha visto, em meus longos anos de diplomacia, tantos Presidentes e Primeiros Ministros juntos em uma mesma sala. Ao entrar no saguão onde normalmente se reúne o Conselho Econômico e Social da ONU, ouvi um diplomata francês comentar com um colega: “O Brasil abraça o Mundo!” 
Anos mais tarde, no G-20, que você ajudou a criar, o Presidente da nação mais poderosa do mundo diria a frase que ficou célebre: Este é o cara! E sempre admirei sua capacidade de dar a mesma atenção que concedia a um líder de uma grande potência ao governante de um pequeno país do Caribe, da África ou da Ásia. Não foi à toa que, sob sua liderança, foram criados organismos e foros como a UNASUL, a CELAC, o IBAS, o BRICS, as cúpulas com países árabes e africanos, sem falar da parceria estratégica com a União Europeia e a elevação do nível do diálogo político com os Estados Unidos, China ou Rússia.
Foram muitas as situações excepcionais, que pude acompanhar, algumas das quais registrei nos meus livros. Outras você mesmo se encarregou de divulgar, como o episódio envolvendo o Presidente Bush em Évian. Diante da atitude subalterna e quase bajuladora de muitos diante do Presidente dos Estados Unidos (que acabara de sair vitorioso, na aparência ao menos, da Guerra contra o Iraque), você me disse: “nós não vamos nos levantar”. E esperamos que Bush viesse até onde estávamos sentados.
Tudo isso passa hoje como um filme pela minha mente e, ao mesmo tempo que me consola pelo muito que foi feito, me entristece por me fazer constatar o quanto está sendo destruído. E como você está sendo tratado injustamente. As pessoas que cruzam comigo e me reconhecem querem todas saber como você está, perguntam sobre sua saúde e o seu ânimo. Respondo sempre de forma positiva, baseado no que vi nas duas vezes em que o visitei em Curitiba e nas informações que chegam por outros companheiros. Todos têm muita esperança de que você saia logo dessa prisão absurda, que o grito de “Lula Livre” rapidamente se transforme em realidade.
Neste Natal, gostaria de abraçá-lo, de agradecer em nome de todos os brasileiros de bem (mesmo sem ter a pretensão de representá-los) pelo muito que você fez pelo Brasil, por seu povo pobre e sofrido, mas também por sua estatura no mundo. Tenho a confiança de que, apesar do sofrimento impingido a você e à sua família, a justiça se fará em um dia não longínquo e que você voltará a nos inspirar com suas palavras e seus gestos, transmitidos de forma direta, no contato pessoal, que você sempre cultivou.
Com muita saudade, é o que desejo, de todo coração, nesses “dias de festa”, em que o povo brasileiro, especialmente a enorme parcela de necessitados, sofre por estar privado do seu convívio.
Forte e caloroso abraço, em meu nome e da Ana,
Celso
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Fonte: https://leonardoboff.wordpress.com/2018/12/27/carta-do-ex-chanceler-celso-amorim-a-lula-pelo-natal/

Leia também:
 https://lula.com.br/jesse-de-souza-a-farsa-de-moro-esta-cada-vez-mais-evidente-so-os-tolos-nao-percebem/
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Imagem reproduzida do post de origem.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. 
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HISTÓRIA DE NATAL DE ONTEM PARA O BRASIL HOJE

24 de dezembro de 2018


Neste Natal, publico uma mensagem diferente, como diferentes são os tempos que nos convidam a pensar em um amor ativo, delicado, cuidadoso, para além das nossas possibilidades. O importante é fazer chegar o nosso gesto fraterno a quem mais precisar de fraterna acolhida, de proteção, de justiça social, de inclusão e de respeito à nossa individualidade e às nossas diferenças. 

São as diferenças que favorecem o exercício de sermos mais amáveis, e  tornam o meu amor único, inigualável, indispensável. A carta, aqui publicada, faz parte do livro "Quando eu voltei foi uma surpresa", que alguns leitores devem conhecer. Mas, a sua releitura - nesses dias de celebrações - fará a diferença. Especialmente se pensamos quem foi e quem ainda representa - na história política e literária do Brasil - o escritor Joel Rufino dos Santos.

Boas e sinceras reflexões neste Natal!

O texto das imagens está digitado abaixo. 
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Fonte dos textos e imagens : reprodução.
Fonte da Biografia: http://joelrufinodossantos.com.br/paginas/biografia.asp

Alguns títulos do Autor:




 


 



BIOGRAFIA DE JOEL RUFINO DOS SANTOS

Filho de pernambucanos, Joel nasceu no dia 19 de julho de 1941 em Cascadura, subúrbio carioca. Desde criança se encantava com as histórias que a sua avó Maria lhe contava e as passagens da Bíblia que ouvia. Junto com os gibis, que lia escondido de sua mãe, esse foi o tripé da paixão literária do futuro fazedor de histórias. Seu pai também teve um papel nessa formação, presenteando-o com livros que Joel guardava em um caixote.
     Ainda jovem, mudou-se com a família para o bairro da Glória e pouco depois entrou para o curso de História da antiga Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, onde começou a sua carreira de professor, dando aula no cursinho pré-vestibular do grêmio da Faculdade.
     Convidado pelo historiador Nelson Werneck Sodré para ser seu assistente no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), lá conviveu com grandes pensadores, e foi um dos coautores da História Nova do Brasil, um marco da historiografia brasileira.
     Com o golpe de 1964, Joel, por sua militância política, precisou sair do Brasil, asilando-se na Bolívia, depois no Chile. Com o exílio, não só interrompeu a sua vida acadêmica, como também não participou do nascimento do seu primeiro filho, que se chama Nelson em homenagem ao mestre e amigo.
    Voltando ao Brasil, viveu semi-clandestino, e foi preso 3 vezes. Na última, cumpriu pena no Presídio do Hipódromo (1972-1974). As cartas, muitas, que escreveu para Nelson, foram, mais tarde, publicadas no livro “Quando eu voltei, tive uma surpresa”, que recebeu, da FNLIJ, o Prêmio Orígenes Lessa - O melhor do ano (2000) para jovens leitores.
     Com a aprovação da Lei da Anistia, foi re-integrado ao Ministério da Educação e convidado a dar aulas na graduação da Faculdade de Letras e posteriormente na pós-graduação da Escola de Comunicação, UFRJ. Obteve, da Universidade, os títulos de “Notório Saber e Alta Qualificação em História” e “Doutor em Comunicação e Cultura”.  Recebeu também, do Ministério da Cultura, a comenda da Ordem do Rio Branco, por seu trabalho pela cultura brasileira.
     Como escritor, Joel é plural. Escreveu inúmeros livros para crianças, jovens e adultos. Ficção e não ficção. Ensaios, artigos, participação em coletâneas. Recebeu, como autor de livros para crianças e jovens, vários prêmios, tendo sido duas vezes finalista do Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infanto-juvenil. Já como romancista recebeu, do Pen Clube do Brasil, em 2014, o Prêmio Literário Nacional na categoria "Narrativas".
     Joel é casado coma psicóloga Teresa Garbayo dos Santos, Nelson e Juliana são os seus filhos. Eduardo, Raphael, Isabel e Victoria, os netos queridos. Joel Rufino dos Santos faleceu em 4 de setembro de 2015, por complicações decorrentes de uma cirurgia cardíaca.
     Mas Joel continua vivo no coração e na memória de todos que com ele conviveram, ou o conheceram através da leitura de seus livros, e reconhecem o valor de uma vida marcada pela luta por justiça social, pelo fim dos preconceitos e pela defesa da cultura popular brasileira.
     Sua última função pública foi no Tribunal de Justiça, onde exerceu, de forma inovadora, a função de Diretor Geral de Comunicação, estabelecendo pontes entre o Tribunal e a sociedade civil.  Provocou debates, encenou o ‘Desenforcamento de Tiradentes’ e promoveu um ‘baile charme’ em que o povo pobre e negro foi convidado a comparecer não como réu, mas como criador de beleza, como pensador.  
Quer saber mais sobre o Joel? Ele também foi:
§  Coordenador, no ISER, do programa "Quanto vale uma criança negra"
§  Diretor do Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro.
§  Presidente da Fundação Cultural Palmares (MINC).
§  Membro do Conselho de Cultura da Secretaria estadual de Cultura –
§  Superintendente de Cultura da Secretaria estadual de Cultura
§  Subsecretário estadual de Defesa e Promoção das Populações Negras
§  Subsecretário da Secretaria estadual de Justiça e Direitos Humanos.
§  Diretor de Comunicação Social do Tribunal de Justiça e também do Tribunal   Regional do Trabalho
§  Representante do Brasil no Comitê Científico Internacional da UNESCO para o Programa "Rota dos Escravos"
§  Consultor brasileiro do Programa Escolas Associadas, da UNESCO.
§  Membro da Comissão de Comunicação Institucional do Tribunal de Justiça.
§  Membro do Conselho Estadual de Tombamento do Rio de Janeiro
§  Consultor Especial do Minc para o Programa Centenário da Abolição
§  Membro do Comitê Internacional da Diáspora Negra, Washington DC 









MÃE TERRA - COP24 - POLÔNIA 2018

18 de dezembro de 2018

COP24: o nosso planeta não é uma mercadoria
A conferência das Nações Unidas sobre o clima está a decorrer na Polónia. Neste artigo, Marisa Matias, Jens Holm, Soren Sondergaard, Xabier Benito e Younous Omarjee alertam que a arquitetura europeia permite que lobistas imponham as suas preferências antiambientais.
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Por: Esquerda.net 

 "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço." Esta expressão traduz na perfeição aquela que é a política climática dos líderes europeus. A 28 de novembro, dizia Miguel Arias Cañete, comissário Europeu para a Ação Climática, que "a União Europeia já iniciou a transformação para uma economia neutra do clima". No entanto, por detrás do verniz verde, a União Europeia continua a alimentar as causas das alterações climáticas a todo o gás. Além disso, em matéria de hipocrisia, o prémio vai seguramente para Emmanuel Macron, que, enquanto é coroado "campeão da Terra", viu as emissões de gás de efeito estufa atingirem novos máximos em França.

A conferência das Nações Unidas sobre o clima, que está a decorrer em Katowice, na Polónia, a COP24, é suposto vir a pôr fim à política de avestruz nas alterações climáticas. No final de 2015, na COP21, a maioria dos países do planeta comprometeu-se a tomar as medidas necessárias para prevenir a catástrofe. No entanto, o tempo está a passar e continuamos à espera de ações concretas. Tal como está, mesmo que os compromissos da COP21 fossem conseguidos, estaríamos face a um aquecimento global de 3,2 °C. O relatório especial do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) é inequívoco: devem ser feitos todos os esforços para limitar o aquecimento global a 1,5 °C e, para isso, o tempo é extremamente limitado. Na cimeira de Katowice, os Estados terão, portanto, a dura tarefa de rever em alta as suas contribuições para um esforço comum.

A Terra já aqueceu em 1,1 °C e as consequências já se fazem sentir. As perdas em termos de biodiversidade são enormes e os eventos climáticos extremos são cada vez mais comuns, como nos lembraram os incêndios trágicos que ocorreram recentemente na Califórnia e aqueles que têm vindo a assolar a Europa e em particular os países do sul. Os setores mais pobres da população são os mais afetados por esta degradação.
Este é apenas um vislumbre do que nos espera se nada for feito. Segundo o IPCC, uma diferença de apenas meio grau pode ter um impacto devastador nas nossas condições de vida. Entre 1,5 °C e 2 °C, duplica a perda de habitat natural para vertebrados. Entre 1,5 °C e 2 °C, os níveis do mar aumentarão uns 10 cm, o que se traduz em mais de dez milhões de pessoas debaixo de água.
No entanto, as soluções existem. Para as implementarmos precisamos de romper com o quadro dominante. Na sua correria louca, o sistema capitalista está a ultrapassar, todos os dias, os limites de exploração do ecossistema um pouco mais. Numa era excessivamente financeira, o produtivismo e a caça ao lucro têm prevalecido sobre todas as outras considerações.

O crescimento verde é uma quimera. No quadro da União Europeia, qualquer ambição de política ambiental entra em conflito com os tratados: o Tratado Orçamental impede os Estados de desenvolverem um grande plano de financiamento para a transição ecológica. A arquitetura europeia permite que lobistas imponham as suas preferências antiambientais, como o glifosato e os Monsanto Papers demonstraram. Tratados de livre comércio, como o CETA, desafiam a produção local sustentável.
Construir alternativas
No seu livro Tudo Pode Mudar, Naomi Klein refere que o aquecimento global pode ser uma oportunidade. Quando o sistema se atira contra a parede, é o momento de reinventar o seu funcionamento, de reinventar novas formas de produzir e de consumir. Neste momento, experimentos ecológicos emergem por toda a parte. No Estado espanhol, alguns ayuntamentos del cambio municipalizaram os serviços energéticos a fim de garantir o fornecimento de energia às casas mais modestas e produzir eletricidade renovável. Ao mesmo tempo, ativistas de Ende Gelände descem às minas de carvão na Alemanha para bloquearem a extração do combustível mais nocivo para o clima.
A luta contra as alterações climáticas é global por natureza. Entre outras, as políticas "climaticidas" de Donald Trump não podem servir de falsos pretextos para não redobrarmos os nossos esforços. Além disso, não podemos esquecer-nos da responsabilidade histórica da Europa pela emissão de gases de efeito estufa. A Europa deve garantir os mecanismos que permitam aos países do sul desenvolverem-se de maneira justa e sustentável.

Na sua estratégia a longo termo para a redução da emissão de gases de efeito estufa, a Comissão Europeia pretende alcançar a neutralidade climática até 2050. Este objetivo não só não é suficiente - devíamos aspirar a emissões zero até 2040 - como é inatingível se mantivermos os métodos e ferramentas atuais. No início de novembro, com o apoio dos principais grupos parlamentares europeus, incluindo o grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, a UE adotou os seus objetivos em matéria de energias renováveis e eficácia energética para 2030, de 32% e 32,5%, respetivamente. Com metas tão baixas, é por demais evidente que os seus objetivos a longo termo não passam de uma aspiração piedosa. Além disso, a Comissão propõe falsas soluções, que são tão perigosas quanto incertas, como a energia nuclear e a captura e armazenamento de carbono. A UE deve aumentar urgentemente as contribuições nacionais para um Fundo Climático Verde, na preparação da COP.
A possibilidade de compra de créditos de emissão de carbono - apadrinhada pela UE - e o apoio à indústria do gás fóssil, quando devíamos estar a libertar-nos dos combustíveis fósseis, são um claro exemplo da incoerência das políticas europeias nesta matéria. É o planeta entregue ao mercado e ao lucro. Mas o ambiente não é uma mercadoria, é a nossa vida.
A União Europeia deve quebrar com a "regra dourada" do Tratado Orçamental e, em vez disso, seguir uma "regra verde", em que não devem ser retirados da natureza mais recursos do que aqueles que podem ser restabelecidos. Não há planeta B. A água e a energia devem ser reconhecidas como bens comuns, as áreas naturais como as florestas que armazenam carbono naturalmente devem ser protegidas e uma agricultura ecológica e campesina deve ser promovida.
Apenas estas alterações profundas permitirão pôr fim à catástrofe global que se iniciou, ao mesmo tempo que se criam empregos sustentáveis, de qualidade, que fomentam a transição tecnológica, a mitigação e adaptação às alterações climáticas, respondendo assim à emergência social nos nossos países.

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* Artigo assinado por Marisa Matias, eurodeputada, Bloco de Esquerda, Portugal; Jens Holm, deputado, Partido de Esquerda da Suécia; Søren Søndergaard, deputado, Aliança Vermelha e Verde, Dinamarca; Xabier Benito, eurodeputado, Podemos, Estado espanhol; Younous Omarjee, eurodeputado, França Insubmissa.
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*Publicado originalmente em esquerda.net - 15/12/2018

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Mae-Terra/COP24-o-nosso-planeta-nao-e-uma-mercadoria/3/42791

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Créditos Imagens:

1. Foto de abertura: Ahmad Massod/Reuters
2. Mãe Terra - www.canstockphoto.com.br
3. Naomi Klein - www.theguardian.com


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NATAL EM TEMPOS DE HERODES

15 de dezembro de 2018




A  celebração  do aniversário do Menino de Belém, e do Novo Ano que se aproxima, nos convida a refletir  sobre uma realidade  semelhante aos tempos de Herodes, que - por razões de avidez, desatino e poder - promoveu a caça e a morte de todos os recém-nascidos. 

Voltamos a publicar um artigo do teólogo e escritor Leonardo Boff - publicado neste espaço em 2016. O autor nos mostra qual a aproximação das políticas de então - nos tempos do Brasil de 2016 - e do momento atual, neste dezembro de 2018 pós-eleições.  Segue o texto.

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O Natal é celebrado, geralmente, como a festa da confraternização das famílias. Para os cristãos é a celebração da divina criança que veio para assumir nossa humanidade e fazê-la melhor.

No contexto atual, porém, em seu lugar assomou a figura do terrível Herodes, o Grande (73a.C - 4-a.C) ligado à matança de inocentes. Zeloso por seu poder, um dia ouviu que nascera em seu reino, a Judéia, um menino-rei. 

Foi quando Herodes ordenou a degolação de todos os meninos abaixo de dois anos (Mt 2,16). Ouviu-se, então, uma das palavras mais dolentes de toda Bíblia: ”Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos e não quer ser consolada, porque eles já não existem” (Mt 2,18).

Essa história do assassinato de inocentes continua de outra forma. As políticas ultracapitalistas que nos têm sido impostas, tirando direitos, diminuindo salários, cortando benefícios sociais básicos de saúde, educação, segurança, aposentadorias e possibilidades de desenvolvimento - têm como consequência uma perversa e lenta matança de inocentes da grande maioria pobre de nosso país.
Aos legisladores não são desconhecidas as consequências letais derivadas da decisão de considerar mais importante o mercado que as pessoas.
Dentro de poucos anos, teremos uma classe de super-ricos. Neste ano (2016),  são 71.440 segundo IPEA, portanto, 0,05% da população, uma classe media amedrontada pelo risco de perder seu status, e milhões de pobres e párias que da pobreza passaram para a miséria.
A miséria significa fome das crianças que morrem por subnutrição e doenças absolutamente evitáveis, idosos que já não conseguem seus remédios e o acesso à saúde pública, condenados a morrer antes do tempo. Essa matança possui responsáveis. Boa parte dos legisladores atuais da chamada “PEC da morte” não podem se eximir da pecha de serem os atuais Herodes do povo brasileiro.
As elites do dinheiro e do privilégio conseguiram voltar. Apoiados por parlamentares corruptos, de costas ao povo e moucos ao clamor das ruas, e por uma coligação de forças que envolve juízes justiceiros, o Ministério Público, a Polícia Militar e parte do Judiciário e da mídia corporativa, reacionária e golpista - não sem o respaldo da potência imperial interessada em nossas riquezas - forjaram a demissão da Presidenta Rousseff. O real motor do golpe é o capital financeiro, os bancos e os rentistas (não afetados pelas políticas dos ajustes fiscais).
Com razão denuncia o cientista politico Jessé Souza: “O Brasil é palco de uma disputa entre dois projetos: o sonho de um país grande e pujante para a maioria; e a realidade de uma elite da rapina que quer drenar o trabalho de todos e saquear as riquezas do país para o bolso de meia dúzia. A elite do dinheiro manda pelo simples fato de poder “comprar” todas as outras elites” (FSP 16/4/2016).
A tristeza é constatar que todo esse processo de espoliação é consequência da velha política de conciliação dos donos do dinheiro entre si e com os governos, que vem desde o tempo da Colônia e da Independência. Lula-Dilma não conseguiram ou não souberam superar a arte finória desta minoria dominante que, a pretexto da governabilidade, busca a conciliação entre si e com os governantes, concedendo alguns benefícios ao povo, a preço de manter intocada a natureza de seu processo de acumulação de riqueza em altíssimos níveis.

O historiador José Honório Rodrigues - que estudou a fundo a conciliação de classe sempre de costas ao povo – afirma, com razão: ”a liderança nacional, em suas sucessivas gerações, foi sempre antirreformista, elitista e personalista… A arte de furtar é nobre e antiga, praticada por essas minorias e não pelo povo. O povo não rouba, é roubado… O povo é cordial, a oligarquia é cruel e sem piedade…; o grande sucesso da história do Brasil é o seu povo, e grande decepção é a sua liderança”(Conciliação e Reforma no Brasil, 1965, pp. 114;119).

Estamos vivendo a repetição desta maléfica tradição, da qual jamais nos liberaremos sem o fortalecimento de um anti-poder, vindo do andar de baixo, capaz de derrubar esta clique perversa, e instaurar outro tipo de Estado com outro tipo de política republicana, onde o bem comum se sobrepõe ao bem particular e corporativo.

O Natal deste ano é um Natal sob o signo de Herodes. Não obstante, cremos que a divina criança é o Messias libertador, e a estrela é generosa para nos mostrar melhores caminhos.

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Leonardo Boff: Natal em tempos de Herodeswww.leonardoboff.com – 20.12.2016


Crédito das Imagens:

1. Maternidade - Iconografia de Keitw Mallet - Postada na linha de tempo de       Paulo Suess - dezembro, 2015
2. Detalhe Matança dos Inocentes - In: www.fazendoartedmc.blogspot.com.br/2014  
3. Brincando de roda - www.mapadebrincar.com.br
4. Menino de Rua - www.diariodonordeste.verdesmares.com.br
5. Adoração dos Pastores - Guido Reni: The Adoration of the Shepheurds
    in: www.pintings.art.pichare.com

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LULA E O MOVIMENTO PROGRESSISTA NO MUNDO

13 de dezembro de 2018


'Lula está na consciência da América Latina e da Europa', diz líder do 'Podemos'. 


Juan Carlos Monedero, cofundador do partido de esquerda espanhol "Podemos", visitou Lula em Curitiba. Segundo ele, ninguém que defende o estado de direito na Europa respeita o juiz Sérgio Moro
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Por: Redação RBA


  "Necessitamos, os setores progressistas da Europa e América Latina, nos unir", defendeu Monedero Foto de Ricardo Stuckert.  


São Paulo – Fundador do partido espanhol “Podemos”, o cientista político Juan Carlos Monedero visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde da quinta-feira (22/11/2018), em Curitiba.

“Da Espanha, do Podemos, queria dizer-lhe (a Lula) que esse cárcere é o que teria prendido (Nelson) Mandela ou (Antonio) Gramsci. Concordamos com esses grandes homens, mas não concordamos com os carcereiros. Portanto, vamos recordar constantemente o que significam", disse.
O ex-candidato petista à presidência da República, Fernando Haddad, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também falaram à imprensa na capital paranaense.
Segundo Monedero, “Lula está na consciência da América Latina e dos democratas da Europa. Compartilhei com ele a alegria que vimos na Argentina, no encontro do Clacso, onde vi 40 mil pessoas chorando e gritando 'Lula Livre'. A democracia no Brasil se chama Lula".
Foi uma referência ao 1º Fórum Mundial do Pensamento Crítico, promovido pelo Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), realizado recentemente em Buenos Aires.
Monedero criticou o presidente brasileiro, eleito em 28 de outubro, e seu futuro ministro da Justiça. “Ninguém que defende a democracia, na Europa, pensa que Bolsonaro é um democrata, pelo contrário. Ninguém que defende o estado de direito, na Europa, aponta o juiz Moro com respeito”. A percepção é clara de que o magistrado responsável pela Lava Jato foi “recompensado por haver encarcerado um homem justo e bom”.
O espanhol se declarou triste ao chegar à Polícia Federal em Curitiba, mas disse ter saído feliz do encontro, por ter visto “um presidente que não vai se deixar dobrar, e que, em sua expressão, me disse: ‘estou em um cárcere de merda, mas meus pensamentos não estão sujos, mas limpos”.
Na opinião de Monedero, “Lula sabe que na América Latina os melhores, que lutam pela democracia, são encarcerados”. Eles conversaram sobre a necessidade de os movimentos e partidos progressistas do mundo estarem unidos na luta contra o crescimento da direita. Monedero afirmou que transmitirá ao líder do Podemos, Pablo Iglesias, o recado de Lula sobre o assunto.
“Necessitamos, os setores progressistas da Europa e América Latina, nos unir. Há uma mensagem (de Lula) por unidade, de que temos que dar-nos conta de que a direita está caminhando por lugares contrários à democracia, e não podemos estar desunidos, mas perto uns dos outros.” Segundo Monedero, o compromisso e os laços entre o Podemos e Lula estão mais fortes.
Haddad lembrou que, na semana que vem, vai aos Estados Unidos para participar de reunião de fundação da “Internacional Progressista”, liderada pelo senador norte-americano Bernie Sanders, do Partido Democrata.
A preocupação, disse Fernando Haddad, é “frear o obscurantismo no mundo, que prejudica direitos conquistados por muitas jornadas de luta por direitos políticos, civis e sociais, sobretudo depois da segunda guerra mundial”.
Haddad lembrou também que, no Brasil, junto com o PT, está propondo duas frentes de atuação parlamentar em defesa dos direitos civis e sociais. Ele negou que, no movimento de oposição ao governo de Jair Bolsonaro, o PT pretende ter a hegemonia de eventuais frentes que venham a ser construídas. “O PT não tem hegemonia, tem a importância que tem e vai agir de acordo com essa importância. Não nos consideramos melhores do que ninguém, sabemos do nosso tamanho e importância e respeitamos as outras agremiações que respeitam direitos sociais e civis.”
No mundo
No âmbito internacional, Haddad salientou que, sobretudo na Europa, Monedero pode ajudar a articular partidos, organizações e movimentos populares que estejam de acordo com as premissas de defesa de direitos e da democracia, e contra o crescimento do obscurantismo. Segundo ele, Lula está bem. “Mas ninguém passa incólume por 230 dias (na prisão). É penoso para qualquer pessoa, para ele também”, ressalvou Haddad.
Gleisi Hoffmann destacou que Haddad terá importância fundamental para “levar a voz de mais de 47 milhões de brasileiros” que votaram no petista no segundo turno. A expectativa da senadora é de que esse número “só vai aumentar”.
“A decepção com o governo Bolsonaro vai acontecer. Temos que fazer essa resistência, interna e externamente”, afirmou. Segundo ela, Haddad inicia na semana que vem “uma grande caminhada no exterior”, para conversar com lideranças da política internacional e “dizer ao mundo o que está acontecendo no Brasil”.
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Fonte do texto:


*Publicado originalmente na Rede Brasil Atual, em  23/11/2018

Créditos imagens:

1. Carlos Monedero - foto divulgação
2. Carlos Monedero no Brasil - Ricardo Stuckert
3. Lula e Haddad - foto divulgação


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