Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

A VELHICE E OS SONHOS

29 de janeiro de 2017

Recebi um vídeo no qual algumas mulheres idosas e charmosas falam do que fariam se hoje voltassem à juventude... Coisas bonitas, elas dizem, e sonham, deixando a entender que viveriam diversamente, hoje, o que viveram então. 

Fiquei a pensar o que eu diria, se alguém me perguntasse a mesma coisa. E me dei conta de que eu voltaria aos tempos da minha adolescência inteira  e a toda a juventude que já deixei para trás na contagem dos anos  revivendo dia por dia o que fiz então. Há muitos momentos que ainda recordo vivamente, sejam aqueles mais alegres ou tristes, e os trago no coração como um dom precioso da vida. 

Por que estou tão certa disso? Tenho 79 anos, a completar este ano. Minha vida não foi perfeita, nem os eventos  em suas diferentes fases  foram assim tão profundos, nem sempre alegres, nem brilhantes como talvez tivera a possibilidade de vivê-los. O que sei é que foram momentos de ensaio e muitos aprendizados, de inúmeras tentativas sinceras de ajustar o viver ao sonho!

Na minha infância foram tantas as alegrias que ainda as encontro na memória radiosa de um tempo fugaz. As brincadeiras de roda eram os momentos mais esperados, meninas e meninos a jogar amarelinha, pula- pula, bola de gude, as maravilhosas emoções das corridas de saco, do esconde-esconde, dos saltos no pula-corda... 

Até mesmo as raras chineladas de minha mãe me vêm à lembrança feito momentos de intrepidez, eu a esticar os braços (aos sete... oito anos?) e lhe mostrar as mãos tesas para receber o castigo. Ester, a mãe, era uma mulher suave e cuidadosa, mas firme, a governar aquela casa sertaneja, comprida e espaçosa... Até que fomos tomando o rumo do internato, porque no Sertão não havia como fazer o curso médio. 

Eram tempo em que para estudar, e preparar-se à universidade, nem todos podiam fazê-lo. Como se está voltando a vivenciar hoje, nesse Brasil em retrocesso, se as coisas continuarem como as decide um governo ilegal e um legislativo temerário e entreguista. 

Aos quinze anos, a descoberta das atividades da Ação Católica, um movimento de origem francesa com grande aceitação no Brasil na década dos anos cinquenta, até a chegada da ditadura militar. Foi o encontro com esse movimento que me levou a ir estudar no Recife, e me ajuntar a outros adolescentes e jovens, no empenho pela fraternidade universal. 

Mais tarde fiz a difícil escolha entre um amor adolescente  que maturava num real desejo de formar uma nova família  e uma vocação brotada da espiritualidade de Chiara Lubich (*), que me fez encontrar uma família maior, no intento de trabalhar pela união das pessoas e dos povos.  Foi nessa ocasião que comecei a caminhar para a maturidade e consegui uma bolsa de estudos para fazer a faculdade em Roma, na Itália.  

Quantas vezes titubeei, outras tantas me equivoquei. Os erros? Um passo para aprender melhor, fazer uma nova escolha, tomar decisões inovadoras de vida. 

Hoje, ainda percebo quanto há o que aprender, principalmente dos mais jovens, das filhas que tanto amo, dos amigos indispensáveis. 

Assim, os sonhos  que não escasseiam – continuam a insistir em busca de de uma vida mais serena, mais simplificada, mais sóbria, no exercício do diálogo e do trabalho pelo bem comum.  

Percebo que a vida não deixa de me pedir novos passos, pois da sua Fonte recebi uma medida plena e transbordante.

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 (*)  Cf. www.movimentodosfocolares.org


Créditos Imagens

1. Relembrando a juventude - imagem deste blog
2. Brincadeiras da infância - www.rioeduca.net
3. O internato - www.istoe.com.br/10308_aulas+de+Intolerância+e+covardia
4. Arborismo aos 70 anos - Campos de Jordão-SP - arquivo privado.


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BRASIL - O "ACIDENTE" DE TEORI ZAVASCKI

21 de janeiro de 2017

Transcrevo abaixo um elucidativo artigo de Antonio Martins, do portal "Outras  Palavras"  - antes pedindo desculpas aos leitores pelo "silêncio" involuntário neste espaço. Segue o artigo:
Não é preciso transformar o ministro Teori Zavascki, morto num acidente suspeitíssimo, em herói. Encarregado do processo da Lava Jato no STF, ele foi, como quase todos os seus colegas, incapaz de defender a Constituição e a imparcialidade da justiça. Mas é facílimo identificar os que se beneficiam com seu desaparecimento. Em primeiro lugar o presidente Temer; seu “governo de réus” (para usar a feliz expressão de Paulo Sérgio Pinheiro); as cúpulas do PSDB e PMDB; e centenas de deputados e senadores destes e outros partidos governistas. Todo este grupo estaria ameaçado e desmoralizado já a partir de fevereiro, quando Teori homologaria as delações premiadas dos executivos da Odebrecht, expondo a corrupção e hipocrisia dos que derrubaram o governo eleito e tomaram o poder em maio.
O “acidente” favorece, em segundo lugar, o prolongamento do golpe de Estado e a adoção de sua agenda de retrocessos selvagens. A quebra do sigilo sobre as delações (outra decisão que Teori mostrava-se disposto a tomar) demonstraria que o recebimento de propina e o favorecimento ao poder econômico são práticas corriqueiras e quase universais no mundo da política institucional. Esta revelação destrói o núcleo central da narrativa dos golpistas – a ideia de que o impeachment foi adotado para afastar um grupo corrupto e sanear a vida nacional. De quebra, frustrar ou adiar a publicação oficial das delações permite a um Congresso onde há centenas de prováveis corruptos tocar impunemente a agenda de horrores em curso. Nela se incluem, entre tantos outros pontos, o desmonte da Previdência Social Pública, a anulação na prática da maior parte da legislação que protege o trabalho, o bloqueio da demarcação de terras indígenas e o prosseguimento da entrega do pré-sal.
A análise inicial do regimento do STF sugere que todos processos sobre a Lava Jato, até agora centralizados em Teori Zavascki, serão entregues ao novo ministro do Supremo – a ser proposto pelo presidente da República e confirmado pelo Senado. Nas condições atuais, trata-se de uma afronta à ética. As poucas delações vazadas até agora indicam que Michel Temer foi apontado como receptor de propina ou praticante de favorecimento ilícito 43 vezes pelos executivos da Odebrecht. Em que julgamento legítimo pode o réu escolher o juiz que decidirá sua pena – ou sua absolvição? A necessária confirmação da escolha pelo Senado torna o escárnio ainda mais completo. Porque serão padrinhos do novo ministro, além de Temer, dezenas de senadores igualmente citados como corruptos.
Ninguém duvide: tanto Michel Temer quanto os senadores executarão, se lhes for permitido, o roteiro bizarro exposto acima. Eles tomaram o poder sem pudor, conscientes de sua hipocrisia, nas sessões grotescas da Câmara e do Senado em 19 de março e 31 de agosto. Eles, sem vergonha, obrigam o país a engolir uma agenda impopular e nunca submetida a consulta alguma. Se foram capazes de tanto, o que não farão para salvar a própria pele e para preservar o sistema espúrio que lhes dá cada vez mais riqueza e poder?
Na vida e na política, as omissões são muitas vezes mais trágicas que os erros. As manifestações contra o golpe, que mobilizaram multidões e cresceram até abril, arrefeceram em seguida. Um pensamento acomodado tem soprado a alguns setores, mesmo entre a esquerda, que os males do presente poderão ser reparados em 2018, quando um novo presidente for eleito. Outros, que se julgam mais radicais, deixaram as ruas porque, enojados com razão de toda a política institucional, avançaram um limite. Amorteceram-se e se tornaram incapazes de lutar contra a brutalidade específica de um golpe capaz de instalar o Estado de Exceção em sua versão mais crua.
A morte de Teori Zavascki abre espaço para uma recuperação. Ninguém será capaz de convencer a sociedade de que foi de fato um acidente (é sugestivo que a velha mídia, discreta sobre a vida íntima de quase todos os poderosos, alardeie agora, como cortina de fumaça, a possível presença de uma amante no voo fatal). Os que queremos uma reforma política profunda devemos assumir nossa responsabilidade.
É preciso impedir que a casta política se safe e que o golpe se amplie. Há instrumentos para bloquear esta fuga. O futuro ministro do STF que assumirá o processo precisa ser questionado. Deve se comprometer, como indicava claramente Teori, a aceitar os acordos de delação premiada da Odebrecht. Poderá alegar que precisa de tempo para analisar milhares de horas de gravação, dezenas de milhares de páginas de processo. Mas isso não poderá servir de pretexto para manter o processo engavetado. O sigilo precisa ser rompido. Estamos na era do digital. Nada mais tacanho que impedir os brasileiros de conhecer as práticas políticas dos que querem governar.
A luta contra a corrupção – muitos têm dito – não pode ser uma bandeira dos conservadores. A oportunidade para frear esta captura está dada agora. Não se trata, como alguns chegaram a propor, de aderir às manifestações reacionárias. Trata-se de propor agenda às maiorias que percebem, tanto quanto nós, o esvaziamento da política. Trata-se de construir, com o impulso do fato inesperado, uma narrativa mais rica sobre o sequestro da democracia pelo poder econômico. Trata-se de tomar a frente, de propor saídas concretas diante de um acontecimento que comove o país. Estamos dispostos?
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      Arquivo queimado. E agora?   Publicado em 20/01/2017

Crédito de Imagens:

1. Foto de Teori Zavascki  - a imagem faz parte do artigo acima, sem indicação de autoria. 
2. Conluio ao pé do ouvido - foto de: www.gilbertolima.com.br
3. Túnel - foto sem indicação de autoria.
4. Michel Temer - www.pragmatismopolitico.com.br
5. Manifestação em São Paulo - Carta Capital, 2/11/2016

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2017 - RECOMEÇAR

7 de janeiro de 2017

Voltamos à cotidiana tarefa de empreender um novo ano, que já começou a contar o seu tempo regressivo...

A humanidade continua o seu passo organizada numa pirâmide social de profundas diferenças: entre crentes de uma mesma religião; associados de um mesmo movimento; integrantes de um mesmo projeto social e povos de diversas e ricas culturas... 

No mundo inteiro os grandes traficam e se engalfinham a lutar pela hegemonia global na política e no mercado, no poder das armas e da religião. 

Os pequenos e as vítimas das vulnerabilidades sociais de cada país, continuam em busca da água e do pão, enquanto crescem os conflitos ameaçadores entre povos e até entre cidadãos de um mesmo país. 



Essas disparidades e ambivalências, – que poderiam promover um diálogo de trocas e de ganhos recíprocos – estão a evidenciar o que veem e como se contemplam as grandes potências em seus próprios espelhos.

Mas, é sempre possível comemorar as esperanças dos que aceitam o exercício do diálogo e da cooperação – em seus grupos e projetos, e entre movimentos e instituições, em busca de mobilizar talentos, de criar redes e trocar experiências, disseminando novas atitudes de gratuidade. 

Resta a nós que vivenciamos, acompanhamos e apoiamos tais iniciativas - incentivar, com maior frequência, a comunhão dos passos que também nós fazemos para empreender o nosso próprio desenvolvimento.

Quero pois desejar, a cada um dos caros amigos e amigas leitores deste espaço, inspirando-me em versos que acaso li e que não lembro onde:  
   
um suave janeiro, 
      um alegre fevereiro, 
             um feliz março, 
                     um florido abril, 
                        um sorridente maio, 
                               um animado junho, 
                                              um cálido julho
                                                    um tranquilo agosto, 
                                                               um doce setembro, 
                                                                    um pacífico outubro, 
                                                                        um exitoso novembro 
                                                                          e um solidário dezembro... 





 













Que o esforço conjunto 
do nosso trabalho
contribua concretamente
para que os pobres 
organizados em rede
de pequenas iniciativas  encontrem oportunidades 
de assumir, juntos,
os seus projetos, 
e continuem a sonhar 
aprender a empreender os seus sonhos!


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Créditos das Imagens:

1. Caminhantes... -  Arquivo deste blog.
2. Jovem penteando-se ao espelho - Tela de Iman Maleki - pintor iraquiano.
3. Marco Zero - Obra de Cícero Dias - Recife (Brasil). 

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2017 - RICOMINCIARE

Ormai si ritorna al compito quotidiano d´imprendere un nuovo anno, che già inizia a contare il suo tempo regressivo…

L´umanità continua il suo passo, ordinata in una piramide sociale di profonde differenze, tra credenti di una stessa religione; tra associati di uno stesso movimento; tra integranti di uno stesso progetto sociale; ma anche tra popoli di differenti culture.

Tra i paesi del mondo intero i grandi trafficano e s´ingombrano a lottare per la egemonia globale, nella politica e nel mercato, nel controllo delle armi e delle religioni.


Invece, i piccoli e poveri continuano in ricerca della acqua e del pane, e sono crescenti i conflitti minacciosi tra i popoli ed anche tra cittadini di uno stesso paese.

Queste grandi differenze – che potrebbero promuovere un dialogo di scambi e di guadagni reciproci – in verità evidenziano l´immagine egoista ed ingrandita allo specchio di ogni potenza.

Ci sono anche, per fortuna, quelli che exercitano il dialogo e la cooperazione – tra gruppi, movimenti, progetti o istituzioni – mobilizzando talenti, creando reti d´iniziative simile, scambiando esperienze e muovendosi con dei gesti di gratuità.

In questo periodo è stato divulgato un video che registra piccoli e grande gesti di Papa Francesco: il testimone di quanto un uomo può fare, quando assume con sapienza, coraggio e congruenza il compito che gli è dato oggi, nel mondo.

Dalla parte nostra, vogliamo desiderare ai cari amici lettori di questo spazio, i nostri voti rinnovati di... 
          
uno felice gennaio, 
          un allegro febbraio, 
                     un soave marzo, 
                               uno dolce apprile, 
                                       un sorridente maggio, 
                                                 un tranquillo giugno, 
                                                            un accogliente luglio
                                                                      un caloroso agosto, 
                                                                      un insolarato settembre, 
                                                                          un pacifico ottobre, 
                                                                          un buono novembre 
                                                                               un solidario dicembre...



Che lo sforzo congiunto del nostro lavoro contribuisca, concretamente, perchè quelli che tra noi soffrono momenti di vulnerabilità sociale riescano ad organizzarsi... 

E possano formare anche loro una rete d´iniziative, in modo da realizzare, assieme, i suoi propri progetti.



Così, imparando da loro, si possa avere, anche noi, la forza e la gioia di ricominciare, ancora una volta!


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* Vi prego di scusare gli sbagli di una brasiliana che ama questa lingua ed il suo paese.

Crediti Immagine

1. Il traffico dei potenti del mondo - Immagine dello Spazio Poese
2. Bambino Pescatore - Pittura di Roberto Ploeg, o.s.t. 00x120cm, 2006.
3. Rifugiatti - imagem_epa

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