Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

NUNCA DESISTA!

28 de novembro de 2015


    
Hoje é sábado... Fui tomar o café da manhã numa livraria-café próxima ao grande Parque da Jaqueira, um ambiente verde muito agradável, no coração do Recife. Entre o passeio no parque, o café da manhã e a livraria, passei a manhã inteira. Alegra-me caminhar, e gosto muito de passear em livrarias, dessas modernas que você pega o livro, senta lá dentro, e fica todo o tempo que quiser catando novidades e caçando ideias interessantes...


Na livraria escolhi uns cartões para enviar mensagens de Ano Novo aos amigos, pois ainda saboreio escrevê-las à mão, para que cheguem de  surpresa, num dia qualquer, pelas mãos do carteiro. Cartões e envelopes coloridos sem nenhuma frase impressa, a mensagem de acordo com a saudade, a emoção e o bem-querer. 

Olhando aqui e ali, encontrei uma publicação com dizeres e imagens, numa edição bem cuidada e com o título em fonte minúscula: "nunca desista". Um pequeno livro de citações, selecionadas por Lidia María Riba, tão bem escolhidas que não resisto recorrer a algumas delas para alegrar os que chegam a este Espaço.

"Os tempos atuais - escreve-se na segunda capa - mais do que nunca obrigam-nos a enfrentar desafios permanentes: a competitividade no trabalho, a necessidade de treinamento, a perigosa fascinação de paraísos artificiais. Todos nós participamos de uma corrida sempre ascendente. E, de repente, nossas forças falham. Renunciar, abandonar tudo e se conformar... A tentação nos seduz como um abismo. Nesse momento, uma voz nos diz: "nunca desista"... Aconteça o que acontecer, sem importar quantas vezes fracassemos, sempre existe uma nova oportunidade". (...) 

No livro, citações de poetas, filósofos, escritores e sábios de todos os tempos, falando de "Obstáculos", "Ação", "Paciência" e "Triunfo". Registro, a seguir, apenas um aperitivo do livreto. 


OS OBSTÁCULOS

"Mergulhe fundo nas coisas, suje as mãos, caia de joelhos e, então, procure alcançar as estrelas". - Joan L. Curcio.

"O suor, para regar a história e a dor: para lavrar a vida".- Antonio Gracia.

"Pode ser que você se decepcione se falhar, mas estará perdido se não tentar". - Beverly Sills

A AÇÃO


"Você é como o profundo 
desejo que lhe impulsiona.
Tal como é o seu desejo, é a sua vontade. 
Tal como é a sua vontade, são os seus atos.
Tal como são os seus atos, é o seu destino."      
- Brihadaranyaka Upanishad

"A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos". - Marcel Proust

"A vida deseja continuar caminhando, crescendo, amadurecendo... A vida nos pede que refaçamos sendas torcidas; que abramos sulcos às possibilidades estancadas; que curemos o que está ferido; que cuidemos do que está são"...
- Juan Aguirre

A PACIÊNCIA






"Nossa maior fraqueza reside em que temos a tendência a abandonar. A maneira mais segura de conquistar os objetivos é sempre: tentar uma vez mais." - Thomas A. Edison.


"Deixem-me que lhes conte o segredo que me ajudou a atingir os meus objetivos. Minha força reside apenas na minha tenacidade". - Louis Pasteur.

"A utopia está no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte se distancia dez passos mais além. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar". - Eduardo Galeano.

O TRIUNFO

"Já foram escritas todas as boas máximas. Só falta colocá-las em prática". - Blas Pascal.

"É preciso (...) dar um sentido a cada passo, 
glorificar a sigelez de cada coisa, anunciar cada dia com
um hino". - Hamlet Lima Quintana.

"Preferirei sempre aqueles que sonham... embora se enganem; aqueles que esperam... embora, às vezes, suas esperanças fracassem; aqueles que apostam na utopia... embora, em seguida, fiquem no meio do caminho. Aposto nos que confiam que o mundo pode e deve mudar... naqueles que acreditam que a felicidade virá."(...) - José Luis Martín Descalzo.

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Citações do livro Nunca desista - V&R Editoras. Seleção de Frases de Lidia María Riba /Tradução de Leila Wistak. www.livropresente.com.br

Crédito das imagens

1 - Tinha uma pedra no meio do caminho - ilustração. 
      www.canstockphoto.com.br
2 - Mulher escrevendo - pintura de Iman Malek, pintor realista indiano.
     in: imanmalek/galeria
3 - Foto de famílias sírias em retirada - de Fábio Erdos
     in: www.cartacapital.com.br/internacional
4 - Caminho de pedras - www.canstockphoto.com.br
5 - Igarapé e canoafoto divulgação de detalhe de uma das antigas pinturas          ilustrativas que se encontram no Teatro Amazonas, em Manaus (BR).
6 - Borboleta no azul infinito - ilustração. www.canstockphoto.com.br

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ENTRE NO CLIMA - COP-21 - PARIS

24 de novembro de 2015


De acordo com a imprensa, 138 chefes de Estado confirmaram presença para a  Conferência sobre Mudança Climática, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) - a ser realizada em Paris, no período de 30 de novembro até 11 de dezembro de 2015.  

Reproduzimos aqui, trechos de uma importante análise de advertência a todos os habitantes da Mãe Terra: 

Esta próxima Conferência (COP 21), que se dará em Paris, ainda conseguirá evitar o caos no planeta? 

O texto é de Michael T. Klare | Traduzido por: Inês Castilho

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Convido o leitor a ler com interesse a informação que segue. A situação é, sem dúvida, de muita gravidade, e já está a nos atingir no Brasil, um povo que ainda observa graves situações de conflitos com seus povos indígenas, e que está igualmente envolvido nas questões do clima (na seca, nas enchentes, na escassez de água cada vez mais grave e, também, nos criminosos descuidos poluidores de rios e mares.

A Inês Cartilho, tradutora do excelente texto aqui publicado, peço licença para tentar torná-lo mais compreensível, já que muitos não estamos habituados às questões específicas das Conferências sobre o Clima. 
                                                                        
(Os grifos no texto são nossos).
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No final de novembro, delegações e líderes de cerca 200 países  irão se reunir em Paris, para o que se espera ser o mais importante encontro sobre clima, como nunca antes realizado.

Oficialmente conhecida como a 21a Conferência das Partes (COP-21) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, esse evento terá o seu foco na adoção de medidas capazes de limitar o aquecimento global a níveis abaixo dos catastróficos. 

Se a adoção de tais medidas falharem, é provável que nas próximas décadas as temperaturas mundiais excedam 2ºC, montante máximo que, de acordo com  a maioria dos cientistas, a Terra pode suportar sem experimentar choques climáticos irreversíveis – entre eles, a disparada das temperaturas e o aumento substancial do nível dos oceanos.

O fracasso em deter as emissões de carbono levaria a outro provável resultado, até hoje menos debatido: trata-se da produção, a longo prazo, não apenas de impactos no clima, mas de instabilidade social, insurreição e guerra no mundo todo.

É neste sentido que a COP-21 pode ser considerada não apenas uma cúpula dos povos sobre o clima mas, uma conferência de paztalvez a convocação pela paz mais significativa da História.

Para entender a importância desse evento, convém considerar as últimas descobertas científicas sobre os prováveis impactos do aquecimento global, em especial o relatório de 2014 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Logo que foi publicado, o relatório atraiu a cobertura da mídia do mundo todo, ao prever que as mudanças climáticas descontroladas resultarão em graves secas, tempestades intensas, ondas opressivas de calor, quebras de safra recorrentes, e inundações das regiões costeiras, acarretando mortes e privações generalizadas. Recentemente se pode observar a seca que castiga a Califórnia (e também o Brasil), e as ondas de calor dramáticas na Europa e na Ásia, que têm concentrado atenção precisamente por seus impactos.

O relatório do IPCC ainda sugere que o aquecimento global terá impactos devastadores – de natureza social e política – incluindo declínio econômico, colapso de Estados, conflitos civis, migrações em massa e, mais cedo ou mais tarde, guerras por recursos. (...)

Aquecimento, escassez de recursos, guerras civis

(...) Sabe-se que os recursos necessários à vida são distribuídos de modo desigual pelo planeta. Não é raro que o abismo entre os que têm acesso a esses recursos e os que estão privados deles provoque divisões de longo prazo em torno de questões raciais, étnicas, religiosas e linguísticas. Entre israelenses e palestinos, por exemplo, há um abismo nas condições de acesso à terra e à água. O estresse das mudanças climáticas, em tais situações, poderá exasperar o aguçamento das tensões já existentes.

(...) Sob a pressão de temperaturas crescentes e secas cada vez mais intensas, a margem sul do deserto do Saara – cujas pastagens hoje sustentam pastores nômades – está se transformando num território vazio, o que força as populações locais a abandonar suas terras ancestrais. Muitos territórios na África, na Ásia e no Oriente Médio terão destino semelhante. Rios que antes corriam o ano todo fluirão apenas esporadicamente ou secarão de todo, deixando às populações um destino áspero e doloroso.

Como aponta o relatório do IPCC, as instituições estatais – que em geral são mais frágeis – sofrerão enorme pressão para ajustar-se às mudanças climáticas e socorrer populações necessitadas de alimento, de moradia e de outras carências emergenciais. Diz o relatório: O aumento da insegurança humana pode coincidir com o declínio da capacidade dos Estados de promover adaptações, o que criará circunstâncias que promoverão um maior potencial de conflitos violentos.”

Um bom exemplo desse risco é a explosão da guerra civil na Síria e o consequente colapso do país, submerso num turbilhão de guerras que produzem uma onda de refugiados nunca visto, desde a Segunda Guerra Mundial. Entre 2006 e 2010, a Síria viveu uma seca devastadora cujo principal fator, acredita-se, eram as mudanças climáticas. Quase 60% das terras do país foram transformadas em deserto. As colheitas foram perdidas, e a maior parte do gado morreu, projetando milhões de fazendeiros na penúria. Desesperados e incapazes de continuar vivendo em sua própria terra, eles se mudaram para as maiores cidades da Síria, em busca de trabalho, quase sempre a enfrentar adversidades extremas e hostilidade das elites urbanas. Se o presidente Bashar al-Assad tivesse respondido com um programa emergencial de emprego e moradia para os deslocados, talvez o conflito pudesse ter sido evitado. Ao invés disso, ele cortou subsídios para alimentos e combustível, o que agravou a miséria dos migrantes e acendeu a revolta. Na visão de vários acadêmicos destacados, “as periferias da Síria, em rápido crescimento, então marcadas por ocupações ilegais, superpopulação, ausência de infraestrutura, desemprego e crime, foram esquecidas pelo governo de Assad e tornaram-se o centro dos distúrbios.

Uma cena similar aconteceu na região do Sahel, na África, na franja sul do Saara, onde secas severas coincidiram com o declínio do habitat e a negligência dos governos locais, que provocou violência armada. A região enfrentou muitos desses períodos no passado, mas agora, com as mudanças climáticas, o intervalo entre as secas é menor – “de dez anos para apenas cinco“, como observa Robert Piper, coordenador humanitário regional das Nações Unidas para o Sahel. “Isso está submetendo a enorme estresse um ambiente já muito frágil, tornando a população altamente vulnerável.”

No Mali, uma das várias nações da região, os nômades Tuaregues têm sido afetados de modo particularmente duro, já que as pastagens de que dependem, para alimentar o seu gado, estão se transformando em deserto.

Os Tuaregues são uma população muçulmana de idioma berbere, que há muito enfrenta muitas hostilidades do governo central de Bamako – antes controlado pelos franceses e agora por africanos negros de fé cristã ou animista. Com seus costumes tradicionais em perigo, e pouca assistência da capital, os Tuaregues revoltaram-se (em janeiro de 2012), tomando metade do Mali, até serem empurrados de volta ao Saara pelos franceses e outras forças estrangeiras (com apoio logístico e de inteligência dos EUA).

Os que ocorreu na Síria e no Mali são antevisões do que é provável acontecer, ainda neste século, em escala muito maior. À medida que as mudanças climáticas se intensificam – provocando não apenas desertificação, mas a elevação do nível dos mares em áreas costeiras, e ondas de calor cada vez mais devastadoras em regiões já quentes – cada vez mais partes do planeta se tornarão menos habitáveis, levando milhões de pessoas à condição de fugas desesperadas.


Os governos mais fortes e ricos, especialmente nas regiões mais temperadas, estariam mais preparados para lidar com tais situações de estresse. Mas é provável que cresça dramaticamente o número de Estados falidos, o que levaria à violência e à guerra aberta pelo que restar de comida, de terra agricultável e de abrigos. O que nos leva a imaginar partes significativas do planeta nas condições em que se encontram hoje a Líbia, a Síria e o Iêmen. (...)

Os possíveis confrontos interestatais pela água

A maioria desses conflitos observados são de caráter interno e civil: seita contra seita, clã contra clã, tribo contra tribo. Contudo, num planeta em mudança climática, não se excluem situações de guerra entre nações, quando os recursos vitais entre eles estiverem mais reduzidos – e, de modo especial, o acesso à água. O aquecimento global chegará a reduzir o abastecimento hídrico em muitas regiões tropicais e subtropicais, comprometendo a agricultura, a saúde, o funcionamento das grandes cidades e, consequentemente, da sociedade.

O risco de “guerras pela água” surgirá sempre que dois ou mais países dependerem da mesma fonte chave de abastecimento. A constante diminuição das águas pode sugerir a oportunidade de um ou mais povos procurarem se apropriar de uma parte desproporcional do suprimento para si, em detrimento de outros,  como poderia acontecer com as populações à margem dos rios Nilo, Jordão, Eufrates, Indus, Mekong e de outros sistemas fluviais fronteiriços. 

(...) Tentativas anteriores – como, por exemplo, de países que construíram barragens ou desviaram o fluxo de água de tais sistemas, – já provocaram escaramuças e ameaças de guerra, como quando a Turquia e a Síria ergueram barragens no rio Eufrates, restringindo o fluxo rio abaixo, que deveria prover outras populações.

Um sistema fluvial que causa uma particular preocupação é o do Rio Brahmaputra, que tem origem na China (conhecido como Yarlung Tsangpo) e passa pela Índia e Bangladesh, antes de desaguar no Oceano Índico. A China já ergueu uma barragem na região e planeja fazer mais, o que produziu considerável mal-estar na Índia, onde as águas do Brahmaputra são vitais para a agricultura. Mas, o que provocou o maior alarme foi o conhecimento de um projeto chinês de canalizar água do Brahmaputra para áreas com escassez hídrica, no nordeste do país.

Os chineses insistem que esse seu projeto não é iminente, mas a intensificação do aquecimento e a seca crescente poderiam induzir a sua realização num futuro breve, pondo em risco o suprimento de água da Índia e, possivelmente, provocando conflitos. “A construção de barragens na China e a proposta de desvio das águas do Brahmaputra devem repercutir não apenas no fluxo das águas, na agricultura, na ecologia, na subsistência daqueles povos e na jusante do rio”, escreve Sudha Ramachandran no The Diplomat: “isto poderia tornar-se também uma nova questão contenciosa, minando as relações sino-indianas.”

Ao se considerar um futuro de estresse maior de povos em busca de água, espera-se que  nem sempre serão pvocoadas situações de um combate armado. É possível que os Estados envolvidos descubram como partilhar os limitados recursos hídricos restantes e, juntos, tentem resolver as situações em benefício de todos. Contudo, a tentação de empregar a força tende a crescer, à medida que o abastecimento for se reduzindo, fazendo com que se amplie a necessidade de medidas desesperadas.

Baixar a temperatura enquanto é tempo


Há, sem dúvida, muita coisa que poderia ser feita para reduzir o risco de conflitos por água — como, por exemplo, a adoção de esquemas cooperativos de gestão hídrica, a introdução do uso de irrigação por gotejamento e outros processos mais eficientes.

Mas, é importante que se comece a entender que a melhor maneira de evitar futuros conflitos relacionados ao clima, é reduzir o ritmo do aquecimento global. Cada  fração   de   grau  de   aquecimento a menos, alcançado nesta próxima Conferência de Paris, poderá significar, no futuro, uma menor possibilidade de prováveis conflitos.

Essa é a razão por que a próxima COP 21 é vista como uma espécie de conferência de paz preventiva. (...) Se os delegados desse evento forem bem sucedidos em criar um caminho que limite o aquecimento global a pelo menos 2ºC, o risco de violência no futuro seria reduzido. 

(...) Para se chegar a tal resultado, os delegados terão que lidar também com os conflitos em curso – entre eles os da Síria, do Iraque, do Iêmen e da Ucrânia –, em busca de  promover a cooperação de todos os interessados, para a concepção de medidas climáticas comuns e obrigatórias entre eles. Neste sentido, a cúpula de Paris poderá ser, também, uma conferência de paz. 

Pela primeira vez, as nações do mundo terão de dar um passo além das considerações dos interesses nacionais, para abraçar um objetivo maior: a segurança da ecosfera e de todos os seus habitantes, independentemente de identidade nacional, étnica, religiosa, racial ou linguística. Nunca foi tentado nada que se assemelhe a este momento, na área ambiental. Será, portanto, um exercício de pacificação do tipo mais essencial – antes que novas  guerras se alastrem entre povos tão sofridos.

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Michael T. Klare é professor de estudos sobre a paz e segurança mundial no College Hampshire e correspondente de defesa no The Nation.
  In:http://fmclimaticas.org.br/?p=2184

Crédito Imagens:

1. Mudanças Climáticas - www.canstockphoto.com.br

2. 21ª COP - mapa mundial - www.canstockphoto.com.br
3. Cuidados com a Mãe Terra - www.canstockphoto.com.br
4. Guerra na Síria - www.ultimosegundo.ig.com.br
5. Região Sahel - www.observer.val.pt
6. Cúpula do Clima - divulgação de anos passados
7. Região de grandes rios e a disputa pela água - www.trebriefing.info
8. Tuaregues nômades no Sul da Argélia - www.wikipedia.org 
9. Rio Brahmaputra - www.cinobrio.over.blog.es
10. A seca no Nordeste brasileiro - www.jconline.interatividade.NE10.uol.com.br
11. Manifestações pelo clima - foto divulgação
12. Pintura - Seca no sertão - www.tmpinturas,blogspot.com/imagens

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A COR DA CONSCIÊNCIA

20 de novembro de 2015



No mês de novembro é comemorado, em todo o Brasil, o Mês da Consciência Negra.

Dia 20 de novembro é celebrado o aniversário de morte do líder negro Zumbi dos Palmares, uma data que está sendo incorporada ao calendário oficial do país.



Houve época em que se aprendia que ser negro era sinônimo de escravidão, de inferioridade e de marginalidade. Mais tarde, pela presença criadora, produtiva, artística, religiosa e literária dos afrodescendentes, eles terminaram por afirmar a incontestável herança sociocultural e a contribuição histórica que aportaram ao Brasil, pois é no Brasil que se encontra a maior presença de negras e negros fora do continente africano. 



A celebração da Consciência Negra é um convite, a todos os brasileiros, a refletirem sobre a trajetória de luta e resistência da comunidade negra no país. É também 'uma forma de contribuir com o combate ao racismo, assim como resgatar a identidade racial, a auto estima e a cidadania do povo negro'. 

O Blog Espaço Poese participa dessa celebração, com um texto de Hélio Menezes. (*)  

   A cor da consciência: 

 quem tem medo do 20 de novembro?



 Em  20  de  novembro de  1695,  após  anos  de resistência  contra  as  tentativas  sucessivas de destruição  destruição  do  quilombo que então liderava, Zumbi  foi  capturado  e assassinado.  O governador da capitania de Pernambuco da época, Caetano  de Melo e Castro, diante da morte do último líder do Quilombo dos Palmares (o maior dos muitos  quilombos  que  se espalharam pelo Brasil desde o século XVI), escreveu a Pedro II, rei de Portugal: “Determinei que pusessem sua  cabeça  em  um  poste  no  lugar  mais  público  desta  praça,  para  satisfazer  os  ofendidos  e  justamente  queixosos  e  atemorizar  os  negros  que  supersticiosamente  julgavam  Zumbi  um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares.”
O recado estava dado: com efeito, a cabeça de Zumbi foi exposta em praça pública no Pátio do Carmo, em Recife, para servir de lição e “atemorizar” os demais negros que ousassem se rebelar contra a escravidão e as condições desumanas a que estavam submetidos. O objetivo dessa brutalidade (decapitação seguida de exposição pública) era, como disse o próprio governador em sua missiva, “satisfazer” aqueles que, “justamente”, se queixavam e ofendiam com a ideia de negros e negras se unindo para enfrentar e reverter uma sociedade escravocrata e racista.


Hoje, 320 anos depois da morte física de Zumbi, negras e negros reunidos para questionar as persistências do racismo e as consequências inacabadas da escravidão ainda, surpreendentemente, “ofendem” muita gente. A calorosa recepção (no pior sentido do termo) que as mulheres negras receberam de manifestantes pró-impeachment ao chegarem, em marcha, no Congresso Nacional anteontem, com direito a tiros e gás de pimenta, deixa dolorosamente clara a durabilidade histórica do medo que negros e negras causam ao se aquilombarem, se organizarem, enfim, ao existirem sem baixar a cabeça.

A carta do governador, encharcada de violência e ódio, ainda que escrita em fins do século XVII, parece infelizmente ainda hoje ecoar nos corações e mentes de muita gente, reformulada numa linguagem menos crua, mais “moderna”. Refiro-me às propostas que volta e meia surgem, especialmente durante o mês de novembro, de criação de um dia da “consciência branca”. Essa ideia, por sua própria natureza absurda e cínica (por que raios pessoas que auferem privilégios – materiais e simbólicos – por serem brancas precisariam de um dia especialmente dedicado a discutir e enfrentar as discriminações (sic) que sofrem (sic)?), tem caído em desuso nos últimos anos, dando entretanto lugar a outra, ainda mais perniciosa, de defesa de um dia da “consciência humana”.


O argumento é relativamente simples: ora, se somos todos humanos, dizem, então não faz sentido falar em consciência negra, e sim numa consciência humana. Alguns vão além, numa postura (dita) liberal que mal disfarça o próprio racismo: para eles, insistir na ideia de consciência negra acabaria por reforçar (quando não “inventar”) o racismo. De um dia de reflexão e celebração, o 20 de novembro vai, assim, sendo paulatinamente despolitizado e esvaziado em nome de um humanismo vazio e falso.


Falso porque a perversidade dessa proposta reside precisamente no caráter supostamente humanista e igualitário que a formulação “consciência humana” diz abarcar. Como se o fato de sermos, efetivamente, todos humanos apagasse, num passe de mágica, as brutais desigualdades racializadas de condição de vida e de acesso à cidadania entre nós, tornando alguns “mais humanos” do que outros.
Não é de hoje, entretanto, que o questionamento e desconstrução de certos “humanismos”, fundados numa noção genérica e abstrata de “ser humano”, está em curso. Os processos de descolonização da África e da Ásia ao longo do século XX, assim como os movimentos de maio de 1968 e a emergência de coletivos de feministas negras já apontavam inequivocamente que, por trás do “ser humano” geral, das ideias de que “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos” e de uma humanidade comumente partilhada, estava, em realidade, a humanidade particular do homem branco, heterossexual, cisgênero, de classes médias e altas, alçada então ao patamar de “universal”.


Essa operação que visa generalizar uma condição localizada (o que, em linguagem marxista, convencionou-se denominar “ideologia”), aliás, sequer é nova: desde a famosa frase do sofista Protágoras – “o homem é a medida de todas as coisas” –, cunhada no contexto da Grécia Antiga, numa sociedade que não considerava mulheres e escravizados como propriamente cidadãos, sabemos que não é exatamente qualquer ser humano que serve de régua para todas as coisas. Quando designamos pessoas que não são brancas como “pessoas de cor”, como se branco fosse uma cor neutra ou, melhor dizendo, uma não-cor, um parâmetro indefinido a partir do qual se pode definir todo o resto, não estamos exatamente colocando o branco como medida de todas as coisas, o branco, afinal, como medida do humano?


Mas voltemos ao 20 de novembro e à cor da consciência: não faz sentido falar em consciência branca porque, num país em que as relações sociais são regidas por uma lógica pigmentocrática, não foi nem é o branco quem teve e tem sua história apagada dos livros didáticos, quem teve e tem seus cabelos e outros traços fisionômicos ridicularizados. Tampouco faz sentido falar em consciência humana porque, num país em que poucos negros ocupam posições de poder, não obstante serem mais da metade da população, não é qualquer humano que é parado na rua para ser enquadrado por policiais, sem qualquer motivo aparente a não ser sua própria aparência; não é qualquer humano que é “confundida” como babá ao caminhar com seu próprio filho de tom de pele mais claro.
Enquanto os alvos preferenciais da violência policial, da intolerância religiosa e do acesso desigual a serviços públicos e privados tiverem cor, não faz sentido desqualificar o 20 de novembro em nome de uma consciência descolorida, pretensamente geral porque “branca” ou “humana” (os dois termos são, muitas das vezes, cinicamente intercambiáveis).


Não faz sentido porque, num país em que se diz, aos risos e sem cerimônias, que “branco correndo é atleta, negro correndo é ladrão”, que “uma reunião de brancos é negócio, uma reunião de negros é formação de quadrilha”, em que um líder negro resistindo e lutando contra a escravidão tem sua cabeça decepada para servir de contraexemplo a quem ouse tomá-lo como inspiração, a consciência tem que ter cor, sim.



E hoje, 20 anos depois da antológica primeira marcha comemorativa dos 300 anos da imortalidade de Zumbi, negras e negros vão às ruas para mostrar a cor de sua consciência. Para mostrar que, apesar de todo ‘não’, não nos atemorizamos. Para mostrar, enfim, ao governador da capitania de Pernambuco, séculos depois, que ele estava mesmo errado em sua carta dirigida ao rei, lá nos idos de 1695: que a resistência do povo negro, em prática mesmo antes de Zumbi, tampouco terminou com a sua morte. (*)
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* Hélio Menezes é formado em Relações Internacionais (IRI-USP) e Ciências Sociais (FFLCH-USP), mestrando em Antropologia Social (PPGAS-USP) e pesquisador do Núcleo de Estudos dos Marcadores Sociais da Diferença (NUMAS-USP) e do Etno-História (USP).
O presente texto foi publicado na revista digital "Carta Maior" - Direitos Humanos, em 20/11/2015.


Crédito imagens:

1. Consciência Negra - www.diariodaliberdade.org

2. Meus cabelos - www.arquivo.geledes.org.br
3. Negro, Sim! - divulgação do movimento negro.
4. Mulher de Moçambique - pintura de José Soares, pintor moçambicano.
5. Racismo Não - www.racismoambiental.nel.br
6. Margarida Alves - ativista assassinada no norte doBrasil - foto divugação.
7. Negro e branco - www.canstockphoto.com.br
8. Negra - Abelardo da Hora - foto de exposição no Recife - 2014
9. Movimento Negro nas ruas - foto de Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
    in: www.cartamaior.com.br.

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PAPA FRANCESCO - LAUDATUS Sì

19 de novembro de 2015

Costumo trazer, às páginas deste blog, preciosos textos retirados do blog do grande irmão, Leonardo Boff,[i] nas quais se encontra alimento à conversão,  habituados  que estamos   a  beber  da   sua sabedoria há várias décadas, não  só  no  Brasil, mas  em muitos países do mundo.

Hoje vou fazer diferente: irei entrechar e comungar com vocês minha reflexão sobre as questões tratadas pelo teólogo, no intuito de oferecer algumas sugestões concretas aos primeiros passos dessa conversão a que nos convida Papa Francisco, Na sua encíclica Laudatus sì, até que cheguemos a, efetivamente, aprender a “transformar em sofrimento pessoal o que acontece no mundo”.  

O papa Francisco – comenta Leonardo, no segundo parágrafo do seu texto – “analisa com espírito científico e crítico “o que está acontecendo com a nossa Casa”, e nos chama a abrir-nos “à admiração e ao encanto… e a falar a linguagem da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo”[ii] . Isto significa que – cita LBoff – “Não nos podemos restringir à ecologia ambiental, pois ela atende apenas à relação do ser humano com a natureza, esquecendo que ele é parte dela”. Essa relação unilateral, constitui o vício do antropocentrismo criticado em seu texto. [iii]  

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O que fazer então, no cotidiano?

1.    Tentar cercar-se de plantas bonitas, algumas até com flores, que em toda parte podem estar, mesmo nas pequenas janelas de apartamentos apertados. As plantas e flores chamam os pássaros... O canto dos pássaros nos lembra o nosso dever de cuidar da Mãe Terra, que tanto nos oferece.

2.   Cuidar do seu carro - se o tiver - e andar com ele como se fossem suas pernas... que lhe fazem chegar mais cedo onde você precisa. As pernas fazem parte do corpo e não se joga o corpo aos encontrões, nem com os gritos (das buzinas), empurrando os outros para que lhe abram o caminho... O respeito pelo outro também é válido quando se está no próprio carro.

3.   O chão do ônibus, do metrô, da rua ou de seu carro faz parte do leito dos rios que vão em busca de outros rios e mares... Assim, não jogue lixo no chão, assim, você ajuda a não descarregar nos leitos dos rios as latas, os vidros, os papeis e os plásticos... misturados como se fossem lixo orgânico. Faça a sua parte, participando da reciclagem desses materiais, separando-os ainda em sua casa e no escritório. Dá um pouco de trabalho, mas é assumindo esses bons hábitos que você participa da proteção ambiental. São gestos que se transmudam em riqueza para os catadores e as indústrias que trabalham com material reciclável. A Mãe Terra agradece!

4.  Ao separar o lixo de sua casa e do seu trabalho, você também contribui para o bem-estar dos outros, pois os materiais recicláveis são motivo de alegria, de trabalho e de recursos para muitas pessoas.   

5. Procurar se informar o que fazem os gestores de sua cidade com o lixo que a sociedade produz, e quem se interessa de recolher o lixo reciclável. No seu condomínio, em sua rua, em seu trabalho, você poderá fazer um movimento neste sentido, e logo terá outras pessoas para contribuir com o seu gesto cidadão.

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Ocorre – escreve LBoff – que o ser humano possui dimensões sociais, políticas, culturais e espirituais sobre as quais há parca preocupação e insuficiente reflexão, o que dificulta encontrar uma solução consistente à grave crise que assola a nossa Casa Comum. (...) Importa “deixar-nos tocar em profundidade e dar uma base de concretude ao percurso ético e espiritual daí derivado”. Mais ainda: “Devemos transformar em sofrimento pessoal aquilo que acontece ao mundo [iv].
Leonardo Boff continua: Isso vale também com referência às vitimas dos atos terroristas acontecidos recentemente, em Paris, sem esquecer as vítimas feitas pelos pesados bombardeios de forças militares ocidentais em países africanos (...)  e sobre um hospital de Médicos Sem Fronteiras, e uma escola cheia de crianças. A compaixão não pode ser seletiva. Ricos e pobres carregam a mesma dor que deve se transformar em nossa própria dor.
O Papa Francisco tem clara consciência de que, por detrás das estatísticas, há um mar de sofrimento humano e muitas feridas no corpo da Mãe Terra. Como somos parte da natureza e tudo está inter-relacionado (tema sempre recorrente na encíclica Laudato Sì)[v] nós nunca estamos fora da “trama das relações” que a todos envolve, e participamos das dores da crise ecológica [vi]. O papa chega a advertir que “já não se podem olhar com desprezo e ironia as previsões de catástrofes... Pois, o estilo de vida atual, por ser insustentável, só pode desembocar em catástrofes, como, aliás, estão acontecendo periodicamente em várias regiões”. [vii]
Mas, Papa Francisco não se deixa intimidar por esse cenário. Dá um voto de confiança no ser humano, em sua criatividade e em sua capacidade de regenerar-se, e de regenerar a Terra[viii] e, muito mais, confia no Deus que, segundo as palavras da tradição judeu-cristã, “é o soberano amante da vida” (Sab 11, 24 e 26) Ele não permitirá que nos afundemos totalmente, pois ainda faremos “uma conversão ecológica”, e introduziremos “a cultura do cuidado que permeará toda a sociedade” [ix].
Daí nascerá um novo estilo de vida (alternativa repetida 35 vezes na encíclica), fundado na cooperação, na solidariedade, na simplicidade voluntária e na sobriedade compartida - que implicará um novo modo de produzir e de consumir - e, por fim, nos dará “a consciência amorosa de não estarmos separados das outras criaturas, e que formamos com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal”. [x]
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Só a você cabe refletir e decidir: Qual será o seu novo "estilo de vida", no cuidado com a Mãe Terra, e diante de tanto sofrimento ao nosso redor, no nosso país e no mundo? Como se comprometer, partilhar, e se inserir, efetivamente, nos gestos de solidariedade que se expandem em toda parte?

A participação com recursos financeiros e outras doações significam apenas um primeiro passo. Tentar encontrar uma forma de se envolver pessoalmente, mais diretamente, nos projetos ligados às pequenas e grandes causas ou catástrofes, nos aproxima mais do gesto cristão inspirado na fraternidades e na compaixão. 
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O texto de Leonardo Boff conclui:
Como se depreende, aqui não fala mais somente a inteligência intelectual, técnico-científica, mas a inteligência emocional e cordial. O Papa Francisco, em suas palavras de afeto e de carinho para com todos - especialmente  para  com os pobres e os mais vulneráveis, - dá claro exemplo do exercício deste tipo de inteligência tão urgente e necessária, para superarmos a profunda crise que recobre todos os âmbitos da vida.
Em razão dessa inteligência emocional, ele nos pede que escutemos “tanto o grito da Terra, como o grito dos pobres”.[xi] E afirma que as agressões sistemáticas, feitas nos últimos dois séculos, “provocam os gemidos da irmã Terra que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo”. Por isso importa “cuidar da criação… e tratar com desvelo os outros seres vivos”, pois todos possuem um valor intrínseco, independente do uso humano e, a seu modo, até as ervas silvestres louvam o Criador. O papa chega a dizer que devemos “alimentar uma paixão pelo cuidado por tudo o que existe e vive”.[xii]
Francisco ainda enfatiza o fato de que “nós, com todos os seres do universo, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, uma comunhão sublime que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde”. [xiii]
E Leonardo enfatiza: Somente quem tem desenvolvido em alto grau a inteligência sensível ou cordial poderia escrever: ”Tudo está relacionado e todos nós, seres humanos, caminhamos juntos como irmãos e irmãs numa peregrinação maravilhosa, entrelaçados pelo amor que Deus tem a cada uma de suas criaturas, e que nos une também, com terna afeição, ao irmão Sol, à irmã Lua, ao irmão rio e à Mãe Terra”. [xiv]
Tais sentimentos e atitudes hoje constituem uma demanda geral, para afastar as tragédias ecológico-sociais que já se anunciam no horizonte de nosso tempo, e também a violência das guerras no Norte da África e a resposta tresloucada do terrorismo islâmico.




[i]  Reprodução de trechos tirados do site de Leonardo Boff - publicação de 16/11/2015.

Leonardo Boff é colunista do JB on line, eco-teólogo e escritor. Também é autor de dois livros sobre o cuidado da Mãe Terra: “Saber Cuidar”  e  “O Cuidado Necessário” – Editora Vozes. 

As referências que estavam integradas ao texto original foram transcritas abaixo - pensando em tornar mais leve a leitura. Todas são referências feitas, pelo autor, ao texto da encíclica "Laudato Sì".

[ii]    In: 17-61, e  11 da encíclica.
[iii]    Nn 115-121
[iv]    Nn 15 e 19.
[v]    Nn 70, 91,117, 120, 138,139, etc.
[vi]   N 240
[vii]  N 161
[viii]  N 205
[ix]   Nn 163, 217 e 231.
[x]    N 220
[xi]   N 49
[xii]  Nn 53,211,12,69 e 33.
[xiii]  N 89
[xiv]  N 92

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Créditos das imagens:

1 e 2 - Duas primeiras fotos - www.notícias.uol.com.br - Visita do Papa Francisco à América Latina - 2015.
3 - Papa Francisco em Jerusalém - foto divugação.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma dessas imagens e deseja que ela seja removida deste espaço, por favor entre em contato com:vrblog@hotmail.com







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