Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

PAPA FRANCESCO - LAUDATUS Sì

19 de novembro de 2015

Costumo trazer, às páginas deste blog, preciosos textos retirados do blog do grande irmão, Leonardo Boff,[i] nas quais se encontra alimento à conversão,  habituados  que estamos   a  beber  da   sua sabedoria há várias décadas, não  só  no  Brasil, mas  em muitos países do mundo.

Hoje vou fazer diferente: irei entrechar e comungar com vocês minha reflexão sobre as questões tratadas pelo teólogo, no intuito de oferecer algumas sugestões concretas aos primeiros passos dessa conversão a que nos convida Papa Francisco, Na sua encíclica Laudatus sì, até que cheguemos a, efetivamente, aprender a “transformar em sofrimento pessoal o que acontece no mundo”.  

O papa Francisco – comenta Leonardo, no segundo parágrafo do seu texto – “analisa com espírito científico e crítico “o que está acontecendo com a nossa Casa”, e nos chama a abrir-nos “à admiração e ao encanto… e a falar a linguagem da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo”[ii] . Isto significa que – cita LBoff – “Não nos podemos restringir à ecologia ambiental, pois ela atende apenas à relação do ser humano com a natureza, esquecendo que ele é parte dela”. Essa relação unilateral, constitui o vício do antropocentrismo criticado em seu texto. [iii]  

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O que fazer então, no cotidiano?

1.    Tentar cercar-se de plantas bonitas, algumas até com flores, que em toda parte podem estar, mesmo nas pequenas janelas de apartamentos apertados. As plantas e flores chamam os pássaros... O canto dos pássaros nos lembra o nosso dever de cuidar da Mãe Terra, que tanto nos oferece.

2.   Cuidar do seu carro - se o tiver - e andar com ele como se fossem suas pernas... que lhe fazem chegar mais cedo onde você precisa. As pernas fazem parte do corpo e não se joga o corpo aos encontrões, nem com os gritos (das buzinas), empurrando os outros para que lhe abram o caminho... O respeito pelo outro também é válido quando se está no próprio carro.

3.   O chão do ônibus, do metrô, da rua ou de seu carro faz parte do leito dos rios que vão em busca de outros rios e mares... Assim, não jogue lixo no chão, assim, você ajuda a não descarregar nos leitos dos rios as latas, os vidros, os papeis e os plásticos... misturados como se fossem lixo orgânico. Faça a sua parte, participando da reciclagem desses materiais, separando-os ainda em sua casa e no escritório. Dá um pouco de trabalho, mas é assumindo esses bons hábitos que você participa da proteção ambiental. São gestos que se transmudam em riqueza para os catadores e as indústrias que trabalham com material reciclável. A Mãe Terra agradece!

4.  Ao separar o lixo de sua casa e do seu trabalho, você também contribui para o bem-estar dos outros, pois os materiais recicláveis são motivo de alegria, de trabalho e de recursos para muitas pessoas.   

5. Procurar se informar o que fazem os gestores de sua cidade com o lixo que a sociedade produz, e quem se interessa de recolher o lixo reciclável. No seu condomínio, em sua rua, em seu trabalho, você poderá fazer um movimento neste sentido, e logo terá outras pessoas para contribuir com o seu gesto cidadão.

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Ocorre – escreve LBoff – que o ser humano possui dimensões sociais, políticas, culturais e espirituais sobre as quais há parca preocupação e insuficiente reflexão, o que dificulta encontrar uma solução consistente à grave crise que assola a nossa Casa Comum. (...) Importa “deixar-nos tocar em profundidade e dar uma base de concretude ao percurso ético e espiritual daí derivado”. Mais ainda: “Devemos transformar em sofrimento pessoal aquilo que acontece ao mundo [iv].
Leonardo Boff continua: Isso vale também com referência às vitimas dos atos terroristas acontecidos recentemente, em Paris, sem esquecer as vítimas feitas pelos pesados bombardeios de forças militares ocidentais em países africanos (...)  e sobre um hospital de Médicos Sem Fronteiras, e uma escola cheia de crianças. A compaixão não pode ser seletiva. Ricos e pobres carregam a mesma dor que deve se transformar em nossa própria dor.
O Papa Francisco tem clara consciência de que, por detrás das estatísticas, há um mar de sofrimento humano e muitas feridas no corpo da Mãe Terra. Como somos parte da natureza e tudo está inter-relacionado (tema sempre recorrente na encíclica Laudato Sì)[v] nós nunca estamos fora da “trama das relações” que a todos envolve, e participamos das dores da crise ecológica [vi]. O papa chega a advertir que “já não se podem olhar com desprezo e ironia as previsões de catástrofes... Pois, o estilo de vida atual, por ser insustentável, só pode desembocar em catástrofes, como, aliás, estão acontecendo periodicamente em várias regiões”. [vii]
Mas, Papa Francisco não se deixa intimidar por esse cenário. Dá um voto de confiança no ser humano, em sua criatividade e em sua capacidade de regenerar-se, e de regenerar a Terra[viii] e, muito mais, confia no Deus que, segundo as palavras da tradição judeu-cristã, “é o soberano amante da vida” (Sab 11, 24 e 26) Ele não permitirá que nos afundemos totalmente, pois ainda faremos “uma conversão ecológica”, e introduziremos “a cultura do cuidado que permeará toda a sociedade” [ix].
Daí nascerá um novo estilo de vida (alternativa repetida 35 vezes na encíclica), fundado na cooperação, na solidariedade, na simplicidade voluntária e na sobriedade compartida - que implicará um novo modo de produzir e de consumir - e, por fim, nos dará “a consciência amorosa de não estarmos separados das outras criaturas, e que formamos com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal”. [x]
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Só a você cabe refletir e decidir: Qual será o seu novo "estilo de vida", no cuidado com a Mãe Terra, e diante de tanto sofrimento ao nosso redor, no nosso país e no mundo? Como se comprometer, partilhar, e se inserir, efetivamente, nos gestos de solidariedade que se expandem em toda parte?

A participação com recursos financeiros e outras doações significam apenas um primeiro passo. Tentar encontrar uma forma de se envolver pessoalmente, mais diretamente, nos projetos ligados às pequenas e grandes causas ou catástrofes, nos aproxima mais do gesto cristão inspirado na fraternidades e na compaixão. 
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O texto de Leonardo Boff conclui:
Como se depreende, aqui não fala mais somente a inteligência intelectual, técnico-científica, mas a inteligência emocional e cordial. O Papa Francisco, em suas palavras de afeto e de carinho para com todos - especialmente  para  com os pobres e os mais vulneráveis, - dá claro exemplo do exercício deste tipo de inteligência tão urgente e necessária, para superarmos a profunda crise que recobre todos os âmbitos da vida.
Em razão dessa inteligência emocional, ele nos pede que escutemos “tanto o grito da Terra, como o grito dos pobres”.[xi] E afirma que as agressões sistemáticas, feitas nos últimos dois séculos, “provocam os gemidos da irmã Terra que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo”. Por isso importa “cuidar da criação… e tratar com desvelo os outros seres vivos”, pois todos possuem um valor intrínseco, independente do uso humano e, a seu modo, até as ervas silvestres louvam o Criador. O papa chega a dizer que devemos “alimentar uma paixão pelo cuidado por tudo o que existe e vive”.[xii]
Francisco ainda enfatiza o fato de que “nós, com todos os seres do universo, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, uma comunhão sublime que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde”. [xiii]
E Leonardo enfatiza: Somente quem tem desenvolvido em alto grau a inteligência sensível ou cordial poderia escrever: ”Tudo está relacionado e todos nós, seres humanos, caminhamos juntos como irmãos e irmãs numa peregrinação maravilhosa, entrelaçados pelo amor que Deus tem a cada uma de suas criaturas, e que nos une também, com terna afeição, ao irmão Sol, à irmã Lua, ao irmão rio e à Mãe Terra”. [xiv]
Tais sentimentos e atitudes hoje constituem uma demanda geral, para afastar as tragédias ecológico-sociais que já se anunciam no horizonte de nosso tempo, e também a violência das guerras no Norte da África e a resposta tresloucada do terrorismo islâmico.




[i]  Reprodução de trechos tirados do site de Leonardo Boff - publicação de 16/11/2015.

Leonardo Boff é colunista do JB on line, eco-teólogo e escritor. Também é autor de dois livros sobre o cuidado da Mãe Terra: “Saber Cuidar”  e  “O Cuidado Necessário” – Editora Vozes. 

As referências que estavam integradas ao texto original foram transcritas abaixo - pensando em tornar mais leve a leitura. Todas são referências feitas, pelo autor, ao texto da encíclica "Laudato Sì".

[ii]    In: 17-61, e  11 da encíclica.
[iii]    Nn 115-121
[iv]    Nn 15 e 19.
[v]    Nn 70, 91,117, 120, 138,139, etc.
[vi]   N 240
[vii]  N 161
[viii]  N 205
[ix]   Nn 163, 217 e 231.
[x]    N 220
[xi]   N 49
[xii]  Nn 53,211,12,69 e 33.
[xiii]  N 89
[xiv]  N 92

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Créditos das imagens:

1 e 2 - Duas primeiras fotos - www.notícias.uol.com.br - Visita do Papa Francisco à América Latina - 2015.
3 - Papa Francisco em Jerusalém - foto divugação.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma dessas imagens e deseja que ela seja removida deste espaço, por favor entre em contato com:vrblog@hotmail.com







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