Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

O CRISTÃO HIPÓCRITA

3 de novembro de 2014


“Contra esta hipocrisia o Papa Francisco nos deixa acautelados", diz o jornalista italiano Marco Dotti  em artigo publicado in Vita it. em 31 de outubro passado, do qual copiamos e traduzimos os trechos mais incisivos[i]

O legalismo está entre as formas mais torpes da hipocrisia. Simula virtude e justiça na forma vazia da lei. O legalismo é letra sem espírito que não discerne, mas esconde no silêncio toda possibilidade de cura e de amor. O mesmo silêncio dos fariseus de que fala o Evangelho de Lucas 14,1-16. Contra essa hipocrisia o Papa Francisco nos convida à vigilância.


Existe o caminho da lei e existe aquele da justiça. Não são iguais. O amor pela lei não é verdadeiro amor, mas é alguma coisa que se assemelha à idolatria. E talvez o seja. Antepõe a lei ao amor. Antepõe a lei ao homem. Antepõe a lei a Deus. E o silêncio hipócrita dos fariseus diante de um doente que com digna humildade pede cura é o mais eloquente dos sinais. É "hipocrisia", etimologicamente“simulação de uma virtude”.




Em 31 de outubro de 2014, na homilia da missa em Santa Marta, comentando o Evangelho do dia Papa Francisco expressou o seu desapontamento por aqueles “cristãos hipócritas" que escolhem o caminho do legalismo e se servem disso para fechar aquelas portas que só a justiça – que tem uma alma, não unicamente uma forma – pode reabrir.


(...) Jesus pede aos fariseus se seria lícito ou não curar no sábado, mas eles não respondem. Jesus não se desorienta diante do silencia deles, toma a mão do doente e o cura. Os fariseus, colocados diante da verdade da doença e da cura silenciavam ‘mas depois comentavam por trás... e procuravam um modo de fazê-lo cair na cilada’. Jesus corrige essa gente que ‘era muito apegada à lei, que tinha esquecido a justiça’ e negava até mesmo a ajuda aos pais anciãos com a desculpa de ter dado tudo em dom ao Templo. Mas, “o que é mais importante?” – pergunta o papa – o quarto mandamento ou o Templo?”.



Papa Francisco prossegue: “Este caminho de viver preso à lei os distanciava do amor e da justiça. Cuidavam da lei, transcuravam a justiça. Eram modelos: eram os modelos. E Jesus só encontra uma palavra para essa gente: hipócritas. Se por um lado eles vão a todo o mundo à procura de prosélitos, o que fazem depois?  Fecham a porta. Homens fechados, homens muito atentos à lei, à letra da lei, não à lei, porque a lei é o amor; mas ficam ligados à letra da lei que sempre fecha as portas da esperança, do amor, da salvação... Homens que sabiam apenas fechar”.

“O caminho para sermos fieis à lei sem transcurar a justiça, sem transcurar o amor”  – prosseguiu o Papa, citando a Carta de São Paulo aos Filipenses – “é o caminho inverso: do amor à integridade; do amor ao discernimento; do amor à lei”:

“Este é o caminho que nos ensina Jesus, totalmente oposto aquele dos doutores da lei. E este caminho do amor à justiça leva a Deus. Diversamente, o outro caminho de apegar-se somente à lei, à letra da lei, leva ao fechamento, leva ao egoísmo. O caminho que vai do amor ao conhecimento e ao discernimento, à plena realização leva à santidade, à salvação, ao encontro com Jesus.  Ao contrário, o fechamento leva ao egoísmo, à soberba de se sentir justo, aquela santidade entre aspas, das aparências, não é? Jesus diz àquela gente: ‘Mas, a vocês agrada que os outros os vejam como homens de oração, de jejum’... exibir-se, não é?  E por isso Jesus diz: ‘Fazei aquilo que eles dizem, mas não aquilo que fazem’.”

E o Papa observa: “Essas são as duas estradas e há pequenos gestos de Jesus que nos fazem entender este caminho do amor ao pleno conhecimento e ao pleno discernimento”. Jesus nos toma pela mão e nos cura:


“Jesus se aproxima: a aproximação é, na verdade, a prova de que nós caminhamos no caminho certo. Porque é este o caminho que Deus escolheu para nos salvar: a aproximação, a vizinhança. Aproximou-se de nós, fez-se homem. A carne: a carne de Deus é o sinal; a carne de Deus é o sinal da verdadeira justiça. Deus se fez homem como um de nós, e nós devemos nos fazer como os outros, como os necessitados, como aqueles que têm necessidade da nossa ajuda”.

“A carne de Jesus – afirma o Papa – “é a ponte que nos aproxima de Deus.  Não é a letra da lei: não!  Na carne de Cristo a lei encontra o seu pleno sentido; ... é uma carne que sabe sofrer, que deu a sua vida por nós.”

“Que estes exemplos, este exemplo da aproximação de Jesus, do amor à plenitude da lei – concluiu o Papa Francisco – ajudem-nos a jamais escorregar na hipocrisia: jamais. É muito feio um cristão hipócrita. Muito feio. Que o Senhor nos salve disto!”. 



Créditos das Imagens:

1 - "A estudante" (1915) - Anita Mafalti - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand- 

 - Reprodução fotográfica di Romulo Fialdine. 
2 -  O fariseu - www.imagensbíblicas.com.br
3 -  Cadeado - arquivo fotográfico do blog.
4 - Imagem fotográfica africana representativa do movimento UBUNTU.


Nota:  As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma dessas imagens e deseja que ela seja removida deste espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com


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