Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

AMOR NA VELHICE

20 de abril de 2015

Pensei inicialmente de escrever aqui sobre o amor na maturidade, mas logo percebi que a maturidade não tem idade, é um tempo de madureza e de plenitude que expressa um estágio adulto de experiência, receptividade e saber. Vamos conversar então sobre o amor na velhice, quase sempre a encimar experiências de amores havidos desde a adolescência. 

O amor na velhice é um daqueles temas que, aparentemente, tem a aceitação de grande parte das pessoas que prezam a liberdade e o direito que cada um tem, ao longo da vida, de viver suas emoções de amar e ser amado. É um tema semelhante àquele da homossexualidade, do lesbianismo e da diversidade racial e social. 

A maioria consegue acompanhar com interesse, curiosidade e emoção roteiros de novelas e filmes focalizados nessas temáticas. Mas, se alguém da família ou de seu conhecimento próximo for "atingido" por situações semelhantes, torna-se bem mais difícil lidar com o fato. Quase sempre por medo ou vergonha da proximidade com tais aspectos da realidade da vida que demandam abertura de visão e respeito efetivo à diversidade.   

Tais pessoas não têm ideia de quanto vão se empobrecendo com o seu isolamento carregado de preconceitos, que as leva a abdicar da contemplação de cada pessoa em sua singularidade, feito um dom diverso de si em seu significado profundo de troca e de aprendizado. Elas insistem em pensar as relações como fossem um trem numa linha reta sem curvas nem troca de vagões, pois se apegam ao que lhes parece a "normalidade", a linha reta da vida, a única trilha a ser explorada. 

É o que pode acontecer com a sensação do amor na velhice. Há quem desista de interessar-se por uma relação amorosa quando ultrapassa os cinquenta sessenta anos, as mulheres especialmente, como se fosse possível descartar um sentimento que se instala e vige em qualquer idade, em todas as texturas e cores de pele e classes sociais, gente mais ou menos escolarizada, profissionais liberais e trabalhadores de toda ordem. 

O afeto conhece o endereço do coração e do bem-estar da pessoa amada. E não faz diferença entre moços e velhos, pois nos dois casos basta-lhes a capacidade do bem-querer, do altruísmo e da escuta.

Recordo uns rabiscos escritos quiçá quando nem por que - versos que hoje me acodem para falar do que agora quero dizer:




         Uma sensação doída de perda
         Ou de espanto?

         Sinto saudades do desconhecido
         Ardor do ainda não experimentado
         Lembrança do passado - incerteza
         Do amor que ainda não foi dado
         Anseio de ternura e de beleza.

         Uma sensação doída 
         do parto para a vida!

  


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Créditos das Imagens:

Chiquinha Gonzaga - almanaque.folha.uol.com.br/chiquinha.htm
Outras imagens - www.canstockphoto.com.br


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