Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

MULHERES - TRATOS MEMORIAIS

26 de agosto de 2016


MARA, SEU NOME DE LUTA


Chegava sem avisar...
Trazia duas malas cheias e um grande sorriso aberto.

Que alegria revê-la! As crianças exultavam. Jamais lhe perguntei porque nunca nos avisava. Entendia a escolha de vida que havia feito, nas circunstâncias que vivíamos.

Saía pouco da minha casa.
Sentada no chão do quarto, conversava baixinho com pessoas jovens que chegavam para vê-la. Não as conhecíamos... Mas, imaginávamos o "porquê" das conversas reservadas.

Um único rosto reconheci depois na TV. Era o líder do MST - Movimento dos Sem Teto - José Rainha, agora um senhor barbudo, mas sempre um lutador.

Aqueles eram os tempos duros da brutal ditadura militar.


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CONVERSA DE AMIGAS 


Era um encontro casual de amigas que se conheciam desde os 15 anos.... Agora todas haviam passado dos 70. Conversavam  animadamente sobre o nascimento dos filhos...

E ela lhe contou que a chegada da sua primeira filha fora um momento exultante, de grandes alegrias!

E que a segunda lhe encontrou madura e calma, a celebrar sua chegada com o pai que tanto a amou.

Nem que a terceira fora um nascimento conquistado
com garra, tenacidade e coragem, porque havia risco de não vingar... Mas vingou. É a mãe do seu primeiro neto.

Hoje, as três filhas praticam a parceria do afeto. E a acompanham nos cuidados de uma saudável velhice.

A escuta da amiga, naquele encontro, foi uma contemplação de alegrias semelhantes às suas, um silêncio de gratidão à vida e de plenitude! 
A amizade promove momentos de estar com Deus e agradecer. 
Um outro jeito de rezar...


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A VONTADE DE APRENDER


Falou-me da precisão que tinha de ficar.
Sequer sabia pôr a mesa. Nem forrar a cama usando dois lençóis.

De cozinhar, só o feijão com farofa, e o cuscuz...
Seus pertences vinham numa sacola de mão.
Mas, ela estava decidida. Viera para ficar.
Precisava ganhar para cuidar da mãe e de uma filha que tivera aos quinze anos...

Na vida, sempre me senti convidada a acolher
quem queria aprender. E ela foi além. 
Incentivei-a a entrar numa escola pública.
Conquistou o título do magistério.
Aprendeu a gostar de ler, a se cuidar e a conhecer seu direitos e deveres.


Hoje, sou eu quem não pode viver sem ela...


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Crédito das Imagens:  www.canstockphoto.com.br



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