Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

EU SÓ QUERIA NASCER DE NOVO

22 de agosto de 2014




“Eu só queria nascer de novo,
pra me ensinar a viver!” [i]


Esse desejo da pequena Herzer – menina de rua e poeta – também pode ecoar em nossa vida, na ânsia de consertar uma atitude tomada na adolescência, na juventude ou mesmo na idade adulta: nascer de novo, recomeçar!

Se hoje eu pudesse encontrar essa garota – eu que há mais de sete décadas vejo o nascer e o pôr do sol – diria a ela que seguisse em frente, na sabedoria dos seus poucos anos, tendo o cuidado de ser fiel  ao seu desejo tão intenso: nascer de novo, recomeçar!   



Sim, é possível nascer de novo, quando alguém se propõe a aprender, com sinceridade – e, possivelmente, em comunhão com outros – a recomeçar a cada momento, dia após dia. Esta é uma sabedoria secular, de imensa simplicidade e, ao mesmo tempo, carregada de sentido para o nosso viver.  



Recomeçar a cada momento não significa ficar preocupado com o que vai acontecer a cada instante; basta cuidar de manter o coração atento e não se deixar corroer pelas lembranças do passado, nem se exasperar com o que virá a acontecer mais tarde: a cada dia o seu fardo, diz a sabedoria do Evangelho. 






Nascer de novo é consignar a nossa história pessoal à profundeza de Deus – Alá ou Javé, o Pai/Mãe, a Energia Vital, o Ser, o Pastor, o Indizível, o Desconhecido, o Deus Amor.  Entregar a Ele a nossa história pessoal – a do passado, a de hoje e a de amanhã (se amanhã houver). Este é o gesto fundamentador dos crentes de toda a história da humanidade: confiar-se aos cuidados de Deus, realizando no dia a dia aquilo que a vida nos exige e também nos enleva.

Na profundidade do seu verso, a menina poeta me estimula a viver este momento em que me empenho em comunicar o que há de melhor em mim. E você, por sua vez, neste momento em que se dispõe a ler esses rabiscos, talvez em busca de alguma carícia para o seu coração ou quiçá, de algo que possa alumiar um pouco mais o seu cotidiano viver.  

É desse modo que comungamos o dom um ao outro, no desejo de estender esse vento suave de vida que a experiência e a poesia carregam em si. 



E por falar em poesia e vida, encontrei uma feliz confirmação desse meu pensar nas palavras de um grande líder americano, Martin Luther King. Eu gostaria de dedicar esses seus versos à menina Herser:

Nós não somos o que gostaríamos de ser
Nós não somos o que ainda iremos ser
Mas, graças a Deus, não somos mais quem nós éramos.







[i] Herzer, menina de rua e  poeta, citada por Leonardo Boff.

Fonte das imagens: 

1. Meninas brincando - Desenho de Abelardo da Hora - Recife (Brasil)
2. Cantores - Brennand - Foto divulgação de obra exposta na entrada da sua oficina Brennand, em Recife (Brasil)
3. Papa Francisco com os chefes dos Estados da Autoridade Palestina e de Israel - divulgação na internet.
4. Figura egípcia exposta no Museu Louvre - foto do acervo do museu, na internet.
5. Martin Luther King - Wikpedia.


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre  em contato com vrblog@hotmail.com 

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