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CUIDAR DOS NOSSOS SONHOS, ATOS E ATITUDES - LEONARDO BOFF

11 de abril de 2020





Reproduzimos o segundo trecho do texto do escritor e teólogo Leonardo Boff - cuja primeira parte foi publicada na 5ª feira, 8/04/2020. Desta vez a reflexão é sobre:

COMO CUIDAR DOS NOSSOS SONHOS, 
DOS NOSSOS ATOS E ATITUDES

Por: Leonardo Boff



"O cuidado implica cultivar e zelar pelos nossos sonhos.




O valor de uma vida se mede pela grandeza de seus sonhos e pelo empenho de realizá-los, contra ventos e tempestades. E nada resiste à esperança incansável. A vida é sempre generosa. Aos que insistem e persistem, ela acabará por dar-lhe a chance necessária para concretizar seu sonho maior. Então irrompe o sentimento de realização que é mais que a felicidade, momentânea e fugaz.

A realização é fruto de uma vida, de uma perseverança, de uma luta nunca abandonada de quem viveu a sabedoria pregada por Dom Quixote: No hay que aceptar las derrotas sin antes dar todas las batallas.”- “Não se deve aceitar as derrotas sem antes realizar todas as batalhas”. O que resulta deste cuidado para com a auto realização, é uma existência de equilíbrio que gera serenidade no ambiente, e o sentimento, nos outros, de se sentirem bem em nossa companhia. A vida irradia, pois nisso está o seu sentido: não simplesmente se vive porque não se morre, mas se vive para irradiar e desfrutar da alegria de existir.

Cuidado como precaução sobre nossos atos e atitudes

O cuidado como preocupação de nós mesmos, nos abre para a precaução especialmente nestes tempos de coronavírus. Precaver-nos de não nos expor ao risco de pegar o vírus avassalador, nem ser transmissor dele aos outros. Aqui o cuidado é tudo, particularmente face aos mais vulneráveis que são as pessoas com mais de 65 anos, nossos avós e parentes idosos.
Alarguemos a perspectiva. Numa perspectiva ecológica, há atitudes e atos de falta de cuidado que podem ser gravemente destruidores como a prática de usar intensivamente defensivos agrícolas, desmatar vasta região para dar lugar à pecuária ao ao agronegócio, mesmo a derrubada da mata ciliar dos rios. As consequências não precisam ser imediatas, mas, a curto e médio prazos podem ser desastrosas, como a diminuição de água dos rios, a contaminação do nível freático, a mudança do clima e dos regimes de chuvas e de estiagem.
Aqui se impõe cuidadosa precaução para que a saúde humana de toda uma coletividade não seja afetada, como está ocorrendo neste momento no mundo inteiro.
Com a introdução das novas tecnologias como a biotecnologia, a robótica, a inteligência artificial e a nanotecnologia pelas quais se manipulam os elementos últimos da matéria e da vida, podem ocorrer danos irreversíveis ou produzir elementos tóxicos, novas bactérias e séries de vírus como o atual, o coronavírus, que podem comprometer o futuro da vida (cf. T. Goldborn, O futuro roubado, LPM 1977).
Como nunca, antes, na história, o futuro da vida e das condições ecológicas de nossa subsistência estão colocadas sob nossa responsabilidade. Esta responsabilidade não pode nem deve ser delegada a empresas com seus cientistas em seus laboratórios que decidem acerca do futuro de todos sem a consulta da sociedade. 
Aqui vale a cidadania planetária. Cada cidadão é convocado a acompanhar e coletivamente decidir que caminhos novos e mais promissores nos são concedidos abrir para a humanidade e para a comunidade de vida, e não apenas para o mercado e para o lucro das empresas".

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      Concluído o texto de Leonardo Boff, e inspirada nele, eu gostaria de lhes deixar os meus augúrios pascais, focando no essencial da mensagem que Jesus de Nazaré nos deixou.   

O que refleti, nesses dias, reparto aqui com vocês
  • Que. cada um de nós, construa caminhos de paz para o seu coração;
  • Que exercitemo-nos no cuidado de si e do outro - o que nos está próximo - do jeito que gostaríamos que o outro nos cuidasse;
  • Que a nossa paz não seja como a de alguém que se olha no espelho, ou escreve no vidro traseiro do carro, ou reza como o fariseu, descrito em Lc 18,9-14:  "O' Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros...". Traduzindo ao nosso tempo, o fariseu de hoje poderia dizer: Oh, Deus, obrigado porque você olhou para mim, e me deu tantos bens - saúde, alimento e bem-estar para a minha família, oportunidades e possibilidades para o meu trabalho... Não sou como esses preguiçosos que nem conseguem um emprego!" 
  • Mas há outras tentações. Especialmente quando estamos diante da doença e da dor: Senhor, por que eu?   Por que estou só, por que estou doente, com medo, isolado, longe dos meus? 
  • Que o nosso olhar e os nossos sonhos se estendam aos irmãos menos  afortunados, aos descartados em muitos sentidos, aos mais vulneráveis da sociedade. 


Celebremos a nossa Páscoa achegando-nos aos nossos irmãos ignaros  (mesmo encontrando-nos distanciados deles). Há tantos modos de chegar a eles, cooperando com as organizações da sociedade civil que trabalham com mulheres "pais de família", com populações indígenas, trabalhadores rurais, e tantos mais, que podem fazer chegar a eles o nosso  apoio solidário e fraterno.

Por fim, não nos esqueçamos de ver, neste período, qual é a situação da pessoa que nos ajuda nos trabalhos domésticos, as diaristas, os porteiros que nos servem, os taxistas nossos conhecidos - agora parados e sem renda.
Há muitos a serem lembrados, acarinhados, apoiados e sustentados com um nosso gesto fraterno, neste momento!    

Certamente cada um de nós terá o seu jeito, a sua ideia, a sua imaginação para chegar a alguém que carece do nosso olhar, da nossa colaboração. Assim será a nossa Páscoa... até que passe essa onda difícil (e para nós brasileiros, ainda mais tenebrosas por tantas outras razões!). Quem sabe quanta coisa aprenderemos! Não deixemos que essa "passagem" seja em vão! 

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Fonte desta postagem:

Créditos das Imagens: 
Imagens: 1, 2, e 3Reprodução de: www.canstockphoto.com.br
4. Reprodução de: www.youtube.com.br.jpg

5. Reunião de lideranças do Acampamento de Branquinha-Al - arquivo do blog.

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