Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

DAS COISAS DE QUE GOSTO

21 de maio de 2014


Procuro manter o bom aprendizado de buscar - em dias especiais e nos momentos de lazer - as coisas que me dão prazer: conversar com o meu neto de três anos, trocar ideias com as minhas filhas, ouvir música, ir ao teatro, revisitar museus, ver um bom filme, ler, escrever, caminhar, refletir...  Também gosto de receber  amigos em minha casa - coisa que acontece muito raramente, porque quase todos estão cheios de tarefas e cuidados,  o que dificulta os bons encontros sem compromissos preestabelecidos. 

Sempre gostei de mudar a ambientação de alguns espaços da casa; as filhas me falam hoje de momentos que me fazem corar, quando as chamava de manhã cedinho para me ajudar a mover cadeiras e mesas de um lugar para outro. 
Quanto aos armários, gosto de mantê-los 'atualizados'. A chegada de roupa nova indica a hora de retirar o que não uso para oferecer a quem estaria precisando. Esse é um gesto que me mobiliza a estabelecer pontes com pessoas que não tiveram as oportunidades que tive – e que ainda tenho – de usar o que gosto e o que entendo ser mais adequado ao meu jeito de ser.

Não me permito criar o hábito de acumular poeiras, bolsas, sapatos nem cacarecos. Ter coisas guardadas e sem uso me dá a sensação de usurpar o que é do outro para esconder nos armários.  Acostumei-me, desde cedo, a não reservar louças nem baixelas só para os dias festivos, ou coleções de copos e cálices para dias especiais. Tenho apenas algumas peças que foram da minha mãe ou que recebi de presente e as uso em todos os bons momentos que reunimos a família em casa.  Restam-me, no entanto, peças do vestuário de inverno para eventuais viagens, pois nesse nordeste quase sempre ensolarado elas não carecem jamais.


Há prazeres especiais que tocam a minha sensibilidade e se inserem nas motivações da minha vida: acompanhar, com carinho e afeto, as conquistas pessoais e profissionais que minhas filhas vão fazendo; estar com minhas irmãs que já percorrem, como eu, os caminhos da longevidade; e comemorar as alegrias de pessoas queridas  –  uma nova exposição de quadros do meu amigo e pintor Roberto Ploeg,  o lançamento do CD do querido músico Carlos Sandroni  e suas canções tão especiais, e o  resultado de concursos dos filhos de amigos queridos. 

O exercício da partilha naquilo que promove alegria ao outro é muito gratificante, além de estimular a  criatividade e ampliar a capacidade do sonhar e do cuidar, para que vivamos bem cada momento que constrói a nossa caminhada.   

Algumas vezes, ao lembrar uma ou outra pessoa querida, cuido de chamá-la ao telefone ou lhe enviar uma mensagem pelo Skype ou pelo WatsApp.  Há alguns dias visitei a loja do excelente artífice Edmílson Menezes e  - ao contemplar suas peças de joias em prata - lembrava-me de amigas distantes  - joias que não se impões por seu brilho, mas por serem quem são e como são.  Encontrei um pingente de design moderno e delicado, cujo valor era possível ao meu orçamento, e o enviei a uma cara amiga italiana. Minha emoção foi a de acompanhar, via internet, o caminho que o pingente fazia, pelos correios,  para chegar às suas mãos e levar-lhe um sinal concreto do meu carinho e da minha saudade.


Mas, enquanto me enredo em emoções do meu dia a dia pessoal, deparo-me com as notícias dos irmãos haitianos que mais uma vez aportam no Brasil em busca da sobrevivência. Aprendi que o amor ao próximo se estende a todos os povos, à acolhida de todas as cores de pele e de culturas, e à humana compreensão de todas as expressões do afeto entre as pessoas. Assim, a minha paz é invadida pelas notícias da diáspora dos haitianos no Brasil, da estiagem do meu sertão, da enxurrada em cidades do sudeste brasileiro, das atuais dificuldades econômicas e sociais do povo venezuelano, dos interesses políticos que mobilizam os litígios na Ucrânia, do grande número de meninas que deixam a escola, no México, por um matrimônio precoce...  E, voltando ao meu país,  da luta sem fim das tribos indígenas, tão estigmatizadas, e das centenas de famílias que sofrem  as consequências do desenvolvimento de um país ainda tão desigual. 

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Crédito Imagens:  


1. Leitura de histórias com Artur (a tela da foto é de Roberto Ploeg)    

2. Pintura de Roberto Ploeg   -  http://www.robertoploeg.blogspot.com.br 
3. Mapa : www.geocities.ws/terrabrasileira 

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre  em contato comvrblog@hotmail.com 

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