Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

A DESCOBERTA DO AMOR TEMIDO

25 de maio de 2014


Alguns meses se passaram e ela ainda saberia dizer o dia e a hora, descrever aquele olhar emocionado, a sensação das mãos a se tocarem, a sonoridade envolvente de suas palavras no momento da despedida: o que eu mais desejo, de coração, é partir agora com você! Falara com a ansiedade do tempo que urgia. Ela, emocionada, partira com a certeza doída da distância necessária.  

Naquela viagem, o encontrara com a sua presença inteira e alegre, embora, como sempre, de forma contida. 

Conversaram sobre arte, viagens, os sonhos da idade madura, visitaram novas lugares e subiram de automóvel até o planalto da montanha que eles tanto amavam. Contidos, nem um nem outro falava do que, então, os surpreendia - um afeto inusitado a esconder-se em cada gesto, um sentimento nascente no regaço das grandes impossibilidades.  


Quando chegara de volta ao seu país, a distância e o tempo parecia ampliar a evidência de tudo o que quiseram silenciar, e a saudade a faz imaginá-lo a surpreendê-la, como a primavera que irrompe num chão coberto de neve. 

Agora, resta-lhe a sensação de que haverá, quiçá, um dia e uma hora em que eles ainda poderão expressar o que lhes ficara encerrado na memória do afeto.  


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Imagem - www.canstockphoto.com.br





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