Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

Iº CONGRESSO IGREJAS E COMUNIDADE LGBTI+

21 de junho de 2019

É tempo de celebrar iniciativas de resistência democrática e de respeito aos direitos constitucionais que regem a democracia brasileira, especialmente aqueles que têm a ver com o respeito pela liberdade, pelo direito à informação, à educação, à assistência pública à saúde, à moradia, ao trabalho, à cultura em geral, e ao direito universal de amar e de ser amado. A felicidade é um bem que não se compra, mas há diferentes meios públicos que podem e devem apoiar a sua viabilização, com vistas ao bem comum e ao direito de ser feliz. A atual iniciativa de diferentes comunidades religiosas que estão discutindo a inclusão LGBT+ é um passo significante neste sentido. Parabenizamos todas as instituições que a promoveram e apoiaram.

Segue a reprodução da reportagem da revista Carta Capital.

------------------------------------------------------------



Pela primeira vez, igrejas se unem para discutir inclusão LGBT+ 

 


Por: Alexandre Putti - Repórter da Carta Capital


“Diálogos Ecumênicos Para o Respeito à Diversidade”
Local: Cidade de São Paulo
Data: 19 a 23 de junho de 2019
Local: Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade - São Paulo

CONTATO: igrejaecomunidadelgbti

Os líderes religiosos vão contra a onda conservadora 
e defendem “Deus ao lado de todos”

“Meninos vestem azul, meninas vestem rosa”. Essa foi a frase dita pela pastora evangélica Damares Alves, no dia em que assumiu o comando do ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Bolsonaro. O pensamento da ministra traduz a linha conservadora que muitas igrejas e líderes religiosos seguem, inclusive na luta contra os direitos da população LGBTI+.
Muitas Igrejas, mas nem todas. Pela primeira vez na história do Brasil, diferentes comunidades religiosas e líderes se unem para discutirem a inclusão da população LGBTI+, entender como podem fazer uma política de acolhimento dentro dos templos e realizar leituras bíblicas para desmitificar ideias conservadoras e reacionárias.
O reverendo Arthur Cavalcante, padre da igreja Anglicana e um dos responsáveis pela organização do evento, conta que a ideia surgiu da experiência que sua igreja passou em discutir esse tema dentro dos espaços religiosos.  “Estamos passando por um momento reacionário, do próprio governo e na estrutura de muitas igrejas. Pensei que a experiência da anglicana poderia servir de suporte para outras que pretendem começar esse movimento. Trazer um pouco de luz para essa situação toda”, disse o padre.
O encontro acontece na Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, no centro de São Paulo, nos dias 19 a 23 de junho, mês que é comemorado o orgulho LGBTI+.  Por todo o mundo paradas e protestos são realizadas como forma de celebração do amor e reivindicação por direitos. E é na cidade de São Paulo que a maior de todas acontece, em plena avenida Paulista, no próximo domingo 23.
E é nesse momento que o encerramento do encontro vai acontecer, com o bloco “Gente de Fé”, que serão religiosos apoiando a causa LGBTI+. Esse ano a expectativa é que o tom da parada seja ainda mais político, pois é a primeira que acontece pós eleição do presidente Jair Bolsonaro, que diversas vezes já se classificou como homofóbico.
“O objetivo é além de discutir e refletir sobre espiritualidade e diversidade, mas também estreitar laços dos espaços religiosos para minimizar o preconceito e intolerância no contexto desafiador do crescimento dos fundamentalismos e da fragilização de direitos de LGBTI+”, concluiu Arthur.
unidades baseadas na fé têm apresentado diferentes posições nas
Ora apoiando e acolhendo, ora excluindo ou inviabilizando seus fiéis e suas lideranças, tornando, ou não, seus espaços religiosos seguros. Os desafios do acolhimento das pessoas da comunidade LGBTI+ geram diferentes respostas nas comunidades religiosas, tais como:
a) o abandono integral de fiéis dos espaços religiosos para minimizar          conflitos com suas lideranças e/ou irmãos da fé;
b) a busca de outros espaços, cristãos ou não, para vivenciar/experienciar o culto, a fé e espiritualidade;
c) o surgimento de posições de resistência nos seus espaços religiosos, visando torná-los acolhedores e seguros.
Em contrapartida, para as Igrejas e Lideranças Religiosas, essas diferentes respostas por parte de seus fiéis e de suas estruturas implicam em uma série de desafios ainda pouco refletidos.
Nos últimos 50 Anos, em âmbito internacional, sobretudo após a Revolta de Stonewall, se visibilizaram demandas e constituíram-se respostas institucionais e jurídicas às necessidades de LGBTI+. No Brasil, esse processo se inicia ainda nos anos 1970, mas ganha maior fôlego a partir da redemocratização em meados da década de 80 e toma maior intensidade nos anos 2000.
A partir de então ocorreram muitos avanços, em especial no campo das políticas públicas, da ação do judiciário e de associações/conselhos científicos, destacando-se, em 2004, o Programa “Brasil Sem Homofobia” do Governo Federal e em 2008, a 1ª. Conferência Nacional LGBT.  Contudo, muitas lacunas surgiram, tais como programas governamentais sem dotação orçamentaria ou o cancelamento de projetos como o “Escola Sem Homofobia” - que havia sido construído com participação do movimento social organizado, universidades e Ministério da Educação – por pressões das alas conservadoras da sociedade.

Todo esse caminhar se fez refletir nos diversos espaços religiosos, principalmente em espaços cristãos, gerando reações proativas para inclusão de pessoas fiéis LGBTI+ em algumas comunidades religiosas, com o surgimento das chamadas Igrejas Inclusivas e de movimentos inclusivos, aprovação de leis canônicas em Igrejas Tradicionais, ordenação de lideranças religiosas, extensão do matrimônio, e até mesmo questões envolvendo batismo e retificação de nome para pessoas trans.
Nestas últimas décadas observamos a pluralização da presença da fé no espaço público e político no Brasil. Esse avanço tem trazido desafios na direção do respeito ao compromisso com o Estado Laico.  Tais desafios se intensificam a partir dos anos 2010 em âmbito internacional, com inflexões específicas na América Latina e Caribe, com o crescimento dos fundamentalismos e das intolerâncias, inclusive de base religiosa, e a ascensão de governos conservadores nos costumes e ultraliberais no âmbito da economia, aprofundando as desigualdades e vulnerabilidades.
Diante do atual quadro, se faz necessário urgentemente:
  1. uma profunda análise de conjuntura,
  2. promoção de exemplos de ações inspiradoras no campo religioso e LGBTI+,
  3. fortalecimento de atores para incidência pública na defesa dos direitos em          um contexto de enfrentamentos e busca de proteção.
Assim, optamos pela construção de um Congresso que utiliza a experiência do ecumenismo como chave de análise e construção de reflexões coletivas. A longa trajetória de encontros nos quais fiéis e pessoas clérigas de diversas denominações e tradições podem sentar-se ao redor da mesa para partilhar suas perspectivas e experiências se demonstrou uma importante ferramenta para o avanço do debate em pautas muitas vezes consideradas tabus no ambiente religioso. Além disso, uma perspectiva ampla de ecumenismo nos permite estender essa mesa para todas as pessoas de boa vontade, sejam elas de fé ou não, mas que compartilhem de um compromisso com a justiça e a inclusão de todas as pessoas.

Objetivos do Congresso

      1.  Dar visibilidade às experiências envolvendo a promoção do acolhimento pastoral e de espaços seguros no âmbito das Comunidades de Fé e especialmente Igrejas Cristãs;
    2. Promover a partilha de leituras dos textos sagrados e bíblicos que evidenciem a conciliação da fé e das vivências LGBTI+; 
       3.  Oferecer espaço de reflexão e troca em relação aos desafios para ao acolhimento de pessoas LGBTI+ e de suas famílias em contextos religiosos; 
       4.  Produzir um plano de ação conjunta das distintas Comunidades de Fé e Igrejas no contexto desafiador do crescimento dos fundamentalismos e da fragilização de direitos de LGBTI+; 
   5. Oferecer espaço de reflexão sobre vivência da sexualidade e da espiritualidade; 
      6.  Estreitar os laços dos espaços religiosos com os movimentos sociais em questões comuns com a finalidade de cooperação, ampliando a compreensão de suas respectivas complexidades, subjetividades (espiritualidades) e ações na sociedade, buscando minimizar os preconceitos/falta de entendimento, através do conhecimento mútuo das linguagens, das ações e das formas de organização.  

Público Alvo

        -  Lideranças Religiosas e Leigas 
       -  Pessoas interessadas na relação entre espiritualidade e questões LGBTI+, independente do pertencimento a Igrejas ou Comunidades de Fé.
        -  Movimentos de Direitos Humanos
        -  Movimentos Sociais
      -  Espaços de Estudos das Teologias, das Ciências da Religião, Sociais e Humanas

Realização:

     Paróquia da Santíssima Trindade - São Paulo
      Koinonia Presença Ecumênica e Serviço

 Apoio

       Igreja Episcopal Anglicana do Brasil / Junta Nacional de Educação Teológica -
   JUNET;  Christian Aid Brasil; Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo;  AHF Brasil

  Parceiros

        Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC
        Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo - ICM
        Rede Ecumênica da Juventude - REJU
        Evangélicas Pela Igualdade de Gênero - EIG
        Evangelicxs Pela Diversidade
        Rede Nacional de Grupos Católicos LGBTI+
        Mandrágora Netmal - Grupo de Estudo de Gênero e Religião
        Mesa Redonda Latinx - Fé, Família e Igualdade
        Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas - ABRAFH
        Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação - ALC
        Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras e Saúde - RENAFRO
        Rainbow Sangha - Budismo LGBT+
        Comunidade Cristã Nova Esperança da Vila Mariana - CCNE DA VILA
        Grupo de Ação Pastoral da Diversidade (GAPD)

---------------------------------

Fonte da informação:

https://igrejasecomunidade.wixsite.com/igrejaselgbti

Imagem: Reverendo Arthur Cavalcante - Foto de: Wanezza Soares  


Alexandre Putti - Repórter da Revista Carta Capital


Nenhum comentário :

Deixe seu comentário:

Posts + Lidos

Desenho de AlternativoBrasil e-studio