Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

BRASIL - O APOIO DA POPULAÇÃO A LULA

10 maio, 2017

No momento em que escrevo Lula presta o seu depoimento em Curitiba.

A presença do povo que acampa hoje nesta cidade do Sul do Brasil – representando organizações sociais brasileiras e centenas de pessoas de diferentes regiões do país    é uma significativa manifestação do sentimento do povo brasileiro comprometido com a democracia, os direitos humanos, a justiça e a liberdade de expressar seus interesses políticos. 


Esse nordestino tão querido e tão especial  que ocupa o primeiríssimo lugar nas pesquisas das intenções de voto para a eleição presidencial de 2018  é antes de tudo um forte. O apoio ao seu retorno à presidência do país é um grito democrático de um povo que não se entrega às artimanhas de um governo ilegítimo e pobre de espírito.


No peso que carrega das agruras que as instituições anti-democráticas o fazem passar, um dos últimos fatos foi a Justiça Federal do Distrito Federal ter determinado (na terça-feira 8.05.2017) a suspensão das atividades do Instituto Lula. A decisão foi tomada no âmbito da ação penal em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de tentar obstruir as investigações da operação Lava Jato. Em sua decisão, o juiz substituto da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, Ricardo Augusto Soares Leite, disse que, pelo teor do depoimento dado por Lula à Justiça, verificou que a sede do instituto pode ter sido "instrumento ou pelo menos local de encontro para a perpetração de vários ilícitos criminais".(i)


Na expectativa do vídeo do depoimento de Lula nesta data, (10.05.2017) no Tribunal de Curitiba, reportamos aqui recortes de uma excelente reportagem da revista Carta Capital, entrevistando pessoas que vieram a Curitiba  para apoiar Lula. Entre essas, duas militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que expressam suas motivações para acampar em apoio ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Na revista digital, o jornalista René Ruschel descreve diferentes perfis de pessoas que se mobilizaram para esta manifestação presencial de apoio a Lula. (ii)

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Branca dos Santos, aposentada:  "Queremos um governo com compromissos populares".

Branca dos Santos, que se nega a contar a idade, estava entre os militantes (do MST). Filha de agricultores vítimas da geada de 1975, que arrasou os cafezais do Paraná, viveu em Suzano (SP) onde o pai foi operário de uma indústria química. Ao se aposentar resolveu voltar às raízes: “Meu pai era um homem do campo. Eu não queria viver na cidade grande e retornei ao Paraná". 

E continuou: "Vim a Curitiba para mostrar que nós, os trabalhadores sem-terra, vamos lutar por nossa causa. Lula faz parte dessa estratégia. Sua liberdade é a nossa liberdade. Estamos junto nessa caminhada”, afirmou. "Queremos um governo com compromissos populares. É grande a presença de jovens entre os manifestantes acampados".

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Suzane Silva, 23 anos: - Eu era mais uma que aceitava a versão da mídia.

Suzane Silva é nordestina de Vitória do Santo Antão (PE). Estudante do último ano de enfermagem, na Universidade Federal de Pernambuco, veio a Curitiba para participar da manifestação. O namorado, Adilson Matos, 26 anos  graduado em Licenciatura em Educação do Campo, pela Universidade do Oeste do Paraná  é coordenador da Escola Milton Santos, em Maringá, norte do Paraná. Se conheceram em um treinamento na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP).

Suzane é filha de latifundiários: “Meu pai é um grande proprietário de terras. Minha família não aceita minha decisão. Ainda hoje recebi uma mensagem da minha mãe onde ela diz esperar 'que  eu não esteja participando dos protestos’, afirmou. 

Suzane cresceu ouvindo a versão que o movimento era um grupo de desocupados. “Eu era mais uma que aceitava a versão da mídia”. O primeiro contato com a realidade dos sem-terra aconteceu num estágio da faculdade. Temerosa, foi visitar um acampamento no interior de Pernambuco, como parte de seu currículo escolar. Era o projeto 'Vivência e Realidade do Sistema Único de Saúde' (Versus). 

“A realidade daquela gente me chocou. Eu não tinha noção do que se passava. Sabia da importância da saúde pública, mas nunca tinha vivenciado aquele drama. Foi ali que decidi me engajar ao movimento”. Atualmente, é coordenadora do Setor de Formação do MST em Pernambuco. 

Adilson Matos, o namorado, tem outra história. Conheceu na pele as agruras da vida em um 
acampamento, aos 10 anos, quando o pai se engajou no movimento: “Pude experimentar e conhecer a realidade de viver num acampamento sem as mínimas condições. Sei o que é a luta para conquistar um pedaço de terra” disse Adilson. Agora, juntos, querem levar adiante a luta do campo pelos direitos de milhões de  brasileiros. 

Embora contestem e critiquem a política de reforma agrária no governo Lula – “poderia ter sido melhor” – reconhecem que seu governo foi parceiro do movimento. “Tínhamos divergências pontuais e acho que o presidente Lula poderia ter avançado mais na questão da reforma agrária. Mas agora estamos aqui para lutar por justiça, por sua liberdade”.

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Roseni Violin:  "Sou otimista e acredito na juventude".
  
Se a juventude é a esperança de um futuro melhor, a experiência e a sabedoria do passado não podem ser esquecidas. No vai e vem de pessoas que transitam pelo acampamento, a professora aposentada Roseni Cabral Violin, 77 anos, chama a atenção. Passos lentos, amparada pelo filho, caminha e observa tudo o que vê. 

“Sempre fui muito preocupada com as questões sociais” afirmou. Na adolescência, fez parte da Juventude Estudantil Católica (JEC), um movimento ligado à Igreja Católica que teve grande importância na resistência à ditadura militar de 64.  Mais tarde, o casamento com um físico, professor da USP e os filhos fizeram-na abandonar a militância política. “Na sala de aula, como professora, continuei engajada na discussão das questões sociais com os jovens”.  

Para Roseni Violin, a juventude hoje perdeu um pouco daquele ímpeto de sua geração: “Às vezes penso que nossa geração falhou em alguma coisa. Mas também reconheço que os tempos são outros. Acho que o consumismo exagerado mudou o perfil da juventude. Precisam ser mais atuantes, mais ousados. Por isso estou aqui hoje. Vejo neles toda a força que necessitamos para mudar o Brasil. Sou otimista e acredito na juventude”.



Na véspera do depoimento de Lula, José Stédile – líder do MST  já em Curitiba, falou sobre a conjuntura nacional, a luta em defesa da democracia e o apoio do povo à candidatura do ex-presidente Lula.



Para ver o vídeo: https://youtu.be/zG8r1rb-XNQ

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Fonte dos textos

* A Liberdade de Lula é a nossa liberdade - Por: René Ruschel, de Curitiba in: www.cartacapital.com.br/política - 10.05.2017 
* www.conversaafiada.com.br - política - 9.05.2017

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Crédito das Imagens:

1 - Foto Lula - www.amazonasatual.com.br
2 - Acampados em Curitiba - www.conversaafiada.com.br - 09.05.2017
3 - Convocação à manifestação em Salvador - BA - 10.05.2017
5 - Fotos dos três entrevistados por René Ruschel - www.cartacapital.com.br
6 - Foto de José Stédile - Movimento dos Sem Terra


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre  em contato com vrblog@hotmail.com 


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