Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

FRATERNIDADE - UM APRENDIZADO COTIDIANO

3 de novembro de 2016

                                                                                                                                       






 "Mesmo com toda a trama
 com toda a brahma,
 com toda a lama,
 a gente vai levando,
 a gente vai levando,
 a gente vai levando
 essa chama!"                                                 






No dia-a-dia do aprendizado que se faz do viver e do amar, percebe-se quanto é importante  dar  atenção ao adequado ajuste que precisamos fazer nas relações com os que fazem parte da nossa convivência. Os hábitos familiares podem ser leves  ou  pesados, mas  são  facilitadores:  já  sabemos  como  tratar  os avós rabugentos ou cheios de exigências, os pais controladores ou distraídos de tudo, as  crianças desejosas  de  atenção  e  às vezes  impertinentes... Mesmo assim, ainda é  possível se surpreender  com um gesto grosseiro, uma  expressão  que nos tira do sério, um desejo inesperado de maior atenção.

Mas os convivas são os de sempre, já se conhece o espaço em que vivem, e se está habituado aos trejeitos de cada um... Assim, como cantava o grande Tom Jobim, "a gente vai levando"...

Mas, nem sempre dá para contornar a situação e reparar equívocos inevitáveis.


Menos preparados talvez se esteja para a relação com o desconhecido, com quem encontramos por acaso, por exemplo, um prestador ou prestadora de serviço... Foi o que me aconteceu há dias atrás.


Em lugar de chamar um táxi comum, como costumo fazer, chamei o serviço da URB, e me dei mal de cara. Na verdade, no dia anterior havia feito uma experiência positiva voltando do cinema com uma amiga. Nesta segunda vez fiquei feliz porque vi que ‘o motorista’ era uma jovem mulher. Entrei sorridente, mas, ela talvez não estivesse preparada para o meu modo de tratar estranhos, igualzinho à minha mãe Ester que conversava com o caixa do mercado, a atendente do médico, o empregado do condomínio como fossem velhos amigos.

Sentei ao seu lado e, ainda com o celular na mão para fechar o chamado, comecei a puxar conversa:
Que bom que hoje é uma mulher! Gosto de ver uma mulher competindo assim no mercado!
Silêncio... De resposta, após indagar o meu destino, fez uma entrada brusca na rua que dava acesso à pista principal.
Ainda sou aprendiz do aplicativo da Urb, continuei, tentando me manter tranquila. – Estou a ver como fechar o meu pedido...
Então ela virou, e me disse: – Deixe-me olhar...  Freiou de forma brusca, atrás do carro da frente, diante do sinal vermelho que já ia abrir.  Reagi cuidadosa: – Não, deixe pra lá! (não achava prudente que ela ficasse olhando o celular enquanto dirigia, e fiz um gesto de manter comigo o celular). 

Foi mal... A motorista não gostou, e reagiu:
Eu não ia mexer no seu celular. A senhora é muito grosseira!
Mas, eu só queria...
A senhora me fez uma grosseria, sim. Não diga mais nada... Vamos parar por aqui, até o final da corrida!...

Ligou o rádio, e ficou a cantarolar uma canção em voz baixa... Obedeci, estremecida, por ter causado tamanha reação. Minha vontade era interromper a corrida, imediatamente. Mas, queria respeitá-la, tentei me controlar e segui, em silêncio, até o fim.

À saída pedi-lhe desculpas, sem mais explicações. Percebi que havia agido sem exercitar minha sensibilidade, sem ponderar melhor quem era meu interlocutor. Enquanto lhe pagava, ela falou que quem me devia desculpas era ela... E nos despedimos numa boa!

Minha jovem interlocutora não devia ter iniciado bem o seu dia... Acontece!

"Mesmo com todo o emblema, 
Todo o problema, todo o sistema,
Todo Ipanema... 
A gente vai levando, 
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama!”

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(*) Trechos de música com letra de Chico Buarque.

Créditos das Imagens: www.canstockphoto.com.br

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