Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

EM BUSCA DE NÓS MESMOS

20 de outubro de 2016


Quando se participa de um evento importante com empenho e compromisso, é frequente que se volte a indagar sobre as grandes questões que se faz para melhor entender quem somos, de onde viemos, e o que queremos realizar na vida. 

Há inúmeras ocasiões para esses momentos filosóficos da nossa vida. Podem acontecer nos instantes vivenciados no dia-a-dia, quando se está a observar os filhos ou os netos que brincam pela casa, quando se água as plantas viçosas ou entristecidas e, à noite, quando se está enrodilhado na cama tentando adormecer.



Em certas manhãs, enquanto nos espreguiçamos às primeiras luzes do dia, surge uma questão que pode nos perturbar:

- O que fiz até agora da minha vida?   

E o “agora” carrega consigo todo o passado. Não importa se de muitos ou poucos anos. E nem será necessário fazer os cálculos do tempo que nos resta. Tanto, o tempo não espera. É sempre o hoje.

A escolha, inevitavelmente, cai sobre nós mesmos. Fui eu a decidir estar hoje onde agora me encontro. Mas, por que? Para que? São perguntas que, em lugar de entristecer deveriam nos estimulam a viver. Faz bem poder sentir uma imensa gratidão pela vida que se levou até agora. Mas, às vezes percebe-se um desejo profundo e guardado de, se fosse possível, voltar atrás e refazer alguns passos, reorientar as próprias decisões, cujos resultados são o peso ou a leveza dos dias que vivemos.

Bom seria que um ou outro desses sentimentos representasse apenas a transição para outra questão mais efetiva, mais realista, mais situada no agora:

- O que quero fazer agora?

É uma situação vez por outra revisitada: a de se colocar plenamente no momento que se vive. Aprendendo de si, dos próprios equívocos, da retrospecção dos sonhos dispersos pelos quais talvez não se lutou o quanto seria preciso.

E se fosse recolocada a mesma questão inicial? Se eu transformasse o “até agora” para o "hoje", e me perguntasse:

- O que é importante para a minha vida, neste momento?

Os acertos ou equívocos do passado podem ajudar. Mas, importante é perceber o que eu quero hoje, para mim.  Não deixar passar a chama que reascende nem a vontade que desabrocha não mais como propósito, mas como força de mudança, atitude de vida, decisão.

É hora de se conectar aos elos vivos que subsistiram à borrasca ou à paralisia de uma vontade inquieta ou indecisa. E vibrar por uma escolha renovada, orientada para o que é melhor para si. 

O desenvolvimento humano requer tenacidade e carece de aprendizado. Viver é preciso. E é preciso aprender a buscar as fontes de vida, sem largar os passos da caminhada necessária.

Importante, ainda, é reconquistar a leveza de espírito, para se perceber melhor a beleza do amanhecer e a quietude do entardecer, a força da luz do sol e o esplendor do luar, o desabrochar das plantas que nos ensinam a viver, o poético rumor da chuva e a dor da aridez do coração. 

Para se reconquistar leveza, cada um pode discernir o que lhe convém. Seguir atrás, insistir em cuidar de si. É o primeiro passo para aprender a cuidar do outro. Faz bem fazer uma caminhada com um amigo... Ir visitar alguém que há muito não se vê... Marcar um fim de semana com alguém que nos pareça estar um pouco só.

Mas  não  parar  por  aí. Há  que  se  continuar  a responder  outras  questões também muito importantes:

- O que  tenho feito pelos outros?  Pelas   pessoas mais  vulneráveis  da sociedade em que vivo? 

Procurar interessar-se sobre o que acontece ao  redor. Na família, no grupo que se frequenta, com os colegas de trabalho. São os passos mais importates para se ir mais além...

- O que sei fazer melhor para oferecer  a  serviço de quem precisa?

Um dia chega a hora de ampliar a própria área de aconchego. Estender o olhar para longe do próprio espelho metafórico. Sair em busca do que posso doar de mim mesmo, para o desenvolvimento de quem não recebeu o que recebi, para o aprendizado de quem não teve as condições e o apoio que tive, para dar suporte a outros que podem estar precisando de mim. Há muito o que partilhar e que cooperar... Em troca, é possível experienciar a riqueza dos bens relacionais construídos com os gestos de fraternização do saber, do fazer, do ofertar, e do viver!

Assim, no momento em que se perceber a necessidade de olhar para trás, é possível se perguntar, sem medo:

- O que me deixou mais feliz no percurso da minha vida?

Então se volta às memórias pessoais, plugando o filme do já vivido, quando a gente permite se encantar do que conseguiu construir com os outros. Vale como um tonificante do momento presente. E volta a ser mais um momento encorajador para continuar acreditando no que se é capaz. Sem se permitir visitar as sombras da vida, mas deixando espancar a luz plena das suas melhores experiências, para contemplá-las e, então, aprender um pouco mais.

Com as escolhas que se fez no passado se pode reaprender e revigorar-se. Tentar fazer melhor.  E não deixar passar a inspiração. Refletir o tempo que for necessário, mas decidir-se. Voltar a caminhar tomando o próprio destino nas mãos, assumindo as escolhas já feitas e, se necessário, reorientá-las, mesmo que para isso for preciso pedir apoio e orientação.

São os bons momentos de iluminar os fatos da própria vida – de poucos anos atrás ou de uma longeva idade – que nos motivam a um viver de qualidade, inovando as ideias e refazendo os planos para o que a vida está a oferecer no hoje, no agora. 

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Créditos das Imagens:

1. Jovem pensativo - www.canstockphoto.com.br
2. Mulher sentada na cama - Obra de Roberto Ploeg - pintor holandês.
    www.robertoploeg.com.br
3. Mochileiro contemplando o amanhecer - www.canstockphoto.com.br
4. Tropical - pintura de Anita Malfatti - https://obrasanitamalfatti.wordpress.com/
5. Reunião de um grupo de Caiçara-PB (Brasil).
6. Manifestação da União Brasileira de Mulheres - divulgação.


Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma dessas imagens e deseja que ela seja removida deste espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com

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