Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

A INFANTILIZAÇÃO DA POLÍTICA BRASILEIRA

18 de abril de 2016

Não sei se adormeci de cansaço ou de uma profunda tristeza, pois adormeci  abatida por ver  de um modo incisivo, espantoso, doloroso  quem são as pessoas que se apresentam, na maioria da Câmara dos Deputados, como representantes da cidadania do povo brasileiro. Excetuando-se alguns dignos cidadãos comprometidos com um ideário político de respeito à democracia do seu país, e poucas e brilhantes mulheres que, sem temor, defendiam a significância do seu "Não".

Via-se  entre os adeptos do Sim ao impedimento democrático da atual presidente eleita sem interferências alheias ou subterfúgios    uma gente tão "religiosa", tão ciosa de sua família, de sua fé pessoal, da propriedade rural, dos seus filhos, sobrinhos e netos (como muitos aludiram) e mais, – quem sabe não lhes deram tempo para acrescentar  do seu papagaio, seu cachorro de raça, os grandes hectares de terra deserta ou atapetados de monocultura, o seu despudor político, e seus acordos pessoais escusos, com "correligionários" que, - coisa mais delirante! - ao dar seu voto contra a democracia brasileira, pretendiam que acreditássemos que estavam a defender o seu "amor à pátria!"... 

Alguns deles chegaram a afirmar ou faziam entender que, embora pensassem diversamente, deviam ser "fiéis" ao próprio partido! Uma "fidelidade" que significava o SIM à vergonha de um país que mantém na presidência da Câmara um réu publicamente declarado, um ícone dos grandes enroscados nos enredos da corrupção nacional, da antiética, da antidemocracia, com arranjos políticos claramente capciosos em favor de si mesmo e de sua gente.   

Apaguei a TV profundamente abatida, confundida se por acaso não tivesse visto um programa do Fantástico da Globo ou de uma exaltada aposta esportiva. O que me restou, de Esperança, é que os Senadores da República possam ter discernimento e uma clarificante visão política, para analisar a contenda jurídica que fundamenta o julgamento político do chamado "crime de responsabilidade fiscal" da presidenta, negado por respeitáveis juristas e intelectuais do país.

Bem sabemos que na história sul-americana - mais precisamente durante o período fascista da época Vargas e, mais tarde, das longas e pesadas ditaduras militares de infeliz memória - eram conhecidos os canalhas e vilões que se empoleiravam ao lado dos interesses que traíam a nossa luta democrática, e se vendiam como delatores de muitos que deram suas vidas por essa causa, especialmente no Chile, na Argentina, no Uruguai e no Brasil.  

Há um poema do argentino Mario Benedetti, que o vejo de leitura política profunda. Foi o que hoje alentou meu coração e me fez entender a razão do sentimento comum de nós brasileiros, que ontem vimos "oficialmente" desrespeitados os valores democráticos da Carta Magna do Brasil. (i)

                           

                       Se te quero é porque tu és 
                            Meu amor, meu cúmplice e tudo
                            E na rua, lado a lado,
                            Somos muito mais que dois...

                            ... Tua boca que é tua e minha
                                Tua boca não se equivoca
                                Te quero porque tua boca
                                Sabe gritar rebeldia

                                    E por teu rosto sincero
                                    E teu passo vagabundo
                                    E teu canto pelo mundo
                                    Porque és povo te quero...

                           ... Te quero no meu paraíso
                               Quer dizer que em meu país
                               A gente viva feliz,
                              Ainda que sem permissão!
                 
                                
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(i) Este poema, cuja autoria da tradução não é informada, foi copiado de uma agenda de 2002, em cuja capa tem a foto de uma criança que carrega um cartaz dizendo: Mulheres são fortes. (Distribuidora Opinião - Rua Loefgreen, 909 - Vila Mariana - São Paulo).              
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Crédito das imagens

1. Imagem com frase de Mario Benedettiwww.poesiamnoalzada.com.ar 
Tradução livre da frase: 
                       "Estávamos, estamos, estaremos juntos. 
                        A intervalos, a momentos, ao piscar de olhos, a sonhos".

2. Foto de Mario Benedetti - www.taringa.net

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