Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

OS FARDOS DA VIDA

25 de julho de 2014

A vida é repleta de surpresas: umas, de suaves ou ruidosas alegrias, outras, carregadas de dor. São dois lados do chão da vida que reclamam, com sensatez, os amigos por perto.

Na alegria, é mais espontâneo partilhar os sentimentos, disseminar o contentamento com aqueles que se ama – na ventania do barulho e da festa, a alegria comemora o prazer de viver.

A dor se reveste de outra mensagem: às vezes chega de repente, sem pedir licença de se instalar em nossos dias; noutras ocasiões achega-se devagar, silenciosa e dura – jamais é superficial, e exige profundez, coragem e fé. Quando acolhida com sabedoria e dignidade, a dor é compartida com os irmãos de fé, e com os amigos, ao tempo em que se cuida dos mais frágeis, que o sofrimento pega a gente quase sempre despreparada.


Nos momentos de dor, convém lembrar que não somos os únicos a sofrer neste mundo... 

Somos iguais a todos os seres humanos, nossos irmãos, milhares deles assolados em situações cruéis: há os atingidos pela crueza das guerras; os que padecem a penúria crônica da doença e da fome; os que são subjugados e suportam a violência de nações poderosas - como, há tantos anos, o povo palestino, sem o direito de viver em paz no chão em que nasceram. 

No Brasil de hoje, há os que sofrem as consequências da renitente estiagem e das enchentes periódicas – calamidades regionais a atingir pessoas de toda ordem social, mas, de forma impiedosa, os pobres. Tais cenários – agravados pela irresponsabilidade política, social e ecológica – quase sempre abrigam tragédias cujo entendimento assenta-se no grande mistério do desígnio das pessoas.  

Embora na diversidade das situações, há uma característica comum às calamidades: são as particulares e duras histórias havidas na intimidade das famílias, também essas difíceis de entender e de aceitar – uma doença incurável, um casamento desfeito, a morte súbita de um ente querido ou o anúncio de um nascituro com uma síndrome específica: um filho, um sobrinho ou um neto que nos convida a recebê-lo com o carinho e o cuidado de que formos capazes (uma pessoa a quem – se por direito merece o respeito de todos – por designo da vida, terá o seu mundo reduzido ao entorno de um convívio familiar e social muita vez restrito à sua condição de mais diferente entre os diferentes que somos). A nós, a responsabilidade de compor o seu universo afetivo na troca de compreensões, sensações, e gratuidade.  


No correr da vida, os anúncios dolorosos exigem atitudes de reflexão e respeito. Cada um carrega as marcas de fatos inesperados e tristes já enfrentados. Abençoados os que puderam, e ainda podem contar com amigos sinceros presentes nesses momentos; benditos os que têm a humildade de reconhecer que, também eles, podem ser chamados à aceitação da dor – é que a vida é costurada com retalhos de eventos: ora mais alegres, ora difíceis, e, por vezes, de pesar. A nós, sempre, o aprendizado do amor.  

Nesses dias, ajuntando-me àqueles que apoiam uma difícil situação familiar, alguém lembrou um verseto de um salmo cristão: “Descarrega o teu fardo em Javé, e Ele cuidará de ti!”.



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Crédito das Imagens: 

1. Fotografia - arquivo pessoal
2. Escultura  - Abelardo da Hora (fotos de uma exposição).

Nota:  As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma dessas imagens e deseja que ela seja removida deste espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com


















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