Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

A CELEBRAÇÃO DO AFETO

19 de abril de 2014


Uma das minhas filhas chegara de viagem da Europa com o marido e o meu neto, que na ocasião tinha oito meses. Ao entrar em seu apartamento, ela nos emocionou com o seu jeito cuidadoso de explicar, ao filho, o que estava acontecendo. Mesmo assim foi muito forte a surpresa de Artur ao reencontrar seus espaços e brinquedos mais queridos. 

Seu olhar se detinha nos recantos da casa, a reconhecê-los um a um, até mesmo as letras de seu nome, grandes e coloridas, na porta do seu quarto.




Mais tarde – após Artur adormecer – eu e as três filhas começamos a lembrar dos tempos em que elas eram crianças, quando viajávamos no nosso fusquinha alaranjado e destoante, mas muito útil para a família. Em cada curva elas indagavam sobre a proximidade da chegada. O pais explicava que ainda faltava uma subida e, mais adiante, aquela curva que tanto demorava a chegar... Tentávamos distraí-las mostrando a paisagem da região, as serras, o canavial, as usinas à beira da estrada, os canavieiros que passavam.


Nosso roteiro era quase sempre a praia de Tamandaré, tempos em que a cidade era menos badalada e mais acolhedora. Lá nos juntávamos a amigos queridos, também com filhos pequenos, e a brincadeira era solta.








Maravilhosa a saída de barco  para as águas marinhas de um pedregulho distante, onde era possível contemplar pequenos peixes na transparência do mar. Em noites de luar íamos descalços a passeio, uma boa conversa pela praia, as crianças entre nós. 

Em casa ouvia-se música popular brasileira - tempos de Jobim, Chico Buarque, Clara Nunes, Milton Nascimento... Uns ficavam de prosa enquanto trabalhavam na cozinha, outros se dedicavam a leituras prazerosas ou aos cochilos nas redes estendidas na varanda em ele.  

Quantos anos velhos nós rompemos, os pés descalços à beira-mar sentindo a areia fina e úmida, muitas vezes sob um deslumbrante luar!  Quantas celebrações de Natal e de Páscoa, refestelados nos sabores da simplicidade e do cuidado, partilhados com outros amigos queridos!  
                  
Assim vimos crescer os nossos filhos, e com eles celebramos as alegrias da superação de cada vestibular e das suas escolhas profissionais. Alguns já se casaram e se aproximam da idade que tínhamos nos tempos de Tamandaré. Nós e eles enveredamos os caminhos singulares de cada um... 

No percurso, perdemos a alegria da presença de Luiz Carlos, das amigas Marluza, Peghy, Amparo, Graça e Lourdes, que já fizeram a viagem definitiva. Novas famílias se formam, os netos e sobrinhos netos começam a brincar entre nós e a tecer suas relações. 

Vez por outra revemos os álbuns daqueles tempos e os slides ainda guardados. Os comentários às vezes são de zombaria e sempre de muita saudade!  Há belíssimas fotografias, uma delas com todos os filhos, ainda bem jovens, ladeados por ordem de tamanho... 

Hoje, continuamos os nossos encontros e celebrações em uma granja próxima da cidade onde resido. E levamos adiante uma densa história de amizade, que nossos filhos e netos certamente continuarão, na convivência e na cumplicidade entre eles.

-------------------------------------------

Crédito Imagens: 


1 - Arquivo exclusivo blog Espaço Poese.

2 - Fishermen_Tamandaré_Brasil_pan
3 - www.acemprol.com.br

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida deste espaço, por favor entre  em contato com vrblog@hotmail.com 


Posts + Lidos

Desenho de AlternativoBrasil e-studio