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RELAÇÕES SAUDÁVEIS E BEM-ESTAR

13 de dezembro de 2015


O que faz uma pessoa sentir-se bem na vida não é a sua inteligência, mas a qualidade das relações pessoais que manteve na juventude. Este é o resultado de uma pesquisa realizada pelo Professor Craig Olsson, especialista em Psicologia do Desenvolvimento na Universidade Melbourne (Austrália). 

Segundo o pesquisador, a capacidade de estabelecer e manter relações pessoais de qualidade é aprendida na juventude. Para isso, é essencial que as escolas foquem não só no desenvolvimento intelectual dos jovens, mas também no processo de aprendizado de suas habilidades sociais.

“Podemos desenvolver todas as maravilhas tecnológicas imagináveis por meio de nossas habilidades acadêmicas, mas isso não satisfaz nossa necessidade de criarmos relações saudáveis com os outros e com o mundo, que é essencial para o nosso bem-estar” diz o Prof. Olsson da Universidade de Melbourne, doutor em psicologia e especialista na prevenção de desvios comportamentais. 

A seguir, alguns trechos da entrevista realizada com o professor, publicada na Folha de São Paulo:

FSP - Sua pesquisa indica que as primeiras relações de uma criança e adolescente são fundamentais para a felicidade na vida adulta, e não sua inteligência. Por que isso acontece?

Olsson - Primeiro precisamos entender o que é bem-estar e felicidade. O conceito de bem-estar tem dois significados. O primeiro é o de sentir-se bem, maximizando nossos prazeres e minimizando nosso sofrimento (hedonismo). Essa é a primeira ideia que vem à mente na maior parte das pessoas, quando pensam no que é felicidade.


O segundo conceito de bem-estar está em relação o propósito que temos na vida (eudemonismo), o qual foca em valores universais como o cuidado com o outro, a bondade, a compaixão e o compromisso. Essencialmente, na vida há coisas mais importantes do que o prazer em si. Em nossa pesquisa, estudamos esse segundo significado de bem-estar e focamos especificamente no que nos faz encarar a vida de forma positiva. Descobrimos que valores pró-sociais funcionam como uma ‘cola’ que fortalece relações positivas ao longo de nossas vidas, e que é na juventude que formamos o alicerce desses valores, quando os aprendemos e os assimilamos.


FSP – Mas, a inteligência não estaria correlacionada com a capacidade de construir e manter relações pessoais?


Olsson - Nossos resultados sugerem que o desenvolvimento acadêmico não está correlacionado com o desenvolvimento de relacionamentos positivos ao longo da vida. Se estivesse, apenas pessoas bem educadas teriam relações sociais saudáveis, o que não é verdade. Relacionamentos saudáveis ​​podem florescer em todos os tipos de configurações, incluindo aquelas baseadas na deficiência intelectual e na extrema pobreza. E isso é uma boa notícia, porque significa que um relacionamento positivo está potencialmente disponível a todos.


Mas, nossos resultados também indicam que, no fim da adolescência há, sim, uma relação entre desempenho acadêmico e relações humanas. E isso sugere que, naquele período da vida, a melhora do desempenho acadêmico aumenta a capacidade de conexões sociais. Isso significa que o sucesso acadêmico, no final da adolescência, leva a melhores conexões sociais, o que, por sua vez, aumentará o bem-estar daquela pessoa, quando ela chegar à fase adulta.

FSP - Tradicionalmente, a escola enfatiza o mérito intelectual e não os relacionamentos sociais.


Olsson - As escolas são essenciais para estabelecer a nossa capacidade de nos relacionarmos de forma saudável. Elas precisam oferecer ao aluno um currículo social, em paralelo ao currículo acadêmico tradicional. Além disso, as escolas são mais do que meros lugares de ensino, elas são ambientes em si. Os ambientes escolares podem modelar valores competitivos e elitistas ou valores de fraternidade e generosidade. Mas, note – e isso é muito importante – ensinar tais valores sociais não impede o sucesso dos jovens: apenas os ensina a não buscarem o sucesso a qualquer preço.

Uma sólida formação acadêmica é importante para a vida, mas, uma educação que seja capaz de desenvolver nossa capacidade de nos relacionarmos com os outros é ainda mais crítica. Podemos desenvolver todas as maravilhas tecnológicas imagináveis, ​​através de nossas habilidades acadêmicas, mas isso não satisfaz nossa necessidade de criarmos relações saudáveis com os outros e com o mundo, o que é essencial para o nosso bem-estar.

FSP - Existe um risco causado pela atual tendência de enfatizar competição ao invés da cooperação entre as crianças? 



Olsson - Cooperação não deveria ser vista como o oposto do sucesso. Na verdade, o sucesso é muito mais provável de surgir em um ambiente de cooperação do que em um ambiente de competição. Quando se compete, há sempre vencedores e perdedores; existe uma hierarquia de valores com base no desempenho: você só tem valor se vencer.


Mas, se compreendermos que o bem-estar depende da qualidade de nossas interações sociais, chegamos a um resultado radicalmente diferente: no longo prazo, relacionamentos sociais, e não posse ou status são muito mais importantes para o bem-estar. Além disso, esses valores alimentam nossa automotivação, o que nos faz buscar a excelência, e não apenas o sucesso. Passamos a focar no resultado e não simplesmente em um objetivo. 

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Fonte Texto:www.direito.folha.uol.com.br/pensandodireito/bem-estar/ 09.01.2012

Crédito imagens: 

1. Jovens - www.canstockphoto.com.br
2. Escola Técnica brasileira - 
3. Educação Infantil - www.revistaescolapública.com.br 
4. Cooperação - www.canstocphoto.com.br

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