Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

O BRASIL PEDE SOCORRO

20 de março de 2021



              VIVEMOS O MAIOR COLAPSO  HOSPITALAR                      
DA HISTORIA  DO  PAÍS 

Mais uma vez estamos a falar de pandemia e de desgoverno. Dia após dia,  informações mais preocupantes são divulgadas e, infelizmente, não só no campo da Saúde Pública impiedosa e indefensável, desde que o descontrole da pandemia do Covid-19 nos levou a uma situação de de grande preocupação. Há reações muito sérias a cada dia que nos chegam os dados atualizados diariamente pelo Conass, inclusive fora do Brasil.  

Já completou um ano dessa luta inglória no Brasil. É só o que se fala nos grandes meios de comunicação e nos espaços alternativos em que atuamos - jornalistas, blogueiros, ativistas, youtubers, TVs alternativas e convencionais. 

Hoje, é possível nos confortar com notícias de situações favoráveis de superação e, com alguns ensaios de retomada do convívio social em outros países. No Brasil, o Governo Federal fez um percurso de desfaçatez e irresponsabilidade na gestão da Saúde Pública, o que nos  deixou numa situação tão crítica e desesperadora que muitos já a consideram no patamar de um genocídio deliberado. Entre os grandes países do mundo, somos o único que está com um crescimento descontrolado de infecções e mortes por Covid. 

Os governadores têm alertado, nos últimos dias, sobre a iminente falta de anestesia, sedação e relaxamento muscular usados para intubação de pacientes em UTIs. O colapso dos hospitais é uma realidade constante em todo o Brasil. Doentes morrem à espera de leitos. Nas UTIs, onde atuam profissionais exaustos, faltam medicamentos essenciais para o atendimento de pacientes graves. 

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgou na sexta-feira 19/03/2021, que o Brasil ultrapassou os 290 mil óbitos provocados pela doença. Em 24 horas foram registradas 2.815 mortes por Covid-19. E até agora somamos mais de 11 milhões de pessoas infectadas. 

A Fundação Oswaldo Cruz constatou, ao divulgar um seu recente boletim: "É o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil". 

O colapso hospitalar é demonstrado na informação de que, dos 27 estados brasileiros, 24 deles, mais o Distrito Federal estavam com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 iguais ou superiores a 80%. Sem falar de outros fatores como a atual falta de oxigênio e respiradores em muitos hospitais. 

Nas suas entrevistas, o neurocientista brasileiro Dr. Miguel Nicolelis nos lembra que o Brasil alcançamos tristemente o primeiro lugar no registro de mortes de enfermeiros e  de mães gestantes.  

Hoje, sábado 20 de março, o jornal O Globo publica uma entrevista com Nicolelis dada à jornalista Constança Tatsch.   "Hecatombe - escreve  a jornalista - significa uma 'destruição ou desgraça em grande escala'. E é o termo usado pelo médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade Duke (EUA) Miguel Nicolelis, para descrever a situação do Brasil na pandemia do Covid-19. Segundo ele, se não forem implementadas medidas restritivas imediatamente, o Brasil deve alcançar a marca de 500 mil mortes em julho próximo. Segundo Nicoleli - ex-coordendor do Comitê Científico do Consórcio Nordeste para a Covid-19, além do colapso sanitário, já ocorre um colapso funerário."


O que esses números significam?

Uma forma para se entender melhor os chocantes dados acima, é usar uma  comparação que  o Dr. MIguel Nicolells fazia, quando estava à frente do Comitê Científico, criado para assessorar os Srs. governadores do Nordeste. Ele nos convida a imaginar que, a cada dia caem  10 aviões, cada um com cerca de 300 pessoas a bordo. D i a r i a m e n t e ! 

É para onde estamos caminhando, nessa descontrolada situação sanitária e hospitalar do país! 

Também seria necessário que lêssemos os tais números com o olhar do coração, ou do sentimento humano do amor. Assim, transformaremos os números em homens e mulheres, pais e mães, amigos queridos, filhos e netos: 2.815 pessoas muito queridas, a nos deixar a cada dia! Lembrando que, infelizmente, não se trata de um número permanente. Pois, na situação em que estamos continuará crescendo não se sabe até quando. Como se vivêssemos em estado de guerra, às vésperas de nos entregar ao inimigo.  

Infelizmente, além do desgoverno federal - e das mensagens públicas de desdenho  contra tudo o que se vem tentando organizar no combate à pandemia - o professor Nicolelis, quando coordenava o Comitê Científico, constatara com imensa preocupação, que a maioria das recomendações preventivas e corretivas que eles sugeriam, não eram devidamente ouvidas pelos governantes que o havia contratado. Isto motivou o motivou oa se  afastar do Conselho. Agora, se está a correr desesperadamente atrás do prejuízo. Alguns estados estão optando pelo lockdown. Outros jogam o jogo do abre e fecha serviços e comércio, com uma visão cada vez mais alargada do que seriam os serviços essenciais na pandemia. Tanto que, até pouco tempo, estavam abertas as salas de cinema, as praias e os jogos de futebol. Numa situação como esta, há ainda quem ache que não se pode passar sem algum lazer fora de casa.

O que ainda se poderia fazer?  

Sabe-se do esforço que os governadores do Nordeste fizeram, assumindo a  responsabilidade direta da compra de vacinas, dando continuidade ao programa de vacinação nos municípios. Mas o momento nos convida a fazer mais, como, por exemplo, um melhor uso dos meios e das linguagens de comunicação, para levar orientações mais compreensíveis a uma população tão diversificada como a nossa. 

Contamos com excelentes comunicadores populares (atores, cantadores, cantores, músicos, violeiros e outros). Os comunicadores populares poderiam ser chamados a "traduzir" avisos, orientações e boletins em diferentes linguagens para que sejam disseminadas por diversos meiosAssim, quem sabe, o povo começaria a entender - esperando que o desespero do desemprego e da fome ainda lhes permita acreditar em mudanças. 

As prefeitura também poderiam iniciar uma grande campanha para fazer chegar produtos alimentares e de limpeza às populações mais vulneráveis. Este poderia ser um modo de complementar o ridículo valor do "auxilio emergencial" federal. Criar, por exemplo, "Armazéns Populares" nas áreas mais vulneráveis das periferias urbanas, realizando uma negociação de compra a atacadistas, com total transparênciaalém das doações de algum tipo de apoio recebido de famílias benestantes que desejassem colaborar. 

Para a identificação e organização das comunidades, há grupos de mulheres e organizações sociais que já atuam nessas áreas, com conhecimento e seriedade e contam com a livre colaboração de muitos de nós em várias capitais do país. 

Hoje, a esse povo sofrido resta apenas a grave preocupação com o pão de todo dia. A experiência que eles vivem nos demonstra que - como falou certa vez o incansável Nicolelis, em entrevista a Katia Passos, de Jornalistas Livres: "O valor da vida humana no Brasil vale cada vez menos. Há que usar o verbo espernançar, mas não se sustenta nem mesmo o substutivo esperança." 

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Fontes das informações:

 #UOLDebate #Coronavírus #Covid19 

 https://www.youtube.com/watch?v=PPDNUicy_1o

 https://www.youtube.com/watch?v=WTIvwenJvHoTV 247

 https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/03/18/79percent-dos-brasileiros-acham-que-pandemia-esta-fora-de-controle-e-82percent-temem-ser-contaminados.ghtml

https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/podemos-chegar-500-mil-mortos-na-metade-do-ano-diz-miguel-nicolelis-24933998

https://jc.ne10.uol.com.br/pernambuco/2021/03/12042318-pernambuco-tem-primeiro-fim-de-semana-de-restricoes-mais-rigidas.html

Pesquisa Datafolha - G!  18.03.2021 -

Pesquisa Datafolha divulgada pelo jornal "Folha de São Paulo" na noite da quinta-feira (18/03/21) aponta que 79% dos brasileiros acham que a pandemia está fora do controle e 82% têm medo (muito ou um pouco) de serem infectados pelo coronavírus. O instituto perguntou ao entrevistado se a pandemia do coronavírus está controlada ou não. As respostas:

  • Fora de controle: 79%
  • Controlada só em parte: 18%
  • Totalmente controlada: 2%

 As pesquisas anteriores do instituto, sobre o medo do brasileiro, indicaram “muito medo” com menos impacto nos seguintes percentuais e datas44% (janeiro de 2021); 41% (outubro de 2020); 43% (agosto de 2020); 47% (junho de 2020); 45% (maio de 2020); 38% (abril de 2020); e 36% (março de 2020). 

Observação: Por favor, deixem aqui os seu comentários.

Vejam informações sobre a distribuição de alimentos à população mais carente em algumas cidades do Brasil, iniciadas em 2020:

Em tempo: Por favor: quem souber de grupos alternativos de apoio às comunidades carentes, use o espaço do "comentário" no blog  para que possamos ampliar a informação aqui.

https://casavogue.globo.com/Arquitetura/Cidade/noticia/2020/04/instituicoes-se-unem-em-acoes-para-ajudar-comunidades-durante-crise-do-coronavirus.html

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/04/16/jovens-da-periferia-arrecadam-r-120-mil-para-ajudar-familias-carentes-na-zona-sul-de-sp-durante

https://racismoambiental.net.br/2020/11/21/camponesas-do-mst-partilham-6-toneladas-de-alimentos-com-mulheres-da-periferia-de-londrina-pr/

https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,paraisopolis-cria-rede-de-solidariedade-para-conter-danos-do-coronavirus,70003270413

https://www.olinda.pe.gov.br/moradores-da-comunidade-do-v-8-em-olinda-recebem-doacao-de-cestas-basicas/

https://www.instagram.com/stories/highlights/17842326461123225/

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