Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

JESUS - O MESSIAS CRISTÃO - SUA IMAGEM E SUA PERSONALIDADE

6 de agosto de 2020

 

De acordo com uma reportagem divulgada por: https://fatos/qual-era-a-verdadeira-aparencia-de-jesus, "resultado da pesquisa foi a imagem de um rosto criada em 3D por um grupo de pesquisadores ingleses e israelenses. Os cientistas utilizaram descobertas arqueológicas e técnicas de reprodução para chegarem à imagem de um suposto rosto de Jesus. Foram analisados restos mortais de pessoas que viveram na época de Cristo, e considerados os traços que pertenciam à sua etnia. Alguns crânios encontrados na região do Getsemani foram cruciais para a aproximação da aparência original. 

Acontece que imagem encontrada pelos pesquisadores é completamente diferente do estereótipo que estamos acostumados a ver em pinturas, esculturas e filmes que geralmente mostram um Jesus de cabelos lisos, olhos claros e pele clara. No entanto, de acordo com os cientistas, ele possuía pele e olhos escuros e tinha o cabelo crespo."

Até aqui o que se pesquisou sobre a imagem do Jesus que viveu há 2020 anos atrás. Mas... cada um de nós o imagina à sua maneira, com base nas imagens que a Igreja e os pintores que trabalhavam a serviço dos papas nos apresentaram,  por séculos - Jesus como uma figura angélica” e incessível. 

 

Recentemente o reconhecido escritor Frei Betto divulgou um artigo sobre este segundo aspecto do Nazareno, - o filho de Maria e do marceneiro José  - que, embora tenha sido condenado e crucificado ao lado de dois ladrões, ainda hoje é  conhecido por seus feitos, seu testemunho e sua sabedoria até os nossos dias.


O modo como este homem - que se dizia o filho de Deus - reagiu aos fatos da sua época, nos ajuda a entender qual era a sua personalidade, quando esteve entre nós durante 33 anos. Quais seriam, na verdade, as características da sua identidade humana quando ele esteve entre nós? 

Segundo Frei Betto, Jesus Cristo era um "sinal de contradição".

Vejam o seu artigo abaixo.

   

IDADE ADULTA, FÉ INFANTIL

Por: Frei Betto

     Jesus nada tinha dessa figura angélica alimentada por eflúvios piedosos. Era “sinal de contradição”. Colocou-se ao lado dos injustiçados. Denunciou os ricos e as autoridades de seu tempo. Incomodou os opressores. Não admitiu que corresse dinheiro no Templo, casa de Deus transformada em “covil de ladrões”.

     Um dos fatores de evasão de católicos da Igreja ou indiferença à prática religiosa é o fato de muitos fiéis adultos não possuírem outra formação na fé senão a que receberam na infância via família e catequese. Assim, quando as pernas crescem a calça curta já não serve...

Conheço muitos cristãos que não leem a Bíblia por uma razão óbvia: nada entendem do texto. E não sabem onde buscar ajuda. A Igreja Católica dispõe de poucos leigos, religiosas e padres capacitados para administrar cursos bíblicos. Uma das mais promissoras iniciativas é o CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) com seus cursos e publicações, mas infelizmente pouco valorizado pela hierarquia da Igreja Católica.

A maioria dos padres conhece apenas noções de lições de seminário, em geral utilizadas para reforçar tradicionais conteúdos devocionais. Muitos não suportam questionamento dos fiéis e, por isso, não se atrevem a ministrar cursos. Preferem o monólogo do sermão de missa, pois ali não convém à assembleia fazer perguntas e muito menos contestações.

     Hoje em dia, os estudos bíblicos estão de tal modo avançados que muitos fiéis talvez se sentissem abalados em sua fé se enfocassem os relatos evangélicos à luz das pesquisas mais recentes e destituídos de invólucros míticos. A avalanche devocional recobriu de tal modo os personagens bíblicos, como o próprio Jesus, que fica difícil encará-los como humanos.

     Muitos cristãos ainda creem em um Deus cruel que, ofendido por nossos pecados, exigiu que a sua ira divina fosse aplacada por um sacrifício igualmente divino: a morte de seu filho na cruz! 

Mas qual pai se compraz de ver seu único filho crucificado? Como Jesus perdeu a vida todos sabemos: assassinado. Por quê? Não era ele uma pessoa tão boa, espiritualizada, que “passou a vida fazendo o bem”, como diz o evangelista João? Quem haveria de querer matá-lo?

      Ora, Jesus nada tinha dessa figura angélica alimentada por eflúvios piedosos. Era “sinal de contradição”. Colocou-se ao lado dos injustiçados. Denunciou os ricos e as autoridades de seu tempo. Incomodou os opressores. Não admitiu que corresse dinheiro no Templo, casa de Deus transformada em “covil de ladrões”.

     Por isso, foi assassinado por dois poderes políticos: o romano e o sinédrio judaico. Pilatos e Caifás. Morreu como prisioneiro político.   

Nada disso interessa a quem deturpa o Evangelho e sonega seu conteúdo para alimentar uma religiosidade de consolação, e não de compromisso; de evasão, e não de engajamento; de fuga do “vale de lágrimas”, e não de inserção amorosa e libertadora no mundo.

     A fé necessita de alimento sólido. Não se nutre adultos com papinhas de bebê. Daí o fato de muitos católicos migrarem para Igrejas nas quais a compreensão teológica da Palavra de Deus é trocada por interpretações míticas que reforçam a apatia diante das mazelas sociais. Já que não se tem acesso aos serviços de saúde, ao menos se espera confiante o milagre da cura e se deposita a fé e a poupança no pregador que promete prosperidade em curto prazo. Caso ela não venha, pode ter certeza de que você ainda não cortou definitivamente seus vínculos com o diabo...

     Menos religião e mais espiritualidade...

-------------------------------------------------------- 

Fontes do artigo:

http://jornaloporta-voz.blogspot.com/2020/07/idade-adulta-fe-infantil.html

Frei Betto é escritor, autor de “Um Deus muito humano” (Companhia das Letras), entre outros livros. Adquira os livros do autor a preço mais barato pelo site: www.freibetto.org  e receba-os em casa

Contatos: http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

Crédito das Imagens:

1. Jesus - particular da obra de Rembrandt

2. Rosto de Jesus - Imagem divulgada no artigo citado, referente à pesquisa realizada.

3. Jesus, o pastor - obra do argentino Adolfo Pérez Esquivel - prêmio Nobel da Paz (1980).


Nota - As imagens publicadas nesta postagem pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja retirá-la, por favor envie seu comentário.   







 


Nenhum comentário :

Deixe seu comentário:

Posts + Lidos

Desenho de AlternativoBrasil e-studio