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PRÊMIO DA PAZ ALEMÃO AO FOTÓGRAFO SEBASTIÃO SALGADO

24 de outubro de 2019













Sebastião Salgado é um dos maiores nomes da arte da expressão imagética do nosso tempo. Com o manejo articulado das lentes de sua máquina fotográfica, ele nos traz as histórias que observa de perto, com as quais se emociona e se identifica. É um fotógrafo jornalista, pois torna-se parceiro da realidade que fotografa, levando-a ao mundo, trazendo-a até nós, exercendo o seu papel político do mais mais alto nível, de cidadão que almeja o bem-comum. Suas imagens são expressões do seu olhar transparente, marcadas pelo compromisso ativo e inarredável desse brasileiro destemido, conhecedor da nossa história de lutas.  O mundo culto, comprometido com a Paz, a Vida e a Fraternização, nos aplaude, a nós brasileiros, homenageando as lentes do grande Sebastião Salgado e as letras do poeta maior Chico Buarque. Neste ano,  ambos foram agraciados com dois prêmios de excelência, que orgulham e engrandecem o nosso povo. 

Nesses dias, celebramos o Prêmio da Paz, que homenageia Sebastião Salgado. Em 28,08,2019, o jornal "El País" comenta a exposição realizada pelo fotóografo, com o título "Amazônia": 
                                          
"Esta série de imagens faz parte de Amazônia, o novo (e talvez último) projeto do fotógrafo Sebastião Salgado. Depois de seus trabalhos sobre as migrações e a natureza, Êxodos e Gêneses, o brasileiro volta às imagens antropológicas, convertidas no grito de um povo que teme por seu futuro. Os korubo vivem isolados em um mundo hiperconectado. Formam uma das etnias amazônicas do Brasil com menos contato com os não indígenas. Um aspecto que os converteu em mais vulneráveis aos ataques de madeireiros e garimpeiros, as doenças e o avanço imparável do homem na selva".

"Seus olhares fincados na câmera são a quebra de um silêncio. Os korubo, uma das etnias da Amazônia brasileira com menos contato com pessoas não indígenas, posam em grupo, em casal, trabalhando ou cortando os cabelos. Este projeto de Salgado (Aimorés, 1944) soma mais um capítulo à história de amor do fotógrafo com a região e as culturas em risco de desaparecimento, um dos eixos principais de seu trabalho. Em 2017, durante 20 dias, o artista conviveu com esta aldeia, uma das populações mais isoladas do mundo. E converteu o Vale do Javari, a segunda maior Terra Indígena do Brasil, em um estudo fotográfico".


"Amazônia sofre com política criminosa do presidente"


Sebastião Salgado recebe Prêmio da Paz, o dedica às vítimas que retratou e critica Bolsonaro, em fala de agradecimento. 

"Os povos indígenas vivem com medo. A agricultura industrial destrói cada vez mais a floresta"



Brasileiro se torna primeiro fotógrafo a ganhar um dos
 mais prestigiosos prêmios literários alemães.
Bonn (Alemanha)
21 de out de 2019 Parte superior do formulário

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que recebeu o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão no domingo 20/10, dedicou a sua conquista a todas as vítimas das tragédias que fotografou e aproveitou o discurso para novamente criticar o presidente Jair Bolsonaro.
O Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão é uma das mais importantes distinções literárias do país, premiando escritores, filósofos e cientistas desde 1950. Esta é a primeira vez que um fotógrafo recebe a homenagem, dotada com um prêmio em dinheiro de 25 mil euros (quase 115 mil reais). A cerimônia de premiação é realizada tradicionalmente no último dia da Feira do Livro de Frankfurt.
"Suas fotos desarmam, elas promovem conexão, proximidade e empatia", disse o cineasta Wim Wenders em seu discurso de homenagem ao brasileiro, acrescentando que elas são "uma obra da paz". O alemão dirigiu o documentário O sal da terra, sobre a vida e o trabalho de Salgado, que concorreu ao Oscar em 2015.
"Ele fotografa pessoas em todo o mundo forçadas a enfrentar fome, guerra e opressão, a deixarem seus lares e realizarem uma jornada ao desconhecido", ressaltou o diretor, afirmando que, assim, ele prova ser um "vidente, cuja câmera nos mostra profeticamente a perda de outros fundamentos da paz".
Em sua fala de agradecimento, Sebastião Salgado classificou sua obra como um "ensaio fotográfico", que ele começou há 50 anos e que ainda continua a complementar. "Quero compartilhar este prêmio com todos que permitiram que eu os fotografasse para que as suas tragédias fossem conhecidas pelo mundo", declarou o brasileiro.

    Sebastião Salgado - A remota aldeia dos AWA, na Amazônia. Reprodução do El País.

Ao longo do discurso, Salgado contou um pouco da trajetória que o levou a muitas partes do mundo para documentar situações extremas e depois a diversos paraísos naturais, o que fez para se recuperar do desespero após ter trabalhado como fotógrafo no genocídio de Ruanda. "Esse genocídio poderia ter sido evitado se a Europa e a ONU tivessem interferido. Todo mundo sabia o que estava acontecendo e ninguém fez nada", denunciou.
Ao falar sobre as viagens à Amazônia, Salgado voltou a criticar Bolsonaro pelas políticas relacionadas aos povos indígenas e ao meio ambiente. "A Amazônia está nas notícias agora pela política criminosa do presidente brasileiro. Os povos indígenas vivem com medo. A agricultura industrial destrói cada vez mais a floresta", analisou.
Apesar de todas as situações críticas que já presenciou, Sebastião Salgado disse que continua tendo certa esperança porque "o futuro do planeta está nas nossas mãos".
"Não podemos negar o dano que podemos fazer, pois o ser humano pode ser um lobo para o homem. Mas o futuro do planeta está nas nossas mãos", argumentou.



   AFP/D.Rolling
De acordo com o prestigiado fotógrafo, o prêmio recebido neste domingo reconhece um trabalho desenvolvido durante quase 50 anos e toda a sua vida. "Corrijo-me, a nossa vida. A de Lélia (Wanick Salgado, mulher do fotógrafo) e eu. Tudo o que fiz não teria sido possível sem Lélia. Ela me levou à fotografia, ela editou os meus livros, ela me devolveu a esperança e salvou a minha vida quando voltei de Ruanda", comentou.
Entre outras personalidades distinguidas com o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão estão Margaret Atwood (2018), Susan Sontag (2003), Václav Havel (1989). Albert Schweitzer (1951), Hermann Hesse (1955), Astrid Lindgren (1978), Siegfried Lenz (1988), Mario Vargas Llosa (1996), Martin Walser (1998), Jürgen Habermas (2001), Orhan Pamuk (2005) e David Grossman (2010).
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Fonte dos textos:

Do Jornal El País, em 28 de agosto de 1918:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/10/eps/1533894534_470404.html

Do Portal Operamundi, em 21 de outubro de 2019:
https://operamundi.uol.com.br/meio-ambiente/61111/amazonia-sofre-com-politica-criminosa-do-presidente
Crédito das Imagens:

1 - Fotografia de Sebastião Salgado - www.elpais_noticia_relacionada_jpg
2 - Capa Livro Revela-te, sobre Chico Buarque - www.resenhando,com.jpg
3 - Prêmio - Sebastião Salgado Agradece Prêmio recebido. AFP.D.Roland
4 - Amazônia - www.elpaís.noticia_relacionada.jpg - A remota Aldeia dos AWÁ.
5 - Amazônia - fotografia de Sebastião Salgado - 
https://www.rollingstone.com/culture/culture-features/sebastiao-salgado-photography-brazil-amazon-jungle-javari-valley-699825/

Nota: As imagens aqui postadas pertencem aos respectivos autores. Se algum deles não estiver de acordo com a sua reprodução neste espaço, por favor comunique-se conosco, fazendo um comentário nesta postagem. 





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