Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

BRASIL - AS ESPERANÇAS RENASCEM NO 1º DE MAIO

5 de maio de 2018

Após as celebrações do 1º de maio, realizadas pelos trabalhadores – que congregaram diferentes bandeiras sindicais, em várias capitais do país e especialmente em Curitiba – eleita, atualmente, a capital da democracia – as notícias e os registros digitais nos fazem lembrar uma outra festa unificadora de várias forças políticas, durante a campanha pelas Diretas Já, nos tempos de superação de um longa ditadura no país.

As comemoração do povo, no 1º de maio deste ano, me alentaram e, mais uma vez, me trouxeram um grande sentimento de gratidão à Vida. Movida por minha fé, agradeci a Maria de Nazaré - uma dona de casa muito especial, que na maturidade suportou a perda do seu filho, um andarilho conhecido como Jesus, o Nazareno. Ele se fez conhecer, e foi seguido, como o filho predileto de Deus. Era tão importante e incisivo o que Ele dizia, e o que fazia, na época, que, após a sua morte, o grande imperador Constantino decidiu dividir a marcação do tempo, inscrevendo a história ocidental em “antes de Cristo” e “depois de Cristo”. Constantino havia entendido que Jesus de Nazaré, filho de Maria e do  carpinteiro José, trouxera ao mundo uma poderosa revolução.

No correr dos séculos, cristãos e não cristãos se destacaram por suas ideias – conscientes ou não de serem seguidores Jesus. Um dos primeiros, e mais autênticos, foi Francisco de Assis, um jovem herdeiro de uma rica família medieval, nos longínquos 1200. Ele não hesitou de largar a sua riqueza e a garantia de um futuro nobre, para dedicar-se aos pobres da sua época, promovendo um ousado movimento religioso. Com o seu testemunho, clamava por mudanças na Igreja Católica e na prática de vida dos que queriam seguir a ideologia do Nazareno.


Esse Jesus de Nazaré é uma figura que ainda impressiona e move corações, depois de tantos séculos da sua passagem entre nós. 

Foi um homem fiel ao seu povo, e por isso perseguido pelos poderosos do seu tempo. No final da sua vida humana, não foi morar nas estrelas, como dizemos às crianças, quando os nossos mais queridos se vão. 

O Nazareno também não ficou “lá em cima”, como se diz, apontando o céu – aquele imenso espaço, perdido no horizonte, que nos manda a chuva, as trovoadas e os raios de sol, e se enfeita de luar e de estrelas brilhantes. 

Para muitos, que buscam ser fieis à Sua mensagem - feito Francisco de Assis e Francisco, o papa, e feito muitos Franciscos e Madalenas que lhe seguem  – Jesus de Nazaré continua vivo, e presente, nas diferentes latitudes do planeta. E não só os pobres, mas muitos ricos e pecadores o seguiram e lhe foram fiéis.

O mandatário de César, o Imperador do seu tempo, após decidir por sua crucificação - o castigo que se dava aos malfeitores da época – acreditava que, com essa decisão tão autoritária e precipitada, o faria calar. E pensava que, com o julgamento tendencioso e a crucificação do Nazareno, o povo iria esquecer os seus feitos, as suas palavras, a sua mensagem. No entanto, Jesus de Nazaré  continuou vivo, de uma forma espantosa, através do testemunho pessoal e coletivo dos que abraçaram a Sua mensagem.


Nesse 1º de maio de 2018, nós brasileiros o vimos, presente, na expressão de luta e Esperança dos trabalhadores que se juntaram – unindo todas as suas diferenças – para formar uma só voz, nos quatro cantos do país, em defesa da democracia brasileira. Uma luta que clama a igualdade de direitos e de justiça para todos. Que não exclui os ricos, nem os que têm grandes empresas e bons empregos. Alguns desses também foram vistos no meio da multidão de Curitiba e de outras capitais. As bandeiras sindicais brasileiras foram levantadas, de forma solidária, em várias capitais da América Latina e da Europa. 

Pode-se dizer que os ventos sopravam o caminho que o Nazareno havia mostrado: o da conciliação e da união, cujo princípio comum é a causa dos pobres e injustiçados: “quando dois ou mais estiverem unidos, em meu nome, (não só para festejar a paz e a alegria, mas para defender a causa dos irmãos perseguidos e injustiçados) Eu estarei com eles”.

Ele mesmo disse, que seriam seus seguidores aqueles que amassem o seu semelhante como a si mesmo. E frisou: Tudo o que fizeres ao menor dos irmãos, é a mim que estarás  fazendo.   

O que vimos em Curitiba, e em inúmeras cidades do Brasil e do mundo, é uma realidade palpável de luta e Esperança, nesses tempos conturbados do nosso país. O povo demonstrou que não deixará que se quebre a corrente pela luta por um Brasil democrático, justo, livre da sedução do poder.

Nesses tempos tenebrosos do Brasil, um dos representantes mais carismáticos dessa luta comum, é o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Quiseram calar a sua voz, e o aprisionaram feito um passarinho na gaiola, impedido de cantar. Mas as suas ideias e a sua mensagem se transformaram no gesto e na força da unidade dos trabalhadores brasileiros. 

Jamais esqueceremos a experiência anterior que tivemos - e que foi golpeada por um golpe anti-democrático - como um ensaio esperançoso de mudanças pacíficas, solidárias, conquistando pouco a pouco padrões de cidadania para os empobrecidos do nosso país. É por essa razão que o povo brasileiro resistirá, unido, e não silenciará. Porque já tivemos os primeiros ensaios de outro jeito novo de governar o país.

No editorial do 1º de maio, do site: www.vermelho.org.br, se afirma: 

"Foi a primeira vez, desde o fim da ditadura, em 1985, que as sete maiores centrais sindicais se uniram em torno de reivindicações específicas dos trabalhadores e de uma bandeira política de grande significado, a defesa da democracia, neste 1º de maio que foi 'fruto da maturidade política' dos trabalhadores, dos democratas e progressistas."

Cabe a nós, agora, encontrar modos de também participar dessa empreitada, com maior vigor. E buscar compreender os sinais dos tempos, no momento que vivemos. Essa não é uma causa partidária, nem de uma só bandeira sindical. Trata-se da causa da maioria dos brasileiros, cada vez mais distanciados dos direitos que haviam conquistado, e que lhes foram tirados.

Lembrei-me, agora, de um vídeo do Vaticano, registrando uma fala do papa Francisco. Perguntado por um jesuíta sobre o que ele achava da congregação assumir posições políticas públicas, o papa lhe respondeu, com firmeza, que não via como, nos dias de hoje, um cristão poder vivenciar o amor fraterno fora da política. E que era necessário sujar as mãos pela causa dos pobres. 


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Créditos das Imagens

1. A imagem de Jesus de Nazaré, é uma reprodução da figura do ator Joaquin Phoenix, no papel de Jesus, no recente filme "Madalena". 
2. A imagem de Lula após a celebração da missa, no dia da sua prisão, foi copiada do site: www.osul.com.br
2. As imagens das mobilizações do 1º de maio, no Brasil e no mundo, são reproduções dos sites www.vermelho.org.be e da revista CartaCapital. 

Nota: Todas as imagens, aqui publicadas, pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja que seja removida desse espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com




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