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A FALTA DE VERGONHA NA CORRUPÇÃO BRASILEIRA

28 julho, 2016

A falta de vergonha e a ausência de culpa
na corrupção brasileira

Leonardo Boff (i)

Depois que surgiu a psicanálise, a nova hermenêutica e o estruturalismo, não podemos mais nos restringir ao consciente e aos ditames da razão na análise dos fenômenos humanos, pessoais e coletivos. Há um universo pré-consciente, subconsciente,  inconsciente (pessoal e coletivo) e pressupostos subjacentes às nossas práticas, que têm que ser tomados em conta.

Quero me ater apenas a duas vertentes que influenciam nossos comportamentos: são os legados das duas principais culturas ancestrais que subjazem no nosso inconsciente coletivo, e que são pressupostos não pensados que nos ajudam a entender fenômenos atuais como, por exemplo, a tresloucada corrupção que atravessa o corpo social brasileiro: a cultura grega e a cultura judaico-cristã.

Da cultura grega herdamos o sentimento de vergonha. O conceito correlato é o do herói. Ter vergonha para os gregos consistia em se frustrar em qualquer empreendimento, como na guerra e na convivência social. Perder uma batalha constituía uma vergonha coletiva para todo um povo. Perder numa competição nas Olimpíadas provocava vergonha. Triunfar e ser bem sucedido preenchia os requisites do herói.

Hoje, esta categoria está presente em nossa sociedade. É um herói o jogador que conseguiu o gol da vitória do time de predileção. Vergonha coletiva é o Brasil perder de 7×1 na Copa Mundial de futebol contra a Alemanha. Conseguir altos índices de crescimento e de lucro de uma empresa faz do empresário um herói. Perder uma eleição produz vergonha. A vergonha tem a ver com a imagem que projetamos socialmente. Ela tem que causar admiração e respeito. Caso contrário, faz as pessoas se sentirem envergonhadas.


A outra vertente é constituída pela tradição judaico-cristã. A categoria central é a culpa. Geralmente colocamos a culpa nos outros. Se fracassamos num negócio é por culpa da crise econômica. Se o matrimônio se desfez é por culpa de um dos parceiros. Se há uma desgraça ecológica é por culpa dos moradores que se instalaram em áreas de risco. Às vezes, colocamos a culpa em nós mesmos por um acidente de tráfico, por erros que produzem uma ruinosa administração ou porque roubamos dinheiro público e nos tornamos corruptos.

A culpa atinge a interioridade e afeta a consciência. A repercussão não é tanto diante dos outros, que talvez nem saibam de nosso malfeito, mas diante do tribunal da consciência. Esta nos remete logo a Deus, pois entre a consciência e Deus não há mediação. 
Estamos direta e imediatamente diante dele.

A culpa nos causa remorsos. Com o dinheiro desviado da merenda escolar, se tiver um mínimo de consciência ética a pessoa percebe que está prejudicando crianças que começam a passar fome. O sentimento de culpa pede reparação e cobra uma punição. O oposto à culpa é o sentimento de ser justo e reto, dois conceitos definidores de uma pessoa “justa” (santa) no sentido bíblico.


Sentir vergonha e dar-se conta da culpa constituem as bases de uma consciência ética. Não precisar se envergonhar diante dos outros, e não se sentir culpado diante da consciência e de Deus são sinais de retidão de vida e de uma atitude ética correta. Pode dormir tranquilo e não temer a maledicência pública.


Qual é o nosso problema concernente à escandalosa corrupção passiva e ativa no Brasil? É a acabada falta de vergonha e a completa ausência de culpa dos corruptos e corruptores diante de seus malfeitos.


Mesmo surpreendidos no ato de corrupção ouvimos sempre o mesmo mote: “não sou culpado de nada”, “sou injustiçado”, “sou completamente inocente”. E se trata de pessoas notória e comprovadamente corruptas. Perderam a noção total de culpa e não dão nenhuma  importância à vergonha pública de seus atos. Seguem desfilando tranquilos pela cidade, e a frequentar os melhores restaurantes. Raramente ouve-se a indignação ética por parte de alguns com os gritos de “corrupto, ladrão”. Mas os corruptos nem se incomodam e continuam no seu desfrute.

Aristóteles, na sua Ética a Nicômano, estabelecia a vergonha e o rubor do rosto como um indicativo da presença de uma consciência ética. Sem essa vergonha, a pessoa era realmente um “sem vergonha”, um mau caráter, sem o sentido dos valores.

Essa falta de vergonha e de sentimento de culpa se transformou, entre nós no Brasil, numa especial de segunda natureza, tornada uma prática usual. Por isso, quase todo o tecido social é contaminado pelo vírus da corrupção, dos corruptores e dos corrompidos.

Mas ela chegou, nos dias atuais, a níveis tão escandalosos, que não podem mais ser tolerados pela sociedade e pelos cidadãos que ainda guardam uma consciência ética do que é reto e correto, justo e bom. Cobra-se rigorosa investigação e condenação.

A corrupção como prática pessoal e social, sem sermos moralistas e utópicos, tem que ser banida e reduzida a níveis compatíveis com a condição humana decaída e corruptível. Há que se resgatar o sentimento de vergonha e de culpa, sem o que nossos esforços serão inócuos.

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Leonardo Boff é articulista do JB on line, foi professor de ética na UERJ e em Heidelberg na Alemanha. Publicado no site Leonardo BOFF, em 22/07/2016

Créditos das Imagens:

1. Retrato de Mariana Moura - pintora - de: Roberto Ploeg - www.robertoploeg.blogspot.com /Atelier Ploeg www.facebook.com
2. Desespero, o.s.t., 40x30cm - 2013 - de: Roberto Ploeg
3. Rapaz com mão no nariz, o.s.t. - de Roberto Ploeg
4. Panelaço contra Temer-Av. Paulista - Fotógrafo: Carlos Vilela (EFE),
    in: www.brasil.elpaís.com - 16.05.2016

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LITERATURA - JOÃO GUIMARÃES ROSA

03 julho, 2016

GRANDE SERTÃO:VEREDAS 

 - João Guimarães Rosa  


O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, 
ainda não foram terminadas
 – mas que elas vão sempre mudando
Afinam ou desafinam. Verdade maior. 
É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão". (i)



                                                                                                                                                                   
Para o grande escritor e poeta João Guimarães Rosa, a ideia das diferentes diferenças e da capacidade de mudar das pessoas, de se reorientar – de dentro para fora, – era “uma alegria de montão”.

Será que conseguimos pensar assim, quando observamos as contínuas mudanças das pessoas mais próximas: amigos e amigas, namorados e namoradas, maridos e esposas, filhos e filhas, genros e noras? 

Há sempre o que se aprender sobre as relações humanas, para que as mudanças observadas nas pessoas tragam alegria de montão à nossa vida.

Entremos num acordo de que a nós não cabe discernir que as mudanças das pessoas com quem convivemos devam ser tais ou quais, assim como concebemos nós do nosso lugar no mudo.



A grande intuição de Guimarães Rosa é que as pessoas não estão sempre iguais, pois ainda não foram terminadas – e que elas estão sempre mudando. 


Ele demonstra acreditar essas mudanças são para o melhor que cada um de nós está continuamente a estabelecer para si ou para o outro, e sabe muito bem o quanto o outro é diferente de si.

No entanto, é comum alguém se encontrar a comentar com os amigos sobre a surpreendente visão que tem das mudanças que vê acontecer naqueles com quem convive: – Ele não podia ter feito isso...; – Ela não tinha que fazer assim...; – Eu pensava que eles...

Quanto nos falta de desconfiômetro! 

 
O diálogo é a melhor forma de mostrar interesse por alguém. Estar ao seu lado, escutá-lo com serenidade  e, ao ouvi-lo, ou ouvi-la, tentar imaginar a si mesmo em seu lugar, para entender o seu ponto de vista. Com essas pequenas atenções, e sem precisar insistir dando-lhe "conselho”, o outro ainda nos pode surpreender, mais tarde, com a decisão que escolheu assumir.  

Todos sabemos que, ao final, cada um se expressa, na convivência, com o seu jeito próprio de ser. E, quando não se sente seguro de fazê-lo, é porque não encontra espaços de compreensão e liberdade para ser o que é. 

É claro que existem convivências problemáticas, pessoas que se enroscam em si mesmas e não conseguem ver nada além do seu próprio nariz, do seu próprio desejo, da sua imutável visão das coisas. Para essas pessoas, existem os profissionais da área, psicólogos e psiquiatras que as ajudam a encontrar sua forma de melhor conviver, e de entender melhor os outros.  

Sem esquecer que as pessoas ”...estão sempre mudando. 
                                                 Afinam ou desafinam. Verdade maior.


Pensando bem, não é coisa tão simples de se alcançar, como sugere a sábia e profunda escrita poética de Guimarães Rosa. Conviver é coisa dura e difícil, parecida com os caminhos do cenário sertanejo das Minas Gerais que o autor descreve no seu livro “Grande Sertão: Veredas”.  


Em muitas religiões a orientação é buscar respeitar esse jeito das pessoas que ora estão agradáveis, afinadas, compreensivas, ora desafinam, e se desdobram em maus humores de muitas faces. É aí que o amor fraterno requer de cada um de nós a capacidade de acolher o outro como ele é, ou... como ele se mostra ser em suas contínuas mudanças.


Acolher as nossas recíprocas diferenças é o caminho maior, - certas vezes muito exigente - mas carregado de possibilidades de boa convivência. O importante é decidir começar primeiro. Ser o primeiro a dar o passo necessário para o recomeço.

Como fazer, então? “...Precisa ter ânimo, energia e paciência forte”. 


Mas, tomada a decisão, o escritor sugere que se deve “dar tudo a Deus, que de repente vem com novas coisas mais altas, e paga e repaga, os juros dele não obedecem medida nenhuma”. 

E conclui:

                    “ É o que a vida me ensinou.
                      Isso que me alegra montão". 


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(i) Citações retiradas do romance Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa – Ed. Nova Fronteira. Biblioteca do Estudante. Rio de Janeiro, 2006.p.23/1

 Crédito Imagens : www.canstockphoto.com.br



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A FORÇA POLÍTICA DOS MOVIMENTOS POPULARES

24 junho, 2016


Transcrevo, aqui, trechos de um recente artigo - publicado no site Adital - de autoria do dominicano Frei Marcos Sassatelli, que nos convida a responder aos apelos do Papa Francisco a todos os cristãos, - também por este difícil momento por que passamos na América Latina. O papa nos anima a participar das mobilizações dos Movimentos Populares, como expressão do nosso compromisso político em relação às consequências das perdas e danos que a cada dia são mais evidentes, também no Brasil, e crescem cada vez mais em detrimento especialmente dos empobrecidos. 

O convite do Papa Francisco é certamente dirigido também a qualquer pessoa que se interesse pelo destino dos povos sofridos, ludibriados e desalentados, com tantas ridículas manobras para fortalecer a centralidade do poder e impulsionar o enriquecimento daqueles cujo ídolo é a riqueza por meio da exploração dos mais vulneráveis da sociedade. 

Segue o texto do Frei Marcos Sassatelli.

Num clima de indignação e protesto contra a prisão política (em 04/06/2016), de José Valdir Misnerovicz e Luiz Batista Borges, do MST, houve em Goiânia dois acontecimentos muito significativos sobre o tema da criminalização dos Movimentos Populares: uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Goiás, e um debate na Faculdade de Direito da UFG (com a presença de João Pedro Stedile, do MST).

Participaram desses acontecimentos líderes e membros de Movimentos Populares, Centrais de Movimentos Populares, Sindicatos, Centrais Sindicais, Partidos Políticos (comprometidos com a mudança do sistema e a construção do Projeto Político Popular) e outras entidades ou organizações (civis e religiosas), que apoiam e participam das lutas dos trabalhadores e das trabalhadoras.


Pessoalmente, o que mais me emocionou e edificou - quero aqui destacar - são duas coisas: a unidade dos Movimentos Populares em torno de causas comuns, mesmo na diversidade de suas histórias e identidades, e a presença - sobretudo entre as lideranças - de muitos e muitas jovens. São acontecimentos como esses que fortalecem a nossa esperança e nos fazem acreditar que outro mundo é possível. (...)


Falando aos Movimentos Populares, o Papa Francisco afirma: "A Bíblia lembra-nos que Deus escuta o clamor do seu povo, e também eu quero voltar a unir a minha voz à de vocês: terra, teto e trabalho para todos os nossos irmãos e irmãs. Disse-o e repito: são direitos sagrados. Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos seja escutado na América Latina e em toda a terra”.



Como pessoa de fé e religioso - que acredita na Boa Notícia de Jesus de Nazaré, que é o Reino de Deus na história do ser humano e do mundo - estou convencido que os cristãos e as cristãs deveriam - em nome não só de sua consciência cidadã, mas também de sua fé - participar ativamente dos Movimentos Populares (reconhecendo e respeitando sua autonomia) e estar sempre na linha de frente de todas as lutas sociais e ambientais por uma sociedade mais justa e igualitária. 



Em seu discurso aos Movimentos Populares na Bolívia, com muita clareza e com palavras cheias de ternura, Francisco diz: "Há alguns meses nos reunimos em Roma e não esqueço aquele nosso primeiro encontro. Durante este tempo, estive com vocês no meu coração e nas minhas orações. Alegra-me vê-los de novo aqui, debatendo os melhores caminhos para superar as graves situações de injustiça que padecem os excluídos em todo o mundo. 


Em Roma senti algo muito bonito: fraternidade, paixão, entrega, sede de justiça. Hoje, em Santa Cruz de la Sierra, volto a sentir o mesmo. Obrigado! Soube também que são muitos na Igreja aqueles que se sentem mais próximos dos Movimentos Populares. Muito me alegro por isso! 

Ver a Igreja com as portas abertas a todos vocês, que se envolve, acompanha e consegue efetivar em cada diocese e em cada Comissão ‘Justiça e Paz’, uma colaboração real, permanente e comprometida com os Movimentos Populares. Convido-os a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as Organizações Sociais das periferias urbanas e rurais, a aprofundar este encontro” (Santa Cruz de la Sierra, 9/07/2015). 


Reparem: o convite do Papa é dirigido aos bispos, sacerdotes e leigos. 

Não está na hora de ouvirmos e atendermos ao convite do Papa? 

Por que será que temos ainda bispos e sacerdotes que nunca falam dos Movimentos Populares e nunca participam de suas lutas por uma nova sociedade mais justa e mais igualitária?

O papa Francisco afirma que "o sistema social e econômico é injusto em sua raiz” e "um mal embrenhado nas estruturas”. 

No documento "A Alegria do Evangelho - EG, 53 e 59 -  o papa declara que "devemos dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade social”, porque "essa economia mata”. E que ”hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, em que o poderoso engole o mais fraco”. "O ser humano - ele afirma - é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois jogar fora”... "Assim teve início a cultura do ‘descartável’ (...). "Os excluídos não são só explorados, mas são tratados como resíduos e sobras”. (...)



O nosso irmão Francisco também nos recorda que "a necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza não pode esperar”. (...)  No seu discurso aos Movimentos Populares da Bolívia, ele diz: "Os planos de assistência social - que acodem a certas emergências - deveriam ser pensados apenas como respostas transitórias. Jamais poderão substituir a verdadeira inclusão; uma inclusão que oferece o trabalho digno, livre, criativo, participativo e solidário”. (...)

Achar que as "Obras Sociais" resolvem os problemas do mundo é uma alienação e, ao mesmo tempo, uma maneira de legitimar, consciente ou inconscientemente, o sistema dominante. Parabéns aos Movimentos Populares! O mundo conta com vocês! E, mais uma vez,  o nosso irrestrito apoio e a nossa total solidariedade a José Valdir e Luiz Batista do MST, presos políticos em Goiás.

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Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br


Créditos Imagens

1. Operários - Tarcila Amaral - www.shutterstock.com
                     in: notícias universais-brasil-al - 22/05/2012
2.  Trabalhadores Rurais - Abelardo da Hora (foto em exposição do autor).
3.  Manifestação no Brasil em 1984 - "Nós Mulheres" - www.oatibaiense.com.br
4.  Zilda Arns com crianças - www.istoeimagens.com.br
5.  Dom Pedro Casaldaliga - www.periodistadigital.com
6.  Papa Francisco almoça com funcinários do Vaticano. Reuters. Osservatore          Romano. www.fidespress.com/papa-francisco-almoça-com-funcionários
7. Retirantes - arte com pedras. Nizar-Ali-Badr-pebble-stories.Lataka/Síria.
8. Dom Hélder Câmara, no Recife, conversa com uma mulher - foto documental.



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ESPIRITUALIDADE - DAS TREVAS À LUZ

17 junho, 2016

Caro irmão Leonardo Boff: quero expressar a minha gratidão e a alegria de poder compartilhar neste blog – como faço repetidamente com o que escreves – essa profunda meditação da Luz. Você acertou quando a partilhou com os que leem o seu blog no mundo inteiro, mas especialmente com os brasileiros, aturdidos que estamos por essa treva política e institucional que nos deixa tão triste, embora sempre com algum lampejo de Luz, como você diz. 

Chegará o dia de acendermos um fósforo que seja – e pedir ao Espírito da Luz que a faça chegar em breve – pois sabemos que as trapalhadas desse governo golpista só têm de bom as lições que o povo está aprendendo: de que  precisamos continuar a manter e a defender – mesmo se algumas vezes de forma capenga – as instituições democráticas do pais.

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No seio das trevas atuais,

abra-te à Luz do Alto!
Leonardo Boff

Depois de semanas de turbulência política, onde dominaram densas trevas feitas de distorções, vontade de destruir e raivas viscerais, mas felizmente com alguns lampejos de luz, escrevemos esta meditação da Luz. Ela até hoje é para os cosmólogos um mistério ainda indecifrável. Só a entendemos um pouco pensando-a ora como onda ora como partícula.

Independentemente desta imponderabilidade sobre a natureza da Luz, professamos a crença inarredável de que a Luz tem mais direito do que as trevas. Basta a pequena luz de um fósforo aceso para espancar a escuridão de toda uma sala.

Foi o que nos moveu a publicar, recata e reverentemente, esta pequena reflexão inspirada pela prática dos cristãos do norte do Egito, influenciados pela cultura gnóstica da época, mas assimilada dentro da compreensão cristã que via na Luz a presença do Espírito Criador.

Do fundo mais profundo do universo nos vem uma Luz misteriosa. Ela incide sobre a nossa cabeça, exatamente onde temos o corpo caloso, aquela parte que separa o cérebro esquerdo do direito. Essa separação é a fonte de nossas dualidades, por um lado o sentimento e por outro o pensamento, por um lado a capacidade de análise e por outro nossa capacidade de síntese, por um lado o senso de objetividade e por outro, da subjetividade, por um lado o mundo dos fins e por outro o universo do sentido e da espiritualidade.


A Luz beatíssima do Alto suspende a separação dos cérebros e opera a união. Pensamos amando 
e amamos pensando. 

Trabalhamos fazendo poemas. Combinamos arte com lazer. Mas sob uma condição, a de nos abrimos totalmente à Luz do Alto. 

“Acolha a Luz misteriosa que atravessa todo o universo e chega até a ti! Faça-a correr por todo o teu corpo, pela cabeça, pelos olhos, pelos pulmões, pelo coração, pelos intestinos, por teus órgãos genitais. Faça-a descer pelas pernas, detenha-a nos joelhos, e, por um momento, fixe-a nos pés, pois são eles que te sustentam”.

“E suba com ela, passando por todo o corpo, dirija-a novamente ao coração para que de lá te venham os bons sentimentos de amor e de compaixão. Faça-a ascender até ao meio da testa, àquilo que chamamos de o terceiro olho. Ela lhe trará pensamentos luminosos. Por fim deixe-a repousar no alto da cabeça”.
“De lá ela encherá de luz todo o teu corpo. Ela abrir-se-á a todo o universo, conferindo-te a sensação de seres um com o Todo. Superar-se-ão  as dualidades e farás a experiência bem-aventurada da unidade originária de tudo o que existe e vive. E conhecerás uma paz que é a integração das partes no Todo e do Todo nas partes. E de ti sairá uma luz como aquela do primeiro momento da criação. Conhecerás, mesmo que seja por um momento, o que é ser feliz em plenitude”.


“Por fim, agradeça a presença transformadora da Luz do Alto. Deixe-a sair para o seio do Mistério de onde veio”. No entanto, escute este conselho. Prepara-te sempre para acolhê-la. Pois ela nunca deixa de vir. E se não tiveres aberto todo o teu ser, ela passa ao largo e tu, estranhamente, te sentirás vazio, com um sentimento de falta de rumo e de sentido”.
“Sempre que acolheres a Luz beatíssima, irradiarás bondade e benquerença. E todos se sentirão bem junto de ti.”
“Abra-te inteiramente à Luz até tu mesmo virares plena luz”.
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Texto publicado no site Leonardo BOFF, em 11/06/2016.
Leonardo Boff escreveu “Meditação da Luz - O caminho da simplicidade”. Vozes, 2012.

Créditos Imagens

1. Pombas em voo - www.canstockphoto.com.br
2. Manifestação em protesto contra o governo interino - 
     www.jornalapagina.com/2016/05/manifestantes em São Paulo.
3. Pirâmides do Egito- o deserto e o oasis - br.pinterest.com 

Imagens 4.5.e 6 - www.canstockphoto.com.br

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SPIRITUALITÀ - LA LUCE CHE VIENE DALL´ ALTO

16 junho, 2016

Caro grande fratello Leonardo Boff: vorrei esprimerti la mia gratitudine e la gioia di diffondere nel mio blog – come faccio ripetutamente con  quello che scrivi – questa profonda meditazione sulla Luce. Hai azzeccato quando
l´hai divulgata con tutti quelli che ti legono, nel mondo intero, ma in modo particolare nel Brasile, che stiamo frastornati dalla tenebra politica e istituzionale che ora viviamo. Arriverà il giorno di accendere un fiammifero che sia – e chiediamo allo Spirito della Luce che la faccia arrivare in breve – perchè sappiamo che i pasticci delle azioni di questo governo provvisorio hanno solo di positivo le lezioni che il popolo imparerà: l´importanza di continuare a diffendere e di mantenere – anche se qualche volta a zoppicare – le istituzioni democratiche del nostro paese. 
Segue l´articolo. 





Siamo immersi in  
tenebra fonda, 

accogliamo la 

luce che viene

dall’Alto! 

Leonardo Boff




Dopo settimane di turbolenza politica dove hanno imperversato dense tenebre fatte di distorsioni, volontà di distruzione e rabbie viscerali, ma per fortuna con qualche sciabolata di Luce, scriviamo questa meditazione sulla Luce. Questa fino a oggi è per i cosmologhi un mistero ancora indecifrabile. La comprendiamo soltanto un poco, immaginandola a volte come onda a volte come particella.

Indipendentemente da questa imprecisione sulla natura della Luce, professiamo una convinzione incrollabile che la Luce ha più diritto delle tenebre. Basta la piccola luce di un fiammifero acceso per vincere l’oscurità di un’ intera sala.
Ciò mi ha mosso a pubblicare,  con riverente rispetto, questa piccola riflessione ispirata nella pratica dei cristiani del Nord dell´Egito influenzati dalla cultura gnostica dell´epoca, ma assimilata dalla comprensione cristiana che vedeva nella Luce la presenza dello Spirito Creatore. 

Dal fondo più profondo dell’universo ci arriva una luce misteriosa. Essa colpisce la nostra testa esattamente dove abbiamo il corpo calloso, quella parte che separa il cervello sinistro da quello destro. 

Questa separazione è la fonte delle nostre dualità, da una parte il sentimento e dall’altra il pensiero, da un lato la capacità di analisi e dall´altro di sintesi, da un lato il senso di oggettività, e dall´altro di soggettività, da una parte il mondo dei fini e dall’altra  l’universo del senso e della spiritualità.

La Luce beatissima di Lassù blocca la separazione dei cervelli e opera l’unione. Pensiamo mentre amiamo e amiamo pensando. Lavoriamo creando poesie. Combiniamo l’arte e il gioco. Ma a una condizione, quella di aprirci totalmente alla Luce che viene dall’ Alto. Accogli la Luce misteriosa che attraversa tutto l’universo e arriva fino a te! 


Falla scorrere per tutto il tuo corpo, sul capo, sugli occhi, nei polmoni, attraverso il cuore, attraverso gli intestini, fino ai tuoi organi genitali. 

Falla scendere attraverso le gambe, trattienila sulle ginocchia, e, per un momento, bloccala ai piedi, perché sono loro che ti tengono su.
E sali con lei, passando attraverso tutto il corpo, indirizzala nuovamente al cuore, affinché di là ti vengano i buoni sentimenti di amore e di compassione. 

Falla risalire fino a metà del fronte, a quello che noi chiamiamo terzo occhio. Essa ti porterà pensieri luminosi. Infine lascia che si posi sulla parte alta del capo.

Da lì essa riempirà di luce tutto  il  tuo  corpo e si aprirà a tutto l’universo, concedendoti la sensazione che sei una cosa sola con il Tutto. 


Saranno superate le dualità e farai la felice esperienza dell’unità originaria di tutto ciò che esiste e vive. 

E conoscerai una pace che è l’integrazione delle parti nel Tutto e del Tutto nelle parti. 

E da te uscirà una luce come quella del primo momento della creazione. Conoscerai, anche se sarà per un solo momento, che cosa sia essere felice in pienezza.

Infine, ringrazia la presenza trasformatrice della Luce che viene dall’Alto. Lasciala uscire verso il seno del Mistero da dove è venuta.

Nel frattempo ascolta questo consiglio. Sii sempre preparato ad accoglierla. Poichè essa non cessa mai di venire. E se non avrai spalancato tutto il tuo essere, lei passa alla larga, e tu, stranamente, ti sentirai vuoto, con un sentimento privo di meta e di senso.

Tutte le volte che avrai accolto la Luce beatissima, irradierai bontà e affezione. E tutti si sentiranno bene vicino a te.

Apriti interamente alla Luce fino a quando tu stesso diventerai pienezza di Luce.


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Leonardo Boff  è scrittore, filosofo, teologo e colonnista del JB on line.
Traduzione originale di Romano Baraglia e Lidia Arato, con rilettura di Vanise Rezende, esclusiva per pubblicazione in questo blog.  

Crediti Immagini

1. Leonardo Boff - www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/03/democracia
2. Esplosione di Luce - www.canstockphoto.com.br
3. Cerebri - www.canstockphoto.com.br
4. Figura umana avvolta di Luce - www.canstockphoto.com.br
5. Voos sobre a luz - www.canstockphoto.com.br
6. Anunciazione - Fra Angelico. 
    in: www.noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2012/06/14



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