Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

LITERATURA - JOÃO GUIMARÃES ROSA

3 de julho de 2016

GRANDE SERTÃO:VEREDAS 

 - João Guimarães Rosa  




O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, 
ainda não foram terminadas
 – mas que elas vão sempre mudando
Afinam ou desafinam. Verdade maior. 
É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão". (i)



                                                                                                                                                                   
Para o grande escritor e poeta João Guimarães Rosa, a ideia das diferentes diferenças e da capacidade de mudar das pessoas, de se reorientar – de dentro para fora, – era “uma alegria de montão”.

Será que conseguimos pensar assim, quando observamos as contínuas mudanças das pessoas mais próximas: amigos e amigas, namorados e namoradas, maridos e esposas, filhos e filhas, genros e noras? 

Há sempre o que se aprender sobre as relações humanas, para que as mudanças observadas nas pessoas tragam alegria de montão à nossa vida.

Entremos num acordo de que a nós não cabe discernir que as mudanças das pessoas com quem convivemos devam ser tais ou quais, assim como concebemos nós do nosso lugar no mudo.



A grande intuição de Guimarães Rosa é que as pessoas não estão sempre iguais, pois ainda não foram terminadas – e que elas estão sempre mudando. 


Ele demonstra acreditar essas mudanças são para o melhor que cada um de nós está continuamente a estabelecer para si ou para o outro, e sabe muito bem o quanto o outro é diferente de si.

No entanto, é comum alguém se encontrar a comentar com os amigos sobre a surpreendente visão que tem das mudanças que vê acontecer naqueles com quem convive: – Ele não podia ter feito isso...; – Ela não tinha que fazer assim...; – Eu pensava que eles...

Quanto nos falta de desconfiômetro! 

 
O diálogo é a melhor forma de mostrar interesse por alguém. Estar ao seu lado, escutá-lo com serenidade  e, ao ouvi-lo, ou ouvi-la, tentar imaginar a si mesmo em seu lugar, para entender o seu ponto de vista. Com essas pequenas atenções, e sem precisar insistir dando-lhe "conselho”, o outro ainda nos pode surpreender, mais tarde, com a decisão que escolheu assumir.  

Todos sabemos que, ao final, cada um se expressa, na convivência, com o seu jeito próprio de ser. E, quando não se sente seguro de fazê-lo, é porque não encontra espaços de compreensão e liberdade para ser o que é. 

É claro que existem convivências problemáticas, pessoas que se enroscam em si mesmas e não conseguem ver nada além do seu próprio nariz, do seu próprio desejo, da sua imutável visão das coisas. Para essas pessoas, existem os profissionais da área, psicólogos e psiquiatras que as ajudam a encontrar sua forma de melhor conviver, e de entender melhor os outros.  

Sem esquecer que as pessoas ...estão sempre mudando. 
                                                 Afinam ou desafinam. Verdade maior.


Pensando bem, não é coisa tão simples de se alcançar, como sugere a sábia e profunda escrita poética de Guimarães Rosa. Conviver é coisa dura e difícil, parecida com os caminhos do cenário sertanejo das Minas Gerais que o autor descreve no seu livro “Grande Sertão: Veredas”.  


Em muitas religiões a orientação é buscar respeitar esse jeito das pessoas que ora estão agradáveis, afinadas, compreensivas, ora desafinam, e se desdobram em maus humores de muitas faces. É aí que o amor fraterno requer de cada um de nós a capacidade de acolher o outro como ele é, ou... como ele se mostra ser em suas contínuas mudanças.


Acolher as nossas recíprocas diferenças é o caminho maior, - certas vezes muito exigente - mas carregado de possibilidades de boa convivência. O importante é decidir começar primeiro. Ser o primeiro a dar o passo necessário para o recomeço.

Como fazer, então? “...Precisa ter ânimo, energia e paciência forte”. 


Mas, tomada a decisão, o escritor sugere que se deve “dar tudo a Deus, que de repente vem com novas coisas mais altas, e paga e repaga, os juros dele não obedecem medida nenhuma”. 

E conclui:

                    “ É o que a vida me ensinou.
                      Isso que me alegra montão". 


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(i) Citações retiradas do romance Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa Ed. Nova Fronteira. Biblioteca do Estudante. Rio de Janeiro, 2006.p.23/1

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