Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

APRENDER UM NOVO JEITO DE VIVER

7 de janeiro de 2018


Volto a falar de Ano Novo, enquanto 2018 escorrega ligeiro pelas horas dos dias que talvez já voltaram a ser como o viver das horas comuns.

Pode ser que a casa tenha sido revestida de novas cores, como se costuma fazer ou é possível para alguns. Talvez foi renovado o guarda-roupa com novas peças, além de  bolsas e sapatos. E, nas varandas e terraços, terão chegado lindas plantas para alegrar a vida e colorir o ambiente.  



Mas, resta uma questão: 

O que fizemos de novo por nós, e pelos que estão ao nosso redor?


O costume de tornar a casa mais limpa e bonita, no Ano Novo, poderia também nos atiçar o desejo de fazer algo para renovar a nós mesmos. O empenho para revestir a casa de novidades, não seria o nosso desejo de abrigar gente nova?

Como primeiro passo eu poderia me liberar dos acúmulos inúteis no meu guarda roupa, na minha sapateira, nas gavetas e caixas dos meus armários.

Todos estamos de acordo que não serve acumular papéis. E há muitos que já aprenderam a rasgá-los e separá-los para serem aproveitados no lixo dos reciclados. Mas, que tal se também pudéssemos aprender a revisar as próprias roupas, bolsas e sapatos? Roupas que não se veste mais, que foram usadas por muito tempo e que são esquecidas e restam acumuladas nos armários.  

Nos dias de hoje, - com tantas pessoas empobrecidas e desempregadas em nosso país - seria uma ato de justiça promover a repartição daquilo que nos sobra, que não nos serve mais. 

Para que me serve o acúmulo de peças – como se fosse um velho museu de nós mesmos – enquanto outras pessoas, que não têm o que tenho, estão precisando delas como coisas indispensáveis? 

Esta é uma reflexão a ser feita, pensando-se no gesto necessário de construir leveza ao nosso redor, em busca de nos aprofundar no essencial, naquilo “que as traças não roem”.

Ao nos esforçar para manter a casa agradável,  sentiremos nos renovar com atitudes mais justas e fraternas, com gestos de amorosa  atenção pelo outro. Assim, tornamos a nossa "casa" interior mais leve e acolhedora.

   
    
  
  Também os armários da cozinha podem estar socados de utensílios que não servem para o próprio uso, mas estão faltando a outros.

c  O “quarto de despejo” que muitos usam em casa, talvez seja um modo indevido de acumular, e de não se desfazer das coisas que lhes sobram. Coisas que ficam ajuntadas, pedindo socorro em nome daqueles que precisariam recebê-las. 

Tudo isso nos instiga a recordar que há sempre alguém à espera do meu dom.

Há pessoas simples que passam diante do nosso edifício ou casa, com uma carroça cheia de quinquilharias... Vão carregando as sobras, pelas ruas da cidade, e as levam para revender. O resultado é um pouco mais de bem-estar para os seus, com o dinheiro que arrecadam. E outras pessoas têm a possibilidade de adquirir coisas mais baratas, com a revenda do que foi doado. Os porteiros sabem muito bem o dia em que o carroceiro passa em busca das nossas sobras. 

Se não for o carroceiro, há organizações que pegam, em nossas casas, móveis e objetos ainda usáveis – mesmo em condição de reforma ou conserto  como fazem os Trapeiros de Emaus. E tudo é repassado para o uso dos que precisam.

Feito isto, restam outras questões para os primeiros dias do ano.

 Como fazer para olhar a minha vida, a partir de hoje, com um olhar  energizado de esperança?
 O que devo aprender para superar os meus limites e tomar decisões que me levem a aprender a viver melhor? 
 Que fazer para não desistir do curso que ainda não fiz e para tomar atitudes concretas em benefício da paz comigo mesmo e com os outros? 
 Como posso iniciar a colaborar com outras pessoa, que não receberam o que recebi da vida, e que teriam o direito de alcançar a sua dignidade e de realizar o seu sonho?


O bem-estar da minha vida, a minha saúde emocional, é proporcional ao que sou capaz de fazer para o bem-estar dos que me estão próximos. 

Não me refiro a grandes projetos sociais, mas a atitudes de mudança  pessoal que ajudarão a vitalizar, as  minhas relações em casa, na família e no trabalho.





Ajudaria, também, iniciar fazendo um exame sincero do que há por fazer, e dar os primeiros novos passos. E realizar o que sou capaz agora. O que é possível agora. O que me ocorre agora, mesmo que seja uma pequena ação em favor de alguém. 
Por exemplo: de um dos meus dependentes, no trabalho, de uma pessoa amiga, da minha empregada doméstica, do  motorista que está a meu serviço, do meu colega de profissão, de um dos meus filhos, do meu pai ou da minha mãe.  

Não falo de sermos bonzinhos, de cuidar "dos pobrezinhos, coitados"... Não se trata de ter pena, mas doar, partilhar, cooperar. E tratar o outro com justiça, atenção e cuidado. O cuidado que vai além do dever, sem enganação, e que é sugerido pela consciência dos direitos de cada um e da fraterna convivência. E, por que não dizer: do amor que me leva a dar, sem esperar retorno. 


Refiro-me às relações sinceras, às atitudes carregadas da convicção de que somos todos irmãos. Qualquer que seja a nossa crença. 

Não é justo, viver achando que uns têm têm sorte na vida ou se esforçaram para conseguir o que queriam, e que os outros foram jogados na vida para servirem e serem submissos.

O que há na sociedade atual é uma imensa desigualdade. Uma uma injusta distribuição de bens. É a grade escassez de solidariedade, de um olhar fraterno sobre o outro, sem os julgamentos que aprendemos e que não gostaríamos que fizessem de nós. Há uma urgente necessidade de se reconstruir os laços fraternos entre as pessoas, e não apenas entre os iguais e os que julgo merecedores.  

Um novo passo  aquele que agora posso dar  me levará a conseguir coisas impensadas, como, por exemplo, aprender a sair da minha tristeza, e dos dias que me deixam depressivo, pois estarei aprendendo a amar. O gesto do amor reconstrói o tecido da paz e da fraternização entre as pessoas. E não é um amor de sentimentos, mas um amor de fato. 

Sem esquecer que, para poder ter, preciso aprender a dar, para que eu seja ouvido preciso aprender a escutar, para que eu seja perdoado também preciso perdoar, para aliviar a minha dor preciso buscar, com sinceridade – dentro e fora de mim – o que posso fazer agora pela dor dos outros, que talvez precisem mais do que eu.

O Ano Novo é uma excelente ocasião para que eu comece a me sentir alegre, um pouco que seja... Mesmo quando o entorno é triste, o país segue em derrocada, e seja necessário lutar para reconstruir tudo de novo. Pois o tecido da Paz é feito de atos sinceros de amor.  Aprendendo, no dia a dia, um novo jeito de viver! 

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Texto de: Vanise Rezende

Crédito das Imagens:  www. canstockphoto.com.br

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