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INDICAÇÃO DE LEITURA 13 - A MAFALDA DE QUINO

22 de setembro de 2016



Após o violento golpe infringido ao sistema democrático nacional, as informações que circulam na grande mídia, tanto quanto os fatos reais têm deixado a grande maioria dos cidadãos brasileiros atordoados de espanto e desesperança.

A pequena e esperta Mafalda dos quadrinhos de Quino – o argentino Joaquín Salvador Tejón, seu criador – reagiria hoje, no Brasil, como reagiu às questões políticas e sociais argentinas há cinco décadas. Menina astuta, incisiva, e crítica inconformada com tudo o que observa ao seu redor – nas diferentes edições dos seus quadrinhos, sempre atuais – a Mafalda argentina nos apresenta um importante material crítico que poderia ser dirigido aos bobos da corte do Brasil de hoje.  


Trazemos a este espaço trechos de uma importante análise da situação brasileira partindo de uma visão da economia global “em guerra com a sociedade”, apresentada por Luiz Gonzaga Belluzo e Gabriel Galípolo , na revista Carta Capital. 

Os dados estatísticos catastróficos – reportados de uma publicação do Credit Suisse – exibem as graves condições de precariedade da pobreza globalizada. Segue alguns trechos do que foi publicado na revista citada.

A riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial pela primeira vez equivale à riqueza dos 99% restantes. A Oxfam afirma que, em 2015, apenas 62 indivíduos detinham a mesma riqueza que 3,6 bilhões de pessoas, a metade mais afetada pela pobreza da humanidade.

A análise de Belluzo e Galípulo continua: A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico afirma que, entre 1975 e 2012, perto de 47% do crescimento total da renda antes de impostos, nos Estados Unidos, foi para o 1% no topo. O Fundo Monetário Internacional aponta queda de 11% na participação da população de renda média entre 1970 e 2014 nos Estados Unidos, em razão do ‘baixo dinamismo do mercado de trabalho’. A tendência de polarização é consistente para diferentes cortes de definição de renda média. Não é recente a inquietação com o movimento do capitalismo impulsionado pelas contradições entre sociedades com ‘espaços democráticos’ nacionais e mercados globais.




No Brasil – informam os autores – "as heranças e sestros da casa-grande aproveitam-se dos desconfortos da crise econômica deflagrada pelos aloprados dos mercados financeiros, em contubérnio com um governo aturdido por suas próprias incoerências para assaltar trabalhadores, aposentados e o orçamento público."

E mais: os coroinhas do ilegítimo poder rapidamente "informaram" as pessoas que elas "precisam se sacrificar, aceitar cortes nos gastos sociais, e  menos direitos e benefícios trabalhistas, ou encarar a destruição da economia – tudo em nome da ciência econômica.”

E logo ficou claro que “os trabalhadores devem cumprir maiores jornadas e por mais tempo, em suas vidas. Os impostos e as tarifas públicas serão maiores, mas os serviços públicos serão reduzidos. (...) O necrosamento  do tecido econômico e o esgarçamento do social empurram os acuados – pelo discurso da inevitabilidade econômica – a abraçarem a conclusão de que ‘o inferno são os outros’. Se os empregos foram tomados, o Estado onerado, e a paz ameaçada por aqueles de nacionalidade, religião, gênero, opção sexual, raça ou ideologia diferentes, a solução passa pela sua exclusão ou eliminação“.


Talvez Mafalda tenha razão: Precisa-se avançar com a humanidade... Avançar com a humanização da humanidade. 

Bem sabemos que a Esperança hoje, no Brasil, encontrará consistência se persistirmos na divulgação de ideias, no diálogo de talentos, na união de forças e nos acordos para a tomada de atitudes organizadas de resistência. O que significa congregação de vontade política e compromisso sincero com o futuro do país. 

Aparentemente, pode parecer que estamos perdidos. Mas a história nos ensina que já sabemos sendas  e  atalhos de reconstruir caminhos e seguir em frente.

Mesmo assim, não deixa de ser verdade que os quadrinhos da pequena Mafalda são, também hoje, uma leitura recomendada aos cidadãos brasileiros pasmados com o resultado do golpe salvador da pátria, que além de afetar diretamente o sistema democrático brasileiro, está atingindo profundamente o cotidiano dos cidadãos mais fragilizados, e de modo especial os jovens em situação de grave vulnerabilidade social.

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Os trechos citados são de Luiz Gonzaga Belluzzo e Gabriel Galípolo: 
A economia em guerra com a sociedade - O absolutismo financeiro encaminha o conflito civil global e orienta todas as suas polarizações. Publicado in: Carta Capital/Economia/Movimento de Capitais/21.9.2016.


Crédito das Imagens:

1. Quadrinhos coloridos de Mafalda www.outraspalavas.net/blog/2014/04/15
    /mafalda-a-beira-dos-50 (Publicado por Cibelih Hespanhol).

2. As tiras 2, 3 e 4 dos quadrinhos foram fotografadas do livro TODA                     MAFALDA - Quino - Ediciones de La Flor - 21ª ed. Buenos Aires-AR, 2007.




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