Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

ALEGRIAS DA VIDA NO SERTÃO

8 de maio de 2016

A cidade de Uauá, na Bahia, é mais conhecida, no Brasil, por duas referências: foi palco da primeira batalha da Guerra de Canudos, e é tida como a "Capital do bode”, pois todo ano realiza uma exposição de caprinos e ovinos. E ainda leva a fama de ter a carne de bode mais saborosa da região. Nos festejos juninos do município predomina o verdadeiro forró "pé-de-serra", com intensa participação popular, a preservar as raízes culturais do Nordeste. No mês de agosto, a sua tradicional exposição de caprinos e ovinos reúne grandes empresários e turistas de todo o Brasil.

Como outras cidades sertanejas, Uauá também registra, na sua história, a passagem de Virgulino Ferreira da Silva o respeitado cangaceiro “Lampião”, que ficou hospedado na casa de Roque Ferreira (filho de Davi Ferreira, o primeiro morador do município). Apesar de situar-se na região semiárida do nordeste brasileiro, é um município economicamente sustentado. O bode representa 1/3 do PIB do município. Os trabalhadores rurais de Uauá fazem parte de um programa de convivência com o semiárido que já mudou a vida de muitas famílias através do beneficiamento das frutas do sertão a exemplo do Umbú. A seguir, o instigante convite Roberto Malvezi - Gogó [i], que encontrei no site Adital. [ii]


Festa do Umbu e da Vida em Uauá - BA 

“Você quer ver mel em abundância, cerveja de umbu (25 reais a longuinete), bode assado com macaxeira por todo lado, geleia de umbu, compota de umbu, suco de maracujá da caatinga, rendas, artesanatos e tantos produtos que mostram a abundância da vida no Semiárido Brasileiro? Então você deveria ter ido ao 7º Festival do Umbu em Uauá, organizado pela Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC).

Estamos saindo de uma seca de cinco anos, sendo dito que estamos atravessando a "maior crise econômica do Brasil da história”, que em outras épocas significaria que metade de Uauá deveria estar por outros lados do mundo, menos no sertão nordestino. E totalização dessa produção alcança cerca de 200 toneladas por ano.

Ali, onde nasce o Vaza Barris, hoje um rio seco, onde logo abaixo Antônio Conselheiro encontrou um lugar onde "jorrava leite e mel” (Canudos), às margens do Vaza Barris, sertão antigamente dito como "bravo”, a festa foi grande, cheia de vida, de produtos, de gente. O mesmo povo que começou a festa na sexta pela noite ainda estava lá 4 hs da manhã do domingo, dançando ao som da música típica da região, embora sempre apareça algum forró eletrônico para quebrar a beleza musical.

O paradigma de ‘convivência com o Semiárido’  intuído por homens como Guimarães Duque e Celso Furtado (Discurso de inauguração da SUDENE, 1959), foi tirado do papel e da imaginação pela sociedade civil, nos últimos anos, que lhe deu carne, na troca de experiências acumuladas pela população sertaneja, com sua captação de água de chuva, o manejo da caatinga, uma agricultura conforme o ambiente, pelo cultivo do umbu, do maracujá do mato, dos animais adaptados ao Semiárido como a cabra e a ovelha. Então, a vida veio abundante, mesmo em tempos de seca.

Essas são conquistas dos últimos 20 anos, com programas construídos pela sociedade civil como a ASA (Articulação no Semiárido Brasileiro), ou por componentes como o IRPAA (Instituto Regional da Pequena Agropecuária Adaptada). Não veio dos coronéis, nem do Estado, mesmo esse um pouco mais modernizado. O que houve foi o apoio econômico dos últimos governos, o que deu escala a esse trabalho, com mais de 1 milhão de cisternas para beber e mais de 150 mil tecnologias de produção implantadas.

A COOPERCUC tem mercado interno e externo, seus produtos vão para a Itália, França e Áustria. Essa é a prova que a "irrigação” não é o único veio produtivo do Nordeste e nem o principal. O PIB da irrigação gira em torno de dois bilhões de reais ao ano, enquanto o PIB do sequeiro em 2008 já girava em torno de 140 bilhões de reais ao ano. Portanto, os números desmentem os mitos.

Parabéns à COOPERCUC, trabalho que mostra a beleza e a viabilidade do sequeiro nordestino, com a caatinga em pé, ambiente preservado e cheio de vida. O único caminho para os biomas brasileiros sobreviverem é o da convivência. Quem tem inteligência ambiental sabe.”
















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[i] Roberto Malvezzi, Gogó - Equipe CPP/CPT do São Francisco. Músico. Filósofo e Teólogo - robertomalvezzi@hotmail.com

[ii] In: Adital – site adital.com.br/site/noticia - 03.05.2016


Créditos Imagens:

1.  Foto de Lampião - www.eunopolis.ifba.edu.br/omfpr,atoca/Sites_Historia
2. 7º Festival Umbú - 2015 -  www.aratuonline.com.br
3. 8º Festival Umbú - 2016 -  www.portal,uaua.com.br
4. São João Uauá-BA - 2013 - www.portalsg.ne.10.uol.com.br
5. XXXVI Expo Uauá - 2015 - www.portal.uauá.com.br
6. Foto de Roberto Malvezzi - www.10envolvimento.org.br

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