Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

VIAJAR FAZ BEM

9 de fevereiro de 2016

Cada vez mais me convenço que viajar faz bem. Não digo viajar à toa, ou viajar para fugir de si mesmo ou de alguma situação que se teme enfrentar... Viajar faz bem quando você se programa, sonha em conhecer um novo lugar, próximo ou distante e, melhor ainda, quando se vai ao encontro de amigos muito queridos. 

LISBOA - Mais uma vez atravessei  o Atlântico para rever amigos de muitos anos. Um primeiro encontro foi aqui em Lisboa, de onde tento escrever este texto com os recursos de um tablet, num quarto de hotel. Um reencontro cheio de emoção com Simone, amiga de mais de quarenta anos, desde que a conheci no Brasil, ela em missão do seu sindicato, para realizar um trabalho com artesãos do Nordeste do Brasil. Chegara com a família. Seu marido também participava de um projeto social. Nossa amizade nasceu espontânea e se firmou sempre mais, à medida que nos conhecíamos e que nossos filhos se encontravam e brincavam como irmãos.



Lisboa é para mim uma cidade irmã, a cada visita uma descoberta interessante e, sempre, uma emoção nova. Desta vez quis rever o Castelo de Pena e as grandes avenidas com as árvores de folhas ressequidas pelo frio. A alegria dos turistas nordestino foi a chegada com 15 graus na cidade, um sinal de um tempo mais ameno.

Após três dias de visitação aos lugares que queríamos rever, fomos passear pelas ladeiras de Alfama, admirando suas lindas igrejas e degustando os sabores da sua inigualável cozinha.


BARCELONA - Continuamos a viagem, eu e minha filha,  após as despedidas de Lisboa. Passamos quatro dias curtindo as maravilhosas Ramblas de Barcelona, cheia de turistas e de surpresas agradáveis. Em seguida fui rever a extravagante arquitetura de Gaudi, com a qual já era familiarizada, desde os anos sessenta, quando residi por seis meses na cidade. Infelizmente, a Igreja da Sagrada Família estava em obras. Há algum tempo os turistas não podem contemplar a grande beleza dessa sua inspirada concepção. Caminhamos de ponta a ponta a grande rambla que nos leva à paisagem marítima do porto, com suas belas gaivotas e as modernas estruturas do seu entorno.

Embora estejamos no inverno  - chega-se a sentir o frio a quase zero graus - ora com um pouco de chuva ora debaixo do sol. Passear pelas ruas de Barcelona  é um modo de conhecer o mundo e as suas diferenças, nos expressivos semblantes das raças e na exuberante diferença cultural de seus visitantes. Sem deixar de experimentar os sabores das comidinhas locais e de ouvir suas músicas alegres e dançantes!  Na rua, aqui e ali artistas mais ou menos experientes desenham paisagens e rostos de pessoas, todos à espera do interesse dos passantes por sua arte.

Nos chamativos cartazes de dança flamenga não resistimos à tentação. E lá fomos nós conhecer de perto tão  expressiva representação da dor de cotovelo e da saudade do amor distante.

A dança flamenga  mereceria uma página  de comentários sobre as emoções que suscitam ao observador. Os dançarinos, que se revezam e se expressam maravilhosamente, são   artistas representativos de uma cultura que se mantém a muitos anos, no gingado do corpo, no sapateado brilhante e canto de lamentação do amor distante ou perdido.

O inventivo artista Gaudi se expressa de forma bem diversa na Igreja da Sagrada Família e nas construções observadas no grande parque de suas obras, com várias residências, com escola e um grandioso parque. Os pedaços coloridos e muito variados dos mosaicos utilizados no revestimento de suas obras, expressam mais uma marca de Gaudi, com uma feliz junção de desenhos e cores.  

Passamos muitas horas a caminhar e a observar aquela arte tão expressiva, invenções arquitetônicas únicas realizadas com a combinação de diferentes estilos de arquitetura, arte decorativa e urbanística. Sua obra o transformou num inebriante contemplador da arte antiga e moderna,  expressa no toque do gênio iluminado que foi Gaudi.

Sua obra requisitaria pelo menos uma semana de contemplação.  Mas decidimos também caminhar em busca do urbanismo moderno da cidade, que se ajunta e dialoga com antigos casarios.  A beleza da cidade não está apenas nos grandes arranha-céus de vidro ou de estilo modernista. Está presente também nas suas longas avenidas, que exibem a variedade e a beleza da expressão universal dos seus visitantes.

Assim, a Barcelona de hoje moldurou de beleza e alegria a memória distante que eu trazia dos meses que vivi por lá, dos  rústicos edifícios com grandiosos portões de madeira, e dos lampiões de gás acesos nas ruas antigas.  

Viajar com poucas compras, só as lembranças necessárias... Viajar descobrindo o que o povo do lugar nos oferece do que é mais seu, mais característico de sua cultura, do seu saber, da beleza que caracteriza o seu povo. Aprendi mais um pouco a descobrir esses valores que a humanidade carrega na arte e na história.

Viajar faz bem. E torna-se uma escola de respeito à diversidade cultural, aos sabores diferentes, aos idiomas que não sabemos,  ao modo de vestir e de viver que podem nos parecer esquisitos, mas fazem parte de nós enquanto seres humanos.

Viajar de olhos abertos, de coração alargado e com a mente preparada a ampliar o nosso abraço aos diferentes de nós, e participar de uma escola de vida, na convivência de povos e culturas que não conhecíamos até então.


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Crédito das imagens:
  • As  imagens são fotos realizadas com o celular, durante a viagem.











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