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FORTUNA DOS MAIS RICOS DOBROU NA PANDEMIA - DIZ RELATÓRIO DA OXFAM

18 de janeiro de 2022

Os percentuais sobre a distribuição da riqueza, no mundo, só piora para a maioria dos países. E a desproporcional desigualdade piora a situação das populações mais pobres. Para o resíduo grupo dos mais ricos - um número que se pode contar nos dedos das mãos - a riqueza cresce aceleradamente. Aliás, os mais ricos viram a sua riqueza dobrar, durante a pandemia. Recentemente, assisti ao vídeo de uma jovem herdeira da família Disney. Ela dizia que se sentira muito mal ao receber uma riqueza tão exorbitante. E tratava de ver como utilizar parte da sua riqueza em benefício do  bem comum. Mas essa é uma atitude que vira notícia, de tão rara que é. 

Hoje, mais uma vez, falamos desse cenário iníquo, divulgado recentemente pela OXFAM Internacional - uma confederação de 19 organizações e mais de três mil parceiros. A Oxfam atua em mais de 90 países, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais, inclusive no Brasil. Sua primeira filial internacional foi criada em Oxford, na Inglaterra, em 1942. Tem sua sede em Nairóbi, no Quênia. A sede brasileira foi criada em 2014, em São Paulo. Deixo abaixo o link para quem desejar contribuir com as atividades da Osfam, no Brasil:

htps://www.oxfam.org.br/transparencia/?_ga=2.254870792.1801124801.1642513474-803831051.1642513474

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Fortuna dos mais ricos dobrou desde o início da pandemia, diz relatório da Oxfam

Renda de 99% das pessoas caiu, e 160 milhões foram empurradas para a pobreza; patrimônio de bilionários registrou 'aumento sem precedentes'

REDAÇÃO

RFI

Paris (França)

 

A fortuna dos dez homens mais ricos do mundo dobrou desde o início da epidemia, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira (17/01) pela ONG Oxfam. O documento também revela que a renda de 99% das pessoas caiu e 160 milhões foram empurradas para a pobreza, o que evidencia "as desigualdades econômicas, de gênero e raciais, que destroem o mundo."

De acordo com o relatório intitulado "As desigualdades matam", a fortuna acumulada de todos os bilionários registrou "um aumento sem precedentes" de US$ 5 trilhões, chegando, no total, a US$ 13,8 trilhões. De acordo com a revista Forbes, as dez pessoas mais ricas do mundo são Elon Musk (Tesla), Jeff Bezos (Amazon), Bernard Arnaud (LVMH), Bill Gates (Microsoft), Mark Zuckerberg (Meta/Facebook), Waren Buffett (Berkshire Hathaway) e Larry Ellison (Oracle).

Segundo a ONG, é possível vencer a pobreza impondo taxas progressivas. A Oxfam também recomenda a quebra das patentes das vacinas. Em entrevista à RFI, Quentin Parinello, porta-voz da Oxfam na França, explicou que na África, sem apoio dos governos, a crise sanitária piorou ainda mais a situação das classes menos abastadas. "No continente africano, a precariedade aumentou ainda mais. Podemos observar que a retomada econômica é bem mais proeminente nos países desenvolvidos do que na África, e isso tem, naturalmente, uma relação com o acesso às vacinas", declarou.

Os recursos públicos usados para apoiar setores atingidos pela crise sanitária acabaram beneficiando os mais ricos, ressalta o representante da Oxfam. "Se pegarmos o exemplo da França, a fortuna dos bilionários cresceu € 236 bilhões durante a crise e isso não está relacionado à atividade econômica das empresas, mas ao apoio do governo em resposta à crise, que injetou bilhões de euros no mercado financeiro", salienta.

"Se observarmos a história, existem casos que mostram que, se adotarmos a boa política, financiando mais o setor público e a proteção social, podemos lutar contra as desigualdades. Elas não são uma fatalidade, são o resultado de escolhas políticas. É financiando modelos sociais mais protetores, e os financiando com impostos progressivos, que seremos capazes de lutar de maneira durável contra as desigualdades". 

Cerca de '21 mil mortes por dia'

Segundo a Oxfam, as desigualdades contribuem para a morte de pelo menos "21 mil pessoas por dia". Os óbitos estão relacionados à falta de acesso à saúde, à violência de gênero, à fome e à crise climática. 

O documento ainda revela que uma taxa excepcional de 99% sobre os ganhos obtidos com a pandemia pelos dez homens mais ricos do mundo permitiria a produção de uma quantidade suficiente de imunizantes para a população mundial, a criação de uma proteção social e médica universal e o financiamento de medidas de adaptação ao clima, além da redução da violência de gênero em 80 países.

Ainda assim, os bilionários ainda teriam US$ 8 bilhões a mais em relação ao período pré-epidêmico. "A pandemia foi formidável para os bilionários. Os bancos centrais injetaram trilhões de dólares no mercado financeiro para salvar a economia, e uma boa parte desse dinheiro acabou no bolso dos bilionários", diz a Oxfam.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as desigualdades de acesso às vacinas contra a covid-19 podem enfraquecer a luta por causas internacionais, como as mudanças climáticas. Neste ano, o Fórum de Davos presencial foi adiado para o verão (no hemisfério norte) por conta da variante ômicron, e acontece à distância até o dia 21 de janeiro.

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https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/72759/fortuna-dos-mais-ricos-dobrou-desde-o-inicio-da-pandemia-diz-relatorio-da-oxfam?bol

Crédito das Imagens:

1. G82007LeadersBigheads.jpg

2. Imagem RFI, Paris França.

EU E MEUS FILHOS - CONFISSÃO DE UM PAI APRENDIZ DE FELICIDADES

11 de janeiro de 2022

 

Retomamos as publicações deste novo ano com uma interessante e rara declaração de amor de um pai aos seus dois filhos homens, já  crescidos, amigos e companheiros de caminhada, dos quais o autor se diz também aprendiz. Certa vez, há muitas décadas, cheguei a presenciar, em Genebra, uma manifestação de jovens pais que pediam o apoio jurídico para a guarda dos próprios filhos. É muito raro, mas não é de hoje esse sentimento de materno cuidado de jovens pais que estão muito presentes, com o mesmo carinho e cuidados de sua parceira. Um pai que, dizendo-se aprendiz, expressa seus belos sentimentos de “felicidades variáveis e contínuas” na convivência familiar. José Fernando da Silva é um convidado especial neste blog.
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                 Eu e meus filhos

Por: Fernando Silva*


As definições para felicidade são múltiplas, diferentes e até antagônicas. Artigos, livros, crônicas foram publicados para que se apresentassem as distintas compreensões. Não serei atrevido em polemizar com as elaborações produzidas. Mas, é bom pensar, falar e escrever sobre felicidades, no plural. O que apresento é do vivenciado. Do que sinto. Apreendido. 

A definição para felicidades que compartilho guarda relação com experiências de pai. Da minha paternidade. De pronto, asseguro que de cada filho foi e é possível aprendizados distintos, que alimentam as minhas felicidades, que são atreladas a momentos e fatos permanentes.

Ter filhos é uma felicidade contínua e tem mais de três décadas. Bruno Sabino, chegou em 12 de abril de 1990 e João Fernando no dia 02 de março de 2001. Para aumentar a felicidade, nossos aniversários, o meu e o de João, muitas vezes acontecem em pleno Carnaval. Logo nós que não brincamos no período.

Levamos muito a sério. Vamos para as ladeiras de Olinda na quinta, abertura, com Alceu Valença, a atração principal e um punhado de gente boa no frevo, na ciranda e no maracatu. E prosseguimos na sexta, sábado, domingo, segunda e terça. Carnaval é coisa muita séria e eu e João Fernando, idealizador do maior e melhor bloco do Carnaval do Universo, Feijoada da Mamãe, não abríamos mãos, pés, cabeça e coração da seriedade necessária. Enfim, todo corpo das ladeiras olindenses. “Bom demais, bom demais. Menina vamos depressa que o frevo é bom demais”.

Este ano não iremos. Somos a favor da ciência. Que venha 2023, sem pandemia e de tudo que nega a democracia, a ciência e as diversidades humanas e seus direitos na integralidade. Sem hierarquização.

A notícia da gravidez foi marcada pela alegria, que é uma das definições para felicidades. Os cuidados são iniciados nas consultas antes dos nascimentos. Os dias dos partos foram marcados por nervosismo, ansiedade e curiosidade. Assistir aos nascimentos me proporcionaram uma mistura de uma beleza inexplicável, com elevada emoção e expectativa para que tudo ocorresse bem, com cada um e as mães. Os primeiros dias de vida foram desafiantes.

Como segurá–los? Seus corpos ainda tão frágeis… Como dar o primeiro banho? Confesso que a insegurança no segurar foi enorme e se a memória não estiver falhando demorou dias para que eu adquirisse a confiança necessária. Quanto ao primeiro banho, foi bem mais tranquilo. Colocá–los de cabeça para baixo, segurar com uma mão e jogar a água morna com a outra. Suavemente. Sem pressa. Com cuidado para não deixar a água cair nos ouvidos. A cabeça podia virar. Mantê–la sempre para baixo. Minha mãe deu as principais dicas, lições, e observava para verificar se eu não iria cometer nenhum desatino. Acho que passei nos primeiros testes. Recordo-me que não choraram. Era um bom sinal de que apreendi. E fiz corretamente.

Levar para tomar banho de sol era um prazer total. Lembro-me que numa manhã levei Bruno para tomar banho de sol perto do apartamento, em Jardim Brasil II, na querida Olinda. Estava com ele apoiado numa única mão, como se fosse uma mini cama, de cabeça para cima. Uma senhora chegou bem próximo e disse algo que entendi como um alerta de que não devia segurá–lo daquela maneira, que ele não gosta daquela posição. Eu disse para ela observar que ele dormia com um rostinho que transbordava paz. Dupla felicidade. Do filho e do pai.

As consultas após os nascimentos foram momentos de aprendizados e de felicidades. Sim, aqueles momentos foram, na minha paternidade, de felicidades. Para amar é preciso olhar e cuidar. Levar para fazer o teste do pezinho é de vital importância para o diagnóstico precoce de várias doenças.

Caramba, lembro-me que é um momento extremamente delicado e que as enfermeiras foram super atenciosas nas explicações e nos cuidados para uma única picada, essencial para retirar o sangue. Não precisou furar a veia mais de uma vez. Alívio paternal. Todas as vacinas foram e continuam sendo essenciais, inclusive, contra as gripes e a Covid–19. Estou com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que autoriza a vacina a partir dos cinco anos de idade.

Os cuidados com a alimentação são especiais e a amamentação é o principal nutriente. Lembro-me da querida Rachel Niskier, conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) na mesma época em que fiz parte do colegiado. Ela representava a Sociedade Brasileira de Pediatria e em diversas oportunidades, especialmente no café da manhã no Retiro Assunção, em Brasília, ela ficava explicando os inúmeros benefícios do leite materno, naquela oportunidade para João Fernando, que mamou até um ano de vida. Lembro-me de uma consulta a um dermatologista. O médico não nos olhou e nem examinou a cabeça de João Fernando. Mas, passou uma pomada. Rasguei a receita quando saí do consultório. Telefonei para a pediatra, relatei o fato e solicitei outra indicação.

A primeira ida de Bruno à escola se constituiu num momento de felicidade singular. Ele entrou na escola e nem olhou para trás. Foi caminhando e entrou na sala de aula. Uma primeira e evidente demonstração de autonomia bate na lembrança. João Fernando, começou mais cedo, por volta dos seis meses, para facilitar a amamentação. De lá, lembro-me de uma apresentação da escola no Teatro do Parque, em Recife, e ele participou. Sua estreia teatral. Anos depois ele ganhou o prêmio de melhor ator no Festival Estudantil de Teatro e Dança do Recife, com o personagem o Chapeleiro, numa releitura do livro Alice no País das Maravilhas, na peça Um Chapéu Cheio de Chá (2012), do Grupo Macambira da Academia Santa Gertrudes.

Dos aprendizados de pai, preciso declarar que das vivências aprendi que programação de lazer e festa de criança e de adolescentes, inclusive os aniversários, devem ser momentos com e para eles. Não precisa ter bebidas alcoólicas. E os brinquedos devem ser sempre educativos. Armas de brinquedo, nem pensar. Atualmente contínuo indignado quando vejo uma criança brincando com armas, mesmo que seja de plástico, madeira ou qualquer outro material.

Dia desses, recebi uma foto de João Fernando com quase três dezenas de livros empilhados. Adorei a ideia da sua retrospectiva de leituras de 2021. Estamos tristes com o fechamento de diversas livrarias no Brasil. Recentemente, estivemos na Livraria Cultura que fica no centro comercial, em Recife. Saímos desolados. Nem de longe lembra a riqueza e diversidade no acervo de três anos atrás. No máximo, quatro. Mas, iremos insistir nas leituras, com o prazer das descobertas, ampliação de conhecimento e novos horizontes. 

 

Livros foram os nossos presentes de final de ano. São permanentemente imprescindíveis, insubstituíveis. Não foi a primeira vez e nem será a última. Que venham vários finais de ano, com livros para nutrir as nossas mentes e os nossos corações.

 

Declarei em outras oportunidades que o Bruno Sabino é meu principal educador. Uma espécie de Paulo Freire pessoal. E João Fernando é meu influenciador não digital. O primeiro, por volta dos cinco ou seis anos de idade, disse: “Pai, não precisa gritar. Basta falar”. A frase é autoexplicativa.

E eu? Silêncio. A lição é eterna. Quero agradecer publicamente ao Bruno pela profundidade do ensinamento e da lição de humanidade e de civilidade. Num mundo marcado por redes virtuais (redes sociais, integram outras dimensões, pelo menos as minhas) João Fernando tem o hábito de no final e/ou no início do ano, desligar o zap, mas antes ele avisa. Quis saber o motivo: “Pai, é uma tranquilidade e não faz falta. Depois, eu ligo novamente e a vida não parou. Ela continua e segue.”

Aliás, ele demora a responder mensagens ao longo do ano. Se preciso falar, é melhor telefonar. Talvez você esteja sentindo falta de outros aspectos no percurso, entre os quais, a presença das mães. Mas, as linhas traçadas são sobre a minha paternidade, com as marcas das felicidades.

Quem sabe eu volto ao tema em outra oportunidade para compartilhar outras vivências. Para o momento, meu muito obrigado aos meus filhos pelos ensinamentos. Vou continuar o caminhar de aprendiz. Sem fim da paternidade1, com as felicidades que lhes são inerentes.

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*Fernando Silva é mestrando em Educação, Culturas e Identidades – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)/Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ). Contato: jfnando.silva@gmail.com

(1) https://promundo.org.br/ é possível acessar a Cartilha: Fortalecer as paternidades responsáveis e participativas.

Fotos: Acervo pessoal de Fernando Silva

 

Também publicado em: https://falouedisse.blog.br/?p=11278

 

O ANO FINDOU! UFA! E TUDO PERSISTIRÁ COMO ANTES?

31 de dezembro de 2021

Para nós brasileiros, este 31 de dezembro de 2021 seria um alívio, se pudéssemos esperar que algo fosse diferente em 2022. É que os novos dias que virão serão uma consequência das decisões escabrosas, da inércia voluntária e do descaso público de que é vítima a população brasileira. Não há mais palavras para falar das muitas faces da violência que nos atinge. Temos um governo maquiavélico, insidioso e perverso, que age com uma pérfida astúcia contra um povo muito sofrido, a penar a fome, a carestia, o desemprego e o desleixo da coisa pública a debochar de todos nós de uma modo sarcástico, indiferente e irresponsável. 

É-nos impossível desejar, aqui, um feliz Ano Novo! E mais difícil ainda esperar mudanças, ações em benefício de um povo que só escuta mentiras deslavadas, não obstante tantos alertas, inúmera críticas e sugestões de cientistas e organizações responsáveis, em defesa do bem-estar da população.

Também não é preciso ser cientista para perceber que a devastação impiedosa da Floresta Amazônica e de outras matas no Centro e no Sudeste do país, estão a nos mostrar as consequências: as enchentes em inúmeras cidades brasileiras, provocando mortes, grandes perdas materiais e pessoais e o enorme sofrimento das populações atingidas.

Neste fim de ano, poucos tiveram suas casas revestidas de novas cores e boas comidas à mesa. Outros puderam renovar o seu guarda-roupa com novas peças e receberam lindos presentes. Nas varandas e terraços há lindas plantas para alegrar a vida e colorir o ambiente. Mas esses são uma minoria.

A realidade é que hoje conta-se mais de 16 milhões de brasileiros que estão  passando fome. É importante entender que a fome - e as suas graves consequências - é penosa e violenta, e cresce a cada dia entre nós, como há muito não se via no país.

Cada um de nós deveria fazer um gesto, uma doação que seja, para ajudar a  diminuir essa agonia, e as necessidades das vítimas das enchentes. Este seria um gesto que nos renovar e nos tornar justos e fraternos.   

        O gesto da partilha urge, entre nós, e todos sabemos 

como fazer concretamente.

Para que me serve o acúmulo de peças do vestuário – como se fosse um velho museu nós mesmos – enquanto outras pessoas, neste momento, perderam tudo, e estão precisando do que me sobra como coisas indispensáveis? 

O que fazer para  ampliar o nosso olhar de modo a enxergar os que precisam do meu gesto solidário?

Como primeiro passo podemos nos desfazer dos acúmulos inúteis no meu guarda-roupa, das gavetas e caixas dos meus armários. Todos estamos de acordo que não serve acumular papéis. E muitos já aprenderam a rasgá-los e separá-los para serem aproveitados no lixo dos reciclados. Mas muitos de nós ainda não aprenderam a revisar as próprias roupas, bolsas e sapatos. Também os armários da cozinha podem estar socados de utensílios que não servem para o próprio uso, mas estão faltando a outros.

Esta é uma reflexão a ser feita, como um passo essencial para priorizar "aquilo que as traças não roem”.

O "quarto de despejo” que muitos usamos em casa, em geral provoca um modo indevido de acumular, e de não se desfazer das coisas que nos sobram. Coisas que ficam ajuntadas, com a desculpa de que são velhas e boas lembranças! Tudo isso nos instiga a recordar que há sempre alguém à espera do meu dom.

Há pessoas simples que passam diante do nosso edifício com uma carroça cheia de quinquilharias... Vão carregando as sobras, pelas ruas da cidade, e as levam para revender. O dinheiro que arrecadam trazem bem-estar para os seus. E outras pessoas poderão adquirir coisas mais baratas, com a revenda do que foi doado. Os porteiros sabem muito bem o dia em que o carroceiro passa em busca das nossas sobras. Se não for o carroceiro, há organizações que pegam, em nossas casas, móveis e objetos ainda usáveis – mesmo em condição de reforma ou conserto. E tudo é repassado para o uso dos que precisam.

Os cuidados que tenho para o meu bem-estar pessoal, a minha saúde física e emocional, é proporcional ao que sou capaz de fazer para melhorar a vida  de quem tem necessidade. 

Novas atitudes de mudança pessoal podem ajudar a vitalizar as minhas relações em casa, na família e no trabalho.

Não deixe escapar de fazer uma reflexão cuidadosa sobre a sua atenção por aqueles que dependem de você, em casa, no trabalho, nas relações de amizade. Sem esquecer os empregados domésticos que estão ao nosso serviço. Está em dia a sua carteira de trabalho? Eles têm como cuidar da saúde, do próprio aprendizado e dos seus familiares? Não falo para sermos os bonzinhos, ou cuidar "dos pobrezinhos, dos coitados". Trata-se de fazer o que é justo, como você espera que esses seus empregados lhe tratem. É um  cuidado que vai além do dever, e é sugerido pela consciência da fraterna convivência. E, por que não dizer: do amor que me leva a dar, sem esperar retorno. 

O que há na sociedade atual é uma grave desigualdade. Uma injusta distribuição de renda e de bens. E uma grande escassez de um olhar fraterno,  de uma atitude solidária, sem os julgamentos preconceituosos que aprendemos. Há uma urgente necessidade de se reconstruir os laços fraternos entre as pessoas.  

Um novo passo – aquele que agora posso dar – me levará a conseguir coisas impensadas, como, por exemplo, aprender a sair da minha tristeza, e dos dias que me deixam depressivo, pois começo a me ocupar da dor e da necessidade do outro. Um gesto de amor reconstrói o tecido da paz  entre as pessoas. Não será um amor sentimental, mas um amor de concretude. 

Sem esquecer que, para poder mudar, é preciso enxergar novos caminhos, para poder ter, preciso aprender a dar, para que eu seja ouvido preciso aprender a escutar, para que eu seja perdoado também preciso perdoar, para aliviar a minha dor preciso buscar, com sinceridade, o que posso fazer agora pela dor de outros, que agora precisam de mim. 

O Ano Novo é uma excelente ocasião para a mudança. Mesmo quando o entorno é triste, o país segue em derrocada, e seja necessário lutar para reconstruir tudo de novo. Pois o tecido da Paz é feito de atos sinceros de amor.  Aprendendo, no dia a dia, um novo jeito de viver! 

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Postagem de: Vanise Rezende

Crédito imagem: pobreza-tv-brasil-ok.jpg

Em: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/o-cenario-de-fome-persistira-em-2022/  

Nota As imagens publicadas nesta postagem pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma delas e deseja retirá-la, por favor envie-nos um comentário.

UM TRISTE NATAL PARA NÓS BRASILEIROS - ENCHENTES, FOME, MIGRAÇÃO INTERNA

27 de dezembro de 2021

Estive ausente deste espaço por cerca de um mês. Peço desculpas aos caros leitores e seguidores do Espaço Poese. Precisei me concentrar para a leitura final  do meu livro que, felizmente, foi concluído. Darei notícias de quando estará pronto para ser adquirido.

Em três dias o ano turbulento de 2021 terminará. Como escrevi aos amigos e familiares, o que posso desejar a todos é um feliz 2023. Sim, teremos uma ponte difícil a atravessar, um ano inteiro pela frente, até chegarmos lá! Vamos manter firme o trabalho, a esperança e a garra para que assim seja. 

No momento, enquanto o dito presidente do Brasil continua suas férias em comitiva pelo Sul, há várias questões importantes no país que nos causa imensa dor: a constatação de que a fome no Brasil se vai ampliando, e a questão dos Migrantes - a dolorosa marcha de pessoas que precisam mudar, como as populações assoladas pelas enchentes em Minas Gerais e na Bahia. O ano inteiro, no Brasil e em muitas partes do mundo, as populações mais pobres sofreram com enchentes, da China aos países da Europa e Estados Unidos. Há meses atrás também o Sul do Brasil conheceu esse sofrimento. Será assim, até que aprendamos a cuidar da Amazônia e da Mãe Terra, da nossa rua, do lixo na nossa casa, e dos nossos hábitos de cidadania. 

O sofrimento dos migrantes é também o das populações das cidades atingidas pela enchente, que tudo perderam e que estão sofrendo. Nem festas, nem comes e bebes, nem presentes. Sem as suas casas e sem os seus pertences arrastados pelas águas. Também eles, multidões de migrantes em seu próprio país, em razão do descuido público e da destruição das matas. Hoje já se contam 72 municípios alagados na Bahia, com mais de 16 mil desabrigados. Chegam a 430 mil pessoas afetadas, só no estado da Bahia. Há dias atrás as fortes chuvas atingiram populações em Belo Horizonte. Esse é o quatro que que tínhamos no país, quando o dito presidente decide tirar férias nas praias do Sul. 

O meu convite, é que alarguemos o nosso olhar para mais além, para conhecer a situação das migrações mundo afora, e não só por alagamentos.  

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Mundo registrou cerca de 281

 milhões de migrantes internacionais em 2020

 

Por: ONU News

Recente relatório da OIN - Organização Internacional dos Migrantes, revela que Covid-19 complicou, mas não impediu mobilidade dos migrantes. O relatório apresenta o Brasil como modelo por conceder vistos humanitários a muitos refugiados e migrantes. E, ao mesmo tempo está no 3º lugar com mais deslocados internos por desastres naturais.


As Nações Unidas lançaram, em 8/12/2021, o Relatório Mundial sobre Migração. Segundo o documento, havia 281 milhões de migrantes internacionais, até o final de 2020, o equivalente a 3,6% da população global. O aumento ocorreu apesar do impacto dramático da pandemia sobre a migração, que incluiu o fechamento de fronteiras. O estudo revela que as inúmeras restrições para conter a Covid-19 afetaram a mobilidade, mas não impediram o movimento dos que precisavam deixar os seus países em busca de outras terras que os acolhessem. 

População

Em 2019, a OIM contabilizava 272 milhões de migrantes internacionais - 3,5% da população global. Uma cifra correspondente a 200 milhões a maior, em relação à década de 70, quando o total de migrantes internacionais eram 2,3% da população mundial.  Segundo a OIM, não fora a pandemia, o mundo teria, hoje, mais de 2 milhões de migrantes internacionais. O documento destaca que apesar do crescimento da migração internacional, em 2020 o número de deslocados internos subiu para 55 milhões que fugiram de desastres naturais, de conflitos e da violência.

“Enquanto bilhões de pessoas foram imobilizados pela Civid-19 outras dezenas de milhões de pessoas se deslocaram dentro de seus próprios países.” Foto: OIM/Alexander Bee

Para o diretor-geral da OIM, António Vitorino, o mundo vive um paradoxo jamais visto: “Enquanto bilhões de pessoas foram imobilizados pela Covid-19, outras dezenas de milhões se deslocaram dentro de seus próprios países.”

O Brasil, por exemplo, foi o quinto maior destino de venezuelanos ao lado de Colômbia, Peru, Chile e Equador na região. O relatório apresenta o Brasil como modelo por conceder vistos humanitários a muitos refugiados e migrantes.

América do Sul

Considerado a maior fonte de remessas da América Latina e Caribe com saídas de US$ 1,6 bilhão em 2020, o Brasil é o terceiro lugar com mais deslocados internos por desastres naturais. Foram 358 mil pessoas nessa situação, depois das Honduras com 937 mil e Cuba com 639 mil. 


  Foto OIM – Funcionária da OIM fala com pessoas afetadas pelas enchentes em Timor-Leste

Portugal é citado pela OIM por ser o terceiro país europeu com mais mulheres migrantes enfrentando desemprego, do que homens vivendo na mesma situação. As autoridades portuguesas libertaram pessoas detidas por questões de imigração para conter riscos de transmissão nas instalações. Portugal é o 14º ponto de origem global de migrantes.

Cabo Verde é a quinta nação do mundo que mais recebeu pessoas migrantes, em 2020, depois da Somália, do Sudão do Sul, do Lesoto, da Gâmbia. No geral as remessas para a África diminuíram cerca de 3% em comparação com 2019.

Angola e Moçambique vêm depois da África do Sul como os principais países de origem das saídas de pessoas no continente.

Ver vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=_EWHhxz6F0c

 

Dia Mundial do Refugiado

 

Em 20 de junho deste ano, as Nações Unidas celebraram o Dia Mundial do Refugiado. De acordo com a organização, mais de 82,4 milhões de pessoas deixaram seus países, este ano, buscando apoio por fatores como guerras, atos de violência e perseguição.

Em mensagem sobre a data, o secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres afirmara que, estando fora de casa, os refugiados têm de começar as suas vidas do zero. E destacou as maiores carências do grupo em tempos de crise de saúde.

Na ocasião, Guterres sublinhou que a pandemia acabara com os meios de subsistência dos refugiados. São pessoas estigmatizadas e desconsideradas, que, nas grandes retiradas ficam gravemente expostas e desprotegidas do vírus. Guterres considerou que, mesmo assim, os refugiados têm demonstrado uma contribuição inestimável para as sociedades que os adotaram, como trabalhadores essenciais na linha da frente.

Na sua fala, Guterres ainda pediu que se dê maior atenção à situação dos refugiados, de modo que eles encontrem meios de reconstruir a vida num momento marcado pela Covid-19. E elogiou os que acolhem os refugiados, enfatizando ser preciso mais apoio dos Estados, do setor privado e das comunidades e indivíduos para que se caminhe em direção a um futuro mais inclusivo e livre de discriminação. O secretário-geral afirmou que os refugiados reconhecem o significado de poderem reconstruir a própria vida e, ao mesmo tempo, querem reunir forças para apoiar outras pessoas.

A Acnur - Agência da ONU para Refugiados, destaca o dever de se proteger todas essas pessoas, independentemente de sua raça, nacionalidade, crenças ou outras características. E aponta que é importante falar abertamente e combater a injustiça, e, no lugar de incentivar divisões e ódio - culpando os outros ou difamando vítimas - deve-se procurar avançar com soluções pragmáticas e duradouras para as crises.

Nos últimos três anos, cerca de 1 milhão de crianças nasceram como refugiados, fora de seu país de origem, devido a problemas locais de conflitos, violências e perseguições. A Acnur defende mais proteção, o fim das injustiças e a busca de soluções para essa crise.

Ver vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=D-iRTRRiAdE&t=15s

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Fonte das informações:

Onu News - 8/12/2021


https://falouedisse.blog.br/?=11046&utm_source=mailpoet&utm_medium=email&utm_campaign=os-ultimos-newsletter-total-artigos-do-nosso-blog_2

 ONU News - 20/06/2021

https://falouedisse.blog.br/?p=8736&

Enchenteshttps://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/12/chega-a-18-total-de-mortos-em-enchentes-que-atingem-37-cidades-na-bahia.shtml

Crédito das Imagens:

Foto 1 - destaque: OIM - Rohingya_CoxBazar.jpg

Em:  https://news.un.org/pt/focus/migrantes-e-refugiados

Foto 2: Brasil foi o quinto maior destino de venezuelanos ao lado de Colômbia, Peru, Chile e Equador na região - OIM/Diana Diaz 

Foto 3 - https://news.un.org/pt/content/un-newsletter-subscribe

 

 

CRIME AMBIENTAL - CUMPLICIDADE DE UM GOVERNO TOLERANTE

28 de novembro de 2021

 

Balsas de garimpo ilegal no rio Madeira, na altura da comunidade de Rosarinho, em Autazes, a 110 quilômetros de Manaus.  BRUNO KELLY (GREENPEACE)

 Por: Regiane Oliveira

 El Pais - São Paulo,  25/11/2021

  

Invasão de centenas de garimpeiros na Amazônia expõe tolerância do Brasil com crime ambiental


Greenpeace atribui a audácia da exploração do rio Madeira à luz do dia à licença “política e moral” dada por Bolsonaro. Mourão afirma que atividade pode estar ligada ao narcotráfico

Apenas duas semanas se passaram desde que o Brasil se comprometeu com medidas de proteção ambiental durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 26). O cenário que se vê no país, no entanto, é bem diferente da imagem de preocupação com o meio ambiente que o Governo federal tentou vender para as grandes potências. Nesta quinta-feira, imagens de centenas de balsas garimpando livremente o leito de um dos mais importantes rios da Amazônia tomaram as redes sociais. “É um crime ocorrendo à luz do dia, sem o menor constrangimento”, afirma Danicley Aguiar, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace, que sobrevoou a região para averiguar a denúncia de crime ambiental, em nota divulgada à imprensa.

As imagens feitas pela ONG mostram diversas fileiras de dragas e empurradores, equipamentos que cavam o fundo do rio em busca do minério, posicionados no rio Madeira na altura da comunidade de Rosarinho, na cidade de Autazes (Amazonas), a 110 quilômetros de Manaus. Eles teriam sido atraídos há duas semanas por boatos da descoberta de ouro na região. O local é bastante estratégico uma vez que a distância da capital dificulta fiscalização. “O Madeira é o rio com a maior biodiversidade no mundo. Abriga pelo menos 1.000 espécies de peixes já identificadas. Trata-se de um gigante que agoniza com hidrelétricas e uma epidemia de garimpo que nunca foi contida”, afirmou Aguiar.

O rastro de destruição do mercado ilegal de ouro brasileiro

O ativista atribui a audácia dos garimpeiros, que exploram o rio à luz do dia, à licença “política e moral” dada por Bolsonaro. No final de outubro, o presidente visitou um garimpo ilegal na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e defendeu um projeto de lei que regulamenta a exploração de recursos minerais, hídricos e orgânicos em reservas indígenas. “Esse projeto não é impositivo. Se vocês quiserem plantar, vão plantar. Se vão garimpar, vão garimpar. Se quiserem fazer algumas barragens no vale do rio Cotingo, vão poder fazer’”, discursou o presidente na ocasião. Nesta quinta, questionado sobre a situação, o vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou que a atuação dos garimpeiros pode ter o apoio do tráfico de drogas. “Nós temos tido vários informes de que o narcotráfico, essas quadrilhas, na ordem de proteger suas rotas, subiram para lá. Uma das formas de se manterem é apoiando ações dessa natureza”, disse.

Boatos de descoberta de ouro em Autazes, no Amazonas, fez com que dezenas de balsas de garimpeiro descessem o rio Madeira nas duas semanas.

BRUNO KELLY (GREENPEACE)

Segundo pesquisa divulgada pelo MapBiomas, entre 1985 e 2020 a área minerada no Brasil cresceu seis vezes ―passando de 31.000 para 206.000 hectares―, e o garimpo ilegal já ocupa uma área maior que a da mineração industrial. No ano passado, três de cada quatro hectares minerados no país estavam na Amazônia, pressionando especialmente os territórios indígenas. Em dez anos, a área ocupada pelo garimpo dentro de terras indígenas cresceu 495%; em unidades de conservação, o crescimento foi de 301%. O bioma concentra hoje 72,5% de toda mineração feita no país: são 149.393 hectares, sendo que, destes, 101.100 (67,6%) são de garimpo ilegal.

Modo de operação

O Greenpeace explica que o garimpo na Amazônia consiste em retirar minérios do fundo dos rios, filtrar e devolver as sobras, com produtos químicos, às águas. “Além de ilegal, o trabalho realizado pelas dragas polui e impacta diretamente o meio ambiente e as comunidades ribeirinhas e indígenas”, informou a organização. No Twitter, o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, descreveu a ação dos garimpeiros como sendo de “uma milícia com esquema financeiro político por trás, que envolve políticos e policiais”.

Mensagens trocadas por um dos grupos de garimpeiros que está no rio Madeira, às quais o Estadão teve acesso, mostram que eles estão preocupados em legalizar a situação. “Se não tiver um representante no Governo para brigar pelos garimpeiros, pode ter certeza que, todo ano, vai ser essa frescura”, disse um homem sem identificação nas mensagens publicadas pelo jornal, em relação às operações contra crimes ambientais. Os garimpeiros estão confiantes após uma vitória em janeiro de 2021, quando Rondônia autorizou a prática do garimpo em seu território e revogou um decreto que proibia a extração de minério no rio Madeira, no trecho da divisa com o Amazonas, Estado no qual a prática continua sendo ilegal.

A atividade vem sendo promovida pelo Governo brasileiro nos últimos dois anos, e já deixa marcas. Uma reportagem feita pelo EL PAÍS mostrou que a extração de ouro ilegal na Amazônia despejou um volume estimado em 100 toneladas de mercúrio nos rios da região. A exposição ao metal neurotóxico pode deixar danos graves e permanentes como problemas de ordem cognitiva e motora, perda de visão, além de implicações renais, cardíacas e no sistema reprodutor. Esse ouro foi exportado pelo Brasil para países como Canadá, Reino Unido e Suíça ―ironicamente, nações que também tentam vender a imagem de comprometidos com a causa ambiental.

No radar lento das autoridades

Após a denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) expediu uma “recomendação pedindo a adoção emergencial de ação coordenada de repressão e desarticulação ao garimpo ilegal de ouro” no rio Madeira, no prazo de 30 dias. O MPF ressalta que a “extração de ouro na região não é amparada por licença ambiental expedida pela autoridade ambiental competente (....) o que torna essa atividade ilegal”. Em evento em Brasília, o ministro da Justiça, Anderson Torres, disse que está sendo preparada uma operação com a presença, inclusive, da Força Nacional. O Ibama respondeu por meio de sua assessoria de comunicação que serão tomadas providências, mas que a coordenação da ação está sendo feita pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça.

Outros órgãos que também foram cobrados são o Comando Militar da Amazônia (CMA); a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), ligado ao Governo do Estado. “Os órgãos devem, cada um dentro de sua esfera de atribuições, realizar a identificação e autuação administrativa de todos os empreendimentos irregulares em operação ou com sinais de operação em passado recente na calha do rio Madeira ou afluentes, além de adotar medidas para a imediata interrupção das atividades ilícitas, inclusive mediante destruição dos instrumentos do crime, caso necessário”, disse o MPF.

No entanto, Juliano Valente, diretor-presidente do Ipaam, esclareceu em nota que as balsas estão ancoradas no rio Madeira, área de competência federal. De acordo com o órgão, a regulamentação da exploração mineral na área é de competência da Agência Nacional de Mineração; ao Ibama, compete o licenciamento ambiental. Quanto a atuação, em caso de crimes de exploração ilegal de minério, é competência da Polícia Federal. E questões como poluição hídrica estão sob responsabilidade da Marinha.

O MPF lembra que, em agosto deste ano, a Justiça Federal condenou Ipaam a anular licenças concedidas irregularmente para as atividades de extração de ouro no leito do rio Madeira, em área de mais de 37.000 hectares, em uma outra região, no sul do Amazonas. O processo está agora em fase de recurso. A ANM informou que ainda não recebeu oficialmente o documento do MPF. “Tão logo estejamos de posse do documento e articulados com os demais órgãos provavelmente nele citados, tomaremos as medidas cabíveis”, informou.

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Fonte:

https://brasil.elpais.com/brasil/2021-11-25/invasao-de-centenas-de-balsas-de-garimpo-ilegal-na-amazonia-expoe-tolerancia-do-brasil-com-crime-ambiental.html?sma=newsletter_brasil_diaria20211126


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