Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

UM PRÊMIO À EDUCAÇÃO E À ESPERANÇA

5 de maio de 2016


Hanan Al Hroub, professora no campo de prófugos palestinos de Belém, vence o Global teacher prize’ (Prêmio global do professor), concedido pela Fundação Varkey para quem mais se tenha destacado no seu trabalho. Ela afirma: “Decidi realizar essa minha tarefa para ajudar a crescer uma geração que saiba viver em paz”. (*)

Quem é Hanan Al Hroub -  Hanan tem 43 anos e cinco filhos. Nasceu e cresceu no meio de cotidiana violência e tensão: “Não tive uma verdadeira infância, mas gostaria que os nossos filhos, todas as crianças do mundo pudessem sorrir, brincar, aprender e a conviver num clima sereno. Tornei-me professora pensando em cooperar para o crescimento de uma geração que aprenda a viver em paz”. Foi considerada a melhor professora do mundo entre oito mil candidatos.  Seguem trechos da  entrevista  dada  ao  jornal  italiano “La Repubblica, (publicada em “Cronaca” - 14.03.2016).

E, então, o que dirá aos seus alunos?

Hanan – “Que eles são o futuro da humanidade, que as nossas armas são apenas a educação e a instrução. Em isto poderems mudar o mundo, torna-lo um lugar mais justo e pacífico”.

O que você fará com o milhão de dólares que recebeu do prêmio?

Hanan – “Gostaria de usá-lo para ajudar quem, de qualquer país, quer estudar e não possui os meios. E para os professores que queiram aprender o meu método de combater a violência e a agressão”.

Como surgiu o seu método de ensino?


Hanan – “Eu estudava literatura inglesa na universidade. Um dia meu marido, ao voltar a casa com os filhos, foi ferido com golpes de fuzil dos soldados israelenses. As crianças assistiram a tudo, impotentes, vendo o pai por terra coberto de sangue. Ficaram chocados, não conseguiam mais estudar nem sair de casa. Já era difícil antes... Depois daquele dia não eram mais as mesmas. Então, eu decidi: deixei a universidade e me tornei a professora deles, procurei fazê-las gostar de estudar com brincadeiras, até que um dia também os seus colegas começaram a vir à nossa casa. Aprendiam se divertindo. O passo seguinte foi o de decidir ensinar numa verdadeira classe”.

Como é que você ensina?

Hanan – “Para crianças que crescem em um clima de violência, injustiça e prepotência, é difícil estudar. Elas se tornam facilmente agressivas, ficam tristes, frustradas com a sua realidade. Assim, na escola procuro ser ao mesmo tempo uma professora e uma espécie de mãe que os conhece a fundo, sabe as suas debilidades e os seus problemas. Utilizei jogos para que aprendessem a escutar um ao outro, compreendessem que há opiniões diferentes e aceitassem perder sem raiva. Os resultados foram menos agressividade e melhores notas”. (...)

Também o papa anunciou a sua vitória.

Hanan – “Não parece verdade que uma pessoa da sua grandeza religiosa me tenha citado, tenha lembrado o direito das crianças de brincar, de rir, tenha falado da importância dos professores que seguem essas vidas.  Gostaria de encontra-lo, as suas palavras têm para mim o significado de que realmente existe uma vontade comum de combater a violência e de viver em paz”.

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(*) Versão livre de Vanise Rezende, da entrevista dada à jornalista Caterina Pasolini, do jornal italiano La Repubblica –  publicada em "Cronaca", 14.03.2016.
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Créditos Imagens:

1.  Momento da entrega do prêmio Varkey, em Dubai, do Sheikh Mahamed bin Rashid Al Maktoum - Fotos públicas - Global Education and Skills Forum-2016 

2.  Foto de Hanan Al Hroub - divulgação.
3.  Foto da reportagem aqui citada, no jornal italiano La Repubblica", 14.03.2016    (Reuters).

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