Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

COMPRE DO PEQUENO NEGÓCIO!

28 de agosto de 2015

Aparentemente não se percebe o quanto estamos inseridos como partícipes ativos do panorama econômico do nosso país. Alguns até participam das manifestações dos movimentos sociais, dos partidos políticos, dos grupos profissionais que lhes dizem respeito. Mas, o que se poderá fazer mais, de forma a promover uma resposta humanizada a questões que atingem a nossa economia doméstica, nas quais se pode interferir de fato e de imediato?
Parto do princípio que nos interessa que a economia do país deixe a cama do hospital, chegue à nossa casa com saúde e nos proporcione o bem-estar pelo qual lutamos na vida, de modo especial quando esse bem-estar pode ser alargado cada vez mais às pessoas não favorecidas com um trabalho formal, e que estão e continuam a inventar - com enorme criatividade - uma porção de coisas para a melhoria de suas vidas e daqueles que deles estão a depender.
Há poucos dias me deparei com uma informação que me apontou uma nova visão de quanto fazemos parte, e de quanto podemos corroborar – no sentido de provocar, dar uma colaboração efetiva - empurrar o nosso país a retomar os caminhos do crescimento econômico, pelo viez dos pequenos negócios que vendem no nosso bairro os produtos de que mais necessitamos no dia-a-dia.
A informação vem do SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – uma organização que tem prestado importantes serviços no âmbito dos pequenos negócios no Brasil. O SEBRAE está iniciando um diálogo com a população brasileira a fim de lançar – em 5 de outubro próximo – uma grande campanha – o "Movimento Compre do Pequeno Negócio". A ideia inicial é que as frutas e verduras que você comprar na barraca da esquina, o lanche que você fizer na padaria mais próxima à sua casa, ou o almoço de quinze ou vinte reais que você escolher num dos botecos do seu bairro, “tem um valor que vai além de apenas suprir as suas necessidades”.

É o que garante o presidente do SEBRAE Luiz Barretto - "O negócio fica perto da sua casa, o dinheiro fica no seu bairro e gera empregos. É o motor da economia e, quando analisado, o conjunto demonstra uma uma  amplitude econômica importantíssima". Para ele, a concepção do pequeno negócio ainda é muito vaga na sociedade brasileira. E afirma: "A ideia é juntar um ato de cidadania com um ato de mercado, de modo a fazer o consumidor entender por que é importante comprar de uma pequena empresa".


A revista Carta Capital (1) – da qual registro esta informação – apresenta a dimensão do setor das pequenas e médias empresas, no país: mais de 17 milhões de brasileiros vivem com carteira assinada por uma pequena empresa, e o setor responde a 27% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em São Paulo - por exemplo - já são mais de 2,7 milhões de micro e pequenas empresas.

O autor da reportagem, jornalista Felipe Campos Mello, registra o que diz Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, que está apoiando o movimento. Ao falar do momento econômico do país, ele enfatiza: “Evidentemente a crise existe. Em alguns segmentos e localidades ela é muito intensa, mas quando você olha o Brasil como um todo, ela não tem a expressão que os jornais falam. A grande maioria do nosso setor - os pequenos estabelecimentos – estão crescendo até 15 %.”

O setor de “franchising” - um sistema de franquia que consiste em replicar, em diversos locais, um mesmo tipo de negócio ou serviço - apresenta resultados igualmente positivos. A presidenta da Associação Brasileira de Franchising, Maria Cristina Franco, afirmou à Carta Capital que o setor de franchising - presente em 37% dos municípios brasileiros - fechará o ano de 2015 com um crescimento entre 7,5% a 9%.
O jornalista Fellipe Mello, da Carta Capital afirma que, para o presidente do Sebrae o momento é de crise, mas é também de oportunidade: “Nós vivemos um ano de ajuste, de dificuldade, mas a pequena empresa continua gerando emprego. O saldo do primeiro semestre de 2015 é positivo, entre janeiro e 31 de junho foram geradas 116 mil vagas, muito mais do que as médias de grandes empresas. Estas, por sua vez, apresentaram um saldo negativo em torno de 450 mil vagas", afirma Luiz Barretto.

Creio que podemos concluir que será um bom negócio para o Brasil se nós, compradores, começarmos desde agora a comprar o que for possível no bairro em que vivemos. Será um modo de colaborar diretamente para o crescimento do pequeno empreendedor, ao invés de contribuir com o que já é grande. No setor público, por exemplo, isto se faz com a decisão de adquirir os itens necessários à preparação da merenda escolar, comprando diretamente do produtor rural do município em questão. A prática, por exemplo, de fazer a feira semanal de orgânicos do bairro, além de uma atitude saudável para a economia do pequeno produtor rural, é também uma medida importante para a nossa saúde, pois estaremos livres de alguns itens “venenosos” que os grandes produtores usam em seus produtos, sejam da área rural sejam do setor de industrializados.

Este gesto não tem lado político nem partidário. É um gesto concreto de cidadania que, se ampliado - como comenta um dos leitores da revista Carta Capital – “cria-se um círculo virtuoso com menos carros na rua, menos poluição, menos anonimato, mais humanização, mais vida nos bairros, mais interação com quem mora perto etc.". E enfatiza: Às vezes menos é mais, e pode valer a pena gastar um pouco mais, se economizarmos tempo e pensarmos em todos os benefícios envolvidos”.
Fica, então, o convite. Já podemos começar de hoje!

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(*) Reportagem de Felippe Mello: “Por que comprar no mercadinho da esquina”, in: www.cartacapital.com.br/economia - publicada em 7/08/2015. Comentário de Tamasoi – Citizen Quem – 7/08/2015.


Créditos imagens:

1.Pão, pitombas e alecrim - arquivo blog.
2.Reunião Sebrae - 07.08.2015 - www.agenciasebrae.com.br - Foto: de Luiz          Prado.
3.Simplesmente Saudável - www.agenciasebrae.com.br - Foto: Luiz Costa - La      Imagen 
4.Scholl Bus - www.canstockphoto.com.br
5.Horttifrutti - www.g1.globo.com
6.Mercado da Madalena - Recife-PE - arquvio blog
7.Apanã - Mercado de Orgânicos em São Paulo - foto guiamad.com.br
8.Crescimento dos mercados de bairro - www.abcconsultores.com.br


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