Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

RETRATO DE MULHER

21 de maio de 2015

Um retrato de mulher negra e altiva me fez visitar meus pensares sobre a vida das mulheres de todas as cores credos e raças, nos hemisférios norte e sul. Fui, então, aos meus arquivos de retratos de mulheres - expressões de arte, poesia e beleza - na vontade de fazer-lhe uma homenagem.  

Mulher. Simplesmente mulher: aquela que precisa ter cuidado com os sentimentos e a palavra, com o jeito de se vestir e de pensar, com o modo de olhar e de ser olhada. Cuidado com o que dizem os que com ela vivem: o companheiro ou a companheira, os pais, os filhos, a sogra, genros e noras, amigos e amigas. Cuidado de se expor, de dizer o que pensa, de ir mais fundo no pensar e - coisa mais triste - cuidado para não refletir sobre a sua própria vida. 


Este é o cuidado medroso dos nossos dias. Medo de conhecer que talvez não se esteja tão satisfeita com a vida que está levando, com o lazer que nem mais existe, com o trabalho sempre igual, superficial, de relações reticentes ou carregadas de inveja, a segurança abalada, os sentimentos em pane! 

Medo desse tempo difícil para negócios e instituições, gerentes e patrões, colaboradores do governo ou de organizações privadas. Um tempo que se pensa mais aconselhável para escutar do que para se expressar, mais conveniente de se mostrar indiferente, do que de propor e de lutar.  







Um tempo levado ao léu, e tão  cobiçado! Sem mais tempo de ler nem de fazer visitas. Um tempo sem conversas profundas - desperdiçado no ralo das novelas vibrantes, do Facebook incessante, do sei lá o que fazer! Um tempo, quiçá, também mais duro de se viver do que antes!










A mulher sabe que ao pensar na sua profundeza, ao se deixar mergulhar em si, talvez perceba o que submerge por dentro de suas entranhas, e o seu soterrado consciente possa se mostrar desnudo e claro, como é. 







Porque a mulher quando se deixa entrar em contato com o seu mundo - com a parte entranhada de si - é capaz de reconhecer quem ela é, de dar nome ao sentimento verdadeiro que a invade, ao compromisso de vida que um dia assumiu consigo mesma. Então, consegue assumir o leme da sua própria história, sem mais confabular contra si mesmo, nem desvirtuar a sua singular individualidade.

                                                           
                                                       
Nos meus devaneios de hoje surgiu uma cantiga/homenagem a todas a mulheres brilhantes, brincantes, amadas e amantes, galantes, frágeis, servidoras e lutadoras, fiéis aos seus ideais mais profundos:

Mulher... Beleza.
Mistério denso. Intenso.
Delicada força. Alteza.
Sabor de vida e graça. Incenso.
Cumplicidade e inteireza.
Segredo recluso. Grave. 
Inexplicável. Imenso.
Desejo, amor, ternura
Inigualável. 
Mulher intensa, imensa, 
Mulher... Humana criatura!

Crédito das imagens

Mulher de Moçambique - Fulgurante quadro do pintor português José António do Vale Soares, nascido em Lourenço Marques (atual Maputo / Moçambique), em 25/07/1927. Faleceu em Porto, em 20/05/1996).
Três retratos de mulher  - quadros de Roberto Ploeg, pintor holandês radicado no Recife (Roberto Ploeg - Galeria).
Margarida Alves - trabalhadora rural assassinada na porta de sua casa, por seu ativismo sindical.
Cabeça de Mulher - escultura de Abelardo da Hora, fotografada durante exposição no Recife.

Nota: As imagens publicadas neste blog pertencem aos seus autores. Se alguém possui os direitos de uma dessas imagens e deseja que ela seja removida deste espaço, por favor entre em contato com: vrblog@hotmail.com



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