Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

EM BUSCA DO PRÓPRIO SONHO

16 de março de 2015

A insônia me fez ruminar ideias sobre as pessoas que um dia percebem o quanto ainda há que "endireitar" em suas vidas. 

Observo que há os que chegam a avaliar que - apesar das oportunidades surgidas - ainda não se veem em seu rumo de chegada, e desconhecem a sua meta final. 

Em suas mãos resta o mapa esmaecido dos caminhos percorridos e dos encantos desfeitos - como diante de uma chuva inesperada que apaga o sol amanhecido, deixando as poças d´água a encharcar os passos indecisos. 

É possível que essas pessoas tenham embocado num processo de isolamento, cujo sintoma é a incapacidade de lidar com os próprios sentimentos ou de partilhá-los com os amigos: a insatisfação, os medos, as suas percepções essenciais não partilhadas com aqueles em quem confiam - quiçá para não incomodá-los. As ocasiões de conversar com outras pessoas, nas saídas de lazer ou em momentos de comemoração, são deixadas de lado. Deixa-se à margem as oportunidades de criar pontes, de receber apoio, de poder exercitar o afeto e experimentar a incondicionalidade da amizade.

Alguns chegam mesmo a desconfiar das atenções recebidas e ficam a se perguntar por que... Em troca de que... se estou de mãos vazias, empobrecido de tudo o que nutre a vida e o amor? Há os que desconfiam até quando alguém põe em relevo suas qualidades profissionais, como se fosse um engodo, sem levar em conta o grande esforço realizado para chegar ao que já foi conquistado. 

O que parece, é que na história de algumas pessoas ainda restam resquícios do romantismo adolescente que, se antes gerava atitudes de conquista e prazer, agora inibe a amplidão do sonho e a abertura para o exercício do amor. Pois que o Evangelho nos fala que a medida do amor ao outro é gerada pela medida do cuidado e do amor por si mesmo: "Ama ao teu próximo como a ti mesmo". A filosofia Ubuntu, de alguns povos africanos, também põe em relevo essa visão, quando afirma: "Sou na medida em que você é."

Lamentavelmente, muitos ainda resvalam na ilusória "necessidade" de se isolar, de evitar a troca e o diálogo, em  atitude de rudeza consigo mesmo.  Bom seria que, em algum momento, tentasse fazer um diagnóstico desse vírus adquirido, desse aprendizado ao revés, que leva a lugar nenhum senão à solidão. 

É também muito importante aprender a precisar do outro, e não só a doar-se sempre. Buscar ajuda para que seus caminhos sejam mais ensolarados, mesmo que a chuva continue a anuviar algumas paisagens. 

Sair à procura de ideias e experiências aquecidas pelo convívio com pessoas que sabem acolher e escutar, ao pé da lareira da intimidade, e da troca, enquanto pode até estar a chover lá fora ou, quem sabe, no próprio quintal... 


Para aqueles que já aprenderam a superar essa armadilha, fica a lembrança de que é importante olhar com atenção ao seu redor: há muitas pessoas que estão apenas precisando de um gesto de atenção, de uma escuta despretensiosa, da leveza do apoio fraterno. Sem esquecer que o outro precisa apenas ser ouvido. Será ele a encontrar como ajustar o próprio passo à sua necessidade. Cada um é chamado a aprender a contemplar sua paisagem e a descobrir, por ele próprio, as veredas por onde quer chegar em busca de seu sonho. 

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Crédito imagens: canstockphoto.com.br



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