Vanise Rezende - clique para ver seu perfil

NEGÓCIOS & COMUNHÃO

23 de setembro de 2014



Recentemente participei, em São Paulo, de um encontro com pessoas que atuam na Economia de Comunhão – um movimento heterogêneo e dinâmico cujo objetivo é a vivência da comunhão, geradora de ideias e projetos, do qual fazem parte jovens universitários e professores, consultores, empresários e outras pessoas interessadas. 







Os participantes vinham de diferentes regiões do país. Nas plenárias e nos grupos procurava-se 

identificar as estratégias para um novo período do movimento no Brasil. Pessoas jovens e maduras trocavam ideias e experiências com ênfase no protagonismo dos pobres – esses, a causa mobilizadora da inspiração de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, que em 1992 dera início, no Brasil, ao movimento de Economia de Comunhão hoje de expressão multinacional.

O encontro durou dois dias e meio, o suficiente para se refletir sobre as seguintes questões:
         a)  Processos de sustentação da “cultura de comunhão”: partilha de recursos, talentos, ideias,   informações, e até mesmo de experiências entre profissionais, empresários e jovens universitários; 
    b) Relacionamento fraterno de reciprocidade entre os membros da EdC – e suas experiências de apoio recíproco nas dificuldades encontradas;
      c) Opção pessoal e estruturante pelos pobres, vista como porta de entrada para os que desejam aderir ao projeto EdC: incluir-se entre aqueles que sofrem a pobreza no mundo.
A metodologia escolhida é a de caminhar juntos. Neste sentido lembram que os primeiros cristãos eram os seguidores de Jesus, aqueles que iam com ele pela estrada.


Não há condicionantes para que uma pessoa participe da EdC. É preciso, no entanto, que ela sofra a realidade dos pobres, que sofra por esse mundo em que se buscam caminhos de mudança. A EdC escolheu o gesto efetivo de abraçar, com os pobres, a sua própria causa.
O argentino Juan Steban, um focolarino colaborador da Porticus, presente no encontro, comentou que o capitalismo tem “efeito ambulância”: faz suas vítimas e os projetos assistencialistas vão recolhendo-as pelo caminho. 

Enfatizava: o elemento de mudança é o trabalho. Isto significa sair da prática de programas de transferência de renda condicionados – que desencorajam a cultura do trabalho – para a criação de postos de trabalho. E concluía: o mais importante a ser feito é gerar oportunidades dignas de trabalho com os que estão ficando para trás.


Dizia ainda Juan Steban: Há sempre um grande impacto social  quando se enfrenta os fatores de desestabilização gerados pela ausência do trabalho. É assim que se corrobora o fortalecimento da cidadania e os direitos dos cidadãos. Armando Tortelli, presidente da ANPECOM (ii) concordava: Precisamos fazer mais comunhão e menos economia, como sugeriu Emmaus, presidente do Movimento dos Focolares.

Percebi muitos jovens, ali presentes, encantados com essa mudança de paradigma. Estive ao lado de uma empresária que me falou de um projeto que está a desenvolver: antes ela visitava mulheres prisioneiras para lhes oferecer algum lenitivo. Agora, após o relacionamento construído durante as visitas, preparam juntas um projeto de trabalho para quando elas saírem da prisão. 
Meu coração se encheu de alegria e de renovada Esperança na convivência com aquelas pessoas. Sairei em busca de outras experiências que ilustrem o que escutei e observei ao lado dos membros da EdC durante essa densa viagem.
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Fonte das imagens: fotografias durante o evento - arquivo do blog.




i - www.edc.com
ii - www.anpecom.com.br - Associação Nacional por uma Economia de                       Comunhão.

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